Refugiadas da Guerra na Ucrânia podem desfilar na São Paulo Fashion Week

Cinco modelos retiradas da zona de conflito pela agência espanhola Tree Models estão em São Paulo
Pedro Diniz

Vika Bilienko, 20, modelo ucraniana refugiada no Brasil que pode desfilar na São Paulo Fashion Week
Vika Bilienko, de 20 anos, modelo ucraniana refugiada no Brasil que pode desfilar na São Paulo Fashion Week – Divulgação

Na reta final dos preparativos para a 53ª São Paulo Fashion Week, que acontece a partir do dia 31 até o sábado que vem, na capital paulista, as marcas que desfilam na semana de moda receberam cinco opções de modelos para suas apresentações que até pouco tempo estavam fora do radar fashionista.

Refugiadas da Guerra da Ucrânia, Angelina Lisuk, de 21 anos, Dasha Rosko, de 18 anos, Lera Dmitrenko, de 20 anos, Vika Bilienko, de 20 anos, e Anna Yuzrna, de 18 anos —todas da cidade de Kharkiv, exceto Rosko, que vivia em Okhtyrka—, estão na lista de modelos disponíveis nos “cards”, os cartões com fotos enviadas aos diretores de casting, que circulam entre as grifes.

Há pouco mais de um mês no Brasil, elas foram retiradas às pressas da zona de conflito pela agência espanhola Tree Models, que as trouxe com vistos humanitários e, inicialmente, deixará as modelos até julho em solo brasileiro.

Em conjunto com outras agências internacionais que as representam, como IMG e Next, a empresa as convenceu a deixar as famílias e passar a dividir um apartamento alugado no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Radicada na Polônia, Bilienko, por exemplo, passava uma temporada na casa da família em Kharkiv quando a Rússia invadiu seu país. Assim como as colegas, ela fugiu antes de a escalada bélica ganhar contornos dramáticos no leste ucraniano. A Okhtyrka de Rosko, no nordeste ucraniano, se resume a escombros após a ofensiva russa.

Angelina Lisuk, 21, modelo ucraniana refugiada no Brasil que pode desfilar na São Paulo Fashion Week
Angelina Lisuk, 21, modelo ucraniana refugiada no Brasil que pode desfilar na São Paulo Fashion Week Divulgação

De acordo com a Tree Models, cada uma recebe R$ 1.500 mensais para cobrir as despesas de alimentação e transporte na cidade. O gerente para o Brasil da filial recém-aberta em São Paulo, Will Pissinini, afirma que ainda não estão confirmadas quais as marcas, entre as 22 que irão desfilar presencialmente nesta edição híbrida da SPFW, que devem escolher as modelos.

As seleções costumam se estender pelos dias anteriores ao início da temporada, e os nomes, em geral, são fechados após as provas de roupa.

Jac Jagaciak – Amica May 2022 Cover

Amica May 2022 Cover
Published: May 2022

All people in this magazine cover:

Christian Anwander – Photographer Michela Buratti – Fashion Editor/Stylist Alessandro Squarza – Hair Stylist Michiko Ikeda – Makeup Artist Diego Maffezzoni – Casting Director Jac Jagaciak – Model

Ester Manas: Le Défilé Qui Fait Du Bien! Par Loic Prigent

Partons à la découverte de Ester Manas pour le défilé Automne – Hiver 2022-2023! Le label Ester Manas c’est Ester Manas et Balthazar Delepierre! Un coup de poing dans le calendrier de la Fashion Week parisienne! Une mode inclusive, du 32 au 54! Un logo bientôt visible partout! On est trop contents de vous faire partager cette vision de la mode positive pour toutes!

Vamos descobrir Ester Manas para o desfile Outono – Inverno 2022-2023! O selo Ester Manas é Ester Manas e Balthazar Delepierre! Um soco no calendário da Semana de Moda de Paris! Moda inclusiva, dos 32 aos 54! Um logotipo logo visível em todos os lugares! Estamos muito felizes em compartilhar com vocês essa visão de moda positiva para todos!

Filmée par Julien Da Costa et Milan Tintané Ducharme
Son par Clément Duché
Montée par Suzy Chatellier
Produit par Natacha Morice pour DERALF (Divertissant Et Révoltant À La Fois)
Post par Rafaële Nix-Secondi et Konstantin Maslakov
Contact: deralfproduction@gmail.com
Music: Audionetwork!

As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022

Seja exibindo os fios grisalhos com orgulho ou apostando em visuais que quebram preconceitos da idade, elas brilharam na celebração com penteados e maquiagens glamorosos!

Andie MacDowellm, Sharon Stone e Isabelle Huppert

Festival de Cannes 2022 reuniu grandes nomes da indústria do cinema entre os dias 17 e 28 de maio e, no tapete vermelho do evento, diversas tendências do universo da beleza ficaram em evidência – do clássico olho preto repaginado aos penteados sofisticados para os cabelos curtos. Porém, no quesito beauté, a estrela principal da premiação foram as mulheres maduras, que exibiram produções glamorosas de diferentes estilos, seja celebrando os fios brancos ou apostando em visuais modernos que quebravam preconceitos da idade. 

De Sharon Stone com seu topete rebelde à Andie Macdowell e seus cachos grisalhos, inspire-se abaixo nas famosas 50+ que cruzaram o tapete vermelho do evento com produções cheias de estilo.

Sharon Stone

CANNES, FRANCE - MAY 25: Sharon Stone attends the screening of "Elvis" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 25, 2022 in Cannes, France. (Photo by Dominique Charriau/WireImage) (Foto: WireImage)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Dominique Charriau/WireImage) (Foto: WireImage)

Carla Bruni

CANNES, FRANCE - MAY 22: Carla Bruni attends the screening of "Forever Young (Les Amandiers)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 22, 2022 in Cannes, France. (Photo by Daniele Venturelli/WireImage) (Foto: WireImage)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Daniele Venturelli/WireImage) (Foto: WireImage)


Viola Davis

CANNES, FRANCE - MAY 18: Viola Davis attends the screening of "Top Gun: Maverick" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 18, 2022 in Cannes, France. (Photo by Joe Maher/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Joe Maher/Getty Images) (Foto: Getty Images)

Tilda Swinton

CANNES, FRANCE - MAY 21: Tilda Swinton attends the screening of "R.M.N" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 21, 2022 in Cannes, France. (Photo by Gareth Cattermole/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Gareth Cattermole/Getty Images) (Foto: Getty Images)

Julia Roberts

CANNES, FRANCE - MAY 19: Julia Roberts attends the screening of "Armageddon Time" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 19, 2022 in Cannes, France. (Photo by Gisela Schober/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Gisela Schober/Getty Images) (Foto: Getty Images)

Naomi Campbell

CANNES, FRANCE - MAY 23: Naomi Campbell attends the screening of "Decision To Leave (Heojil Kyolshim)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 23, 2022 in Cannes, France. (Photo by Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via  (Foto: Corbis via Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Stephane Cardinale – Corbis/Corbis via (Foto: Corbis via Getty Images)

Andie MacDowell

CANNES, FRANCE - MAY 27: Andie MacDowell attends the screening of "Mother And Son (Un Petit Frere)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 27, 2022 in Cannes, France. (Photo by Pascal Le Segretain/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Pascal Le Segretain/Getty Images) (Foto: Getty Images)

Helen Mirren

CANNES, FRANCE - MAY 27: Dame Helen Mirren  attends the screening of "Mother And Son (Un Petit Frere)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 27, 2022 in Cannes, France. (Photo by Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via  (Foto: Corbis via Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Foto: Corbis via Getty Images)

Sandrine Kiberlain

CANNES, FRANCE - MAY 24: Sandrine Kiberlain attends the 75th Anniversary celebration screening of "The Innocent (L'Innocent)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 24, 2022 in Cannes, France. (Photo by Pascal Le Segret (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Pascal Le Segret (Foto: Getty Images)


Julianne Moore

CANNES, FRANCE - MAY 17: Julianne Moore attends the screening of "Final Cut (Coupez!)" and opening ceremony red carpet for the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 17, 2022 in Cannes, France. (Photo by Lionel Hahn/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Lionel Hahn/Getty Images) (Foto: Getty Images)


Isabelle Huppert

CANNES, FRANCE - MAY 22: Isabelle Huppert attends the screening of "Forever Young (Les Amandiers)" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 22, 2022 in Cannes, France. (Photo by Pascal Le Segretain/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Photo by Pascal Le Segretain/Getty Images) (Foto: Getty Images)

Priscilla Presley

CANNES, FRANCE - MAY 25: Priscilla Presley attends the screening of "Elvis" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 25, 2022 in Cannes, France. (Photo by Dominique Charriau/WireImage) (Foto: WireImage)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Foto: WireImage)

Kylie Minogue

CANNES, FRANCE - MAY 25: Kylie Minogue attends the screening of "Elvis" during the 75th annual Cannes film festival at Palais des Festivals on May 25, 2022 in Cannes, France. (Photo by Lionel Hahn/Getty Images) (Foto: Getty Images)
As mulheres maduras foram as estrelas do tapete vermelho do Festival de Cannes 2022 (Foto: Getty Images)

Andréa Beltrão desabafa sobre preconceito por idade: “Eu tenho 58 anos e me sinto maravilhosa”

Vídeo postado pela atriz teve apoio de outras celebridades, como Cristiana Oliveira, Patricia Pillar e Alinne Moraes
Glamour

Andréa Beltrão — Foto: Reprodução/Instagram
Andréa Beltrão — Foto: Reprodução/Instagram

Andréa Beltrão compartilhou um longo desabafo em suas redes sociais. No vídeo, a atriz de 58 anos fala sobre etarismo. “Nossa Andréa, você tem 58 anos? Mas você está ótima. Quando escuto isso eu sorrio… mas o que esse ‘mas’ quer dizer? Que eu deveria estar péssima? Se você é mulher e já passou dos 35, 40 anos, você já deve ter ouvido isso várias vezes ou talvez já tenha dito isso para outra mulher… é uma questão cultural, mas esse ‘mas’ carrega um preconceito gigante com a idade, mesmo que a intenção seja boa. Eu tenho 58 anos e estou ótima, eu tenho 58 anos e estou cheia de energia, eu tenho 58 anos e me sinto maravilha, estou superlegal, sem nenhum ‘mas'”, disparou.

A publicação da atriz teve o apoio de diversas celebridades e fãs. “Linda, maravilhosa!”, escreveu Fernanda de Freitas. “É isso!”, concordou Pathy Dejesus. “MARAVILHOSA! !! Gostosa querida talentosa amorosa ! Deusa!”, postou Bárbara Paz. “Perfeito!!! e “inteiraça”?! Tem coisa mais absurda e de mau gosto que dizer isso?Supostamente deveríamos estar em ruínas?”, analisou Bel Kutner.

Patricia Pillar, Alinne Moraes, Ana Beatriz Nogueira, Eduardo Moscovis, Malu Galli, Alice Wegmann, entre outros famosos, também deixaram emojis carinhosos na postagem.

Cristiane Oliveira e Thais de Campos fizeram questão de repostar o vídeo de Andréa. “Eu tenho 58 anos e Andréa Beltrão me representa!”, escreveu a atriz que interpretou Juma na primeira versão de Pantanal.

Dia Internacional da Menstruação: como o mercado de higiene menstrual evoluiu nos últimos anos

Com uma projeção de crescimento global de quase sete bilhões de dólares até 2025, o setor de cuidados íntimos enfrenta desafios que vão muito além da inovação e do lucro
GIULIANA CURY

No Dia Internacional da Higiene Menstrual, a Vogue faz um panorama sobre o mercado nacional do menstrual care (Foto: Harley Weir/Art Partner)

A conta é simples: na média, uma pessoa tem aproximadamente 450 ciclos menstruais durante a vida. O que equivale a cerca de sete anos. Durante o período menstrual, a expectativa é de que sejam usas mais ou menos 20 absorventes por ciclo, chegando à conta de quase dez mil absorventes higiênicos durante toda a idade fértil.

Analisando os números levantados pelo Fluxo Sem Tabu, projeto que fornece artigos de higiene íntima para vulneráveis, dá para enxergar o potencial desse mercado. Some-se a isso, mais esse dado: no Brasil, 30% da população menstrua. São 60 milhões de pessoas, segundo apuração da Girl Up, um movimento da Fundação das Nações Unidas para a igualdade de gênero, feita com base nos dados do Censo (IBGE, 2010). Sessenta milhões de potenciais consumidores de absorventes.

Com tanta gente menstruando, é natural que o setor global do segmento aumente na casa dos bilhões, como apontado pela agência americana MarktsandMarkts. No Brasil, a venda de absorventes também apresentou crescimento: foram quase 21% em 2021, segundo a ABIHPEC. Os números podem passar a impressão de que o cenário é positivo no mundo da higiene íntima. Mas não é. E no Dia Internacional da Higiene Menstrual, lembrado neste 28 de maio e que traz luz a como o mercado acolhe pessoas que menstruam, Vogue mergulha no tema.

Coletor menstrual (Foto: Getty Images)

Por mais difícil que seja acreditar, em pleno século XXI, mais de 500 milhões de mulheres em todo o mundo, cerca de 25% da população que menstrua, sofre de “pobreza menstrual”. Segundo a Days for Girls, organização norte-americana de caridade, são mais de 500 milhões de pessoas que não têm condições de adquirir o produto de higiene íntima. O cuidado menstrual ainda enfrenta grandes desafios, como tabus, preconceito, falta de informação, de equidade e de políticas públicas sociais e fiscais.

No Brasil, uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, encomendada pela Always, mostrou que 5,5 milhões de mulheres já faltaram no trabalho por não terem dinheiro para comprar absorvente, gerando prejuízo de R$ 2.4 bilhões por ano na economia brasileira. Quando falamos de falta na escola, o número sobe para 14 milhões de meninas. “O estudo mostrou que, apesar de ser um item essencial para a maioria das mulheres, muitas delas não têm acesso a ele”, disse Natalia Passarinho, diretora de marketing de Always, à Vogue. “Como marca, sabemos que temos o papel de levar informação sobre menstruação e apoiar a comunidade de diferentes formas. Uma das nossas iniciativas, a Aceleradora Social Always, é justamente para auxiliar projetos que ajudam pessoas em vulnerabilidade menstrual”, completa a executiva.

Não é luxo. É essencial

Criado em 2014 pela ONG alemã WASH United, o Dia Internacional da Higiene Menstrual veio com a missão de quebrar vários tabus sobre o tema, trazendo para a mesa de debates questões como a importância dos cuidados menstruais e de conscientizar o mundo sobre os problemas enfrentados por quem não tem acesso à produtos de higiene menstrual e nem de higiene básica. (A título de curiosidade: a data 28/5 foi escolhida porque o ciclo menstrual dura, em média, 28 dias e, a menstruação em si, cerca de cinco dias.)

A importância desse chamado se faz entender quando nos deparamos com dados como estes:

  • No Brasil, 713 mil meninas não possuem banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. E ainda: 900 mil não têm acesso a água canalizada na residência e 6.5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.
  • Na Índia, cerca de 80% das meninas ainda usam panos gastos no lugar de absorvente.
  • No Quênia, aproximadamente 50% das meninas em idade escolar não têm acesso à produtos menstruais.
  • Em Pequim, quase 70% das estudantes entrevistadas em uma pesquisa admitiram que tentam esconder os absorventes higiênicos que carregam.
  • No Reino Unido, 52% das adolescentes entrevistadas para um estudo disseram que faltaram à escola no período menstrual e, dessas, quase 1 em cada 10 admitiu que faltaram por não poderem pagar ou acessar produtos de higiene.

“A falta de dignidade menstrual é um problema mundial, que engloba a desigualdade social, falta de estrutura e de educação sobre o tema”, falou Isabella Maimone, Senior Brand Manager da Johnson & Johnson Consumer Health Brasil, em entrevista à Vogue. Uma pesquisa de Sempre Livre realizada em 2021, em parceria com os Institutos Kyra e Mosaiclab, mostrou que quando não têm acesso às condições ideais, muitas pessoas afetadas pela pobreza menstrual fazem uso de itens não indicados para absorver a menstruação, como sacolinha de supermercado, roupas velhas, panos, filtro de café e até jornal ou miolo de pão. “Por isso, é de extrema importância que a população tenha informações corretas sobre o tema, além de condições dignas de higiene”, completa Isabella.

Outro ponto que acaba reforçado a pobreza menstrual é o chamado “Tampon Tax”, termo criado nos Estados Unidos para descrever o imposto sobre absorventes, que tributa os produtos menstruais como itens não essenciais. O termo correu o mundo e ganhou até uma expressão irmã, “Pink Tax” (imposto rosa), que se refere à discriminação baseada em gênero, apontando que produtos para mulheres são mais caros do que os similares masculinos. Para você ter uma ideia, no Brasil, o imposto dos absorventes é, em média, 34,48%, enquanto o do preservativo masculino é 18,75%. E mais uma diferença: preservativos são distribuídos gratuitamente pelo SUS. Absorventes, ainda não.

Agentes de mudança

Alguns países já entenderam a importância de dar dignidade e igualdade a quem menstrua. O Quênia foi o primeiro a abolir a tributação sobre produtos de higiene menstrual, em 2004. Austrália, Canadá, Índia, Jamaica, Nicarágua, Nigéria, Tanzânia, Líbano, Malásia, Colômbia, África do Sul, Namíbia, Ruanda e Reino Unido tomaram a mesma medida. Países membros da União Europeia não têm permissão para impostos com taxa zero, mas usam o imposto mínimo, 5%, enquanto não resolvem essa situação. Apenas a Irlanda, por enquanto, não cobra imposto nos absorventes – isso porque já não cobrava antes de entrar para UE. A Alemanha, por sua vez, adotou a classificação de itens essenciais para os  produtos menstruais e, assim, conseguiu reduzir o imposto sobre absorventes de 19% para 7%. Nos Estados Unidos, dos 50 estados, 30 ainda taxam absorventes.

No Brasil, a luta para acabar com o imposto desse item também se dá de forma local. Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão, Bahia e São Paulo, por exemplo, isentaram o ICMS (imposto estadual sobre circulação de produtos) de absorventes íntimos, que ainda sofrem as taxações PIS (Programas de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social). Há várias ações sendo feitas também em estados e municípios para a distribuição de absorventes para estudantes de escolas públicas, nos presídios e para pessoas em situação de vulnerabilidade. Agora, essa iniciativa se tornou nacional com o decreto finalmente assinado pelo presidente da República em março.

Vale destacar, ainda, iniciativas como as da Escócia e Peru, que aprovaram leis que garantem artigos de higiene menstrual para qualquer pessoa que menstrue. Outra boa notícia veio da Espanha, que aprovou, em maio, um projeto de lei que dá até três dias de licença no trabalho para mulheres com fluxo intenso ou que sofrem de cólicas fortes. O país se juntou ao grupo que já oferece licença menstrual: Japão, Coréia do Sul, Indonésia e Zâmbia.

Um mercado engajado

Além das questões tributárias, políticas e sociais, questionamentos como sustentabilidade, inclusão, disrupção, fizeram o mercado de higiene íntima se mexer nos últimos tempos. “Se pararmos para pensar que a última grande inovação em cuidados para menstruação tinha aparecido na década de 30, com o coletor menstrual em 1937, estava mais do que na hora de pensarmos em novas soluções, novas opções”, avalia a educadora menstrual Raíssa Kist. Junto com uma amiga da faculdade de engenharia química — e por meio de crowdfunding — Raíssa fundou a Herself, empresa que pensa e produz soluções para o período menstrual. É da marca a primeira linha brasileira de biquínis e maiôs absorventes reutilizáveis. “Acreditamos na moda como ferramenta de transformação e de inclusão. Por isso, criamos essa tecnologia que faz com que a menstruação não seja um fator limitante para a prática de esportes aquáticos ou mesmo para momentos de lazer”, diz Raíssa. São estampas e modelos diferentes em 16 tamanhos (do 30 ao 60). Esse ano, a marca lançou a primeira calcinha absorvente pensada para mulheres com deficiência, com abertura na lateral. Elas também atuam no social, com a Escola da Menstruação, que ministra aulas sobre o tema e oferece oficinas em presídios femininos, para ensinar as mulheres a produzirem absorventes reutilizáveis.

Absorvente lavável, Herself (Foto: Divulgação)

Preocupação com a sustentabilidade também foi um dos motivos que levaram duas amigas a lançarem a primeira marca nacional de absorventes descartáveis, a Amai, feitos com 100% algodão orgânico e sem plástico (usam bioplástico biodegradável). As empreendedoras Luri Minami e Erika Tomihama foram atrás de tecnologia para fazerem um produto que não causasse dano para as mulheres (sem fragrância, sem corantes, hipoalergênicos) nem para o planeta. Hoje, felizmente, já é possível encontrar outras marcas de absorventes 100% orgânicos. A Amai também atua no combate à pobreza menstrual, doando 1% de suas vendas para o projeto Fluxo sem Tabu.

Sejam empresas pequenas, médias ou gigantes do setor; com produtos reutilizáveis, como os coletores menstruais ou calcinhas absorventes; ou os descartáveis com responsabilidade ambiental. Com versões anatômicas, noturnas, pensadas para diferentes fluxos… Não importa. O que realmente interessa é que marcas, governos, entidades e sociedade se unam em torno de um único objetivo: levar dignidade para as pessoas que menstruam.

Linha do tempo do mercado de higiene menstrual

> 1800 – Eram usados para conter a menstruação tecidos dobrados e reutilizáveis.
> 1890 – Surge na Alemanha absorventes descartáveis feito com bandagens.
> 1894 – São criados nos Estados Unidos os primeiros absorventes para consumo, feitos de um tecido com capacidade de absorção e com uma cinta para prender à cintura.

A partir da década de 30 surgem os absorventes descartáveis como conhecemos:

1933 – É criado o absorvente interno.
1937 – O coletor menstrual é lançado.
2014 – Surge nos Estados Unidos a calcinha absorvente.

DAVIDCATALAN Spring/Summer 2022 Campaign

DAVIDCATALAN unveiled its Spring/Summer 2022 campaign, shot by Dulce Daniel and filmed by Pedro Santasmarinas.

Photographer: Dulce Daniel
Video: Pedro Santasmarinas
Stylist: Paulo Cravo
Make up & Hair: Maria Luis
Assistent: Yelko Rebollar
Model: Gaspar & Gonçalo from Central Models.