Beleza irreal: parlamentares britânicos querem alerta em fotos de corpo e rosto retocadas

A comissão parlamentar também quer que anunciantes apresentem uma variedade maior de tipos estéticos e corporais
Michelle Roberts

Kim Booker falou a parlamentares sobre sua luta contra o transtorno dismórfico corporal
Kim Booker falou a parlamentares sobre sua luta contra o transtorno dismórfico corporal – BBC News Brasil

BBC NEWS BRASIL – Fotos de modelos em anúncios que tenham sido alteradas digitalmente devem vir com um aviso de que houve modificações na imagem, segundo uma proposta de parlamentares britânicos da Comissão de Saúde e Assistência Social do legislativo.

Os parlamentares querem também que o governo aprove logo uma proposta para regulamentação mais rígida na publicidade de procedimentos estéticos, como o preenchimento facial. Além disso, as pessoas que decidam passar por um procedimento estético devem esperar um intervalo de 48 horas para refletir sobre a intervenção e para que tenham seu histórico de saúde física e mental analisado por profissionais.

“Ouvimos falar de algumas experiências angustiantes — uma abordagem tipo linha de montagem, com procedimentos realizados sem perguntas”, afirmou o ex-ministro da Saúde Jeremy Hunt, que preside o comitê.

Em uma audiência na comissão, Charlie King, que ficou conhecido no Reino Unido por participar de um reality show, disse que não passou por uma avaliação sobre seu bem-estar quando ele fez uma plástica no nariz.

A influenciadora Kim Booker, que como Charlie, tem transtorno dismórfico corporal — um desgaste na busca por supostas falhas na aparência que, para outros, podem ser imperceptíveis —, contou aos parlamentares que se tornou dependente de aplicativos que alteram a imagem.

“Cheguei a um ponto em que sempre usava esses filtros”, relatou Booker. “Quando o vídeo mudava para o meu rosto natural, eu ficava um pouco chocada.”

“Eu odiava o que via, porque você se acostuma com a versão filtrada de si mesmo.”

Crescendo na década de 1990, Kim diz que foi bombardeada com imagens de “princesas da Disney” como referências de como uma mulher deve aparentar.

“Senti que precisava me encaixar no modelo dos olhos grandes, nariz pequeno, cabelo solto e cintura fina”, disse ela. “Isso cresceu comigo durante a minha adolescência, até a idade adulta.”

IMAGENS IRREAIS

A comissão parlamentar quer que os anunciantes apresentem uma variedade maior de tipos estéticos e corporais, em detrimento das imagens filtradas e irreais postadas por influenciadores.

“Acreditamos que o governo deveria introduzir uma legislação que garanta que as imagens comerciais sejam rotuladas com algum indicativo caso qualquer parte do corpo, incluindo suas proporções e o tom de pele, seja alterada digitalmente”, diz o relatório.

Enquanto isso, o documento pede que as substâncias usadas em preenchimentos faciais sejam acessíveis apenas mediante receita médica, e que haja padrões mínimos de treinamento para os profissionais que fazem as aplicações.

O relatório também pede que o governo analise urgentemente o crescente uso de esteroides anabolizantes no Reino Unido — a Agência Antidoping do Reino Unido estima mais de um milhão de usuários —, principalmente por homens que buscam aumentar seus músculos.

Segundo o professor James McVeigh, que contribuiu com o relatório, um dos principais problemas dos esteroides anabolizantes é que pessoas que fazem o uso prolongado “não retornarão à produção normal de testosterona”.

“Sabemos que quanto maior o período de tempo que as pessoas usam, mais danos há na vida adulta, com doenças cardiovasculares e alterações cerebrais”, explica McVeigh. “Pode chegar um momento em que essas pessoas escolham parar de usar os anabolizantes, mas elas enfrentarão um forte impacto.”

“É aquela queda que acontece ao chegar no ponto de zero testosterona, que pode trazer depressão e muitos problemas de saúde mental.”

O guitarrista do grupo Vamps James Brittain-McVey, que passou por uma cirurgia para remover o tecido mamário natural de seu peito, disse à comissão: “As mídias sociais me estimularam a entrar ainda mais fundo naquela toca de coelho.”

Segundo o relatório parlamentar, os distúrbios alimentares aumentaram nos últimos anos, e por isso o governo deveria fazer verificações anuais do peso e do bem-estar de todas as crianças e jovens.

O documento também pede mais ações de combate à obesidade infantil, como restringir promoções de compra conjunta de alimentos e bebidas com alto teor de gordura, sal e açúcar.Um porta-voz do governo britânico afirmou: “Introduziremos um esquema nacional de licenciamento para ajudar a prevenir a exploração, melhorar a segurança e garantir que os indivíduos façam escolhas informadas e seguras sobre procedimentos estéticos não cirúrgicos”.

Este texto foi publicado originalmente aqui

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