‘Passei seis meses com ele e não cheguei a conhecê-lo de verdade’, diz Anne Hathaway sobre Jared Leto

Ator é conhecido por seu estilo peculiar de trabalho. Dupla trabalhou junta na série ‘Wecrashed’, que mostra história real de ascensão e queda de startup dos chamados coworkings que chegou a ser avaliada em US$ 47 bilhões
Lucas Salgado

Jared Leto e Anne Hathaway em “WeCrashed” (2022) Foto: Apple TV+ / Divulgação

No mundo empresarial e financeiro, unicórnio é o termo usado para se referir a startups que têm avaliação de valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. E foram raros os unicórnios como a WeWork. Especializada em oferecer espaços de trabalho compartilhados flexíveis, os chamados coworkings, que geralmente atraem a atenção de outras startups e empresas do mundo tech, a companhia foi criada em 2010 a partir da iniciativa de Adam Neumann e Miguel McKelvey, e em pouco tempo se expandiu com locações por todo o mundo.

Como num conto de fadas, a WeWork surge do nada e se desenvolve até uma avaliação de US$ 47 bilhões para seu IPO (oferta pública de ações). Às vésperas da entrada na bolsa de Nova York, em 2019, o negócio foi suspenso por suspeitas envolvendo supervalorização dos ativos e um comportamento errático do então CEO, Adam Neumann.

Ambição e exagero

A história por trás do sucesso e fracasso da WeWork pode ser vista em “WeCrashed”, minissérie de oito episódios criada por Lee Eisenberg e Drew Crevello que estreia hoje na Apple TV+. No entanto, a trajetória empresarial da companhia não é o foco da produção, que centra sua atenção na exótica vida de Adam e Rebekah Neumann, o casal que por muito tempo foi cara e alma da empresa, responsável por seu crescimento e por sua derrocada.

Jared Leto e Anne Hathaway Foto: Apple TV+ / Divulgação
Jared Leto e Anne Hathaway Foto: Apple TV+ / Divulgação

Adam e Rebekah são interpretados pelos vencedores do Oscar Jared Leto e Anne Hathaway. Na minissérie, acompanhamos um Adam extremamente carismático e ambicioso, capaz de convencer investidores, mas também sempre propenso a dar passos maiores do que as pernas. A história já foi abordada inúmeras vezes em livros, documentários e podcasts, além de uma vasta cobertura por parte da imprensa, razão pela qual os envolvidos fazem questão de reforçar que o novo projeto tem uma inspiração bem fundamentada no caso, mas sem o interesse de ser 100% fiel.

— Você irá encontrar coisas que são interpretativas e subjetivas, mas criativas. É uma pintura, não uma fotografia. Você tem muitas fotografias tratando do tema, muitas coisas já saíram sobre o caso, mas aqui estamos diante de algo único — destaca Leto.

Sem saber nada sobre a WeWork antes, Anne Hathaway reforça que a produção é uma forma de explorar melhor o lado humano dessas figuras ainda pouco conhecidas fora do mundo financeiro. Ela se viu interessada no projeto após assistir a um documentário sem nenhuma relação com o tema: “Fyre Festival: Fiasco no Caribe” (2019). Segundo a atriz, era importante entender esse momento em que as pessoas se entregam completamente nas mãos de líderes carismáticos.

Para interpretar Adam, Leto precisou passar por um processo de maquiagem e próteses que exigia entre uma e duas horas todos os dias. Além disso, ele também trabalhou para encontrar a voz do personagem e pensou em viver na comunidade em que Adam cresceu em Israel, o que não foi possível por causa do lockdown no país em decorrência da pandemia.

Jared Leto é conhecido por seu estilo peculiar de trabalho. Embora não seja propriamente um seguidor do chamado Método, ele tenta ao máximo se manter dentro do personagem durante a produção, o que gera particularidades na relação com colegas de elenco.

— Ainda não conheço Jared. Passei seis meses com seu trabalho, não cheguei a conhecê-lo de verdade. Minha impressão é de que ele é um sujeito muito doce. É difícil descrevê-lo, ele é muito vivo e incrivelmente presente — relata Anne Hathaway.

Coringa e outros tipos

A atriz, no entanto, não considera que tal distanciamento seja negativo. E acha que o comprometimento do ator em encontrar seu personagem também a ajudou muito.

— Ver a performance de Jared foi fundamental para que eu encontrasse a voz para Rebekah. Vi isso com Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. É a diferença entre fazer um sotaque e encontrar a voz de seu personagem.

Após as polêmicas nos bastidores de “Esquadrão suicida” (2016), em que perturbou seus colegas de elenco com um comportamento espelhado na personalidade do Coringa, o ator não pensa em mudar sua abordagem.

— Considero uma maneira excitante de trabalhar se manter comprometido com o personagem, você aprende muito, ganha a chance de realmente examinar o papel com profundidade. Gosto de um trabalho imersivo, físico e desafiador, e esta série teve tudo isso — aponta.

Adam e Rebekan são personagens bem particulares. Em uma cena logo no primeiro episódio, os dois se utilizam da canção “Roar”, de Katy Perry, para ganhar força antes de entrar em uma reunião importante. Leto e Hathaway também têm músicas que lhes dão força. A atriz conta que adora ouvir “Formation”, de Beyoncé, sempre que está perdendo gás na academia. Já o ator diz que fica animado sempre que escuta Nirvana, mas lembra que muitas das músicas que escreveu pro Thirty Seconds to Mars foram com o objetivo de se motivar.

Por sinal, Leto diz que a experiência com a banda Thirty Seconds to Mars foi fundamental para o projeto em várias escalas. O ator vê Adam como um astro do rock, logo, a experiência nos palcos ajudou a entender um pouco da força da presença do executivo. Além disso, as dificuldades que viveu como músico foram importantes para saber como é estar sempre “perseguindo um sonho, um unicórnio”.

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