Jacquemus anuncia que seu pop-up 24/24 chegará em breve a Milão

Depois do sucesso do pop-up 24/24 em Paris, o designer Jacquemus decidiu continuar a patentear este tipo de negócio e transferi-lo para a outra cidade da moda por excelência, Milão, como anunciou no seu perfil do Instagram.

Esta loja efémera em questão foi inaugurada em dezembro do ano passado e encheu a capital francesa de rosa. Agora é hora de se mudar para a Itália para apresentar uma nova gama de cores, além de novos produtos.

Estará aberto de 25 de fevereiro às 9h até à meia-noite de 27 de fevereiro, por isso, se estiver por lá, pelo menos passe por lá para o ver, porque com certeza vale a pena uma visita.

Courteney Cox diz que ficou ‘estranha’ após fazer vários procedimentos estéticos

‘Não percebia isso’, admitiu atriz de 57 anos em nova entrevista

Courteney Cox em registro de 2022 (Foto: Reprodução / Instagram)
Courteney Cox em registro de 2022 (Foto: Reprodução / Instagram)

Courteney Cox abriu o jogo sobre seus procedimentos estéticos em uma nova entrevista.

A estrela de ‘Friends‘, de 57 anos, falou sobre o assunto à revista do Sunday Times. Ela explicou que, a princípio, queria “combater” o envelhecimento – mas, no fim, sentiu que ficou “estranha” por causa dos preenchimentos que fez no rosto.

“Houve uma época em que dizia: ‘Oh, estou mudando. Estou parecendo mais velha’. E eu tentei perseguir essa [juventude] por anos”, contou a estrela, que, recentemente, voltou ao papel de Gale Weathers no novo filme de ‘Pânico‘.

“E eu não percebia isso. Ah, m****, eu estou realmente com uma aparência muito estranha colocando as injeções e fazendo coisas no meu rosto que eu nunca faria agora”, acrescentou a artista.

Courteney Cox na época da série Friends (1994-2004) e em foto de 2021 (Foto: Divulgação; Reprodução / Instagram)

Cox também brincou sobre a possibilidade de publicar no Instagram um “antes e depois” das mudanças no rosto ao longo dos anos: ‘Eu diria – ‘No dia em que você perceber do que seus amigos estavam falando'”.

“Porque as pessoas falavam de mim, eu acho”, continuou a americana. “Mas houve um período em que pensei: ‘Eu tenho que parar. Isso é uma loucura’.”

Na entrevista, a atriz ainda contou que, apesar de estar fugindo do botox atualmente, ela adora testar cosméticos novos. “O escrutínio [que recebo] é intenso, mas não sei se poderia ser mais intenso do que aquele que eu coloquei sobre mim mesma”, refletiu.

Courteney Cox (Foto: Reprodução / Instagram)
Courteney Cox (Foto: Reprodução / Instagram)

Já quanto a estar se aproximando dos 60 anos de idade, ela disse estar surpresa com quão rapidamente o tempo passa. E apontou: “Aprendi muito na minha vida – o que aproveitar, o que tentar fazer mais e o que deixar de lado”.

“Eu me sinto jovem. Tenho muitos amigos na casa dos trinta e não penso nisso. Para mim, temos a mesma idade até eu realmente estudá-la”, adicionou.

Além de estrelar o novo filme de ‘Pânico’, Courteney Cox integra o elenco da série ‘Shining Vale’, em que interpreta uma escritora do ramo erótico que se muda para uma casa mal-assombrada com seu marido (papel de Greg Kinnear) e seus dois filhos adolescentes. Mistura de comédia e terror, a produção estreia no dia 6 de março.

Confira o trailer a seguir:

Bilheteria EUA: Uncharted, Dog, Homem-Aranha – Sem Volta para Casa, Morte no Nilo, Jackass Para Sempre

Uncharted lidera as bilheterias americanas com US$ 44 milhões

Uncharted

Uncharted, novo filme de Tom Holland, estreou na liderança das bilheterias americanas, arrecadando mais de US$ 44 milhões neste fim de semana, de acordo com a revista Variety. 

O filme de Uncharted, assim como a franquia de jogos, acompanha o caçador de tesouros Nathan Drake (Holland). Aqui, no entanto, veremos como foi sua primeira aventura ao lado do “mentor” Sully (Mark Wahlberg).

Em segundo lugar, ficou Dog, novo longa estrelado por Channing Tatum. A produção, também uma estreante, fez US$ 15 milhões.

Em terceiro lugar, Homem-Aranha – Sem Volta para Casa US$ 7.2 milhões, em quarto Morte no Nilo
US$ 6.2 milhões, e em quinto lugar, Jackass Para Sempre US$ 5.2 milhões

Cruzada conservadora censura debate sobre sexo e raça nas salas de aula dos EUA

Desde 2021, 156 projetos de lei com restrições conhecidas como ‘leis da mordaça’ foram apresentadas ou pré-aprovadas em 39 estados
Marina Gonçalves

Placas com os dizeres ‘Diga não à teoria crítica do ódio’ são usadas durante um comício em Leesburg, Virgínia, em novembro do ano passado Foto: PETE MAROVICH / NYT

Em uma escola na Flórida, uma jovem começa uma apresentação escolar falando sobre suas duas mães. Um alarme toca e uma luz vermelha se acende. A professora a incentiva a continuar a exposição, até que a própria educadora é chamada à recepção para ser repreendida. A cena faz parte de um anúncio de 30 segundos, divulgado na semana passada pela ONG Equality Florida, como um alerta sobre um futuro distópico caso uma nova lei, chamada por seus críticos de “Não diga gay”, seja promulgada no estado. De acordo com o projeto, já aprovado na Assembleia e no Senado local, educadores da Flórida seriam proibidos de abordar tópicos LGBTQ+ que não sejam considerados “adequados à idade ou apropriados para o desenvolvimento dos alunos” nas salas de aula. Os pais também teriam autoridade para tomar medidas legais contra os distritos escolares, se acreditarem que alguma escola está violando a legislação.

A polarização ideológica que tomou conta dos EUA nas últimas eleições chegou com força no ambiente escolar. De acordo com a ONG Pen America, que defende a liberdade de expressão, desde 2021, 156 projetos de lei com restrições semelhantes, conhecidas como “leis da mordaça”, foram propostas ou pré-aprovadas em 39 estados. Do total, 12 delas se tornaram lei em dez estados e 113 estão sendo debatidas em 35 dos 50 estados.

Sul mais afetado

Segundo um monitoramento da plataforma Education Week, mais de 17,7 milhões de alunos de escolas públicas, matriculados em quase 900 distritos escolares, podem ter seu aprendizado afetado pelas leis que limitam o que os professores podem ensinar sobre temas como raça, gênero e até a História do país.

— É claro que a legislação é uma tentativa explícita de tirar a influência de movimentos de esquerda, com o objetivo de situar o poder do racismo estrutural e do sexismo no centro de nossa compreensão da sociedade americana — afirma Jonathan Collins, professor de Educação da Universidade Brown, sobre o projeto de lei da Flórida. — Isso pode colocar alguns professores em posições difíceis. A realidade é que pouquíssimas escolas usam o tipo de currículo que os estados estão proibindo. As leis servem principalmente para alimentar as chamas da política partidária, estadual e nacional.

O Sul do país, onde fica a Flórida, é uma das regiões mais atingidas. Na Carolina do Sul, por exemplo, que aprovou uma das leis mais extremas, não será possível mencionar a homossexualidade nem a linguagem não binária — identidades de gênero que não são estritamente masculinas ou femininas. O professor que violar a regra pode ser sancionado ou até demitido.

Outro alvo central dos projetos apresentados é a chamada Teoria Crítica Racial, cujo significado foi distorcido e é usado por parte da direita para identificar qualquer análise que trate o racismo como um problema sistêmico nos EUA. No ambiente escolar, qualquer atividade ou matéria que enfoque a discriminação por motivos raciais pode ser barrada.

— Primeiro é preciso entender que há um longo histórico na Flórida de vários níveis de supressão política. O estado fez o mesmo, no passado, em torno do debate da Teoria Crítica Racial — explica ao GLOBO Charles H.F. Davis III, professor no Centro de Estudos do Ensino Superior da Universidade de Michigan. — A legislação coincide com uma tipo generalizado de proibição de livros em todo o Sul do país. A forma como falamos da escravidão, por exemplo, foi profundamente alterada como resultado de uma legislação no Texas, que mudou livros didáticos que circulam em todo o país. Vejo as leis como um esforço para controlar, em grande parte, como o poder opera e funciona, e revelar quem está realmente no controle.

Para Shanna Kattari, professora da Escola de Serviço Social da Universidade de Michigan, a retórica conservadora é uma resposta aos avanços progressistas nos dois mandatos de Barack Obama.

— O que sabemos olhando para a história dos direitos civis, através dos movimentos de igualdade racial, ativismo pelos direitos dos deficientes e até a crise da Aids, é que a cada poucos passos em direção a uma sociedade mais inclusiva e justa, o pêndulo vai retroceder em retaliação — diz ela. — Acredito que o ataque a políticas LGBTQ+, especialmente as direcionadas a jovens e estudantes, fazem parte desse balanço pendular em resposta a todo o terreno conquistado. Também estamos vendo isso em um nível mais amplo, com os republicanos muito mais conservadores ganhando força em áreas que nunca teríamos esperado antes.

Defensor da lei, que ainda precisa ser sancionada, o governador da Flórida, o republicano Ron DeSantis — apontado como possível candidato à Casa Branca em 2024 —, disse que as escolas devem evitar temas “totalmente inapropriados” e ensinar Ciências, História, Educação Cívica.

— Os pais devem se sentar à mesa quando se trata do que está acontecendo em suas escolas — disse DeSantis em entrevista na semana passada.

Na Virgínia, o governador Glenn Youngkin, também republicano, anunciou, poucos dias após ser empossado, um e-mail para o qual os pais poderiam enviar suas reclamações sobre professores e escolas quando sentissem que seus “direitos estavam sendo violados” ou que seus filhos “não estavam sendo respeitados”.

Os pais começaram a se manifestar. Em New Hampshire, um grupo ofereceu uma recompensa de US$ 500 dólares para quem denunciasse qualquer professor violando a lei estadual, aprovada recentemente, que proíbe o debate sobre racismo e sexismo. No ano passado, pais de alunos do condado de Loudoun, o mais rico dos EUA, na Virgínia, criaram um grupo no Facebook que criticava o ensino da Teoria Racial Crítica.

Além do efeito nas famílias e alunos, especialistas alertam para o impacto entre professores, que perdem autonomia dentro das salas de aula:

— A ambiguidade dessas leis torna os professores vulneráveis, pois suas ações podem ser facilmente interpretadas como violações. Ou seja, a subjetividade das leis põe os professores em risco — diz Collins.

Êxodo de professores

Para Kattari, as mudanças também podem acabar gerando um êxodo de profissionais:

— Imagine amar seu trabalho e, de repente, ser informado de que você não pode usar o pronome que escolheu? Imagina ser informado de que você deve usar senhor ou senhora, mesmo que se identifique como não binário? — pondera. — Já temos uma enorme falta de professores nos EUA. Acho que veremos altos níveis de esgotamento e um êxodo em massa de professores LGBTQ+, negros e indígenas.

Os alunos, que já sofreram com a pandemia, também serão afetados. Por exemplo, caso seja aprovada, a lei apresentada este ano no Arizona os obrigaria a ter permissão dos pais antes de ingressar em qualquer grupo escolar “envolvendo sexualidade, gênero ou identidade de gênero”. Como resultado, estudantes gays e bissexuais que buscavam apoio dos colegas teriam que se expor primeiro em casa.

— A pandemia certamente exacerbou a crise de saúde mental como um todo. À medida que promulgamos leis que revertem os poucos direitos e espaços mais seguros que esses indivíduos têm, é provável que as taxas de depressão, ansiedade, tentativas suicidas e automutilação suicida aumentem. O provável impacto dessas políticas na saúde mental também pode acompanhá-las por toda a vida.

As leis, até agora, têm como alvo as escolas primárias e secundárias do país, mas a Pen America alerta que este ano, as mordaças educacionais estão sendo direcionadas também entre faculdades e universidades, do país. Até o fim de janeiro, havia 38 projetos de lei focados no ensino superior em análise em 20 estados.

‘Euphoria’ ignora estatísticas e mostra maioria dos jovens usando drogas em excesso

Série com Zendaya também mostra adolescentes transando o tempo todo, ao contrário do que acontece da vida real
Marina Lourenço

As atrizes Zendaya e Hunter Schafer em cena da série ‘Euphoria’, criada por Sam Levinson, disponível no HBO Max Divulgação

SÃO PAULO – Rue Bennett nasceu três dias depois dos estragos do 11 de Setembro. Como qualquer jovem da geração Z —os nascidos entre 1995 e 2010—, cresceu no mundo dos “likes”, seguidores, namoros a distância, nudes, redefinições de gênero e crises de ansiedade.

Ainda assim, nem ela, nem seus amigos —personagens da série “Euphoria”, da HBO Max, agora em sua segunda temporada—, refletem tão fielmente a realidade dessa geração fora das telas. Isso porque os jovens do mundo real vêm se drogando cada vez menos, como apontam dezenas de estudos.

O ano de 2021 teve a maior queda no uso de substâncias ilícitas por adolescentes dos Estados Unidos já registrada desde 1975, segundo o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan. Embora isso, segundo os pesquisadores, esteja diretamente atrelado ao isolamento social provocado pela pandemia, é também efeito de algo que vem acontecendo bem antes da Covid e em vários países.

Dados do Instituto Nacional de Abuso de Drogas americano mostram que, em 1980, a taxa de jovens americanos de 18 anos que tinham bebido álcool pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores à data da realização da pesquisa tinha sido de 72%. Em 2019, a porcentagem foi de 29%.

O mesmo órgão mostra que, em 2001, 25% dos alunos —dos equivalentes aos oitavo, primeiro e terceiro anos no Brasil— já haviam usado ecstasy pelo menos uma vez na vida. Em 2019, o dado foi de 8%. O Serviço Britânico Consultivo de Gravidez indica que a proporção de britânicos —entre 16 e 24 anos— que bebe frequentemente diminuiu de 29%, em 2005, para 20%, em 2017.

Autora de “Generation Z”, Chloe Combi afirma que os zoomers —nome dado aos membros da geração Z— tendem a ter um estilo de vida mais sóbrio. “Há uma consciência maior dos benefícios de uma vida saudável. Eles têm muito mais informações do que as gerações anteriores, e na ponta dos dedos.”

Além da facilidade do acesso à informação, Combi destaca que o medo de aparecer inconsciente em vídeos virais, gravados por celulares, também é um fator que influencia a escolha de evitar o excesso de drogas. Há ainda um crescimento de debates sobre estupro de vulneráveis, o que causa medo nos adolescentes.

jovem sentada numa mesa
Zendaya em cena da série ‘Euphoria’, série da HBO Max – Divulgação

No Brasil, os dados variam muito de acordo com a droga utilizada, como mostram estudos da PeNSE, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo IBGE. Em 2009, 8,7% dos estudantes entre 13 e 17 anos já haviam experimentado algum tipo de droga ilícita. Dez anos depois, a taxa subiu para 13%. Quanto ao álcool, em 2009, o número era 71,4%, e em 2019, caiu para 63,3%.

Já em “Euphoria”, praticamente todos os personagens são amantes das drogas ou dependentes químicos. A começar pela própria Rue, papel da estrela em ascensão Zendaya. Dependente química, ela se vê diante de altos e baixos.

“Sei que não se deve dizer isso, mas drogas são bem legais”, diz ela, numa cena embalada por cores neon e graves eletrônicos. Com glitter escorrendo pelo rosto, ela sorri e derrete de prazer após dropar um entorpecente. Na cena seguinte, vemos um flashback da overdose que quase tirou a sua vida.

Recentemente, a Resistência Educacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos acusou a série de glamorizar o uso de entorpecentes, o que gerou debates nas redes sociais e uma resposta de Zendaya. “Quero reiterar que ‘Euphoria’ é para o público adulto. Esta temporada, talvez ainda mais do que a anterior, é profundamente emocional e lida com assuntos que podem ser difíceis de assistir”, escreveu a atriz no Instagram.

A discussão sobre o potencial da TV e do cinema em glamorizar temas sensíveis como as drogas não é nova. Na chamada era de ouro de Hollydood, a indústria tabagista e grandes produtores de filmes fizeram acordos comerciais que resultaram em cenas em que o cigarro era apresentado como um ideal de vanguarda, sucesso e rebeldia. É o caso da pose de galã fumante de James Dean em “Juventude Transviada”, de 1955.

“Os adolescentes que têm alta exposição a esse tipo de imagem, quando comparados àqueles com baixa exposição, têm cerca de três vezes mais chances tanto de experimentarem cigarros quanto de se tornarem fumantes regulares”, afirma Rosa Rulff Vargas, psicossocióloga e especialista no assunto.

Segundo Zila Sanchez, pesquisadora de prevenção ao uso de drogas, um dos grandes riscos de usar entorpecentes na adolescência é que, nesta fase da vida, o sistema nervoso central está em processo de formação. A presença de algumas dessas substâncias altera seu desenvolvimento, o que compromete várias habilidades cognitivas.

É por isso que tanto a sobriedade quanto a redução de danos no uso de drogas influenciam uma vida saudável, algo visto com bons olhos por boa parte da geração Z, ainda que pouco atraia os jovens de séries como a americana “Euphoria”, a espanhola “Elite“, a brasileira “Boca a Boca” e a britânica “Skins”.

Professor de história da Universidade de São Paulo e autor de “Drogas – A História do Proibicionismo”, Henrique Carneiro afirma que a temática das drogas é um tema recorrente porque, em muitas culturas, é na juventude que esse tipo de experiência acontece.

“A sexualidade e as drogas são os maiores prazeres universais de que a humanidade dispõe. Sua regulação cultural não coincide, necessariamente, com as fases de iniciação, porque ninguém espera os 18 anos para transar ou fumar um cigarro pela primeira vez”, diz ele.

Essas e outras produções, aliás, mostram jovens fazendo sexo o tempo todo, o que, novamente, vai contra as estatísticas do mundo real, já que eles transam cada vez menos.

Ainda que haja significativa queda no uso juvenil de algumas drogas, houve aumento do número de adolescentes consumindo antidepressivos, analgésicos, depressores, ácidos e alucinógenos, segundo dados coletados por Combi, a autora de “Generation Z”.

“Sempre haverá experimentação e vício”, diz a escritora. “Usar drogas de maneira recreativa é uma maneira de escapismo e de abafar a dor psicológica. E, agora, a geração Z está enfrentando muitos desafios globais.”

Para fazer alusão aos prazeres desse escapismo, “Euphoria” tem cenas lúdicas e usa uma estética sedutora, cheia de brilho, cores neon, efeitos borrados e granulado, de gravações em câmeras VHS. Deixar de retratar o prazer proporcionado pelas drogas seria, segundo Carneiro, o professor da USP, um cinismo moral que cerceia a liberdade artística.

Para além das cenas mergulhadas em cores neon, a série não deixa de mostrar os horrores vividos por quem sofre da dependência química. Ao contrário da era de ouro, analisada por Rulff, a pesquisadora, nenhum produtor de drogas patrocinou a série e são muitas as cenas que chocam o espectador, em especial as da protagonista com crises de abstinência, overdoses, recaídas e bad trips.

Ainda que distorça a realidade, “Euphoria” já teve a terceira temporada confirmada e é um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, sobretudo no TikTok, rede que, curiosamente, é a queridinha dos zoomers.

Virgil Abloh foi um gênio da moda e um revolucionário da indústria do luxo

‘Virgil Was Here’: Com essa frase, repetida muitas vezes durante o que viria a ser seu último desfile em Miami, que a moda se despediu de um de seus maiores nomes. À frente da linha masculina da Louis Vuitton, o criador partiu cedo, aos 41 anos. Marie Claire esteve em sua despedida e relembra seu legado
KAREN KA

Virgil Abloh usa gravata em que está escrito “UMA formalidade” durante a Semana de alta costura em Paris, em julho de 2021 (Foto: Getty Images)

Domingo, novembro de 2021. Depois de um ano conturbado, fechar a mala para uma viagem internacional parecia um projeto distante, quase irreal. Ainda mais para acompanhar um desfile presencial da coleção masculina da Louis Vuitton, dirigida por Virgil Abloh, de quem acompanho o trabalho (e sou fã) há muitos anos.

Estava terminando de fechar a mala – o evento iria acontecer em Miami, nos Estados Unidos, na ocasião da Art Basel, maior feira de arte contemporânea do mundo – quando recebi uma mensagem inesperada no celular: a dois dias do evento, aos 41 anos, Virgil havia acabado de morrer, em decorrência de um câncer contra o qual lutava em segredo fazia alguns anos. Não podia acreditar.

Filho de dois ganenses que escolheram os Estados Unidos para construir suas vidas – a mãe costureira e o pai funcionário de uma fábrica de tintas –, Virgil cresceu no subúrbio de Rockford, no estado de Illinois, entre as turmas do skate e da música. Para atender ao desejo da família, fez duas faculdades: de engenharia na Universidade de Wisconsin e de arquitetura no Instituto de Tecnologia de Illinois. Mas sua praia eram mesmo a criatividade e a arte.

Aos 29 anos, conseguiu um estágio na Fendi, marca de luxo italiana, onde conheceu o rapper Ye (mais conhecido como Kanye West) e sua vida começou a mudar. A partir daí, passaram a colaborar juntos em vários projetos e Virgil estourou: tornou-se diretor criativo da agência de publicidade de Kanye, fez a direção artística de Watch the Throne, álbum colaborativo de Kanye com Jay-Z que lhe rendeu uma indicação para o Grammy de melhor capa.

Virgil Abloh (Foto: DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Frase formada por drones em homenagem a Virgil (Foto: Divulgação)

Até lançar, em 2012, a Pyrex Vision, pequena butique que vendia um streetwear de alta-costura. O segredo do negócio consistia basicamente em Virgil comprar roupas vintage e baratas da Ralph Lauren, tradicional marca norte-americana, submetê-las ao upcycling – técnica muito comum hoje em dia de dar um “upgrade” em itens antigos, adicionando novos materiais, estampas etc., mas pouco utilizada na época – e revendê-las por não menos do que US$ 500. Detalhe: não pagava pelas peças nem um décimo desse valor na hora de adquiri-las.

Foi um estouro. O movimento da Pyrex Vision foi o “embrião” da Off-White, criada em 2013 e estabelecida propositalmente em Milão, o berço da moda masculina de luxo, que transformou na última década o streetwear e o streetstyle.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Primeiro desfile de Virgil para a Louis Vuitton (Foto: Getty Images)

Esperto, Virgil tratou de incluir também a moda feminina em suas coleções – ou, ainda melhor, a unissex, em um momento em que o mercado procurava artigos genderless –, ampliando seu escopo de atuação e tornando-se um dos jovens designers mais relevantes da indústria.

Além da Off-White, que rapidamente caiu no gosto de músicos, supermodelos e influenciadores da geração Z, Virgil passou a assinar coleções especiais para marcas como Nike e IKEA. Em julho do ano passado, 60% da operação da Off-White foi adquirida pelo próprio grupo LVMH, e Virgil seguiu à frente da direção criativa da empresa.

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Parte da cenografia do evento em Miami em homenagem a Virgil (Foto: Getty Images)

Carreira na Louis Vuitton

Da Off-White para a Louis Vuitton não foi exatamente um pulo: quando assumiu a linha masculina da marca mais tradicional do mercado de luxo, em 2018, substituindo Kim Jones, o mercado ficou em polvorosa.

Por sua trajetória fora do usual, por ter vindo do street, por sua ligação com a música e em especial por ser um homem negro – algo ainda raro, infelizmente, na indústria –, a contratação de Virgil foi um verdadeiro acontecimento. Acontecimento, aliás, em boa parte celebrado pelo público e pelos clientes, que viam em Virgil um respiro do que era realmente novo. Suas coleções passaram a ser muito esperadas e antecipadas.

Ao assumir a LV, disse: “A herança e a integridade criativa da casa são minhas principais inspirações e vou reverenciá-las enquanto traço paralelos com os tempos modernos”. E assim fez.

Debruçou-se sobre os arquivos da grife e, sem deixá-la perder a essência, trouxe uma nova cara à marca, mais contemporânea, fresca e conectada às gerações jovens e trendsetters. Em uma tacada só, conseguiu renovar toda a base de clientes da linha masculina da Louis Vuitton.

Foi isso o que mostrou no desfile da semana de moda masculina de primavera-verão 2019, o primeiro sob sua gestão, considerado por jornalistas e especialistas um abalo no mundo da moda. Numa passarela pintada com as cores do arco-íris, que revelava uma paleta caleidoscópica inspirada no filme O Mágico de Oz, grandes nomes do rap, como Playboi CartiSteve Lacy e A$AP Nast, desfilaram o estilo hip-hop para uma plateia que ia de Rihanna, que já usava suas roupas, a Kim Kardashian, que não era vista em público em Paris havia três anos.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
O criativo e Ye, uma parceria de sucesso (Foto: Getty Images)

Noite de despedida

Terça-feira, 30 de novembro de 2021. O dia estava ensolarado e quente. A bordo de uma lancha, vi ao longe um balão da Louis Vuitton. Um arrepio percorreu meu corpo quando uma imagem gigante de Virgil surgiu no horizonte. O céu já estava alaranjado, o sol começava a se pôr. As cores daquele fim de tarde se complementavam, como se a natureza orquestrasse a cerimônia de despedida. Desembarquei, junto a outros jornalistas e ao time brasileiro da Louis Vuitton, na Miami Marine Stadium, onde o desfile aconteceria.

Aos poucos, os convidados foram chegando. Em silêncio, vi passar Rihanna, PharrellKanye, Kim Kardashian, DJ KhaledMalumaBella Hadid. Todos muito emocionados, trocavam abraços, embalados pela voz embriagante de Milton Nascimento, cujo som tocava ao fundo.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Looks da coleção Primavera-Verão 2022 spin-off masculina (Foto: Divulgação)

De repente, a música parou. Michael Burke, presidente e CEO da Louis Vuitton, tomou a palavra. “Virgil espalhou luz em suas paixões – arte, design, música e, claro, moda – para que todos pudessem ver por dentro. Não só para sonhar fazer parte daquele mundo, mas também para poder fazer desse sonho realidade”, disse. A plateia aplaudiu de pé, a trilha sonora voltou com tudo. O balão começou a piscar e a noite caiu.

O primeiro modelo que apareceu na passarela usava um look azul royal, chapéu e uma maleta laranja, combinação cromática perfeita para o tom retinto da pele do rapaz. Para Virgil, modelos não eram cabides, mas pessoas reais com histórias reais e, assim, era possível criar espaços para que essas narrativas fossem contadas.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Detalhe da coleção Primavera-Verão 2022 spin-off masculina (Foto: Divulgação)

“Procuro influenciar positivamente as mentes dos jovens negros com imagens de oportunidade, antes que a sociedade os programe para pensar de forma diferente”, disse em uma entrevista anos antes. O desfile seguiu com homens de etnias diversas. Negros, asiáticos e alguns (poucos) brancos traziam vida às cores, formas, texturas e sobreposições da coleção.

Ao fim, seguimos para outro ambiente, onde pudemos ver mais de perto o balão e a imagem do designer. Nesse momento, pontos vermelhos surgiram no céu como num balé de drones. O avião de papel (marca registrada de Virgil desde seu primeiro desfile na grife) se formou, seguido do 7.2, número da coleção. Entre outras figuras desenhadas no ar, a frase “Virgil was here” (“Virgil estava aqui”, em português) rasgou o céu num momento catártico. As pessoas que ali estavam, convidados e amigos, repetiam a frase centenas de vezes.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Detalhe da coleção Primavera-Verão 2022 spin-off masculina (Foto: Divulgação)

Façam suas apostas

Antes de morrer, em decorrência de um câncer agressivo (e raro) no coração contra o qual lutou discretamente e longe do público por mais de dois anos, Virgil escreveu sobre a última coleção de sua vida: “Acredito no upcycling de ideias para o futuro. Seja prático ou figurativo, não gosto de trabalhar em coisas arcaicas. Nesse meu novo capítulo na Louis Vuitton, vou apresentar uma série de iniciativas de renovação para mostrar que nenhuma estação deve olhar para o passado. Isso faz parte de meus valores fundamentais”. Parecia um presságio do que estava por vir.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
Detalhe da coleção Primavera-Verão 2022 spin-off masculina (Foto: Divulgação)

Comprometido com a inclusão, a diversidade e a individualidade, Virgil apoiou, empregou e financiou causas LGBTQIAP+ e ligadas aos movimentos negro e indígena, de dentro para fora. Foi um revolucionário ao colocar em pauta na indústria do luxo temas sensíveis, além de dar transparência a questões de sustentabilidade e meio ambiente.

Tudo isso sem deixar de vender aos borbotões e seguir criando desejo, algo essencial para o mercado em que trabalhou. Rumores dão conta de que o próprio Kanye West poderia vir a substituí-lo na linha masculina da Louis Vuitton, que ainda não anunciou novo designer. Tarefa fácil não será. Façam suas apostas.

Virgil Abloh (Foto: GETTY IMAGES / DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO)
O estilista homenageia o público na passarela durante o desfile Louis Vuitton Men’s Spring-Summer 2019, em Paris, na França (Foto: Getty Images)

Altered States Magazine S/S 2022 Covers

Altered States Magazine S/S 2022 Covers
Source: the-altered-states.com
Published: February 2022

In this picture: Maria Keidj
Credits for this picture: Elizaveta Porodina (Photographer), Gerry O’Kane (Fashion Editor/Stylist), Eugene Souleiman (Hair Stylist), Lucy Bridge (Makeup Artist), Afra Zamara (Set Designer), Ben Grimes (Casting Director), Lauren Michelle Pires (Manicurist)

All people in this work:

Elizaveta Porodina – Photographer Samuel Bradley – Photographer Elizabeth Fraser-Bell – Fashion Editor/Stylist Gerry O’Kane – Fashion Editor/Stylist Hannah Elwell – Fashion Editor/Stylist Eugene Souleiman – Hair Stylist Michael Harding – Hair Stylist Pål Berdahl – Hair Stylist Bari Khalique – Makeup Artist Lucy Bridge – Makeup Artist Siddhartha Simone – Makeup Artist Afra Zamara – Set Designer Ben Grimes – Casting Director Lisa Dymph Megens – Casting Director Quentin McQueen – Casting Director Lauren Michelle Pires – Manicurist Maria Keidj – Model

Credits for this picture: Samuel Bradley (Photographer), Elizabeth Fraser-Bell (Fashion Editor/Stylist), Michael Harding (Hair Stylist), Siddhartha Simone (Makeup Artist), Lisa Dymph Megens (Casting Director)
Credits for this picture: Hannah Elwell (Fashion Editor/Stylist), Pål Berdahl (Hair Stylist), Bari Khalique (Makeup Artist), Quentin McQueen (Casting Director)

Victoria’ Secret The Love Cloud Collection Spring 2022

Victoria’ Secret The Love Cloud Collection Spring 2022
Source:  instagram.com
Published: February 2022

All people in this campaign:

Zoey Grossman – Photographer Raul Martinez – Creative Director Carlos Nazario – Fashion Editor/Stylist Adut Akech – ModelDevyn Garcia – Model Imaan Hammam – Model Jill Kortleve – Model Paloma Elsesser – Model Sabina Karlsson – Model Shalom Harlow – Model