Marcas apostam na “anti-inovação”, com produtos à moda antiga, naturais e duráveis

Exemplos de duas grifes de decoração em Nova York questionam a máquina da indústria de tendências e o consumo exagerado, descartável

Tapetes artesanais da grife Cicil. Foto: Divulgação

Em um mundo onde a tecnologia evolui a cada segundo, marcas começam a nadar contra a correnteza das tendências ao propor andarmos alguns passos de volta. Produtos feitos de forma artesanal conquistam paladares e espaços na decoração de casas e no guarda-roupas dos consumidores, com o apelo de um consumo consciente de materiais e uma durabilidade maior, com respeito à mão de obra envolvida no trabalho.

Nos Estados Unidos, duas marcas novaiorquinas trazem essa ideia, cada uma a seu modo. Enquanto a startup Cicil resgatou o método tradicional de trabalhar tapetes de lã no tear, a The Citizenry (“A Cidadania”) reúne artesanato de diversas partes do mundo.

“A fabricação padrão é projetada para ser rápida, barata e uniforme”, afirma Carly Nance, cofundadora. “A esmagadora maioria da produção têxtil não considera fatores além disso, e está claro que essa receita teve um preço maior.” Na Citizenry, a varejista trabalha com fornecedores que incluem mulheres do Afeganistão que precisavam encontrar novas rotas para vender tapetes feitos à mão depois que o Talibã assumiu o controle do país.

A loja paga aos artesãos, em média, duas a três vezes mais do que os padrões do comércio, informa reportagem da revista Fast Company. É um tipo de negócio que aposta na consciência dos consumidores, que terão que parar de pensar em tapetes como baratos e descartáveis.

“Comércio justo tem um preço diferente e os consumidores estão começando a apreciar isso. Há um interesse renovado em peças que são feitas para serem repassadas por gerações.”

Tapetes comercializados pela The Citizenry. — Foto: Divulgação
Tapetes comercializados pela The Citizenry. — Foto: Divulgação

A durabilidade é também um ponto importante no conceito da Cicil, que encontrou matéria-prima em um tipo de lã que estava sendo jogado fora. Tendo o material, e não a tendência, como ponto de partida, as sócias viram o negócio tomar forma.

Os fornecedores da Cicil são uma cooperativa que trabalha com pequenos produtores de lã no norte de Nova York, que tinham um material considerado grosso demais para peças como suéteres. “Não tem um mercado muito bem estabelecido”, diz Laura Tripp, que assim como a parceira Caroline Cockerham, passou uma década trabalhando para grandes marcas de moda.

“Por ser produzida em pequenos lotes por pequenos agricultores, eles não têm onde vender essa lã, que acaba sendo jogada fora ou até queimada. Conseguimos desbloquear uma cadeia de fornecedores que reúne esse material e transformá-lo em algo de alto valor.”

A empresa fabrica tapetes em que a lã não é tingida; para fazer tons de cinza, as designers misturam lã preta e marrom. Uma fábrica têxtil de terceira geração no estado da Carolina do Norte, com algumas das últimas máquinas para trançar lã nos Estados Unidos, processa os fios, que depois são entrelaçados de maneira tradicional.

Maquinário utilizado por prestadores de serviço da grife Cicil, que fabrica tapetes artesanais. — Foto: Divulgação

“Estamos tentando simplificar as coisas o máximo possível e fazer a pergunta: por que precisamos mudar isso?”, afirma Tripp. A Cicil consegue manter seus preços competitivos, segundo a Fast Company (Um tapete circular de 1,80 m custa R$ 4.363), mas, como a The Citizenry, elas querem que os consumidores valorizem “o número literal de mãos que tocaram este produto, do campo à fábrica para levá-lo ao cliente”.

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