A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora

O termo minimalismo evoca um tipo de espaço, onde sobressaem a luz e o vazio. Mesmo assim, este imaginário pode variar – sinal da multiplicidade que o conceito carrega, desde sua origem nas artes até as influências contemporâneas
JOANA L. BARACUHY | FOTOS ÅKE E:SON LINDMAN/DIVULGAÇÃO (JOHN PAWSON), DAICI ANO/DIVULGAÇÃO (KENGO KUMA), GABRIEL KOGAN (LUIS BARRAGÁN), PHILIPPE RUAULT/DIVULGAÇÃO (LACATON & VASSAL) E TODAMO/SHUTTERSTOCK.COM (MIES VAN DER ROHE)

À beira do lago Drevviken, na Suécia, esta casa de 2013 assinada pelo britânico John Pawson insere-se silenciosamente na paisagem: no inverno, a região fica coberta de neve e a residência praticamente desaparece; no verão, a folhagem esconde a construção – ao gosto escandinavo, os ambientes serenos valem-se de grandes aberturas e acabamentos em paleta suave

Essencial, abstrara, austera, limpa, simples, elementar, inteligível, silenciosa, sintética. A lista continuaria, mas paremos por aqui. Estes são alguns dos adjetivos associados àquilo que se entende hoje como arquitetura minimalista, aplicável a ambientes de todos os tipos. Se a diversidade de atributos enriquece e facilita o entendimento do termo, também indica a variedade de sentidos encontrados nessa corrente. A um só tempo, ela consegue a proeza de pautar desde microapartamentos-fetiche a manuais de organização doméstica.

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Todamo/Shutterstock.com)
O pavilhão alemão projetado por Mies van der Rohe para a Feira Mundial de Barcelona, em 1929, tornou-se uma obra-prima – o edifício aberto, em que nada resta oculto, materializa a simplicidade e a clareza dos meios e das intenções

Não há fronteiras para o novo minimalismo, que alcança um sem-número de pessoas ao transformar-se em fenômeno mercadológico e ver-se incorporado ao senso comum. “Basta dizer que a novela exibida por uma emissora de grande alcance no Brasil usa como principal cenário uma casa claramente minimalista”, comenta o arquiteto Rodrigo Queiroz, pesquisador e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

No entanto, essa popularização o afasta mais do ideário original – que, a rigor, existiu nas artes, não na arquitetura. Então, o que há por trás das formas claras, da placidez estética e do bem-estar proporcionado por essa espacialidade discreta, enxuta e harmônica que tanto apreciamos?

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Daici Ano/divulgação)
Espelhos-d’água e painéis vazados desenham esta casa próxima a um riacho, numa região montanhosa do Japão, concebida em 2006 pelo arquiteto Kengo Kuma de modo a reverenciar a natureza em um jogo entre sólido e impermanente, cheios e vazios

ARTE: O MARCO ZERO
Os especialistas são unânimes: a referência mais literal ao minimalismo remete às artes visuais produzidas nos Estados Unidos na década de 1960, quando despontaram nomes como Donald Judd, Richard Serra, Dan Flavin e Carl Andre, entre outros. “Queriam tirar de cena a representação figurativa e enfatizar a presença física no espaço”, explica o arquiteto Gabriel Girnos Elias de Souza, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Essa minimal art retomou a tradição construtiva, privilegiando o efeito obtido a partir da relação entre as coisas, em um discurso típico da era industrial”, complementa o arquiteto Fernando Viegas, docente da Escola da Cidade.

A essa altura, porém, já fazia tempo que a arquitetura refletia as máximas das vanguardas artísticas europeias do início do século 20 (especialmente aquelas que se valiam da abstração, contrapondo-se ao academicismo) e se deixava influenciar, desde o final do século 19, pelo statement do arquiteto austríaco Adolf Loos. “Para ele, que chegou a dizer ‘ornamento é crime’, a estética mínima era quase um imperativo moral, um dever”, reitera Souza. E esse espírito impactaria decisivamente o nascente movimento moderno.

Enquanto, nos anos 1920, as telas do holandês Piet Mondrian exibiam formas geométricas básicas e cores primárias, na arquitetura, seu conterrâneo Gerrit Rietveld derrubava a simetria e a perspectiva vigentes, sugerindo a apreensão da edificação e de seus planos desde diferentes pontos de observação. “Essa ênfase na relação com o espaço, que resumiu a composição a piso, parede e apoio, foi depurada mais tarde por Mies van der Rohe”, continua Viegas.

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Gabriel Kogan)
A  Cuadra San Cristóbal, complexo desenvolvido em 1968 para uma comunidade de cavaleiros na Cidade do México, leva a marca de Luis Barragán, caracterizada por cores vibrantes e volumes de forte apelo visual e espacial

MENOS AINDA É MAIS
No limite, credita-se papel seminal à Bauhaus e a Mies van der Rohe, seu famoso expoente, que trocou a Alemanha pelos Estados Unidos em 1937 e, de Chicago, passou a disseminar o pensamento racionalista. “O aforismo ‘menos é mais’, proferido por ele em 1929, não só significava a crença na essência em detrimento da aparência como lastreava uma visão de futuro amparada em princípios de igualdade possíveis na sociedade industrial”, prossegue Queiroz, para quem a semente da lógica minimalista estava plantada na escola alemã de design, arquitetura e arte.

Lembrado pelo arquiteto Felipe Hess, o trabalho realizado pelo modernista mexicano Luis Barragán de 1945 em diante adiciona temperos antes impensáveis à receita. “Na versão corrente do minimalismo, onde valem a cópia e a repetição, o branco predomina como solução fácil. Acho importante relembrar o legado desse arquiteto, cujo vocabulário com aura reflexiva e etérea emprega cores vibrantes”, frisa Hess.

O processo de construção da cultura, porém, é pendular, feito de idas e vindas. “Depois de rechaçados o ornamento e o apreço pelo histórico no modernismo, veio o pós-moderno promover seu resgate. Estaríamos vivendo agora uma espécie de pós-pós-moderno?”, questiona Juan Pablo Rosenberg, titular do AR Arquitetos, escritório de onde saem projetos impregnados pela linguagem minimalista, embora refutem o rótulo. Segundo ele, a procura pela limpeza do desenho e pela precisão no detalhe, além da capacidade de síntese, com atenção à escala e à proporção, não bastam para sugerir uma filiação ao minimalismo. É na busca por uma expressão enxuta e uma experiência intensa do corpo no ambiente que ele vê sua interlocução com o movimento. “Esse novo minimalismo vem contra o excesso de informações, estímulos visuais e materiais dos anos 1990 e 2000, com tanto design paramétrico e biomimética [referindo-se às técnicas que reproduzem os traçados orgânicos]”, afirma.

Para Viegas, o fenômeno surgiu no século 21 em decorrência do esgotamento da arquitetura do espetáculo, protagonizada por profissionais com status de celebridade global. “Apesar do casamento eventual com o marketing, motor de uma mera estetização, parece haver uma ênfase nesse sentido de depuração, de ética, de economia de recursos. Isso é benéfico, especialmente porque uma arquitetura que não se pretenda essencial, capaz de promover sol, luz, vista, espaços adequados e correção, não tem mais lugar.”

A evolução do estilo minimalista e suas diversas releituras mundo afora (Foto: Philippe Ruault/divulgação)
O novo edifício do FRAC Nord-Pas de Calais, espaço dedicado a eventos culturais e exposições de arte contemporânea em Dunquerque, França, espelha o prédio vizinho, um antigo estaleiro adaptado para integrar o complexo, inaugurado em 2013 após esta intervenção do escritório Lacaton & Vassal – ganhador do prêmio Pritzker em 2021

NOVOS TEMPOS
Tido como símbolo do minimalismo praticado hoje, o britânico John Pawson discorre em livros sobre sua produção de design e arquitetura. Em Anatomy of Minimum (Anatomia do Mínimo, em tradução livre, Phaidon, 2019, 240 págs.), o autor de residências, igrejas e lojas notórias pela harmonia e sutileza esmiúça os elementos nos quais apoia seu processo criativo. E assim como a pintura neoplasticista ateve-se a pontos, linhas, planos e cores primárias, sua concepção se vale da articulação de componentes como massa, superfície, luz, cor, aberturas, materiais. No tratamento que dispensa aos interiores, Pawson costuma dizer que procura “deixar um intervalo livre entre coisas, objetos e móveis, sem saturar as possibilidades nascentes de preenchê-los”, sinalizando para uma linguagem que contempla o imponderável da vida.

Outro nome celebrado na atualidade, Vincent van Duysen integra o chamado “minimalismo belga”. “É uma versão ‘quente’”, define Rosenberg, ao comentar o trabalho do flamengo, autor de propostas marcadamente sustentáveis, sensoriais e contemplativas. E a lista de adjetivos e nomes só aumenta, em sintonia com a pluralidade contemporânea. Basta lembrar que o próprio Rosenberg atesta sua identificação com mestres portugueses, a exemplo de Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura, que operam num pólo bastante distinto dos colegas citados anteriormente. Há que se contemplar os irrequietos integrantes do Herzog & de Meuron e o plácido Peter Zumthor, luminares, cada um à sua maneira, nesse radar. “Vale considerar ainda o escritório francês Lacaton & Vassal, vencedor do prêmio Pritzker em 2021 graças a uma produção que almeja a menor intervenção possível, pressupondo que já está tudo construído e só resta à arquitetura reconfigurar o existente. É um minimalismo afeito à sustentabilidade”, diz Queiroz.

Os mestres japoneses também figuram no imaginário coletivo como suprassumo do minimalismo praticado hoje. Nomes como Kazuyo Sejima (do escritório Sanaa) e Kengo Kuma fazem jus à linhagem iniciada por Tadao Ando. “O país insular dispõe de poucos recursos naturais, então, ali, a busca pelo essencial é movida pela escassez”, comenta Viegas. “Sem esquecer a importância do zen-budismo e do xintoísmo em sua relação estreita com a natureza, na ideia onipresente de contraste complementar entre yin e yang, luz e sombra… Isso introduz a imagem do espaço negativo, a noção de que cheio e vazio são condição de existência um do outro – sentido importante no movimento moderno e também no minimal”, completa Souza.

MINIMAL À BRASILEIRA
Reconhecido pelos pares como figura estelar no ofício de conceber moradias concisas e com detalhes obsessivamente elaborados (e, por isso mesmo, praticamente invisíveis), o arquiteto Marcio Kogan, do studio MK27, alcançou prestígio internacional. Aparece ao lado de Isay Weinfeld e Arthur Casas como capaz de um resultado no qual formas geométricas simples, arranjadas harmoniosamente e ensejando vazios oportunos, em conjuntos marcados pela parcimônia nos materiais e na ausência de ornamentos, traduzem variantes do desejo por menos.

Outros nomes emergem em resposta à questão do minimalismo hoje, sempre num alinhamento parcial, sobretudo quando entendido não de maneira literal, mas, sim, como resultado de uma experiência espacial. Nunca, porém, são considerados herdeiros diretos da tradição minimal, apenas adeptos de aspectos caros a essa vertente. “Nesse sentido, podemos encontrar conexões no que realizam escritórios como MMBB, SPBR e Una Arquitetos, mais ligados à escola paulista do modernismo brasileiro”, diz Queiroz. “Também dá para incluir a abordagem carioca, se pensarmos pelo ponto de vista da abertura à paisagem”, acrescenta Souza.

CRÍTICA CONSTRUTIVA
“Sempre volto ao texto performático Junkspace, do arquiteto holandês Rem Koolhaas, onde ele sugere que ‘na contemporaneidade, o mínimo é o ornamento supremo, o máximo disfarçado’, acusando uma espécie de barroco da atualidade”, provoca Souza. E alerta para o risco de a corrente que brotou como resistência ao exagero esvaziar-se reduzida a um estilo, no pior sentido do termo, algo frívolo. Faz coro com Queiroz, que vai além. “Esse lifestyle, crescente nos últimos 15 anos, mesmo que pautado no despojamento, pode estar alinhado à agenda do politicamente correto e do engajamento”.

Ainda assim, mantém-se válida a percepção de que o exercício da concisão é quase uma condição deste tempo. “Como postulou Paulo Mendes da Rocha ao afirmar que a ‘arquitetura é amparo para a imprevisibilidade da vida’, tendo a acreditar nesse novo minimalismo menos como resultado estético e formal, e mais como expressão da busca pela essencialidade dos materiais e dos meios, quase uma continuidade do moderno naquilo que ele apresentou em termos de valores, em sua proposta existencial”, diz Queiroz. Seu atributo fundamental, a vontade de dar lugar ao vazio, à luz, ao novo, ao externo, à experiência do espaço, ao imponderável, não deve ser obturado. E requer enorme sensibilidade. “A qualidade do mínimo é algo sutil, intransferível, inapreensível, não para ser apreciada numa tela ou numa foto em rede social”, conclui Souza.

Cadeira Bika garante versatilidade a qualquer ambiente

Produto é lançado de forma exclusiva no País pela Sittz

Fruto de uma parceria entre a empresa brasileira FK Grupo e a marca espanhola de mobiliário corporativo Forma 5, a cadeira Bika, assinada pelo estúdio Ramos & Bassols, dos designers industriais David Ramos e Jordi Bassols está sendo lançada no País pela Sittz, uma das bandeiras do grupo. “Trazer todo o conhecimento tecnológico e os produtos de design europeu para complementar o portfólio da Sittz irá agregar muito valor aos nossos produtos”, afirma Ulisses Carlos Raineri, diretor do FK Grupo.

A colaboração entre a Forma 5 e o FK Grupo repete o sucesso da companhia brasileira com a italiana Maxdesign, iniciada em 2016 e incorporada ao grupo brasileiro em 2020. Para trazer a marca para o País, houve o desenvolvimento de moldes, o estudo prévio de cada parte estrutural, identificadas as necessidades de acabamentos, conforto e funcionalidade e a modelagem da tapeçaria, feita de forma artesanal para que os produtos pudessem ser produzidos na fábrica da empresa em Bariri, interior de São Paulo.

A aparente simplicidade, a cadeira Bika esconde um conceito ambicioso que reúne design e inovação, estética e funcionalidade. A versatilidade do produto nasce da combinação de apenas duas peças que, quando juntas, constroem uma cadeira extremamente resistente, mas com uma estética clean e leve.

Com a estrutura produzida em nylon com fibra de vidro e a parte colorida em polipropileno de 8 diferentes cores, possibilitam uma solução colorida com design fresco e amigável, que se adapta a diferentes ambientes. Muito leve e fácil de limpar, Bika conta com revestimento de polipropileno que não requer manutenção complexa, o que a torna uma opção multifuncional, ideal para locais de alta rotatividade. Além disso, sua alta capacidade de empilhamento permite manter o ambiente organizado ao final de seu uso.

Os novos produtos se somam ao portfólio já existente da Sittz, que conta com cadeiras office, poltronas, sofás e puffs.

Home office deixa de ser ponto de apoio e ganha protagonismo nas casas

Veja quatro projetos de espaços onde os donos passam a maior parte do tempo
Yara Guerchenzon

Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio – Divulgação

Planejados inicialmente como um ponto de apoio para estudo ou trabalho em casa, os home offices ganharam importância e se transformaram no lugar onde os moradores já se acostumaram a passar a maior parte do tempo.

Conheça a seguir quatro projetos de home office que adquiriram um status maior do que o previsto e passaram a ser fundamentais para os seus proprietários.

COM PAISAGEM

Do alto de uma cobertura em Ipanema, no Rio, o casal de moradores, ambos advogados, trabalha todos os dias em um espaço de 13,2 m² de frente para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.

Os autores do projeto, Richard de Mattos e Maria Clara de Carvalho, do escritório Pílula Antropofágik Arquitetura, contam que naquele ambiente havia antes um pequeno cinema e que, com a chegada dos atuais proprietários, ganhou nova função. “Logo nos pediram para projetar ali um home office, tirando partido da bela vista e do jardim externo da cobertura.”

Cores claras e alegres marcam o projeto, em contraste ao tom cinza do piso de porcelanato cimentício e do teto com cimento queimado, além da bancada feita com placa cimentícia revestida de cimento queimado. Para guardar documentos, dois gaveteiros com rodízios foram colocados na parte de baixo.

Na parede de trás, prateleiras flutuantes e engastadas em chapas de madeira organizam livros e objetos. Por fim, como o local é fechado com vidro, uma persiana de tela solar controla e filtra a incidência de luz natural.

FEITO POR ACASO

Instalado numa das laterais de uma varanda de 5 m², este pequeno home office nem era para existir. A proprietária do imóvel é uma jovem empresária que trabalhava eventualmente em casa —até começar a pandemia.

Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, foi feito na sacada
Home office de estúdio no Tatuapé, em São Paulo, feito na sacada pela Andrade & Mello Arquitetura – Luis Gomes/Divulgação

“Ela não poderia imaginar que iria precisar usar diariamente esse espaço de trabalho e por tanto tempo”, conta a arquiteta Erika Mello, da Andrade & Mello Arquitetura, escritório responsável pela reforma do estúdio de 33 m², localizado no Tatuapé, em São Paulo.

Segundo Erika e seu sócio, Renato Andrade, a moradora queria inicialmente que essa sacada tivesse só uma área para relaxar no fim do dia, quando retornasse para casa. A colocação do tampo de MDF com o painel de madeira cumaru na parede veio por sugestão dos arquitetos.

“A ideia surgiu para aproveitar melhor esse espaço, dando-lhe uma função, já que teríamos que esconder os equipamentos do ar-condicionado justamente neste canto. Nós já sabíamos que a cliente levava trabalhos para casa de vez em quando, por isso fizemos a proposta”, conta Erika Mello.

Outros pontos positivos do trabalho na varanda é que a moradora conta com luz e ventilação naturais e ainda pode aproveitar a vista. Para organizar os objetos, ela conta com prateleiras encaixadas nos frisos do painel.

CAMUFLADO

Ao ser contratado para fazer uma reforma completa no imóvel dos anos 1960, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, o arquiteto André Di Gregorio, do Estúdio BRA, ouviu de seus clientes, um jovem casal, ambos profissionais liberais, que seria preciso incluir no projeto de seu primeiro apartamento um pequeno home office.

Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do  Estúdio BRA
Home office camuflado em apartamento em Higienópolis, São Paulo; projeto do Estúdio BRA – Maíra Acayaba/Divulgação

Porém, não gostariam que ele ocupasse um ambiente exclusivo, nem que ficasse no quarto ou à vista nas áreas sociais. A solução foi colocá-lo literalmente dentro de um armário.

“A demanda dos moradores era, ainda, de conseguir fechá-lo assim que acabasse a jornada de trabalho, para ajudá-los a separar a vida profissional e pessoal”, conta André.

O projeto conta com um painel de lâmina natural de madeira Tauari que cruza a sala de uma ponta a outra, ocultando as portas de acesso à cozinha e à área íntima, além de dar lugar a algumas prateleiras e ao próprio home office, instalado já próximo à varanda.

“Posicioná-lo perto da janela foi a grande sacada. Além da vista para as árvores na rua, a luz natural é incrível.” O arquiteto aproveitou o espaço para embutir uma bancada de MDF, fechada por portas camarão.

ENTRE PLANTAS

Depois de 30 anos trabalhando fora, em um mesmo escritório, o assessor de imprensa carioca Marcelo Guidine precisou se acostumar à atividade profissional em casa, logo no começo da pandemia.

Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio
Home office desenvolvido pelo morador durante a pandemia em Copacabana, Rio – Divulgação

Em julho do ano passado, deixou o emprego anterior para cuidar de seus próprios clientes, em carreira solo. Com isso, precisou de um espaço no seu lar que fosse específico para desempenhar o trabalho, sem improvisações.

No apartamento em Copacabana, no Rio, aproveitou uma área da sala subutilizada, ocupada antes por um sofá, e instalou uma bancada e uma prateleira, ambas de freijó, que vão de uma parede a outra. No fundo, providenciou um espelho que reveste toda a superfície. “Isso faz o ambiente parecer maior e mais iluminado. Além do mais, eu não queria trabalhar olhando para uma parede o dia todo”, conta o morador.

Sob a bancada, instalou dois gaveteiros volantes. Fora isso, não demorou a aderir ao urban jungle. “Acho que pirei nas plantas”, brinca, ao contabilizar 15 vasos desde o início da pandemia.

A cor rosa chega à cozinha, tingindo paredes, armários e revestimentos, com um toque de ousadia

O tom, quem diria, agora é visto por arquitetos e designers como versátil
Isabela Caban

Cozinha Rosa Foto: Divulgação

Desde que o rosa-quartzo foi eleito pela Pantone a cor do ano, em 2016, o tom sobe a escada da fama da decoração. Surgiram variações em apelidos como rosa-seco, vintage e millennial na mesma velocidade em que a paleta avança pelos cômodos da casa. Agora, a cor encontrou seu lugar na cozinha, tingindo uma parte do armário, marcando presença em um eletrodoméstico, no piso ou na parede inteirinha.

Cozinha Rosa Foto: Divulgação
Cozinha Rosa Foto: Divulgação

“Queria ter em casa uma cozinha de boneca, bem ‘Patricinha de Beverly Hills’”, brinca o arquiteto Richard de Mattos, que acabou de pintar a sua (paredes e armários!) em dois tons de rosa — um puxado para o salmão e outro, chiclete. Projeto seu com a sócia Maria Clara de Carvalho (na Pílula Arquitetura), a ideia foi mesmo ousar e deixar o novo apê bem lúdico. “Gostamos de arriscar, de brincar, de colorir”, conta. Para completar, a dupla escolheu branco nas bancadas, marrom no teto, madeira no armário suspenso, um pouco de verde com plantas e um toque a mais de irreverência no pôster pendurado em destaque, com o autorretrato de Richard.

Também vale rosa-choque. O arquiteto Pedro Kastrup (da PKB) quis levar personalidade à cozinha integrada à sala no apartamento de um jovem casal com dois filhos. Com ar mais sóbrio e tons neutros (cinza, branco e freijó), por lá o banho de tinta foi pontual, apenas nas frentes dos armários, contrastando com as cadeiras Mucuri em azul-bic, do designer Zanini de Zanine. “Essas portas são vidros laqueados por trás e podem facilmente mudar de cor, caso queiram mais pra frente”, explica Pedro.

Cozinha Rosa Foto: Divulgação
Cozinha Rosa Foto: Divulgação

O rosa, quem diria, agora é visto por arquitetos e designers como versátil. Ficou para trás o tempo em que era ligado apenas ao feminino e ao romântico. “É uma cor calma e delicada, mas não só. Pode agregar ousadia, força, disruptura. Não é inicialmente cogitada pelos clientes, mas depois, quando veem o projeto, é sempre uma boa surpresa. Percebemos uma maior aceitação”, defende Pedro Kastrup.

Em uma outra cozinha integrada, que pode ser envolta em uma “caixa de vidro” (fechada com portas de correr translúcidas com moldura em ferro preto), o rosa surge em uma tonalidade clean no revestimento esmaltado da parede, no backsplash. Esse projeto da Concretize, das designers de interiores Fernanda Nasser e Luiza Amaral, foi feito pra um jovem executivo, fã do estilo industrial, que pediu um apartamento com três elementos básicos: metal, concreto e tijolinho aparente. “A cor foi escolhida para fazer um contraponto ao cinza, para quebrar o padrão dos outros ambientes”, explica Fernanda.PUBLICIDADE

O Fala Atelier também apostou no tom para a cozinha e desenhou um armário com recortes feitos diretamente no MDF, criando uma estampa geométrica. Nesse caso, os arquitetos Filipe Magalhães, Ana Luisa Soares e Ahmed Belkhodja harmonizaram o tom com branco e madeira. Mas não há regra rígida, afinal até com verde dá samba. Primeiro, é preciso saber qual o efeito se quer transmitir com a composição, mais chamativo, excêntrico e ousado ou singelo e elegante. E mãos ao rosa.

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar

Para além dos estereótipos, a decoração do quarto pode traduzir outras nuances da personalidade do seu bebê
LUCAS DEOLI FREITAS

Projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors

Tem sido cada vez mais comum a escolha por saber o gênero da criança apenas no dia do nascimento. Isso faz com alguns preparativos, como a decoração do quarto de bebê, precise ser antecipada sob uma nova premissa: um devoto que leve em conta aspectos que extrapolam o arquétipo feminino ou masculino – e que sirva para ambos de forma surpreendente.

Por que escolher um quarto de bebê sem gênero? Lembre-se que é justamente no quartinho onde as crianças crescerão e passarão mais tempo. Sendo assim, quanto mais neutro for o estilo escolhido, mais facilmente o ambiente se adapta aos gostos de quem o habita, abrindo espaço para todas as mudanças de personalidade que podem surgir conforme as crianças se desenvolvem. Por isso, a opção por elementos neutros e versáteis deve ser valorizada.

A seguir, inspire-se em seis projetos de quartos de bebê com gênero neutro:

6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

1. Quando decidiu saber o sexo de seu bebê apenas no nascimento, a influencer Mallory Ervin trouxe um desafio imenso para decoração do quartinho. Assim,  a designer April Tomlin criou um contexto super clean para um resultado divertido e aconchegante, trazendo para o conjunto uma combinação neutra que ganha um tom despojado graças às estampas e padronagens em preto e branco. O destaque fica por conta do berço verde oliva que traz para quarto ares de sofisticação. Para a surpresa da mãe, que escolheu o nome Shepherd (pastor, em inglês) para seu filho, os objetos de ovelha que encantam o ambiente ganharam um valor ainda mais afetivo. 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

2. Localizado em Gilbert, Arizona, o quarto da pequena Olive, foi pensado também como um ambiente onde os pais passariam muito tempo. Por isso, sua decoração deveria agradar a todos da mesma forma. O design escolhido pela Lexi Grace Design trouxe uma composição rústica e delicada. Sob um pano de fundo azul marinho, fotos de flores silvestres na parede se mesclam a uma gama de matérias e texturas naturais presente nos objetos do quarto. Um detalhe que chama a atenção é a oliveira, que traz frescor ao quarto e referência ao nome da filha.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

3. Para montar esse quarto estimulante, o casal deparou-se com a restrita disponibilidade de peças para crianças que não fossem rosa e azul. Para o ambiente com predominância do branco, que  faz com que a luz preencha todos os cantos, o desejo deles era trazer a cor amarela para endossar a personalidade no quarto das pequenas. Assim a arquiteta Vivi Cirello escolheu como peça-chave a clássica Poltrona Womb, de Eero Saarinen, que ganhou destaque ao ser acompanhada por detalhes em vermelho. A composição resultou numa atmosfera multicolorida, leve e divertida.
 


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

4. Lúdico e Irreverente! Assim se apresenta o quarto criado para o pequeno Tom, cuidadosamente criado pela arquiteta Cora Mader. O ambiente tem a atmosfera marcada por cores vibrantes e grafismos que estimulam o movimento e curiosidade. Apostando na versatilidade das peças escolhidas, o berço de madeira, ao tornar-se uma caminha, acompanha o crescimento do pequeno. A estante suspensa com pelúcias, por sua vez, dará lugar aos futuros brinquedos de Tom.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

5. Mesmo sob uma atmosfera boho e vintage, a blogueira Bre Bertolini trouxe para o quarto de gênero neutro uma atmosfera para seu bebê que inspira acolhimento e personalidade. Entre padronagens étnicas e objetos manuais, a cor verde escuro ocupa meia parede marcada por uma prateleira contínua que abriga objetos e livros, dando suporte ao cantinho das histórias de ninar. O berço de madeira marca um tom sobre tom de beges, marrons e terrosos que trazem uma sensação de acolhimento tão importante para que o pequeno se sinta seguro nesse ambiente.


6 quartos de bebê sem gênero para se inspirar (Foto: Reprodução)

6. Este quarto de bebê é a prova de que uma decoração lúdica pode não estar relacionada a cores fortes, mas resultado de uma seleção de ítens que estimulam a criança de diversas formas. Com atmosfera cinza e branco,  o projeto assinado pela dupla SISSY+MARLEY Interiors traz para o quarto de gênero neutro sutilezas que fazem com que a essência seja captada em pequenas nuances. Entre as paredes brancas, elementos com o tema de girafas, presente nas gravuras, arandelas e nas pelúcias,  o berço em madeira ganha papel de destaque.

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix

Grande parte das filmagens foram feitas em Bath, cidade inglesa que conta com diversas construções no estilo georgiano

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: Liam Daniel/Netflix)
Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) e Simon Basset, o Conde de Hastings (Regé-Jean Page), são o casal protagonista da série (Foto: Liam Daniel/Netflix)

Recente sucesso da Netflix, a série Bridgerton tem a primeira temporada inspirada no livro O Duque e Eu, da autora estadunidense Julia Quinn. A trama apresenta a sociedade londrina do século 19, em que os casamentos eram tratados como negócios de extremo valor para as famílias nobres.

Com produção executiva de Shonda Rhimes, que também é responsável por Grey’s Anatomy e Scandal, Bridgerton surpreende com belas locações ao apresentar a trajetória de Miss Daphne (Phoebe Dynevor) e do Duque de Hastings (Regé-Jean Page), por meio da narração da misteriosa Lady Whistledown.

Apesar de se passar em Londres, grande parte da série foi filmada na cidade de Bath, também na Inglaterra. O local é conhecido pela arquitetura georgiana e por sua associação com o universo romântico da autora inglesa Jane Austen. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, Bath possui encantadoras ruas de paralelepípedos e construções históricas.

Confira alguns dos lugares reais que aparecem na série:

Ranger’s House

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: Liam Daniel/Netflix)
O lugar aparece como lar da família Bridgerton (Foto: Liam Daniel/Netflix)

Localizada em Greenwich Park, a fachada da construção aparece como o lar da família Bridgerton na série. O local serviu de moradia ao Ranger de Greenwich Park, que atuava como administrador do parque.

Wilton House 

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: Reprodução/Netflix)
A parte interna do local aparece como um dos aposentos da rainha Charlotte (Golda Rosheuvel) (Foto: Reprodução/Netflix)

O edifício em Salisbury foi usado para retratar a mansão extravagante do Duque de Hastings em Londres. Essa mansão real foi a residência de condes por mais de 400 anos. A entrada e o salão principal, assim como o corredor de retratos aparecem na série, além das belas fontes e pátios exteriores. A parte interna do local também foi aproveitada, já que o Single Cube Room, por exemplo, aparece como um dos aposentos da rainha Charlotte (Golda Rosheuvel).

Castle Howard 

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: Getty Images)
A propriedade que aparece em Bridgerton pertence à família Howard há mais de 300 anos  (Foto: Getty Images)

Localizada em North Yorkshire, a propriedade é uma das maiores residências privadas do país. Na série, o local representa o Clyvedon Castle, um dos palácios do Duque de Hastings, que aparece com frequência a partir do sexto episódio.

Royal Crescent

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: VisitBritain)
Royal Crescent é um dos lugares que aparecem na série ‘Bridgerton’, da Netflix (Foto: VisitBritain)


Conhecido por ser um dos maiores exemplos da arquitetura georgiana na Grã-Bretanha, este é um lugar imperdível em Bath. A construção foi projetada perto do Royal Victoria Park e possui residências particulares, um hotel de luxo e o museu No.1 Royal Crescent.
Em ‘Bridgerton’, a fachada do museu foi usada como cenário para a casa da família Featherington e a rua em frente, para cenas ao ar livre.

Abbey Green

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: Reprodução / Instagram / Pickled Greens)
O estabelecimento Pickled Greens foi transformado na Modiste, que aparece em Bridgerton (Foto: Reprodução / Instagram / Pickled Greens)

A área é próxima à York Street da Bath Abbey, escondida atrás de cafeterias britânicas. A loja e o café que ficam na praça Abbey Green, representam o Modiste – uma loja de vestidos que aparece com frequência na história. Outra parte de Abbey Green também foi usada para representar Covent Garden, em Londres.

Assembly Rooms e Guildhall

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: VisitBritain)
O salão de bailes aparece durante enventos sociais na série (Foto: VisitBritain)

Local que aparece em alguns bailes luxuosos da série, as Assembly Rooms, em Bath, foram mencionadas em romances da escritora Jane Austen. Construído em 1771, o espaço já foi usado pela Força Aérea Britânica, na Primeira Guerra Mundial.

Logo abaixo das Assembly Rooms, há o Fashion Museum, que conta com uma rica coleção de roupas e acessórios de diferentes períodos.

A requintada sala de banquetes do Guildhall também chama atenção em bailes retratados na trama. Situado no centro de Bath, o local de eventos se destaca pelas grandes escadarias e decoração no estilo georgiano.

Holburne Museum

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: VisitBritain)
A fachada do edifício aparace como um dos cenários de ‘Bridgerton’ (Foto: VisitBritain)

Os produtores usaram a parte externa da construção para dar vida ao palácio de Lady Danbury (Adjoa Andoh). Originalmente projetado e construído como um hotel, atualmente, o espaço abriga uma coleção artes, na cidade de Bath.

Áreas externas de Bath

Conheça os lugares reais que aparecem nas cenas da série Bridgerton, da Netflix (Foto: VisitBritain)
A maioria das cenas externas foi filmada em Bath (Foto: VisitBritain)

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético e lindo

A verve maximalista combina mix de texturas, cores, estampas e elementos vintage
POR LARA MUNIZ

Gallery wall, mix de texturas e muita cor aparecem no lar da influencer Mindy Schroor (Foto: Reprodução Instagram)

Esqueça Mies van der Rohe. Acreditar que menos é mais vai contra os princípios do estilo boho, marcado pela mistura exuberante de texturas, cores e estampas com elementos naturais e de alma vintage. Frequentemente associado à vida dos ciganos, o clima boho – ou bohemian – ganhou gradações mais amenas nos últimos tempos. Caso da scandi boho, que suaviza a paleta em nome de um visual mais contido, mas sem abrir mão da riqueza de materiais. Atualizamos as inspirações em 10 ambientes para você entrar na onda de que mais é mais. Vem com a gente!

Acampamento cigano

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

Vem de Dresdem, na Alemanha, um resumo rico do que há de mais acolhedor na vibe boho. Plantas por todos os lados, um belo tapete felpudo, almofadas de veludo e uma parede cheia de memórias das viagens da influencer Aline Lieselotte.

Flores e listras

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

A designer inglesa Mel Boyden encheu de flores gigantescas a parede da cabeceira e, sem medo, cobriu com listras a cama romântica. A cortina cor de rosa completa o cenário idílico com graça de sobra.

Verde precioso

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

tom de esmeralda colore as paredes do ambiente que serve de home office para a empresa de organização norte-americana Horderly. Toques dourados pontuam o décor, que se completa com madeira, pele e plantas, quase camufladas diante da pintura.

Paleta neutra

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

Apague os tons fortes, mas mantenha tudo o mais que traz acolhimento. Plantas, fibras naturais e tecidos diversos dão forma a este living da Malásia, que se apresenta como scandi boho. Trend para guardar entre as favoritas.

Gelo quente 

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

No meio das geleiras da Finlândia, o Artic Tree House Hotel tem suítes voltadas para as paisagens da natureza gelada. Nas suítes, no entanto, o que não falta é calor: ele vem das peles que cobrem as cadeiras Butterfly, da madeira do piso, parede e tetos e das cortinas claras, que casam com a paleta da floresta ao redor

Cenário de inverno

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

A upcycler Yvonne Purcell, que vive na costa leste da Irlanda, criou um deck boho com uma paleta de azuis e marrons acinzentados que parece saído de um filme. Escolha a sua manta, passe um café bem quente e aproveite o clima ao redor.

Dentro e fora 

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

A designer polonesa Marzena Marideko aproveita o melhor das janelas tipo mansarda, que trazem para dentro de casa a luz natural que chega pelo teto em vez das paredes. Aqui, o charme boho se revela com o uso das luzes em fio, outro trunfo do estilo que merece ser multiplicado por aqui.

Linguagem escandinava

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

influencer dinamarquesa escolheu diferentes modelos de cadeiras assinadas, todas passeando pelos beges, para compor o canto de jantar da casa. Meio hygge, meio hippie, muito boho. Tapete da Benuta.

Elemento de peso 

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

Basta uma cor forte no veludo para demarcar a presença do boho mais clássico. Aqui, a holandesa Mindy Schroor mostra que sabe combinar cores ao escolher o cinza terroso para cobrir a parede de fundo. A pintura figurativa faz par com o tapete floral e traz o maximalismo sem errar,


Tema botânico 

Estilo boho: saiba mais sobre este décor eclético, lindo e perfeito pra você (Foto: Reprodução Instagram)

No home office da escritora Manuela Kaplan, o arco pintado na parede delimita a área de trabalho, ao passo em que as plantas e os tons de verde espalhados pelo ambiente – note os quadros com tema botânico – cuidam de unificar tudo de um jeito cool. Inspiração que vem da Áustria.

Organize sua casa em 4 etapas e chegue a 2021 livre de tralhas

Especialistas dão dicas práticas para redenção de bagunceiros e acumuladores
Danae Stephan

Catarina Pignato

Organizar a casa para começar o ano novo com o pé direito já virou tradição. Com a pandemia e o isolamento, a necessidade de “destralhar” ambientes e tornar o lar mais amigável e prático ficou ainda mais premente.

“Essa organização periódica tem muita relação com a cultura de renovação, definição de metas e encerramento de ciclo”, diz a personal organizer Talita Melo, da Kiiro – Organiza e Simplifica, de São Paulo. “O calendário de folgas entre o Natal e o Ano-Novo também ajuda a reforçar essa cultura.”

Mas arrumar e organizar são coisas diferentes, de acordo com os especialistas. “Quando você arruma, o ambiente fica estético e funciona para você. Já a organização é mais estrutural, e serve para você e para todos que convivem na casa”, afirma Talita.

Como o feriado coincide com a chegada do verão, também é um bom momento para limpar peças que exigem lavagem anual ou semestral, como cortinas, lustres e tapetes, lembra a organizadora Nina Braz, de São Paulo.

Os métodos de organização variam, mas há uma regra comum: não tente fazer tudo de uma vez. A depender do tamanho da casa —e da bagunça—, pode ser necessária até uma semana.

Nina Braz sugere começar do fundo para a frente da casa. “No caminho, você vai levando as coisas que não têm um lugar certo. Se chegar à entrada sem encontrar um local adequado para guardar os itens acumulados, é preciso avaliar se eles são mesmo necessários”, diz.

Já as organizadoras Talita Melo e Melissa Rodrigues, de São Paulo, sugerem começar pelo ambiente que mais incomoda os moradores. “A sensação de recompensa ao terminar a arrumação do cômodo mais difícil dá ânimo para ir até o final”, afirma Talita. “Também é um jeito de pegar o ritmo, e os outros cômodos vão parecer bem mais fáceis”, diz Melissa.

Ainda assim, é preciso ir por partes. “Quando um profissional vai organizar um guarda-roupas, por exemplo, ele tira tudo, separa, cataloga e arruma. Mas, para quem vai fazer sozinho, recomendamos organizar uma gaveta por vez, depois o armário, e assim por diante”, diz Melissa.

Depois de decidir por onde começar, siga o roteiro sugerido pelas organizadoras:

1. Cada um na sua

Tire tudo do armário, gaveta ou prateleira e separe as peças por categoria. No guarda-roupas, junte calça com calça, regata com regata, camisa com camisa etc. Divida por estação e, por fim, por uso.

Na cozinha, tire todos os jogos de pratos, talheres, copos, taças, toalhas e jogos americanos, inclusive os que estão fora de uso. Separe por categoria, dividindo os de uso diário e os reservados para ocasiões especiais. É importante deixar tudo à vista, para ter uma ideia do volume.

Aproveite esse momento para limpar bem tanto a parte interna dos móveis como os cantos do ambiente, lustres, tapetes e cortinas.

2. Hora do desapego

Com todos os itens à sua frente, é hora de desapegar. “Geralmente tiramos cerca de dez sacos de 200 litros das casas que organizamos. Em média, isso representa cerca de 20% do volume total. Esse é um bom número para se ter em mente”, diz Talita.

Pegue três caixas de cores diferentes, sacos ou cestos (vale usar etiquetas coloridas), e nomeie com verbos como “resolver”, “arrumar” e “doar”. Evite criar muitas categorias, para facilitar a tomada de decisões. “Na Kiiro, definimos os verbos ‘vender’, ‘resolver’ e ‘doar’. Não usamos mais o verbo ‘ficar’, porque percebemos que as pessoas tendem a manter mais itens quando usam essa categoria”, afirma Talita.

Na categoria “resolver” entram tanto peças que irão para algum parente ou amigo quanto itens que precisam de conserto ou manutenção.

Para as categorias “vender” e “doar”, comece a sessão de desapego por itens que não tenham muito valor afetivo. “Assim, quando chegar nos objetos pelos quais você tem apego, já vai estar no ritmo, o que facilita o processo”, diz Nina.

Na dúvida do que ainda vai ou não usar, vale o truque de guardar em uma caixa ou mala de viagem. Anote a data em uma etiqueta e se programe para dar uma olhada depois de um ano. “Se você nem olhou para esse item no ano todo que passou, é pouco provável que vá usá-lo novamente”, diz Melissa. “Isso vale para tudo, mas principalmente para roupas e sapatos.”

3. Tudo no lugar

É preciso encontrar um lugar para cada item, de acordo com seu uso. Se um objeto não tem um local adequado, deve ir para uma das caixas de triagem. E nada de criar uma caixa genérica para deixar os cacarecos. “Tralha não se organiza”, diz Melissa.

Roupas do dia a dia e de trabalho devem ficar mais acessíveis, e todas agrupadas de acordo com sua subcategoria: regatas com regatas, calças com calças etc. Roupas e sapatos de festa podem ir para o maleiro ou box da cama.

Já na cozinha, lavanderia ou banheiro, separe os itens por uso. Coloque as coisas do café da manhã juntas, em uma parte do armário ou em uma bandeja. Talita sugere dividir mentalmente os espaços da cozinha em áreas de “servir”, “cozinhar” e “embalar”.

Utensílios, louças e eletrodomésticos menos utilizados podem ir para o alto dos armários. Jogos de prato, copos e talheres restritos a festas e ocasiões especiais podem ir para caixas, se não houver espaço suficiente nos armários. Coloque etiquetas nas caixas, para facilitar sua localização.

Na lavanderia, acondicione os produtos de uso frequente, como álcool, água sanitária e limpador multiúso, em um balde próprio para isso. Os produtos de limpeza pesada podem ficar mais ao fundo da lavanderia ou despensa. Sabão em pó e amaciante de roupas devem ficar em um lugar fixo na lavanderia, de preferência em um cesto.

Aproveite para conferir datas de vencimento e necessidade dos produtos menos usados. O mesmo vale para banheiros, nécessaire de maquiagens e caixa de remédios.

Na hora de arrumar os brinquedos das crianças, é fundamental que elas façam parte do processo, para ajudar na triagem e também na manutenção da arrumação do quarto. Separe os brinquedos por tamanho e por uso: bicicletas e patinetes devem ficar fora do quarto, em uma área externa. Jogos, quebra-cabeças e brinquedos que exijam acompanhamento de um adulto podem ficar em locais menos acessíveis.

4. Doar e vender

Com as caixas separadas, é hora de decidir o que irá para doação ou ser vendido.

Hoje é muito fácil encontrar grupos de troca ou venda nas redes sociais e no WhatsApp, o que estimula a abrir mão de peças que normalmente não doaríamos. “Quando começamos a propor a venda, percebemos um aumento considerável no volume de desapego dos clientes”, diz Talita Melo, que inclui o serviço de venda em seus pacotes.

Há ainda aplicativos específicos para isso, como o Popsy, que oferece da criação do anúncio à entrega do produto. Gratuito, atende atualmente a 21 cidades brasileiras.

Esse mercado vem ganhando força com a onda do consumo consciente, e deve crescer 69% até 2021, segundo relatório da ThredUP, uma das maiores lojas online de roupas usadas do mundo, e da GlobalData, de análise de varejo.

OS CAMPEÕES DA BAGUNÇA

Coleções e bibelôs
Os itens mais complicados de organizar são aqueles sem função, como lembrancinhas, bibelôs e coleções de bonecos ou miniaturas, de acordo com Nina Braz. Ela sugere usar uma bandeja para reunir os objetos e facilitar a limpeza. Estantes ou nichos protegidos por vidro também são boas opções

Potes plásticos
Sempre que for comprar potes tipo Tupperware, dê preferência a peças de mesmo formato, que possam ser encaixadas umas nas outras. ”As pessoas compram potes de formatos diferentes, ganham de brinde e dificilmente se desfazem dos que estão feios, tortos, manchados…”, afirma Nina. Descarte os recipientes tortos, manchados e sem tampa e encaixe um dentro do outro, da melhor forma possível. Coloque as tampas em uma caixa separada, da maior para a menor

Livros e revistas
O ideal é organizar em estantes fechadas, para evitar o acúmulo de pó. Na falta delas, é preciso tirar o pó a cada dois meses e folhear cada volume pelo menos uma vez ao ano. Se for armazenar em caixas, prefira as de plástico e coloque junto um antimofo

Papéis
Evite o acúmulo de contas, notas fiscais e boletos; opte por recebê-los por email sempre que possível. Guarde apenas notas fiscais de produtos que estejam dentro da garantia e manuais importantes


Pecinhas de brinquedo
Reúna as peças de cada jogo, e separe os blocos de montar por tamanho ou kit. Coloque etiqueta nos cestos ou caixas usados para reunir os brinquedos por tema ou idade, caso tenha mais de uma criança

EMBALAGENS SALVA-ESPAÇO

Sacos a vácuo
Eles diminuem o volume de edredons, travesseiros, cobertores e roupas de inverno. Para que as peças brancas não fiquem amareladas, embrulhe-as em um papel celofane azul

Colmeias
Queridinhas das organizadoras, são ideais para guardar peças pequenas em gavetas ou prateleiras de closet. Calcinhas, meias, cuecas, sutiãs e até roupas de ginástica ficam mais organizadas e acessíveis

Cestos
Podem organizar desde produtos de higiene no banheiro até alimentos abertos na despensa. Para roupas e produtos volumosos, dê preferência aos modelos quadrados, que têm melhor aproveitamento de espaço

Mais ousados e criativos, lavabos ganham destaque em projetos

Com estampas, luzes e revestimentos inovadores, cômodo com destino de coadjuvante vem crescendo rumo ao estrelato
Isabela Caban

Estampa liberty no projeto da Escala Foto: Divulgação

Um lugar de medidas enxutas, onde se passa pouco tempo na casa. Com esse argumento, a ordem, portanto, é ousar! Arquitetos e moradores têm feito verdadeiros experimentos no lavabo, cobrindo o ambiente de estampas, cores ou luzes fortes.

E o resultado é que esse cômodo com destino de coadjuvante vem crescendo rumo ao estrelato. Na casa da arquiteta Patricia Landau, da Escala Arquitetura, o ambiente tem até um certo ar de camarim, com chapéus pendurados e acesos, que, na verdade, são arandelas. Iluminam o papel de parede liberty, que reveste paredes até o teto, totalmente estampado em tons corais e cinza, sobre um fundo preto. “O papel traz uma atmosfera romântica, misturado com o chapéu peruano. Como amo artesanato, minha ideia foi usar esses itens femininos na decoração de forma divertida. O espelho meio marroquino, eu trouxe de viagem”, conta Patricia.

Lavabo de Isabela Capeto assinado pela Ouriço Arquitetura e Design Foto: Divulgação
Lavabo de Isabela Capeto assinado pela Ouriço Arquitetura e Design Foto: Divulgação

Misturar já é um verbo que a estilista Isabela Capeto conjuga com a maior facilidade — e harmonia. E em seu apartamento, no Flamengo, com reforma comandada pelo arquiteto Beto Figueiredo, da Ouriço Arquitetura e Design, o lavabo “causa”. Uma das paredes traz grandes folhas “costela de adão”, em tons de verde. A porta do lavabo é de madeira com vidro no meio, e ganhou uma outra estampa, em azul e amarelo. “É um mix de restos de tecidos meus, sempre trabalho com o que sobra, vou colocando em casa”, explica Isabela. Para completar, ela ainda pendurou quadrinhos com desenhos de insetos e uma foto p&b emoldurada, do casal icônico “je t’aime, moi non plus” Serge Gainsbourg e Jane Birkin — presente de uma amiga.

Em um apartamento de Ipanema, assinado pela Migs Arquitetura, o lavabo parece coberto por azulejos azuis, estilo português. Mas não é. Trata-se de um papel de parede. A dica é escolher uma estampa e colocar em todas as paredes. “As pessoas acham que é ao contrário, mas chama menos atenção o ambiente inteiro igual do que quando usamos em uma só. E o efeito visual fica mais interessante, sem pesar”, sugere Adriana Valle.

Estrelas na proposta da Manga Rosa Foto: Divulgação
Estrelas na proposta da Manga Rosa Foto: Divulgação

O efeito de estrelinhas brilhantes que o escritório Manga Rosa alcançou em um lavabo foi graças a um revestimento único — um monolítico, que é um granilite sob medida. “Ele é feito de uma vez só, mistura a massa e fica pronto na hora, mais artesanal”, explica uma das “mangas”, Marcela Olveira, que concorda em número, gênero e grau sobre apostar em uma estampa única pro espaço: elas revestiram até o piso e investiram em uma iluminação para chegar ao céu estrelado. “Deu uma potência visual muito grande.”

Para um casal apaixonado por obras de arte, a arquiteta Gisele Taranto preparou um charmoso banheirinho-mini galeria de arte. O cômodo seguiu a cara do apartamento, de estilo industrial, com uma luminária metálica e vaso sanitário preto. Para otimizar o espaço, Gisele lançou mão de um grande espelho e, no lugar de uma bancada convencional, escolheu fixá-la numa altura mais baixa e deixou a cuba mais alta, como um elemento decorativo. Nas paredes, claro, a coleção do casal pendurada.

Vale até bolar um projeto de luz especialmente para um lavabo. Em uma cobertura no Leblon, o cômodo ganhou atenção especial do arquiteto Maurício Nóbrega, que convidou o ligh designer Maneco Quinderé para dar aquele tchan. O ambiente pode ter cores diferentes, mudadas por um controle remoto. “O lavabo fica azul ou verde ou amarelo… Em diversas tonalidades. Uma grande brincadeira!”, conta Mauricio.