Faber-Castell faz releitura de ‘Aquarela’ para falar sobre diversidade racial

Cena do vídeo “Caras & Cores” da Faber-Castell (Reprodução)

A Faber-Castell resolveu resgatar um clássico da publicidade para tratar sobre diversidade racial. Com debates cada vez mais intensos sobre desigualdade racial, de gênero e representatividade, a marca fez uma releitura de “Aquarela”, hit da carreira de Toquinho de 1983.

O novo tema “Caras & Cores” foi lançado para divulgar os lápis da Faber-Castell que podem criar diferentes tons de pele, inclusive ao se misturarem.

A primeira versão da propaganda que usou essa canção é de 1984.

“Recriar algo tão proprietário da marca é uma grande responsabilidade, e fazer isso para um produto com um papel social nos pareceu a escolha certa”, afirma Eduardo Ruschel, diretor de marketing e inovação da Faber–Castell.

No filme, os lápis são ferramentas para as crianças de todos os tons de pele se representarem nos seus próprios desenhos, destaca a empresa.

“O objetivo está em estimular os pequenos no processo de autoexpressão ainda na infância, contribuindo para a formação de uma sociedade com mais respeito e diversidade.”

Criada pela agência David SP, a campanha “Sua Cor Como Você Quiser” tem veiculação nacional na TV, no cinema e na internet nos meses que antecedem a volta às aulas de 2019.

“Resgatar a conexão emocional com toda uma geração foi nossa aposta para falar de um tema tão importante e sensível”, diz Rafael Donato, responsável pela criação na agência. [Amon Borges]

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Nano influenciadores digitais atraem marcas pensando em ‘pequena escala’

Nova tendência busca pessoas com apenas mil seguidores e que querem anunciar produtos nas redes sociais
Sapna Maheshwari, The New York Times

Alexis Baker é exemplo dentre os nano influenciadores e promove produtos para cerca de 2.700 seguidores no Instagram.  Foto: Alexis Baker

Provavelmente vocês ouviram falar dos influenciadores digitais, aquelas pessoas famosas na internet, que têm mais de um milhão de seguidores nas redes sociais, e ganham muito dinheiro promovendo várias marcas. Também devem ter ouvido falar em microinfluenciadores, que fazem a mesma coisa para um público menor na – no máximo algumas centenas de milhares de pessoas. Agora preparem-se para os nano influenciadores.

É o termo usado pelas companhias para descrever as personalidades que têm apenas mil seguidores e querem anunciar produtos nas redes sociais. O fato de não serem famosas é uma das qualidades que as torna acessíveis. Quando elas recomendam a marca de uma loção ou de móveis no Instagram, o que ela diz soa tão confiável quanto o conselho de um amigo.

As marcas gostam de trabalhar com elas em parte porque são de trato fácil. Em troca de produtos gratuitos ou de uma pequena comissão, os nanos falam o que as companhias pedem que falem. Com cerca de 2.700 seguidores no Instagram, Alexis Baker, 25, tinha uma presença relativamente comum nas redes, com suas fotos com roupas da moda e dos lugares onde passara férias maravilhosas em seu feed. Mas a sua persona online mudou quando em seus posts começou a falar de produtos como o xampu Suave Professional Rose Oil Infusion, a maquiagem Beyond Perfecting, da Clinique, e o Loco Coffee, uma mistura de café gelado e água de coco.

As pessoas que conhecem Alexis se surpreenderam quando hashtags usadas para publicidade de produtos começaram a aparecer na sua conta. Também ficaram impressionadas pelo fato de ela postar mensagens como influenciadora. “Meus amigos pensaram: ‘Espera aí – você não tem milhares de seguidores. Como conseguiu tantos contatos?’ contou. “Eu não sabia o que responder”.

Alexis, gerente de leasing do estado da Virgínia, disse que começou a fazer este “bico” depois de ser descoberta pela Obviously, que se define como “agência de marketing influenciador”. Para Mae Karwowski, diretora executiva da Obviously, os nano influenciadores constituem uma oportunidade de baixo custo e pouco utilizada. “Todo mundo que está no Instagram tem aquele amigo que todo mundo conhece e que recebe muitas curtidas, comentários e tem um bom conteúdo”, ela disse.

As companhias procuram pessoas relativamente desconhecidas nessa espécie de corrida ao ouro da publicidade, através de personalidades populares nas redes. Mas à medida que os influenciadores vão se tornando conhecidos, também passam a cobrar mais.

Em geral, eles acham os produtos que recebem grátis uma compensação justa pelos anúncios que postam. “Se este negócio estourar e virar uma atividade em tempo integral, maravilha”, disse Alexis. “Mas não é uma coisa que eu esteja procurando. Na realidade, adoro fazer isto”.

Krishna Subramanian, fundador da Captiv8, outra empresa influenciadora de marketing, é cético quanto a algumas marcas fazerem marketing dos seus produtos através de pessoas com um número de seguidores pouco expressivo na mídia social. “Será que eles conseguem mesmo mensurar alguma coisa dessa maneira e achar que está sendo um sucesso?”.

Mas Mae Karwowski confia na estratégia. A sua empresa tem 7.500 nanoinfluenciadores em seu banco de dados e planeja dobrar este número até março. “A geração mais jovem cresceu com esta tecnologia, por isso está acostumada a ver pessoas comentando sobre produtos de que elas gostam e recomendá-los; agora há mais disposição para participar disso. Você faz pequenas apostas em vez de dizer: ‘Nós vamos trabalhar com Kim Kardashian’”.

Marcas conquistam o coração e o bolso de visitantes da CCXP

Evento que ocorre em São Paulo até domingo conta com centenas de fabricantes e varejistas. Saiba sobre os produtos vendidos
Por Marina Filippe

Loja temporária da Riachuelo: só itens para o público geek  (Gabriel Colombara/CCXP/Divulgação)

São Paulo — De quinta a domingo acontece em São Paulo a 5ª edição da CCXP, o maior evento de cultura pop e geek do mundo. O empreendimento, criado por sete sócios brasileiros, replica um formato existente e próspero há mais de 50 anos nos Estados Unidos.

Para 2018 são esperados 260 000 visitantes dispostos a conhecer seus artistas preferidos de Hollywood — a atriz Sandra Bullock é uma entre 42 celebridades globais.

Esse também é o momento de gastar nos estandes das marcas participantes. Somente no ano passado, as empresas faturaram 400 milhões de reais em quatro dias e uma noite.

É na CCXP que a Warner Bros disponibiliza uma loja oficial de produtos Harry Potter, geradora de filas imensas do lado de fora.

Outro exemplo são as vendedoras de bonecos colecionáveis Pizii Toys e Iron Studios, que tiveram alguns produtos esgotados já nesta quarta, quando o evento recebeu apenas convidados, imprensa e pessoas que compraram pacotes de ingressos especiais.

Mas não são apenas as companhias já tradicionais na indústria do entretenimento que aproveitam para se comunicar com clientes. A varejista de moda Riachuelo dobrou o tamanho de sua loja para 560 metros².

A intenção é evitar a fila de uma hora e meia que se formou do lado de fora da loja no ano passado. “Agora trouxemos 800 tipos de produtos e alguns deles serão vendidos exclusivamente no evento”, diz Julia Medeiros, gerente de licenciamentos da Riachuelo.

As varejistas de moda estão em peso no evento. A Lupo também ampliou sua loja este ano. Depois da estreia de sucesso em 2017, a marca traz meias, a linha de roupas intimas e pijamas. “Ano passado vendemos em quatro dias 350 mil reais, o faturamento mensal de uma boa loja”, afirma Carolina Pires, diretora de marketing e vendas da Lupo.

Outras marcas do setor presentes no evento são Havaianas, com novos modelos, como do desenho animado Ricky and Morty e Grendene com super-heróis estampados nos calçados.

Uma novata na CCXP é a tradicional fabricante de laticínios Itambé. Em sua estreia a marca se junta a fabricante de guloseimas Fini, que participa do evento há três anos. O momento é uma oportunidade de lançar o produto desenvolvido pelas duas empresas, além de renovar o público consumidor.

“A Itambé tem um público bastante tradicional, mas podemos alcançar também o jovem-adulto por meio de novidades e inovação”, Beatriz Cardoso, gerente de marketing da Itambé. No estande ganha o produto quem participar de jogos, por exemplo, de realidade virtual. Uma loja também vende o iogurte com balas.

Apesar de uma grande área de alimentação e bebidas, algumas empresas dessa seara investiram em ativações para o público. A Cup Noodles oferece um produto de brinde para quem se arriscar a tomar um susto.

E a Johnnie Walker aproveita o momento para lançar uma bebida especial, inspirada na série Game Of Thrones.

Os acessórios e itens de decoração são vendidos por diversas lojas que competem pela atenção do fã de personagens.

A Imaginarium tem peças de Harry Potter e Star Wars num estande de 90 metros², enquanto o próprio grupo Omelete — organizador do evento — a loja Big Head e muitas outras estampam canecas, cadernos, copos e mais.

O evento que enche o coração dos participantes de alegria com as atrações promovidas pelas marcas também ocupa espaço nas mãos cheias de sacolas.

“O tíquete médio na CCXP chega a ser três vezes maior do que o registrado pelos varejistas brasileiros no período de Natal”, diz Pierre Mantovani, sócio-fundador do grupo Omelete.

Nova receita da Hugo Boss: mais Meghan Markle e menos ternos

Saia usada pela duquesa foi um golpe para a marca, mais conhecida por vestir homens de negócios. “Precisamos reconhecer que nossa indústria mudou”, diz CEO
Por Richard Weiss, da Bloomberg

Meghan usa saia lápis de couro de cordeiro da Hugo Boss e camisa da And Other Stories

(Bloomberg) — Quando Meghan Markle agraciou a cidade inglesa de Chichester com uma visita real no mês passado, sua roupa verde-musgo “pegou fogo” no Instagram. Em poucos minutos, a saia lápis de couro de cordeiro da Hugo Boss, de US$ 595, havia esgotado na internet.

A roupa escolhida pela Duquesa de Sussex foi um golpe para a empresa alemã, mais conhecida por vestir homens de negócios em ternos cinza e camisas funcionais. O episódio revelou várias coisas importantes, de acordo com o CEO Mark Langer: os consumidores estão buscando inspiração na internet, eles desejam gratificação instantânea, e a Hugo Boss ainda está atrás da curva quando se trata de abordar esses dois pontos.

“Nós nos inspiramos em empresas que são mais rápidas do que nós”, disse Langer, em entrevista, em Londres.

Enquanto marcas como Dior e Burberry tentam conquistar consumidores mais jovens com vendas instantâneas e propagandas nas redes sociais, a séria grife alemã precisará aproveitar algumas dessas técnicas se quiser competir. É por isso que a Boss está fazendo experimentos com tênis vegan feitos de fibras de abacaxi e com coleções-cápsula que incluem suéteres e jaquetas bomber fabricadas na Alemanha.

Michael Jackson
Até mesmo o terno, um pilar da marca, está se renovando: agora tem uma versão que pode ser lavada à máquina; o modelo trespassado, que havia passado de moda, está voltando; e a Boss reeditou o modelo branco usado por Michael Jackson na capa do disco Thriller, de 1982, só que desta vez com lapelas mais estreitas, mais compatíveis com as preferências atuais. Também não há uma opção tigrada.

A velocidade é fundamental para atrair os consumidores para as novas tendências. A empresa inspirou-se na Zara, pioneira da fast-fashion, disse o CEO, embora a companhia espanhola opere a um preço muito mais baixo e possa ultrapassar a Boss várias vezes com sua rotatividade acelerada. Mas a grife alemã reduziu de oito meses a seis semanas o tempo que gasta para projetar e desenvolver novas coleções, usando ferramentas digitais e deixando de lado os protótipos de tecido e linha. O próximo passo será acelerar a fabricação, disse Langer.

“Precisamos reconhecer que nossa indústria mudou”, disse ele.

Linha feminina
O episódio com Meghan Markle também foi importante para a Boss de outra maneira, porque ajudou a posicionar a empresa longe de um público predominantemente masculino. Langer disse que a linha feminina é uma “parte fundamental” da companhia e que a Boss quer ser a marca nº 1 de roupas de trabalho para mulheres profissionais.

Tudo faz parte da aspiração de elevar o crescimento das vendas de 4 por cento neste ano para até 7 por cento anualmente até 2022. As novas metas são “ambiciosas” e estão à frente do crescimento projetado para o setor, segundo Piral Dadhania, analista da RBC.

De fato, o discurso de Langer para a comunidade de investidores em uma apresentação em Londres, na semana passada, foi recebido com certo ceticismo, embora Dadhania tenha dito que “acelerar o impulso da receita implica sinais iniciais de sucesso”.

–Com a colaboração de Matthew Miller, Anna Edwards, Corinne Gretler e Albertina Torsoli.

Após reportagem do NYT, agências de publicidade criticam Facebook

Segundo jornal, executivos ignoraram e ocultaram sinais de alerta sobre exploração de dados

Na primeira página do NYT traz reportagem com investigação de seis meses sobre o Facebook – Reprodução

NOVA YORK – Motor financeiro do Facebook, anunciantes importantes criticaram a forma como a gigante da tecnologia lidou com indícios de escândalos, um dia após o jornal The New York Times relatar que os principais executivos da empresa ignoraram e ocultaram sinais de alerta sobre exploração de dados e difusão de conteúdo tóxico.

O artigo destacava ainda uma campanha de lobby comandada por Sheryl Sandberg, à frente da publicidade do Facebook, para desviar a ira do público aos críticos da rede e a empresas rivais.

As revelações podem ser “a gota que faltava”, disse Rishad Tobaccowala, vice-presidente de crescimento do Publicis Groupe, um dos maiores grupos publicitário do planeta. “Agora estamos cientes de que o Facebook fará qualquer coisa por dinheiro. Eles não têm moral alguma”.

Anunciantes já reclamavam sobre a possibilidade de suas peças publicitárias serem divulgadas no Facebook ao lado de conteúdos que disseminavam desinformação e mensagens de ódio. 

Eles se queixam da maneira com a qual a empresa lida com os dados de seus consumidores e sobre sua forma de medir a audiência de anúncios e base de usuários. 

Essas preocupações não foram suficientes para reduzir os atrativos da vasta audiência trazida pelo Facebook e para desacreditar, por parte das empresas, que a rede social insistia em corrigir falhas.

Embora as agências de publicidade coloquem os anúncios em nome de seus clientes, cabe a eles decidir se anunciarão ou não no Facebook.

“As agências fazem recomendações, mas são os anunciantes que decidem quando algo se torna negativo para eles”, disse Marla Kaplowitz, presidente da 4A, uma organização setorial de publicidade.
Poucas empresas se dispuseram a deixar a plataforma.

“A posição dos anunciantes, há muito tempo, vinha sendo a de que o Facebook era manipulado por terceiros e por agentes inescrupulosos, mas eles sempre acreditaram que o Facebook estivesse tomando todas as medidas possíveis para evitar isso”, disse Rob Norman, consultor sênior da GroupM, divisão de compra de mídia do gigante da publicidade WPP.

Norman diz que o Facebook deveria ter um ombudsman, alguém que avaliasse os riscos do negócio para a sociedade e apresentasse relatórios quando a empresa anunciasse resultados, como fazem auditorias independentes.

“A empresa deveria reportar seu risco para a sociedade, e não apenas o risco financeiro para seus negócios”, afirma.

“Cometemos erros, mas sugerir que não estejamos concentrados em descobrir e resolver as questões rapidamente não é verdade”, disse Carolyn Everson, vice-presidente de soluções mundiais de marketing do Facebook, por email. 

“Nossos clientes confiam em nós para que os ajudemos a promover seus negócios, e quer isso signifique apoiar as maiores marcas do planeta ou um empreendedor iniciante, manteremos o foco em fazer o melhor trabalho para nossos parceiros, melhorar a segurança e a proteção de nossas plataformas e promover o bem social no planeta”.

Quase toda a receita do Facebook —que chegou a mais de US$ 40 bilhões (R$ 149,5 bilhões) no ano passado— vem dos anunciantes. 

Junto com o Google, o Facebook domina o mercado de publicidade digital e, mesmo que o crescimento de sua base de assinantes tenha desacelerado, a receita da empresa sobe a cada trimestre.

Mas as revelações desta semana podem abalar a confiança necessária ao marketing entre comprador e vendedor.

“Até agora, não importa o que você dissesse sobre o Facebook, não se podia dizer que fosse uma companhia dúplice”, disse Tobaccowala. “Mas a empresa diz uma coisa e faz outra completamente diferente”, completou. “E isso é muito difícil para um anunciante”.

A R/GA, agência digital que ganhou um prêmio do Facebook no ano passado, postou um link para a reportagem do NYT em sua conta no Twitter e acrescentou que “é hora de admitir que estávamos todos errados sobre o Facebook. As coisas são ainda piores”. Procurada, a agência não quis acrescentar comentários.

“O que mais ouço são marcas dizendo que a hora de só falar acabou. Não importa mais o que o Facebook diz, mas sim o que eles fazem e deixam de fazer”, disse, Dave Morgan, fundador e presidente-executivo da Simulmedia, que trabalha com anunciantes para criar publicidade televisiva direcionada.

Keith Weed, vice-presidente de marketing da Unilever,  dona de marcas como Omo e Dove, causou sensação neste ano ao anunciar que sua empresa não realizaria investimento publicitário em plataformas ou ambientes que “criem divisões na sociedade e promovam a raiva ou o ódio”.

A Unilever não respondeu a pedidos de comentário.

“Até agora, o histórico vem sendo o de que, não importa o que o Facebook faça, eles não param de ganhar dinheiro”, disse Tobaccowala. “A questão, então, é: simplesmente o que fará com que as pessoas acordem? THE NEW YORK TIMES

56% dos brasileiros ainda não compram online

Entre os adeptos do e-commerce, mulheres são maioria, segundo pesquisa da Kantar TNS
Por  Vanessa Barbosa

São Paulo – Todos os dias, o brasileiro passa de quatro a cinco horas em média na frente de um computador, tablet ou smartphone, trabalhando, buscando informações, discutindo ideias, publicando fotos e pensamentos. Apesar dessa conexão toda, ainda não temos o hábito de comprar online.

Comportamento: maioria (74%) utiliza computador nas compras online. (AndreyPopov/Thinkstock)

Segundo a pesquisa Connected Life, da Kantar TNS, 56% dos consumidores não realizam compras pelo e-commerce, porém, 90% deles estão abertos a fazê-lo em algum momento, enquanto os outros 10% rejeitam a ideia.

A taxa de delivery (para entrega do produto) é apontada por 43% dos que não compram online como a maior barreira, seguida do tempo de entrega, qualidade, preço, especificação do produto e facilidade de encontrá-lo.

Entre os que compram pelo e-commerce, 59% são mulheres e 40% homens, em geral na faixa de 25 a 34 anos.

O estudo também revelou os aparelhos que são mais utilizados para compra online. A maioria das pessoas (74%) utiliza o computador, 31% usam o celular, 14% lançam mão do tablet e 2% usam mensagem de voz

Dados sobre sua gripe valem ouro para empresas de publicidade

Dispositivos inteligentes podem coletar informações relativas à saúde do usuário para direcionar campanhas publicitárias
Sapna Maheshwari, The New York Times

Kinsa’s smart thermometers sync up with a smartphone app that helps users track their fevers and symptoms. (Tony Cenicola/The New York Times)
Os termômetros inteligentes da Kinsa ajudam os usuários a rastrear seus sintomas, mas também coletam dados que são vendidos posteriormente. Foto: Tony Cenicola/The New York Times

A maior parte daquilo que fazemos – os sites que visitamos, os lugares que frequentamos, os programas de TV a que assistimos, os produtos que compramos – tornou-se parte daquilo que os publicitários usam para chegar ao público. Agora, graças aos dispositivos domésticos conectados à internet, os anúncios que vemos podem ser determinados por algo mais pessoal: nossa saúde.

Durante a temporada da gripe deste ano, a Clorox pagou por informações licenciadas pela Kinsa, uma startup de tecnologia que vende termômetros conectados à internet sincronizados a um aplicativo para smartphones que permite aos usuários rastrear suas febres e demais sintomas.

Os dados mostraram à Clorox quais códigos postais dos Estados Unidos estavam apresentando mais casos de febre. Então, a empresa direcionou mais anúncios para essas áreas, supondo que os lares da região estariam interessados em produtos como lenços umedecidos desinfetantes.

A Kinsa, empresa de San Francisco que captou cerca de US$ 29 milhões em capital de investimento desde sua fundação, em 2012, diz que seus termômetros são encontrados em mais de 500 mil lares americanos. Seus “dados de enfermidades” são agregados e não contêm informações de identificação pessoal, podendo ser transmitidos a outras empresas. Para a Kinsa, essas informações são únicas, pois vêm diretamente dos lares das pessoas em tempo real.

“O problema de usarmos a busca do Google, as redes sociais ou a mineração de dados em aplicativos é que dependemos de sinais indiretos: temos alguém falando a respeito de uma doença, mas não temos dados da doença em si”, disse Inder Singh, fundador e diretor-executivo da Kinsa. Segundo ele, mecanismos de busca e redes sociais podem ser complicados pela cobertura jornalística das epidemias, enquanto os dados do governo costumam chegar com atraso, vindos de hospitais e clínicas em vez de lares.

A chamada internet das coisas está se fazendo presente em muitos lares, trazendo com ela um novo nível de conveniência, além de crescentes preocupações com a privacidade. A Amazon solicitou (e obteve recentemente) o registro de uma patente descrevendo como a empresa poderia recomendar canja de galinha ou xarope para tosse às pessoas que usam seu dispositivo Echo caso o aparelho detecte sintomas como tosse e espirros na fala do usuário, de acordo com reportagem do site de tecnologia CNET.

Christine Bannan, do Centro de Informação e Privacidade Eletrônica, disse que embora a Kinsa pareça usar as informações sem violar as leis de privacidade, seu modelo de negócios sublinha a necessidade de regulamentar como os dados dos usuários são usados.

A Kinsa afirmou que a maioria dos usuários opta por compartilhar sua localização, e a empresa não associa essa informação aos seus números de telefone nem endereços de e-mail. Singh disse que os dados proporcionavam um recorte único, mostrando a dinâmica de doenças ligadas à gripe em áreas específicas.

A Clorox usou essa informação para aumentar seu investimento em anúncios digitais direcionados a áreas mais doentes, redimensionando os gastos nas áreas mais saudáveis. As interações dos consumidores com os anúncios de desinfetantes Clorox tiveram aumento de 22% quando observamos os dados entre novembro de 2017 e março deste ano. Esse número foi calculado medindo o número de cliques num anúncio, o tempo de exposição de anúncio a uma pessoa e outras métricas não divulgadas, de acordo com Vikram Sarma, executivo de marketing da Clorox.

A capacidade de direcionar um grande volume de anúncios dessa maneira representa uma grande mudança em relação às práticas de sete anos atrás, quando o início da temporada de gripe e tosse significava que essas empresas compravam 12 semanas de anúncios em rede nacional de TV “que seriam irrelevantes para a maioria da população”, disse Sarma. Normalmente, a gripe se espalha rapidamente numa região, alcançando lentamente as demais.

De acordo com Christine Bannan, embora a missão da Kinsa esteja ligada à saúde pública, outras empresas de dispositivos inteligentes podem adotar uma mentalidade diferente. “É fácil pensar em como empresas de álcool e cigarros poderiam empregar estratégias como essa, ou outras indústrias que poderiam resultar em efeitos mais nocivos para a população”.