Queda no lucro dos grandes bancos americanos mostra que pior está a caminho

Ganho combinado das 7 maiores instituições caiu 22,73% em um ano; temor de recessão levou a reforço de provisões contra perdas
Por Aline Bronzati

Foto: Carlo Allegri/Reuters

Os grandes bancos norte-americanos reforçaram o coro de que o pior está por vir, ao abrir a temporada de resultados do terceiro trimestre nos Estados Unidos. Os lucros caíram dois dígitos, quando comparados um ano antes, em meio à contínua fraca atividade de bancos de investimentos, apesar da subida de juros no país, que beneficia as receitas. Pesou ainda um reforço bilionário nas provisões para futuras perdas e que chancelou um sombrio diagnóstico dos banqueiros de Wall Street para a economia, o que impacta em cheio os negócios.

O lucro líquido combinado de Bank of AmericaCitigroupGoldman Sachs, JPMorgan ChaseMorgan Stanley e Wells Fargo alcançou US$ 29,545 bilhões no terceiro trimestre. O montante representa um baque de 22,73% em um ano, quando foram registrados US$ 38,238 bilhões. A baixa equivale a cerca de um trimestre de lucro do JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos em ativos.

“Um fator que contribui para o declínio é que os bancos estão relatando provisões significativamente mais altas para perdas com empréstimos no terceiro trimestre em relação a 2021″, diz o vice-presidente e analista sênior da FacSet, John Butters.

Colchão

Depois de elevar drasticamente o colchão para empréstimos arriscados no primeiro semestre de 2020 em meio à covid-19, no ano passado, os bancos nos EUA reduziram substancialmente essas reservas na esteira da recuperação econômica e o relaxamento das restrições por conta da pandemia. Agora, voltam a reforçá-las com temores crescentes de recessão no país e no mundo, como reflexo do agressivo aperto monetário para controlar a escalada da inflação. No terceiro trimestre, os seis maiores bancos dos EUA fizeram um reforço de cerca de US$ 2,5 bilhões para futuras perdas.

O reforço das provisões é bem-visto no mercado. “A maioria dos grandes bancos parece estar bem preparada para uma desaceleração, já que os índices de capital permanecem saudáveis e as recompras de ações foram adiadas mais por razões regulatórias do que econômicas”, avalia o chefe de pesquisa de ações do Julius Bär, Philipp Lienhardt.

Os grandes bancos nos EUA mantêm quase US$ 1 trilhão em capital, cifra que cresceu nos últimos anos, segundo o Financial Services Forum, entidade que defende os interesses dos grandes bancos em Washington. Além disso, essas instituições fizeram reforços adicionais após testes de estresse do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mais duros do que do ano passado, e novos aumentos estão previstos para 2023.

Jane Fraser, presidente do Citigroup, diz que recessão será sentida a partir deste trimestre
Jane Fraser, presidente do Citigroup, diz que recessão será sentida a partir deste trimestre  Foto: Drew Angerer/AFP

Como pano de fundo, a perspectiva de que o cenário ainda vai se deteriorar mais para começar a melhorar. “Há evidências acumuladas de desaceleração do crescimento global, e agora esperamos experimentar uma recessão contínua no país a partir deste trimestre”, disse a presidente do Citigroup, Jane Fraser, a investidores, acrescentando que a perspectiva de uma deterioração global se confirmou

Em compasso de espera, CEOs miram oportunidades

Com o cenário econômico sombrio, os CEOs estão em compasso de espera, de acordo com o presidente do Goldman Sachs, David Solomon. “Eles me dizem que estão repensando as oportunidades de negócios e gostariam de ter mais certeza antes de se comprometer com planos de longo prazo”, disse, a investidores e analistas, esta semana.

Em meio a projeções mais duras para a economia, o Goldman Sachs anunciou que vai reorganizar seus negócios em três áreas centrais: gestão de ativos e de patrimônio (asset & wealth management), banco de investimento e mercados globais (global banking & markets) e gestão de plataformas (platform solutions). O negócio de varejo ficará dividido entre as duas últimas.

David Salomon, CEO do Goldman Sachs, diz que o banco está recuando em negócios no varejo
David Salomon, CEO do Goldman Sachs, diz que o banco está recuando em negócios no varejo  Foto: Mike Blake/Reuters

Criticado por suas ambições no banco de consumo, o CEO do Goldman Sachs afirmou que o banco está recuando em negócios de varejo que não são rentáveis. Mas disse que a estratégia e as metas do gigante de Wall Street estão mantidas. “As mudanças fortalecerão ainda mais nossos negócios principais,” afirmou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.