Motorola propõe reviravolta na provocação que a Samsung fez com a Apple

Nem iPhone 8, nem Galaxy 8: história continua exatamente do ponto em que o comercial da Samsung parou

Se no começo de novembro, a Samsung resolveu tirar sarro da Apple, a Motorola gostou da brincadeira e resolveu fechar o mês superando as duas concorrentes: a partir do final do vídeo da Samsung, a marca continuou a história em que, ao final, a moral da história está muito distante de um Galaxy Note 8.

No comercial da Motorola, o protagonista do vídeo da Samsung (aqui, representado por um ator de fisionomia parecida ao do vídeo original), volta para casa e está usando seu Galaxy para rever um vídeo com a namorada, até que a própria aparece na sala, mas com uma surpresa: ela não usa mais Samsung, mas o mais novo Moto Z da Motorola.

A criação é da Ogilvy Paris. [Agnes Guimarães Cruz]

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Comercial de Natal da Samsung presenteia o “melhor porteiro” que você já viu

Comemorações de diferentes culturas também ganham homenagem no vídeo

Samsung criou um comercial divertido e fofinho para o seu Natal. Nele, vemos um porteiro gentil como você dificilmente já viu igual, e que por isso mesmo ele é queridinho do pessoal com quem convive.

Mas esse porteiro não tem um celular muito bom. Pelo contrário, ele possui um modelo bem antigo e que chama a atenção do garotinho seu amigo, afinal, nem touch o modelo é.

O que acontece depois, você já deve imaginar! Ele recebe um Samsung, claro. Tudo isso ao som de “Give a Little, Get a Little” de Ella Fitzgerald.

Com o título de “Giving is a gift to be shared”, a ação é de responsabilidade da agência adam&eveDDB, de Londres.

O destaque criativo fica por conta da homenagem às diferentes formas de comemorar o fim de ano em culturas diferentes, como o Diwali indiano, o Hanukkah judeu, o Natal cristão e o Ano Novo Chinês. [Soraia Alves]

Comercial de Natal da Apple é um dos mais bonitos produzidos pela empresa

“Holiday-Sway” traz carga dramática poucas vezes vistas na publicidade da Maçã

As vésperas do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, a Apple lançou um comercial que arrisco dizer é um dos mais bonitos já produzidos pela empresa. “Holiday-Sway” traz uma carga dramática que poucas vezes foi utilizada na publicidade da Maçã.

O vídeo foi feito para promover o AirPods,  fone Wireless de design meio esquisito lançado junto com o iPhone 7. Mas a feiura do acessório fica em segundo plano, graças as cenas bem construídas e uma trilha sonora embalada pela música “Palace” de Sam Smith.

O filme começa quando uma jovem dá play na canção e começa a dançar pela cidade. A neve caindo dá o tom das festas de fim de ano. Ela esbarra em um rapaz, compartilha o fone e os dois começam a dançar juntos em um clima bastante romântico, a la Dirty Dancing.

Ao final, os dois se olham e se aproximam dando a entender que vai rolar um beijo. A câmera muda, eles começam a se afastar permanecendo com os olhos um no outro, ao mesmo tem que sobe o slogan “move someone this holiday”. Sensacional!

O clipe é produzido pela agência Imperial Woodpecker e tem direção de Sam Brown, que já dirigiu outro comercial da Apple para o AirPods. [Gabriel Ribeiro]

Marca londrina Debehams recria conto de fadas com narração de Ewan McCregor em comercial de Natal

Cinderela revive seu amor ideal em uma versão moderna e fashion para Debehams

Deslocar contos de fada de sua época comum é uma receita clichê. Para a sorte da Debehams, porém, o Natal é uma das épocas em que isso está liberado. A marca de moda londrina convida as pessoas a encontrarem seu próprio conto de fadas em seu novo comercial para TV.

Na história, a Cinderella moderna é vivida por uma jovem (com diversas sacolas de compras), que perde um dos produtos dentro do trem, depois de esbarrar no “príncipe encantado”. Em vez de enviar trabalhadores do castelo, o rapaz inicia uma busca pela garota do sapato através de redes sociais e noticiários, com hashtags próprias do Twitter. Com a narração de Ewan McGregor, o vídeo ganha um charme londrino muito próprio da empresa, que foi uma das primeiras a dar a largada para a temporada de comerciais de Natal britânico.

O comercial foi filmado em Budapeste, por Hanna Maria Heidrich, usando cenários vintage para misturar uma atmosfera moderna com o espírito de conto de fadas. Para complementar a campanha, a empresa continuará com o tema “You Shall”  em suas plataformas e lojas físicas, envolvendo seus colaboradores também nesse sentimento nostálgico natalino. [Ana Roza]

Iniciativas desafiam a repensar o racismo na publicidade

Publicitários negros estão enfrentando seu lugar de minoria nas agências e expõem como o erro vai além do preconceito no momento da criação
Por Agnes Guimarães Cruz

Resultado de imagem para coca colaEm 1949, uma revista direcionada ao público negro anunciou, com certo assombro, a mais nova contratação da Coca-Cola: um publicitário negro. A publicação não mencionou seu nome, mas ela se referia a Moss Kendrix, que durante mais de trinta anos, esteve junto à icônica empresa realizando um trabalho que levava quase como uma missão, retratar pessoas negras como consumidoras, e não como funcionárias que estivessem em situação de serventia, em imagens contrárias ao que o público americano estava habituado a ver no mundo.

Nas obras de Kendrix, os negros estão à frente do American way of life que ditava o comportamento dos americanos no período pós-II Guerra: há propagandas com mulheres negras universitárias, jovens negros se divertindo, casais apaixonados e outras situações cotidianas, mas que devolviam ao negro uma humanidade que décadas de representações racistas não ofereciam nas peças publicitárias, permeadas por estereótipos de negros ignorantes ou raivosos, com atitudes animalescas.

Por fim, Kendrix sofreu uma forte resistência do público branco da Coca-Cola; mais de 50 anos depois, ainda observamos sua luta muito distante do fim. Situação que não ocorre apenas entre os americanos.

No Brasil, está acontecendo um movimento cada vez maior de contestação ao modo como as pessoas negras, que compõem mais de 54% da população segundo o IBGE, são retratadas por veículos midiáticos, sobretudo pelas campanhas publicitárias. Na dissertação de mestrado do historiador Carlos Augusto de Miranda e Martins, há a constatação de que houve um ligeiro aumento da presença de negros nas campanhas, mas elas ainda estão rodeadas por estereótipos que remontam aos primórdios do período pós-Abolição: teses ligadas ao racismo científico do século XIX contribuíram para a construção cultural de padrões negativos para a negritude, como a mulher negra sexualizada no Carnaval e o homem negro associado apenas ao esporte e à malandragem. Mais de cem anos depois, quando não há a ausência do negro, há a presença do fado que foi imposto pela História à sua imagem.

Redes sociais são espaços de questionamentos e repúdios a campanhas mal-sucedidas ou que ainda insistem em manter estereótipos racistas ou ignorar a presença da população negra nas peças publicitárias, casos que ainda são muitos e ilustram números alarmantes de pesquisas recentes.

Em 2016, a agência Heads divulgou uma pesquisa realizada em parceria com a ONU Mulheres, uma análise de mais de 2,3 mil inserções de 30 segundos exibidas em intervalos comerciais de duas emissoras durante o verão do mesmo ano. O resultado: mais de 90% da população brasileira retratada nas peças é branca. Baixa representatividade que tem sua origem em um racismo permeado pela ausência profissional: poucos funcionários negros são contratos pelas agências. A Etnus, consultoria especializada em diversidade na mídia, realizou uma pesquisa com as maiores agências de publicidade do país e contatou a baixa quantidade de funcionários negros nos núcleos de criação e liderança nessas empresas (confira quadro abaixo).

Os profissionais negros que já estão no meio, procuram reagir: recentemente, a americana Alysia Lewis lançou um manifesto em que oferecia seu currículo sob o formato de um texto contendo vários estereótipos atribuídos ao perfil das mulheres negras em qualquer ramo profissional.

No início do ano, o publicitário Vagner Soares uniu-se à analista de mídia digitais Letícia Pereira para a criação do Dear Publicidade People, projeto cujo nome é uma homenagem ao filme “Dear White People”, que também originou a série do mesmo nome da Netflix. A iniciativa surgiu a partir de uma sessão da agência Artplan, em que a dupla trabalha, dedicada a troca de ideias entre os funcionários da empresa, em apresentações de 30 minutos, que nas mãos da dupla transformaram-se em quase duas horas de diálogo sobre vários temas que foram além da simples constatação da ausência do negro na publicidade: houve a abordagem de temas que, pelo senso comum, não estariam relacionados a um brainstorm de agência, como a solidão da mulher negra e o privilégio branco.

“Para a prática da publicidade, precisamos de um background de referências, principalmente porque estávamos conversando com um público que não vivencia as situações que apresentamos”, explica Letícia. “A publicidade reflete a sociedade, e muitas das pessoas brancas que estão nas agências cresceram longe da realidade vivida por boa parte das pessoas negras, o que nos levou a abordar esses temas antes mesmo de chegarmos ao ponto em que a publicidade tem a ver com isso”, completa Vagner.

Resultado de imagem para roomA apresentação ganhou repercussões fora da agência, e Vagner e Letícia foram convidados a realizá-la para clientes da Artplan e outras agências, contato que apenas reforçou a urgência de mais pessoas negras ocupando esses espaços.

“Se não tem nenhuma Letícia ou Vagner numa agência, ninguém vai sentir a nossa dor e dizer: isso está ofensivo ou errado. A falta de representatividade ainda continua sendo o maior problema para que os erros continuem”, conclui Letícia.

Confira a apresentação da Artplan aqui:

“Transição de Roupas”: campanha incentiva doação de roupas a transgêneros

Roupas arrecadadas serão direcionadas para as ONGs que acolhem transexuais

Sem título16Cruz Vermelha do Rio de Janeiro lançou uma campanha que convida transgêneros a doarem roupas que não usam mais para outros transgêneros que estão passando pelo processo de transição e, por isso mesmo, precisam de peças com as quais agora se identificam.

Com produção da Artplan, essa é a primeira comunicação do mundo voltada para o público transgênero. (Veja aqui!)

O projeto foi especialmente pensado para trazer um pouco de em meio a contante pressão e falta de aceitação que algumas pessoas ainda enfrentam durante o período de transição de gênero.

Todas as roupas arrecadadas serão direcionadas para as ONGs que acolhem transexuais, como Casas Nem e Grupo Além do Arco-Iris, da ONG Afroreagge.

A campanha tem o apoio da atriz e produtora cultural Wallace Ruy, que é mulher transgênera e ressalta  o quanto um espaço para debate sobre o tema é importante.

Segundo Rodolfo Medina, presidente da Artplan, a comunicação inédita traz uma mensagem importantíssima de conscientização, inclusão e solidariedade.

As doações podem ser feitas em postos instalados na cidade do Rio de Janeiro: na Cruz Vermelha BrasileiraCampus EstácioPUC-Rio e Lojas Leader. []

Olivetto deixa cargo no conselho da agência WMcCann

Publicitário sairá do conselho e será consultor criativo da McCann Worldwide, em Londres; filial brasileira manterá o ‘W’ no nome

Sem título13O publicitário Washington Olivetto, de 66 anos, está deixando a posição de presidente do conselho da WMcCann para passar a trabalhar apenas como consultor da agência brasileira. Um dos ícones da propaganda brasileira, Olivetto vai passar a morar em Londres, onde trabalhará como consultor criativo para a McCann Worldwide em tempo integral. Para a filial brasileira – que recebe a letra “W” em referência à agência W/Brasil, fundada por Olivetto nos anos 1980 –, vai atuar de forma eventual.

Desde que vendeu a W/Brasil para a McCann, em 2010, o publicitário brasileiro vinha trabalhando em cargos executivos na companhia. Ao longo dos últimos 11 meses, Olivetto fez um “bate-e-volta” entre São Paulo e Londres, onde começou a prestar consultoria para a operação global. Com a mudança profissional, passará a viver em tempo integral na capital britânica, para onde se mudará com a família. “Não terei mais a obrigação de ficar indo e voltando, mas estarei aqui cada vez que um cliente achar necessidade de minha consultoria direta”, disse ele ontem, em entrevista ao Estado por telefone.

No ano de 2016, a agência W/McCann ficou em segundo lugar no ranking do mercado publicitário brasileiro, segundo dados do Kantar Ibope Media. O valor de aquisição de mídia da empresa foi de R$ 3,7 bilhões, inferior somente ao registrado pela Young & Rubicam, tradicional líder de mercado, que somou quase R$ 6 bilhões. [Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo]