Afiya Bennett – Harper’s Bazaar Serbia April 2022 Digital Cover

Harper’s Bazaar Serbia April 2022 Digital Cover
Source: harpersbazaar.rs
Published: April 2022

All people in this magazine cover:

Ace Amir – Photographer Arnold Milfort – Fashion Editor/Stylist Hos Hounkpatin – Hair Stylist Christyna Kay – Makeup Artist Afiya Bennett – Model

Bilheteria EUA: Os Caras Malvados, Sonic 2, Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, O Homem do Norte, O Peso do Talento

Animação da DreamWorks ‘Os Caras Malvados’ lidera bilheteria dos EUA no fim de semana

Animação da DreamWorks mostra grupo de animais malfeitores em busca de regeneração; ‘Sonic 2’ e ‘Animais Fantásticos’ também conquistam boas colocações

Os Caras Malvados, nova animação da DreamWorks, liderou as bilheterias dos Estados Unidos e Canadá neste fim de semana, segundo informações divulgadas pela agência AP. O longa arrecadou US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 115 milhões.

Na trama, uma quadrilha de animais ladinos liderados pelo Lobo Mau passa por um processo de revisão de caráter ao provar do gostinho do que é fazer o Bem. Tudo começa com o plano de roubar um troféu chamado de Golfinho de Ouro das mãos da governadora, Diane Raposina. Entre mil trapaças, eles terão de provar que podem se regenerar. Mas o que parece ser um golpe acaba se tornando uma cruzada de justiça.

Já em cartaz há mais tempo, Sonic 2 e Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, tiveram arrecadação menor do que no último fim de semana, mas inverteram sua ordem na lista. Sonic, com 15,2 milhões, aparece na vice-liderança, seguido pelo filme do universo Harry Potter, com 14 milhões. 

O Homem do Norte, com Alexander Skarsgård, Anya Taylor-Joy e Björk, vem na sequência com US$ 12 milhões. Abaixo dos US$ 10 milhões, destaque para O Peso do Talentocomédia protagonizada por Nicolas Cage, na quinta colocação, com US$ 7,2 milhões. 

Confira abaixo a lista com as 10 maiores bilheterias deste fim de semana nos Estados Unidos e Canadá (valores em dólares):

1ª – 24 milhões – Os Caras Malvados

2ª – 15,2 milhões – Sonic 2: O Filme

3ª – 14 milhões – Animais Fantásticos: O Segredo de Dumbledore

4ª – 12 milhões – O Homem do Norte

5ª – 7,2 milhões – O Peso do Talento

6ª – 5,4 milhões – Everything Everywhere All at Once

7ª – 4,4 milhões – A Cidade Perdida

8ª – 3,4 milhões – Luta pela Fé: A História do Padre Stu

9ª – 2,3 milhões – Morbius

10ª – 1,8 milhões – Ambulância: Um Dia de Crime

* Com informações da agência AP.

Entenda o que a crise na Netflix indica sobre o futuro do streaming

Mercado parece ser menor que o esperado e pode ser hora de repensar o modelo de negócio que a Netflix foi pioneira
Christopher Grimes
Anna Nicolaou

Fachada do edifício sede da plataforma de streaming Netflix, em Los Angeles, nos Estados Unidos – Robyn Beck / AFP

LOS ANGELES e NOVA YORK | FINANCIAL TIMES – É uma fórmula básica no negócio da televisão: faça um programa de sucesso, renove-o e atraia audiências ainda maiores. Mas a Netflix, que há mais de 20 anos vem desordenando as regras do negócio do entretenimento, pode ter encontrado uma maneira de desafiar até mesmo essa convenção.

Neste trimestre, o serviço de streaming vai lançar novas temporadas, muito aguardadas, de duas de suas séries mais populares, “Ozark” e “Stranger Things“. Mas em vez de imaginar um crescimento de sua base de assinantes, a empresa anunciou esta semana que espera perder dois milhões de assinantes nos próximos meses, graças a uma combinação de concorrência mais intensa, amadurecimento do mercado dos Estados Unidos e de sua decisão de aumentar preços em um momento no qual os consumidores já estão tendo de enfrentar a alta da inflação.

Depois de anos submetendo Hollywood à sua vontade, a Netflix enfim caiu de volta à terra nesta semana, ao revelar que a sequência de crescimento forte e ininterrupto de seu número de assinantes tinha chegado ao fim. O preço de suas ações caiu 40%, o que reduziu sua capitalização de mercado a US$ 97 bilhões (R$ 459 bilhões) —ante os US$ 300 bilhões (R$ 1,41 trilhão) de novembro.

A notícia é um sinal de alerta para o setor de streaming, que cresceu na esteira da Netflix. O extraordinário sucesso da companhia inspirou muitos dos maiores conglomerados de mídia dos Estados Unidos a lançar ou adquirir plataformas de streaming, o que inclui a Hulu e Disney+ da Disney, a HBO Max da Warner Bros. Discovery, a Peacock da NBCUniversal, e a Paramount+ da Paramount. Os grupos de tecnologia Amazon e Apple também lançaram serviços de streaming, em um esforço para emular o modelo inovador da Netflix.

Esse modelo transformou os setores de televisão e cinema e lançou uma guerra ferozmente competitiva por assinantes. Mas o crescimento do setor de streaming dependia da suposição de que existia um mercado mundial de até um bilhão de domicílios dispostos a pagar por esses serviços. Agora, alguns analistas dizem que o mercado efetivo pode ser muito menor —e que é hora de repensar o negócio de streaming do qual a Netflix foi pioneira.

O alerta da Netflix quanto à queda em seu número de assinantes “foi quase que um reconhecimento… de que esse negócio não é assim tão bom”, disse Michael Nathanson, analista da MoffettNathanson e cético há muito tempo quanto ao modelo da Netflix. “O que me leva a imaginar se as companhias de mídia não deveriam moderar um pouco a sua ambição de ser como a Netflix”.

A CORRIDA ARMAMENTISTA DE CONTEÚDO

Os resultados sombrios da Netflix pareceram sinalizar o fim de uma era experimental e custosa do streaming, caracterizada por crescimento rápido, gastos irrestritos e uma dose forte de prepotência.

Quando a Netflix lançou seu serviço de streaming nos Estados Unidos, em 2007, a empresa o posicionou como um novo formato que libertaria os espectadores das convenções antiquadas da televisão comercial e dos custos altos e programação rígida dos canais “premium” de TV a cabo.

Inicialmente, a Netflix oferecia aos seus assinantes acesso a filmes e programas de TV já existentes, licenciados de outros criadores. Mas em 2012, ano em que a empresa começou a operar no Reino Unido, ela passou a desenvolver conteúdo próprio, e obteve sucesso inicial com um drama político passado em Washington e chamado “House of Cards“. A Netflix inverteu o modelo da televisão tradicional ao lançar todos os episódios de uma vez, em lugar de semanalmente, o que permitiu que os espectadores assistissem a temporadas inteiras de uma vez [um fenômeno que se tornou conhecido como “binge-watching”].

A plataforma provou ser um sucesso extraordinário. Nos dez anos que transcorreram desde então, conquistou 222 milhões de assinantes em 190 países, um crescimento de mais de 750%, e no final do ano passado registrou lucro pela primeira vez em sua história.

A ascensão da Netflix foi ajudada por um longo período de política monetária frouxa e uma alta histórica nos mercados de ações, o que permitia que a empresa gastasse pesadamente, desde que os investidores continuassem a acreditar na estratégia. Em um ambiente de taxas de juros baixas, os investidores em busca de bons rendimentos adquiriam títulos de dívida da Netflix alegremente, o que bancou os pesados gastos da empresa no desenvolvimento de conteúdo próprio.

De 2019 a 2021, a Netflix investiu US$ 55 bilhões (R$ 260 bilhões) na produção de filmes e programas de televisão, como parte de sua corrida para concorrer com as grandes redes e estúdios de Hollywood. O avanço da Netflix gerou uma corrida por território no setor, e todas as empresas precisavam gastar muito para vencer. Em 2019, a Amazon investiu US$ 1 bilhão (R$ 4,73 bilhões) em uma só série —uma adaptação de “O Senhor dos Anéis” que é vista como o programa de TV mais caro de todos os tempos.

“Um dos motivos para que [todos] investissem tão pesado [entre 2017 e 2019] era a teoria de que, pelos dois ou três anos seguintes, só o que importava era adquirir assinantes”, disse o antigo presidente de um grande serviço de streaming. “Essa janela de oportunidade era o momento em que os consumidores fariam sua transição. Era preciso conquistá-los. A Netflix sabia disso”.

Mas a corrida armamentista de conteúdo só se intensificou com a chegada ao mercado de novos concorrentes, dotados de amplos recursos, e com as pessoas aprisionadas em casa durante a pandemia, o que elevou o número de espectadores. A expectativa é que grupos de mídia americanos, somados, invistam mais de US$ 100 bilhões (R$ 473 bilhões) em conteúdo neste ano. A Netflix sozinha responde por mais de US$ 17 bilhões (R$ 80,4 bilhões) desse total.

Essas quantias são “históricas, e estabelecem precedentes”, diz Tom Nunan, professor na escola de Teatro, Cinema e Televisão na Universidade da Califórnia em Los Angeles e produtor-executivo do filme “Crash —No Limite”, premiado com o Oscar. “São números de um tipo que costumamos ver associado ao Departamento de Defesa. Vindos de empresas individuais como essas, eles são quase inimagináveis —e com certeza insustentáveis”.

OS INVESTIDORES MUDAM DE CANAL

Até recentemente, Wall Street vinha aplaudindo os gastos generosos com streaming. Depois que a Disney anunciou sua programação de streaming baseada em propriedades Marvel e Star Wars, em dezembro de 2020, por exemplo, as ações da empresa chegaram a um recorde de alta, por um breve período.

Mas esse sentimento mudou, agora. Um momento de alerta para o setor de streaming surgiu em fevereiro, quando executivos da Paramount anunciaram grandes investimentos no serviço de streaming Paramount+ e viram uma queda de quase 20% no preço das ações da empresa no dia seguinte.

Wall Street não estava convencida de que a virada para o streaming propiciaria mais lucros para a Paramount. Mas o anúncio da Netflix este mês parece ter confirmado alguma coisa para os investidores: que não importa o quanto seja boa a programação, é improvável que o setor de streaming venha a gerar o tipo de lucro que a televisão e o cinema proporcionavam antes do streaming.

“É um modelo econômico absolutamente inferior [ao da televisão a cabo]”, disse o ex-presidente de um grande serviço de streaming. “O preço que seria preciso impor para reproduzir os resultados do mercado [de TV a cabo] seria astronômico”.

A Netflix anunciou diversas medidas nesta semana a fim de tentar minorar o efeito da desaceleração sobre o crescimento do número de consumidores. Em uma conversa via vídeo com investidores, na terça-feira (19), Spencer Neumann, vice-presidente financeiro da empresa, disse que ela “reduziria alguns de nossos aumentos de gastos”, embora representantes da Netflix tenham afirmado que ela continuaria a gastar mais que os seus rivais do setor na produção de novos filmes e séries.

A empresa também vai abandonar sua oposição duradoura à veiculação de publicidade na plataforma Netflix, e Reed Hastings, um de seus fundadores, disse que uma versão mais barata do serviço, bancada em parte por publicidade, poderia vir a surgir dentro de um ou dois anos.

“Eu era contra a complicação da publicidade e sempre fui grande fã da simplicidade da assinatura”, disse Hastings na terça-feira. “Mas por mais fã que seja disso, sou ainda mais fã da liberdade de escolha para o consumidor”.

No entanto, indicou Hastings, a melhora mais importante que a Netflix precisava fazer era na qualidade de sua programação —o lado do negócio que é comandado por Ted Sarandos, seu copresidente executivo.

Os analistas concordam. “A Netflix deveria estar criando muito mais filmes e programas de TV que as pessoas se sentem obrigadas a assistir, e que se transformem em franquias duradouras”, escreveu Rich Greenfield, analista da LightShed, em uma nota de pesquisa. “O conteúdo da Netflix, especialmente o conteúdo em inglês, simplesmente não fica à altura do nível de gastos que eles têm”.

Sarandos, que trabalhou muito para tornar a Netflix parte da estrutura de Hollywood, adotou um tom defensivo esta semana ao falar da necessidade de melhorar a programação da empresa. Ele afirmou que filmes da Netflix como “Não Olhe Para Cima”, “Alerta Vermelho” e “O Projeto Adam” estão entre “os mais assistidos e mais populares do planeta” (se bem que, como a empresa não divulga números de audiência, os investidores só têm a palavra dele quanto a isso.)

Ele lembrou aos investidores que sua companhia continuava a ser a novata, no que tange à criação de conteúdo. “Nós estamos nesse ramo há uma década”, ele disse. “Ou seja, cerca de 90 anos a menos do que todos os nossos concorrentes.”

Mas a paciência de Wall Street pode ter se esgotado. Alguns analistas já estão instando os rivais da empresa a repensar seus gastos com streaming. Apontando que a Sony vem ganhando dinheiro ao vender seus filmes e programas de TV para empresas de streaming —uma estratégia conhecida como a do “comerciante de armas” —, Greenfield sugeriu que alguns dos estúdios tradicionais deveriam estudar a ideia de abandonar o streaming e se tornar fornecedores de conteúdo.

“Embora pareça difícil entender o abandono das ambições quanto ao streaming depois de investir tanto capital na produção de programas originais para streaming nos últimos anos, nós imaginamos se essa não seria uma decisão difícil, mas que as equipes de gestão da NBCUniversal e Paramount precisam tomar”, escreveu Greenfield.

Tradução de Paulo Migliacci

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Home Office;

‘The Lohdown’: Lindsay Lohan divulga teaser e data de estreia do seu podcast

Novidades foram compartilhadas pela artista em seu Instagram

Lindsay Lohan anunciou estreia de seu podcast, ‘The Lohdown’

Lindsay Lohan compartilhou em suas redes sociais na última quinta-feira, 21, o teaser do seu podcast chamado The Lohdown, que vai estrear na próxima terça-feira, 26, no Spotify.

“Olá, mundo. Sou eu, Lindsay Lohan, e estou aqui para contar a vocês sobre meu novo podcast, The Lohdown”, disse ela no teaser e acrescentou seu desejo de que a produção seja um local em que as pessoas a vejam de uma maneira 100% autêntica. 

“Tendo estrelado dezenas de filmes e programas de TV, geralmente sou eu quem está sendo entrevistada. Mas agora é minha vez de fazer todas as perguntas, cavar fundo e ouvir tudo sobre as coisas fascinantes e maravilhosas que meus convidados estão fazendo em suas vidas”, completou.

Segundo ela, serão entrevistados atores, músicas, empresários, produtores, youtubers e muito mais. “Não estou aqui para fazer perguntas superficiais, estou aqui para as histórias que têm significado”.

Marc de Groot for Vogue Netherlands with Nella Ngingo and Arantxa Oosterwolde

Photographer: Marc de Groot. Fashion Stylist: Linda Gumus Gerritsen. Hair and Makeup: Laura Yard. Models: Nella Ngingo and Arantxa Oosterwolde.

Merle Oberon, a estrela que escondeu sua origem e se passou por branca para fazer sucesso em Hollywood

Merle Oberon precisou esconder sua origem indiana para conseguir papeis em filmes americanos nas décadas de 1930 e 1940
Meryl Sebastian

Mulher sorri e olha para cima
Merle Oberon nasceu em Bombai, na Índia – Getty Images

DÉLI | BBC NEWS BRASIL – Merle Oberon, uma estrela de Hollywood da era dos filmes preto e branco, é um ícone esquecido em seu país natal, a Índia.

Mais conhecida por interpretar o clássico “Morro dos Ventos Uivantes”, de 1939, Oberon era uma anglo-indiana nascida em Bombaim em 1911. Mas como uma estrela da Era de Ouro de Hollywood, ela manteve seu passado em segredo, posando como uma pessoa branca durante toda a vida.

Mayukh Sen, escritor e acadêmico americano, ouviu o nome da estrela pela primeira vez em 2009, quando descobriu que Oberon havia sido a primeira pessoa de ascendência sul-asiática a ser indicada ao Oscar.

Seu fascínio cresceu quando ele viu seus filmes e mergulhou em seu passado.

“Como uma pessoa queer, simpatizo com esse sentimento de que você precisa esconder uma parte de sua identidade para sobreviver em uma sociedade hostil que não está realmente pronta para aceitar quem você é”, diz ele.

Sen está trabalhando em uma biografia da atriz a partir de uma perspectiva do sul da Ásia.

Uma mãe que era a avó

Oberon, cujo nome verdadeiro era Estelle Merle O’Brien Thompson, nasceu em Bombaim em 1911, numa época em que a Índia era uma colônia britânica.

Sua mãe tinha origem no Ceilão —agora do Sri Lanka— e em Maori, enquanto seu pai era britânico.

A família se mudou para Calcutá em 1917, três anos depois que o pai de Oberon morreu. Ela começou a atuar por meio da Sociedade Teatral Amadora de Calcutá na década de 1920.

Depois de ver um filme mudo “Angel of Darkness” pela primeira vez no cinema, em 1925, Oberon se inspirou em sua protagonista, Vilma Bánky, para se tornar atriz, de acordo com Sen.

Ela partiu para a França em 1928, depois que um coronel do exército a apresentou ao diretor Rex Ingram, que lhe deu pequenos papéis em seus filmes.

A mãe de Oberon, Charlotte Selby, que tinha o tom da pele mais escura, a acompanhou como empregada.

um homem próximo a uma mulher deitada
A atuação de Oberon em ‘Morro dos Ventos Uivantes’, ao lado de Laurence Olivier, consolidou seu lugar em Hollywood – Arquivo

Um documentário de 2002 chamado “The Trouble with Merle” descobriu mais tarde que Selby era, de fato, a avó de Oberon.

A filha de Selby, Constance, teve Oberon na adolescência, mas as duas foram criadas como irmãs por alguns anos.

A mentira da Tasmânia

A primeira grande chance de Oberon no cinema veio de Alexander Korda, um cineasta com quem ela se casaria mais tarde, que a escalou como Ana Bolena em “Os Amores de Henrique VIII”, de 1933.

Os agentes de Korda tiveram que inventar uma história para explicar a origem de Oberon.

“A Tasmânia, na Austrália, foi escolhida como seu novo local de nascimento porque estava muito longe dos Estados Unidos e da Europa e era geralmente considerada uma região ‘britânica'”, escreveu Marée Delofski, diretora de “The Trouble with Merle”.

Mulher com roupas antigas
Merle Oberon interpretando Lady Marguerite Blakeney no filme “Pimpinela Escarlate” – Getty Images

Oberon posou como uma garota de classe alta de Hobart (capital da Tasmânia) que se mudou para a Índia depois que seu pai foi morto em um acidente de caça, disse Delofski.

No entanto, a atriz logo se tornou uma parte intrínseca do folclore local na Tasmânia e, pelo resto de sua carreira, a mídia australiana a seguiu de perto com orgulho e curiosidade.

Ela até reconheceu a Tasmânia como sua origem e raramente mencionou a Índia.

Mas Calcutá se lembrou dela. “Nas décadas de 1920 e 1930, havia menções passageiras nas memórias de muitos ingleses” que moravam na cidade indiana, diz a jornalista Sunanda K. Datta Ray.

“As pessoas diziam que ela nasceu na cidade, que era telefonista e que ganhou um concurso no restaurante Firpo”, acrescenta.

mulher apoia queixo na mão enquanto está sentada e analisa alguém a sua frente
Um dos papeis mais famosos de Oberon foi Ana Bolena, no filme “Os Amores de Henrique VIII” – Getty Images

Chegada em Hollywood

Como ela fez mais filmes em Hollywood, Oberon mudou-se para os Estados Unidos e em 1935 foi indicada ao Oscar por seu papel em uma nova versão de “O Anjo das Trevas”.

Mas foi sua atuação em “Morro dos Ventos Uivantes”, de 1939, ao lado da lenda da atuação Laurence Olivier, que consolidou seu lugar na indústria.

Ela foi escolhida no lugar de Vivien Leigh, outra atriz nascida na Índia, porque a equipe por trás do filme sentiu que ela era um nome maior, diz Sen.

Uma crítica do filme publicada pelo jornal The New York Times afirmou que Oberon havia “capturado perfeitamente o espírito inquieto da heroína de [Emily] Brontë”.

O final da década de 1930 catapultou Oberon para a notoriedade em Hollywood, conta Sen. Seu círculo íntimo incluía figuras como o compositor musical Cole Porter e o dramaturgo Noël Coward.

Mudança de sotaque

Korda e o produtor veterano Samuel Goldwyn ajudaram Oberon a mudar seu sotaque, o que teria revelado suas origens do sul da Ásia, diz Sen.

O segredo de Oberon pesava muito sobre ela, mesmo que sua cor de pele clara tornasse fácil para ela se passar por branca na tela.

“Ela muitas vezes ainda sentia a necessidade de silenciar os murmúrios frequentes de que ela era mestiça. Os jornalistas de cinema de sua época notaram sua pele mais bronzeada”, diz Sen.

Alguns relatos afirmam que a pele de Oberon foi danificada por tratamentos de clareamento.

Depois que Oberon se feriu em um acidente de carro em 1937, o diretor de fotografia Lucien Ballard desenvolveu uma técnica que a iluminou de uma maneira que disfarçava o que havia acontecido (Oberon se divorciou de Korda e se casou com Ballard em 1945).

“Algumas fontes sugeriram que a técnica também era uma maneira de clarear o rosto de Merle na câmera”, diz Sen.

Mulher na beira de uma piscina
Merle Oberon em Acapulco, no México, em 1966. – Getty Images

O sobrinho de Oberon, Michael Korda, que publicou um livro de memórias da família chamado “Alexander Korda: Uma Vida de Sonho”, em 1979, disse que ocultou detalhes do passado da tia depois que ela ameaçou deserdá-lo. Os detalhes incluem seu nome real e local de nascimento.

“Achei que havia água suficiente debaixo da ponte, mas ela ainda se importava muito com seu passado”, disse ele em entrevista ao jornal Los Angeles Times.

Fugindo das perguntas

Com o passar do tempo, a farsa se tornou mais difícil de sustentar.

Em 1965, Oberon cancelou aparições públicas e interrompeu uma viagem à Austrália depois de saber que os jornalistas locais estavam curiosos sobre sua vida.

Relatos da época afirmavam que ela estava perturbada durante sua última visita à Tasmânia em 1978, pois as perguntas sobre sua identidade continuavam surgindo.

Mas ela nunca admitiu a verdade em público. Oberon morreu em 1979, de um acidente vascular cerebral.

Em 1983, sua herança anglo-indiana foi revelada em uma biografia, “Princess Merle: The Romantic Life of Merle Oberon”.

Os autores encontraram sua certidão de nascimento em Bombaim, sua certidão de batismo e fotografias de seus parentes indianos.

Por meio de seu livro, Sen espera transmitir as enormes pressões que Oberon enfrentou como uma mulher do sul da Ásia “navegando em uma indústria que não foi projetada para se adequar a ela e produzindo um trabalho tão emocionante enquanto lutava nessas batalhas”.

“Lidar com essas lutas não deve ter sido fácil. É mais útil ter empatia com ela do que julgá-la.”

Maria-João Pires plays Mozart – @ARTE Concert

La pianiste Maria-João Pires s’associe à l’Orchestre Philharmonique de Monte-Carlo pour donner au Festival de Pâques d’Aix-en-Provence un concert rythmé par la musique de Mozart, Mendelssohn et Schumann.

La pianiste d’origine portugaise Maria-João Pires est de retour à Aix-en-Provence pour y jouer le Concerto pour piano n° 9 en mi bémol majeur de Mozart. Grande connaisseuse du répertoire mozartien, la soliste livre sur la scène du Grand Théâtre de Provence une interprétation vive et épurée de cette œuvre célébrée dès sa création pour son inventivité.

Fidèle à l’esprit d’ouverture du Festival de Pâques d’Aix-en-Provence, ce concert fait également la part belle à la musique romantique. Sous la direction de Kazuki Yamada en effet, l’Orchestre Philharmonique de Monte-Carlo interprète l’ouverture du Songe d’une nuit d’été de Felix Mendelssohn et la Symphonie n° 1 en si bémol majeur de Robert Schumann.

Programme :
Felix Mendelssohn – Ein Sommernachtstraum (Le Songe d’une nuit d’été), ouverture, op. 21
Wolfgang Amadeus Mozart – Concerto pour piano n° 9 en mi bémol majeur « Jeunehomme », K. 271
Robert Schumann – Symphonie n° 1 en si bémol majeur, « Le Printemps », op. 38

Concert filmé le 10 avril 2022 au Grand Théâtre de Provence, Aix-en-Provence.

Photo © Caroline Doutre

A pianista Maria-João Pires junta-se à Orquestra Filarmónica de Monte-Carlo para dar ao Festival de Páscoa de Aix-en-Provence um concerto pontuado pela música de Mozart, Mendelssohn e Schumann.

A pianista portuguesa Maria-João Pires está de regresso a Aix-en-Provence para tocar o Concerto para Piano n.º 9 em Mi bemol maior de Mozart. Grande conhecedor do repertório de Mozart, o solista entrega no palco do Grand Théâtre de Provence uma interpretação viva e refinada desta obra celebrada desde a sua criação pela sua inventividade.

Fiel ao espírito de abertura do Festival de Páscoa de Aix-en-Provence, este concerto também dá lugar de destaque à música romântica. Sob a direção de Kazuki Yamada, a Orquestra Filarmônica de Monte-Carlo executa a abertura de Sonho de uma Noite de Verão de Felix Mendelssohn e a Sinfonia nº 1 em Si bemol maior de Robert Schumann.

Programa :
Felix Mendelssohn – Ein Sommernachtstraum (Sonho de uma noite de verão), Abertura, Op. 21
Wolfgang Amadeus Mozart – Concerto para Piano nº 9 em Mi bemol maior “Jovem”, K. 271
Robert Schumann – Sinfonia nº 1 em Si bemol maior, “Le Printemps”, op. 38

Concerto filmado em 10 de abril de 2022 no Grand Théâtre de Provence, Aix-en-Provence.

Foto © Caroline Doutre

Gaslit é bem escrita, mas começa exigindo muito de seu espectador

Primeiras impressões da produção do Starz revelam uma minissérie feita para astros onde quem brilha são os coadjuvantes.
HENRIQUE HADDEFINIR

Sean Penn (quase irreconhecível pelas próteses) e Julia Roberts como John Mitchell e Martha Mitchell na série Gaslit (Foto: Divulgação / StarzPlay)

No meio do episódio de estreia de Gaslit, um casal, em seu primeiro encontro, se vê no meio de um tópico de conversação que deveria passar longe de qualquer interação casual: política. John Dean (Dan Stevens) é um advogado do partido republicano que numa tradução livre, representa os valores do que para nós é a direita. Mo (Betty Gilpin) é uma aeromoça que se identifica mais com a esquerda, que por lá pode ser correlacionada com o partido democrata. Na mesa, os dois veem essa diferença chegar chutando a porta. De tudo que se vê nessas primeiras impressões da produção do Starz, esse conflito é o único que não é tão dependente de maiores explicações.

Gaslit precisa de muita informação prévia para funcionar, sobretudo, porque – ao menos em seus primeiros momentos – ela não se preocupa em estabelecer uma narrativa central muito fluída. É claro que nenhum roteiro que se preze pode ser expositivo demais, mas para espectadores fora do território norte-americano o escândalo de Watergate pode não ser lá muito popular. A coisa ficou ainda mais delicada quando o criador Robbie Pickering tomou a decisão de explorar mais profundamente os personagens menos lembrados desse engodo; sendo Martha Mitchell o mais importante deles.

Para quem não conhece, vale um resumo: no início da década de 70, durante a campanha de reeleição do Presidente Nixon, o mundo assistiu, em choque, a revelação de um escândalo que usou o que parecia ser um assalto comum para mascarar uma operação de espionagem promovida pela Casa Branca, que pretendia grampear os escritórios do partido democrata e usar as informações para chantagem. Havia um número considerável de homens envolvidos nessa operação e historicamente, os nomes deles permaneceram no centro das atenções. Tanto os nomes dos criminosos quanto dos que se dedicaram a investigar o evento.

Gaslit funciona quase como uma espécie de “justiça poética”. Martha Mitchell (Julia Roberts) era esposa de John Mitchell (Sean Penn), um dos principais advogados que ajudaram no processo de acobertamento do crime. Ela era conhecida por não ter filtros na hora de dizer o que pensava do governo de Nixon ou da política, no geral. Foi por ser casada com John que Martha começou a ter acesso a detalhes do que estava acontecendo, o que a levou a tomar decisões difíceis e passar por represálias violentas. O próprio Nixon, na lendária entrevista com Frost, admitiu que se não fosse pela curiosidade e determinação de Martha, nunca teria havido um Watergate.

Astros X Coadjuvantes

Seguindo a tendência de minisséries baseadas em fatos, são os grandes nomes que atraem a audiência, interessada em ver qual será a caracterização da vez. No caso de Gaslit, Julia Roberts e Sean Penn carregam a responsabilidade. Julia trouxe um sotaque típico dos personagens conservadores que figuram na cultura pop estadunidense. A pouca caracterização física se chocou com o trabalho de Sean Penn, que surge irreconhecível na pele de John Mitchell. Imerso no personagem de uma maneira mais direta – ocasionada, em grande parte, pela caracterização – Sean rouba as cenas de Julia, que parece sofrer um pouco para humanizar Martha.

Dan Stevens e Betty Gilpin

Como a minissérie foi anunciada como uma chance de dar um lugar de destaque aos que nunca foram reconhecidos pelo acontecimento, faz sentido até que Dan Stevens, Betty Gilpin, entre outros, sejam mais valorizados na estrutura narrativa. O trabalho de Shea Whigham como Gordon Liddy é especialmente impressionante. As características violentas e obcecadas do personagem são dispostas com segurança por Shea; e o roteiro e a direção estudam suas nuances de forma a estabelecerem que é dele o papel de antagonista. O “melhor” é que todos os personagens, sem exceção, parecem querer se convencer de que fazem a coisa certa, ainda que “a coisa certa” seja ilegal. Mais uma vez, as questões partidárias são as mais acessíveis e identificáveis para um público que talvez nem saiba que o Watergate existiu.

Ao menos à primeira vista, Gaslit parece apenas se adequar ao que o mercado já estabeleceu em outras produções do gênero como Miss America ou American Crime Story. Tudo é muito polido, muito bem escrito e embasado. Mas, justamente por ser tão habitual, é que o resultado final não pode ficar na superfície. E é bem possível que não fique… Há um outro grande momento desse primeiro episódio, na cena final, quando Martha se deita ao lado do marido com quem acabou de se entender após uma briga horrível (outra por conta da “boca frouxa” dela) e enquanto acaricia suas costas, percebe documentos importantes na mesa de cabeceira. É impressionante pensar que uma mulher ajudou a desmascarar um crime simplesmente porque seu marido, nem em mil anos, achou que ela iria sequer olhar (quanto mais entender) as evidências que ele manipulava bem ali, no quarto e na cama do casal.

Gaslit estreia neste domingo (24), no Starzplay. Serão 10 episódios, um por semana, até junho. É somente lá que saberemos se Martha Mitchell realmente foi honrada ou se só terminou, de novo, fazendo sombra para quem precisou se esforçar ao pior dos extremos, a fim de escrever o próprio nome na história.