Bancos que financiam compra do Twitter por Musk podem ter grandes perdas

Instituições se comprometeram a fornecer US$ 12,5 bilhões ao negócio
Anirban Sen

Edição de foto de Elon Musk ao lado de logos do Twitter – Dado Ruvic – 28.abr.22/Reuters

A nova reviravolta de Elon Musk na compra do Twitter não poderia ter chegado em pior hora para os bancos que financiam uma grande parte do negócio de US$ 44 bilhões.

Como em qualquer grande aquisição, os bancos procurariam vender a dívida para tirá-la de seus livros. Mas os investidores perderam o apetite por dívidas mais arriscadas, como empréstimos alavancados, assustados com os rápidos aumentos das taxas de juros em todo o mundo, temores de recessão e volatilidade do mercado impulsionada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Grande parte dos US$ 44 bilhões a serem pagos por Musk virá da venda de sua participação na fabricante de veículos elétricos Tesla e do financiamento de capital de grandes investidores. Ainda assim, os principais bancos se comprometeram a fornecer US$ 12,5 bilhões.

Entre as instituições estão Morgan Stanley, Bank of America e Barclays. Mitsubishi UFJ Financial Group, BNP Paribas, Mizuho e Société Générale também estão inclusos.

Citando outras perdas recentes de alto nível acumuladas pelos bancos em financiamentos arriscados, mais de dez banqueiros e analistas do setor disseram à Reuters que as perspectivas eram ruins para os bancos que tentavam vender a dívida.

O ‘pacote’ de dívida do Twitter é composto por US$ 6,5 bilhões em empréstimos alavancados, US$ 3 bilhões em títulos garantidos e outros US$ 3 bilhões em títulos sem garantia.

“Do ponto de vista dos bancos, isso não é o ideal”, disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities. “Os bancos estão de costas para a parede – eles não têm escolha a não ser financiar o negócio.”

Fontes de financiamento de risco também disseram anteriormente à Reuters que as perdas potenciais para os bancos de Wall Street envolvidos na dívida do Twitter podem chegar a centenas de milhões de dólares.

O Société Générale não respondeu a um pedido de comentário, enquanto os outros bancos não comentaram. O Twitter não comentou. Musk não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Na semana passada, um grupo de bancos teve que cancelar esforços para vender US$ 3,9 bilhões em dívida que financiou o acordo da Apollo Global Management para compra dos ativos de telecomunicações e banda larga da Lumen Technologies.

O cancelamento ocorreu logo após um grupo de bancos ter que arcar com uma perda de US$ 700 milhões na venda de cerca de US$ 4,55 bilhões em dívidas que respaldavam a compra da empresa de software empresarial Citrix Systems.

“Os bancos estão em dificuldade com o Twitter – eles sofreram uma grande perda no negócio da Citrix há algumas semanas e estão enfrentando uma dor de cabeça ainda maior com este negócio”, disse Chris Pultz, gerente de portfólio de arbitragem de fusões da Kellner Capital.

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