Ícone do pop russo Alla Pugacheva rompe o silêncio e faz críticas à guerra na Ucrânia

Alla Pugacheva, que vendeu mais de 250 milhões de discos, afirmou que o conflito tem ‘objetivos ilusórios’ e pediu para ser incluída na lista de agentes estrangeiros do Kremlin
Por O Globo e agências internacionais — Moscou

Alla Pugacheva 

Uma das maiores estrelas da música russa fez críticas abertas à guerra na Ucrânia e pediu para ser incluída em uma lista de “agentes estrangeiros” do governo, pouco depois de seu marido, igualmente um crítico do conflito, passar a fazer parte dessa categoria. Com a publicação no Instagram, Alla Pugacheva se juntou à lista de artistas e nomes de destaque da cultura russa a se levantarem contra a guerra.

“Por favor me incluam na lista de agentes estrangeiros de meu amado país, uma vez que sou solidária ao meu marido, um homem decente e sincero, um patriota verdadeiro e incorruptível da Rússia que quer ver sua pátria florescer em paz, com liberdade de expressão, e quer pôr fim às mortes de nossos jovens por objetivos ilusórios”, escreveu Pugacheva, afirmando que, desde o início da guerra, a Rússia se tornou um “Estado pária”, onde a vida para os cidadãos é cada vez mais difícil.

Pugacheva, de 73 anos, é considerada uma das maiores vozes da música russa nos séculos XX e XXI, e vendeu mais de 250 milhões de álbuns ao longo de sua carreira, iniciada ainda nos tempos da União Soviética. Em 2000, foi apontada como a “deusa do pop russo” pelo New York Times, e homenagens prestadas a ela, inclusive pelo presidente Vladimir Putin, eram recorrentes: em 2014, recebeu do Kremlin a Ordem por Mérito à Pátria, uma das mais elevadas honrarias do Estado russo.

Contudo, logo depois do início da guerra, em fevereiro, Pugacheva deixou a Rússia rumo a Israel, embora sem fazer críticas públicas à guerra, ao contrário de seu marido, Maksim Galkin, um comediante que não tem poupado críticas ao governo e à invasão do país vizinho. Nos últimos meses, ele tem feito shows na Europa e em Israel, sempre com as casas lotadas e repletos de comentários contra o presidente Vladimir Putin.

No início do mês, Pugacheva voltou à Rússia para “pôr as coisas no lugar”, em declarações citadas pela imprensa russa, e disse que planejava mandar seus filhos para a escola no país.

Na sexta-feira, seu marido foi incluído na lista de “agentes estrangeiros”, uma categoria criada em 2012 na qual as pessoas e instituições precisam declarar publicamente que recebem apoio ou estão sendo influenciadas por elementos localizados fora da Rússia — em muitos casos, a legislação é aplicada após “denúncias” de recebimento de verbas externas ou simplesmente após declarações malvistas pelo governo. Constam da lista dissidentes, organizações de defesa dos direitos humanos, veículos independentes de imprensa e centros de estudos e pesquisa.

Na mensagem do Instagram, a cantora faz o pedido diretamente ao Ministério da Justiça russo, que ainda não respondeu. O Kremlin também não fez comentários — no início do mês, o secretário de Imprensa da Presidência, Dmitry Peskov, ao mesmo tempo em que chamou as declarações de Galkin sobre a guerra de “muito ruins”, disse que Pugacheva ainda estava do lado do governo.

Pugacheva é a mais importante artista russa a fazer críticas públicas à guerra na Ucrânia. Em março, a cantora Zemfira, um dos ícones do rock no país, deixou a Rússia e gravou uma música denunciando o conflito. O rapper Oxxxymiron, que também vive no exterior, chegou a organizar shows com artistas russos para levantar fundos para as vítimas do conflito.

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