Agô, novo bar em Santa Teresa, no Rio, celebra religiões de matriz africana

Agô homenageia terreiros nos pratos, na decoração repleta de obras de arte e na música
Por Eduardo Vanini

Kananda Soares abriu as portas de seu novo bar em Santa Teresa — Foto: Ana Branco

Faz 20 anos que Kananda Soares passa pela encruzilhada entre as ruas Monte Alegre e Áurea, em Santa Teresa, no caminho de casa para o trabalho. A cada travessia, jamais deixou de repetir a expressão “agô”, pedido de licença para movimentos de entrada, saída e passagem em iorubá. “Aqui é um dos principais locais de despacho no bairro”, conta. “Um dia, voltando do trabalho, vi uma plaquinha de ‘aluga-se’ no imóvel onde funcionou uma farmácia por cem anos. Na mesma hora, pensei no nome: ‘Agô’. Parece que recebi.”

Surgiu assim a mais nova empreitada da empresária, que já faz e acontece na região com a sua Favela Hype, mix de loja e bar a poucos metros dali. Totalmente inspirado nos terreiros, o Agô reverencia as religiões de matriz africana dos batuques que partem das caixas de som ao cardápio. O drinque Vulgo Malvadão, por exemplo, mistura gim, frutas vermelhas, espumante e pimenta dedo-de-moça, enquanto o Água de Oxum vai de cachaça, seriguela, leite de coco e louro. Para comer, o destaque é a opção “Monte o seu ebozinho”, que traz lombo de porco flambado na cachaça e farofa de dendê e quiabo entre as possibilidades. “Não é uma comida litúrgica, mas nos inspiramos na cultura e nos pratos servidos nas festas”, diz Kananda, que consultou os búzios antes de abrir as portas.

Decoração tem obras de arte e celebra os terreiros

Com os caminhos abertos, a clientela apareceu logo. Gente como a jornalista e influenciadora Luiza Brasil já deu pinta por lá, assim como a atriz Aline Borges. “É uma mistura do novo com o que é ancestral”, elogia a moça, no ar em “Pantanal”, da TV Globo. “E os drinques temáticos são deliciosos, o meu preferido é o Laroiê (tangerina, morango, hortelã e gim).”

A decoração é outro ponto alto, com detalhes como o símbolo de Exu cravado no piso da entrada, as ferraduras de cavalo atrás da porta e uma caveira de boi pendurada na parede. Obras de arte de artistas negros, como Raphael Cruz, que também pintou a fachada, e Joelington Rios completam a ambientação, assim como uma enorme foto de Daniel, o preto-velho mais famoso de Santa Teresa, feita por Yedda Affini, artista em ascensão entre na arte contemporânea e filha de Kananda. “Aqui é um bar de protagonismo preto”, avisa a dona do espaço. “As religiões de matriz africana são muito demonizadas. Ainda associam Exu ao diabo. Ocupar este lugar, num bairro de construções coloniais, é uma ressignificação.”

Confira fotos do Agô, no bar inaugurado em Santa Teresa, no Rio

O salão do bar tem móveis antigos e obras de arte — Foto: Ana Branco
A fachada foi pintada pelo artista Raphael Cruz — Foto: Ana Branco
O drinque Vulgo Malvadão é uma das pedidas — Foto: Ana Branco
Camisetas temáticas também são vendidas no espaço — Foto: Ana Branco
Obra de Joelington Rios está a venda por lá — Foto: Ana Branco
O pastel de jiló é uma das delícias do cardápio — Foto: Divulgação

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