Campanha para Nike dá segundo Grand Prix a agência Akqa fundada há cinco anos no Brasil

Equipe da Akqa recebe Grand Prix, o segundo de 2019, em Cannes (Foto: Soraya Ursine/Estadão)

Um nome diferente vem aparecendo com cada vez mais frequência na lista das premiações mais importantes do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade. É o da agência Akqa, que chegou ao mercado há cinco anos e foi formada por executivos que saíram da Ogilvy Brasil. A empresa ganhou nesta quarta-feira, 19, seu segundo Grand Prix (Grande Prêmio) do festival em 2019, na categoria Media Lions, com uma campanha feita para um grande anunciante: a Nike.

Comandada pelos brasileiros Diego Machado e Renato Zandona, além do português Hugo Veiga, a filial brasileira da Akqa trabalha em um formato diferente da maioria das agências, segundo os executivos. Para começar, ela aceita trabalhos em forma de consultoria – caso seja necessária a compra de mídia para algum cliente, o trabalho é repassado a um terceiro. No caso da campanha do modelo AirMax a partir de um conceito que celebrava os talentos do grafite nacional, a veiculação foi coordenada pela Wieden+Kennedy.

A campanha que trouxe o segundo Grande Prêmio à Akqa em dois dias – o primeiro havia sido para o lançamento do segundo álbum do rapper Baco Exu do Blues – foi realizada em São Paulo. Usou tanto a conexão da AirMax com a arte de rua quanto o debate gerado pela decisão do então prefeito (e hoje governador João Dória) de apagar parte dos grafites das ruas de São Paulo. No início deste ano, a 12.ª Vara da Fazenda Pública da Capital condenou Dória e a prefeitura a uma indenização de R$ 782,3 mil pela remoção dos grafites.

Tudo isso ajudou a chamar a atenção para o projeto, que tinha também um claro objetivo de negócio: ao contrário do que ocorria nos Estados Unidos, ainda havia certa resistência do brasileiro em comprar online. Por isso, para celebrar os novos modelos AirMax, a agência adicionou os tênis a desenhos que já existiam na cidade. Para poder comprar um par dos novos tênis, o usuário tinha de ir até o desenho e fazer o pedido pelo celular – os produtos ficaram disponíveis só nesta plataforma.

Para ganhar o Grand Prix em Media Lions, a peça da Akqa bateu um total de 2.196 peças publicitárias, de 66 países. A presidente do júri de Media Lions, Karen Blackett, disse ontem que a campanha foi escolhida porque teve um grande alcance (atingindo um total de 80 milhões de pessoas) e também conseguiu se tornar “parte da cidade”. Isso ocorreu, segundo Machado, porque, além de fazer intervenções em grafites já existentes, a campanha teve uma segunda fase em que alguns dos desenhos apagados da Avenida 23 de Maio foram devolvidos em um mural localizado atrás do Masp, nas proximidades da Avenida Paulista.

Mais Leões. Além do Grand Prix (que adiciona mais um ouro à conta dos prêmios do Brasil), o País conquistou ainda quatro pratas em Media Lions: Grey Brasil (Volvo), Tech and Soul (Uber), Africa (Brahma/AB InBev) e Akqa (Nike AirMax). Houve também quatro bronzes: David São Paulo (Burger King), Tech and Soul (Uber), Wunderman Thompson (Gud) e Grey Brasil (Reclame Aqui). Uma mesma ação pode levar mais de um Leão, pois o julgamento é dividido em subcategorias.

Brasil recebeu Leão de Ouro para David Brasil e Burger King (Foto: Soraya Ursine/Estadão)

Em Creative Data Lions, foram duas premiações: ouro para Ogilvy São Paulo (Petz) e bronze para Tribal Worldwide (E-Moving). Em Direct Lions, um ouro, uma prata e dois bronzes vieram para David São Paulo, para a campanha do Burger King que incentivava clientes a “incendiarem” virtualmente anúncios do McDonald’s. A categoria ainda trouxe mais dois Leões de bronze: Grey Brasil (Reclame Aqui) e Tech and Soul (Uber).

Em PR Lions (ações de relações públicas), foram quatro Leões, todos de bronze: Ogilvy Brasil (Hermes Pardini), Grey (Volvo e Reclame Aqui), Tech and Soul (Uber). Em Social & Influencer, também mais três Leões, todos de bronze: Publicis (Bradesco), Grey Brasil (Reclame Aqui) e Africa (revista ‘Rolling Stone’). Não houve premiações em Creative Strategy para o País.

Com os 24 Leões angariados ao longo do dia de ontem, o País chegou a um total de 65 prêmios acumulados em Cannes Lions 2019. [Fernando Scheller]

Anúncios

Na Inglaterra, publicidade não pode mais reforçar estereótipos de gênero

Empresas tiveram seis meses para se adaptar às novas normas do setor.

Anúncio de empresas de suplementos exibido em estações de metrô de Londres — Foto: Reprodução

Passa a vigorar nesta sexta (14) no Reino Unido uma regra que determina que a publicidade não pode veicular imagens que reforçam estereótipos de gênero.

A norma vale para mídias transmitidas, como TV, assim como online e redes sociais.

A entidade que regulamenta a publicidade no Reino Unido, a Autoridade de Padrões de Anúncios (ASA, na sigla em inglês) fez uma pesquisa sobre os efeitos de propagandas.

Para o órgão, há evidências de que a publicidade com padrões limitados de como homens e mulheres devem se comportar podem restringir as escolhas, aspirações e oportunidades de crianças, jovens e adultos, e que isso tem efeitos na desigualdade de renda.

“Os gêneros em anúncios podem causar desigualdade em uma sociedade, com custos para todos”, disse, em um comunicado, Guy Parker, chefe da ASA.

“Descobrimos que algumas representações em anúncios podem, ao longo do tempo, limitar o potencial das pessoas”, afirmou ele.

Entidade vai fiscalizar denúncias

O setor de publicidade teve seis meses para se adaptar à regra.

A autoridade vai, agora, receber denúncias e avaliar cada peça publicitária para determinar se a nova regra foi desrespeitada.

O site da entidade lista algumas cenas que podem ser problemáticas:

  • Um vídeo que mostre um homem descansando enquanto a família se diverte, e a mulher é a única responsável pela organização da casa.
  • Um anúncio em que homens ou mulheres não conseguem realizar uma tarefa por causa de seu gênero (por exemplo, não conseguem trocar fraldas ou estacionar, respectivamente).
  • Se a peça publicitária mostrar uma pessoa que fracassou de alguma maneira, isso não pode estar relacionado, mesmo que de forma implícita, a alguma característica física.
  • Anúncios que enfatizarem contrastes entre as personalidades masculina e feminina devem ser cautelosos e evitar clichês.
  • A publicidade para mulheres que se tornaram mães recentemente não deve sugerir que a prioridade é manter a casa limpa ou uma aparência atraente.
  • Anúncios não devem diminuir homens por executar tarefas que são tradicionalmente feitas por mulheres.

As novas regras não restringem

  • Mulheres fazendo compras ou homens fazendo reparos na casa.
  • Estilo de vida com glamour, atraente, saudável, a que as pessoas aspiram ou bem-sucedido.
  • Estereótipos de gênero exibidos para mostrar seus efeitos negativos.

Em breve seu Instagram estará cheio de propagandas

Rede social de fotos do Facebook anunciou mudanças na sua estratégia de anúncios
Por Emily S. Rueb – The New York Times

Instagram está fazendo mudanças em sua ferramento de anúncios

Em breve nos feeds do Instagram haverá mais anúncios patrocinados de “influenciadores”. Embora esta possa ser uma boa notícia para os usuários com grande número de seguidores e que ganham promovendo produtos, para o restante isto significa mais propaganda indesejada.

O Instagram, plataforma do Facebook conhecida pelas fotos que provocam inveja e raiva, anunciou mudanças na sua estratégia de anúncios que permitirão a promoção das marcas que patrocinam conteúdo criado por influenciadores nos feeds dos usuários, mesmo que eles não acompanhem a conta de um influenciador.

“Umas das principais exigências das marcas até agora é a incorporação de postagens com conteúdo da marca da empresa nas suas estratégias de anúncio”, explicou a companhia.

“Com anúncios as empresas terão a oportunidade de falar delas por meio da voz dos criadores, e atingir um novo público e avaliar o impacto”, segundo o comunicado. “Utilizando as ferramentas disponíveis na plataforma de anúncios do Facebook, as empresas podem chegar a público alvo além daquele que acompanha a marca e a conta dos criadores”.

Os anúncios serão similares aos já vistos no feed e nos Stories, mas serão rotulados como “parceria paga”. A medida, segundo a companhia, é uma reposta ao desejo das marcas de focar melhor os usuários e oferecer uma experiência em termos de publicidade mais orgânica.

“Promover o conteúdo diretamente a partir do nome do influenciador oferece mais autenticidade à postagem do que se ela partir do nome da marca, e observamos um envolvimento muito maior adotando esta estratégia”, disse Liat Weingarten, vice-presidente de comunicações de marca da Old Navy.

Evan Asano, diretor executivo da MediaKix, empresa de marketing, disse que as grandes marcas estavam clamando para trabalhar com influenciadores e “não temiam em pagar US$ 500 mil por um spot publicitário com Kim Kardashian, estrela de um Reality show que aperfeiçoou a arte de ganhar dinheiro com a mídia social.

“O marketing do influenciador está explodindo e o Istagram quer um pedaço desse bolo”, disse Asano.

De acordo com o Instagram,  68% dos seus usuários regulares usam a plataforma para interagir com os  “criadores”. O Instagram tem cerca de um bilhão de usuários ativos por mês, segundo porta-voz da companhia.

Recentemente outras plataformas de mídia social também foram inundadas de anúncios. No mês passado, o Twitter disse ter testado a frequência dos anúncios. Como resultado, a timeline dos usuários estava repleta de anúncios inúteis e pelo menos uma campanha nociva, segundo o BuzzFeed News.

Apesar de as receitas do Instagram serem geradas em grande parte pelos anúncios, a empresa pretende criar novas fontes de ganhos e recentemente lançou uma ferramenta que permite aos usuários comprarem produtos sem deixar o aplicativo.

A maior parte dos anúncios no Instagram é de “marcas menores que você nunca ouviu falar” e que vendem coisas como pufes ou camisetas genéricas, disse Asano. “É possível que a mudança seja um sinal de que o Instagram não está lucrando com os anúncios da maneira que o Facebook deseja”. / Tradução de Terezinha Martino

Google e Facebook dominam publicidade online nos EUA

Os dois gigantes comandaram cerca de 60% do mercado norte-americano de publicidade na internet em 2018
Por Agências – Reuters

Google e Facebook têm 60% da publicidade online nos EUA

A indústria de publicidade online dos Estados Unidos deverá atingir US$ 160 bilhões em 2023 ante US$ 107 bilhões no ano passado, liderada por categorias com crescimento expressivo como vídeo em celulares. Google e Facebook controlam firmemente o mercado, mostrou estudo da consultoria PwC nesta quarta-feira, 5.

Os dois gigantes da tecnologia comandaram cerca de 60% do mercado norte-americano de publicidade na internet em 2018, segundo o relatório, um aumento de 3% em relação ao ano anterior. O YouTube do Google domina os vídeos online, enquanto o Facebook expande seu serviço de vídeos chamado de ‘Watch’ e adiciona opções de publicidade.

O Google e o Facebook estão atualmente sob vigilância de reguladores norte-americanos quanto a possíveis preocupações com a legislação antimonopólio, assim como Apple e Amazon.

A operadora norte-americana de telefonia móvel AT&T, apesar de ter gasto US$ 85 bilhões para a empresa Time Warner se transformar em uma empresa de mídia e publicidade, conseguiu conquistar participação de mercado de apenas um dígito, segundo a PwC.

Conseguir uma participação neste mercado é difícil porque as plataformas devem ter recursos novos e específicos, bem como algum grau de tecnologia emergente, disse CJ Bangah, diretora da PwC. Uma vantagem que as empresas de telecomunicações como a AT&T têm sobre o Google e o Facebook é que elas se beneficiarão do 5G, a rede sem fio de próxima geração que deve trazer a tecnologia como carros autônomos para a realidade.

“A oportunidade criada para os provedores de telecomunicações é que eles sabem onde os consumidores estão, eles estão se beneficiando do 5G e sabem em quais aplicativos os consumidores passam mais tempo”, disse ela.

A Amazon, maior varejista online dos Estados Unidos, conseguiu ganhar terreno no último ano, embora também tenha participação de mercado de apenas um dígito, disse a PwC.

Podcasts ganham força, mas agências resistem a formato

Os poucos programas em áudio patrocinados lidam diretamente com as marcas, sem o auxílio de agências
Lílian Cunha – O Estado De S,Paulo

Publicitárias Juliana Wallauer (E) e Cris Bartis criaram o podcast ‘Mamilos’ Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Quando esta reportagem começou a ser feita, na segunda-feira, havia 2.060 podcasts ativos no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Podcasters (ABPod). Estima-se que, a cada dia, surjam 30 novos podcasts no País. O maior deles, segundo o site Chartable e dados do Spotify, é o Nerdcast, com 1 milhão de downloads por episódio semanal. Mesmo com números tão polpudos, poucas agências recomendam o investimento na mídia, apesar de grandes anunciantes como Bradesco, GE e Ford já terem percebido o potencial do formato. 

O Bradesco fechou contrato de um ano para patrocinar o Mamilos, que também está entre os líderes no País. Criadoras do podcast, as publicitárias Juliana Wallauer e Cris Bartis dizem que nunca foram procuradas por uma agência de publicidade. “Os clientes são mais antenados do que as agências”, diz Juliana, ex-gerente de planejamento da Fischer e da Bullet e hoje sócia da B9 Company, que produz vários podcasts. “São os executivos que nos procuram”, afirma ela, que teve episódios apoiados por TIM, HBO e GE. 

Foi o que fez a marca de sapatilhas para mulheres Anacapri, do grupo Arezzo. “Ouvíamos vários podcasts. Foi a partir de uma conversa sobre esse assunto que saiu a ideia dos anúncios”, diz Marcela Salles, gerente de marketing da Anacapri. A ideia inicial era lançar um podcast da marca. “Mostramos para ela que isso não era legal, pois ninguém ouve”, diz Juliana.

A B9 Company então elaborou o Beleza para Quem?, podcast sobre autoestima feminina patrocinado pela Anacapri. Embora uma executiva da marca sempre participe dos episódios, o tema passa longe do sapato. “Debatemos assuntos de interesse dos ouvintes”, afirma Marcela. “Mesmo sem falar do produto, a gente cria uma conexão, o que é bom para marca.”

Essa flexibilidade de formato é uma das vantagens do anúncio em podcasts, diz Daniel Iacobucci, diretor de planejamento da Dentsu. “Não é necessário ficar preso ao spot’”, afirma, referindo-se ao famoso “esse programa tem o patrocínio de…” no início dos áudios. “A marca pode participar do conteúdo, sem parecer aquela coisa forçada, de matéria paga.” 

O Nerdcast já uniu conteúdo e patrocinador ao mostrar como funciona a fabricação de doces. “A marca dona dessa fábrica patrocinou o episódio”, diz Maurício Faccio, responsável pela administração do podcast. É um recurso que o Mamilos também usa: um episódio sobre câncer de mama foi patrocinado pela GE, empresa que faz os mamógrafos para diagnóstico da doença.

Resistência

Apesar de elogiar o formato, a Dentsu, de Iacobucci, nunca anunciou em podcasts. Outras grandes agências, como F.Biz, Publicis e Wieden+Kennedy, também não. Iacobucci diz que faltam métricas de retorno para o investimento em podcasts. “É difícil mensurar quanto um anúncio em um podcast pode trazer de retorno, tanto em vendas quanto em admiração, a uma marca”, afirma.

Há quem discorde. “Existe muita facilidade para coleta de dados de audiência dos podcasts”, diz Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú. “Dá para saber quantos ouvintes são homens, mulheres, a faixa etária e se as pessoas estão escutando até o fim”, diz. 

A partir do hábito de ouvir podcasts em seus treinamentos de corrida, Mesquita teve a ideia de fazer uma versão em áudio dos relatórios para investidores do banco, enviados aos clientes por e-mail. “A gente não sabia se os relatórios estavam sendo lidos ou não. Lançamos a versão em podcast na segunda-feira (27 de maio), e nos primeiros dias tivemos mais de mil ouvintes. Esperávamos que 35% ouvissem o programa até o fim. Mas chegamos a 60%.”

A retenção – capacidade de manter a atenção do ouvinte por vários minutos – é um dos grandes trunfos dos podcasts bem-sucedidos, segundo Juliana Wallauer, do Mamilos. “Nosso engajamento é de 80%. Ou seja: de cada dez pessoas que começam a ouvir, oito vão até o fim.”

O fato de que o ouvinte pode estar fazendo ginástica, correndo, lavando louça ou realizando qualquer outra atividade enquanto ouve o podcast ajuda na retenção da audiência. Segundo a ABPod, que fez um levantamento com 22 mil pessoas sobre o hábito de ouvir podcasts, a maior parte dos ouvintes (79%) têm o costume de escutar esses conteúdos no trajeto de casa para o trabalho. “Não é uma mídia que monopoliza a atenção do espectador”, diz Marcela Salles, da Anacapri.

Para se ter uma ideia de como o mundo dos podcasts esta borbulhando, no fechamento desta edição, no fim da semana passada, o número de podcasts no Brasil já havia subido para 2.152.

Pioneiros

Os produtores de podcasts de sucesso conseguem um feito ainda bastante raro do segmento: ganhar a vida com os conteúdos que produzem. No caso do ‘Nerdcast’, dos criadores Alexandre Ottoni e Deive Pazos, o processo rumo ao lucro demorou cerca uma década. Para Juliana Wallauer e Cris Bartis, do ‘Mamilos’, o podcast se tornou um meio de vida há um ano, quando as publicitárias deixaram seus empregos. Além dos anunciantes, o ‘Mamilos’ tem ajuda de 2,5 mil apoiadores, que contribuem com R$ 25 mil ao mês para o projeto por meio de ‘crowdfunding’.

Slow fashion: como as marcas devem se adaptar à moda sustentável

A indústria da moda é a segunda que mais polui o meio ambiente, ficando atrás apenas do petróleo
Por Estadão Conteúdo

Moda: Aproximadamente 85% do vestuário que norte-americanos consomem são enviados para aterros sanitários como resíduos sólidos (Yui Mok/Getty Images)

São Paulo — O ano é 2016. A grife de luxo britânica Burberry inova ao aderir ao movimento “see now, buy now”, cujo objetivo é levar as peças às lojas imediatamente após o desfile.

Em tempos de compras online e lojas de departamento lançando coleções novas a cada semana, o tempo passa a ser decisivo entre as marcas que lideram o número de vendas. Passamos para 2019.

O termo “slow fashion” começa a se popularizar, ainda que timidamente, e corrompe todos os conceitos promovidos até então. Moda, mais do que seguir tendências, agora é sustentabilidade.

De acordo com um estudo da revista Environmental Health, publicado em dezembro de 2018, aproximadamente 85% do vestuário que norte-americanos consomem são enviados para aterros sanitários como resíduos sólidos.

Apesar de ser um mercado que fatura 1,2 trilhão de dólares anualmente, cerca de R$ 4,8 trilhões, seu impacto ambiental preocupa: a indústria da moda é a segunda que mais polui o meio ambiente, ficando atrás apenas do petróleo.

Em contrapartida à fast fashion, conceito que prioriza a venda de produtos baratos, de pouca qualidade e que chegam rápido às lojas, um novo termo passa a integrar o vocabulário: batizado de slow fashion, seu objetivo é desacelerar o consumo de produtos da moda.

Por um lado, as mercadorias possuem maior qualidade e durabilidade. Por outro, o preço um pouco elevado pode desagradar o cliente.

Em 2015, a especialista em consumo consciente Chiara Gadaleta criou o Prêmio Ecoera em prol da sustentabilidade nos universos da moda, beleza e design. No ano passado, a premiação homenageou a marca Coletivo de Dois por aliar comércio justo, práticas sustentáveis e empoderamento de gênero.

“Nós compramos materiais inusitados, com defeitos de impressão, sobras de rolo, peças que para o comércio tradicional não tem mais valor. Aproveitamos o material até o limite, só descartamos o que não tem mais como emendar”, revela Daniel Barranco, que fundou a marca com o parceiro Hugo Mor há cinco anos.

Nesse período, costuraram mais de duas mil peças e conseguiram reaproveitar aproximadamente 150 quilos de retalhos, que certamente iriam para o lixo.

Garimpo de segunda mão

Segundo um levantamento feito pelo site ThredUP, a compra de produtos de segunda mão aumentou 25% em apenas um ano. Esse tipo de mercado pode se enquadrar como disseminador da moda sustentável, já que incentiva o comércio de segunda mão e prolonga a vida útil das peças em bom estado.

“A principal missão da Boutique é difundir o consumo consciente, minimizar (dentro da nossa realidade) danos, aumentar a vida útil de itens descartados e reutilizá-los”, conta Rebeca Oksana, que fundou a Boutique São Paulo há quatro anos.

A princípio, a jovem de 24 anos vendia “desapegos” pelo Instagram, mas viu o negócio crescer quando passou a visitar brechós de São Paulo para garimpar novas peças. Com a demanda, criou o e-commerce para vender não somente produtos de segunda mão, mas também peças novas.

“Meu foco era trazer peças autênticas, únicas e de qualidade, que não seriam encontradas em lojas de fast fashion. Era uma insatisfação minha e que eu acreditava que algumas pessoas compartilhavam”, explica.

Segundo estimativas do Sebrae, o mercado têxtil brasileiro produz cerca de 170 mil toneladas de resíduos por ano. Para Rebeca, é preciso diminuir o impacto ambiental causado pela moda, seja não adquirindo peças novas ou diminuindo o consumo desenfreado.

“Acredito que o garimpo e o consumo de peças de segunda mão andam de mãos dadas com um estilo de vida mais consciente. O mundo da moda precisa de uma revolução e nós estamos tentando, aos pouquinhos, fazer isso acontecer”, vibra.

Lixo ressignificado

No mercado de calçados há cinco anos, a Insecta Shoes acumula números surpreendentes de reciclagem: 21 mil garrafas plásticas, 2 mil metros de tecido, quase uma tonelada de algodão, mais de 1.600 quilos de papelão e 6.800 quilos de borracha já foram reciclados pela marca paulistana.

Fundada por Bárbara Mattivy, a marca surgiu com a ideia de aproveitar peças com pequenos defeitos e que, por isso, não podiam ser revendidas.

“Nós tentamos ao máximo tirar materiais que estão no lixo e ressignificá-los, transformando tudo em sapato”, conta. O solado, por exemplo, é feito de borracha reaproveitada, enquanto os tecidos vêm de garrafas PET recicladas.

O processo de produção da Insecta Shoes é artesanal e livre de crueldade animal, demonstrando uma preocupação além da sustentabilidade. Além disso, trabalham com a logística reversa: “quando o cliente não quer mais usar o sapato, nós recebemos ele de volta para fazer a reciclagem da forma correta”, comenta.

Como se adaptar ao movimento?

Pensando nos consumidores que querem adaptar o guarda-roupa ao movimento slow fashion, a engenheira ambiental Maria Constantino propõe cinco estratégias que facilitam o consumo consciente.

“O começo foi um desafio, mas a criatividade que tenho em meus looks, a economia que venho gerando em meu bolso e a realização pessoal de dialogar tudo isso tem valido muito a pena”, revela a ativista, que tem mais de dez mil seguidores em seu perfil no Instagram sobre estilo de vida ecológico.

Primeiramente, ela valoriza a imaginação e criatividade na hora de compor os looks, como testar novas combinações e variar o uso das peças.

O cuidado com as roupas também é fundamental: “Se você vai comprar menos, consecutivamente vai precisar usar e cuidar mais das roupas que tem. Preste atenção no manuseio de cada peça e qual a melhor maneira de lavar e passar cada material para que durem bastante.”

Se quiser comprar alguma mercadoria nova, a engenheira sugere planejamento para evitar compras por impulso, sem ao menos considerar se a roupa vai combinar com outras peças e estampas do próprio guarda-roupa. Pensando nisso, Maria ressalta a importância de se fazer perguntas como “tenho outras peças parecidas?” ou “quantas vezes vou usá-la?”.

Se tiver de fazer alguma aquisição, dê preferência aos brechós ou lojas de segunda mão: “Tanto as físicos quanto as do Instagram são excelentes opções para procurar roupas que vão colaborar para o seu guarda-roupa sustentável. Você vai se surpreender com os achados e ainda irá economizar uma grana”, afirma a engenheira.

Por fim, aproveite as oportunidades em que puder pegar roupas emprestadas. Em formaturas e casamentos, por exemplo, ocasiões mais formais em que evitamos repetir looks marcantes, peça para seu círculo de amigos e familiares se podem te emprestar algo para o evento. Hoje em dia, há até mesmo aplicativos destinados ao empréstimo de roupas, das mais cotidianas às de festa.

Apple celebra o mundo da música em novo comercial do Mac

A Apple adora pessoas icônicas, artistas e celebridades. Foi assim que a empresa construiu uma das suas campanhas mais festejadas, a “Think Different”, e é também assim que se baseia a mais nova campanha do Mac.

“Behind the Music. Behind the Mac”, que estreou hoje nos canais online da empresa no Reino Unido, tem uma ideia muito simples: celebrar o mundo da música e, em especial, a produção musical que tenha um ou outro dedinho do Mac no processo. O vídeo da campanha traz uma série de fotos de artistas famosos no estúdio ou no palco, sempre com um computador da Maçã em algum ponto da imagem.

Temos vários nomes importantes na sequência de imagens — de Paul McCartney e David Bowie até o Gorillaz e Lily Allen. A música acompanhando o comercial é “What We Do”, do rapper Swindle com a participação de Rider Shafique, P Money, D Double e Daley.

Além disso, a Apple colocou no seu site britânico uma página relacionada à campanha que joga luz nos aplicativos musicais da empresa: o GarageBand, o Logic Pro X e o MainStage 3— além de sugerir alguns modelos de Macs apropriados para músicos, claro. [MacMagazine]