Air Supply: ‘O amor que cantamos não é sobre casais heterossexuais. Amor é amor’

Duo australiano dos mais vitoriosos da música romântica faz show no Brasil e fala ao Estadão sobre carreira, paixão e voz
Por Julio Maria

O duo Air Supply
O duo Air Supply  Foto: Espaço Unimed Hall

Aos que tiverem disposição para um teste rápido: ligue o rádio agora mesmo e busque pelas rádios românticas que eles estarão lá. O Air Supply é onipresente e acumula um conjunto de canções mais famosas do que seu próprio nome. As pessoas podem não se lembrar do que é Air Supply e não saberem quem são Graham Russell e Russell Hitchcock, os dois cantores, mas reconhecerão imediatamente gatilhos emocionais como Lost In LoveGoodbyeHere I AmSweet DreamsMaking Love Out of Nothing at All e Without You. São elas que ajudam a aumentar as taxas populacionais pelo mundo nos últimos 50 anos.

Russell e Hitchcock se apresentam hoje, no Espaço Unimed Hall, e responderam às perguntas do Estadão sobre o aumento da busca pelos sons nostálgicos nas plataformas de streaming, a origem de suas canções e a relação do cancioneiro romântico com o amor livre, entre pessoas do mesmo sexo. Generosos, os dois australianos estão juntos desde 1975 e sabem como poucos o que funciona em uma canção. Há ciência nisso? “Não, não há. Esqueça isso. Uma boa música é uma boa música, e vem do ar, Air Supply, entendeu?”, diz Hitchcock. Russell completa: “Uma equação matemática não é uma música, ciência e métrica não fazem uma boa música, o que faz uma boa música é o amor.”

Algumas pesquisas recentes mostraram que as pessoas estão cada vez mais procurando por músicas antigas, por memórias afetivas. Estamos vivendo o tempo da nostalgia como nunca, senhor Graham Russell? “As pessoas estão sempre à procura de boas músicas, e acredito que esse seja um dos motivos que levam os Beatles a continuarem tão populares quanto foram há 50, 60 anos. Acho que as pessoas procuram por isso, ainda mais num tempo em que existe tanta música, a maioria genérica. Não há mais diversidade musical.”

ORIGENS. Sobre a origem de algumas canções, Graham vai falando:

A) Making Love Out of othing at All: “Essa foi trazida por um empresário nosso da época, e concluímos que seria uma boa ideia adicioná-la. Gravamos em Nova York com músicos incríveis da banda de Bruce Springsteen. Um dos nossos maiores hits.” B) All Out of Love: “Foi sucesso na Austrália, em 1978, mas não foi um hit no resto do mundo até 1980. Tivemos de esperar dois anos. Ela foi escrita em meia hora.” C) Goodbye: “Ficou especialmente famosa nas Filipinas.” D) I Can Wait Forever: “David Foster e nós a escrevemos durante um evento em cerca de uma hora. Mais uma vez, Russell surpreendeu com a voz fantástica. Pegou no primeiro take.” E) Lost In Love: “Foi nosso primeiro grande hit mundial, e escrita em 15 minutos, simples, e, mais uma vez, é um testamento para a voz de Russell, no final, onde ele atinge notas altas, o que não foi algo que havíamos planejado. Ele fez e ficamos, tipo, “uau!”, não esperávamos aquilo.”

O amor subentendido em cada canção romântica dos anos 70 é o amor hétero. Mas como fica isso num mundo que tem rediscutido esses formatos da indústria cultural, fazendo as pessoas olharem para um amor mais livre de gêneros? Russell Hitchcock diz: “O amor que cantamos não é sobre casais heterossexuais, homossexuais, transgêneros… Uma canção de amor é uma canção de amor, se você está envolvido com alguém, tira o que pode daquela música. Não se escreve uma música de amor para marido e mulher, marido e marido ou mulher e mulher, não faz o menor sentido. O amor é um sentimento universal, não importa qual o seu gênero, nada assim. Amor é amor.”

VOZ. É importante falar ainda sobre a voz de Russell Hitchcock, 73 anos. Ela não é a mesma de sua juventude, e não chega aos lugares altos do passado. Ele fala sobre isso um pouco sem jeito. “Talvez para algumas poucas músicas, senti a necessidade de abaixar um tom. Sei também que minha voz soa muito mais profunda. Algumas vezes escuto a Lost In Love original e pareço uma garota cantando. Fui sortudo o suficiente para manter a qualidade que sempre tive.”

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