Google terá que pagar US$ 391,5 milhões a 40 estados americanos por rastrear localização sem autorização

Segundo autoridades estaduais, esse será o maior acordo de privacidade da história dos EUA
Por Bloomberg — Mountain View, Califórnia

Google terá que pagar US$ 391,5 milhões por rastrear localização mesmo não autorizado – Foto: Bloomberg

O Google concordou em pagar um total de US$ 391,5 milhões a 40 estados dos EUA para resolver uma investigação sobre as práticas de rastreamento de localização da empresa, no que as autoridades estaduais estão chamando de o maior acordo de privacidade da história dos EUA.

A unidade da Alphabet “melhorará significativamente” suas divulgações de rastreamento de localização e controles de usuários a partir do próximo ano como parte do acordo, segundo um comunicado divulgado na segunda-feira pela procuradora-geral do Oregon, Ellen Rosenblum, que liderou as negociações com seu colega de Nebraska, Doug Peterson.

Rosenblum chamou as práticas do Google de “ardilosas e enganosas”.

“Durante anos, o Google priorizou o lucro sobre a privacidade de seus usuários”, disse ela. “Os consumidores achavam que tinham desativado seus recursos de rastreamento de localização no Google, mas a empresa continuou a registrar secretamente seus movimentos e usar essas informações para os anunciantes”.

Aborto e privacidade

O histórico de localização tornou-se um tópico particularmente delicado após a decisão da Suprema Corte dos EUA anulando o direito ao aborto, em meio a temores de que a polícia e os promotores possam usar esses dados para rastrear os movimentos das mulheres e impor as proibições estaduais.

O Google disse anteriormente que excluiria automaticamente os registros de visitas de usuários a locais sensíveis, incluindo clínicas de aborto, respondendo às preocupações.

A investigação em vários estados foi desencadeada por um artigo da Associated Press de 2018 relatando que o Google “registra seus movimentos mesmo quando você explicitamente diz para não fazer isso”, de acordo com uma declaração separada da procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel.

Os estados citaram problemas com duas configurações da conta do Google: Histórico de Localização e Atividade na Web e de Aplicativos.

O Google disse que as políticas em questão desapareceram há muito tempo.

“Consistente com as melhorias que fizemos nos últimos anos, encerramos esta investigação com base em políticas de produtos desatualizadas que mudamos anos atrás”, disse o porta-voz José Castañeda em comunicado.

Privacidade e vendas de anúncios

O Google pode rastrear a localização dos usuários com sensores em seus dispositivos que se conectam com GPS, torres de celular e sinais Wi-Fi e Bluetooth, disse o procurador-geral de Nova Jersey, Matt Platkin, em comunicado, acrescentando que pode usar esses sinais para rastrear a localização de alguém “tanto dentro como fora dos prédios”, disse.

“Plataformas digitais como o Google não podem alegar que fornecem controles de privacidade para os usuários e depois ignorar esses controles para coletar e vender dados aos anunciantes”, disse Platkin.

Em 2020, o Arizona processou o Google pela prática e, no início deste ano, garantiu um acordo de US$ 85 milhões. O estado acusava o Google de violar a Lei de Fraude do Consumidor do estado ao coletar dados de localização mesmo depois que os usuários optaram por não utilizar esse recurso.

Segundo a procuradora-geral de Michigan, os requisitos de transparência do acordo de 40 estados “garantirão que o Google não apenas informe os usuários sobre como seus dados de localização estão sendo usados, mas também como alterar as configurações de sua conta se desejarem desativar a opção localização, excluir o dados coletados e definir limites de retenção de dados.”

Separadamente, a Meta Platform pagará US$ 90 milhões para resolver um processo sobre o uso de cookies de navegador e o botão “Curtir” do Facebook para rastrear a atividade do usuário. O acordo obteve a aprovação final de um tribunal federal da Califórnia em 10 de novembro.

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