Valentino se entrega ao pink na Semana de Moda de Paris

Com desfile ocorrido em momento marcado por bombardeios russos, estilista faz depoimento a favor da Ucrânia na abertura
Alice Ferraz, Moda

Cena do desfile da Valentino em Paris, em imagem para a coluna de Alice Ferraz  Foto: Valentino

A semana não poderia ser mais delicada para falar sobre moda. A guerra na Ucrânia trouxe a atenção para o que é importante e urgente, e a tristeza invadiu os espaços criativos. Sentados dentro de uma caixa cor-de-rosa, do piso ao teto, passando por paredes e colunas, jornalistas, compradores e formadores de opinião esperavam o desfile da Maison Valentino. 

Apesar do momento difícil, lá estavam os convidados na Semana de Moda de Paris, na qual estilistas influenciam o mundo a se vestir com suas ideias. A sala rosa tremeu quando invadida pelo megafone com a voz do diretor criativo da Maison Valentino, Pierpaolo Piccioli: “Nossos pensamentos estão com quem está sofrendo na Ucrânia, nós vemos vocês, nós sentimos vocês e nós amamos vocês!”, decretou o italiano.

“Reagi não me deixando paralisar pelo medo, mas lembrando de que o privilégio da nossa liberdade é agora maior que nunca.” A fala acolheu uma dor comum a todos e deixou os convidados mais confortáveis para a invasão de modelos usando roupas pink, exatamente no mesmo tom da caixa em que estavam agora imersos. 

De longe, a cor intensa deixou todas as modelos iguais, um exército cor-de-rosa impactante que anda na direção da plateia. De perto, no entanto, cada uma é milimetricamente única. Nas mãos daqueles que assistiam ao desfile estava um livro entregue pela maison no mesmo tom vibrante do espaço. Páginas idênticas com escritos em rosa, assim como as modelos idênticas na passarela, tornaram-se também únicas quando olhadas de perto, trazendo frases de Douglas Coupland, 

designer, jornalista e escritor mais conhecido por ter criado o termo Geração X. “Rosa é um ticket premiado da loteria, tudo que você embala em rosa torna-se mágico”, escreve Coupland em uma das páginas da pequena publicação. A frase reforça a entidade de cada roupa, texturas, construções e o magnífico trabalho artesanalmente feito em cada peça.

O pink chega a perder poder para a força da criação humana em tecidos, metais, acabamentos. Recortes, comprimentos, laços, penas, paetês, o peso ou a fluidez dos tecidos, nada escapa na percepção das diferenças. 

IGUAIS, MAS DIFERENTES. Em alguns minutos do desfile o mundo rosa pareceu não chocar mais, estão todos confortáveis nele quando, em mais uma surpresa, Pierpaolo reacendeu o foco com uma seleção de looks pretos da cabeça aos pés. De novo o todo se mostra um só e as diferenças são percebidas de perto.

Uma analogia à humanidade? Somos todos iguais e assim mesmo tão diferentes. Pierpaolo contribuiu para minutos bem-vindos de escapismo. “Você é prisioneiro da sua era?” mais uma frase do livro/arte. Neste momento, não. Por minutos eternos, os convidados parecem ter sido libertados e encantados pelo mundo pink e doce da Maison Valentino de 2022. 

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