Modelo Sumé Yina: ‘Me sinto muito fragilizada por não conseguir fazer coisas básicas da minha rotina’

Modelo indígena transexual foi vítima de transfobia em carro de plataforma de transporte por aplicativo; empresa garante que o motorista já foi banido
Por Laís Rissato

A modelo Sumé Yina — Foto: Divulgação
Sumé Yina revela as dificuldades que vem passando no dia a dia por causa das agressões que sofreu Divulgação

Após sofrer agressão motivada por transfobia por um motorista da 99, plataforma de transporte por aplicativo no dia 5 de agosto, em SP, a modelo Sumé Yina relatou com exclusividade a ELA que, além das feridas emocionais, ainda tem tido dificuldade para fazer atividades básicas do dia a dia.

“A vida sempre me mostrou a importância da minha independência e nesse momento me sinto muito fragilizada por não conseguir fazer coisas básicas da minha rotina, como tomar banho sozinha e fazer minha própria comida, pela dificuldade de movimento nos meus braços”, relata ela.

Sumé, que é indígena e transexual, tem 24 anos e conta ter tido também uma grande dificuldade social e de comunicação, além de um medo constante de ser violentada novamente.

“E de outras maneiras, já que mesmo nesse estado continuo sofrendo transfobia nos estabelecimentos. Mas existe uma parte confortante de saber que estou sendo cuidada por amigas que amo e que tornam as coisas um pouco menos traumáticas”, desabafou.

Sem suporte financeiro da 99

Apesar da empresa de transporte por aplicativo ter se pronunciado em comunicado oficial nesta terça-feira (16) sobre a transfobia sofrida por Sumé, garantindo que o motorista foi banido e todo o acolhimento foi dado à vítima, a modelo garante que não recebeu ainda nenhum suporte financeiro.

“Tivemos uma reunião breve, mas ainda não recebi nenhum suporte financeiro e nenhuma informação sobre a situação do motorista. Agora que estou assessorada por advogadas e acredito que terei um diálogo e uma resolução justa para o caso”.

A modelo Sumé Yina — Foto: Divulgação
A modelo Sumé Yina — Foto: Divulgação

Luta diária contra a transfobia

Vivendo no Brasil, país que mais mata transexuais e travestis no mundo todo, Sumé garante que lutar contra a transfobia é um exercício diário. “Quando você é uma pessoa trans a sua experiência de socialização é atravessada por um diferente tipo de tratamento nos estabelecimentos, olhares tortos na rua… É difícil passar despercebida”.

“Todavia, acredito que são nos nossos ciclos sociais e casas de apoio, coletivos, que criamos espaços de carinho e afeto que conseguem fortalecer a nossa autoestima, sensação de segurança e a celebração das nossas diversidades”, finaliza ela.

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