Serena Williams estrela novo comercial dos Beats Studio Buds

O recado da Apple é claro: os recursos são ótimos, mas é a música que realmente importa

Os Beats Studio Buds já estão entre nós há algumas semanas, mas só nos últimos dias a Apple lançou a campanha de divulgação dos fones — e o foco aqui, como era de se esperar, é a música.

No filmete mais recente da campanha, a maior tenista do mundo, Serena Williams, cita alguns dos recursos dos novos fones da Beats como as oito horas de bateria, o Modo Ambiente e vários outros. Mas para Williams, o que realmente importa é a música — e o fato de que os Beats Studio Buds possibilitam a ela escutar a faixa “Black Magic”, de Kelly Rowland, de uma forma completamente nova.

Williams ressalta, ainda, a mensagem de autoafirmação e valorização às diferenças trazida pela letra da canção. O comercial é assinado com o slogan: “Recursos são uma coisa. O som é tudo”.

Na mesma linha, a Apple já tinha liberado, nos últimos dias, dois outros comerciais — um estrelando o comediante Druski, e outro com o rapper Roddy Rich (que já tinha, aliás, colocado os fones para estrelar um dos seus videoclipes antes mesmo do lançamento). [MacMagazine]

Burger King faz campanha pela diversidade e causa polêmica nas redes sociais

Ação ‘Como explicar?’, que traz o olhar das crianças em relação à comunidade LGBTQIA+, foi parar nos trending topics do Twitter

ctv-7y2-bk frame 6
Campanha ‘Como explicar?’, do Burger King, traz o olhar das crianças em relação à comunidade LGBTQIA+. Foto: Divulgação/Burger King

Burger King virou alvo de críticas nesta semana após lançar uma campanha com a perspectiva infantil em relação à comunidade LGBTQIA+, ao respeito e ao amor. A ação da rede de fast food chegou a entrar nos trending topics do Twitter com as hashtags #burgerkinglixo e #burgerkingnuncamais. No vídeo que vem sendo criticado, o foco é a pergunta “Como eu vou explicar a sigla LGBTQIA+ para as crianças?”.

 

“A campanha tem como objetivo endereçar um ponto de reflexão a população em geral. O preconceito é uma construção social e, com toda a responsabilidade que nos cabe enquanto companhia, conseguimos mostrar que os pequenos carregam o discernimento a partir de um olhar muito sensível e humano”, disse Juliana Cury, diretora da marca Burger King do Brasil no lançamento da ação.

Assinado pela agência David, o filme foi realizado em cocriação com especialistas em psicologia e diversidade. Na ação, as crianças compartilham a sua visão real sobre a pluralidade, sempre acompanhados pelos responsáveis. As perguntas foram feitas por profissionais e as respostas são espontâneas, em uma gravação sem roteiro. Apesar das críticas, outra parcela de usuários elogiou a ação. 

Procurado pelo Estadão, o Burger King disse que acredita no respeito como princípio básico de todas as relações humanas e não tolera o preconceito. A marca destacou ainda que o desenvolvimento da campanha, “voltada e pensada especificamente para o público adulto”, contou com a curadoria de profissionais para “garantir o uso de uma linguagem adequada”. “O Burger King reforça seu compromisso de contribuir na construção de uma sociedade cada vez mais plural e com o respeito como princípio básico.”

Além da campanha, a marca lançou, em parceria com a ONG Mães Pela Diversidade, uma cartilha com dicas e instruções para as pessoas que desejam se aprofundar na temática. O conteúdo é aberto, gratuito e pode ser baixado. “Essa cartilha contém a informação necessária para desconstruir o preconceito e para que cada vez menos as famílias sofram o efeito da LGBTfobia”, disse Maju Giorgi, idealizadora e coordenadora nacional da ONG. A rede de fast food anunciou que também fará uma doação para a entidade. 

Brasil ganha Grand Prix inédito em Cannes para campanha sobre a comunidade trans; assista

Fernando Scheller
Com Lílian Cunha

Campanha ‘Eu Sou’, da Starbucks: visibilidade trans (Crédito: VMLY&R/Starbucks)

O Brasil trouxe um inédito Grand Prix (Grande Prêmio) para casa no último dia do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2021. Uma campanha feita para a rede de cafeterias Starbucks pela agência VMLY&R ganhou a maior honraria do festival na categoria Glass – Lion for Change, que premia as campanhas que trazem mudanças ou impactos positivos para o mundo e costumam ter forte caráter social.

Neste ano, a campanha escolhida foi “Eu sou”, feita pela VMLY&R. A peça publicitária, disponível no YouTube (veja abaixo), mostra as dificuldades que a comunidade trans tem por causa de nomes que não condizem com seu gênero. A campanha aborda a dificuldade de se “navegar” o mundo com um nome que não corresponde à identificação pessoal.

“Foi uma campanha que fizemos para o dia 29 de janeiro, em 2019, quando se comemora Dia Nacional da Visibilidade Trans. Mas os efeitos e os serviços dela continuam até hoje”, diz Rafael Pitanguy, vice-presidente de criação da VMLY&R.

Na Starbucks, explica a campanha, as pessoas sempre puderam usar os nomes que escolheram (na rede, é comum que cada pedido venha com o nome escrito no copinho). A empresa, no entanto, decidiu ir além, fazendo uma campanha de mudança de nomes em uma de suas unidades para a comunidade trans. A ideia foi chamar a atenção para o problema e também para o alívio que essas pessoas sentem ao poderem ser identificadas com o nome que escolheram para si.

Não se trata de uma ação de um dia

“Para a inscrição de um projeto em Cannes, normalmente, você só manda o trabalho e pronto. Mas, nessa categoria, há um segundo processo: se você é selecionado, é preciso defender a campanha para uma bancada de juízes, como uma tese de universidade. Fiz isso junto com a Fernanda (Fernanda Kawani Custodio), uma menina trans que mudou de nome há duas semanas. Foi muito emocionante”, conta Pitanguy.

Mas por que abraçar essa causa? Para começar, o processo de mudança de nome é caro e burocrático. Dependendo da localidade, pode custar entre R$ 600 e 1.500. A rede Starbucks cobriu esse gastos e estendeu o processo. Embora não seja mais feito nas lojas (por conta da pandemia), a pessoa interessada pode fazer tudo pelo site da empresa. “Não sabemos quantas pessoas já conseguiram mudar de nome porque é um processo contínuo”, diz o publicitário.

E os “haters”?

Houve muitas reações negativas, segundo Pitanguy. Mas quando uma marca tem um compromisso real com uma causa, diz o vice-presidente, ela está disposta a não mais navegar num mar de tranquilidade. E a Starbucks sempre teve proximidade com a comunidade trans, empregando funcionários e apoiando eventos.

Casamento adolescente

A VMLY&R, aliás, foi destaque em outra campanha de cunho social, desta vez sobre casamento adolescente, que recebeu dois Leões (um de ouro e outro de bronze) em outra categoria voltada a questões sociais: Sustainable Development Goals (metas de desenvolvimento sustentável).

A campanha, realizada para a instituição Center for Child Well-Being and Development (CCWD), criou uma forma de convencer pais de vilarejos no Malawi, na África, a evitar que suas filhas se casassem antes dos 18 anos (veja abaixo – em inglês).

No total, a VMLY&R ganhou, em Cannes este ano, nove premiações: o Grand Prix (“Eu sou”), o Leão de Ouro (“The Commitment”), quatro pratas (uma também para “Eu sou”, outra para Streamers em extinção/Greenpeace e duas para We Stand/Santander) e três bronzes (um para “The Commitment”, outro para a campanha Hino/Santander e mais uma para o trabalho Ela, também para o Santander).

Agências brasileiras Africa e Gut ganham dois Grand Prix em Cannes Lions

Campanhas trataram de temas relacionados à diversidade LGBTQIA+ e à questão ambiental; resultados mostram força do País em categorias voltadas ao entretenimento do festival
Fernando Scheller e Lílian Cunha, O Estado de S.Paulo

Campanha “Feed Parade”, criada para o Mercado Livre
Campanha “Feed Parade”, criada para o Mercado Livre Foto: Mercado Livre/Gut

Dois trabalhos brasileiros receberam nesta quarta-feira, 23, Grand Prix (Grande Prêmio) no Cannes Lions– Festival Internacional de Criatividade de 2021. Na categoria Entertainment Lions for Sport, o “Grand Prix” foi para a campanha “Save Salla”, da agência Africa. E o principal prêmio em Entertainment Lions for Music ficou com a Gut, pelo trabalho “Feed Parade”, criado para a gigante do e-commerce Mercado Livre

As duas campanhas têm algo em comum: falam de assuntos relevantes e voltados à sustentabilidade (no caso da Africa) e da diversidade (para a Gut). “Uma agência só tem relevância se fala de assuntos relevantes”, disse Sergio Gordilho, copresidente da Africa. Ele conta que a ideia de fazer uma campanha falando de aquecimento global surgiu internamente na DDB (controladora da agência) e no conselho criativo global do grupo.

A Africa, conta ele, abraçou a missão na hora quando surgiu a ideia de procurar uma cidade gelada no mundo que topasse fazer uma candidatura “fake” para os Jogos Olímpicos de Verão de 2032. 

Campanha “Save Sallas”, da agência Africa
Campanha “Save Sallas”, da agência Africa Foto: Africa

“Quando propusemos a ideia para o prefeito de Salla, na Finlândia, ele topou na hora”, conta o publicitário. A agência despachou, no fim de 2019, uma equipe de sete pessoas para a produção de um filme. Os custos foram divididos entre a Africa e a House of Lapland (a autoridade de turismo local). Os valores não foram revelados.

No dia 25 de janeiro de 2020, a prefeitura local e a House of Lapland publicaram em suas redes sociais um filme pelo qual lançavam sua candidatura aos jogos de verão. Com bom humor, os moradores locais mostravam a cidade coberta de neve, dizendo que até 2032, tudo derreteria e seria possível construir quadras e estádios de esportes de verão até lá.

A notícia se espalhou rápido e o prefeito da cidade, Erkki Parkkinem, foi pessoalmente à Suíça levar a candidatura ao Comitê Olímpico – o que deu toques a mais de realidade para a ação. “Nesse momento da campanha, ficamos com muito receio de despertar a indignação da imprensa, do Comitê ou do público. Porque estava todo mundo realmente achando que Sallas queria sediar os Jogos”, diz Gordilho. 

No dia seguinte ao lançamento do vídeo, o prefeito Parkkinem, junto com cientistas e especialistas em clima, realizaou uma coletiva de imprensa e abriram o jogo: disseram que a ação era uma campanha para conscientizar sobre o aquecimento global e sobre as mudanças climáticas que a cidade ártica já vem vivenciando. 

Parada virtual

A Gut chega ao Grand Prix apenas dois anos depois de ser criada pelo premiado publicitário Anselmo Ramos (ex-Ogilvy e David) e pelo argentino Gastón Bigio. A ação se refere à parada LGBTQIA+ virtual criada para o Mercado Livre no ano passado. 

“O Mercado livre é nosso maior cliente e eles patrocinam a Parada há muitos anos. Mas em 2020, por conta da pandemia, como todos sabem, ela não pôde acontecer. Começamos a pensar no que poderíamos fazer para envolver a comunidade com o tema, apesar de tudo”, conta Bruno Brux, diretor executivo de criação da Gut. 

A agência, então, criou um perfil no Instagram @paradanofeed, com 270 fotos de toda a extensão da avenida Paulista, em São Paulo, onde – sem a pandemia – acontece o evento. 

Com a ajuda de vários influenciadores, a Gut pediu para que as pessoas marcassem seus nomes nas fotos, como se fossem encher a avenida de pessoas virtualmente. Mais de 60 mil pessoas fizeram isso. Cada nome, depois, foi usado numa animação em que a avenida parecida lotada de “tags” num clipe da cantora Gloria Groove, figurinha carimbada de várias edições da Parada. 

“Estamos muito felizes com essa premiação, pois ela reconhece uma ação que realmente aproximou ainda mais a marca de uma causa – e de uma comunidade, com autenticidade”, diz Brux.

Mais prêmios

Os prêmios para a Africa e a Gut rechearam as premiações no segmento de Entertainment, que tem três divisões. Na geral (Entertainment), o Brasil levou um Leão de Ouro para uma ação da WMcCann para a Coca-Cola, uma prata para a Akqa/Authentic Feet e um bronze para BETC Havas/Hershey.

Na categoria voltada à música, além do Grand Prix, um ouro também é incluído para a conta do País. Na área de Sports, além de Grand Prix e ouro, o País trouxe para casa quatro bronzes: VMLY&R/Greenpeace, Africa/Sportv, Ogilvy/Adidas e VMLY&R/Santander.

Outras três categorias tiveram os resultados divulgados nesta quarta-feira, 23. Em Digital Craft, o Brasil trouxe um Leão de prata para Akqa/Instituto Raoni; em Industry Craft, um ouro para Africa/Folha de S. Paulo e dois bronzes para Publicis/Nestlé e BETC Havas/Hershey; e, em Film Craft, o País ganhou um bronze: Wunderman Thompson/United Nations.

Apesar da redução da ordem de 30% no total de inscrições do País, o Brasil já chegou a um total de 45 Leões no festival de 2021, que está premiando os trabalhos realizados nos últimos dois anos.

Deloitte britânica vai deixar que funcionários escolham entre home office ou escritório no pós-pandemia

Empresa diz que seus espaços físicos serão usados para treinamentos e reuniões

Placa alerta sobre presença da variante B.1.617.2, identificada na Índia, na cidade de Bolton, Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra; surto da nova linhagem preocupa o governo inglês
Placa alerta sobre presença da variante B.1.617.2, identificada na Índia, na cidade de Bolton, Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra; surto da nova linhagem preocupa o governo inglês Oli Scarff – 14.mai.2021/AFP

A Deloitte do Reino Unido avisou seus 20 mil funcionários nesta sexta-feira (18) que vai deixá-los escolher com que frequência irão trabalhar nos escritórios da empresa presencialmente após a pandemia.

A companhia disse que os profissionais poderão decidir “quando, onde e como trabalhar”.

Segundo a Deloitte, conforme as restrições governamentais no país permitirem a ocupação total dos escritórios, a ideia é que os espaços sejam usados para incentivar a colaboração entre os funcionários, oferecer treinamentos e reuniões com clientes.

com Mariana Grazini e Andressa Motter

Fenômeno do TikTok, Khaby Lame faz primeira ação no Brasil com 99

Influenciador fará série de seis vídeos para “estrear” o canal da marca na rede social
por Pedro Strazza

99 divulgou nesta sexta (11) que firmou parceria com Khaby Lame, influenciador senegalês naturalizado italiano que ganhou o mundo com seus vídeos que apontam o jeito mais prático de se fazer as coisas. Além da marca ser a primeira brasileira com quem o usuário realiza uma ação, a parceria marca o início dos trabalhos da 99 com o TikTok, onde lançou seu perfil na data de hoje.

De acordo com a empresa, a campanha contará com seis vídeos apresentados pelo influenciador, que vai introduzir as diferentes formas pela qual a 99 descomplica a vida das pessoas – incluindo produtos como o 99Pop, o 99Food e o 99Entrega. O primeiro conteúdo já está no ar no perfil e mostra Lame mostrando como é mais fácil pedir pra companhia entregar itens nos destinos que você mesmo levar os mesmos numa bicicleta. Confira abaixo.

A campanha é tocada pela CP+B, com a curadoria do conteúdo sendo feito junto do núcleo de Growth Content da 99 e a intermediação com Lame pela agência MField. No anúncio, o influenciador se diz “lisonjeado” pela oportunidade e escreve que “É a realização de um sonho fazer campanha no Brasil”.

“O mercado olha para grandes criadores como o Khaby como mídia, por conta do seu grande alcance. Mas, nós preferimos olhar para a autenticidade e criatividade dos seus conteúdos.” escreve o diretor de marketing solutions da companhia Cleber Paradela na divulgação; “Afinal, essas são as alavancas que os tornam perfis com números tão expressivos. Além disso, o Khaby entrega por meio de seu conteúdo dois dos valores que levamos aos nossos clientes: conveniência e praticidade”. Segundo a 99, a marca vai investir em ações de cauda longa dentro do TikTok, com o material sendo levado a outras redes sociais e canais.

‘Toda vez que eu entrava no set, um diretor branco me pedia para servir café’, diz a primeira diretora negra e lésbica de publicidade do Brasil

Juliana Almeida enfrentou misoginia, racismo e lgbtfobia no cinema. Hoje, ela trabalha para mudar o imaginário social brasileiro sobre pessoas negras e LGBT+: ‘A minha missão é desconstruir estereótipos’
Pâmela Dias

Juliana Almeida, 31, é nordestina, cineasta, fotógrafa e a primeira diretora negra e lésbica de publicidade do Brasil Foto: Divulgação

Primeira diretora negra e lésbica de publicidade do Brasil. Aos 31 anos, a cineasta e fotógrafa baiana Juliana de Almeida Damasceno recebeu a notícia de seu pioneirismo, revelado por uma pesquisa de mercado no último dia 20 de maio, enquanto dirigia comerciais. Para ela, este é o início de uma caminhada árdua para a inclusão de outras mulheres negras e LGBT+ em cargos de relevância na área da Comunicação.

Ao encontrar em Adélia Sampaio — primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil — uma referência para entrar no universo do cinema, Juliana decidiu, em 2013, deixar Catu, sua cidade natal, e se mudar para Salvador, onde estudou na Universidade Federal da Bahia. Aprovada com apoio do sistema de cotas raciais, ela entendeu por que o cinema ainda é majoritariamente feito por pessoas brancas que retratam a população negra como subalterna. Juh Almeida diz que dos 30 alunos do curso, dez eram negros; para cada dez professores, apenas um era negro. Números ainda mais alarmantes ao considerarmos que Salvador é a capital mais negra do país: segundo o IBGE, 82,7% da população soteropolitana se declara como não branca, sendo 36,5% pretos e 45,6% pardos.

— Eu lembro que isso era uma deficiência que nos afetava muito (alunos negros) porque, como os professores eram quase todos brancos, nunca levavam para a sala de aula temas com recorte racial. Era bastante complicado, por exemplo, termos que ficar vendo um filme que tem black face. Chegávamos a questionar isso em sala, mas não havia escuta. O curso de cinema é violento porque a gente está falando de imagem, mas não está se vendo — explica a diretora.

Uma pesquisa divulgada em 2020 pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, analisou raça e gênero dos diretores, roteiristas e personagens de filmes brasileiros de grande público lançados entre 1995 e 2018. De acordo com o levantamento, o grupo social que aparece menos representado em todas as principais funções do cinema do país é o de mulheres pretas e pardas, que não dirigiu nem escreveu nenhum dos 240 filmes analisados e constituiu apenas 4% do elenco selecionado para os longa-metragens. Homens pretos e pardos têm um desempenho levemente melhor e são 2% dos diretores, 3% dos roteiristas e 13% dos personagens.

A predominância aparece entre homens brancos que, por sua vez, dominam todas as funções, principalmente as de construção narrativa, como diretor (84%) ou roteirista (71%), sendo ainda 49% do elenco. No recorte de mulheres brancas, apesar de ainda serem subrepresentadas, elas aparecem mais do que os negros. Ao todo, correspondem a 21% das diretoras, 34% das roteiristas e 34% das personagens.

— A mulher negra está na base da pirâmide social e a mulher negra e lésbica está mais abaixo ainda. Todas as vezes que chegava em um set encontrava diretores brancos que, ao me verem, pediam que eu servisse o café. Não que eu não possa fazer um gesto de gentileza, mas era muito nítido o preconceito: olhavam e me viam como alguém disponível para servir e não para pegar minha câmera e filmar — relata Juliana.

Levando em consideração esses índices e o fato de sofrer na pele preconceito triplicado por ser mulher, negra e lésbica, Juliana fez da misoginia, do racismo e da lgbtfobia existentes no cinema um combustível para ajudar pessoas como ela a serem protagonistas na televisão. Para consolidar sua carreira, a cineasta precisou exercer funções fora da sua área de atuação enquanto realizava especializações até que, em 2019, decidiu se aventurar na capital paulista em busca de oportunidades. Hoje, ela soma um acervo de dois curtas autorais (Náufraga e Irun Orí), em direção e roteiro, e está em fase de finalização de outra obra chamada Eunegra. Além disso, já realizou para grandes marcas como Nike, Facebook e Consul.

— A minha missão é descolonizar as telas e desconstruir estereótipos sobre negros e LGBT+, como mãe preta guerreira, o negro revoltado e malandro, a mulher negra doméstica e subalterna. Quando eu falo em reverter esse imaginário é no sentido de construir um outro, como um filme de publicidade em que eu coloque uma mulher negra dirigindo um jipe e um comercial de margarina com uma família toda negra, casais homossexuais se amando e por aí vai — aponta a cineasta e fotógrafa.

Ações contra o retrocesso

Apesar de acreditar que as consideradas “minorias sociais” estão ganhando aos poucos espaço no audiovisual, especialmente a partir do movimento negro, Juliana ainda teme que a desigualdade perdure por décadas. Um dos eventos recentes que desanimou a diretora foi o Projeto de Lei (PL) nº 504/2020, criado pela deputada estadual Marta Costa (PSD), que pretendia proibir propagandas em qualquer veículo de mídia ou comunicação que “contenha alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionado a crianças”. No entanto, após pressão da comunidade LGBT+ e de partidos opositores, o PL foi arquivado.

Pouco antes da proposta de lei voltar a ser apresentada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Juliana havia produzido um comercial para Facebook, no qual aparece um casal de mães lésbicas brincando com o filho. Segundo a diretora, o PL é extremamente violento ao mirar na propaganda já que a comunicação é um dos principais meios pelos quais a população LGBT+ pode normalizar suas existências e lutar por cidadania.

— Quando saiu esse PL, eu fiquei transtornada, porque era como se todo o meu trabalho estivesse em jogo, tudo o que eu acredito e vivo. Para mim é violento você querer apagar uma existência, é violento você querer apagar uma forma de amor. Estamos em 2021 e pautas como essas ainda estão sendo discutidas, sabe? É graças à comunicação que muitos de nós conseguimos resistir — afirma a diretora.

Com a vitória sobre mais uma tentativa de exclusão, a cineasta só quer para o futuro que o “título” de primeira diretora negra e lésbica do Brasil acabe o mais rápido possível. Para ajudar na caminhada, ela pensa em se tornar professora universitária. Enquanto esses avanços não chegam, segue na missão de inspirar e dar oportunidades no mercado de trabalho a outras mulheres negras e LGBT+ que desejam ingressar no audiovisual.

— Eu espero que a minha existência e resistência facilite as chances de outras mulheres que estão vindo e que a trajetória delas seja um pouco mais confortável. O meu sonho é que elas não tenham que passar por tantas violências como eu passei, que não tenham que trabalhar em profissões subalternas para comprar uma câmera, que não precisem mudar de estado para terem oportunidades. Enquanto isso, eu sigo dando mentorias, oportunidades e auxiliando com o meu conhecimento — conclui a diretora.

Planin é a nova Assessoria de Comunicação da Ornare

Agência assume as ações de relacionamento com a Imprensa nacional e internacional da empresa que é referência em luxo e exclusividade em mobiliário sob medida de alto padrão

Com mais de 27 anos de história e diversos cases de sucesso, a Planin anuncia mais uma conquista no mercado. A agência será responsável pelas atividades mundiais de imprensa da Ornare, uma das mais sofisticadas marcas internacionais de mobiliário sob medida de alto padrão. A empresa é referência no Brasil e no exterior, tanto pela sua exclusividade e originalidade, quanto pelo bom gosto e qualidade.

Fundada em 1986, em São Paulo, pelos empresários Esther e Murillo Schattan, Ornare investe no design, na criação de produtos únicos e sofisticados, e tem parcerias com os principais nomes da arquitetura e do design brasileiros. A alta tecnologia e qualidade sempre foram os preceitos básicos da Ornare.

Com showrooms no Brasil, EUA e México, a marca oferece soluções variadas em ambientes como cozinhas, salas, quarto, salas de banho, portas internas, sempre preservando o estilo e individualidade do cliente. A marca conta ainda com o selo FSC (Forest Stewardship Council), chancela que garante que a matéria-prima utilizada é extraída de florestas onde é realizado o correto manejo florestal, minimizando o impacto ambiental.

A Ornare iniciou o ano de 2021 com a previsão de grande expansão de mercado. Com planos de crescimento no Brasil e no mundo, estão confirmadas aberturas de três showrooms para o primeiro semestre deste ano.

Para reportagens relacionadas à arquitetura, designer de interiores, dicas para decoração, mobiliário, projetos inovadores, mercado de construção civil entre outras demandas relacionadas ao tema, faça contato pelo e-mail ornare@planin.com ou pelo telefone (11) 2138-8940.

Sobre a Ornare

Ornare é uma das mais sofisticadas marcas internacionais de mobiliário sob medida de alto padrão. Sua trajetória de sucesso começou em 1986, com a abertura do primeiro showroom. Logo na sequência, foi inaugurada a primeira fábrica (1989) e o showroom da Alameda Gabriel Monteiro da Silva (1993). Os projetos da Ornare chamam a atenção do mercado de luxo com armários, closets, cozinhas, painéis de sistema Wall, Home Theaters, móveis e salas de banho. No Brasil, a marca está presente nacionalmente e tem showrooms em Brasília, Salvador, Ribeirão Preto, Cuiabá, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis. A sofisticação da Ornare também está presente no exterior em cidades como Miami, Dallas, Houston, Los Angeles e New York. Novas coleções são lançadas anualmente, sempre assinadas por famosos arquitetos, designers e decoradores como Patrícia Anastassiadis, Marcelo Rosenbaum, Ruy Ohtake, Guto Índio da Costa, Zanini de Zanine, Arthur Casas, Mauro Lipparini, Carlo Colombo, Giangranco Vannuchi, entre outros. Saiba mais em www.ornare.com.br

11:11 anuncia chegada de Renata Antunes como nova sócia e diretora de criação

Creative shop liderada por Wilson Mateos e Marcelo Siqueira ganha o reforço de Renata Antunes na equipe

Renata Antunes

Após oficializar seu lançamento em março, depois de atuar por cerca de um ano em fase beta, a 11:11 passa a contar com um importante reforço em sua equipe. Para atender à crescente demanda por projetos, a creative shop anuncia a chegada de Renata Antunes ao time. Além de assumir o posto de diretora de criação, a profissional passa a ter participação societária na empresa.

“A chegada da Renata não só reforça nosso time de forma estratégica e nos dá mais corpo no desenvolvimento dos projetos, como também confirma nosso posicionamento de uma verdadeira creative shop, totalmente focada em atrair mentes criativas, que é o nosso diferencial para os clientes”, destaca Marcelo Siqueira, cofundador e CCO da 11:11, ao lado de Wilson Mateos.

Renata traz em seu currículo passagens por muitas das principais agências do Brasil, tendo atuado como diretora de arte em Taterka, Rapp, Fischer, Cheil, Suno United Creators e Y&R, entre outras. Sua última experiência foi como cliente, respondendo como diretora criativa na equipe de SumUp – empresa que, inclusive, aparece no portfólio da 11:11.

“Tive o prazer de trabalhar com a Renata em outros momentos, tanto na mesma agência quanto com ela do lado do cliente. Além de ser uma diretora de arte e de criação excepcional, ter experiência de negócios, especialmente no varejo, traz uma visão complementar importante para a nossa equipe – além de diminuir a quantidade de camisetas de certa marca de motocicletas nas reuniões”, brinca Mateos.