A canga não é mais a mesma: estampas artísticas, tecidos sofisticados e ‘manifestos’ predominam no verão 2022

‘É muito versátil. Pode ser usada sobre a areia e basta uma amarração para virar uma roupa incrível’, diz a estilista Anna Luiza Vasconcellos
Marcia Disitzer

Biquíni e canga da EMI Beachwear Foto: Divulgação

De tempos em tempos, a indumentária praiana se atualiza e sinaliza mudanças de hábitos. Além da permanente evolução da roupa de banho, os acessórios de quem vive à beira-mar refletem as transformações ao redor. No verão 2022, a velha e boa canga alcança outro patamar com estampas elaboradas e artísticas, tecidos sofisticados e pegada sustentável. Outra novidade é a canga-manifesto, no rastro da camiseta hit da Dior, lançada em 2016, com a frase da escritora nigeriana Chimamanda Adichie, “We should all be feminist” (Nós devemos todas ser feministas). “Minhas frases expressam a importância do amor próprio. Em breve, vou lançar uma coleção com dizeres políticos. A moda tem papel social”, diz a artista Jamile Sayão.

Modelo da artista Jamile Sayão Foto: Reprodução
Modelo da artista Jamile Sayão Foto: Reprodução

Foi com a intenção de fazer da canga uma peça artística que nasceu em 2017 a Panou, pilotada por Adriana Ferraz, durante anos designer de estampas. Desenhos autorais e sustentabilidade são os pilares da marca. Nesta temporada, o chá da tarde e a Mata Atlântica inspiraram Adriana em peças que podem ser colocadas na parede. “Geramos resíduo quase zero. Com as sobras, produzimos lenços e o resto vira enchimento de almofada.”

Versão Farm Foto: Divulgação
Versão Farm Foto: Divulgação

À frente da EMI Beachwear, Anna Luiza Vasconcellos é entusiasta da peça, que também atende por nomes como pareô, sarongue e panneau. “É muito versátilPode ser usada sobre a areia e basta uma amarração para virar uma roupa incrível. Utilizamos seda e viscose”, diz a estilista.

Modelo da Panou Foto: Divulgação
Modelo da Panou Foto: Divulgação

À medida em que ir à praia se tornou costume na vida dos brasileiros, diversos acessórios tomaram conta do litoral. Na década de 1960 e 1970, as toalhas dividiam o protagonismo com esteiras de palha, aliadas do bronze perfeito em um tempo em que o “travesseiro” de areia era fundamental. Também nos anos 1960, o pareô — eternizado nos quadros em que o pintor francês Paul Gauguin (1848-1903) retratou mulheres taitianas — vira moda no embalo do surfe, que se consolidou como estilo de vida e lançador de tendências.

Canga Marcela B Foto: Divulgação
Canga Marcela B Foto: Divulgação

Na década de 1980, surfistas trouxeram na bagagem uma das ondas mais fortes que bateram por essas bandas quando o assunto é canga: as de Bali. Modelos estampados invadiram o território nacional. Primeiro, eram usadas como saídas de praia para depois serem levadas dentro da bolsa. “As saias pareô, feitas de tecidos nobres, também foram muito vistas em coleções de marcas consagradas naquela época. Faziam uma linha direta entre a praia e a rua”, lembra a consultora de moda Ana Maria Andreazza. Agora, arte, sustentabilidade e política se unem para fortalecer ainda mais essa ponte.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.