Sinead O’Connor diz que nunca perdoará governo da Irlanda por morte de filho

Cantora acusa serviço de saúde mental de não assumir a responsabilidade pela tragédia

A cantora Sinéad O’Connor, após anunciar conversão ao islã – Reprodução

cantora Sinead O’Connor se pronunciou novamente sobre o filho, Shane O’Connor, de 17 anos, encontrado morto na última sexta (7) em Wicklow, na Irlanda. Ela usou o perfil no Twitter neste sábado (8) para exigir que o governo irlandês assuma a responsabilidade pela tragédia.

“Eu acabei de identificar formalmente os restos mortais do meu filho, Shane. Que Deus perdoe o Estado irlandês porque eu nunca irei”, tuitou.

Ela afirma que a agência irlandesa Tusla, de proteção e assistência para crianças, adolescentes e família, tenta apaziguar a situação. “Eu vou tirar um tempo para passar pelo luto do meu filho. Quando eu estiver pronta, vou falar exatamente como o Estado irlandês por meio dos formulários ignorantes, cruéis, egoístas e mentirosos da Tusla e o HSE [hospital] permitiram e facilitaram sua morte.”

A cantora afirma que, há um mês, o filho tinha sido levado para o CAMHS [Serviços de Saúde Mental para Crianças e Adolescentes da Irlanda] após sumir deixando uma carta de suicídio, dando detalhes sobre seu funeral. Ela conta que ele foi dispensado sob a justificativa de que os planos não eram reais. “Quando objeções foram levantadas, informaram que ‘planejar um funeral não é diferente de planejar um casamento’.”

“Eu já fui casada diversas vezes e posso dizer para o CAMHS que planejar o funeral do meu filho não é nem um pouco similar a planejar o casamento dele. O que, agora, nunca mais irá acontecer. Porque você é impróprio para o seu propósito.”

“Meu lindo filho Nevi’im Nesta Ali Shane O’Connor, luz da minha vida, decidiu encerrar sua luta terrena e agora está com Deus. Que ele descanse em paz e ninguém siga seu exemplo. Meu bebê, eu te amo muito. Por favor, fique em paz”, escreveu a cantora, ao anunciar a morte do filho.

Segundo o jornal Daily Mail, o jovem estava desaparecido desde o início da semana e foi visto pela última vez na sexta (7). Na quinta (6), no Twitter, Sinead O’Connor fez um desabafo na rede social contra o hospital em que o filho estava internado após duas tentativas de suicídio, e sinalizou que processaria a unidade pelo desaparecimento de ​Shane.

Moda e ícones da década de 1990 viram objetos de fascínio para Geração Z

Jovens adotam calças de cintura baixa e reverenciam Paris Hilton
LOU STOPPARD

A socialite americana Paris Hilton e a cantora Britney Spears em foto de 2006 Reprodução/Twitter

THE NEW YORK TIMES

Quando Tora Northman, 23, vasculha o Instagram, o que acontece diversas vezes por dia, ela muitas vezes vê uma foto de Gwyneth Paltrow em uma cerimônia do MTV Video Music Awards de 1996; a atriz está usando um terno Gucci de veludo cor de vinho.

Às vezes a foto aparece porque algum de seus amigos a postou; em outros casos, ela surge em uma das páginas que têm por tema as décadas de 1990 e 2000 que proliferam online, entre as quais @early2000sbabes, @90sanxiety, @90smilk e @literally.iconic, a proprietária da qual declara, na descrição da conta, que “fui criada por Paris e Britney”.

“Sempre que a vejo com aquela roupa de veludo, eu imediatamente dou um ‘like’, e quase sempre compartilho a imagem”, disse Northman. A obsessão da Geração Z pela moda das décadas de 1990 e 2000 está bem documentada.

Basta recordar a visita de Olivia Rodrigo à Casa Branca usando um conjunto Chanel inspirado em “As Patricinhas de Beverly Hills”, de 1995, ou Bella Hadid celebrando seu aniversário usando o look que abriu o desfile da coleção de primavera da Gucci em 1998.

Olhe para um grupo de adolescentes qualquer e é provável que você encontre calças de camuflagem “vintage”, sapatos plataforma, tops de alcinha, correntes na cintura, camisetas com slogans (“garotos mentem!”), vestidos com estampas de hibiscos e joias em forma de borboleta.

Na plataforma de revendas Depop aconteceram 290 mil buscas pelo termo Y2K em setembro, outubro e novembro de 2021, de acordo com a companhia. (É um dos termos de busca mais populares na plataforma, de acordo com um porta-voz da Depop.) No mesmo período, aconteceram 92.561 buscas por “jeans de cintura baixa” e 150.133 buscas por “Ed Hardy”.

Imagens e vídeos gravados por paparazzi na época circulam online como curiosidades vindas de uma era aparentemente mais simples mas ao mesmo tempo decadente: Sarah Jessica Parker como Carrie Bradshaw, a princesa Diana, Britney Spears.

Há fotos da jovem Nami Campbell nas passarelas, desfilando para as grifes Chanel, Gaultier e Versace; de Victoria Beckham, reluzente em seu passado como estrela pop; de Paris Hilton usando uma camiseta que diz “não tenha inveja”.

Para aqueles que têm idade suficiente para se lembrar de ter dançado ao som de “1999”, de Prince, à meia-noite da virada do milênio, usando óculos de sol reluzentes decorados com o número 2000, a ideia de encarar como aspiração as estrelas culturais (e de moda) de uma era caracterizada pela incerteza financeira e tecnológica pode parecer incompreensível.

Mas muitas das pessoas que chegaram ao mundo mais tarde indicam que a atração da ideia envolve muito mais do que a simples diversão de experimentar as roupas de outra era, e pode representar mais do que uma indicação sobre o início de um novo ciclo de 20 anos na indústria da moda.

“VIVER MAIS O MOMENTO”

Uma das vendedoras de maior sucesso no Depop, de acordo com a plataforma, é Isabella Vrana, 24, cuja loja promete “pérolas dos anos 90 e 00 para vocês, anjos”. Ela vive em Londres, tem três empregados e já vendeu mais de 16 mil peças para as pessoas ansiosas por fazer “cosplay” com os trajes de uma existência anterior.

Em um podcast recente, Vrana fala sobre ter descoberto quanto ao medo de um “bug do milênio” que existia no final da década de 1990. O desastre poderia causar o colapso da infraestrutura mundial por conta de erros de formatação de dados. A ideia de que a tecnologia pudesse falhar foi um choque para ela.

Ela se lembra de a mãe de um namorado lhe contar sobre a era anterior aos celulares, na qual, se você se visse separado de um amigo durante uma noitada, seria preciso voltar para casa e esperar ao lado do telefone fixo. “Isso me pareceu muito cool”, disse Vrana. “Gosto da ideia de que as pessoas vivam mais o momento”.

Um crush quanto ao passado é uma forma de escapar, diz ela, “de coisas que fazemos muito mas detestamos, como estar no telefone o tempo todo, ou tirar 50 fotos quase idênticas e depois estudá-las obsessivamente até encontrar a favorita”.

(Existe, é claro, uma ironia vívida em uma geração que usa smartphones e a internet como portal para uma era em que a vida online era menos importante, e para fantasiar sobre depender menos da tecnologia.)

Vrana sabe que as coisas não eram assim tão ótimas no passado; que a homofobia, racismo e sexismo eram mais tolerados, e que muitas mulheres eram assediadas e controladas, no mundo das celebridades. Mas ainda assim, ela disse, “as pessoas, em alguma medida, pareciam mais relaxadas”.

James Abraham, 35, que desde 2016 opera a conta @90sanxiety, muito popular no Instagram, vê o fascínio como relacionado a um senso de que havia alguma coisa de indomável naquele período –”o lado cru, o lado real”, disse Abraham. “Acho que a palavra-chave é pureza”.

“GOSTOSO E DESPREOCUPADO”

Nas décadas de 1990 e 2000, disse Northman, “as pessoas pareciam mais autênticas”. Claro, as celebridades atuais tentam demonstrar que são pessoas abertas, via mídia social, mas é frequente, ela aponta, que sejam na verdade o oposto disso: estratégicas e controladas.

Northman ama a maneira pela qual as celebridades pareciam se vestir sem esforço na década de 1990, usando ternos grandalhões e camisas desabotoadas, jeans revelando tangas, camisetas irônicas e tops reluzentes.

E a maneira pela qual elas apareciam nos braços de novos parceiros, fumando no tapete vermelho ou se embriagando e dizendo coisas sarcásticas e imprudentes em público. A impressão, ela diz, era de que todo mundo era “gostoso e despreocupado”.

Para Northman, imagens, digamos, como a de uma Kate Moss adolescente dando uma tragada em um cigarro despertam um estranho anseio por sensações e cenas que ela não é capaz de exatamente recordar, mas que imagina a agradariam: noitadas de diversão sem selfies; o cheiro da fumaça de cigarro em uma casa noturna; o som de um amigo batendo à porta para uma visita inesperada, ou para convidar a pessoa para sair e curtir a noite.

Charlotte Mitchell, 21, estudante de direito em Manchester, Inglaterra, disse que imagina que as décadas de 1990 e 2000 eram “como agora, mas sem a mídia social no controle, e por isso todo mundo podia se vestir como quisesse”.

No ano passado, a Urban Outfitters, cadeia de varejo na qual ela trabalha em tempo parcial, apostou pesado em uma retomada da marca Von Dutch, colocando à venda uma linha de camisetas sem manga e bonés. Ela comprou um top bonitinho com o logotipo da marca, achando que fosse uma grife nova e cool. Sua chefe, que tem 30 anos, desaprovou: “Você não era nem nascida”, ela disse, com desdém.

Nascida na década de 2000, Mitchell compreensivelmente sabe pouco sobre os detalhes dos estilos que gosta de imitar, e prefere, como a maioria das pessoas de sua idade, visualizar a era por meio das imagens aleatórias mas bonitas que fazem sucesso online.

Como no caso de quase todas as pessoas com quem conversei para este artigo, ela nunca tinha ouvido falar de “Seinfeld” ou “Will & Grace”. Tampouco assistiu a qualquer episódio de “Friends”. Mitchell disse que “essas coisas nunca me interessaram”.

(Vrana discorda. Um de seus ícones de estilo é a jovem Jennifer Aniston, em seu papel como Rachel Green, “Adoro as roupas de escritório da década de 1990”, ela disse.)

“Minha infância era a época de Hannah Montana”, disse Mitchell. Perguntada se já tinha ouvido falar de “The O.C.”, uma série que estreou em 2003, ela respondeu” “Não sei o que é isso. Desculpe”. E sobre o julgamento de O.J. Simpson? “Acho que eu nunca teria ouvido falar dele se não fosse pelas Kardashian”, ela disse.

O PODER DE PARIS

Harriet Russell, 21, usa três bijuterias reluzentes nos dentes, alisa os cabelos e compra seus produtos da década de 1990 no eBay. “Usualmente é alguma mãe que decide limpar o sótão e não sabe o que aquelas coisas realmente valem”, disse Russell, que mora na região leste de Londres. A lista de buscas salva em seu computador inclui D&G, Walé Adeyemi, peças “vintage” da Burberry, Air Max 95 e Miss Sixty.

Por algum tempo, os amigos dela tentaram curtir a imagem, se não a realidade, de uma vida em que a tecnologia era escassa, ela disse. Alguns compraram “flip phones” para usar como adereço nos selfies que tiravam com seus smartphones. Muitos, no verão passado, se apaixonaram por um filtro do Instagram que fazia com que as imagens parecessem ter sido registradas pela câmera de um celular primitivo.

“Por um breve período, todo mundo parecia estar vivendo na era da foto com filme”, disse Russell. Agora, alguns de seus amigos, ansiosos por se manter à frente da curva, voltaram ao digital, e carregam pequenas câmeras para registrar fotos de suas expedições noturnas.

“Acho que era uma coisa da década de 2000, quando ainda não existia o iPhone e você usava uma câmera para tirar fotos e depois as exportava para um computador ou algo assim”, ela disse. “Nem sei de que maneira isso poderia funcionar”.

Russell disse que gosta de invocar a persona de garota rica de Paris Hilton. Ela gosta do look “óculos escuros à noite”, das “bolsas de grife com logotipos grandes”, do corpo exposto. Para ela, esse tipo de moda parece “libertador”, disse. “Nós precisamos, e queremos, viver sem preocupação”.

De fato, a Paris Hilton do passado (ela agora tem 40 anos), um dia baluarte de um niilismo brincalhão, se tornou uma heroína improvável para algumas pessoas de metade da sua idade. Nicole Stark, 19, cuja loja na Depop, GlowNic, promete “roupas dos anos 90 e 2000, proprietária negra”, concorda que Hilton, filha de um bilionário e com uma persona construída com base em ignorar escancaradamente os próprios privilégios, provavelmente teria sido cancelada, se conquistasse fama hoje em dia. Mesmo assim, Stark a ama, e a vê como uma “mulher poderosa” que recusou se enquadrar.

Para Stark e muitas das pessoas entrevistadas, as histórias de mulheres que se tornaram celebridades, como Hilton, que ganhou fama em um período no qual o mundo do entretenimento era dominado por homens, oferecem exemplos não só de comportamento extravagante como forma de rebelião, mas também de mulheres mais antenadas do que muita gente acreditava na época.

Para muitos dos observadores da Geração Z, Hilton, com suas roupas reluzentes, recusa petulante em aceitar um emprego convencional ou capitular diante do comportamento visto como apropriado, algo que foi imortalizado no reality show “The Simple Life” resume a liberdade de uma época —o humor, o relaxamento e a irreverência. “Ela simplesmente fazia o que queria”, disse Mitchell, em tom de admiração. “Não se deixava influenciar por ninguém”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

Toni Garrn – Dior Beauty

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Source: dior.com
Published: January 2022

In this picture: Toni Garrn
Credits for this picture: Annabelle Petit (Makeup Artist), Elsa Deslandes (Manicurist)

All people in this campaign:

Annabelle Petit – Makeup Artist
Elsa Deslandes – Manicurist
Toni Garrn – Model

In this picture: Toni Garrn
Credits for this picture: Annabelle Petit (Makeup Artist), Elsa Deslandes (Manicurist)

L’Officiel USA December 2021 Covers

L’Officiel USA December 2021 Covers
Source:  instagram.com
Published: December 2021

In this picture: Anna Cleveland, Pat Cleveland 

All people in this magazine cover:

Mathieu Cesar – Photographer
Anna Cleveland – Model
Pat Cleveland – Model

Studio Ghibli revela que nova animação de Hayao Miyazaki já está em produção

Estúdio ainda deu atualização sobre status de parque temático
MARIANA CANHISARES

Studio Ghibli revelou que a nova animação do diretor Hayao Miyazaki, a adaptação do romance How Do You Live?, já está em produção. No Twitter, o estúdio também deu uma nova atualização sobre o parque temático em Aichi, no Japão, tem abertura prevista para o outono no país, ou seja, entre setembro e dezembro. Veja:

O último lançamento do estúdio foi Aya e a Bruxa, a primeira animação em 3D da sua história. Com direção de Goro Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki, o longa adapta o livro Tesourinha e a Bruxa, de Diana Wynne Jones, sobre uma menina que vive em um orfanato e está confortável com isso. Sua situação muda completamente quando ela é adotada por uma bruxa. Mas, em vez de se desesperar, Earwig decide que dominará essa nova fase da sua vida.

Mercedes de Alba | Fall Winter 2021/2022 | Full Show

Mercedes de Alba | Fall Winter 2021/2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Mercedes-Benz Fashion Week Russia)

Juan Carlos Rodriguez – La Duda/Mi Salvaje Diosa
Nicolas Farias – Luz del Alba

Monica Bellucci – The Sunday Times Style Magazine UK 12/05/2021 Cover

The Sunday Times Style Magazine UK 12/05/2021 Cover
Source: thetimes.co.uk
Published: 12/05/2021

All people in this magazine cover:

Verity Parker – Fashion Editor/Stylist John Nollet – Hair Stylist Letizia Carnevale – Makeup Artist Victoria Salomoni – Set Designer Leila Hartley – Casting Director Monica Bellucci – Actor

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia

O projeto devolveu o estilo mid-century modern do imóvel e renovou toda a decoração de interiores
VANESSA D’AMARO | FOTOS ALEX ZAROUR/VIRTUALLY HERE STUDIOS

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Localizada no distrito de Studio City, em Los Angeles, esta casa de 327 m², construída na metade do século 20, com piscina e uma bela vista para as montanhas passou por tantas transformações ao longo das décadas que a arquitetura original estava completamente descaracterizada. Foi essa a percepção da designer de interiores Kirsten Blazek, do escritório a1000xbetter, quando visitou o local pela primeira vez.

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Apesar dos amplos painéis de vidro originais do projeto (que compõem o pé-direito duplo), os ambientes estavam mergulhados na escuridão por conta do mobiliário de madeira escura, dos armários coloridos, do excesso de papéis de parede e das cortinas espessas. Foi necessário, então, propor um verdadeiro retorno às origens.

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Assim, a designer de interiores arregaçou as mangas e desenvolveu um projeto que resgatou algumas características típicas do estilo mid-century modern: valorizou as grandes aberturas, devolveu o layout aberto para as áreas sociais, pintou todas as paredes de branco e investiu em uma paleta de cores neutra.

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Para criar um diálogo com a estética contemporânea, Kirsten criou uma combinação de  elementos pouco usuais para esse tipo de projeto, reunindo painéis de madeira ripada, revestimento de lajotas no piso e grandes peças de arte contemporânea.

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Na área íntima, os quartos seguem o mesmo conceito, mesclando elementos modernos a aspectos contemporâneos – basta notar os quadros, as esculturas de parede e a opção por vasos com espécies de folhagem grande.

Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)
Reforma resgata arquitetura moderna original desta casa na Califórnia (Foto: Alex Zarour/Virtually Here Studios)

Os banheiros, por sua vez, complementam o histórico da casa. As cerâmicas dispostas na vertical, os espelhos e gabinetes arredondados e o piso de granilite provam mais uma vez que é possível combinar com maestria o charme do meio do século 20 e a funcionalidade do estilo de vida do século 21. Ponto para a designer.

Julia Lemmertz fala sobre 40 anos de carreira, sexo na maturidade e desejo de envelhecer em paz

Atriz, que está no ar como a poderosa empresária Carmem na novela das sete ‘Quanto mais vida, melhor!’, reflete o amor de avó: ‘A continuidade é um negócio muito forte’
Marcia Disitzer

Julia Lemmertz Foto: Sher Santos

Dez minutos de conversa por chamada de vídeo com Julia Lemmertz são suficientes para notar que a elegância é um de seus maiores atributos. Essa característica não tangível da personalidade se faz presente em cada movimento da atriz. Sua fala é firme e, ao mesmo tempo, suave. O cabelo está para trás e a pele, sem maquiagem. Aos 58 anos, Julia é atriz com A maiúsculo: em 2021, completou 40 anos de carreira. Filha dos atores Lilian Lemmertz (1937-1986) e Lineu Dias (1927-2002), atualmente dá vida à empresária Carmem Wollinger na novela das sete “Quanto mais vida, melhor!”. O visual à la Tilda Swinton (atriz britânica) se soma ao porte da gaúcha de 1,77m de altura, dona de uma trajetória profissional — na TV, no teatro e no cinema — tão coerente quanto à sua postura na vida.

Julia Lemmertz usa Lenny Niemeyer, brincos
e anéis Lívia Canuto. PoltronaJorge Zalszupin
na Arquivo Contemporâneo Foto: Sherolin Santos; styling Guilherme Alef; beleza Fox Goulart
Julia Lemmertz usa Lenny Niemeyer, brincos e anéis Lívia Canuto. PoltronaJorge Zalszupin na Arquivo Contemporâneo Foto: Sherolin Santos; styling Guilherme Alef; beleza Fox Goulart

Ao contrário da autocentrada Carmem, Julia não gosta de cultivar ódios. Exerce a empatia no dia a dia, ama ser avó de Martim, de 5 anos, está cada vez mais ligada à força da natureza, espanta-se com o descalabro do governo Bolsonaro. Em duas horas de entrevista, discorreu sobre como foi gravar uma comédia no auge da pandemia, sua posição política como artista e cidadã, a relação com o ex-marido, Alexandre Borges, maturidade, cancelamento, menopausa e feminismo: “O mundo deveria ser comandado por mulheres”.

A seguir, os melhores trechos da entrevista:

Como foi gravar a novela em um momento tão crítico da pandemia?

É uma trama alegre. Gravamos em períodos difíceis, paramos, voltamos. Era como se estivéssemos na Nasa, com protocolos e, em paralelo, realizando um trabalho que não fala sobre isso. Nunca a virada de chave foi tão impactante. Dentro do perrengue, nos amamos muito, foi um microcosmo do que deveria ser essa pandemia, que é o olhar para o outro.

Camisa e calça Guto Carvalho Neto, brincos Lívia Canuto,
sapatos Sonho dos Pés e cadeira Sérgio
Rodrigues na Arquivo Contemporâneo Foto: Sher Santos
Camisa e calça Guto Carvalho Neto, brincos Lívia Canuto, sapatos Sonho dos Pés e cadeira Sérgio Rodrigues na Arquivo Contemporâneo Foto: Sher Santos

O visual da Carmem é muito moderno. qual é a sua participação nessa construção?

Os fios platinados, eu escolhi. A personagem anda de moto, é meio andrógina. Peguei como referência o cabelo de Tilda Swinton, raspado ao lado, e descolori. Casou muito bem com o figurino e com as atitudes dela. Estou me curtindo assim. Seria legal se pudesse ficar com esse tom até deixar a cabeça toda branca. Acho mais fácil ficar grisalha a partir do louro. Na verdade, gostaria de ser uma atriz europeia. Preferia não ter que me preocupar com cabelo e rugas, poder envelhecer em paz e fazer coisas da minha idade.

Sente-se muito cobrada em relação a isso?

A gente mesmo se cobra. Porém, essa é uma discussão infrutífera porque não há o que fazer. A minha mãe morreu aos 48 anos, e eu não estar aqui é que seria uma desgraça. Eu me cuido, faço estimulação de colágeno, laser e fiz um pouco de botox para viver a Carmem. Por mim, não faria. Acho bonito envelhecer, mas quero envelhecer com saúde, podendo correr com meu neto, subir e descer as montanhas do meu sítio em Bocaina. Para isso, tenho que ter joelhos. Esse lugar da cartilagem, dos ossos e dos músculos me interessa

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Blusa Guto Carvalho Neto e brincos Lívia
Canuto Foto: Sher Santos
Blusa Guto Carvalho Neto e brincos Lívia Canuto Foto: Sher Santos

A menopausa virou assunto de novela com a personagem de andréa beltrão na trama das nove. Como você encarou esse ciclo?

A menopausa é cruel porque puxa o tapete da mulher ao tirar a energia. A minha até que não foi tão dramática. No dia do meu aniversário de 50 anos, menstruei pela última vez. Foi tipo “hello, goodbye” (risos). Faço reposição hormonal de leve para não me sentir prostrada porque ficar no osso é difícil. Aos 40, perdi meu pai, tinha um filho pequeno e uma adolescente, nem senti a idade. Já a virada dos 50 foi impactante. Agora, estou chegando perto dos 60, que é um som, sesseeeenta… Não me assombra, mas me causa espanto. Porém, tenho outras coisas para me preocupar: quero aprender a viver com pouco, fazer a minha agrofloresta e produzir totalmente meus trabalhos. Sinto orgulho de ter tido meus filhos, Luiza (de33 anos, do casamento com Álvaro Osório) e Miguel (de 21 anos, do casamento com Alexandre Borges), e de ter visto minha filha ter um filho. Essa continuidade é um negócio muito forte. Um mês depois do nascimento do Martim, que foi na época da minha separação, fiquei doente de tanta emoção.

O que sentiu diante do do vazamento do vídeo do Alexandre, em 2016 (na época, o ator foi filmado numa festa íntima acompanhado por mulheres)?

Achei uma sacanagem. Quantas coisas fiz quando era jovem, imagina se tivesse alguém na minha cola. Mas não penso mais nisso.

Jaqueta e body Haight, calça Nadruz, brincos Lívia Canuto, anéis Maria Frering, sapatos Sonho dos Pés e cadeira Ricardo Fasanello na Arquivo Contemporâneo Foto: Sher Santos
Jaqueta e body Haight, calça Nadruz, brincos Lívia Canuto, anéis Maria Frering, sapatos Sonho dos Pés e cadeira Ricardo Fasanello na Arquivo Contemporâneo Foto: Sher Santos

Vocês são amigos?

Vou te contar uma coisa: é louco ficar 22 anos casada e se separar. Foi um impacto e sigo processando. Eu e Alexandre ainda estamos num processo de descolamento. Independentemente de quem termina, se você passa tanto tempo ao lado de uma determinada pessoa, é por que ela importa. Se separar nesse contexto é como sair de um trem em movimento e ficar parada na estação pensando para onde ir. Mas estou bem, inteira, gostando de ser solteira. Amo o Alê, um cara extraordinário e meu amigo para a vida toda. Uma coisa eu sei: nunca mais me casarei nos moldes do meu casamento com ele. É algo que não almejo. Sou romântica, achei que era para sempre

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Quimono e saia Éramos Studios; brincos, colar e pulseiras Adriana Valente; sapatos acervo; cadeiras Noemi Saga, Luciana Martins e Gerson de Oliveira, Jader Almeida e Paulo Mendes da Rocha e poltrona Lina Bo Bardi: tudo na Arquivo Contemporâneo; styling: Guilherme Alef; produção de moda: Nurya Boni; beleza: Fox Goulart; set designer: Hugo S. Tex; assistência de fotografia: Thayná Bonin;
camareira: Ana Paula Nascimento; tratamento de imagem:
Helena Colliny; agradecimento: Emporio Jardim. Foto: Sher Santos
Quimono e saia Éramos Studios; brincos, colar e pulseiras Adriana Valente; sapatos acervo; cadeiras Noemi Saga, Luciana Martins e Gerson de Oliveira, Jader Almeida e Paulo Mendes da Rocha e poltrona Lina Bo Bardi: tudo na Arquivo Contemporâneo; styling: Guilherme Alef; produção de moda: Nurya Boni; beleza: Fox Goulart; set designer: Hugo S. Tex; assistência de fotografia: Thayná Bonin; camareira: Ana Paula Nascimento; tratamento de imagem: Helena Colliny; agradecimento: Emporio Jardim. Foto: Sher Santos

A sexualidade da mulher de 40 é muito diferente da de 60?

A libido muda, né? Mas ao mesmo tempo fica incrível. Você sabe do que gosta, o que quer, se sente menos aflita, menos afoita, é mais gostoso. A maturidade é muito interessante. O que acho uma pena é viver num mundo ainda tão machista. O homem completa 60 anos, e ninguém se espanta. E ainda falam: “Olha como ele está gato, todo grisalho”. Vá tomar banho! É um coroa também, e está tudo bem.

Você se posiciona com muita firmeza politicamente e  nos últimos anos não foi diferente. Qual é a sua visão do país? Por que recuou nas redes sociais?

É muito grave tudo que está acontecendo no Brasil. Dizer que a Amazônia não está queimando, que é invenção das ONGs, afirmar que a ditadura militar não existiu. Como assim? Fui criada numa família politizada, o segundo marido da minha mãe foi preso e torturado durante a ditadura. A condução da pandemia pelo governo Bolsonaro é um acinte. Nessa polêmica, neutro é xampu. Prefiro não ser considerada uma atriz que vende coisas que possam ser rentáveis do que me calar. Não concordo com nada disso, não votei nessa pessoa. Por outro lado, o Instagram virou um campo de batalha e começaram a me agredir. E eu a rebater, a responder. Usei de humor e compaixão, mas aquilo começou a me fazer mal fisicamente. Em setembro, publiquei uma foto minha aos 18 anos, na primeira vez em que subi ao palco, e avisei que deixaria de fazer postagens políticas. Não vou mais dar camisa para esse pessoal.

Qual a importância de discussões sobre temas como assédio e abuso virem à tona?

Quando ingressei na carreira, não se falava sobre esses assuntos, a gente nem sabia nominá-los. Não me lembro de nenhuma situação em que tenha ficado constrangida. Vinha de família de atores, não andava sozinha nesse sentido. São temas doloridos que precisam ser expostos. Não dá para ter violência em nenhuma instância, nem no trabalho nem em casa. Deus abençoe a Maria da Penha, tão corajosa. Recentemente, passou-se a discutir práticas abusivas de preparadores de elenco, abuso psicológico. Existe uma linha muito tênue entre a busca de veracidade no trabalho do ator e ser maltratado. Outros assuntos, como racismo e machismo, também estão sobre a mesa, e a gente precisa discuti-los com honestidade e afeto. Essa coisa de cancelar o outro é uma barbárie. Enfim, o mundo está muito louco, minha vontade, volta e meia, é ir para o meio do mato.

Estamos começando 2022. Que mundo sonha para seu neto?

Torço para que a gente consiga interromper esse modo de destruição no qual estamos inseridos e descobrir novas soluções para problemas antigos. Jovens, como Greta Thunberg, estão à frente da mudança. Espero que meu neto não seja um predador e, sim, um cuidador do planeta Terra.