‘Titã’ da era Steve Jobs, Phil Schiller deixa o comando de marketing da Apple

O executivo passará a ser um consultor na Apple, especificamente no comando da loja de aplicativos App Store e em eventos da empresa

Phil Schiller, vice-presidente de marketing da Apple, deixou o posto após mais de 30 anos 

Após décadas na liderança do marketing da Apple, Phil Schiller vai deixar seu cargo na empresa: ele passará a ser um consultor na Apple, especificamente no comando da loja de aplicativos App Store e em eventos da empresa. Quem assumirá a posição de vice-presidente sênior de marketing global no lugar de Schiller será Greg Joswiak, até então diretor de marketing de produtos na companhia. 

“Continuarei trabalhando aqui enquanto eles me tiverem, mas também quero reservar um tempo nos próximos anos para minha família, amigos e alguns projetos pessoais com os quais me preocupo profundamente”, Schiller disse em um comunicado. O executivo trabalha na Apple desde 1987. 

O marketing é uma área de extrema importância dentro da Apple, que vai além da simples divulgação de produtos. A Apple afirma que o seu marketing é responsável “pelo gerenciamento e marketing de produtos da empresa, relações com desenvolvedores, pesquisa de mercado, gerenciamento de negócios, além de educação, empresas e marketing internacional”.

Em comunicado nesta terça, o presidente executivo da Apple, Tim Cook, disse que “Phil ajudou a tornar a Apple a empresa que é hoje e suas contribuições são amplas, vastas e profundas”. Ele também disse que a experiência de Greg Joswiak na empresa o tornou “perfeitamente adequado a essa nova função”.

A saída de Schiller do comando do marketing da Apple acontece em uma sequência de outras partidas notáveis ​​nos últimos dois anos, incluindo o diretor de design Jony Ive, o diretor de Relações Públicas Steve Dowling e a diretora de varejo Angela Ahrendts.

Twitter pode pagar multa de até US$ 250 milhões por uso indevido de dados

A rede social pode ser punida por ter usado números de telefone e endereços de email de usuários para direcionamento de anúncios na plataforma

O Twitter estima que o valor da multa será entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões. 

Twitter pode receber uma multa de até US$ 250 milhões da Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) por usar indevidamente números de telefone e endereços de email de usuários. A informação foi divulgada pelo próprio Twitter nesta segunda-feira, 3. 

A multa diz respeito a uma prática do Twitter revelada em outubro do ano passado: entre 2013 e 2019, a rede social usou números de telefone e endereços de email de usuários para direcionamento de anúncios na plataforma — a princípio, as informações foram fornecidas apenas “para fins de segurança e proteção”. À época em que foi revelada a prática, o Twitter afirmou que isso foi um erro da empresa, e que não foi intencional.

A rede social disse que recebeu uma notificação nas últimas semanas sobre o episódio. O uso de dados em questão violou um acordo da rede social com a FTC, firmado em 2011 — o contrato estabelecia que o Twitter seria transparente quanto ao uso das informações pessoais de seus usuários.

O Twitter estima que o valor da multa será entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões — a empresa afirmou que está reservando dinheiro para a possível punição. 

Um porta-voz da FTC confirmou ao site The Verge que a agência tem uma investigação aberta sobre práticas do Twitter. 

Com mais um vídeo cheio de emoção, Nike divulga terceira parte de “Nada Pode Parar a Gente”

Atletas de elite e amadores dão prosseguimento à celebração do esporte como fonte de inspiração
Por Soraia Alves

Nike divulgou o terceiro vídeo de sua mega campanha “Nada Pode Parar a Gente”lançada em abril. Neste terceiro filme vemos atletas de elite como Megan Rapinoe, LeBron James, Naomi Osaka, Cristiano Ronaldo, Serena Williams, Colin Kaepernick Kylian Mbappé ao lado de diversos atletas amadores na peça que dá prosseguimento à celebração do esporte como fonte de inspiração.

Narrado por Megan Rapinoe, melhor jogadora de futebol do mundo, o vídeo traz a tela dividida de forma dinâmica em 36 pares de atletas, relacionando os movimentos cinéticos de uma modalidade com os de outra. A montagem é fruto de uma pesquisa com mais de 4 mil sequências separadas, e o resultado ressalta as similaridades compartilhadas por atletas de todo o mundo.

Na versão original, em inglês, o vídeo tem 1 minuto e meio. A versão com legenda em português ficou um pouco menor, com 1 minuto.

O fechamento de academias e estádios não impediu os atletas de continuarem avançando e usando suas respectivas plataformas para impulsionar mudanças. O esporte nos ensina o que é um jogo equilibrado – e nos lembra que é possível, sim, criar um futuro melhor.

“Embora alguns jogadores estejam retornando aos campos e quadras, não vamos voltar à antiga normalidade”, diz Megan. “Temos de continuar reimaginando o mundo e fazendo dele um lugar melhor. Muita gente está indo às ruas, erguendo a voz, e essas vozes estão sendo ouvidas. Convido as pessoas a usarem a energia deste momento e a não desistir. Batalhar por mudanças é uma responsabilidade de todos nós”.

No Brasil, a Nike tem apoiado iniciativas e organizações comunitárias para inspirar e promover acesso ao esporte para crianças há mais de 15 anos. Por meio do compromisso “Feito Pra Jogar”, para mover crianças e a crença no poder do esporte para mover o mundo para frente, a Nike é parceira desde 2007 da Rede Esporte pela Mudança Social (REMS) que beneficia mais de 300 mil pessoas anualmente com 136 organizações sociais em todo o Brasil, como Instituto Esporte & Educação, Instituto Bola Pra Frente, Instituto Janeth, Vida Corrida e Social Skate. Saiba mais em: https://www.nike.com.br/feitoprajogar

Campanha para a Cartago é a primeira produzida 100% a distância pela Batuca

Agência usa o FaceTime para contar a mudança nas rotinas de três homens com seus filhos; ação vai até o fim do ano e começa com apelo para o Dia dos Pais

        Créditos: Jorge Bispo 

Julho, 2020 – A Batuca, agência gaúcha de publicidade com oito anos de expertise no mercado nacional, lança sua primeira campanha desenhada e produzida 100% a distância. As peças foram criadas para a Cartago, marca de chinelos e sandálias masculinas da Grendene, a partir de imagens captadas pelo fotógrafo Jorge Bispo através do FaceTime, aplicativo de mensagens e ligação de vídeo da Apple. “Diante do cenário de pandemia, escolhemos fazer todos os processos da campanha de forma a respeitar e preservar o isolamento social da equipe”, explica Helena Ben, sócia e diretora de atendimento da Batuca.

A campanha será trabalhada nas redes sociais da marca, em PDVs (Pontos de Venda) espalhados pelo Brasil e, ainda, de forma global pela Grendene em seu departamento de exportação. Intitulada “Viver o presente é o que importa”, a ação será trabalhada ao longo do ano e terá início no período que antecede o Dia dos Pais, captando a essência de três homens que representam e carregam o DNA da marca. De forma intimista, mostrará a nova rotina dos três personagens com seus filhos: o cozinheiro Marcelo Schambeck, pai de dois; o fotógrafo Ike Levy, também pai de dois; e Daniel Barra, que tem uma filha.

Segundo Helena, vivemos um momento de ressignificações em que a casa se tornou o único cenário possível durante a pandemia, mudando a rotina e permitindo a reconexão com a essência familiar: “Queremos explorar a realidade de cada pai para que o consumidor enxergue a si mesmo nos momentos em família e na intimidade da casa. O espectador poderá se envolver com a história de cada família, mostrando onde os homens encontram sua verdadeira identidade”, explica a sócia e diretora de atendimento da Batuca.

Intimidade

      Créditos: Jorge Bispo  

Jorge Bispo acredita que, apesar do desafio de se trabalhar a distância com o modelo servindo como assistente técnico, a campanha, a maior que ele já trabalhou via FaceTime até agora, traz alguns diferenciais. “Todo trabalho feito remotamente é muito mais íntimo, pois entramos diretamente na casa das pessoas, o que combina com o objetivo da campanha da Batuca de acompanhar a vida real desses pais, mostrando as peculiaridades dos relacionamentos deles com seus filhos”, comenta o fotógrafo.

Também será produzido um fashion film com o making of da produção mostrando como as sandálias da Cartago estão inseridas no contexto da relação entre pais e filhos. Essa é a primeira fase da campanha que vai se estender até o final do ano. Na segunda etapa, também com o objetivo intimista de mostrar e de valorizar o “viver agora” e as relações familiares, será explorado com um olhar sobre o “Dia das Crianças”. www.agenciabatuca.com.br

Spotify vê fuga de anunciantes por causa da pandemia e receita fica abaixo do esperado

Receita com anúncios caiu 21% no balanço divulgado nesta quarta
Por Agncias – Reuters

Spotify teve queda na receita de anúncios 

Spotify divulgou nesta quarta, 29, receita trimestral abaixo das expectativas e também previu que o atual trimestre será moderado, devido principalmente ao declínio nos anúncios, já que a pandemia de covid-19 afastou os anunciantes.

Os resultados ofuscaram uma recuperação na demanda por streaming de música, à medida que mais usuários se inscreveram em seus serviços e o número de assinantes alcançou 138 milhões, acima das estimativas de Wall Street de 136,4 milhões.

O Spotify, que lidera o mercado de streaming de música, à frente de rivais como Apple e Amazon, gera receita com assinaturas pagas e exibe anúncios para usuários gratuitos. Enquanto os usuários ativos mensais aumentaram 29% para 299 milhões, a receita de anúncios caiu 21% no segundo trimestre.

O vice-presidente financeiro Paul Vogel disse à Reuters em entrevista que, enquanto a publicidade estava melhorando no trimestre atual, havia uma “quantidade razoável de conservadorismo” no mercado. O Spotify espera um crescimento na receita de publicidade este ano, mas será “bastante mínimo”, disse ele.

O Spotify espera que o total de assinantes atinja a faixa de 140-144 milhões no terceiro trimestre, ante expectativas de 141,4 milhões, segundo dados da Refinitiv.

A receita média por usuário (ARPU) no segundo trimestre foi de  € 4,41, uma queda de 9% em relação ao ano anterior.

A receita total prevista do Spotify é € 1,85 bilhão a € 2,05 bilhões no terceiro trimestre. Analistas esperam € 2,01 bilhões.

No trimestre encerrado em junho, a receita aumentou 13%, para € 1,89 bilhão, mas ficou abaixo das estimativas de analistas de € 1,93 bilhão.

O prejuízo líquido atribuível ao Spotify foi de € 356 milhões, ou € 1,91 por ação, em comparação com € 76 milhões ou € 0,42 no ano anterior. Os analistas esperavam uma perda de € 0,45.

Casas Bahia muda marca, mira alta renda e planeja lojas no ‘estilo Apple’

Fernando Scheller

Casas Bahia muda marca e amplia foco no digital (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Os últimos 12 meses foram uma corrida de obstáculos para a Via Varejo, dona da rede líder em eletrodomésticos no País, a Casas Bahia. Depois de passar três anos à venda pelo grupo francês Casino, a empresa ficou defasada e viu a concorrente Magazine Luiza ganhar espaço e se tornar referência em tecnologia e atendimento ao cliente. O último ano foi uma maratona para compensar o terreno perdido. Depois de muitas mudanças internas, a atual direção lança nesta segunda-feira, 27, a nova marca da Casas Bahia. E vai atrás de um público novo: a alta renda.

A nova marca, conforme explica a diretora de marketing da Via Varejo, Ilca Sierra, mostra o aspecto “democrático” da Casas Bahia. Mas, ao contrário do que querem dizer a maioria das empresas que usam essa palavra, a varejista pretende provar que também pode ser uma boa opção para o público de alta renda, e não apenas para quem compra eletrodomésticos em prestações a perder de vista.

As mudanças que agora vão ficar mais transparentes para o consumidor são resultado de um ano de trabalho da nova equipe de executivos da Via Varejo. Depois que o empresário Michel Klein, membro da família fundadora da rede, voltou a ser o principal acionista da companhia, a rede vem fazendo uma caminhada ladeira acima. Liderada pelo executivo Roberto Fulcherberguer, uma dezena de novos executivos foi contratada em 2019 –incluindo Ilca, do marketing, que veio justamente do Magazine Luiza.

Resultados no balanço e na Bolsa

O desempenho da rede melhorou, o que se refletiu nas ações da companhia: em 12 meses, os papéis mais negociados da Via Varejo tiveram alta de 166% e fecharam a sexta-feira negociados a R$ 19,54. As vendas pela internet, que patinavam em pífios 18% há um ano, atingiram 27% da receita total no primeiro trimestre de 2019. Os desempenhos ainda estão aquém dos apresentados pelo Magazine Luiza – que tem metade do seu negócio baseado em e-commerce e papel avaliado a quase R$ 80 na B3 –, mas a varejista garante que não vai tirar o pé no freio das inovações.

Ilca Sierra veio do Magazine Luiza para comandar ‘virada’ de marca da Casas Bahia (Foto: Felipe Rau/Estadão)

No início da pandemia de coronavírus, quando se viu obrigada a fechar suas mais de mil lojas no fim de março, a companhia não deixou de pensar em novidades. Em fato relevante divulgado na semana passada, a empresa informou forte expansão de vendas online em algumas categorias nos meses de maio e junho, na comparação com igual período de 2019: o avanço foi de 859% em câmeras e games, de 475% em informática e de 382% em televisores. Parte desse resultado se deu porque o e-commerce já estava bem azeitado e por inovações simples, como o programa “Me Chama no Zap”, que recrutou vendedores das lojas para ajudar o cliente a comprar pela internet.

Mas a “virada” da Casas Bahia está longe de estar completa. E as lojas físicas ainda vão precisar passar por uma revisão. A troca das marcas nos pontos de venda tradicionais vai começar agora e deverá levar dois anos. Mas Ilca diz que existem planos para dar um “banho de loja” na experiência física, com a criação de lojas no “estilo Apple”. “O cliente vai poder fazer toda a operação sem ir ao caixa. O vendedor vai fazer o atendimento e também cuidar do pagamento”, diz a executiva.

Sobre o novo posicionamento da marca, David Laloum, presidente da agência Young & Rubicam, que há anos atende a Via Varejo, diz que a essência da Casas Bahia vai ser mantida, mas com a adição de novas camadas – a relação cada vez mais próxima dos brasileiros com a tecnologia será um dos principiais pontos. “A ideia é falar de diversidade, buscar comunicação com todos os brasileiros”, diz o executivo. A música da nova campanha é interpretada pela cantora Negra Li. O Estadão acompanhou a gravação do comercial na semana passada.

Para o consultor Marcos Gouvêa de Souza, a Via Varejo tem feito um bom trabalho em recuperar o tempo perdido nos últimos 12 meses. O caminho, no entanto, será difícil, visto que o Magazine Luiza nadou sozinho no setor por anos. “O trabalho do último ano abriu caminhos. E eles fizeram uma boa aposta na compra do banco digital (o BanQi)”, diz Gouvêa de Souza. Para ele, com o novo sistema de pagamentos digitais do Banco Central – o Pix –, é possível que o varejo renove a força na concessão de crédito no País, hoje altamente concentrada nos grandes bancos.

Destino do Ponto Frio

Com a renovação da Casas Bahia, o “banho de loja” já feito na operação digital e a planejada renovação dos pontos de venda físicos, como fica a outra marca da Via Varejo, o Ponto Frio? Mesmo depois da mudança de sócio e da direção da gigante varejista, pouco se falou da bandeira. Durante algum tempo, o grupo francês Casino posicionar o Ponto Frio para um público de maior poder aquisitivo, mas a estratégia nunca chegou a convencer o mercado.

Hoje, o Ponto Frio é muito menor do que a Casas Bahia: tem cerca de um quarto do total de unidades da “coirmã”. Em entrevista ao Estadão no ano passado, o presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, chegou a dizer que a marca poderia ser eliminada – só para ser desmentido na semana seguinte pelo então presidente do conselho, Michel Klein (Klein, desde então, deixou o colegiado, embora siga sócio da companhia).

Para Marcos Gouvêa de Souza, da consultoria Gouvêa, com a Casas Bahia se tornando mais “democrática” e buscando também a alta renda, a permanência do Ponto Frio só faz sentido se a marca for transformada no futuro em uma espécie de Fast Shop, conhecida no mercado por seu atendimento diferenciado. Fontes do setor duvidam que essa “virada” seja possível. Os executivos da Via Varejo não falam diretamente sobre o destino do Ponto Frio – mas o Estadão apurou que, até agora, não há nenhum projeto de investimento maciço na rede.

Disney adere a boicote e suspende anúncios no Facebook

Empresa foi a maior anunciante dos EUA na rede social no 1º semestre
Suzanne Vranica

A Disney foi a principal anunciante dos EUA no Facebook nos primeiro semestre – Charles Platiau/Reuters

NOVA YORK | THE WALL STREET JOURNAL – A Disney reduziu drasticamente seus gastos com publicidade no Facebook, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, no mais recente revés da gigante da tecnologia em meio a um boicote de empresas por sua forma de lidar com discurso de ódio e desinformação.

A companhia de entretenimento foi a principal anunciante dos EUA na rede social nos primeiro semestre, estima a empresa de pesquisa Pathmatics. A Disney se une a Unilever, Starbucks, Ford e Verizon entre as grandes que interromperam seus investimentos em anúncios na rede social.

Grupos de direitos civis, incluindo a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês), pediram aos anunciantes que interrompessem os gastos com publicidade em julho, sob o argumento de que o Facebook foi omisso em relação a publicações que incitaram a violência de manifestantes que se ergueram contra a morte do segurança negro George Floyd, no fim de maio, nos Estados Unidos.

Algumas marcas decidiram interromper os investimentos por mais tempo. O Wall Street Journal não conseguiu confirmar se o boicote da Disney se limita a este mês.

A empresa suspendeu a publicidade do serviço de streaming de vídeo Disney +, disseram as pessoas familiarizadas com a situação.

O serviço, ainda não disponível no Brasil, teve forte promoção publicitária neste ano e representa uma parte substancial dos gastos da empresa em marketing.

Procurados, representantes da Disney não se pronunciaram.

O Facebook disse investir bilhões de dólares para manter suas plataformas seguras e ter banido 250 organizações de supremacia branca da plataforma e do Instagram, rede social que também lhe pertence.

A empresa também afirmou que seu sistema de inteligência artificial ajuda a localizar quase 90% das publicações com discurso de ódio antes de que sejam denunciadas.

O Facebook gera US$ 70 bilhões em receita anual de publicidade, por meio de mais de 8 milhões de anunciantes.

Facebook falha em diálogo com líderes de boicote a anúncios na rede; impasse continua

Em reunião de uma hora, Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg não conseguiram mostrar real compromisso com a mudança, disseram líderes de campanha por mudanças na rede social
Por Mike Isaac e Tiffany Hsu – The New York Times

Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg conversaram nesta terça-feira com líderes de entidades civis, mas não conseguiram convencê-los

Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, os dois principais executivos do Facebook, fizeram uma videoconferência de uma hora na tarde desta terça-feira com grupos e organizações de direitos civis. A reunião tinha uma missão: fazer com que as entidades, que convenceram marcas como Unilever e Coca-Cola a retirar seus anúncios da rede social, entendessem como a empresa trata o discurso de ódio em suas plataformas. Mas, ao longo da chamada, Zuckerberg e Sandberg falharam em convencer seus críticos, fazendo o boicote à companhia seguir em um impasse. 

Durante a reunião, Zuckerberg, Sandberg e outros executivos do Facebook discutiram como a empresa trata com suas políticas de conteúdo. Em uma chamada de Zoom, eles falaram com representantes da Liga Anti-Difamação, da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor e da Color of Change – os três grupos levaram centenas de empresas a pausar suas campanhas publicitárias na rede social nas últimas semanas. É uma forma de protesto contra a maneira como a empresa está cuidando mal, na visão dos anunciantes, de discurso de ódio e desinformação. 

Os grupos disseram que fizeram pedidos aos líderes do Facebook. Entre eles, a contratação de um executivo de liderança com histórico na área de direitos civis, bem como a necessidade de passar por auditorias regulares independentes e atualizar seus Padrões de Comunidade, declarou o grupo de direitos civis Free Press, cuja presidente executiva, Jessica J. González, estava na chamada. Mas Zuckerberg e Sandberg não concordaram com todas essas demandas, disseram os representantes. No lugar disso, os executivos do Facebook tentaram “girar a narrativa e usar sua poderosa máquina de relações públicas.” 

“Em vez de se comprometer com uma linha do tempo para desenraizar o ódio e a desinformação no Facebook, os líderes da empresa mantiveram seus velhos pontos de vista, sem atender nossas demandas”, disse González. “Eles entraram na chamada esperando tirar nota 10 só por presença”, disse Rashad Robinson, chefe da Color of Change, após o encontro. “Mas só estar presente não é suficiente.” O Facebook não estava imediatamente disponível para responder a pedidos de comentários da reportagem. 

Impasse deve continuar

Nas últimas semanas, o Facebook tem enfrentado pressão crescente para lidar com o discurso de ódio e a desinformação em seu site e outras plataformas. Rivais como Twitter e Snapchat, recentemente, tomaram atitudes contra publicações falsas ou inflamadas do presidente americano Donald Trump em suas plataformas. Já o Facebook resistiu em fazer algo, citando a importância da liberdade de expressão. No mês passado, empregados da rede social chegaram a fazer uma greve “virtual” no último mês, criticando a falta de ação de seus líderes. Desde então, mais de 700 anunciantes se juntaram ao esforço para boicotar o Facebook. 

Desde o crescimento do boicote, iniciado há duas semanas, os executivos do Facebook tem falado cada vez mais em conciliação – mas está difícil. Na quarta-feira, a empresa pretende lançar a parte final de uma auditoria anual de suas práticas e políticas de direitos civis. Os auditores examinaram como o Facebook cuida de temas como discurso de ódio, interferência em eleições e viés de algoritmos. / TRADUÇÃO DE BRUNO CAPELAS

Facebook: uma semana após boicote, executiva Sheryl Sandberg diz que é preciso melhorar remoção de discursos de ódio

Segundo Sheryl Sandberg, rede social não vai atender a todos os pedidos dos grupos de direitos civis, mas vai pôr em práticas mais propostas feitas por eles
Bloomberg e AFP

Sheryl Sandberg: “Nunca seremos perfeitos, mas nos preocupamos profundamente” com a questão dos discursos de ódio, diz diretora de operaçõe da rede Foto: EDUARDO MUNOZ / Reuters

SÃO FRANCISCO – A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, disse nesta terça-feira que a gigante das mídias sociais precisa melhorar a remoção de discursos de ódio de seus ambientes, numa resposta a um boicote de centenas de empresas que pararam de anunciar na rede social em protesto contra posts discriminatórios e desinformação na rede social.

“Ser uma plataforma em que todos possam se fazer ouvir é essencial para a nossa missão, mas isso não significa que é aceitável que as pessoas espalhem ódio. Não é”, escreveu Sandberg em um post.

Ela acrescentou  que o Facebook “precisa ser melhor em encontrar e remover conteúdo de ódio”.

O post marcou os primeiros comentários públicos da executiva sobre as questões levantadas por grupos de direitos civis desde que organizaram o boicote publicitário no mês passado.

Sandberg também disse que o Facebook divulgará na quarta-feira sua aguardada auditoria sobre direitos civis na rede — uma revisão das políticas e práticas da empresa que começou há dois anos.

Ela afirmou que a auditoria teve um “efeito profundo” na cultura da empresa.

“Não faremos todas as alterações que eles [os grupos de direitos civis] pedem, mas vamos pôr em prática mais de suas propostas em breve”, avisou.

Sandberg e o CEO Mark Zuckerberg devem se reunir nesta terça-feira com líderes de grupos como a NAACP (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor) e a Liga Antidifamação, que organizaram um boicote chamado “Stop Hate for Profit”.

Os negócios de publicidade do Facebook e as equipes que lidam com recursos humanos e políticas da empresa se reportam a Sandberg.

O Facebook foi pressionado nas últimas semanas a encontrar e remover de modo mais eficaz as postagens que incluem discursos de ódio ou levam à supressão de eleitores.

A empresa de Menlo Park, na Califórnia, respondeu com e-mails e teleconferências a anunciantes irritados para explicar melhor suas políticas e como teria usado sistemas de software para agir com mais rapidez.

“Estamos fazendo mudanças — não por razões financeiras ou pressão dos anunciantes, mas porque é a coisa certa a fazer”, disse Sandberg. “Nunca seremos perfeitos, mas nos preocupamos profundamente com isso. Continuaremos a ouvir, aprender e trabalhar nas próximas semanas, meses e anos.”

Segundo Sandberg, o encontro com grupos de direitos civis ocorre “no contexto do que poderia ser o maior movimento social da história dos Estados Unidos, e a maior e mais recente oportunidade para nossa nação agir contra o racismo”.