Estudantes improvisam festa de formatura em escola destruída na Ucrânia

Alunos dançam valsa sob escolta de soldados em meio a escombros em Kharkiv

Valerie, 16, nos escombros de escola em Khrakiv, segundo sua tia, Anna Epicheva – Facebook/Reprodução

SÃO PAULO – Era para o ano letivo na Ucrânia estar próximo do fim, e os alunos, encaminhando-se para as férias.

Valerie, 16, já havia comprado o vestido para a formatura da escola que estudava em Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana. Até que um ataque destruiu o colégio três dias após a Rússia invadir o país.

Nesta semana, mais de três meses depois do início do conflito que devastou a Ucrânia, Valerie e outros estudantes improvisaram um baile no que hoje são os escombros do centro de ensino, com direito a valsa e roupas tradicionais de festas de formatura, para marcar o que deveria ter sido o fim do ensino médio.

Quem conta a história é Anna Epicheva, ucraniana que afirma ser tia da garota —ela divulgou imagens do evento nas redes sociais. A imprensa local também publicou vídeos da “cerimônia”, compartilhados pelo governo ucraniano e por personalidades do mundo todo, como o cineasta Quentin Tarantino.

“Tenho 16 anos, estudo na escola 134 em Kharkiv. Eu tinha muitos amigos na escola, éramos como uma grande família. Com as meninas, escolhemos vestidos e estávamos felizes que todas ficaríamos lindas no dia da formatura. Mas o ‘mundo russo’ veio até nós e arruinou todos os nossos planos”, disse a adolescente, de acordo com mensagem compartilhada por Epicheva.

Imagens feitas pela imprensa local mostram um grupo de dez estudantes dançando valsa em uma quadra do colégio, escoltados por soldados fortemente armados e acompanhados por pais e familiares.

Próxima à fronteira com a Rússia, Kharkiv foi alvo de uma série de ataques logo no começo da guerra. Em meados de maio, forças ucranianas conseguiram expulsar tropas russas que cercavam a cidade desde o início da invasão.

Parte do êxito de Kiev na região é atribuída por analistas militares à concentração russa nas cidades mais ao leste da Ucrânia, no Donbass. Ao reunir esforços para tomar cidades-chave como Severodonetsk, Liman e Lisitchansk, Moscou abriu espaços de vulnerabilidade militar em Kharkiv, segundo relatório do americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

Os ataques contra a cidade, no entanto, nunca foram interrompidos por completo. Na última terça-feira (7), por exemplo, um bombardeio matou uma pessoa e feriu outras três, segundo o prefeito da cidade, “A Rússia não deixa Kharkiv em paz e, constantemente, mantém as pessoas com medo”, disse Ihor Terekhov.

Não há um número exato de vítimas da guerra até agora. A última cifra divulgada pelo governador de Kharkiv, em 15 de abril, apontava 503 civis mortos desde o começo da guerra, incluindo 24 crianças.

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