‘Slow horses’, da AppleTV+, narra ataque perpetrado pela extrema direita

PATRÍCIA KOGUT

Cena de ‘Slow horses’ (Foto: Divulgação)

Na gíria, slow horse equivale a pangaré, um cavalo em que ninguém apostaria como vencedor de uma corrida. Na nova série da AppleTV+, “Slow horses”, esse é também um trocadilho interno no MI5 (Serviço de Inteligência Britânica). Ele serve a apelidar os agentes lotados na Slough House. O lugar é uma espécie de degredo. Ele recebe aqueles profissionais que derraparam em serviço. Alguns deles, por inépcia. Outros, por pequenas infrações que não justificariam uma expulsão.

Quem estava com saudades de uma daquelas aventuras elétricas de espionagem vai gostar. Além do convite ao binge watching, a produção é estrelada pelo sensacional Gary Oldman. O ator vive Jackson Lamb, o chefe da Slough House. O lugar é um pulgueiro. No escritório dele, localizado no alto de uma escada que range, velhos arquivos se empilham. Eles dividem o espaço com migalhas de comida velha e cinzeiros cheios de guimbas. A luz é triste. Lamb encarna uma espécie de líder da banda de desajustados. Fuma muito, cochila no trabalho e é um rabugento militante. Sofre de um desânimo crônico.

Até que um rapaz é sequestrado por um grupo de extrema direita. Hassan Ahmed (Antonio Aakeel) é descendente de paquistaneses e a terceira geração de sua família a nascer na Inglaterra. Os raptores prometem decapitá-lo diante das câmeras. O crime mobiliza o MI5 e, por razões que é melhor não detalhar para evitar o spoiler, acaba alcançando a Slough House. Quando isso acontece, Lamb parece despertar daquele seu sono ruim. Ele mostra a energia de um principiante e o brilho de um agente de primeira linha. Passa a atuar ao lado de Diana Taverner (Kristin Scott Thomas, outro nome importante do elenco) para descobrir o cativeiro.

“Slow horses” só ganha ritmo a partir do terceiro episódio. Antes disso, o espectador tem de se contentar em apreciar o trabalho espetacular de Oldman, enquanto se esforça para entender a trama. Ela é confusa e se abre em vários núcleos. Vale insistir. Chega um momento em que o caldo do enredo engrossa e tudo faz sentido. Há muitas externas em Londres, o que é outra qualidade da produção.

Como quase todas as histórias de espionagem, a dramaturgia peca pelos mesmos “velhos truques”. Há as cenas interrompidas na hora agá do tiro, e o inevitável personagem do agente duplo. Embora infinitamente mais requintada, “Slow horses” tem lá seus momentos de “24 horas”. Mas sem a canastrice de Jack Bauer. É uma ótima pedida. Há três episódios disponíveis na plataforma. Os inéditos entram toda sexta-feira.

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