Apple Together: funcionários criticam trabalho híbrido e salários

Uma pesquisa mostrou que alguns funcionários estão procurando ativamente novos empregos; além disso, mais uma loja iniciou o processo de sindicalização

O grupo Apple Together, que começou com o movimento #AppleToo e foi responsável por uma grande greve no ano passado, publicou uma carta aberta contestando a exigência da Maçã de que as pessoas voltassem a trabalhar presencialmente.

A carta foi publicada à medida em que os funcionários retornam aos seus escritórios com mais frequência, como detalhado num cronograma de retorno ao trabalho presencial — o qual, vale lembrar, foi adiado múltiplas vezes antes de vigorar definitivamente a partir do mês passado.

Três dias fixos no escritório e dois dias em teletrabalho quebrados por um dia de escritório no meio é quase nenhuma flexibilidade. Ainda menos para as organizações que precisam estar no escritório quatro ou cinco dias. […] Nossos amigos do AppleCare têm equipes dedicadas trabalhando 100% de casa e outras que trabalham 100% no escritório. Ambos os tipos de equipes estão fazendo o mesmo tipo de trabalho, mas nenhum funcionário individual nessas equipes tem a flexibilidade de mudar se trabalha em casa ou no escritório de acordo com suas circunstâncias pessoais.

Não estamos pedindo para que todos sejam forçados a trabalhar de casa. Estamos pedindo para decidirmos por nós mesmos, em conjunto a nossas equipes e gerentes diretos, que tipo de arranjo funciona melhor para cada um de nós, seja num escritório, em casa, ou numa abordagem mista. Parem de nos tratar como garotas e garotos de escola que precisam que seja dito quando estar aonde e qual dever de casa fazer.

Para além disso, eles apontam que a medida levará a uma diminuição da diversidade na companhia.

A Apple provavelmente sempre vai achar pessoas dispostas a trabalhar aqui, mas nossas políticas atuais as quais requerem que todo mundo se mude para o lugar onde a sua equipe está baseada, e que se esteja no escritório por pelo menos três dias fixos por semana, vai mudar a composição da nossa força de trabalho. Vai tornar a Apple mais jovem, mais branca, mais dominada por homens, mais neuronormativa, mais sem deficiências físicas. Em suma, vai levar a que os privilégios ditem quem pode trabalhar para a Apple, não quem seria a pessoa mais adequada.

Privilégios como “ter nascido no lugar certo para que não precise se mudar” ou “ser jovem o suficiente para começar uma nova vida em uma nova cidade/país” ou “ter uma ou um cônjuge que se mudaria contigo”. E privilégio como ter nascido num gênero do qual a sociedade não espera a maioria do trabalho de cuidado, de modo que é fácil desaparecer num escritório o dia todo sem realizar a sua justa parte de trabalho não pago na sociedade. Ou ser rico o suficiente para pagar outras pessoas para fazerem esse trabalho de cuidado para você.

A Apple ainda não respondeu à carta — embora essa não tenha sido a primeira vez que funcionários da companhia demonstraram sua insatisfação com o retorno aos escritórios. Em junho passado, inclusive, a vice-presidente sênior de varejo e pessoas, Deirdre O’Briendefendeu o trabalho híbrido e indicou que a Apple não abrirá mão do modelo.

Funcionários procuram outros empregos

Uma pesquisa realizada no mês passado pela Blind com funcionários da Apple mostrou que 56% dos trabalhadores estavam ativamente procurando emprego em outro lugar, justamente devido à política de retorno ao escritório da empresa, como divulgado pela Fortune.

Das 652 respostas coletadas pela Blind, um funcionário disse que hesitava em entrar no escritório e brincou sobre poder colocar a Apple em seu currículo depois de trabalhar para a empresa por apenas três semanas. Outro citou a “cultura tóxica” da empresa e a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal por trás de seu desejo de sair.

Outra pesquisa, realizada de 8 a 10 de abril pela The Harris Poll com 2.121 pessoas de vários setores, mostrou que ⅓ dos trabalhadores em modelos de trabalho híbridos e remotos pediu demissão ou trocou de emprego durante a pandemia com a finalidade de trabalhar em casa. Mais precisamente, cerca de 15% dos funcionários híbridos e de escritórios nessa pesquisa planejaram uma mudança de emprego para uma posição mais virtual, e 7% dos funcionários híbridos e remotos disseram que queriam mudar para um trabalho pessoal.

Mais funcionários querem se sindicalizar

Em meio à tensão provocada pelo retorno do trabalho presencial, mais funcionários de varejo da Apple anunciaram sua intenção de formar um sindicato — sendo esse o terceiro grupo a acenar para a proposta.

De acordo com o The Washington Post, funcionários da Apple Towson Town Center, no estado americano de Maryland, disseram que trabalharam por quase um ano em coordenação com a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais para obter o apoio necessário, e que eles possuem 65% dos funcionários da loja inscritos em sua campanha.

Assim como nas propostas de sindicalizam vistas anteriores, os organizadores estão pressionando por um aumento no salário inicial (de US$20 por hora) — trabalhadores da Apple Cumberland Mall, em Atlanta, estão pedindo um aumento para US$28 por hora enquanto os funcionários da Apple Grand Central, em Nova York, querem um aumento no salário para US$30 por hora.

VIA CNNAPPLEINSIDERREUTERS

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