Muse lança clipe de “Will of the People”

Banda faz revolução em vídeo 3D
PEDRO HENRIQUE RIBEIRO

A banda Muse lançou hoje o clipe de “Will of the People”. No vídeo animado em 3D, o povo vai às ruas contra seu governo fictício. Assista acima. 

Javier Biosca for InStyle Spain with Milena Smit

Photographer: Javier Biosca. Fashion Stylist: Francesca Rinciari at 8 artist management. Hair Stylist: Jesus De Paula. Makeup Artist: Rebeca Trillo-Figueroa. Model: Milena Smit.

Johnny Depp esmagou Amber Heard com o autoritarismo do ‘sim’

Atriz, condenada ao rótulo de mentirosa, foi golpeada com um imponente ‘não’, enquanto astro teve sua verdade consagrada
Henrique Artuni

Johnny Depp e Amber Heard – Reuters/AFP

As respostas do júri para a defesa de Johnny Depp nesta quarta (1º) foram unânimes: “sim”. Apenas três letras bastavam para que, conforme a juíza lia o veredito, a torcida de fãs do ator, do lado de fora do tribunal na Virgínia, vibrasse a cada pequena vitória.

Que sim, a atriz Amber Heard difamou o ator de “Piratas do Caribe” em um artigo de opinião publicado no jornal americano The Washington Post, e que, sim, ela fez isso com más intenções. Não há dúvidas: sim, Depp, o Jack Sparrow de “Piratas do Caribe”, venceu o processo contra Heard, a Mera de “Aquaman”.

Nas redes sociais, minutos antes de o veredito ser lido ao vivo para milhões de pessoas sintonizadas na transmissão, a torcida já fazia memes a partir do formulário que o grupo de sete jurados —cinco homens e duas mulheres— deveria preencher.

Lá, mais do que uma série de “sins”, os fãs repercutiam uma fala de Isaac Baruch, amigo de infância de Depp, que testemunhou no caso —”muitas pessoas foram afetadas pela mentira maliciosa que Amber começou”.

Do ponto de vista da torcida organizada, então, a pessoa mais prejudicada com as “mentiras” foi a própria Heard. Afinal, será ela que terá de desembolsar US$ 15 milhões para o ator, com que foi casada até 2016.

No artigo publicado, Heard dizia que foi vítima de abuso doméstico e sexual, sem mencionar o nome de Depp. Ele, no entanto, decidiu processá-la sob a alegação de que Heard fazia referências claras, em seu texto, ao período em que ambos estiveram casados.

Durante o processo que se encerra agora, ambos se acusaram de diversos tipos de abuso, o que gerou atenção da mídia e da internet, que têm acompanhado o caso de perto. Torcidas apaixonadas se formaram em torno deles, com fãs promovendo campanhas de ódio contra um ou outro.

Já quando a juíza começou a ler a posição do júri, que deliberou por quase 13 horas (um período que especialistas até consideraram curto pelo tamanho da decisão), o que soou do microfone foi um imponente “não”. Bastava que o júri reconhecesse que o ator cometeu apenas um abuso contra a atriz para que Heard tivesse alguma vitória.

Os que veem o meio copo cheio dirão que, pelo menos, ele terá de pagar US$ 2 milhões a ela —afinal, o júri acabou discordando do advogado de Depp por tê-la acusado de inventar uma história para os policiais sob a direção de seu advogado e publicitário. Leia-se, um tímido “sim” para sua tragédia —ou para sua atuação lastimável, como preferiram os defensores de Depp. No entanto, o que vale mesmo é o “não”, que a condena à mentira, ao rótulo de “megera” e, muito provavelmente, a graves dívidas.

A cifra, claro, é menos bombástica. Originalmente, ela pedia US$ 100 milhões a Depp, enquanto ele pedia US$ 50 milhões a Heard.

Talvez assustado com cifras que nunca imaginariam em suas contas bancárias, o júri considerou uma montanha de dinheiro mais razoável para as estrelas hollywoodianas —mas o peso no bolso aqui, de fato, é secundário nessa disputa por reputação, verdades e mentiras numa realidade que segue o esmagador fluxo bovino das redes sociais.

A atriz Amber Heard antes da leitura do veredito do júri sobre o processo contra Johnny Depp – Evelyn Hockstein/AFP

​Depp não foi presencialmente à corte —cumpria “compromissos de trabalho” e acompanhou o caso do Reino Unido. Nem esse esforço precisou fazer, já cantando antes essa vitória. Mas logo publicou uma declaração comentando a vitória. “O júri me deu minha vida de volta. Me sinto verdadeiramente humilde”, resumiu. “A verdade sempre prevalece.”

Enquanto isso, Heard voltou a colocar a cara à tapa no tribunal. As câmeras da transmissão não saíram dela, o tempo todo cabisbaixa, até o fim da leitura do veredito. Quando as imagens mostravam mais da corte, os advogados de Depp não seguravam o entusiasmo. Derrotada pelo autoritarismo de duas palavras de três letras, pelo “sim” e pelo “não”, Heard comentou ao final do veredito: “A decepção que sinto hoje vai além das palavras”.

A ver como a reputação de cada um vai se recuperar ou se degradar, mas, como já diziam alguns, a luta de titãs era, desde o princípio, desigual.

“Jurados devolveram a minha vida”, diz Johnny Depp; Amber Heard vê “decepção”

Thayana Nunes da CNN

Johnny Depp: chegou ao fim o julgamento do processo de difamação contra Amber HeardPOOL/AFP via Getty Images

Logo após o resultado final do julgamento, o ator se manifestou nas redes sociais; Amber Heard também publicou e disse que “a decepção que sinto hoje vai além das palavras”


Enquanto dezenas de fãs de Johnny Depp se amontavam do lado de fora do tribunal de Fairfax, em Virgínia, comemorando o veredicto do julgamento do processo de difamação, nesta quarta-feira (1), o ator também celebrava, mas nas redes sociais.

Depp, que não compareceu ao tribunal, escreveu em seu perfil do Instagram que, “depois de seis anos, os jurados devolveram a minha vida”.

“Desde o início, o objetivo de trazer este caso era revelar a verdade, independentemente do resultado. Falar a verdade era algo que eu devia aos meus filhos e a todos aqueles que permaneceram firmes em meu apoio”, disse ele. “Sinto-me em paz sabendo que finalmente consegui isso.”

Apesar do júri considerar tanto Depp quanto Amber Heard responsáveis por difamação em seus processos um contra o outro, Depp saiu vitorioso no julgamento.

“Estou, e tenho sido, dominado pela manifestação de amor e colossal apoio e bondade de todo o mundo. Espero que minha busca para que a verdade seja dita tenha ajudado outros, homens ou mulheres, que se encontraram na minha situação, e que aqueles que os apoiam nunca desistam. Também espero que a posição agora volte a ser inocente até que se prove o contrário, tanto nos tribunais quanto na mídia.”

Logo em seguida, Amber que escutou dos jurados que “agiu de má fé” no artigo escrito por ela publicado em 2018 no jornal “The Washington Post”, também se manifestou pelo Instagram.

“A decepção que sinto hoje vai além das palavras. Estou com o coração partido que a montanha de evidências ainda não foi suficiente para resistir ao poder e influência desproporcionais de meu ex-marido”, disse Heard.

Amber Heard deixando o tribunal na Virgínia, após a leitura do veredicto nesta quarta-feira (1) / REUTERS

“Estou ainda mais desapontada com o que esse veredicto significa para outras mulheres”, continuou ela. “É um retrocesso. Atrasa o tempo em que uma mulher que se manifestou poderia ser publicamente envergonhada e humilhada. Atrasa a ideia de que a violência contra as mulheres deve ser levada a sério”.

“Acredito que os advogados de Johnny conseguiram fazer com que o júri ignorasse a questão-chave da liberdade de expressão e ignorasse evidências tão conclusivas de que vencemos no Reino Unido”, continuou. “Estou triste por ter perdido este caso. Mas estou ainda mais triste por ter perdido um direito que pensava ter como americano – de falar livre e abertamente.”

História

Johnny Depp e Amber Heard começaram a namorar em 2012, depois de se conhecerem durante as filmagens de “Diário de Um Jornalista Bêbado” alguns anos antes. Eles se casaram em 2015, e permaneceram juntos por pouco mais de dois anos.

Após a separação, a atriz protocolou um pedido de divórcio e um pedido de medida protetiva contra Depp, aparecendo com machucados na bochecha – imagens que rapidamente levantaram discussões sobre violência doméstica. Ela acusou Depp de a atacar “violentamente” e jogar um celular com “força extrema” em seu rosto.

Em 2018, Amber escreveu para o jornal “The Washington Post” um editorial no qual se descrevia como uma “figura pública que representa o abuso doméstico”. Depp não foi citado no artigo, mas ele entrou com um processo afirmando que isso lhe custou papéis lucrativos de atuação.

O julgamento ocorreu no Tribunal Fairfax County, no estado da Virgínia, ao invés da Califórnia, local onde o casal viveu durante o matrimônio. O processo pôde ser protocolado na região pois o “Washington Post” é publicado digitalmente por servidores no estado, além de ser impresso no local.

Desde o início, o julgamento foi transmitido ao vivo pela internet e milhares de pessoas ao redor do mundo assistiram atentamente a Amber descrever que o astro de “Piratas do Caribe” a agredia fisicamente. “Nada que eu fiz o fez parar de me bater”, testemunhou.

Já Depp negou veementemente as agressões e disse que nunca bateu em uma mulher, e que era Amber que era violenta com ele. “Ela precisa de conflito. Ela precisa de violência”, relatou ele.

Gravações divulgadas no tribunal mostravam que os dois viviam um relacionamento com brigas e discussões. “Eu o chamei de coisas horríveis e feias, como você pode ouvir. Nós falamos um com o outro de uma maneira horrível”, admitiu a atriz, em uma de suas falas.

Uma especialista, Laurel Anderson, psicóloga clínica que trabalhou com Depp e Heard em 2015 como conselheira matrimonial, disse em depoimento reproduzido em 14 de abril que o relacionamento do casal tinha o que ela caracterizou como “abuso mútuo”.

Entre as pessoas levadas pelos advogados para testemunhar estão a irmã de Amber que viu Depp agredir Amber, a modelo e ex-namorada do ator Kate Moss, que afirmou nunca ter sofrido agressões de Depp, e o presidente da DC Films, Walter Hamada, que afirmou que Amber não teve seu papel prejudicado no filme “Aquaman” pelo processo, mas sim por falta de química com o protagonista, o ator Jadon Momoa.

Após mais de seis semanas de julgamento, o veredicto foi lido nesta quarta e o júri considerou ambos responsáveis por difamação em seus processos um contra o outro.

Depp, que pedia US$ 50 milhões, receberá US$ 10 milhões em danos compensatórios e US$ 5 milhões em danos punitivos.

Já Amber, que pedia US$ 100 milhões a Depp, dizendo que as declarações de seu advogado, de que suas alegações de abuso eram uma “farsa”, a difamaram e atrapalharam sua carreira, receberá US$ 2 milhões em danos compensatórios e nenhum dinheiro para danos punitivos.

Como os danos punitivos no estado da Virgínia são limitados a US$ 350.000, Depp receberá, portanto, US$ 10 milhões em danos compensatórios e US$ 350 mil em danos punitivos.

Este não é a primeira briga judicial que envolve o casal desde o divórcio, encerrado em 2017. Em 2018, Depp processou a companhia que publica o jornal britânico “The Sun” por difamação, devido a um artigo publicado em abril no qual o tabloide apelidou o ator de “agressor de esposas”. O caso foi julgado em 2020 e Amber Heard depôs a favor do jornal.

Depp perdeu a batalha, pois o juiz Andrew Nicol considerou que as alegações de agressão por parte do ator contra a ex-esposa eram “substancialmente verdadeiras”.

*Com reportagem de Sonia Moghe, Luana Franzão e Reuters.

Como ficam as carreiras de Johnny Depp e Amber Heard, agora que ele ganhou o processo?

Um caso rumoroso como este nunca é benéfico para nenhuma das partes

Após tribunal, carreiras de Johnny Depp e Amber Heard enfrentam outro julgamento

O melhor reality show de 2022 terminou nesta quarta-feira (1º), depois de quase sete semanas eletrizantes. Marcado para as 16 horas (hora de Brasília), o resultado ainda levou alguns instantes para ser divulgado, porque os jurados se esqueceram de preencher uma papelada importante.

Depois de mais alguns minutos de suspense, finalmente a juíza Penney Azcarate permitiu que o júri revelasse se achava que a atriz Amber Heard era culpada ou não de difamação, uma acusação feita por seu ex-marido, o ator Johnny Depp.

Foi um strike. Como muitos analistas já suspeitavam, Heard perdeu. Perdeu rude, aliás. Além de ser achincalhada nas redes sociais, a atriz ainda terá que pagar cerca de US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões), entre multas e compensações. O valor compensatório, no entanto, teve uma pequena redução.

Por outro lado, Depp terá que pagar a ela US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). O prejuízo da atriz, portanto, será de “apenas” US$ 8,35 milhões (R$ 40,1 milhões)​. Menos do que os US$ 50 milhões que ele pedia (cerca de R$ 238 milhões), mas, ainda assim, uma bolada fora do alcance de nós, meros mortais.

E, pelo jeito, também fora do alcance de Amber Heard. Porque dificilmente a atriz retomará o impulso que sua carreira vinha tendo nos últimos anos. A maioria do público ficou claramente do lado de Depp (a hashtag “o bem venceu” está entre os trending topics no Brasil, no momento em que esta coluna é escrita). Uma petição online para tirar a moça do filme “Aquaman 2” já conta com mais de quatro milhões de assinaturas.

Sem entrar no mérito se ela tinha ou não razão, o fato é que Amber Heard virou sinônimo de mulher aproveitadora e mentirosa. Um papel relevante dificilmente será oferecido a ela nos próximos meses –ou anos…

Uma possível saída será escrever um livro contando em detalhes seu lado da história. O mercado editorial americano é ávido por esse tipo de literatura, e Amber Heard talvez consiga faturar alguns milhões para saldar suas dívidas.

Isto não quer dizer que Johnny Depp saia desta por cima. Por mais que o ator passe a impressão de estar curtindo a vida adoidado, sua carreira também está em queda livre. Na esteira da briga com a ex-mulher, ele perdeu dois papéis importantíssimos: o do pirata Jack Sparrow, na enésima continuação da franquia “Piratas do Caribe”, e o do mago Gellert Grindelwald em “Os Segredos de Dumbledore”, o terceiro título da franquia “Animais Fantásticos”.

Jack Sparrow é nada menos que o personagem que consagrou Johnny Depp, dando a ele sua primeira indicação ao Oscar, em 2003. Duas outras se seguiriam, em 2004 e 2008. E, desde então, mais nenhuma. O que a mídia parece ignorar é que o ator já estava em declínio há um certo tempo, mesmo antes da batalha legal contra Amber Heard. Na verdade, o julgamento serviu para devolvê-lo aos holofotes.

Outra verdade é que a nossa cultura é infinitamente mais complacente com os homens do que com as mulheres. Mesmo se tivesse sido derrotado na tarde desta quarta, Depp ainda contaria com a simpatia dos fãs, que pressionariam os estúdios de Hollywood para contratá-lo novamente. Heard, coitadinha, conta com escárnio e ameaças.

Seja lá como for, os dias de glória de Johnny Depp ficaram para trás. Um caso como este, que se arrastou durante anos e trouxe à tona detalhes incômodos da intimidade de ambos, nunca é bom para nenhuma das partes envolvidas. Depp provavelmente irá a muitos talk shows e talvez também publique um livro, mas jamais recuperará totalmente o estrelato perdido.

Karont | Spring Summer 2022 | Full Show

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Jackson Koeper – Gold Lambo/Hype Squad

Mulheres negras são raras na alta liderança e enfrentam desafios extras para chegar ao top

Executivas têm de superar a falta de representatividade nas diretorias das empresas
Luciana Dyniewicz e Shagaly Ferreira

Nadja Brandão já foi diretora jurídica de multinacionais e agora tenta uma cadeira em conselho
Nadja Brandão já foi diretora jurídica de multinacionais e agora tenta uma cadeira em conselho ALEX SILVA/ESTADÃO

Se chegar ao topo de uma empresa já é difícil para as mulheres em geral, que precisam “pular um degrau quebrado da escada”, algumas enfrentam dificuldades extras para subir na vida corporativa. As mulheres negras, por exemplo, precisam “construir a própria escada” para chegar lá, diz Nadja Brandão, executiva que já foi diretora jurídica no Brasil de uma multinacional espanhola e de uma italiana. Ela agora busca uma vaga em um conselho de administração.

A comparação de Nadja faz referência ao problema conhecido no ambiente corporativo como “degrau quebrado”, isto é, ao fato de as mulheres, em grande parte, terem acesso ao mercado de trabalho, mas, conforme se aproximam do topo da hierarquia das organizações, encontram obstáculos que dificultam a ascensão. As opções são, assim, parar por ali ou fazer um esforço muito maior para pular esse degrau quebrado.

Dados do Instituto Ethos de 2015 mostravam que, em 117 empresas que faziam parte da lista das 500 maiores do País, as mulheres negras ocupavam 10,6% das vagas. Esse número caía para 8,2% no nível de supervisão e para 1,6% no de gerência. Nas posições de diretoria, era 0,4%, ou duas entre 548 profissionais.

Já uma pesquisa recente da consultoria Gestão Kairós, especializada em diversidade, apontou que entre 900 líderes entrevistados (nível de gerência para cima), 25% são mulheres – e, entre elas, apenas 3% são negras. O levantamento feito pelo Estadão, por sua vez, localizou apenas duas mulheres negras ocupando, cada uma, um dos 1.505 cargos de diretorias e conselhos de companhias do Ibovespa – 15% dessas posições são de mulheres. Como não há nenhuma base de dados de autodeclaração racial disponível, é possível, porém, que existam outras.

A quase ausência de semelhantes é apontada como uma das dificuldades que as mulheres negras enfrentam no ambiente corporativo. “O fato de você entrar em uma reunião e não ter outra mulher, não ter outra pessoa negra, é uma barreira, porque a semelhança nos conforta, nos dá segurança”, diz Solange Sobral, vice-presidente da multinacional brasileira de tecnologia CI&T e membro dos conselhos de administração da Telefônica/Vivo e da Locamerica.

Outro empecilho, afirma a executiva, é o fato de as empresas não discutirem essa questão. “Achar que já se tem um nível de respeito grande entre todos os colaboradores, que todos se tratam de forma igual e que não é preciso falar sobre o assunto é a primeira barreira que as empresas precisam vencer para se tornar inclusivas.”

“Tem muita mulher e talento negro estancado nas empresas. Nosso papel, como líder, é olhar para isso de forma séria e dar a mão para alavancar essas carreiras.”

Solange Sobral, membro do conselho da Telefônica/Vivo e da Locamerica

Solange conta que, durante grande parte de sua carreira, desconhecia as questões de diversidade e inclusão. Só quando começou a estudar o assunto e viu o que era listado como miniagressões de gênero e raça, se deu conta de que havia um problema estrutural. “Achava que não fosse tão inteligente ou que não sabia estruturar as ideias. Eu falava uma ideia três vezes e ninguém ouvia. Aí um cara dizia a mesma coisa e todo mundo escutava. Foi um alívio entender que isso não era só comigo. Tirei um peso das costas.’

Conselheira da mineradora Vale, do Banco do Brasil, da agência de viagens CVC e do Grupo Soma, de vestuário, Rachel Maia afirma que, em sua trajetória profissional, sempre sofreu mais por ser negra do que por ser mulher. “Diversas vezes me falaram: ‘Você não precisa se sentir mais negra agora que é presidente de uma empresa.”

Tanto Solange quanto Rachel afirmam que veem os primeiros sinais de que pode haver uma mudança, mas que ainda é preciso acelerá-la. A conselheira da Telefônica/Vivo destaca que, mesmo dois anos atrás, dificilmente um conselho pensaria em uma mulher negra para uma cadeira. “Hoje temos a pauta em discussão e a porta começa a se abrir”, diz.

Rachel lembra que as mulheres negras “ficaram muito tempo sendo rechaçadas”. “Faz menos de 20 anos que temos dois dígitos de negros na universidade. É muito pouco. Então temos de formar mais e mais profissionais para ocuparem os cargos. Eu estou nesse processo. Estou formando minha roda (de executivas negras para indicar a cadeiras de conselhos) e sei que vou ter um monte de talentos.”

“Você apanha. Isso dói. Aí chega um momento em que já nem sente mais.”

Rachel Maia, conselheira da Vale, do Banco do Brasil, da CVC e do Grupo Soma

Outras mulheres e iniciativas têm se mobilizado nessa direção. O Conselheira 101, por exemplo, foi criado em agosto de 2020 com o objetivo de aumentar a visibilidade de mulheres negras que já estão preparadas para os conselhos de administração. Com foco em formação de rede de contatos e governança corporativa, o programa promove encontros virtuais semanais e já orientou 37 lideranças femininas negras, ajudando 41% delas a ingressar em conselhos.

Cofundadora da iniciativa, a advogada Lisiane Lemos aponta que as empresas ainda precisam se abrir para a interseccionalidade de raça e gênero, entendendo que a pauta da diversidade não implica em exclusão. “Vejo mulheres negras cada vez mais entrando nos conselhos que são subordinados aos de administração, mas entendo que a gente precisa acelerar o ritmo. É necessário um despertar de quem já está nos conselhos para entender que a diversidade não é um jogo de exclusão.”

Ritmo de inclusão precisa ser acelerado, destaca Lisiane, do Conselheira 101
Ritmo de inclusão precisa ser acelerado, destaca Lisiane, do Conselheira 101 PAULO BARROS

Lisiane conta que, no programa, se depara com mulheres que atendem quase todos os requisitos para serem conselheiras, mas muitas nunca tinham enxergado os colegiados como uma possibilidade. “A gente só sonha com o que a gente vê. Se a gente não vê uma mulher negra em um conselho de administração, o que vai te fazer pensar que você vai ser a pessoa especial a romper essa barreira?”, questiona.

A advogada refuta o argumento que atrela a baixa representatividade de negras nos cargos de liderança à falta de profissionais capacitadas para ocupar essas cadeiras. “Diante de 56% da população (porcentagem de negros no Brasil), é impossível que a gente não tenha 200 pessoas formadas para ocupar esse número de conselhos da Bolsa.”

Participante da primeira turma do programa de mentoria do Conselheira 101, Ana Tércia Rodrigues, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade, diz acreditar que a crescente pressão externa de investidores, com avanço da pauta ESG (sigla em inglês para questões ambiental, social e de governança), pode acelerar a diversidade na composição dos conselhos e modificar o cenário de baixa representatividade.

“As cartas estão na mesa. A economia só vai evoluir se nós conseguirmos trazer para os conselhos pessoas com um olhar diferente, e isso representa o segmento em que nós estamos, de mulheres negras preparadas para trazer contribuições importantes, diferentes do que o mercado já conhece”, diz a profissional, que tem mais de 30 anos de experiência no setor contábil.

“Ser candidata negra a uma vaga de alto escalão é como um jogador que treinou e está preparado fisicamente, mas fica no banco.”

Ana Tércia Rodrigues, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) também tem um programa para impulsionar a diversidade em conselhos. Criado em 2014, o projeto seleciona mulheres já com experiência corporativa relevante e trabalha, principalmente, para dar mais visibilidade a elas.

Nadja Brandão – a profissional que diz que as mulheres negras precisam construir a própria escada para conseguir ascender no trabalho – é uma das participantes do programa neste ano. Um dos principais benefícios do projeto do IBGC, diz ela, é conhecer conselheiros que já ocupam assentos em colegiados. “Quem faz as indicações para os conselhos está em uma bolha. A gente precisa estourar essa bolha e fazer com que sejamos vistas”, acrescenta.

Toda participante do programa tem uma espécie de mentor, voluntários que, em sua maioria, são homens. Para Nadja, é fundamental a presença masculina no projeto, dado que os conselhos hoje são dominados por homens. “Se todas fossem mulheres, nem alcançaríamos a bolha”

Diretora do IBGC, Valéria Café também destaca a participação fundamental dos homens no processo de transformar as empresas em locais com equidade de gênero. Segundo ela, eles também precisam acreditar que a mudança será benéfica para todos. “O movimento é da sociedade, não é só de mulheres. Ele não vai acontecer se os homens não participarem. Homens e mulheres têm de garantir que haja diversidade.”


PRONTAS PARA CONSELHOS

Lucia Helena Domingos

‘Preciso da oportunidade de alguém querer apostar em mim’

Diretora jurídica e de propriedade intelectual de uma empresa no Estado de São Paulo, Lúcia Helena Domingos já trabalhou como advogada na Alemanha (onde fez seu mestrado) e também comandou a área jurídica no Brasil de multinacionais americanas. Nessas companhias estrangeiras, em que havia muitos expatriados atuando, sentiu que seu potencial era mais observado do que a cor da sua pele.

Lúcia Helena tem formação na Alemanha e passagem em multinacionais americanas
Lúcia Helena tem formação na Alemanha e passagem em multinacionais americanas ALEX SILVA/ESTADÃO

“Não estou dizendo que não tinha preconceito, mas estava menos exposta ao preconceito brasileiro, que é muito forte. Talvez aí tenha sido a grande diferença da minha carreira. Muitas outras mulheres negras capazes não tiveram essa oportunidade.”

Hoje, Lúcia participa do Programa Diversidade em Conselho, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, que ajuda a dar visibilidade a profissionais que querem atuar em conselhos de administração. Para ela, o maior desafio para entrar em um comitê é se tornar conhecida no meio. “Temos muitos conselheiros conhecidos no mercado. Eu não sou conhecida. Preciso da oportunidade de alguém querer apostar em mim e entender como posso agregar.”


Thereza Moreno

‘Vi pouquíssimas mulheres negras em minha vida profissional’

Com 30 anos de experiência na área atuarial e tendo sido vice-presidente no Brasil de uma empresa americana de seguros, Thereza Moreno está se aposentando da carreira executiva e querendo começar uma nova fase como conselheira – além de empreender transformando seu sítio em Petrópolis (RJ) em uma pousada. Diante da baixa participação de mulheres negras em comitês de grandes empresas, acredita que a sororidade pode fazer diferença. “As mulheres já ajudam uma a outra nesse sentido”, diz.

Thereza aposta que a demanda para mulheres e negras ocuparem esses postos vai aumentar, dado que investidores e clientes têm cobrado que haja diversidade em todos os níveis. “Há uma preocupação de mudança. Já tem uns quatro anos que se está buscando diversidade nas organizações.”

Thereza diz ter tido sorte por primeira chefe ter sido mulher e negra
Thereza diz ter tido sorte por primeira chefe ter sido mulher e negra PEDRO KIRILOS/ESTADÃO

A executiva conta que teve sorte no início da carreira porque sua primeira chefe foi uma mulher negra, que depois se tornou uma espécie de mentora. “Apesar de ter sido agraciada nesse sentido, vi pouquíssimas mulheres negras em minha vida profissional. Em reuniões com presidentes de outros países das empresas em que trabalhei, eram sempre todos homens brancos. A representatividade é muito baixa.”

Thereza destaca que, para mudar esse quadro, os processos seletivos e de promoção têm de ter um olhar mais amplo, treinamentos devem ser adotados com frequência e as áreas de recursos humanos precisam prestar atenção ao que ocorre nas empresas, certificando-se de que não haja discrminação.


EXPEDIENTE

Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo e William Mariotto / Designer multimídia Maria Claudia Correia / Infografistas Multimídia Ana Célia Mota, Gisele Oliveira e Marcos Müller / Editor de Economia Alexandre Calais / Reportagem Luciana Dyniewicz e Shagaly Ferreira 

Versace x Parsons Paris | Versace

Donatella Versace set Parsons Paris MA Fashion Studies and MFA Fashion Design and the Arts students a four-month project to reinterpret styles from the Versace Archive by exploring the brand’s heritage through design and curatorial practices.

The students visited the Versace Archive and Production Facility in Novara, Italy, before being fully briefed on the project by Donatella at the Versace HQ in Milan.

Watch the project unfold and see Donatella’s reaction to the Fashion Design students’ final designs.

Our thanks to the students and staff of Parsons Paris for their participation.

Donatella Versace preparou para os alunos da Parsons Paris MA Fashion Studies e MFA Fashion Design and the Arts um projeto de quatro meses para reinterpretar estilos do Versace Archive, explorando a herança da marca por meio de design e práticas curatoriais.

Os alunos visitaram o Arquivo e a Unidade de Produção da Versace em Novara, Itália, antes de serem totalmente informados sobre o projeto por Donatella na sede da Versace em Milão.

Assista ao desenrolar do projeto e veja a reação de Donatella aos designs finais dos alunos de Design de Moda.

Nossos agradecimentos aos alunos e funcionários da Parsons Paris por sua participação.

Amber Heard, ex-mulher de Johnny Depp é condenada a pagar US$ 15 milhões ao ator por difamação

Amber Heard foi condenada a pagar 15 milhões de dólares para o ex-marido, e Depp deve pagar 2 milhões de dólares a ela; as quantias se referem a danos compensatórios dos processos
DANIEL SILVEIRA – O ESTADO DE S.PAULO

Os atores Johnny Depp e Amber Heard

Após semanas de tensão em um julgamento televisionado, o ator Johnny Depp foi absolvido por unanimidade das acusações de sua ex-mulher, Amber Heard. O júri foi composto por cinco homens e duas mulheres e deliberou às 16h desta quarta-feira (no horário de Brasília). Amber Heard foi condenada a pagar 15 milhões de dólares para o ex-marido, e Depp, dois milhões de dólares a ela, as quantias se referem a danos compensatórios dos processos. 

O julgamento, que começou em abril, finalmente foi concluído, depois de quase 50 dias de depoimentos e testemunhos, troca de acusações, lágrimas e protestos, principalmente de fãs do ator. O júri civil, composto por sete pessoas, ouviu as alegações finais na sexta-feira, 27, e deliberou por cerca de duas horas antes de sair para o feriado do Memorial Day. Eles voltaram a se encontrar na terça-feira, 31. Ao todo, o grupo levou 3 dias para deliberar sobre o caso. 

O casamento entre Johnny Depp e Amber Heard durou dois anos, de 2015 a 2017. A partir de 2016, no entanto, os dois passaram a se acusar mutuamente de agressões e violência, com diversos processos sendo movidos na justiça. Entenda a linha do tempo do caso:

2016 – A primeira acusação

A briga judicial entre Johnny Depp e Amber Heard começou em 2016, quando ela processou o marido por violência conjugal. As acusações foram retiradas durante o processo de divórcio. Em 2018, no entanto, o tabloide inglês publicou um texto no qual afirmava que Depp era um marido violento, questionando como a escritora J.K. Rowling poderia aceitá-lo no elenco do filme Animas Fantásticos, spin-off do universo de Harry Potter. O ator processou o jornal, mas perdeu o caso em março deste ano.

2018 – Um artigo no ‘Washington Post’

Também em 2018, sem citar Depp, Amber Heard escreveu um artigo no jornal Washington Post no qual falava de abusos sofridos desde a infância. O texto não citava Depp, mas fazia referência ao fato de que, ao se pronunciar publicamente sobre assédios sofridos, ela sofrera perseguição, com projetos profissionais sendo cancelados.

Amber Heard chora durante seu testemunho no julgamento do processo de difamação movido por Johnny Depp. 
Amber Heard chora durante seu testemunho no julgamento do processo de difamação movido por Johnny Depp.  Foto: Jim Lo Scalzo/Pool via REUTERS

Em seguida, a atriz abriu um processo contra Depp, pedindo US$ 100 milhões. Ela o acusa de agressões e de comportamento violento. O ator tentou derrubar o caso, mas a justiça norte-americana manteve sua validade em março deste ano. Ao mesmo tempo, Depp abriu processo de difamação contra Heard, afirmando que suas acusações eram uma “farsa elaborada” e que ele havia sofrido agressões da parte da atriz.

11 de abril – O julgamento

O caso foi a julgamento, que teve início no dia 11 de abril e segue sendo realizado no estado da Virgínia, nos Estados Unidos.

Em seus argumentos iniciais, os advogados de Heard afirmaram que a atriz viveu um inferno durante seu casamento com Depp, que teria se revelado “um monstro por conta do consumo de drogas e álcool”, com ataques de raiva que levavam a agressões verbais, físicas e sexuais. Já os advogados de Depp iniciaram seu trabalho na corte afirmando que ela se comportava de forma violenta contra ele e que o processo movido pela atriz tinha como motivação uma vingança pessoal pelo fato do ator ter pedido o divórcio.

12 de abril – Irmão de Depp e terapeuta do casal depõem

Um dos primeiros depoimentos, no dia 12 de abril, foi o da irmã de Depp, Christi Dembrowski, que contou ao júri sobre os abusos sofridos por ela e o irmão na infância. Segundo ela, a mãe os agredia constantemente e, por conta disso, Depp seria incapaz de reproduzir esse comportamento. Em seguida, o tribunal ouviu a terapeuta do casal, Laurel Anderson, segundo quem havia “abuso mútuo” na relação do casal. “Ambos foram vítimas de abuso em suas casas. Acho que ele [Depp] se manteve sob controle por décadas até Heard ficar fora de controle e eles se envolverem no que chamo de abuso mútuo”, afirmou, ressaltando que diversas vezes viu hematomas no rosto da atriz. “Sim, Depp saía para diminuir a intensidade da briga, ela bateu nele para mantê-lo ali porque preferia brigar do que ficar sozinha.”

Em seu depoimento, Johnny Depp mostra como foram agressões que afirma ter sofrido da ex-mulher Amber Heard: 'Começava com um tapa. Podia começar com um empurrão'
Em seu depoimento, Johnny Depp mostra como foram agressões que afirma ter sofrido da ex-mulher Amber Heard: ‘Começava com um tapa. Podia começar com um empurrão’ Foto: Evelyn Hockstein/Piscina/AFP

20 de abril – O ator é ouvido

No dia 20, foi a vez de Johnny Depp depor. Ele afirmou que Heard o “destruía verbalmente” e que evitava brigas se trancando no banheiro. “Se eu ficasse para discutir, tenho certeza que escalaria para violência e muitas vezes isso acontecia. Em sua ira e sua raiva, ela atacava”, acrescentou. “Começava com um tapa. Podia começar com um empurrão”, afirmou Depp. Segundo o ator, após meses sóbrio, ele voltou a beber quando foi agredido pela mulher, que teria jogado nele uma garrafa de vodka – os estilhaços teriam cortado a ponta de seu dedoEle também negou ter agredido Heard

Na sequência, foi a vez dos advogados de Heard interrogarem Depp. Eles mostraram mensagens de texto nas quais o ator chamava a atriz de “puta imunda” e afirmava o desejo de “queimar Amber”, além de dizer que após queimá-la faria sexo com ela para ter certeza de que estaria morta. Os advogados também o questionaram a respeito de seu problema com álcool e drogas, lembrando episódios de sua vida, como o contato com o cantor Marilyn Manson, com quem teria usado cocaína diversas vezes.

A atriz Amber Heard presencia depoimento de seu ex-marido Johnny Depp que a acusa de difamação
A atriz Amber Heard presencia depoimento de seu ex-marido Johnny Depp que a acusa de difamação Foto: Evelyn Hockstein/Pool/ EFE

3 de maio – Prejuízos profissionais

O próximo a ser ouvido foi o agente de Depp, Jack Whigham, que testemunhou que o ator teria perdido importantes trabalhos por conta do artigo publicado por Heard no Washington Post. Segundo ele, “tornou-se impossível conseguir um filme de estúdio para ele”. Entre os prejuízos, estariam US$ 22,5 milhões que Depp deixou de ganhar quando foi cortado pela Disney para uma nova sequência de Piratas do Caribe.  Fora do julgamento, uma colunista do portal Rotten Tomatoes publicou artigo no qual afirma que, por conta do processo, a personagem de Heard em Aquaman 2 teve sua participação reduzida, aparecendo apenas 10 minutos no longa, que estreia em 2023.

3 de maio – Juíza mantém o julgamento

No início de maio, os advogados de Heard pediram que o caso movido por Depp fosse arquivado: segundo a defesa, após três semanas de julgamento, havia ficado claro que Depp não era capaz de provar que fora prejudicado pelo artigo no Washington Post. A juíza, no entanto, negou o pedido e afirmou entender que as evidências apresentadas eram suficientes para permitir que o caso prosseguisse.

Já no final do mês de maio, na última semana do julgamento, os advogados do ator fizeram o mesmo pedido à juíza do caso: arquivamento do processo em que Amber Heard acusa Johnny Depp de difamação. Como no caso de Amber, a magistrada negou o pedido e manteve o julgamento. Em sua resposta, a juíza Penney Azcarate alegou que é obrigada por lei a garantir que o júri faça um veredicto, se houver chances da alegação da atriz prevalecer

Montagem com imagens apresentadas pela defesa de Amber Heard durante seu testemunho.
Montagem com imagens apresentadas pela defesa de Amber Heard durante seu testemunho. Foto: Jim Lo Scalzo/EFE/EPA/POOL

4 de maio – A atriz é ouvida

Amber Heard foi a próxima a testemunhar. No dia 4 de maio, afirmou ter sofrido violência física e agressões desde o primeiro encontro com Depp, em 2009. Ela também afirmou que sofre de transtorno de estresse pós-traumático por conta do comportamento de Depp, o que foi atestado por um psicólogo durante o julgamento. A atriz relatou diversos casos de violência e disse que Depp a agredia por conta de ciúmes. Em um desses episódios, ele a teria chamado de puta por conta de sua decisão de trabalhar em um filme com o ator James Franco – Depp acreditava que os dois teriam um caso. Ainda segundo Heard, apesar de “um milhão de promessas de ficar limpo e sóbrio”, da terapia de casal e dos esforços de reabilitação, Depp sempre voltava a beber e usar drogas. Nesses momentos, continuou, o ator chegou a agredi-la sexualmente.

Johnny Depp durante julgamento de processo contra Amber Heard
Johnny Depp durante julgamento de processo contra Amber Heard Foto: Jim Watson/EFE/EPA

9 de maio – Contradições expostas

Em uma reportagem, a agência de notícias Associated Press mostrou como os depoimentos estavam, até aquele momento, se contradizendo. À época, a atriz ainda não tinha finalizado sua fala. Enquanto Depp disse que nunca tinha abusado fisicamente de Heard, ela disse que foi agredida em mais de uma dúzia de ocasiões. O testemunho do ator foi no sentido contrário, alegando que quem era violenta na relação era Amber. 

16 de maio – Sufocamento durante lua de mel

O julgamento ficou parado durante alguns dias e retornou em 16 de maio com a atriz sentada no banco das testemunhas. No mesmo dia a atriz disse aos jurados que Depp a jogou contra uma parede e enrolou uma camisa em seu pescoço durante a lua de mel deles em 2015. Em um vagão dormitório do Expresso do Oriente, Depp teria dado um tapa no rosto dela e batido repetidamente seu corpo contra uma parede. 

17 de maio – Depp fora da franquia Piratas do Caribe

O ator, que já não tinha participado dos últimos filmes da franquia, foi retirado do elenco dos dois próximos lançamentos, que ainda não têm datas para estrearem. O anúncio foi feito pelo produtor dos filmes Jerry Bruckheimer, em entrevista ao The Sunday Times. Porém, o diretor ressaltou que “o futuro ainda está para ser decidido”.

No mesmo dia, os advogados de Depp concluíram o interrogatório de Heard. Em interrogatório, ela negou as acusações de que seria a instigadora da violência no casal. “Eu nunca agredi o Sr. Depp ou qualquer pessoa com quem eu fui romanticamente envolvida”, disse.

19 de maio – Johnny Depp: ‘ciumento’, ‘controlador’ e ‘pouco profissional’

A atriz Ellen Barkin disse em depoimento que o ator era ciumento, controlador e se embebedava com frequência. Ellen contou que teve uma breve “relação sexual” com o ator na década de 1990 e que, durante os vários meses em que estiveram juntos, Depp “estava bêbado na maior parte do tempo”. Tracey Jacobs, ex-agente de Depp também deu um testemunho gravado e disse que a fama do ator começou a decair depois de 2010 devido a seu “comportamento pouco profissional”. Jacobs afirmou que tal comportamento incluía o uso de drogas e álcool, além de “chegar tarde no set consistentemente em praticamente todos os filmes”.

A modelo Kate Moss prestou depoimento no julgamento de Johnny Depp contra Amber Heard
A modelo Kate Moss prestou depoimento no julgamento de Johnny Depp contra Amber Heard Foto: Evelyn Hockstein/Pool Reuters

25 de maio – Mais uma ex-namorada de Depp testemunha

A modelo britânica Kate Moss prestou depoimento em favor do ator na disputa judicial de difamação. Os advogados do ator chamaram Moss como testemunha depois de Heard ter dito que temia que Depp empurrasse sua irmã por uma escada abaixo. Heard disse lembrar de “rumores” de que Depp teria empurrado Moss por um lance de escadas, e por isso deu um tapa nele para impedi-lo de fazer mal à irmã. Moss, que namorou Depp de 1994 a 1998, negou que o ator a tenha empurrado.

Amber Heard diz sofrer ameaças de morte durante o julgamento do processo contra Johnny Depp. 
Amber Heard diz sofrer ameaças de morte durante o julgamento do processo contra Johnny Depp.  Foto: Michael Reynolds/Pool via REUTERS

26 de maio – Ameaças de morte

A um dia das alegações finais do processo, Heard disse ter recebido ameaças de morte durante o julgamento. A atriz contou que estava sendo vítima de uma campanha nas redes sociais promovida por fãs do ator. “Recebo centenas de ameaças de morte regularmente, se não diariamente, milhares desde que este julgamento começou, pessoas que debocham do meu testemunho sobre ter sido agredida”, disse. Fãs de Depp se reuniam diariamente para assistir ao julgamento no local. 

27 de maio – Alegações finais

Na sexta-feira, 27, os advogados de ambos atores fizeram suas alegações finais. Em resumo, pediram que a vida fosse devolvida a seus clientes. O testemunho se arrastou por um julgamento de seis semanas, que expôs a intimidade do casamento dos atores. “O que está em jogo neste julgamento é a reputação de um homem”, disse Camille Vasquez, advogada de Depp.