O hobby que virou profissão: interesse pela carreira de DJ cresceu nos últimos cinco anos

Academia Internacional de Música Eletrônica diz que, no passado, a maioria das pessoas que buscavam curso na área queriam apenas um passatempo
Por Madson Gama — Rio de Janeiro

Aimec RJ insere alunos do curso de DJ, como Heload, em grandes festivais de música Foto:  Divulgação/Aimec RJ

Uma pista de dança bem movimentada — com um público entusiasmado e envolvido pela música — é um dos termômetros para medir a qualidade de um DJ. E é crescente o número de pessoas que buscam ganhar a vida fazendo a alegria de outras dessa forma. A Academia Internacional de Música Eletrônica (Aimec RJ), escola de DJs localizada no Shopping Downtown, na Barra, aponta o aumento do interesse pela profissionalização na área.

De acordo com a instituição, hoje, 70% dos seus alunos procuram a escola para se qualificar e trabalhar no ramo. Esse número não chegava nem a 10% cinco anos atrás, quando a maioria das pessoas que buscavam seus cursos tinha o ofício de DJ apenas como um hobby, conta Rafael Nazareth, professor e sócio do espaço.

— Antes, as pessoas não consideravam a área de DJ muito como uma profissão. O marco dessa mudança foi quando alguns DJs internacionais, como o David Guetta, estouraram, saindo de eventos específicos de música eletrônica para outros maiores, tornando-se populares inclusive nas plataformas digitais. No Brasil, temos o bem-sucedido Alok — explica. — Os cachês também começaram a aumentar drasticamente, e tornou-se mais atrativo entrar nessa profissão, que deixou de ser vista como algo sem futuro. Hoje em dia, DJ pode ter reconhecimento e ser considerado artista.

 Raphael Porto (à esquerda), Rafael Nazareth e Cléber Júnior são os sócios da escola de DJs Aimec Rio — Foto: Divulgação/Aimec RJ
Raphael Porto (à esquerda), Rafael Nazareth e Cléber Júnior são os sócios da escola de DJs Aimec Rio — Foto: Divulgação/Aimec RJ

Nazareth destaca ainda que a tecnologia tornou mais rápido e fácil o aprendizado na área e barateou os equipamentos.

— Hoje, temos basicamente três perfis de alunos na Aimec RJ. Um deles é o de pessoas que só querem um hobby e entram para aprender como se fosse um instrumento, a fim de chamar os amigos para casa em ocasiões especiais, por exemplo, e se divertir. O outro é de profissionais como advogados, engenheiros e empresários que, inicialmente, desejam ter a área como uma segunda profissão, após perceberem que é possível fazer uma boa renda; além dos que buscam uma carreira de sucesso — detalha.

Os novos talentos da escola, ressalta Nazareth, têm a oportunidade de vivenciarem as primeiras experiências profissionais em grandes festivais organizados por parceiros do espaço. No ano que vem, cerca de 20 DJs da instituição se apresentarão em um palco especial do Deep Please Festival, megaevento de música eletrônica organizado por uma agência liderada por Cléber Júnior e Raphael Porto, que são sócios da Aimec RJ.

Aluno da Aimec, o DJ LVKS teve a oportunidade de tocar na edição deste ano da Deep Please Festival, megaevento de música eletrônica — Foto: Divulgação/Aimec RJ
Aluno da Aimec, o DJ LVKS teve a oportunidade de tocar na edição deste ano da Deep Please Festival, megaevento de música eletrônica — Foto: Divulgação/Aimec RJ

— Nós, sócios, somos também produtores de eventos e estamos inseridos no mercado. Assim, conseguimos colocar alunos que se destacam e querem seguir carreira em festas que promovemos e em grandes eventos de que somos parceiros. Para isso, fazemos um concurso interno — explica Nazareth. — É uma oportunidade maravilhosa ter essa vitrine tão cedo. Certamente, eles só conseguiriam isso depois de anos de estrada. Nós encurtamos o grande abismo que existe entre se formar e conseguir as primeiras experiências para rentabilizar todo o aprendizado.

O professor esclarece que existem dois tipos de DJs: aqueles que tocam em eventos sociais, como em casamentos e festas de aniversários, e precisam adaptar o repertório ao perfil de cada um; e os que embalam festivais, seguindo uma linha mais autoral e artística e sendo reconhecidos por seu estilo.

— Oferecemos a parte teórica, apresentando a história dos estilos musicais, da profissão e dos equipamentos, para os alunos entenderem a evolução. Depois, ensinamos a operar esses dispositivos, a fazer mixagens, os diferentes formatos de música e como reuni-las — afirma Nazareth. — O curso mais básico dura 66 horas, e as pessoas já saem num nível para começar sua história no mercado.

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