‘O Menino Maluquinho’ vira série animada com Julieta negra e bênção de Ziraldo

Produção da Netflix aposta em diversidade e comédia para tentar modernizar clássico infantil lançado em 1980
Guilherme Luis

Cena da série animada 'O Menino Maluquinho', lançada pela Netflix
Cena da série animada ‘O Menino Maluquinho’, lançada pela Netflix – Divulgação

SÃO PAULO – A Netflix vai lançar uma série animada baseada em “O Menino Maluquinho” nesta quarta-feira (12), quando é comemorado o Dia das Crianças. A produção é baseada no livro clássico de Ziraldo, publicado em 1980, e em quadrinhos e materiais extras lançados pelo quadrinista.

Nos episódios, o garoto levado vive situações que são inusitadas e, ao mesmo tempo, comuns para uma criança da vida real. A intenção é divertir a audiência mirim sem distanciá-la do personagem.

Num dos primeiros capítulos, por exemplo, Maluquinho vai passar um dia na casa do avô, que não vê há tempos. O idoso só quer saber de paz e sossego para cuidar de suas plantas –até que precisa dar um jeito na própria coluna para correr e saltar atrás do garoto sapeca, que furta um dos seus vegetais. No final, os dois percebem como gostam da companhia um do outro, apesar da distância.

Família é um tema caro a Carina Schulze, showrunner e uma das responsáveis pelo roteiro. Ela conta que o fato de os pais do Maluquinho se divorciarem no livro original a fez se identificar com a história. No novo seriado, eles também se separam e o garoto precisa aprender a lidar com uma cidade, escola e amigos novos.

Para adaptar a obra-prima de Ziraldo, Schulze esteve à frente de uma equipe de roteiristas que tinha até comediantes. Inserir piadas que fizessem sentido para as crianças de hoje foi uma das maneiras encontradas para modernizar a trama criada em 1980.

Mas não foi só isso. Julieta, uma das personagens mais importantes do livro original, deixou de ser branca para virar negra na série da Netflix. A mudança ocorreu justamente para tentar atualizar a obra, diz Rodrigo Olaio, um dos produtores do seriado.

“Ziraldo gostou muito da ideia, achou massa, não teve grandes discussões”, afirma. “Trouxemos mais ritmo, comédia e diversidade para fazer uma série com cara de 2022”, diz Schulze.

Prestes a completar 90 anos, Ziraldo já viu seu livro virar filme, série de televisão aberta e até musical, todos com atores de carne e osso. Os produtores afirmam que ele esteve envolvido com o seriado animado desde o início da produção –a ideia começou a ser discutida em 2017, há cinco anos.

“Ele que aprovou a bíblia”, diz Olaio, como se Ziraldo tivesse dado uma espécie de bênção religiosa à série. Sua fala na verdade significa que o cartunista concordou com um documento criado para definir regras importantes sobre personagens, direção artística e o estilo musical, por exemplo. “A bíblia desse projeto era uma monstruosidade, tinha muitos elementos”.

Diferentemente de “Turma da Mônica”, clássico infantil que atravessou as décadas e continuou popular graças às suas reinvenções, “O Menino Maluquinho” não é uma obra muito famosa entre a geração atual. Mas os produtores não consideram que isso possa atrapalhar o sucesso comercial da série. “Vamos conseguir falar com adultos e crianças se seguirmos os direcionamentos de Ziraldo”, afirma Schulze.

A produção será dividida em três partes –a primeira terá nove episódios e as outras duas ainda não têm data de estreia.

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