A última temporada de ‘Better call Saul’, uma das melhores séries da década

Patricia Kogut

Bob Odenkirk em ‘Better call Saul’ (Foto: AMC)

A primeira parte da sexta e última temporada de “Better call Saul” finalmente estreou na Netflix. Entre outras qualidades, ela é uma lição de como se constrói um excelente roteiro nos menores detalhes. O público já conhece o futuro da história: ele está em “Breaking bad”. Agora, acompanhou cinco temporadas no passado. E, ainda assim, não consegue deduzir o que aconteceu no miolo, entre um ponto e outro dessas duas cronologias. O mistério foi preservado apesar da profundidade das tramas e da coerência absoluta na composição dos personagens. “Better call Saul” será lembrada por essa combinação de variáveis improváveis: quanto mais ela amplia o campo de visão para o espectador, maior o número de interrogações que impõe.

É, sem dúvida, uma das melhores séries da década. Não fica devendo em nada a “Breaking bad”.

O mapa do submundo de Albuquerque vai crescendo. A capilaridade da bandidagem é imensa, e novas guerras acontecem. Entendemos a dimensão da deslealdade nas relações no tráfico. O público demora um pouquinho a destrinchar quem serve a qual cartel. É outra marca dessa dramaturgia. Afinal, seu protagonista muda de lado — e até de nome. É a alma da narrativa.

Bob Odenkirk e Rhea Seehorn, soberbos, estão cada vez mais afinados. A cinematografia encanta. A estetização em todas as sequências sobe mais um degrau e volta e meia se aproxima da linguagem dos quadrinhos. “Better call Saul” provoca saudades desde já. Não perca.

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