Jovens reivindicam em Cannes a ‘liberdade para criar’ com o TikTok

Pela primeira vez, a plataforma lançou um concurso de curtas-metragens, para dar visibilidade a criações “muito mais bem construídas do que (os tiktokers) costumam fazer”, explica Angèle Diabang, cineasta senegalesa, membro do júri do #TikTokShortfilm
Por O Globo Com AFP — CANNES

Mulher olha para o celular enquanto passa por um pôster publicitário do aplicativo TikTok exibido na Croisette durante o 75º Festival de Cinema de Cannes em 20 de maio de 2022 — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

Os vídeos curtos do TikTok representam a “liberdade para criar” sem a necessidade de investimento financeiro e a possibilidade de criar uma “nova gramática visual” com planos verticais, acreditam os jovens que usam este popular aplicativo, parceiro desta edição do Festival de Cannes.

Pela primeira vez, a plataforma lançou um concurso de curtas-metragens, para dar visibilidade a criações “muito mais bem construídas do que (os tiktokers) costumam fazer”, explica Angèle Diabang, cineasta senegalesa, membro do júri do #TikTokShortfilm, que entregou seus prêmios na sexta-feira.

Claudia Cochet, atriz francesa de 34 anos e tiktoker assídua, ganhou o prêmio de “melhor roteiro” por uma peça de três minutos, “Princesse moderne”.

— O TikTok me dá liberdade criativa e um público” e “me dá confiança para fazer as coisas por conta própria — afirmou.

Para o concurso #TikTokShortfilm, essa criadora quis abordar um tema sério, que em princípio não condiz com o tom lúdico da plataforma: a violência contra a mulher.

Excepcionalmente, filmou com uma câmera 16K. Sua criação não mostra violência física, e há poucas palavras, mas retrata muitos sinais do desconforto e da emoção em torno de uma menina abusada que acaba cometendo algo irreparável para se defender.

— Quando se é vítima de violência doméstica, não ousa dizer, mas pode mostrar — explicou Cochet.

‘Nova gramática visual’
O formato vertical do TikTok “nos permite reinventar toda uma nova gramática visual”, explicou Camille Ducellier, diretora francesa e membro do júri, durante a cerimônia de premiação.

— Esse enquadramento não é apenas algo que identifica o celular, mas também faz alusão a uma janela, a uma porta, e de repente se aproxima da pintura — disse.

Eric Garandeau, diretor do TikTok France, idealizador do concurso, disse que “dezenas de milhares de criadores” de 44 países participaram. O TikTok, diz ele, “nos leva de volta às origens do cinema”.

O esloveno Matej Rimanic, vencedor do Grande Prêmio, faz referência às primeiras criações do cinema com uma história de amor em preto e branco, na qual dois jovens de vinte e poucos anos trocam mensagens por meio de aviões de papel.

Já o japonês Mabuta Motoki se destacou com um vídeo sobre artesanato tradicional, segundo a rede “France Info”.

Por melhor edição, o neozelandês Tim Hamilton recebeu o prêmio com seu filme “Zero Gravity”.

O júri desta primeira edição foi heterogêneo, com os componentes variando de Khaby Lame, a segunda pessoa com mais seguidores na plataforma, ao cineasta franco-cambojano Rithy Panh, presidente do júri.

Pahn surpreendeu Cannes ao apresentar a sua demissão, aludindo à “pressão” da plataforma sobre a decisão da bancada. Horas depois, pouco antes da cerimônia de entrega de prêmios, anunciou que voltou a fazer parte do júri, que na sua opinião “voltou a ser soberano”.

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