À moda phygital: conheça o trabalho de Lucas Leão, um dos pioneiros no Brasil na moda imersiva

Lucas Leão vem hackeando o mercado e cavando seu espaço com desfiles híbridos e peças que podem ser consumidas tanto no meio físico quanto no digital
LAÍS FRANKLIN

Look da coleção Erebus de Lucas Leão (Foto: Roger Cordeiro)

primeiro desfile físico do estilista carioca Lucas Leão desde o começo da pandemia proporcionou experiências inéditas de interação digital para a plateia de 50 pessoas em um grande galpão na Zona Oeste de São Paulo. A partir de um filtro desenvolvido para o Snapchat, quem apontava a câmera do celular para a passarela podia observar os 16 looks desfilados e a cenografia com novas camadas de realidade aumentada 3D feitas com computação gráfica pelo artista plástico alemão Franco Palioff – revelando texturas e cores na tela sobrepostas ao meio físico. “Quisemos trazer exatamente o oposto do formato físico convencional, para criar uma outra percepção do que pode ser um desfile. Você enxerga uma coisa a olho nu e outra pelo celular, são experiências que se complementam e que conversam entre si”, define o estilista.

O desfile foi gravado e depois exibido digitalmente na Brazil Immersive Fashion Week (primeira comunidade de moda imersiva da América Latina) no fim de outubro. A apresentação também fez parte do line-up do SPFW, que aconteceu em novembro. “Levamos três meses para criar a coleção Erebus. Nossa principal referência foi a pintura Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch. Assim como na obra, quisemos abordar a nossa visão de reconstrução do mundo”, explica o designer.

A etiqueta homônima genderless, carinhosamente apelidada pelo estilista de LL, teve seu début em 2018, com um desfile no Projeto Estufa do SPFW, dedicado a novos talentos. A label é uma extensão dos questionamentos de Lucas, e toda coleção é montada coletivamente com artistas plásticos, num processo horizontal e colaborativo. “Nossos carros-chefes são as segundas pele e as jaquetas de alfaiataria bem estruturadas. Já tivemos estampas criadas a partir de tecidos pintados à mão e outras concebidas em software 3D com cores desenvolvidas no meu estúdio. Cada processo é único pois não trabalhamos com tecido pronto da indústria têxtil”, conta o estilista.

Lucas também foi o primeiro brasileiro a comercializar peças digitais que podem ser “vestidas” através de realidade aumentada. Ao adquirir o vestido Anêmona (R$ 150 no Shop2gether), por exemplo, o cliente envia a foto onde deseja ter o look aplicado e recebe a imagem com o produto em até cinco dias. “Por serem concebidos em 3D, os itens não possuem restrições de tamanho e ainda geram menos impacto ambiental. É sobre esse enxugamento de quantidade e o questionamento: será que precisamos de tanta roupa?”, avalia o estilista, que possui um armário bem editado composto por apenas uma pequena arara de roupas e somente quatro calças curingas.

Look da coleção Erebus de Lucas Leão (Foto: Roger Cordeiro)
Look da coleção Erebus de Lucas Leão (Foto: Roger Cordeiro)

É interessante observar como Lucas se apropria do meio digital como extensão do ambiente físico e não pela anulação dele. Exemplo disso é uma t-shirt unissex branca confeccionada em algodão com a logo da marca. “Você pode usá-la normalmente, como uma peça básica do guarda-roupa, mas quando você abre nosso filtro do Instagram e tira uma selfie, ela ganha cinco opções de estampas digitais”, conta. Cada peça vem com um QR Code que decodifica e libera esse filtro.

Suas experimentações também se desdobraram, em meados do ano passado, na ÍON, primeira exposição de moda no Brasil feita para o metaverso. Parte da Brazil Immersive Fashion Week de 2020, a exibição digital mostrou as quatro últimas coleções do estilista, em versões 3D criadas pelo Zebra 3D Fashion Studio. “Digitalizamos todas as peças e criamos uma imersão completa com interação de avatares, vídeos e fotos como moodboard”, conta Andressa Castaman e Guilherme Schneider, casal à frente do Zebra (saiba mais sobre o estúdio no sidebar abaixo).

O diálogo potente que Lucas Leão vem propondo entre o meio fashion e o mundo tech já é cobiçado por grandes marcas do entretenimento. Ele prepara um projeto digital especial em parceria com a Disney, focado nos vestidos das princesas. “Acredito muito na quebra de paradigmas e em novas configurações de sistemas de expressão. O digital ainda é pouco explorado pela moda e queremos levar novas percepções e experiências para os nossos consumidores. Para mim, não tem nada mais prazeroso do que ver algo que eu nunca tenha visto antes, e vou continuar trabalhando para despertar essa sensação em mais pessoas também”, finaliza.

Look autoral do Zebra 3D Fashion Studio (Foto: Zebra 3D Fashion Studio/Divulgação)
Look autoral do Zebra 3D Fashion Studio (Foto: Zebra 3D Fashion Studio/Divulgação)

CRIAÇÃO DIGITAL
Fundado em março de 2020 pela estilista Andressa Castaman e pelo designer de produto UX Guilherme Schneider, o Zebra 3D Fashion Studio é especializado na criação e digitalização de roupas, desfiles e editoriais de moda feitos exclusivamente para o meio digital. O estúdio fez sucesso logo na primeira coleção de bolsas com texturizações animadas em 3D da marca Katsukazan e, de lá para cá, já fizeram campanhas digitais para labels como Adidas, Lucas Leão e Farm. “Muita gente ainda tem medo da moda digital. Mas temos muito apego estético, então prezamos pela qualidade visual e caimento das roupas online. Sentimos um boom grande de demanda por esse tipo de serviço nos últimos seis meses”, explica Andressa.

O processo de digitalização é complexo e minucioso: primeiro a peça é modelada digitalmente no CLO3D, depois texturizada pelo programa Substance Painter. Em seguida, vem a animação e renderização feita no Cinema 4D e, por fim, quando são usados modelos humanos, o produto é testado no DAZ 3D. “Colocamos estampas, ajustamos a cor, pesquisamos o tipo de tecido e como ele se comporta, adicionamos costura, podemos escolher o tipo de ponto aparente, são várias as possibilidades”, contam.

Styling : George Krakowiak
Beleza: Branca Moura
Assistente de fotografia: Gustavo Uehara
Assistentes de styling: Carol Oliveira e Giovana Araújo
Set design: Fi Ferreira
Assistente set design: Kilter Paz

Betty White morre poucos dias antes de completar 100 anos de idade

Betty White

A querida atriz, comediante e ícone americana Betty White morreu aos 99 anos de idade. Segundo o TMZ, a atriz lendária estava em sua casa quando foi encontrada na manhã desta sexta-feira (31).

Não se sabe ao certo a causa da morte de Betty, que completaria 100 anos de vida no próximo 17 de janeiro. Atriz lendária de Hollywood, ela teve a carreira mais longa na TV. Iniciou a vida no entretenimento em 1939.

“Mesmo que Betty estivesse prestes a ter 100 anos, eu pensei que ela viveria para sempre. Sentirei terrivelmente a falta dela, assim como do mundo que ela tanto amava. Não acho que Betty jamais teve medo de morrer porque sempre quis estar com seu marido mais amado, Allen Ludden. Ela acreditava que voltaria a ficar com ele”, disse seu agente e amigo íntimo Jeff Witjas à Revista People em um comunicado oficial.

Sua última entrevista inclusive foi para a Revista People, em que falou sobre como estava se sentindo por fazer 100 anos. “Tenho muita sorte de ter uma saúde tão boa e me sentir tão bem nesta idade. É incrível”.

Betty começou no rádio nos anos 40, fazendo aparições em BlondieThe Great Gildersleeve e This is Your FBI. Em 1949, Betty começou a trabalhar em um programa de variedades na televisão com Al Jarvis chamado Hollywood on Television – que ela mais tarde co-apresentou – antes de entrar em mais papéis na TV nos anos 50.

Um dos pontos altos da carreira da atriz foi quando ela integrou o elenco de Golden Girls, que no Brasil ficou conhecido e transmitido na TV Globo como Super Gatas. Betty atuou na série entre 1985 e 1992.

Betty White integrava o elenco de Super Gatas, que ficou no ar entre 1985 e 1992 (Foto: Reprodução / IMDB)
Betty White integrava o elenco de Super Gatas, que ficou no ar entre 1985 e 1992 (Foto: Reprodução / IMDB)

Além de Super Gatas, Betty tinha mais de 115 créditos como atriz em seu nome, em produções como Life with ElizabethThe Betty White Show, Mama’s Family, That’s 70’s Show, 30 Rock, Saturday Night Live, entre outros.

Ela recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira, incluindo vários Emmy, Screen Actors Guild Awards, American Comedy Awards e até mesmo um Grammy. Ela foi indicada para vários Globos de Ouro e também foi homenageada com muitos prêmios pelo conjunto de sua obra e comemorações por meio de várias organizações.

Eclipse of The Heart – Fucking Young! Online

Mason Heaven at Chadwick Models shot by Diego Lorenzo F. José and styled by Catherine V., in exclusive for Fucking Young! Online.

Art Director & Stylist: Catherine V. @catherinev_stylist
Photographer: Diego Lorenzo F. José @diegolorenzojose
Model: Mason Heaven @mason_heaven from Chadwick Models @priscillasmodels
MUA: Cherry Cheung @cherrycheungmakeup
Hair: Gavin Anesbury @gavinanesburybeauty
Photo Assistants: Nick Shaw @knickshaw
Fashion Assistant: Yan Martea @martea_photo
BRANDS: KCB Fashion, NONPLUS, Spyridon Gogos X Queenie Star, Dogstar Clothing, Maddison Robinson, Immortale Jewellery, Vivaz Dance, Djordjewitsch, adidas, Bowie Wong, Atelier Eight.

Fendi | Haute Couture Fall Winter 2021/2022 | Full Show

Fendi | Haute Couture Fall Winter 2021/2022 by Kim Jones | Phygital Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Haute Couture Fashion Week – Paris/FR)

Martin Romberg – By The Lake/The City/Left Alone

Salvatore Ferragamo Pre-Fall 2022

Salvatore Ferragamo unveiled the lookbook for its Pre-Fall 2022 collection.

Katy Perry lança When I’m Gone, faixa em parceria com o DJ Alesso

Mergulho na dance music pode ser só o início de nova fase, indica a cantora
EDUARDO PEREIRA

A cantora americana Katy Perry juntou forças com o DJ Alesso para lançar “When I’m Gone”, faixa trabalhada na dance music que marca o início da residência da artista em Las Vegas, intitulada Play. Segundo afirmou Perry em entrevista concedida à New Music Daily, o novo trabalho está em seu radar há mais de um ano, mas o melhor momento para o lançamento só veio agora. Ouça o single acima.

“Alesso me mostrou essa música há um ano e meio, mas eu não estava preparada para embarcar em uma nova era. Agora, senti que era a hora certa de lançar, junto com a chegada da minha residência em Vegas. Esse show é tão grandioso e maluco que queríamos lançar algo novo. E foi o timing perfeito para divulgar essa música que é tão dançante, divertida e para cima”, afirmou Perry.

O último álbum de Katy Perry, Smile, foi lançado em agosto do ano passado. Anteriormente, Perry havia lançado colaborações; o remix de “Con Calma” com Daddy Yankee e Snow e a colaboração com Zedd, “365”.

Musk alfineta instituições e não quer ter imagem de ‘mocinho’ na filantropia

Com discussões públicas nas redes sociais, Musk adota antagonismo mesmo em meio a doações para instuições filantrópicas
Por Nicholas Kulish – New York Times

Musk usou o Twitter para pedir que a WFP explicasse como uma possível doação bilionária poderia ser usada para acabar com a fome mundial

As pessoas mais ricas do planeta costumam destinar uma parte de suas imensas riquezas para a caridade. Bem, essa é a promessa e o esperado. Jeff Bezos, até muito recentemente o homem mais rico do mundo, vinha cumprindo a tarefa cuidadosamente, embora com um pouco de cautela, doando dinheiro para bancos de alimentos e famílias desabrigadas, ao mesmo tempo que prometia US$ 10 bilhões da fortuna que conseguiu com as vendas online pela Amazon, para combater as mudanças climáticas. O próximo a destinar seus recursos para a filantropia é Elon Musk — mas não de forma tradicional.

O novo homem mais rico do mundo, porém, adotou uma tática bem diferente. Houve uma discussão pública com o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP, na sigla em inglês) no Twitter, por exemplo, anunciando: “Se o WFP puder descrever neste fio do Twitter exatamente como US$ 6 bilhões resolverão a fome mundial, venderei as ações da Tesla agora mesmo e doarei o dinheiro.”

Também houve uma enquete online perguntando se ele deveria vender 10% de suas ações da Tesla para pagar impostos sobre pelo menos parte de sua riqueza, como a maioria das pessoas faz sem lançar uma pesquisa antes.  E, é claro, há a insistência contínua de que seus esforços para ganhar dinheiro, administrando tanto a fabricante de carros elétricos Tesla como a empresa de foguetes SpaceX, já estão melhorando a humanidade e agradeçam por isso. Musk está praticando a “filantropia troll”.

Foi assim que Benjamin Soskis, pesquisador do Centro sobre Organizações sem Fins Lucrativos e Filantropia no Instituto Urban, chamou o seu comportamento, observando Musk parecer estar se divertindo com esse novo modo de agir.

“Ele não parece se importar muito em usar sua filantropia para ganhar simpatia do público”, disse Soskis. “Na verdade, ele parece gostar de usar sua identidade como filantropo, em parte, para antagonizar o público.” Antes deste ano, estimava-se que as doações dele somavam US$ 100 milhões, uma quantia muito superior para quase todos os padrões, exceto para multibilionários como Musk.

A maioria das pessoas ricas faz o oposto. Para começar, elas usam a filantropia para melhorar sua imagem ou distrair o público das práticas comerciais com as quais conquistaram seus enormes patrimônios.

Quando, como e por que os ultrarricos escolhem doar parte de suas fortunas é mais importante do que nunca, pois muito mais dinheiro está concentrado em suas mãos e pouco dele está sujeito a impostos, segundo as leis atuais. A sociedade está até certo ponto, estagnada atualmente, dependendo de contribuições voluntárias daqueles com maiores recursos.

“A ideia de que a filantropia de que qualquer indivíduo tem dinheiro suficiente para impactar algo em escala global é um fenômeno muito novo”, disse Homi Kharas, pesquisador do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Instituição Brookings, em Washington. A maioria dos bilionários “acumulou sua riqueza porque a economia mundial atualmente está globalizada, mas para sustentar uma economia mundial globalizada, precisamos ter um crescimento mais inclusivo”.

Existem muitos tipos diferentes de doadores, como a ex-esposa de Bezos, MacKenzie Scott, que concentrou seus bilhões para ações de diversidade e igualdade. Há aqueles que se autodenominam “altruístas eficazes”, como o cofundador do Facebook, Dustin Moskovitz, e sua esposa, Cari Tuna, parte de um movimento em busca de soluções baseadas em evidências para encontrar causas em que seu dinheiro seja mais benéfico. E há os tradicionalistas, como Bill Gates e Michael Bloomberg, que criaram instituições para administrar suas doações.

Musk e Bezos são, com US$ 268 bilhões e US$ 202 bilhões, respectivamente, os dois americanos mais ricos no momento, o que leva a contrastes mais acentuados entre suas estratégias para doações financeiras em reconhecimento ao próprio sucesso.

Em setembro, Bezos subiu ao palco com a secretária-geral adjunta das Nações Unidas, Amina J. Mohammed, e ouviu o ex-secretário de Estado dos EUA John Kerry elogiá-lo dizendo: “Ele está se mexendo de uma forma que, lamentavelmente, muitas pessoas que têm recursos não estão”.

Enquanto isso, Musk respondeu a um tuíte de Bernie Sanders em que o senador exigia “que os extremamente ricos pagassem sua parte justa de impostos” dizendo: “Sempre esqueço que você ainda está vivo”.

A estratégia nada tradicional de Musk para fazer doações não impede que pessoas que precisam delas, como David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, entrem em contato para pedir ajuda. “Os recursos à disposição dele são tão grandes e provavelmente importantes, que temos que acioná-lo e aceitar um pouco da sua trollagem, se quisermos tentar exercer alguma pressão sobre ele e influenciar de alguma forma suas rudimentares prioridades filantrópicas”, disse Soskis.

Musk não respondeu ao e-mail em que o convidamos a falar a respeito de suas ações filantrópicas.

História antiga

A noção de que os ricos têm a obrigação moral de doar é antiga. Soskis, historiador de filantropia, observa que os cidadãos ricos da Roma antiga tentavam superar uns aos outros pagando por casas de banho públicas e teatros. As letras e nomes gravados nesses edifícios poderiam contar como um modelo das primeiras listas de doadores.

A ideia de que os mais ricos talvez precisem de caridade para melhorar sua imagem pública também é antiga, trazida aos Estados Unidos na Era Dourada depois que o descontrole, em 1882, do magnata das ferrovias, William Henry Vanderbilt, ao dizer “Dane-se o público!”, o acompanhou até o fim de seus dias.

As iniciativas para monitorar as doações de caridade dos muito ricos nos EUA datam do final do século 19, quando os rankings de milionários aumentaram rapidamente. Não demorou muito para que os jornais publicassem listas na primeira página de quem tinha feito as maiores doações. A primeira dupla a atrair a atenção pública foi John D. Rockefeller e Andrew Carnegie, cujos sentimentos sobre a divulgação da filantropia eram completamente opostos.

Charges da época mostravam Carnegie, geralmente usando um kilt, em referência à sua origem escocesa, despejando moedas de enormes sacos de dinheiro. O homem que morre rico, morre em desgraça”, escreveu Carnegie em “O Evangelho da Riqueza”, seu tratado sobre doações. Já Rockefeller preferia manter em segredo suas doações e tinha que ser convencido a divulgá-las.

Para aqueles que acham que a trollagem começou no Twitter, a filantropia nunca foi tão civilizada quanto imaginamos hoje. George Eastman, um dos fundadores da Eastman-Kodak, chamou aqueles que não doavam seu dinheiro enquanto estavam vivos de “idiotas de rostos gordos”. Julius Rosenwald, presidente da Sears, Roebuck and Co. e um importante filantropo em sua época, insistia que o acúmulo de riqueza não tinha nada a ver com inteligência, acrescentando: “Alguns homens muito ricos que fizeram suas próprias fortunas estão entre os mais imbecis que já conheci na minha vida.”

Mas a ideia de que fazer doações ajuda a reputação é, na melhor das hipóteses, apenas parcialmente verdadeira. Algumas vezes, os doadores são elogiados, mas, com a mesma frequência, ter um status maior significa que seus motivos e escolhas são dissecados de forma detalhada. O cofundador da OracleLarry Ellison, e os fundadores do GoogleLarry Page e Sergey Brin, têm, cada um, mais de US$ 120 bilhões, segundo a revista Forbes, mas nenhum deles recebe o nível de escrutínio que Bill Gates, por exemplo.

“Se você não se limitar à filantropia, se manifestar em relação ao que acredita ser importante e disser: ‘Eu me interesso pelo meio ambiente’, ou qualquer outra causa, as pessoas podem começar a questionar isso”, disse Beth Breeze, autora do livro recém-lançado In Defense of Philanthropy (Em defesa da filantropia, em tradução livre). Beth discorda da tendência recente de criticar os filantropos, que, segundo ela, são normalmente descritos como “sonegadores, egoístas, irritantes” – críticas que talvez eles mereçam, mas que não são comentários considerados por ela como úteis para o bem comum.

“Minha preocupação não é proteger os ricos. Eles podem cuidar de si mesmos. Minha preocupação é se o dinheiro acabar”, disse Beth, que arrecadou fundos para um centro de jovens desabrigados antes de se tornar uma pesquisadora acadêmica e se identifica como uma apoiadora de esquerda do Partido Trabalhista na Grã-Bretanha. Um filantropo ‘troll’ talvez seja um alvo fácil para críticas, mas doar dinheiro de maneiras tradicionais não garante ficar a salvo delas.

Existem várias escolas diferentes de críticas utilizadas para diversos tipos de doadores. Há o argumento estrutural de que a filantropia serve como outro meio de usar a riqueza para consolidar poder e influência. Grandes doações são frequentemente comparadas com o valor líquido total possuído pelo doador para mostrar que, como uma porcentagem de sua riqueza, as doações são muito menores do que parecem em termos absolutos. As doações para instituições culturais, como o Metropolitan Museum of Art e as universidades da Ivy League são agora atacadas constantemente por reforçarem o status quo. Até mesmo as doações para reconstruir a catedral de Notre Dame, em Paris, depois que ela pegou fogo, geraram uma reação considerável.

As instituições tecnocráticas que definem referenciais para doações e estipulam limites rígidos sobre como seu dinheiro pode ser gasto são chamadas de controladoras e hierárquicas. Por outro lado, o apoio operacional geral sem orientação em relação a como o dinheiro pode ser usado tem sido elogiado por muitos recentemente como o melhor modo de agir.

Em fevereiro, Bezos recebeu da revista Chronicle of Philanthropy, o primeiro lugar da lista dos principais filantropos de 2020, a “Philanthropy 50”, embora a maior parte da quantia doada fosse daqueles US$ 10 bilhões prometidos por meio de seu Fundo Bezos Earth, que mal havia começado a funcionar. Foi um pouco como a surpresa de Barack Obama levar o Prêmio Nobel da Paz, menos de um ano após o início de seu mandato, o que acabou por aguçar as críticas em vez de atenuá-las.

Mas depois de um começo lento com suas doações, Bezos parece que fez a lição de casa direitinho. Ele doou US$ 100 milhões para a rede de bancos de alimentos Feeding America e outros US$ 100 milhões para o centro presidencial de Obama. O dinheiro também está saindo mais rapidamente do Fundo Bezos Earth. Recentemente, ele anunciou outras 44 doações no valor total de US$ 443 milhões para grupos que trabalham com questões como justiça climática e conservação, parte daquela promessa de US$ 10 bilhões.

“Você precisa ter um senso bem apurado para negociações para alocar bem as doações”, disse Andrew Steer, presidente do Fundo Bezos Earth, em uma entrevista.

Estratégia

O próprio Musk começou com o que parecia ser uma estratégia um tanto convencional para fazer doações. Ele criou a Fundação Musk em 2002 e se comprometeu, de forma não vinculativa, com a organização filantrópica Giving Pledge, a doar metade de sua fortuna em 2012. (O site da Fundação Musk poderia, por si só, ser considerado uma espécie de trollagem, com seu texto de 33 palavras escrito em fonte preta sobre um fundo branco).

Para o ano fiscal encerrado em junho de 2020, a Fundação Musk fez doações de pouco menos de US$ 3 milhões para nove grupos, a maioria dele está relacionada à educação, e doou US$ 20 milhões para a Fidelity Charitable, que administra um tipo de fundo aconselhado por doadores que os críticos dizem poder funcionar como um estacionamento para dólares de caridade. Isso saiu do quase US$ 1 bilhão disponível nos cofres da Fundação Musk até o final do ano fiscal.

Desde então, ele anunciou US$ 150 milhões em doações, incluindo um prêmio de inovação de US$ 100 milhões para remoção de carbono e US$ 30 milhões para organizações sem fins lucrativos na região do Vale do Rio Grande, no sul do Texas. As doações podem ter sido motivadas tanto por uma exigência legal quanto por um senso recém-descoberto de generosidade. As leis tributárias exigem que as fundações privadas gastem aproximadamente 5% de suas dotações anualmente.

“A barreira particular para os doadores do mundo da tecnologia é que eles não apenas pensam que seus talentos os torna bons no que fazem, como também acreditam que aquilo que fazem comercialmente também torna a sociedade melhor”, disse Rhodri Davies, comentarista de filantropia que escreveu um artigo sobre Musk chamado “The Edgelord Giveth”.

Musk, por exemplo, disse que levar a humanidade a Marte por meio da SpaceX é uma contribuição importante e fez comentários ácidos sobre o que chama de “antibilionários sem noção”, inclusive a respeito das tentativas de taxar as riquezas desses bilionários.

“Não faz sentido retirar o trabalho de alocação de capital de pessoas que demonstraram grande habilidade na alocação de capital e dá-lo a uma instituição que demonstrou pouquíssimo talento na alocação de capital, que é o governo”, disse Musk em um evento organizado pelo jornal americano Wall Street Journal.

Ao mesmo tempo, Kharas disse que uma interpretação mais bondosa do confronto entre Musk e o Programa Mundial de Alimentos da ONU é possível. Ele poderia apenas querer saber de verdade como o dinheiro será gasto e está expondo em público, no Twitter, o trabalho de devida diligência que as doações institucionais fazem a portas fechadas.

“Acho que a ideia com a qual ele estava disposto a se envolver era muito boa”, disse Kharas, da Instituição Brookings, a respeito de Musk. “Acho que a resposta dele foi extremamente sensata. Basicamente, foi ‘mostre-me o que você pode fazer. Demonstre isso. Forneça-me algumas provas. E eu farei a doação’”. O WFP publicou uma análise detalhada de como eles gastariam os US$ 6,6 bilhões, mas ainda não há informações se Musk fará uma doação.

A carta mais recente de MacKenzie Scott a respeito de suas doações incluía muitas reflexões filosóficas que a maioria dos bilionários não costuma compartilhar. Mas ela deixou de fora exatamente as informações que todos estavam esperando – quantos bilhões de dólares foram para quais grupos? Em vez disso, ela disse, pare de prestar tanta atenção nos bilionários e pense no que você pode doar.

Com uma piscadinha para todos que esperavam pelo mais recente registro de caixa, ela escreveu todo o documento sem usar um único cifrão. Uma jogada clássica de ‘troll’./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa

Depois de três meses de obras, o antigo dormitório foi transformado em um home office confortável e divertido
CAMILA SANTOS | FOTOS AMANDA BIBIANO/AB COMUNICAÇÃO

(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)

Diante da necessidade de trabalhar em casa durante a pandemia, a maquiadora que vive neste imóvel, em São Paulo, desejava ter um espaço versátil e criativo, capaz de abrigar uma série de atividades que ela realiza, além de ser uma grande área de descompressão.

Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação) 
Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
 (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)

Assinada pelas arquitetas Audrey Carolini e Thamires Mendes, do escritório ARQTAB, a reforma não seguiu um estilo definido. “Acho que muito do que a decoração apresenta vem das escolhas projetuais que tivemos que fazer para melhor aproveitamento do espaço como um todo, pensando não apenas na estética, mas também na funcionalidade”, conta Audrey.

Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)

escritório, que foi montado em um dos dormitórios do imóvel, ganhou a atmosfera de ateliê devido ao mural colorido, que ocupa parte da sala e direciona os olhares para a poltrona aconchegante. Além dele, o teto rosa confere mais descontração ao ambiente.

Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
Décor do dia: escritório com mural colorido e teto rosa (Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)
(Foto: Amanda Bibiano/AB Comunicação)

Perto da porta de entrada, foi colocada uma mesa com formato orgânico, onde a moradora pode trabalhar. O espaço de home office conta ainda com armários para o armazenamento dos itens usados no dia a dia e uma área destinada à produção de conteúdo. Amamos!