Alanis Guillen reflete sobre fama, machismo e como sexualidade fluida a fez entender desejos

Atriz de 24 anos também reflete sobre assédio e manipulação masculina: ‘Questionam nossas certezas até fazermos o que querem’
Por Yasmin Setubal — Rio de Janeiro

Alanis Guillen – Foto: Pedro Loreto

Alanis Guillen, sobre cenas de sexo em ‘Pantanal’: ‘Assim como na vida real’

Os termômetros marcavam 16 graus no fim da manhã de uma sexta-feira, no Rio. Agasalhada, Alanis Guillen chegou sob chuva e ventania à Casa Bicho — espaço de exposição para artistas independentes no Jardim Botânico —, para fazer as fotos deste ensaio. De cabelo molhado, pés descalços e pele à mostra, encarou com bom humor o frio cortante nas horas que se seguiam. Mais um dos perrengues impostos pela natureza desde que conquistou o disputado papel de Juma Marruá, a protagonista do remake de “Pantanal”, que termina no próximo mês. “Nosso corpo ficava exposto a tudo quando estávamos gravando por lá. Tive que me acostumar com a dor dos carrapatos me mordendo durante as cenas, as formigas saúvas que invadiram a tapera e que me cortavam quando andava sem sapato”, narra a atriz, de 24 anos.

Desde o anúncio de sua escalação, a atriz se viu mergulhada nas curiosidades do público sobre sua vida íntima. Em entrevista exclusiva, ela abre o jogo sobre sua sexualidade fluida e o relacionamento com Jesuíta Barbosa.

Sobre nudez e sexo em cena, assuntos que dão o que falar entre os fãs de “Pantanal” nas redes, Alanis afirma que não sentiu o menor constrangimento durante as gravações. “Se conta uma história, não é uma questão. Não fico grilada com cenas de sexo, você não fica elaborando muito ali, assim como na vida real. A arte também tem esse papel de tirar um pouco o corpo nu dessa objetificação”, fala.

Estar no centro de todas as atenções também trouxe, inevitavelmente, a questão do assédio nestas mesmas redes. “Vivemos numa cultura machista, misógina, que vê as mulheres com olhar objetificado. Mas isso não me acua, meu corpo está a serviço de mim e mais ninguém. Se o outro acredita que tem poder sobre mim, sinto muito, mas é uma ilusão”, dispara. “Muitos homens nos manipulam e nos fazem questionar nossas certezas até fazer o que querem.”

Alanis Guillen – Foto: Pedro Loreto

Alanis Guillen reflete sobre fama, machismo e como sexualidade fluida a fez entender desejos

Os termômetros marcavam 16 graus no fim da manhã de uma sexta-feira, no Rio. Agasalhada, Alanis Guillen chegou sob chuva e ventania à Casa Bicho — espaço de exposição para artistas independentes no Jardim Botânico —, para fazer as fotos deste ensaio. De cabelo molhado, pés descalços e pele à mostra, encarou com bom humor o frio cortante nas horas que se seguiam. Mais um dos perrengues impostos pela natureza desde que conquistou o disputado papel de Juma Marruá, a protagonista do remake de “Pantanal”, que termina no próximo mês. “Nosso corpo ficava exposto a tudo quando estávamos gravando por lá. Tive que me acostumar com a dor dos carrapatos me mordendo durante as cenas, as formigas saúvas que invadiram a tapera e que me cortavam quando andava sem sapato”, narra a atriz, de 24 anos.

Natural de Santo André, na Grande São Paulo, e morando no Rio em função das gravações, Alanis já havia sido destaque quando estreou na teledramaturgia como a mocinha Rita, da última temporada de “Malhação”, em 2019. Mas foi como a “mulher que vira onça” e seus trejeitos que beiram à antissocialidade, que ela caiu nas graças do público. “Estava muito envolvida com as questões ambientais, e quando vi que poderia unir trabalho com essa vivência, meu coração gritou. No fundo, sabia que precisava viver isso, mas na pandemia fiz teste para tantas outras coisas e nada acontecia…”, relembra a artista. “Digo que trabalho com a Juma desde 2020, e ainda está sendo um mergulho profundo, um processo muito intenso e de mudanças drásticas.”

Alanis Guillen — Foto: Pedro Loreto

Em 1990, o papel também catapultou Cristiana Oliveira ao sucesso na novela original, escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida pela extinta TV Manchete. Procurada pela reportagem, a atriz preferiu se pronunciar por meio de uma nota. Ela elogia a jovem, mas, segundo sua assessoria, prefere evitar comparações. “Alanis é uma ótima atriz! Visceral, dedicadíssima, é uma apaixonada pela arte”, afirma. Para Osmar Prado, que interpreta o Véio do Rio e com quem Alanis contracena boa parte da trama, a atriz não teve uma tarefa fácil com o papel. “É uma personagem muito emblemática, mas desde a primeira vez nos sintonizamos de uma forma radical. Já sei que juntos, logo na primeira passada de texto, vamos conseguir atingir a emoção necessária. Ela é muito generosa, competente e doce.”

Desde que sua escalação foi anunciada, Alanis se viu mergulhada nas expectativas da crítica e do público sobre a adaptação do clássico. O medo a acompanhou durante parte do processo, mas também “deu coragem de tocar essa missão”. “Penso em dar o meu melhor para tudo o que faço, com muita dignidade e honestidade. Se acatarem isso, que bom. Se não, vejo o que fazer depois”, avalia. “Vivi altos e baixos, situações de extremo limite do corpo. É como se todo dia eu me vestisse para ir à guerra. Foi um trabalho de devoção e sacrifício, e falo com paixão.”

Autor de “Pantanal” e um dos responsáveis pela escolha da jovem como protagonista, Bruno Luperi, neto de Ruy Barbosa, a enaltece como quem “já gravou seu nome na história da dramaturgia” com o folhetim. “Ela superou todas as minhas expectativas, que já eram altas. Nos brindou com uma Juma maravilhosa e que ficará na memória para sempre”, destaca. Foi na memória do diretor artístico Gustavo Fernandéz que Alanis deixou uma de suas cenas mais marcantes. “Ela já tinha beleza e carisma, faltava um pouco mais de experiência, e é impressionante como evoluiu em tão pouco tempo. A morte da Maria Marruá (interpretada por Juliana Paes) poderia ter descambado para um lugar mais óbvio, mas ela fez de um jeito tão emocionado e comovente, foi muito bonito.” Juliana, por sua vez, diz que “deu um orgulho danado poder falar que já sabia” que a filha da ficção “daria conta e surpreenderia as pessoas”.

Alanis Guillen — Foto: Pedro Loreto

Tamanho sucesso frente às câmeras também veio acompanhado de uma curiosidade natural do público sobre sua vida íntima. “Pedi aos meus familiares que falassem comigo antes de acreditar em qualquer coisa. É algo que ainda estou tentando entender e lidar”, conta, já que, recentemente, viu seu nome envolvido em um suposto romance com a artista plástica Poli Pieratti e também com o ator Jesuíta Barbosa, que interpreta Jove, seu par romântico na trama. Apesar de terem se beijado em um vídeo gravado nos sets de filmagem e serem vistos juntos com frequência, ela não confirma que tenha ocorrido algo além. “Eu e ele temos uma relação muito livre com nossos corpos e uma intimidade. Então, conseguimos criar uma conexão muito fácil na hora de trabalhar”, comenta ela. “Mas sobre essas questões de relacionamento, se houve ou não, acho que é uma coisa tão pessoal, que só diz respeito a mim e à outra pessoa. Não me importo se falarem que hoje estou com um, amanhã com outro. O amor é muito precioso e raro para ser uma manchete de jornal.”

Jesuíta, por sua vez, exalta a parceria entre eles e não economiza elogios à amiga, com quem sempre é visto nas redes sociais. “Alanis é uma força da natureza. Tem um carisma que encanta e me surpreende todo dia, além de uma energia que se divide com quem está próximo. Comigo foi assim, de primeira”, declara o ator.

Mesmo sendo reservada sobre a vida amorosa, a atriz aborda com naturalidade sua sexualidade fluida, descoberta ainda na adolescência e que sublinha o interesse e a paixão por pessoas de todos os gêneros. Caçula de três filhos de um engenheiro civil e uma arquiteta, foi ela quem deu início a diálogos em casa sobre o assunto para contornar a possível resistência dos pais, servindo como ponte para que a irmã mais velha tivesse a coragem de se assumir e falar sobre a relação com outra mulher. “Comecei a respeitar mais os meus desejos, ouvir o que meu corpo estava querendo. Nunca tive medo de enfrentar preconceitos, não tive essa dificuldade de ‘sair do armário’, mas me questionava sobre como me expressaria num mundo opressor. Já passei por situações desagradáveis, escuto muitas piadinhas, mas isso nunca foi tão forte para mim”, comenta. Entre todos os seus relacionamentos, ela revela que só teve um único “namoro”, com alguém cuja identidade prefere não revelar.

Alanis Guillen — Foto: Pedro Loreto

Sobre nudez e sexo em cena, assuntos que dão o que falar entre os fãs de “Pantanal” nas redes, Alanis afirma que não sentiu o menor constrangimento durante as gravações. “Se conta uma história, não é uma questão. Não fico grilada com cenas de sexo, você não fica elaborando muito ali, assim como na vida real. A arte também tem esse papel de tirar um pouco o corpo nu dessa objetificação”, fala. Estar no centro de todas as atenções também trouxe, inevitavelmente, a questão do assédio nestas mesmas redes. “Vivemos numa cultura machista, misógina, que vê as mulheres com olhar objetificado. Mas isso não me acua, meu corpo está a serviço de mim e mais ninguém. Se o outro acredita que tem poder sobre mim, sinto muito, mas é uma ilusão”, dispara. “Muitos homens nos manipulam e nos fazem questionar nossas certezas até fazer o que querem.”

Atento ao alcance que a história tomou, o mercado da moda também se abriu para a jovem. No mês passado, Alanis foi chamada para protagonizar a última campanha publicitária da Ellus, que celebrou os 50 anos da marca. “Ela é muito forte e, ao mesmo tempo, sensível ao mundo que vive. Faz parte de uma geração que tem muito a dizer. Além de ser uma mulher linda, com uma beleza natural”, elogia Adriana Bozon, Diretora Criativa e de Branding da empresa.

Alanis Guillen — Foto: Pedro Loreto

Apesar de hoje ter uma relação mais tranquila com seu corpo, Alanis viveu fases de insegurança ao longo da adolescência. “Cresci sob a influência de que eu tinha de ser magra. Não tenho muito busto, e com essa chuva de silicone já cheguei a me perguntar se tinha de colocar também, mesmo gostando do jeito que sou”, admite. “Claro que ainda tenho meus dias de insegurança, mas hoje vejo que a autoestima está mais ligada a estarmos conectadas com nós mesmas, a levarmos a vida com mais fluidez, do que com a estética. Se estou dormindo bem, comendo e indo ao banheiro, então está tudo certo”, comenta. Com a mesma tranquilidade, a atriz conta que maternidade não está nos planos de um futuro próximo. “Estou muito jovem, muita coisa está acontecendo na minha vida e realmente isso é uma coisa que não quero no momento”, responde.

Fruto de uma geração engajada e marcada por idealismos, a atriz não se esquiva de falar sobre temas polêmicos, posicionando-se a favor do aborto (“Nós precisamos ter direitos sobre nossos corpos”) e da descriminalização das drogas (“É um assunto que precisa ser tratado como saúde pública”). Sobre a atual gestão política, Alanis, que já fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro nas redes, avalia que o país está passando por uma fase de “desmonte”, e que a cultura tem papel fundamental para driblar esse processo. “O que me alimenta é saber que meu trabalho não só diz sobre minha carreira pessoal, mas também atinge o coletivo com fomento à arte, tão necessária para mudar o cenário político.”

Alanis Guillen – Foto: Pedro Loreto

Planos para o fim da novela? Por enquanto, a atriz diz que está focada em fechar o ciclo de sua Juma.“Muita gente tem me perguntado se vou fazer alguma mudança, se vou cortar o cabelo. Não sei ainda, estou vivendo esse final intensamente. Mas quando terminarem as gravações, vou aproveitar para estudar, fazer algo voltado às artes plásticas, cuidar da minha saúde e, talvez, viajar por algum lugar do Brasil”, planeja.

Olhar atento aos próximos passos da amiga da onça!

Alanis Guillen — Foto: Pedro Loreto | Styling: Heleno Manoel | Beleza: Piu Gontijo. Set designer: Fernanda Martins | Assistência de fotografia: Felipe Viveiros e Diego Souza | Assistência de arte: Renan Amaral | Produção de moda: Vinicius Rodalm | Camareira: Thayná Nazareth | Tratamento de imagem: Contato post-production (Rafael Serra) | Produção executiva: Kariny Grativol | Agradecimento: Estudio Ambrosio e Casa Bicho

3 comentários sobre “Alanis Guillen reflete sobre fama, machismo e como sexualidade fluida a fez entender desejos

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