Consultoria global McKinsey tem ‘história secreta’ revelada em livro

Empresa diz que jornalistas focam mais práticas do passado do que mudanças implementadas no presente

O pretinhEmpresa diz que jornalistas focam mais práticas do passado do que mudanças implementadas no presenteo básico do capitalismo do século 21 é a linguagem corporativa piedosa. Executivos exibem suas práticas ESG (sigla em inglês para princípios ambiental, social e de governança corporativa). A ideia de que o lucro a qualquer custo e o bem-estar social andam lado a lado é a narrativa de negócios vendida na mídia, nas escolas e em gabinetes corporativos.

Poucas multinacionais se apresentam como vestais virtuosas quanto a McKinsey & Company, consultoria com escritórios em 60 países e 40 mil empregados. A mesma admirada McKinsey, conhecida no Brasil por orientar ONGs e empreendedores sociais, colecionou, em quase cem anos, um currículo nefasto agora detalhado num livro recém-lançado nos EUA.

Walt Bogdanich e Michael Forsythe, ambos repórteres do New York Times, são os autores de “When McKinsey Comes to Town: The Hidden Influence of the World’s Most Powerful Consulting Firm” (quando a McKinsey chega: a história oculta da empresa de consultoria mais poderosa do mundo).

O livro mostra como a consultoria está presente em decisões que marcaram a história recente, especialmente a partir da segunda metade do século 20.

O dedo da McKinsey já pôde ser encontrado nas práticas do serviço de imigração americano durante o governo Trump, nos corredores do regime da Arábia Saudita, na indústria do tabaco que mata 480 mil americanos por ano e na epidemia de opioides que matou mais de meio milhão nos EUA em duas décadas.

Em 2021, a McKinsey enfrentou um raro momento de responsabilidade pública, ao aceitar uma multa de US$ 573 milhões por seu papel na crise de opioides, depois que ficou comprovado que a empresa instruiu a indústria farmacêutica a multiplicar exponencialmente a venda das drogas. Como parte do acordo, a McKinsey não admitiu qualquer malfeito.

No caso da Arábia Saudita, depois da execução do jornalista Jamal Khashoggi, a McKinsey aumentou a carteira de clientes no reino. Acusada, por um amigo exilado de Kashoggi, de ter criado uma apresentação de slides que ajudou o regime a identificar dissidentes, a consultoria diz que não tem mais Riad como cliente e que criou um novo critério para aceitar novos contratos. [Lúcia Guimarães]

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