Adam Neumann, que quase levou o WeWork ao colapso, está de volta com um investidor de respeito

Fundador da startup de escritórios agora mira o mercado imobiliário residencial e ganhou apoio da gigante Andreessen Horowitz
Por Andrew Ross Sorkin

Adam Neumann quase levou o WeWork ao colapso e virou série de TV
Adam Neumann quase levou o WeWork ao colapso e virou série de TV  Foto: Peter Prato/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – Adam Neumann está de volta. O fundador do WeWork, cuja ascensão e queda foram temas de livros, documentários e séries de TV, tem um novo negócio — e um investidor surpreendente.

Neumann está começando uma nova companhia chamada Flow, focada no mercado imobiliário dos EUA. Chama a atenção o fato de o negócio ter conseguido o apoio financeiro da Andreessen Horowitz, a firma de venture capital que investiu em nomes como Facebook e Airbnb.

A firma tem o respeito de muitos investidores early stage, então o investimento é um forte sinal de apoio a Neumann – e talvez uma resposta aos seus críticos, que descreveram sua atuação no WeWork como um caso de arrogância corporativa.

O investimento na Flow é de cerca de US$ 350 milhões, segundo três pessoas com conhecimento do negócio, o que deixa a companhia avaliada em mais de US$ 1 bilhão (ou seja, um “unicórnio”) antes mesmo de abrir as portas. O investimento é o maior cheque individual já assinado pela Andreessen Horowitz em uma rodada de aportes.

A Flow deverá ser lançada em 2023 e o cofundador da firma de investimentos, Marc Andreessen, fará parte do conselho da startup. Neumann está planejando fazer um investimento pessoal considerável em dinheiro e bens imobiliários.

“Normalmente, é subestimado o fato de que uma única pessoa redesenhou fundamentalmente a experiência de escritório e, no processo, liderou uma companhia global que mudou paradigmas: Adam Neumann”, escreveu Andreessen no site da firma nesta segunda, 15.

No auge, o WeWork foi avaliado em US$ 47 bilhões. Depois de uma ida fracassada ao mercado de ações e casos de mau gerenciamento, a companhia implodiu de forma espetacular. Neumann foi chutado do do WeWork em 2019, mas saiu com centenas de milhões de dólares. Hoje, o WeWork vale cerca de US$ 4 bilhões.

Andreessen escreveu que ama ver fundadores construir sobre sucessos do passado e crescer de “lições aprendidas”. “Os sucessos e as lições são enormes para Neumann”, completou.

Novo modelo

Neumann comprou mais de 3 mil apartamentos em Miami, Fort Lauderdale, Atlanta e Nashville, e planeja mudar o mercado imobiliário ao criar um produto de marca com serviço consistente e recursos comunitários. A Flow vai operar as propriedades compradas por Neumann e oferecer seus serviços para melhorias. Os detalhes do plano de negócio, porém, ainda são desconhecidos.

Aparentemente, o novo negócio seguirá um modelo muito diferente do WeWork, que envolvia o aluguel de escritórios em contratos de longo prazo e a oferta desses espaço para clientes por taxas mais altas em prazos mais curtos. Isso criava riscos caso o WeWork não encontrasse clientes.

Já a Flow é um serviço que locadores podem usar para os seus imóveis, algo similar ao que o proprietário de um hotel pode fazer ao contratar uma rede de hotéis para operar o negócio.

A tese de investimento da Flow parece refletir tendências econômicas e sociais, que estão levando mais pessoas a lugar imóveis em vez de comprá-los. Um terço dos americanos alugam imóveis, e mais da metade dos americanos em áreas urbanas são locatários.

Neumann fez uma breve incursão no mercado imobiliário residencial enquanto estava no WeWork. A companhia criou uma divisão chamada WeLive, que oferecia locações de curto prazo. O negócio foi ridicularizado como um experimento social fora de controle e logo foi desativado.

Investimento pequeno

Embora grande para os padrões do capital de risco, o investimento na Flow é muito menor que os US$ 9 bilhões que Masayoshi Son, fundador do SoftBank, colocou no WeWork durante a administração de Neumann. Quando o WeWork quase colapsou, Son investiu outros US$ 9 bilhões para acertar as finanças da companhia, o que levou à saída de Neumann.

Em um memorando, Andreessen disse que está interessado na Flow por acreditar que o mercado de alguel imobiliário está pronto para a disrupção, especialmente agora que as pessoas estão trabalhando mais de casa e estão “experimentando muito menos dos laços sociais e amizades de escritório”.

Ele também deu pistas de que a companhia pode solucionar um dos grandes desafios que locatários encontram: “você pode pagar o aluguel por décadas e mesmo assim terá zero propriedades”. Ele acrescentou: “Em um mundo no qual o acesso limitado a propriedade imobiliária continua sendo numa força por trás da desigualdade e da ansiedade, dar aos locatários uma sensação de segurança, comunidade e posse genuína tem um poder transformador na nossa sociedade”.

Não está claro, porém, se a Flow terá um programa de compra ou algum outro mecanismo para dar aos locatários propriedade. Recentemente, Andreessen e outros manda-chuvas da tecnologia se opuseram a um plano de casa própria para família na cidade de Atherton, Califórnia.

Neumann não quis comentar o assunto. No ano passado, durante o DealBook Summit, ele disse sobre a sua ascensão e queda no WeWork: “Tive muito tempo para pensar, e há várias lições e múltiplos arrependimentos”. / TRADUÇÃO POR BRUNO ROMANI

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