Alta moda de Dolce & Gabbana transforma o austero guarda-roupa das viúvas sicilianas em algo sexy e glorioso

O evento reuniu 700 convidados em quatro dias de festas e desfiles na Sicília
Por Marina Caruso — Sicília, Itália

Performance a “sacra” na Praça Central de Ortigia, antiga cidade da Sicília – Foto:Divulgação

Stefano Gabbana e Domenico Dolce decidiram comemorar os 10 anos da Alta Moda, linha de alta-costura da Dolce & Gabbana, com um tributo — exclusivo e luxuoso — às raízes sicilianas da marca. No segundo sábado de julho, ao cair de uma tarde ensolarada, receberam mais de 700 clientes, jornalistas e celebridades do porte de Sharon Stone, Mariah Carey, Hellen Miren e da brasileira Anitta com uma coleção paradoxal: dramática como as viúvas sicilianas e sexy como os espartilhos da grife.

Looks com flores, rendas e bordados: até 200 horas de trabalho por peça — Foto: Divulgação
Looks com flores, rendas e bordados: até 200 horas de trabalho por peça — Foto: Divulgação

Ao som da ópera Cavalleria Rusticana, uma procissão religiosa abriu o desfile em frente à Duomo de Ortigia, centro histórico de Siracusa, cidade de 734 A.C, na costa jônica da Sicília, que é a terra de Domenico Dolce. Cerca de 160 looks (em sua maioria negros) com flores, rendas e bordados traduziam o esmero de artesãos e costureiras que dedicam até 200 horas de trabalho por peça. “Não são apenas as roupas, os dois metros de pérolas e as rendas. É um estilo de vida”, disse Domenico na entrevista coletiva anterior ao desfile. “Na Alta Moda, o cliente é o protagonista de seu próprio sonho”, emendou Stefano. E ele não é simples.

Casal de atores encena peça de Ésquilo dentro de gruta no Parque Arqueológico de Neapolis, na Itália — Foto: Divulgação
Casal de atores encena peça de Ésquilo dentro de gruta no Parque Arqueológico de Neapolis, na Itália — Foto: Divulgação

Entre estalactites e estalagmites da Grotta dei Cordari, uma gruta gigantesca no Parque Arqueológico de Neápolis, onde estão as ruínas mais antigas da Sicília, Stefano e Domenico armaram um espetáculo para mostrar a nova coleção de alta joalheria da grife. Em meio a seis mil rosas fincadas no lago da caverna, bailarinos encenavam atos da tragédia grega de Ésquilo, sob direção de Davide Livermore. Símbolo máximo do fatto à mano da Dolce & Gabbana, a Alta Gioilleria 2022 foi toda inspirada em lendas e mistérios locais de tesouros perdidos. Na escuridão da gruta, chokers, colares, brincos, anéis e coroas em ouro amarelo e rosa reluziam com mosaicos pintados à mão e pedras preciosas como rubi, diamantes e turmalinas.

Performance Sacra — Foto: Divulgação
Performance Sacra — Foto: Divulgação

Marzamemi, uma pitoresca vila de pescadores, famosa não só por sua beleza, mas pelo atum que abastece toda a Sicília, foi o destino escolhido por Stefano Gabbana e Domenico Dolce para o desfile de Alta Sartoria, a alta costura masculina da marca. Extravagante e ancorada em uma lenda local sobre um tesouro afundado nas águas da região, a coleção transformou armaduras — ícone da força masculina — em espartilhos, golas e joias genderless. Chemises e túnicas em tom de ouro velho sobrepunham-se a calças e saias plissadas na disputa com a alfaiataria tradicional. Botas de brocado, jeans rasgados e calças estilo Aladim traziam o mesmo brilho de strass e lamê das coleções femininas. “Hoje, as mulheres também compram as peças masculinas da Alta Sartoria”, disse Stefano sobre a coleção, reforçando uma tendência que apareceu nas semanas de moda de prêt-à-porter.

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