CasaShopping apresenta mostra ‘Atrás do Vidro’, que conta com mais de 70 ambientes expostos em vitrines

Arquitetos, designers de interiores e paisagistas se inspiraram no tema “histórias para contar” para criar ambientes nas lojas
Por Isabela Caban

Sala no jardim da Breton traz sofá rodeado por elementos naturai — Foto: Divulgação
Sala no jardim da Breton traz sofá rodeado por elementos naturai — Foto: Divulgação

A cada novo projeto, o arquiteto inicia praticamente um trabalho de psicanalista junto. Precisa entender quem são os personagens que ali moram, seus gostos, desejos, estilo de vida, lembranças, diversos detalhes sobre hábitos do dia a dia… Nesse enredo, emoções acabam vindo à tona e tudo vira estímulo para criar o tal lar, doce lar. Foi essa relação que inspirou a sexta edição da mostra “Atrás do Vidro”, no CasaShopping, trazendo o tema “Histórias para contar”. Como o nome revela, as lojas convidam arquitetos, designers e paisagistas para montarem ambientes expostos nas vitrines. São mais de 70.

Na Brentwood, a vitrine revela um apartamento composto por quarto, living, sala de jantar e bar, assinados pela arquiteta Ana Lucia Jucá. A história escolhida foi a de Almir Reis, fotógrafo paulista que se apaixonou pelo Rio. “Os quadros dele misturam fotografia com pintura e têm um grafismo sempre com detalhe preto, que eu levei para os ambientes. E espalhei câmeras, cavaletes, rascunhos de trabalho para ressaltar justamente a história”, conta Ana Lucia.

Árvore de papel faz referência ao azul de Yves Klein, por Aline Celles — Foto: Divulgação
Árvore de papel faz referência ao azul de Yves Klein, por Aline Celles — Foto: Divulgação

Um dos ambientes da Artefacto também enveredou para o universo das artes, em uma referência ao famoso azul intenso do francês Yves Klein. A arquiteta Aline Celles criou uma grande árvore de papel toda tingida na cor, em contraste com os tons claros. Na mesma loja, Elaine Ramos misturou branco, azul e dourado, em uma inspiração à ilha de Mykonos e a mitologia grega. “Fiz um passeio inesquecível para a Grécia em um momento especial da vida. Foi mágico ver a arquitetura, a mitologia e o mar mais azul do mundo se fundindo aqui”, diz Elaine.

Já na Ovoo, o décor é monocromático, mesclando peças de dentro de casa com as usadas em áreas externas. Destacam-se as grandes luminárias Vondon e suas curvas orgânicas, em harmonia com móveis e acessórios. São formas que se assemelham às vistas na Breton, na sala montada por Ana Raquel Oliveira no jardim. O sofá sinuoso é rodeado por elementos que exaltam a natureza, como o conjunto de cestos e mesinhas de palha. Para ela, acabaram os limites entre área aberta e interiores. “Tudo recebe a mesma linguagem”, conclui a arquiteta. A mostra fica em cartaz até dia 18 de setembro.

O tom areia predomina na sala da Ovoo, assinada pelo arquiteto Rogério Antunes, com luminárias esculturais: décor monocromático – Foto: Divulgação

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente

O visual all black é a aposta para quem quer uma cozinha cheia de personalidade e com muito estilo
NÁDIA SIMONELLI

 (Foto: Pufik Homes / Pinterest)

As cozinhas pretas são a escolha ideal de quem quer ter um ambiente elegantecontemporâneo e cheio de estilo. Também chamadas de cozinhas góticas, estes espaços exibem, muitas vezes, paredes e armários pretos com alguns constrastes que deixam tudo mais charmoso. 

Quer ver ideias de cozinhas góticas? Então, passeie por nossa seleção de ambientes logo abaixo!

Armário + backsplash

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: @homestoloveau / Instagram)

Com um desenho minimalista, esta cozinha ganhou armários, backsplash, torneira e luminária na cor preta. A escolha por um décor monocromático criou unidade visual no ambiente e trouxe sensação de amplitude. O piso de taco na paginação em espinha de peixe adicionou um toque vintage.

Estilo rústico

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: deVol Kitchens / Pinterest)

As cozinhas góticas também são uma boa opção para quem é fã do estilo rústico e este ambiente é prova disso. Aqui, a cor preta foi usada nos armários, fogão, parede e até no teto, praticamente envelopando o espaço. As bancadas e estruturas de madeira e detalhes em metal cobre e dourado, criam um contraste elegante. 

Gótico e pink

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: @dwellmagazine / Instagram)

As cozinhas góticas também possibilitam fazer misturas interessantes, a exemplo deste ambiente acima. Aqui, a cor preta foi a escolha para a parte superior, cobrindo a parede com tinta, os revestimentos de subway tiles, a parte de cima do armário, além de louças e copos. Na parte debaixo, a cor pink colore o armário sob a pia e a madeira escura dá forma ao restante da marcenaria. O resultado é um ambiente com certa delicadeza e muito charme!

Minimalista

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: Pufik Homes / Pinterest)

De estilo minimalista, esta cozinha gótica de linhas simples tem armários sem puxadores, o que garante um visual mais limpo e elegante. Além disso, a torneira e as banquetas seguem a mesma linguagem de simplicidade. A estética all black completa a proposta, que tem, ainda, mesa e cadeiras de madeira clara. 

Clima de casa de campo

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: Cococozy / Pinterest)

Se você procura por uma inspiração de cozinha para a sua casa de campo, que tal considerar um ambiente todo preto? Esta cozinha prova que essa ideia pode funcionar. O desenho da marcenaria, que lembra armários de estilo rústico, ficou ainda mais charmoso na cor preta, assim como as bancadas. Mas, repare que o preto não é tão intenso aqui. O piso de ladrilhos em terracota entram como coadjuvantes bem charmosos.

Estilo industrial

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: Useful DIY Projects / Pinterest)

Tijolinhos e placas de concreto formam a base desta cozinha de estilo industrial. A marcenaria na cor preta, com prateleiras altas, libera bastante área nas paredes para os tijolinhos aparecerem, o que deixa o estilo do décor bem evidente. Os pendentes sobre a ilha central e as banquetas de metal reforçam a ideia.

Um toque de brilho

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: Zellige Noir / Pinterest)

Nesta cozinha gótica chama a atenção a parede revestida de ladrilhos em alto brilho, que também foram usados sobre a bancada. Os armários e eletrodomésticos, incluindo a coifa e o fogão, também foram escolhidos na cor preta, criando um ambiente monocromático. O contraste aparece com a parede e o teto branco.

Móvel prático

Cozinha gótica: ideias para usar preto na decoração do ambiente (Foto: reprodução)
 (Foto: @ikeasverige / Instagram)

Composta de apenas uma peça de marcenaria, esta cozinha preta é uma boa ideia para quem não tem muito espaço. Pia, bancada, painel, ganchos e gavetas foram pensados para serem práticos no dia a dia e garantirem que tudo fique organizado. 

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos!

Mistura de estampas, texturas e cores é a principal característica deste estilo que agrada muita gente mundo afora
NÁDIA SIMONELLI

 (Foto: @barij / instagram)

Conhecido pelo visual vibrante e cheio de detalhes que atraem o olhar, o estilo boho chic é capaz de criar decorações aconchegantes e com muita personalidade. A característica mais marcante desta estética é a mistura, seja de cores, estampas, texturas, formas e até de outros estilos. 

Se você é fã do estilo boho chic, mas tem certa insegurança na hora de criar o décor, confira a seleção de ambientes que preparamos logo abaixo e inspire-se nas ideias!

Paleta verde

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @the_girl_with_the_green_sofa / instagram)

O verde foi a inspiração para a composição desta sala com decoração boho. Repare que o tom colore dos móveis maiores, como sofá, poltrona e banco aos objetos e quadros na parede. A gallery wall, aliás, chama a atenção pela variedade de formatos e tamanhos, mas com a natureza como tema predominante.


Cabeceira estampada

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @housebeautiful / instagram)

Revestida com um tecido de estampa miúda, a cabeceira deste quarto traz um toque retrô para o ambiente, reforçado pela cômoda antiga. O tom pink da parede faz um contraponto contemporâneo e deixa a decoração mais charmosa e atual.


Clima étnico

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @dabito / instagram)

Nesta sala, a estampa étnica da manta sobre o sofá e das almofadas revelam a atmosfera do ambiente. O jogo de cestarias na parede e as plantas do chão ao teto completam o décor boho e despojado baseado em camadas de texturas.


Destaque para o biombo

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @vtwonen / instagram)

biombo com jeito de antiguidade é a peça-chave na decoracão desta sala de estilo boho chic. A peça cria um fundo interessante para o sofá de veludo verde e acompanha a composição de quadros na parede. Outro detalhe interessante são as almofadas coloridas que trazem um toque ainda mais alegre para o espaço.


Plantas no quarto

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @pipstudiocom / instagram)

Além das cores e estampas, as plantas também não podem faltar na decoração de quem quer ter um ambiente de estilo boho. Neste quarto, a parede da cabeceira foi pintada de verde e serviu de fundo para a urban jungle que se forma logo ao lado da cama. Outro belo detalhe por aqui: a composição de espelhos com moldura de metal dourado.


Colorido e floral

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: Archidea / Pinterest)

Esta sala de jantar ganhou ainda mais graça com o papel de parede florido e as cadeiras amarelas. No piso, pequenos tapetes redondos completam esta decoração boho cheia de estilo e fora do comum. 


Papel de parede no lavabo

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @timesproperty / instagram)

Considerado o cartão de visitas da casa, o lavabo não precisa combinar com o restante da decoração e, por isso, permite infinitas possibilidades. Revestir todas as paredes de papel de parede estampado é uma delas. Repare que aqui o dourado e o vermelho de alguns detalhes da decoração foram inspirados no desenho do revestimento.


Boho raiz

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
 (Foto: @thejungalow / instagram)

Com muita mistura, esta sala tem tudo o que caracteriza uma decoração de estilo boho: plantas por todos os lados, tapetes, mantas e almofadas estampadas, lenço pendurado na parede e móveis coloridos. 


A energia do amarelo

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
(Foto: @armutcom / instagram)

Com um clima de verão, a decoração desta sala exibe uma paleta vibrante, com destaque para o energético amarelo da parede. As cores pink e turquesa completam a composição boho. 


Tons mais fechados

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
 (Foto: @_finntage / instagram)

Já neste quarto, a decoração boho foi pautada por uma cartela de cores mais fechadas, com destaque para verde, marrom e azul. Os mesmos tons usados na pintura da parede se repetem na arrumação da cama. Para completar, uma samambaia pendurada na lateral da cama, sobre um pufe de base estampada. 


Mix de estampas

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
 (Foto: @thejungalow / instagram)

Piso, tapete e papel de parede estampados convivem em harmonia nesta sala de jantar boho. A estante, instalada na entrada do ambiente, funciona como uma despensa, deixando alimentos e utensílios sempre à mão.


O rosa dá o tom

Decoração boho chic: 12 ambientes coloridos e lindos! (Foto: reprodução / instagram)
 (Foto: @barij / instagram)

O mesmo tom de rosa claro tinge as paredes, a porta e o teto neste quarto. Além disso, a cor inspirou também a estampa da cama e a escolha das obras de arte que preenchem a parede da cabeceira. Um charme, mas sem clichês.

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora

O termo minimalismo evoca um tipo de espaço, onde sobressaem a luz e o vazio. Mesmo assim, este imaginário pode variar – sinal da multiplicidade que o conceito carrega, desde sua origem nas artes até as influências contemporâneas
JOANA L. BARACUHY | FOTOS ÅKE E:SON LINDMAN/DIVULGAÇÃO (JOHN PAWSON), DAICI ANO/DIVULGAÇÃO (KENGO KUMA), GABRIEL KOGAN (LUIS BARRAGÁN), PHILIPPE RUAULT/DIVULGAÇÃO (LACATON & VASSAL) E TODAMO/SHUTTERSTOCK.COM (MIES VAN DER ROHE)

À beira do lago Drevviken, na Suécia, esta casa de 2013 assinada pelo britânico John Pawson insere-se silenciosamente na paisagem: no inverno, a região fica coberta de neve e a residência praticamente desaparece; no verão, a folhagem esconde a construção – ao gosto escandinavo, os ambientes serenos valem-se de grandes aberturas e acabamentos em paleta suave

Essencial, abstrara, austera, limpa, simples, elementar, inteligível, silenciosa, sintética. A lista continuaria, mas paremos por aqui. Estes são alguns dos adjetivos associados àquilo que se entende hoje como arquitetura minimalista, aplicável a ambientes de todos os tipos. Se a diversidade de atributos enriquece e facilita o entendimento do termo, também indica a variedade de sentidos encontrados nessa corrente. A um só tempo, ela consegue a proeza de pautar desde microapartamentos-fetiche a manuais de organização doméstica.

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Todamo/Shutterstock.com)
O pavilhão alemão projetado por Mies van der Rohe para a Feira Mundial de Barcelona, em 1929, tornou-se uma obra-prima – o edifício aberto, em que nada resta oculto, materializa a simplicidade e a clareza dos meios e das intenções

Não há fronteiras para o novo minimalismo, que alcança um sem-número de pessoas ao transformar-se em fenômeno mercadológico e ver-se incorporado ao senso comum. “Basta dizer que a novela exibida por uma emissora de grande alcance no Brasil usa como principal cenário uma casa claramente minimalista”, comenta o arquiteto Rodrigo Queiroz, pesquisador e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

No entanto, essa popularização o afasta mais do ideário original – que, a rigor, existiu nas artes, não na arquitetura. Então, o que há por trás das formas claras, da placidez estética e do bem-estar proporcionado por essa espacialidade discreta, enxuta e harmônica que tanto apreciamos?

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Daici Ano/divulgação)
Espelhos-d’água e painéis vazados desenham esta casa próxima a um riacho, numa região montanhosa do Japão, concebida em 2006 pelo arquiteto Kengo Kuma de modo a reverenciar a natureza em um jogo entre sólido e impermanente, cheios e vazios

ARTE: O MARCO ZERO
Os especialistas são unânimes: a referência mais literal ao minimalismo remete às artes visuais produzidas nos Estados Unidos na década de 1960, quando despontaram nomes como Donald Judd, Richard Serra, Dan Flavin e Carl Andre, entre outros. “Queriam tirar de cena a representação figurativa e enfatizar a presença física no espaço”, explica o arquiteto Gabriel Girnos Elias de Souza, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Essa minimal art retomou a tradição construtiva, privilegiando o efeito obtido a partir da relação entre as coisas, em um discurso típico da era industrial”, complementa o arquiteto Fernando Viegas, docente da Escola da Cidade.

A essa altura, porém, já fazia tempo que a arquitetura refletia as máximas das vanguardas artísticas europeias do início do século 20 (especialmente aquelas que se valiam da abstração, contrapondo-se ao academicismo) e se deixava influenciar, desde o final do século 19, pelo statement do arquiteto austríaco Adolf Loos. “Para ele, que chegou a dizer ‘ornamento é crime’, a estética mínima era quase um imperativo moral, um dever”, reitera Souza. E esse espírito impactaria decisivamente o nascente movimento moderno.

Enquanto, nos anos 1920, as telas do holandês Piet Mondrian exibiam formas geométricas básicas e cores primárias, na arquitetura, seu conterrâneo Gerrit Rietveld derrubava a simetria e a perspectiva vigentes, sugerindo a apreensão da edificação e de seus planos desde diferentes pontos de observação. “Essa ênfase na relação com o espaço, que resumiu a composição a piso, parede e apoio, foi depurada mais tarde por Mies van der Rohe”, continua Viegas.

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Gabriel Kogan)
A  Cuadra San Cristóbal, complexo desenvolvido em 1968 para uma comunidade de cavaleiros na Cidade do México, leva a marca de Luis Barragán, caracterizada por cores vibrantes e volumes de forte apelo visual e espacial

MENOS AINDA É MAIS
No limite, credita-se papel seminal à Bauhaus e a Mies van der Rohe, seu famoso expoente, que trocou a Alemanha pelos Estados Unidos em 1937 e, de Chicago, passou a disseminar o pensamento racionalista. “O aforismo ‘menos é mais’, proferido por ele em 1929, não só significava a crença na essência em detrimento da aparência como lastreava uma visão de futuro amparada em princípios de igualdade possíveis na sociedade industrial”, prossegue Queiroz, para quem a semente da lógica minimalista estava plantada na escola alemã de design, arquitetura e arte.

Lembrado pelo arquiteto Felipe Hess, o trabalho realizado pelo modernista mexicano Luis Barragán de 1945 em diante adiciona temperos antes impensáveis à receita. “Na versão corrente do minimalismo, onde valem a cópia e a repetição, o branco predomina como solução fácil. Acho importante relembrar o legado desse arquiteto, cujo vocabulário com aura reflexiva e etérea emprega cores vibrantes”, frisa Hess.

O processo de construção da cultura, porém, é pendular, feito de idas e vindas. “Depois de rechaçados o ornamento e o apreço pelo histórico no modernismo, veio o pós-moderno promover seu resgate. Estaríamos vivendo agora uma espécie de pós-pós-moderno?”, questiona Juan Pablo Rosenberg, titular do AR Arquitetos, escritório de onde saem projetos impregnados pela linguagem minimalista, embora refutem o rótulo. Segundo ele, a procura pela limpeza do desenho e pela precisão no detalhe, além da capacidade de síntese, com atenção à escala e à proporção, não bastam para sugerir uma filiação ao minimalismo. É na busca por uma expressão enxuta e uma experiência intensa do corpo no ambiente que ele vê sua interlocução com o movimento. “Esse novo minimalismo vem contra o excesso de informações, estímulos visuais e materiais dos anos 1990 e 2000, com tanto design paramétrico e biomimética [referindo-se às técnicas que reproduzem os traçados orgânicos]”, afirma.

Para Viegas, o fenômeno surgiu no século 21 em decorrência do esgotamento da arquitetura do espetáculo, protagonizada por profissionais com status de celebridade global. “Apesar do casamento eventual com o marketing, motor de uma mera estetização, parece haver uma ênfase nesse sentido de depuração, de ética, de economia de recursos. Isso é benéfico, especialmente porque uma arquitetura que não se pretenda essencial, capaz de promover sol, luz, vista, espaços adequados e correção, não tem mais lugar.”

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Philippe Ruault/divulgação)
O novo edifício do FRAC Nord-Pas de Calais, espaço dedicado a eventos culturais e exposições de arte contemporânea em Dunquerque, França, espelha o prédio vizinho, um antigo estaleiro adaptado para integrar o complexo, inaugurado em 2013 após esta intervenção do escritório Lacaton & Vassal – ganhador do prêmio Pritzker em 2021

NOVOS TEMPOS
Tido como símbolo do minimalismo praticado hoje, o britânico John Pawson discorre em livros sobre sua produção de design e arquitetura. Em Anatomy of Minimum (Anatomia do Mínimo, em tradução livre, Phaidon, 2019, 240 págs.), o autor de residências, igrejas e lojas notórias pela harmonia e sutileza esmiúça os elementos nos quais apoia seu processo criativo. E assim como a pintura neoplasticista ateve-se a pontos, linhas, planos e cores primárias, sua concepção se vale da articulação de componentes como massa, superfície, luz, cor, aberturas, materiais. No tratamento que dispensa aos interiores, Pawson costuma dizer que procura “deixar um intervalo livre entre coisas, objetos e móveis, sem saturar as possibilidades nascentes de preenchê-los”, sinalizando para uma linguagem que contempla o imponderável da vida.

Outro nome celebrado na atualidade, Vincent van Duysen integra o chamado “minimalismo belga”. “É uma versão ‘quente’”, define Rosenberg, ao comentar o trabalho do flamengo, autor de propostas marcadamente sustentáveis, sensoriais e contemplativas. E a lista de adjetivos e nomes só aumenta, em sintonia com a pluralidade contemporânea. Basta lembrar que o próprio Rosenberg atesta sua identificação com mestres portugueses, a exemplo de Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura, que operam num pólo bastante distinto dos colegas citados anteriormente. Há que se contemplar os irrequietos integrantes do Herzog & de Meuron e o plácido Peter Zumthor, luminares, cada um à sua maneira, nesse radar. “Vale considerar ainda o escritório francês Lacaton & Vassal, vencedor do prêmio Pritzker em 2021 graças a uma produção que almeja a menor intervenção possível, pressupondo que já está tudo construído e só resta à arquitetura reconfigurar o existente. É um minimalismo afeito à sustentabilidade”, diz Queiroz.

Os mestres japoneses também figuram no imaginário coletivo como suprassumo do minimalismo praticado hoje. Nomes como Kazuyo Sejima (do escritório Sanaa) e Kengo Kuma fazem jus à linhagem iniciada por Tadao Ando. “O país insular dispõe de poucos recursos naturais, então, ali, a busca pelo essencial é movida pela escassez”, comenta Viegas. “Sem esquecer a importância do zen-budismo e do xintoísmo em sua relação estreita com a natureza, na ideia onipresente de contraste complementar entre yin e yang, luz e sombra… Isso introduz a imagem do espaço negativo, a noção de que cheio e vazio são condição de existência um do outro – sentido importante no movimento moderno e também no minimal”, completa Souza.

MINIMAL À BRASILEIRA
Reconhecido pelos pares como figura estelar no ofício de conceber moradias concisas e com detalhes obsessivamente elaborados (e, por isso mesmo, praticamente invisíveis), o arquiteto Marcio Kogan, do studio MK27, alcançou prestígio internacional. Aparece ao lado de Isay Weinfeld e Arthur Casas como capaz de um resultado no qual formas geométricas simples, arranjadas harmoniosamente e ensejando vazios oportunos, em conjuntos marcados pela parcimônia nos materiais e na ausência de ornamentos, traduzem variantes do desejo por menos.

Outros nomes emergem em resposta à questão do minimalismo hoje, sempre num alinhamento parcial, sobretudo quando entendido não de maneira literal, mas, sim, como resultado de uma experiência espacial. Nunca, porém, são considerados herdeiros diretos da tradição minimal, apenas adeptos de aspectos caros a essa vertente. “Nesse sentido, podemos encontrar conexões no que realizam escritórios como MMBB, SPBR e Una Arquitetos, mais ligados à escola paulista do modernismo brasileiro”, diz Queiroz. “Também dá para incluir a abordagem carioca, se pensarmos pelo ponto de vista da abertura à paisagem”, acrescenta Souza.

CRÍTICA CONSTRUTIVA
“Sempre volto ao texto performático Junkspace, do arquiteto holandês Rem Koolhaas, onde ele sugere que ‘na contemporaneidade, o mínimo é o ornamento supremo, o máximo disfarçado’, acusando uma espécie de barroco da atualidade”, provoca Souza. E alerta para o risco de a corrente que brotou como resistência ao exagero esvaziar-se reduzida a um estilo, no pior sentido do termo, algo frívolo. Faz coro com Queiroz, que vai além. “Esse lifestyle, crescente nos últimos 15 anos, mesmo que pautado no despojamento, pode estar alinhado à agenda do politicamente correto e do engajamento”.

Ainda assim, mantém-se válida a percepção de que o exercício da concisão é quase uma condição deste tempo. “Como postulou Paulo Mendes da Rocha ao afirmar que a ‘arquitetura é amparo para a imprevisibilidade da vida’, tendo a acreditar nesse novo minimalismo menos como resultado estético e formal, e mais como expressão da busca pela essencialidade dos materiais e dos meios, quase uma continuidade do moderno naquilo que ele apresentou em termos de valores, em sua proposta existencial”, diz Queiroz. Seu atributo fundamental, a vontade de dar lugar ao vazio, à luz, ao novo, ao externo, à experiência do espaço, ao imponderável, não deve ser obturado. E requer enorme sensibilidade. “A qualidade do mínimo é algo sutil, intransferível, inapreensível, não para ser apreciada numa tela ou numa foto em rede social”, conclui Souza.

Cadeira Bika garante versatilidade a qualquer ambiente

Produto é lançado de forma exclusiva no País pela Sittz

Fruto de uma parceria entre a empresa brasileira FK Grupo e a marca espanhola de mobiliário corporativo Forma 5, a cadeira Bika, assinada pelo estúdio Ramos & Bassols, dos designers industriais David Ramos e Jordi Bassols está sendo lançada no País pela Sittz, uma das bandeiras do grupo. “Trazer todo o conhecimento tecnológico e os produtos de design europeu para complementar o portfólio da Sittz irá agregar muito valor aos nossos produtos”, afirma Ulisses Carlos Raineri, diretor do FK Grupo.

A colaboração entre a Forma 5 e o FK Grupo repete o sucesso da companhia brasileira com a italiana Maxdesign, iniciada em 2016 e incorporada ao grupo brasileiro em 2020. Para trazer a marca para o País, houve o desenvolvimento de moldes, o estudo prévio de cada parte estrutural, identificadas as necessidades de acabamentos, conforto e funcionalidade e a modelagem da tapeçaria, feita de forma artesanal para que os produtos pudessem ser produzidos na fábrica da empresa em Bariri, interior de São Paulo.

A aparente simplicidade, a cadeira Bika esconde um conceito ambicioso que reúne design e inovação, estética e funcionalidade. A versatilidade do produto nasce da combinação de apenas duas peças que, quando juntas, constroem uma cadeira extremamente resistente, mas com uma estética clean e leve.

Com a estrutura produzida em nylon com fibra de vidro e a parte colorida em polipropileno de 8 diferentes cores, possibilitam uma solução colorida com design fresco e amigável, que se adapta a diferentes ambientes. Muito leve e fácil de limpar, Bika conta com revestimento de polipropileno que não requer manutenção complexa, o que a torna uma opção multifuncional, ideal para locais de alta rotatividade. Além disso, sua alta capacidade de empilhamento permite manter o ambiente organizado ao final de seu uso.

Os novos produtos se somam ao portfólio já existente da Sittz, que conta com cadeiras office, poltronas, sofás e puffs.

Home office deixa de ser ponto de apoio e ganha protagonismo nas casas

Veja quatro projetos de espaços onde os donos passam a maior parte do tempo
Yara Guerchenzon

Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio – Divulgação

Planejados inicialmente como um ponto de apoio para estudo ou trabalho em casa, os home offices ganharam importância e se transformaram no lugar onde os moradores já se acostumaram a passar a maior parte do tempo.

Conheça a seguir quatro projetos de home office que adquiriram um status maior do que o previsto e passaram a ser fundamentais para os seus proprietários.

COM PAISAGEM

Do alto de uma cobertura em Ipanema, no Rio, o casal de moradores, ambos advogados, trabalha todos os dias em um espaço de 13,2 m² de frente para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.

Os autores do projeto, Richard de Mattos e Maria Clara de Carvalho, do escritório Pílula Antropofágik Arquitetura, contam que naquele ambiente havia antes um pequeno cinema e que, com a chegada dos atuais proprietários, ganhou nova função. “Logo nos pediram para projetar ali um home office, tirando partido da bela vista e do jardim externo da cobertura.”

Cores claras e alegres marcam o projeto, em contraste ao tom cinza do piso de porcelanato cimentício e do teto com cimento queimado, além da bancada feita com placa cimentícia revestida de cimento queimado. Para guardar documentos, dois gaveteiros com rodízios foram colocados na parte de baixo.

Na parede de trás, prateleiras flutuantes e engastadas em chapas de madeira organizam livros e objetos. Por fim, como o local é fechado com vidro, uma persiana de tela solar controla e filtra a incidência de luz natural.

FEITO POR ACASO

Instalado numa das laterais de uma varanda de 5 m², este pequeno home office nem era para existir. A proprietária do imóvel é uma jovem empresária que trabalhava eventualmente em casa —até começar a pandemia.

Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, foi feito na sacada
Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, feito na sacada pela Andrade & Mello Arquitetura – Luis Gomes/Divulgação

“Ela não poderia imaginar que iria precisar usar diariamente esse espaço de trabalho e por tanto tempo”, conta a arquiteta Erika Mello, da Andrade & Mello Arquitetura, escritório responsável pela reforma do estúdio de 33 m², localizado no Tatuapé, em São Paulo.

Segundo Erika e seu sócio, Renato Andrade, a moradora queria inicialmente que essa sacada tivesse só uma área para relaxar no fim do dia, quando retornasse para casa. A colocação do tampo de MDF com o painel de madeira cumaru na parede veio por sugestão dos arquitetos.

“A ideia surgiu para aproveitar melhor esse espaço, dando-lhe uma função, já que teríamos que esconder os equipamentos do ar-condicionado justamente neste canto. Nós já sabíamos que a cliente levava trabalhos para casa de vez em quando, por isso fizemos a proposta”, conta Erika Mello.

Outros pontos positivos do trabalho na varanda é que a moradora conta com luz e ventilação naturais e ainda pode aproveitar a vista. Para organizar os objetos, ela conta com prateleiras encaixadas nos frisos do painel.

CAMUFLADO

Ao ser contratado para fazer uma reforma completa no imóvel dos anos 1960, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, o arquiteto André Di Gregorio, do Estúdio BRA, ouviu de seus clientes, um jovem casal, ambos profissionais liberais, que seria preciso incluir no projeto de seu primeiro apartamento um pequeno home office.

Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do  Estúdio BRA
Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do Estúdio BRA – Maíra Acayaba/Divulgação

Porém, não gostariam que ele ocupasse um ambiente exclusivo, nem que ficasse no quarto ou à vista nas áreas sociais. A solução foi colocá-lo literalmente dentro de um armário.

“A demanda dos moradores era, ainda, de conseguir fechá-lo assim que acabasse a jornada de trabalho, para ajudá-los a separar a vida profissional e pessoal”, conta André.

O projeto conta com um painel de lâmina natural de madeira Tauari que cruza a sala de uma ponta a outra, ocultando as portas de acesso à cozinha e à área íntima, além de dar lugar a algumas prateleiras e ao próprio home office, instalado já próximo à varanda.

“Posicioná-lo perto da janela foi a grande sacada. Além da vista para as árvores na rua, a luz natural é incrível.” O arquiteto aproveitou o espaço para embutir uma bancada de MDF, fechada por portas camarão.

ENTRE PLANTAS

Depois de 30 anos trabalhando fora, em um mesmo escritório, o assessor de imprensa carioca Marcelo Guidine precisou se acostumar à atividade profissional em casa, logo no começo da pandemia.

Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio
Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio – Divulgação

Em julho do ano passado, deixou o emprego anterior para cuidar de seus próprios clientes, em carreira solo. Com isso, precisou de um espaço no seu lar que fosse específico para desempenhar o trabalho, sem improvisações.

No apartamento em Copacabana, no Rio, aproveitou uma área da sala subutilizada, ocupada antes por um sofá, e instalou uma bancada e uma prateleira, ambas de freijó, que vão de uma parede a outra. No fundo, providenciou um espelho que reveste toda a superfície. “Isso faz o ambiente parecer maior e mais iluminado. Além do mais, eu não queria trabalhar olhando para uma parede o dia todo”, conta o morador.

Sob a bancada, instalou dois gaveteiros volantes. Fora isso, não demorou a aderir ao urban jungle. “Acho que pirei nas plantas”, brinca, ao contabilizar 15 vasos desde o início da pandemia.

A cor rosa chega à cozinha, tingindo paredes, armários e revestimentos, com um toque de ousadia

O tom, quem diria, agora é visto por arquitetos e designers como versátil
Isabela Caban

Cozinha Rosa Foto: Divulgação

Desde que o rosa-quartzo foi eleito pela Pantone a cor do ano, em 2016, o tom sobe a escada da fama da decoração. Surgiram variações em apelidos como rosa-seco, vintage e millennial na mesma velocidade em que a paleta avança pelos cômodos da casa. Agora, a cor encontrou seu lugar na cozinha, tingindo uma parte do armário, marcando presença em um eletrodoméstico, no piso ou na parede inteirinha.

Cozinha Rosa Foto: Divulgação
Cozinha Rosa Foto: Divulgação

“Queria ter em casa uma cozinha de boneca, bem ‘Patricinha de Beverly Hills’”, brinca o arquiteto Richard de Mattos, que acabou de pintar a sua (paredes e armários!) em dois tons de rosa — um puxado para o salmão e outro, chiclete. Projeto seu com a sócia Maria Clara de Carvalho (na Pílula Arquitetura), a ideia foi mesmo ousar e deixar o novo apê bem lúdico. “Gostamos de arriscar, de brincar, de colorir”, conta. Para completar, a dupla escolheu branco nas bancadas, marrom no teto, madeira no armário suspenso, um pouco de verde com plantas e um toque a mais de irreverência no pôster pendurado em destaque, com o autorretrato de Richard.

Também vale rosa-choque. O arquiteto Pedro Kastrup (da PKB) quis levar personalidade à cozinha integrada à sala no apartamento de um jovem casal com dois filhos. Com ar mais sóbrio e tons neutros (cinza, branco e freijó), por lá o banho de tinta foi pontual, apenas nas frentes dos armários, contrastando com as cadeiras Mucuri em azul-bic, do designer Zanini de Zanine. “Essas portas são vidros laqueados por trás e podem facilmente mudar de cor, caso queiram mais pra frente”, explica Pedro.

Cozinha Rosa Foto: Divulgação
Cozinha Rosa Foto: Divulgação

O rosa, quem diria, agora é visto por arquitetos e designers como versátil. Ficou para trás o tempo em que era ligado apenas ao feminino e ao romântico. “É uma cor calma e delicada, mas não só. Pode agregar ousadia, força, disruptura. Não é inicialmente cogitada pelos clientes, mas depois, quando veem o projeto, é sempre uma boa surpresa. Percebemos uma maior aceitação”, defende Pedro Kastrup.

Em uma outra cozinha integrada, que pode ser envolta em uma “caixa de vidro” (fechada com portas de correr translúcidas com moldura em ferro preto), o rosa surge em uma tonalidade clean no revestimento esmaltado da parede, no backsplash. Esse projeto da Concretize, das designers de interiores Fernanda Nasser e Luiza Amaral, foi feito pra um jovem executivo, fã do estilo industrial, que pediu um apartamento com três elementos básicos: metal, concreto e tijolinho aparente. “A cor foi escolhida para fazer um contraponto ao cinza, para quebrar o padrão dos outros ambientes”, explica Fernanda.PUBLICIDADE

O Fala Atelier também apostou no tom para a cozinha e desenhou um armário com recortes feitos diretamente no MDF, criando uma estampa geométrica. Nesse caso, os arquitetos Filipe Magalhães, Ana Luisa Soares e Ahmed Belkhodja harmonizaram o tom com branco e madeira. Mas não há regra rígida, afinal até com verde dá samba. Primeiro, é preciso saber qual o efeito se quer transmitir com a composição, mais chamativo, excêntrico e ousado ou singelo e elegante. E mãos ao rosa.

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar

Para além dos estereótipos, a decoração do quarto pode traduzir outras nuances da personalidade do seu bebê
LUCAS DEOLI FREITAS

Projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors

Tem sido cada vez mais comum a escolha por saber o gênero da criança apenas no dia do nascimento. Isso faz com alguns preparativos, como a decoração do quarto de bebê, precise ser antecipada sob uma nova premissa: um devoto que leve em conta aspectos que extrapolam o arquétipo feminino ou masculino – e que sirva para ambos de forma surpreendente.

Por que escolher um quarto de bebê sem gênero? Lembre-se que é justamente no quartinho onde as crianças crescerão e passarão mais tempo. Sendo assim, quanto mais neutro for o estilo escolhido, mais facilmente o ambiente se adapta aos gostos de quem o habita, abrindo espaço para todas as mudanças de personalidade que podem surgir conforme as crianças se desenvolvem. Por isso, a opção por elementos neutros e versáteis deve ser valorizada.

A seguir, inspire-se em seis projetos de quartos de bebê com gênero neutro:

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

1. Quando decidiu saber o sexo de seu bebê apenas no nascimento, a influencer Mallory Ervin trouxe um desafio imenso para decoração do quartinho. Assim,  a designer April Tomlin criou um contexto super clean para um resultado divertido e aconchegante, trazendo para o conjunto uma combinação neutra que ganha um tom despojado graças às estampas e padronagens em preto e branco. O destaque fica por conta do berço verde oliva que traz para quarto ares de sofisticação. Para a surpresa da mãe, que escolheu o nome Shepherd (pastor, em inglês) para seu filho, os objetos de ovelha que encantam o ambiente ganharam um valor ainda mais afetivo. 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

2. Localizado em Gilbert, Arizona, o quarto da pequena Olive, foi pensado também como um ambiente onde os pais passariam muito tempo. Por isso, sua decoração deveria agradar a todos da mesma forma. O design escolhido pela Lexi Grace Design trouxe uma composição rústica e delicada. Sob um pano de fundo azul marinho, fotos de flores silvestres na parede se mesclam a uma gama de matérias e texturas naturais presente nos objetos do quarto. Um detalhe que chama a atenção é a oliveira, que traz frescor ao quarto e referência ao nome da filha.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

3. Para montar esse quarto estimulante, o casal deparou-se com a restrita disponibilidade de peças para crianças que não fossem rosa e azul. Para o ambiente com predominância do branco, que  faz com que a luz preencha todos os cantos, o desejo deles era trazer a cor amarela para endossar a personalidade no quarto das pequenas. Assim a arquiteta Vivi Cirello escolheu como peça-chave a clássica Poltrona Womb, de Eero Saarinen, que ganhou destaque ao ser acompanhada por detalhes em vermelho. A composição resultou numa atmosfera multicolorida, leve e divertida.
 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

4. Lúdico e Irreverente! Assim se apresenta o quarto criado para o pequeno Tom, cuidadosamente criado pela arquiteta Cora Mader. O ambiente tem a atmosfera marcada por cores vibrantes e grafismos que estimulam o movimento e curiosidade. Apostando na versatilidade das peças escolhidas, o berço de madeira, ao tornar-se uma caminha, acompanha o crescimento do pequeno. A estante suspensa com pelúcias, por sua vez, dará lugar aos futuros brinquedos de Tom.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

5. Mesmo sob uma atmosfera boho e vintage, a blogueira Bre Bertolini trouxe para o quarto de gênero neutro uma atmosfera para seu bebê que inspira acolhimento e personalidade. Entre padronagens étnicas e objetos manuais, a cor verde escuro ocupa meia parede marcada por uma prateleira contínua que abriga objetos e livros, dando suporte ao cantinho das histórias de ninar. O berço de madeira marca um tom sobre tom de beges, marrons e terrosos que trazem uma sensação de acolhimento tão importante para que o pequeno se sinta seguro nesse ambiente.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

6. Este quarto de bebê é a prova de que uma decoração lúdica pode não estar relacionada a cores fortes, mas resultado de uma seleção de ítens que estimulam a criança de diversas formas. Com atmosfera cinza e branco,  o projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors traz para o quarto de gênero neutro sutilezas que fazem com que a essência seja captada em pequenas nuances. Entre as paredes brancas, elementos com o tema de girafas, presente nas gravuras, arandelas e nas pelúcias,  o berço em madeira ganha papel de destaque.

5 ideias de como usar uma cômoda retrô na decoração

O móvel é versátil e pode ganhar espaço em quartos, na sala de estar e até nos banheiros
FOTOS REPRODUÇÃO/PINTEREST / FRAN PARENTE / DIVULGAÇÃO / RICARDO BASSETTI

(Foto: Divulgação)

Em boa parte dos ambientes, as cômodas ganham pouco espaço na decoração e passam quase despercebidas. No entanto, com cores, texturas e estilos diferenciados, as versões retrô deste móvel podem ser a alternativa ideal para quem quer repaginar o lar com muito estilo.

Inspiradas em modelos antigos, estes móveis são versáteis e podem ganhar espaço em diversos locais da casa, incluindo o quarto, a sala de estar e até o banheiro, como mostra a seleção a seguir. Confira e se inspire com estes cinco ambientes decorados com cômodas retrô!

Penteadeira

(Foto: Fran Parente)

Neste espaço criado pelo arquiteto Dado Castello Branco para a Casa Cor 2015, como parte da “Casa Flamboyant”, a cômoda de madeira assumiu a função de uma penteadeira com um espelho. Ao mesmo tempo que o móvel marca o estilo retrô do espaço, ele também é responsável por trazer um ar de leveza e sofisticação.

Ponto de cor no banheiro

13 objetos vintage para aproveitar na decoração (Foto: Divulgação)
(Foto: Reprodução/Pinterest)

Que tal apostar em uma cômoda retrô no banheiro? Neste ambiente, o móvel funcionou como um ponto de cor para a decoração e se encaixou perfeitamente na estética clássica do banheiro, marcada por espelhos com molduras cromadas, lustres redondos e parede revestida com subway tiles, conhecidos também como azulejos de metrô.

Retrô e industrial

Novo apartamento de Caio Castro em São Paulo tem até cinema (Foto: Ricardo Bassetti: www.ricardobas)
(Foto: Ricardo Bassetti)

Aqui em Casa Vogue, já mostramos com detalhes o apartamento do ator Caio Castro, que possui uma decoração marcada pelos estilos vintage e industrial. No quarto do ator, lustres pendentes, tijolos aparentes e cimento queimado se encontram no décor que possui também uma pequena cômoda retrô ao lado da cama. O móvel, na cor preta, se encaixa na paleta de cores do cômodo e traz um ar de elegância ao espaço.

No lugar da mesa de cabeceira

Cômodas para o quarto: dez projetos para inspirar a decoração (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Esta cômoda de madeira é outro exemplo que também ganhou espaço ao lado da cama, no lugar da mesa de cabeceira. O móvel possui detalhes dourados e um estilo clássico que chama atenção em meio a este quarto projetado pela designer norte-americana Danielle Clemenza Miller, da Clementine Interiors.

Bar em casa

5 ideias de como usar cômoda retrô na decoração (Foto: Reprodução/Pinterest)
 (Foto: Reprodução/Pinterest)

Se você pretende reservar um espaço da decoração para criar o seu próprio bar em casa, as cômodas com estilo retrô também podem ser uma opção. Neste espaço, por exemplo, o móvel na cor branca recebeu uma bandeja com bebidas e outras peças decorativas. O resultado é uma combinação elegante e que pode assumir o protagonismo do ambiente.