Apesar dos EUA, China dá um salto na guerra dos chips, diz Bloomberg

Gigante chinesa avança e pode não precisar mais dos semicondutores de Taiwan, que estimulam ameaças de conflito

Placa com semicondutor de tecnologia avançada da chinesa SMIC, segundo o site TechInsider – Reprodução

Nancy Pelosi, que preside a Câmara nos Estados Unidos, não voltou atrás na intenção de visitar Taiwan nas próximas semanas, mesmo diante da oposição de Joe Biden e do Pentágono. E também da chancelaria chinesa, esta avisando que responderá com “medidas de força” e que “nós fazemos o que falamos”.

Paralelamente, a secretária do Comércio explicitou em pronunciamento e entrevista o que está em jogo. “Nossa dependência de Taiwan para chips é insustentável“, falou Gina Raimondo. “É assustador você se permitir pensar num cenário em que os EUA não tenham acesso aos chips, incapacitando nossa produção de equipamento militar.”

Era lobby para os congressistas aprovarem um pacote bilionário para fabricantes americanos de chips ou semicondutores, mas vai além. “Não existe muito que nós possamos fazer para desacelerar a China, mas precisamos fazê-lo. Precisamos negar à China a tecnologia que permitiria a eles uma vantagem, e estamos fazendo isso.”

Desde Donald Trump, os EUA vêm procurando negar à China os chips com tecnologia americana de Taiwan. Mas a nova semana de ameaças e desencontros do governo democrata terminou de forma inusitada, na reportagem mais lida da Bloomberg na sexta (22), “Maior fabricante de chips da China alcança avanço apesar das restrições dos EUA”.

A gigante SMIC, de Xangai, está produzindo semicondutores “com tecnologia de 7 nanômetros, uma medida de complexidade de fabricação na qual larguras de transistor mais estreitas” tornam o produto mais rápido e eficiente. Representa um salto “de duas gerações, desafiando as sanções americanas” à empresa.

A notícia saiu antes no canadense TechInsights, que identificou a tecnologia num chip minerador de bitcoin e avaliou: “É o produto mais avançado da SMIC até agora, com implicações importantes para as empresas chinesas, pois ajuda a reduzir a dependência de tecnologias ocidentais durante este tempo de acesso restrito”.

A Bloomberg esperou dois dias para noticiar, o que fez depois que “uma pessoa familiarizada com os desenvolvimentos confirmou” a informação —e também depois que as ações da SMIC e de outras empresas chinesas vinculadas ao setor, como Fudan, Naura e Amec, saltaram até 5% na Bolsa de Valores de Hong Kong.

Veículo de referência sobre tecnologia em Taiwan e na China continental, o DigiTimes, de Taipé, também publicou, com base no TechInsights. E a financeira Caixin, de Pequim, reproduziu a reportagem da Bloomberg. Mas a notícia, até pelo silêncio da SMIC quando procurada, vem sendo tratada com cuidado. Ela tem o potencial de esvaziar a pressão por guerra na Ásia. [Nelson de Sá]

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