Elisabeth Roudinesco afirma que o racismo e a homofobia crescem com extrema direita

Psicanalista francesa criticou o extremismo durante uma videoconferência no Fronteiras do Pensamento, realizado em SP

A psicanalista e escritora francesa Elisabeth Roudinesco

SÃO PAULO – A psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, de 78 anos, falou sobre definições de identidade no ciclo Fronteiras do Pensamento, em São Paulo, nesta segunda-feira (17).

Por videoconferência, ela discorreu ainda sobre temas como homossexualidade e racismo e comentou o impacto do extremismo na política. A historiadora não veio ao Brasil por causa de um problema de saúde nos olhos.

“Existe racismo e homofobia, é óbvio, e isso está crescendo com ascensão da extrema direita”, disse.

Para Roudinesco, é necessário criticar todas as formas de extremismo, tanto os reacionários que não aceitam mudança como os aventureiros que aceitam tudo sem uma visão analítica. Os dois lados, combinados, facilitam o avanço da extrema direita, segundo ela.

Considerada a mais importante historiadora da psicanálise, Roudinesco possui uma obra extensa. A intelectual teve a maioria dos seus livros editados e publicados no Brasil pela editora Zahar.

Sua produção é geralmente lida por quem se interessa pelo legado de Sigmund Freud e Jacques Lacan, psicanalistas que ela já biografou, além de assuntos como feminismo, Revolução Francesa e judaísmo.

Roudinesco é professora na Universidade de Paris 7 e escreve sobre os temas no jornal Le Monde.

A pensadora ainda falou sobre a construção de identidades, tema discutido em “O Eu Soberano: Ensaio sobre as Derivas Identitárias”, livro lançado em fevereiro deste ano.

“Os sexos não são mais divididos como mulheres donas de casa e homens nas guerras. Prefiro sublinhar que não se nasce isto ou aquilo, se nasce humano e se torna humano, quer sejamos homem ou mulher, homossexuais, bissexuais ou transsexuais.”

Ela seguiu: “Não existem várias raças no mundo, apenas a humana. O que temos são diferentes de pigmentação na pele. Isso não significa que não existe racismo”.

Depois, analisou o processo nocivo de dominação entre duas pessoas. “A vítima pode se tornar um carrasco e vice-versa. Nunca devemos perder a esperança, afinal o ser humano é capaz de se libertar de opressores”, afirmou, antes de dedicar a palestra a Sergio Paulo Rouanet, que foi secretário da Cultura e morreu em julho.

O ciclo Fronteiras do Pensamento tem só mais uma palestrante em sua programação, nos dias 7 e 9 de novembro. Será Marcelo Gleiser, em São Paulo e depois em Porto Alegre.

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