Quem são as parlamentares indígenas, trans e feministas eleitas em 2022

Essas mulheres vão levar a pauta da diversidade de raça, gênero e sexualidade para o debate público
Por Malu Pinheiro (@mariluisapp)

Sônia Guajajara, Duda Salabert, Célia Xakriabá e Erika Hilton – Foto: Instagram | Arte: Vic Polak

Neste domingo, 2 de outubro, brasileiros foram às urnas para eleger presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Para entender o cenário que se formou, é preciso entender como funcionam as instituições no Brasil – que têm separação de poderes, garantindo que não sejam concentradas em um grupo específico de pessoas. Elas são: Legislativo, Executivo e Judiciário.

O poder Legislativo tem como função legislar e fiscalizar os atos do Executivo. Em outras palavras, são aqueles que irão elaborar, aprovar, administrar e julgar projetos de leis. No âmbito federal, o poder legislativo é exercido pelo Congresso Nacional – composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. No plano estadual, este poder é exercido pelas Assembleias Legislativas por meio dos deputados estaduais.

Congresso Nacional

Brasileiros elegeram 513 deputados federais que, pelos próximos quatro anos, representarão os estados do País no Congresso Nacional. Desse número total, 99 são do Partido Liberal e aliados do atual presidente da República Jair Bolsonaro, tornando-se a maior bancada do Parlamento e de ideologia alinhada à extrema-direita. Nomes como o da deputada Bia Kicis, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – todos do PL – obtiveram votação expressiva.

Por outro lado, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a Antra, essa foi a eleição com o maior número de candidaturas trans no Brasil – foram 80 candidatas, sendo 38 federais e 41 estaduais. Apenas duas foram eleitas no Congresso. Erika Hilton (PSOL) foi eleita a primeira travesti na Câmara dos Vereadores de São Paulo em 2020 e, agora, obteve 256 mil votos como deputada federal. Já Duda Salabert (PDT) conseguiu a vaga no Congresso com 208 mil votos. Ela também foi a primeira vereadora trans de Belo Horizonte em 2020.

“Foram vitórias históricas, porque moramos no país em que 90% das travestis é transexuais estão na prostituição. Nossa expectativa de vida não supera 40 anos”, escreveu Duda em suas redes sociais. Ela, inclusive, foi vítima de diversas ameaças durante sua campanha e precisou ir votar com um colete à prova de balas.

Duas das cadeiras do Congresso Nacional também irão ser ocupadas por mulheres indígenas – uma vitória considerada histórica. Sônia Guajajara (PSOL) e Célia Xakriabá (PSOL) foram eleitas como deputadas federais. A primeira vez que o Congresso Nacional teve uma mulher indígena em sua composição foi em 2018 (tipo, ontem!) em mais de 190 anos de história.

“156.963 pessoas que acreditam que os povos indígenas devem estar no Congresso Nacional, ocupando os espaços de decisão. Isso é muito emocionante! Obrigada por acreditarem que podemos construir um futuro diferente, que respeite a vida das pessoas e da Mãe Terra”, escreveu Sônia.

Célia e Sônia terão um desafio e tanto pela frente, uma vez que a pauta ambiental e a proteção dessas culturas desidrataram no atual governo. Outro nome que terá que brigar pela pauta é o de Marina Silva (Rede), que também foi eleita deputada federal por São Paulo e, atualmente, é a maior defensora ambiental do Brasil. A título de comparação, Marina recebeu 237 mil votos – Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente e investigado por exportação ilegal de madeira, obteve 639 mil.

Assembleia legislativa

Nas Assembleias, também houveram pequenas vitórias. Linda Brasil (PSOL) se tornou a primeira deputada estadual trans eleita em Sergipe. No Rio de Janeiro, Dani Balbi (PCdoB) obteve o feito. Carolina Iara (PSOL) continua o legado de Erica Malunguinho em São Paulo. Em São Paulo, a Bancada Feminista (PSOL) cresceu e passou de 19 para 25 candidatas eleitas em 2023. Ainda assim, a Alesp terá apenas 27% das cadeiras ocupadas por mulheres.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, 31 milhões de eleitores não foram votar. Este é o índice de abstenções no primeiro turno das eleições – 20,89%. São aqueles que poderiam ter ido às urnas mas, por algum motivo, não foram. Foi o maior índice de ausentes desde as eleições de 1998.

Vale lembrar que o processo eleitoral também é uma instituição – e muito importante para nossa democracia. “Às vezes, achamos que o nosso voto é pouco individualmente, e é mesmo, mas participar do processo eleitoral é se comprometer com a vida coletiva política que combinamos ter“, disse Gabriela Rosa, doutoranda em ciência política na Universidade de São Paulo, em entrevista à Glamour. A formação de cidadãos mais democráticos passa por uma participação ativa. Se, de um lado, a gente tem que se importar porque vivemos em uma democracia, do outro, a nossa democracia é tão mais saudável quanto mais a gente está engajada e informada. E seremos eternamente responsáveis por nossos votos (ou a omissão deles).

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