Ateliê Mão de Mae I SPFWN53

Assista ao desfile da Ateliê Mão de Mae no SPFW.

Nord at NAMM 2022: Julian “JP3O” Pollack

Amazing performance from Julian “J3PO” Pollack live at the Nord booth at NAMM 2022….check this out! #j3po #nord #namm #iseenord

Nord Stage 3: Julian “J3PO” Pollack
Location: NAMM Show, Anaheim, CA
Gear: Nord Stage 3

Top Gun: Maverick se torna maior bilheteria de Tom Cruise nos Estados Unidos

Novo longa já passou dos US$ 243 milhões nas bilheterias americanas
BEATRIZ AMENDOLA

Em duas semanas, Top Gun: Maverick já se tornou a maior bilheteria de Tom Cruise nas bilheterias americanas, de acordo com a revista The Hollywood Reporter. O filme alcançou a marca neste sábado (4), quando passou dos US$ 243 milhões feitos por Guerra dos Mundos, maior sucesso do astro até então nos Estados Unidos. Os valores, vale notar, não foram corrigidos pela inflação. 

Projeções estimam que Maverick deva arrecadar US$ 85 milhões neste fim de semana nos EUA, chegando ao domingo com um total de US$ 290 milhões na bilheria doméstica.

Caso isso se confirme, o filme terá tido um queda de 33% em relação à sua semana de estreia — a menor queda de bilheteria para um longa que estreou no feriado americano do Memorial Day. 

O novo Top Gun mostra o Maverick de Tom Cruise como mentor de uma nova geração de pilotos, que luta para se manter necessária em um mundo recheado de drones. Joseph Kosinski, que dirigiu Cruise em Oblivion (2013), assina o filme.

São Paulo Fashion Week termina neste sábado sem influenciadores de peso

Discussão sobre a ausência das criadoras digitais passa por mudança no perfil da semana de moda paulistana e profusão de novos perfis
Por Mariana Rosário — São Paulo

À La Garçonne: roupas para festa, mas mirando no streetwear — Foto: Zé Takahashi
À La Garçonne: roupas para festa, mas mirando no streetwear — Foto: Zé Takahashi

“Por que os influenciadores não prestigiam o SPFW?”, foi um questionamento que ganhou as redes sociais, especialmente o Instagram, desde o segundo dia de desfiles, a quarta-feira, na atual edição da São Paulo Fashion Week.

O questionamento — embora não tenha mais que meia dúzia de palavras — mira no canhão de vendas gerados por esses profissionais da internet. Para se ter uma ideia da potência do marketing de influência na decisão de compra, uma pesquisa da Stadista, uma empresa alemã de análise de dados, mostra que 40% dos brasileiros compraram produtos após verem o mesmíssimo item no perfil de alguma celebridade digital.

Tendo em vista essa capacidade, somada ao atual design da semana de moda: povoado por novos estilistas e marcas de menor porte de venda — que se beneficiariam, e muito, dessa divulgação — a ausência das chamadas influenciadoras com tempo de estrada ou novas celebridades com milhões de seguidores (e presentes em semanas de moda internacionais recentemente) inflamou as redes e dividiu opiniões mesmo dentro da categoria de criadoras.

Camila Coutinho, uma das primeiras a figurar no movimento ‘blogger’ no Brasil, foi uma das que ofereceu opiniões sobre o caso. Para ela, o questionamento não é justo, e tem uma série de pontos para ser rebatido. Camila, inclusive, lembra que parte das influenciadoras que começaram o mercado no Brasil estão em Florença, na Itália, para o casamento da também celebridade digital, Lala Rudge.

“Houve uma mudança muito grande nos dois últimos anos. Além da volta gradativa aos eventos presenciais, há novas demandas de trabalho. As influenciadoras têm marcas hoje em dia. Existe uma nova balança do tempo disponível. Muitas, assim como eu, temos empresas próprias, o que dá um trabalho gigantesco e reduz o tempo” diz. E explica: “moda é um pilar muito importante pra mim, mas se não dá para ir a um desfile fico feliz em postar itens da marca, consumir, botar link para que os seguidores possam comprar”.

No caso de Luiza Brasil, à frente da plataforma Mequetrefismos, há uma perceptível mudança dos perfis de quem frequenta as semanas de moda. Ela, que foi ao SPFW, diz observar na atual edição do evento uma resposta a uma reivindicação presente em toda sua carreira: a necessidade da participação de representantes mais diversos entre designers e participantes.

“Faço questão de estar nesse espaço para prestigiar outros profissionais que hoje em dia são desse mercado. A moda no Brasil tem ainda muita questões relacionadas à oportunidade de acesso, mas entendo que preciso estar lá”.

Ela acredita que há certo “privilégio” na possibilidade de escolher ou não aderir a eventos como esse. “Talvez essas influenciadoras possam ir a semanas de modas internacionais e, depois de muitos anos, podem dizer que não querem ir (aos eventos nacionais). Eu, por outro lado, vejo a moda como um movimento cíclico, vejo muita coisa acontecendo, simplesmente estamos num cenário diferente, em que se fala de pluralidade”, afirma.

Conversa recorrente

Luanda Vieira, cuja entrada no mercado de influência se deu há 10 meses, lembra que essa é uma discussão que povoa os arredores da SPFW há algumas edições.

“Ontem pipocou essa história no meu feed e eu fiquei me questionando muito o que levaria a pessoa a sentir falta de um influenciador se esse profissional não é plenamente aceito até hoje. Fiquei muito incomodada. As pessoas querem, ou não, a presença do influenciador?”, questiona.

Em seu Instagram, Luanda fez uma postagem sobre o tema, onde defendeu que havia outros perfis de celebridades digitais no local. “Nos comentários, uma influenciadora diz que cobre moda há anos, mas nunca recebeu um convite ao evento”, afirma.

Os chamados aos desfiles, vale dizer, são normalmente feitos pelas marcas que exibem as novas peças sobre a passarela. É justamente na conta das etiquetas envolvidas nas “fashion weeks” que recaí a missão de criar relacionamento com a categoria de celebridades digitais que divulgarão o evento em suas redes. Portanto, não é de se admirar que com a saída de nomes graúdos da moda nos últimos anos de SPFW, sua “carteira de contatos” também bateu em retirada.

“É assim em todo o mundo, nenhuma semana de moda é responsável por esse envolvimento das marcas com as influenciadoras. A marca prestigia a influenciadora e a influenciadora, por sua vez, prestigia a marca, é assim que funciona”, explica Silvia Braz, que foi à SPFW na noite de quinta-feira. “Acho que há uma cobertura ocorrendo sim e há uma nova geração interessada”, diz.

Humores do mercado

Não dá para observar esse questionamento às influenciadoras sem estender a lupa ao mercado de influencia em si, explica Flávio Santos, autor do recém-lançado livro “A Economia da Influência”. “Vejo um caminho de oportunidade para a movimentação de novos públicos, a oportunidade de criação de novos perfis e uma reciclagem da economia da influência como um todo”, explica.

Para ele, o surgimento de empresas sob a batuta de influenciadoras é, sim, também um fator que mexe com a ausência delas em eventos nacionais. “Nesse passo de desenvolvimento é uma tendência que as novas rotas globais sejam priorizadas e, por consequência, o SPFW acaba perdendo seu destaque. Mas isso não quer dizer que elas deixaram de vestir as marcas do Brasil, são propósitos diferentes”, afirma.

Adão Negro | The Rock divulga cartazes com a Sociedade da Justiça

Filme ganhará trailer no dia 8 de junho
BEATRIZ AMENDOLA

Em aquecimento para a divulgação do trailer de Adão Negro, na próxima quarta-feira (8), Dwayne “The Rock” Johnson compartilhou novos pôsteres do filme, agora com os membros da Sociedade da Justiça: Gavião Negro, Esmaga-Átomo, Cyclone e Senhor Destino. Veja abaixo: 

Além de The Rock no papel título, Adão Negro vai contar com o ator Aldis Hodge (O Homem Invisívelcomo o Gavião Negro. O elenco também tem Sarah Shahi (Sex/Life), Pierce Brosnan (007), Noah Centineo (Para Todos os Garotos) e Marwan Kenzari (Aladdin).

O filme solo de Adão Negro tem direção de Jaume Collet-Serra (A Orfã), roteiro de Adam Szytkiel, e estreia marcada para 21 de outubro de 2022.

Ancora | Resort 2022 | Full Show

Ancora | Resort 2022 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – PARAISO Miami Beach) #Miamiswim

Ancora – Anton Flanders – Level Up

Como o mercado de trabalho está mudando para os americanos negros

Demorou 9 anos para que a taxa de desemprego entre negros voltasse aos níveis antes da crise de 2008
E-INVESTIDOR
einvestidor@estadao.com

  • A taxa de desemprego de negros também voltou aos níveis anteriores a pandemia
  • Além disso, a taxa de emprego entre os americanos negros pode ter recebido um impulso desta vez devido ao impacto incomum que a pandemia teve nas contratações na indústria

Matthew Boesler, Jonnelle Marte e Catarina Saraiva, Washington Post Bloomberg – As perspectivas de emprego para os americanos negros melhoraram desde 2020. Essa é a boa notícia.

A má notícia é que as conquistas alcançadas nos últimos dois anos – desde que o assassinato de George Floyd provocou um acerto de contas nos Estados Unidos sobre justiça racial – parecem tão frágeis como de costume. Na verdade, a inflação está ameaçando derrubar os avanços no mercado de trabalho conforme os formuladores de políticas respondem a uma reação contra o aumento dos preços.

Embora os protestos tenham atraído milhares de pessoas para as ruas em 2020 e ajudado a colocar as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores negros no centro das atenções, a maioria dos especialistas aponta a ajuda financeira do governo e o aquecido mercado de trabalho dos EUA durante a pandemia como motivadores dos avanços coletivos para eles e outros grupos.

Uma medida fundamental acompanhada por economistas mostra que a taxa de emprego dos americanos negros em “idade economicamente ativa” – 25 a 54 anos – saltou para 77,4% em abril, a maior em 22 anos. Apesar de estar bem abaixo da medida equivalente para os americanos brancos, o aumento reduziu a diferença entre os dois indicadores para o menor já registrado, em dados que remontam a 1994.

É um sinal de que o mercado de trabalho mais aquecido em gerações está tornando “mais caro para as empresas fazer distinções contra candidatos a empregos afro-americanos”, de acordo com Algernon Austin, diretor do departamento de raça e justiça econômica do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR, na sigla em inglês) em Washington.

A taxa de desemprego de negros também voltou aos níveis anteriores a pandemia. Depois da recessão de 2008-09, demorou nove anos para que a taxa de desemprego entre negros voltasse aos níveis que predominavam antes da crise da bolha imobiliária. Desta vez, foram necessários apenas dois.

O número ficou em 5,9% em abril – abaixo dos 6% registrados para o grupo em fevereiro de 2020, antes do início da pandemia de covid-19 fechar estabelecimentos por todo o país.

Contudo, o abismo econômico entre negros e brancos continua. E, para muitos, a esperança criada pelo movimento Black Lives Matter vem se esvaindo com outros assassinatos racistas, inclusive o tiroteio em massa deste mês em Buffalo.

A taxa de desemprego de mulheres negras, que estão entre os trabalhadores mais atingidos nos primeiros meses da pandemia, caiu de 16,6%, em maio de 2020, para 5%. Mas ainda está bem acima da taxa de 2,8% observada entre as mulheres brancas.

“No geral, estamos vendo que, francamente, muitos trabalhadores negros são capazes de aproveitar o mercado de trabalho aquecido e a forte demanda dos empregadores para conseguirem empregos que demorariam muito mais tempo para conseguir em crises anteriores”, diz Joelle Gamble, economista-chefe do Departamento do Trabalho dos EUA.

Parte da diferença desta vez está relacionada à resposta do governo americano e do Federal Reserve (Fed).

Em vez de escolherem uma recuperação longa e prolongada com todas as suas consequências desproporcionais para os americanos negros – como fizeram na recessão de 2008-09 – os legisladores entraram em cena durante os surtos de covid-19 com enorme apoio financeiro para as famílias dos EUA, transferindo trilhões de dólares para elas por meio de cheques de estímulo e programas de seguro-desemprego bastante expandidos. Isso cobriu as despesas constantes do consumidor na economia, o que, por sua vez, proporcionou uma base para a recontratação daqueles que haviam perdido seus empregos há pouco tempo.

“Nesta recuperação, é menos provável que vejamos as cicatrizes de trabalhadores desempregados durante longos períodos de tempo”, diz Joelle.

A taxa de emprego entre os americanos negros também pode ter recebido um impulso desta vez devido ao impacto incomum que a pandemia teve nas contratações na indústria, segundo Evgeniya Duzhak, economista do Fed de São Francisco.

Segundo uma análise publicada no site do banco em 16 de maio, Evgeniya descobriu que o desemprego entre negros não aumentou tanto em termos relativos quanto seria esperado durante a pandemia. Isso ocorre “em parte porque mais de 25% dos homens negros estão empregados em cargos de produção, transporte e manuseio de materiais, e essas profissões se saíram melhor que o setor de serviços”.

Mas agora, o avanço corre o risco de ser desfeito em um esforço máximo para controlar a inflação.

Os formuladores de políticas econômicas na Casa Branca e no Fed estão mudando suas prioridades de reconstrução da força de trabalho para controle das pressões dos preços por meio de medidas de austeridade – que ameaçam desacelerar ou até mesmo reverter o avanço recente no emprego.

Republicanos e democratas, entre eles o senador Joe Manchin, rejeitaram o Build Back Better do presidente Joe Biden, um pacote abrangente que incluía várias iniciativas de criação de empregos e teria acrescentado mais gastos públicos, mencionando a necessidade de abrandar a inflação.

Talvez ainda mais importante seja a resposta do banco central. O presidente do Fed, Jerome Powell, e seus colegas iniciaram um rápido ciclo de medidas cada vez mais restritivas e estão alertando que o combate à inflação por meio de taxas de juros mais altas provavelmente levará ao aumento da taxa de desemprego e talvez acabe provocando outra recessão.

Para observadores como William Spriggs, professor de economia da Universidade Howard e economista-chefe da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais, isso representa um risco existencial para todo o esforço de construção de uma economia mais inclusiva, cuja necessidade tem sido dramaticamente enfatizada pelos acontecimentos dos últimos dois anos.

“Ainda somos os últimos a ser contratados, então se você aumentar a taxa de desemprego, isso apenas irá desfazer todas as conquistas”, disse Spriggs. “Qual é o sentido do mercado de trabalho aquecido? É a condição necessária para a ascensão [da população] negra.”

Tradução de Romina Cácia

Dori Caymmi: ‘Coloco Mônica Salmaso no nível de Elis, Nana, Bethânia, Gal’

Compositor, que hoje vive num sítio em Petrópolis mas passou 27 anos na Califórnia assinando arranjos para intérpretes americanos, lança disco com a cantora incluindo inéditas que compôs com Paulo César Pinheiro
Por Luiz Fernando Vianna – O GLOBO — Rio de Janeiro

Mônica Salmaso e Dori Caymmi lançam álbum juntos — Foto: Divulgação/Lorena Dini

O álbum “Canto sedutor”, de Mônica Salmaso e Dori Caymmi, trata de amor, natureza, delicadeza. Mas a cantora o enxerga como “político em todos os sentidos”.

— Nunca pensei que falar de amor pudesse ser uma atitude política, mas neste momento é. Enquanto estão discutindo se a Terra é redonda, se vacina deve ser tomada ou não, nós estamos oferecendo um pouco da nossa identidade brasileira — afirma. — Há nessas músicas a defesa do Brasil, os interiores do Brasil, a questão ambiental, os ritmos do Brasil, as manifestações culturais brasileiras. É uma posição afirmativa quanto às nossas possibilidades de poesia, de beleza e de amor.

Dori faz coro:

— Sempre exalei outro Brasil. Me chamam de reacionário. Fica mais fácil me esculhambar. Na verdade, eu sou fã do Brasil.

Mônica, de 51 anos, há muito é fã de Dori, que completará 79 em agosto. É fã do filho de Dorival, do compositor, do arranjador, do violonista e, também, do cantor — embora o próprio se defina como “um cantor não praticante, um cantautor”.

— Ele tem voz de pai, voz de terra. Você vê um livro do Erico Verissimo quando ele canta — exalta ela. — Tem jeito bravo, mas é um coração de mamma italiana. Ele é capaz de se emocionar cantando. É bonito ver aquele homem sério chorando. Tem força e fragilidade, cérebro e coração.

Foi ela quem propôs a Dori o álbum — que será lançado em shows no Sesc Pinheiros, em São Paulo, nos dias 11 e 12 e ainda sairá em CD pela Biscoito Fino. Tinham participado de projetos juntos e, paradoxalmente, ficaram mais próximos na pandemia. Mônica o convenceu a participar de sua série Ô de Casas, em que editava vídeos interagindo com artistas, embora distante deles. Dori acabou gravando quatro.

— Aceitei fazer esse disco por causa da Mônica. Eu a coloco hoje no nível de Elis, Nana, Bethânia, Gal — diz ele, que toca violão e assina arranjos no projeto, mas resistiu a cantar. — Minha voz já sofreu alterações. É um contraste com uma cantora na plenitude das cordas vocais. Mas fui cantando. Há quem diga que eu canto muito bem. Há outros que eu não sei o que dizem de mim.

Na pandemia, Mônica também lançou um vídeo em duo com o pianista André Mehmari. Interpretaram apenas canções de Milton Nascimento. O álbum “Milton” ainda não tem data para sair, mas o show já passou por várias cidades.

Turnê com Chico

Em 2023, ela deve dividir o palco com Chico Buarque, na nova turnê dele. Não tem permissão para confirmar, mas praticamente admite:

— Há indícios de que sim, mas não é oficial. Não posso falar. Tenho medo de não ser e parecer que inventei essa notícia para mim mesma. Não assinei nada ainda.

Já Dori está realizando um CD-songbook pelo Sesc. Músicos jovens tocam violão seguindo partituras que ele escreveu para indicar como toca. Mônica está entre as cantoras do disco.

Dori Caymmi e Mônica Salmaso lançam álbum — Foto: Divulgação/Lorena Dini
Dori Caymmi e Mônica Salmaso lançam álbum — Foto: Divulgação/Lorena Dini

A produção de “Canto sedutor” é de Teco Cardoso, marido da cantora. Em 1990, após o baque do Plano Collor (aquele que confiscou as poupanças dos brasileiros), o flautista e saxofonista se mudou para Los Angeles e foi “adotado” por Dori, que o escalou para diversas gravações. Dori passou 27 anos na Califórnia escrevendo, em grande parte, arranjos para composições brasileiras interpretadas por americanos. Agora vive num sítio em Petrópolis.

Todas as letras das 14 faixas de “Canto sedutor” são de Paulo César Pinheiro, parceiro mais frequente do compadre Dori. Há três inéditas: “Raça morena”, “A água do Rio Doce” e a canção-título. Há criações recentes, como “Voz e mágoa”, “Delicadeza” e “Quebra-mar”. Das mais antigas, há duas muito marcantes: “Desenredo” e “Velho piano”. Ambas receberam gravações inesquecíveis de Nana Caymmi, o que poderia tornar, para Mônica, pesado interpretá-las.

— Eu passei dessa fase quando gravei “Beatriz” (de Edu Lobo e Chico Buarque e lançada por Milton Nascimento). Passei da arrebentação — diz ela. — Quando canto “Velho piano”, a Nana está aqui do meu lado. Quando canto “Beatriz”, o Milton está aqui. Eu ouço a minha referência. Não estou brigando com ela.

Para Mônica, num álbum todo feito de criações de Dori e Paulo César Pinheiro, não haveria por que deixar grandes canções de fora.

— “Velho piano” e “Desenredo” são músicas muito importantes na obra do Dori. Num disco assim, jogando olhar sobre um compositor e uma parceria, é necessário localizar para as pessoas que aquilo não é um ouro só da Nana, mas também do Dori e do Paulinho.

O melodista credita ao poeta a redescoberta do prazer de compor.

— Quando papai e mamãe morreram (ambos em 2008), me deu certo branco. Arrumando uma gaveta, achei uma letra do Paulinho, musiquei e, desde então, já fizemos umas 80 — afirma ele, que tem repertório com o parceiro para mais um disco, “Sonetos sentimentais para violão e orquestra”.

Para Mônica, o amigo e ídolo “não sabe do tamanho dele”:

— Ele é do ofício, do trabalho. Nunca alimentou ego.

— Vocês estão me acostumando mal. Vou achar que sou muito bom — brinca ele.

Anok Marial – Annabelle Magazine May 2022 Cover

Annabelle Magazine May 2022 Cover
Source: annabelle.ch
Published: May 2022

All people in this magazine cover:

Walter Pierre – Photographer Kathinka Gernant – Makeup Artist Anok Marial – Model