Icônico, edifício Copan revigora centro de SP

IW_03_BUILDING1O Edifício Copan, em São Paulo, foi projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1950. (Dado Galdieri para The New York Times)


SÃO PAULO — Giovanni Bright não ousava conversar com os vizinhos no elevador quando comprou seu apartamento, há 31 anos.

“A gente não sabia quem era a pessoa ao seu lado”, contou. “Traficantes de drogas moravam nos andares superiores, e alguns dos apartamentos não passavam de pensões para prostitutas da área.”

Mas era barato. Ele pagou apenas R$ 57 mil por um apartamento de dois quartos perto do seu emprego, no centro da cidade. Por outro lado, estava comprando um pedaço da herança cultural brasileira – no colossal edifício Copan, projetado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer nos anos 1950.

“No começo, achei que tinha cometido um enorme erro”, disse Bright, um mágico que cria pombos na lavanderia. “Mas você não tem como não se apaixonar por sua beleza e por sua majestade”.

Hoje, Bright certamente não está arrependido de sua decisão. Agora o seu apartamento vale quase R$800 mil.

As prostitutas e os traficantes foram substituídos por artistas, estudantes e empreendedores fascinados pela ideia de morar em um lugar que é um marco histórico. A transformação, por sua vez, contribuiu para a revitalização de uma área da cidade mais populosa do Brasil. Outrora temida e evitada, hoje ela atrai visitantes em suas galerias, parques de skate e restaurantes da moda.

O elegante edifício, cujo imponente forma de onda representa o til sobre o “ã” de São Paulo, é indubitavelmente a assinatura que Niemeyer, o arquiteto mais conhecido por ter projetado Brasília, a capital modernista, deixou para a cidade.

03_building3.jpgOs apartamentos do Edifício Copan variam desde cubículos usados como estúdios até espaçosas coberturas. (Dado Galdieri para The New York Times)


No edifício Copan moram cerca de 5 mil pessoas em apartamentos cujas dimensões variam de cubículos usados como estúdios a espaçosas coberturas. Com 72 andares e restaurantes no térreo, recebeu seu próprio código de endereçamento postal e foi declarado um dos maiores edifícios residenciais da América Latina.

Affonso Celso Prazeres de Oliveira, engenheiro químico que adquiriu um apartamento no edifício no início dos anos 1960, e se tornou o síndico do Copan em 1993, é o responsável pela sua transformação.

Uma de suas primeiras medidas foi expulsar as prostitutas e proibir o tráfico de drogas. Instalou câmeras de segurança e novos elevadores, e reformou a garagem decadente.

Os proprietários dos apartamentos ficaram entusiasmados com a nova linha dura e votaram repetidas vezes para mantê-lo no cargo.

Oliveira também foi para antros do crack que se espalham ao ar livre pelas ruas vizinhas convencer viciados a manterem distância do Copan.

Esses esforços foram complementados por investimentos públicos em segurança, áreas exclusivas para pedestres, faixas para bicicletas e iniciativas culturais no boom de que o Brasil se beneficiou na virada do século. Atualmente, manter os proprietários e os inquilinos no edifício já não é um desafio.

Rodrigo Cerviño Lopez é um deles. Arquiteto, mudou-se para um dos apartamentos maiores há 15 anos, e ajudou a converter uma área abandonada do Copan no Pivô, uma galeria e espaço dedicado às artes.

03_building2.jpg

No Edifício Copan, em São Paulo, moram mais de 5 mil pessoas. (Dado Galdieri para The New York Times)


No seu apartamento no 16º andar, derrubou paredes e abriu espaços para aproveitar da vista completa da cidade e da brisa proporcionada pela fachada inovadora de Niemeyer. As faixas horizontais de concreto que abraçam a fachada do Copan protegem do sol, mantendo os apartamentos sombreados apesar das janelas que vão do chão até o teto, e contribuem para dar ao enorme edifício um aspecto peculiar e atraente.

“O projeto funciona”, disse Lopez. “Nós não podemos mexer na fachada, e nem queremos. É como um sistema de ar condicionado natural.”

Mas a recessão afetou a reforma do prédio.

“Os orçamentos são apertados hoje em dia”, disse Oliveira, o que significa que as obras que deveriam durar três anos poderão levar mais tempo.

Há dois anos, toda a fachada do edifício foi envolvida por uma rede de proteção para recolher as pastilhas que caem. Oliveira esperava atrair painéis de publicidade para a frente do Copan, mas até o momento não teve sucesso.

Atualmente, apenas seis apartamentos estão desocupados, o menor número desde que Oliveira assumiu a administração do prédio.

“Nós vivemos agora um momento excepcional”, afirmou. “O que não significa que nosso trabalho tenha terminado.” [Shasta Darlington]

Apartamentos Cirqua / BKK Architects

BKK_Cirqua_Apartments_Peter_Bennetts_03Do arquiteto. Descritos por BKK Architects como uma reinterpretação contemporânea de “tipos de moradias locais e históricas”, os apartamentos Cirqua tecem novos e escuros elementos formais em um bairro residencial estabelecido nos subúrbios de Melbourne, trabalhando com a similaridade das moradias unifamiliares arraigadas na memória coletiva.

Situado em um bloco de inclinação pronunciada no frondoso subúrbio de Ivanhoe, os apartamentos refletem o caráter local através da sua materialidade e composição volumétrica. O tijolo, o metal e as divisões de madeira refletem a linguagem material dos lares circundantes do período art decó e da federação.

As grandes caixas de tijolo são projetadas com diferentes profundidades, reproduzindo o ritmo de uma paisagem suburbana, deixando um “pátio frontal” substancial.

Seis grandes óculos perfuram a fachada, introduzindo a inventiva formal, reduzindo a massa total do edifício para permitir que se sinta mais comodidade dentro do seu contexto de planta dupla. Isso também é reforçado pela inclinação pronunciada, o que permite que a maior parte do edifício seja percebido abaixo da linha de visão quando é visto desde a rua.

As janelas redondas criam vitrines para o interior dos apartamentos, inundando-os de luz. Elas configuram uma linguagem formal que continua internamente em todo o edifício em detalhes como acessórios de luz, maçanetas de portas e azulejos.

Os apartamentos foram desenhados com um forte foco na acessibilidade e controle ambiental passivo, o que permitirá aos residentes a comodidade associada a uma casa unifamiliar. Trata-se da mudança na forma em que os apartamentos em Melbourne estão sendo concebidos – desde um mercado de investidores até o mercado de proprietários – o que requer resultados de desenho de maior qualidade. Traduzido por Camilla Sbeghen

Para saber mais acesse o site do escritório, BKK Architects.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Arquitetos: BKK Architects
Localização: 206-208 Lower Heidelberg Rd, Ivanhoe East VIC 3079, Austrália
Arquitetos Responsáveis: Simon Knott, George Huon
Área: 5800.0 m2
Ano do projeto: 2017
Fotografias: Peter BennettsShannon McGrath
Fabricantes: Robertsons Bricks
Construtora: Aspekt Construction Group
Estrutura: Kersulting
Paisagismo: John Patrick Landscape
Serviços: NJM Consulting
Inspeção de Construção: Group II
Circulação e Resíduos: Cardno
Sinalização: MASS
ESD: Urban Digestor
DDA: Nick Morris Access Consulting

Morar do futuro envolve tecnologia, sim, mas com afeto

Projetos exclusivos elaborados por Duda Porto e Paula Neder (em parceria com o estúdio Lev.) apontam para a valorização das relações humanas
Por Winnie Bastian; Fotos Divulgação
morar-do-futuro-1O morar do futuro idealizado por Paula Neder e o estúdio Lev.

Como estaremos vivendo dentro de algumas décadas? Como a casa (e a cidade) vai se transformar para abrigar novos modos de vida? Seguindo nossa missão de olhar sempre à frente (sem descuidar do presente, é claro), convidamos os arquitetos cariocas Paula Neder e Duda Porto para refletir conosco sobre essa questão. Na semana passada, num evento organizado por Casa Vogue no Fashion Mall, no Rio de Janeiro, eles apresentaram suas visões sobre o morar do futuro.

Os cenários vislumbrados por Duda e Paula (que trabalhou em conjunto com as jovens arquitetas Caroline Taveira e Mariana Barbosa, do estúdio Lev.), embora tenham características particulares, surpreenderam por apresentarem vários pontos em comum. A começar pela centralidade do homem nesse novo cenário. Duda acredita em um “projeto focado no ser humano” e em suas particularidades. “Não vai ter máquina, não vai ter inteligência artificial que substitua o sentimento do ser humano”, provocou. “Nossa ideia global do morar do futuro passa por uma moradia afetiva, que usa a tecnologia a favor dos propósitos do ser humano”, disse Paula em sua apresentação.

A centralidade do ser humano gera um outro ponto em comum apresentado nas duas propostas: a flexibilidade. Paula destacou a importância de se ter uma planta flexível e móveis versáteis, que possam se adaptar a diversas configurações do espaço. Duda, por sua vez, apresentou um “futuro que já é presente”: o projeto Grou, desenvolvido em 2014, no qual módulos prontos (que têm o tamanho máximo para poderem ser transportados em caminhão) podem servir como forma de ampliar a casa.

Dessa forma, é possível buscar uma casa essencial, que não tenha um tamanho maior do que o necessário, defende Duda Porto: “eu sempre digo que a casa tem que ser do nosso tamanho. Nós temos que dominar a casa – quando a casa nos domina, algum erro teve nessa proporção”. Nessa mesma linha, Paula Neder falou sobre a ideia de se ter “uma vida mais leve, mais coerente com as questões do planeta, com foco nas pessoas, valorizar o tempo, o espaço e os prazeres duradouros”. E provocou: “hoje existe um excesso de consumo. Sendo arquiteta e trabalhando muito com interiores, posso dizer que o desejo número um das pessoas é ter armários. Ou seja: guardar é mais importante do que estar? Eu sempre brinco com os meus clientes sobre isso”.

morar-do-futuro-2.gifModularidade é sinônimo de flexibilidade na casa do futuro idealizada por Duda Porto. A residência pode crescer com o acréscimo de módulos que já chegam prontos ao terreno, agilizando a implantação


No morar do futuro, os avanços da tecnologia também se combinarão a uma espécie de retorno às origens – um sinal disso é a volta do cultivo de alimentos, presente nas duas visões apresentadas. O projeto de Duda prevê uma “célula” protegida por um cinturão verde, com áreas para moradia, convívio, lazer e produção agrícola. Na proposta de Paula e das arquitetas do Lev., as casas são permeadas por jardins sazonais e hortas comunitárias – tirando partido da tecnologia: sistemas automatizados informam quais são frutas e hortaliças prontas para serem colhidas, por exemplo.

compartilhamento foi outro ponto em comum nas propostas dos dois arquitetos. Para Duda, o novo morar envolve “um lugar onde os habitantes compartilham diversidades, um local vivo que conversa com o habitante por meio de uma casa cujo tamanho se molda conforme o uso, a tecnologia dos materiais (sempre tornando-os mais eficientes), o cuidado no uso dos recursos naturais para gerar economia, a valorização do ser humano e a qualidade de vida em função do ganho de tempo”. Paula, por sua vez, fala sobre uma mudança de paradigma, sobre “sair de uma posição de ‘ego’ para uma posição de ‘eco’. Quando a gente vai de uma casa que era só nossa, um carro que era só nosso, um jardim que era só nosso… para uma situação na qual o meu jardim pode ser compartilhado com outras pessoas, o carro, a bicicleta, e assim por diante. É uma troca do ‘me’ pelo ‘we’”. Que venha o futuro!

Arquitetos pop e investimento em arte tentam deixar Cingapura mais ‘cool’

150730205959d79aab9407a_1507302059_16x9_md

Em uma cidade-Estado conhecida pelo planejamento minucioso a longo prazo, o embelezamento não tem nada de orgânico.

Na última década, em Cingapura, as pranchetas mais requisitadas da arquitetura mundial projetaram de shoppings a condomínios, de torres de escritórios a complexos multiuso.

Arquitetos globais como Toyo Ito, Norman Foster, Daniel Libeskind, Zaha Hadid, Rem Koolhaas, Moshe Safdie e Bjarke Ingels receberam encomendas e mudaram boa parte do distrito financeiro surgido nas últimas décadas em novos aterros –o território do país cresceu 30% em cinco décadas.

Em vez dos espelhados genéricos e dos neoclássicos falsos que deixam a Faria Lima e a Berrini com cara de subúrbio do Texas, os novos arranha-céus de Cingapura têm jardins verticais, terraços com árvores, arcadas formadas por pilotis, além de lojas e bancos ao ar livre nos seus térreos.

A maior atração é o novo jardim botânico Gardens by the Bay, famoso por suas duas estufas gigantes feitas de vidro grosso que dispensa colunas e climatizadas pelo uso abundante de água. O parque é um respiro em uma cidade com temperaturas sempre na casa dos 30 graus e umidade relativa superior a 80%, padrão Manaus.

A piscina de horizonte infinito do hotel Marina Bay Sands e uma roda gigante de 165 metros de altura, a mais alta do mundo, são os mirantes dessa transformação.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Corbusier nos Trópicos
Com 80% da população de 5,6 milhões de pessoas vivendo em conjuntos habitacionais, construídos pelo governo sem prezar pelos traços nem se importar com a monotonia, a metrópole ultracapitalista lembrava a estética soviética das cidades chinesas.

Para quem acha que Brasília representa o ápice das ideias urbanísticas do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, vale checar o modernismo desta ilha entre a Malásia e a Indonésia.

Os conjuntos habitacionais são superquadras com espigões sobre pilotis, cercadas por muito verde e conectadas por vias expressas.

Mesmo com pedágio urbano e licenciamento caríssimo para dirigir, Cingapura está longe de ser uma cidade caminhável (não só por causa do clima).

Para cruzar muitas de suas avenidas, há passarelas cheias de degraus que triplicam o trajeto de uma calçada a outra e deixam os pedestres em segundo plano.

Jejum Artístico
Mais conhecida por seus shoppings que por sua vida cultural, Cingapura tem museus dedicados a brinquedos, a gatos, um de cera (o caça-níqueis Madame Tussauds) e até um que abriga mostras temporárias dedicadas a Harry Potter e ao Titanic.

Para compensar esse jejum artístico, foi aberta no final de 2015 a Galeria Nacional de Cingapura, especializada em arte do Sudeste Asiático. Com 64 mil m² (o triplo da Pinacoteca paulistana) e ótimos espaços, custou o equivalente a R$ 1 bilhão.

É um retrofit das antigas prefeitura e Suprema Corte da era colonial britânica, feito pelo arquiteto francês Jean-François Milou. Como em qualquer museu com menos de dois anos de funcionamento, a coleção não é o forte –o maior destaque foi uma retrospectiva de Yayoi Kusama. No salão infantil, crianças se esbaldaram com as referências da artista japonesa.

Mais de 1,5 milhão de pessoas visitaram o museu nos últimos 12 meses. A entrada é gratuita para cidadãos locais, mas cobrada para os turistas, que representam 30% dos visitantes.

Espólio Londrino
No final de agosto, foi lançada a campanha “Passion made possible” (fazendo a paixão possível), uma série de vídeos que tenta vender uma imagem cool de Cingapura.

Segundo línguas bem informadas, mais que atrair turistas, o pequeno país de 719 km² quer competir com Hong Kong e Nova York pelos banqueiros que estão deixando Londres por causa do ‘brexit’. Para isso, vale uma repaginada arquitetônica e o investimento na promoção de artes.

Mas a fama de cidade certinha e sem bossa vai depender de mais ginga das autoridades, já que até a pequena Parada LGBT local é tratada como uma ameaça à segurança nacional.

Confinada a uma praça, pois a marcha é proibida, os participantes tiveram que passar por detectores de metal e apresentar documentos para atravessar o cerco policial. A participação de estrangeiros foi vetada, devido ao caráter “político” da manifestação. [Raul Juste Lores]

Conheça o plano para as Olimpíadas de Paris 2024

Projeto promete Jogos ecológicos e quadra de vôlei de praia aos pés da Torre Eiffel
Por Giovanna Maradei I Fotos: Divulgação

thumb_125_default_hd.jpgCem anos após sediar os Jogos Olímpicos pela última vez, Paris voltará a receber atletas do mundo inteiro para o que promete ser a primeira Olimpíada ecológica da história. Um projeto ambicioso que já tem um inspirador plano estratégico, desenvolvido pelo escritório Populous, responssável por outros grandes eventos esportivos.

Com o conceito de sustentabilidade em mente, o plano é dar prioridade para estruturas que já estão disponíveis na cidade. Na realidade, segundo a divulgação, 95 % das estruturas que devem ser usadas durantes os jogos já existem ou serão adaptações temporárias – o que  não só diminui o dinheiro gasto e as intervenções desnecessárias na cidade, mas ainda faz com que quase todas as competições tragam de brinde vistas para os principais pontos turísticos parisienses.

Neste sentido, já podemos contar, por exemplo, com uma quadra de vôlei de praia aos pés da torre Eiffel, competições de maratona aquáticas no rio Sena, provas hipismo nos jardins do Palácio de Versalhes e corridas de ciclismo na Champs-Élysées.

Outro ponto chave dos Jogos de 2024 é a mobilidade. Dividindo os principais centros esportivos em dois núcleos, o Paris Centre e o Grand Paris, os organizadores garantem que ao menos 22 dos esportes que compõe a competição estarão localizados em um raio de no máximo 10 km de distância. Nos jogos do Rio, a Olímpiada contou com um total de 34 modalidades, lembrando que competições de futebol constumam rodar por várias cidades e provas como as de vela, pro exemplo, exigem locações bem especificas.

Mais do que isso, o plano exalta a malha metroviária de Paris e prevê que até 2024 100% dos espectadores poderão chegar a qualquer um dos jogos usando transportes sustentáveis. Algo bastante desejável na cidade que promete o fim dos carros à gasolina e diesel até 2040.

Quanto as construções que inevitavelmente terão que ser feitas, como a vila olímpica, por exemplo, a proposta é que, ao fim dos jogos, os edifícios se tornem moradias para a população de baixa renda.

Maior arranha-céu de madeira do mundo é inaugurado em Vancouver

Com 53 metros de altura, o prédio irá abrigar residências estudantis

torre-de-madeira.jpg53 metros. Essa é a altura da torre projetada pelo escritório Acton Ostry Architects que se ergue sobre Vancouver, no Canadá — que é também a mais alta já construída nesse material no mundo. Sua idealização começou em 2015, e a estrutura foi levantada em apenas oito semanas — um marco para a construção civil.
arquitetura-torre-de-madeira-03.jpgO interior do projeto é híbrido: um pequeno núcleo de concreto e aço cria um balanço para que a madeira maciça seja a protagonista da construção. “O conjunto é como um lego”, afirmam os arquitetos. Todos os elementos foram pensados e fabricados para encaixarem-se na estrutura.arquitetura-torre-de-madeira-02Para que a construção desse certo, as quatro equipes que trabalhavam no local precisavam criar o prédio em sincronia – qualquer adiantamento ou atraso colocaria em risco a unidade da estrutura.arquitetura-torre-de-madeira-01O edifício, com 18 pavimentos, será utilizado como residência estudantil de 400 alunos da Universidade da Colúmbia Britânica em 2017. [Casa Vogue; Fotos Acton Ostry/ Divulgação

Archie lança co-working para decoradores e arquitetos

Site que conecta clientes com arquitetos e decoradores que prestam consultoria online para repaginar ambientes decide seguir tendência mundial.

Sem títuloUm co-working dedicado exclusivamente ao mercado de arquitetura e decoração será inaugurado até o final do ano na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O projeto é um braço da Archie, uma plataforma digital em que arquitetos e decoradores pudessem atender um número maior de clientes e desenvolver propostas de forma rápida, simples e prática com custos mais reduzidos. As obras estão em andamento e a Archie já está recrutando profissionais interessados em assegurar uma posição na rede de relacionamento da startup.

A ideia das empreendedoras Fernanda Leão e Vanessa Prado Lopes, sócias da Archie, surgiu a partir do lançamento do site, uma espécie de “Uber da Decoração” que gera oportunidades principalmente para profissionais autônomos e pequenos escritórios de prestar serviços pela Internet em  propostas para repaginar o visual da casa a um custo acessível de R$ 299 por ambiente.

“Este é um mercado bastante pulverizado em que há muitos profissionais independentes que hoje trabalham em casa e não se conectam com outros profissionais para compartilhar oportunidades e trabalhar em parceria. O co-working ligado à Archie será um espaço exclusivamente voltado para atender arquitetos e decoradores com um investimento justo e retorno de network e geração de leads”, diz a advogada Fernanda Leão.

“Será um ecossistema que seguirá os padrões dos escritórios compartilhados, mas, claro, com um projeto arquitetônico que atenda as exigências de quem é do ramo. Mais do que infraestrutura, vamos tentar gerar negócios para os inquilinos”, acrescenta a arquiteta Vanessa Prado Lopes.

Segundo ela, o objetivo do novo projeto é somar o co-working com a plataforma digital para, com esta estratégia, acelerar ainda mais a entrada de propostas para a rede de profissionais que prestam serviços pela Archie.

“Estamos seguindo a forte tendência de trabalho em rede, de oferecer espaço físico e desintermediação de negócios. O cliente sempre imagina que contratar um profissional especialista em arquitetura e decoração pode sair caro, mas o modelo de negócios da Archie, impulsionado agora pelo co-working, está desenhando um novo formato onde, sim, é possível repaginar sua casa sem estourar o orçamento. O profissional tem um baixo custo operacional e rentabiliza seu tempo disponível e o cliente fica satisfeito por pagar um preço justo por um projeto customizado”, assinala Vanessa.

Como tudo começou
Com mais de 15 anos de carreira e dona de seu próprio escritório, a arquiteta Vanessa Prado Lopes notou que seus clientes tinham sempre a mesma impressão de que contratar um profissional para fazer um projeto de decoração era caro e o investimento também não valia a pena porque eles não precisavam necessariamente de uma assessoria completa, mas apenas de algumas dicas que os ajudassem a tirar dúvidas para encontrar objetos, móveis e cores alinhados com seus estilos.

Em conversa com a amiga e empreendedora Fernanda Leão surgiu a ideia de criar uma empresa que fosse o “Uber da Decoração”. Com uma equipe virtual formada por talentos de diversos estilos prontos para prestar atendimento online, os clientes poderiam contar com uma ajuda profissional a um preço bastante acessível e os profissionais conseguiriam aumentar seus ganhos otimizando tempo e recursos.

“Pensamos em como criar uma plataforma de desintermediação para este mercado, já que há um grande número de profissionais com tempo disponível e, do outro lado, clientes que querem repaginar ou montar a casa nova sem precisar pagar uma fortuna”, diz Vanessa.

“Com a Archie, os profissionais não precisam atravessar a cidade para visitar a casa do cliente e desenhar projetos dissonantes com seu estilo e muito acima do orçamento planejado”, acrescenta Fernanda.

É tudo realmente muito simples. 
Os profissionais que desejam integrar o time da Archie devem encaminhar seus portfolios e curriculum, que são submetidos a uma curadoria. Uma vez aprovados, eles têm acesso ao sistema e passam por um teste de estilos para identificar quais estão aptos a atender.

Além de todo ambiente online para atendimento aos clientes, a plataforma inclui ainda uma ferramenta para desenhar a proposta de decoração. Ao entregar o trabalho de consultoria, o profissional recebe 70% do valor faturado pela Archie, que cobra um preço mesmo bem em conta – R$ 299,00 por ambiente.

Já o cliente acessa a plataforma e também faz um teste de estilo. Depois, para dar referências, sobe fotos do ambiente e uma planta baixa ou croqui, além de poder fazer o upload de imagens do Pinterest, fotos de revistas ou mesmo da casa de um amigo.

Após realizar o pagamento, é direcionado ao seu painel, onde encontra informações sobre o profissional e um porftfolio de trabalhos para se certificar que tem a ver com seu estilo. A partir daí, todo atendimento é realizado online até receber um painel de estilo, a planta e a proposta de decoração.

Investimento
Passados dois meses do início do desenvolvimento do projeto, Vanessa e Fernanda partiram em busca de apoio para fazer a startup decolar. Decidiram, então, participar do Empreenda, programa do Insper, e acabaram conquistando o primeiro lugar na categoria Executiva, o que já rendeu boas credenciais para chamar atenção do mercado investidor. No final do ano passado, atraíram um investidor-anjo, Claudio Dall’Acqua, que aportou capital no negócio.

“A Archie traz um modelo revolucionário que irá causar um forte impacto no mercado de arquitetura e decoração. Vamos ajudar a cortar o caminho entre os profissionais e os clientes, permitindo que muitos deles contratem uma assessoria qualificada pela primeira vez”, ressalta Fernanda.

O projeto da Archie prevê também a integração de fornecedores de móveis, objetos e produtos para estruturar um enorme marketplace digital com ofertas especiais.

“Na medida em que atrairmos um grande número de profissionais e clientes iremos contar com diversos parceiros, o que irá facilitar ainda mais o desenho de propostas de decoração e a realização do sonho em um só lugar, sem precisar sair de casa e bater pernas nas lojas. Nossa expectativa é cadastrar 100 arquitetos e decoradores e entregar 2000 projetos no primeiro ano de operação da Archie”, finaliza Vanessa. [ProXXIma]

São Paulo ganhará edifício totalmente construído em madeira certificada

Assinado pelo escritório Triptyque, projeto terá floresta particular que ajudará a captar CO² da atmosfera

VIEW_7_F_R01_(Custom).jpgA cidade de São Paulo, já tão cheia de edifícios de concreto, vidro e aço, deve receber em 2020 um edifício com estrutura feita 100% de madeira certificada, ou seja, com garantia de origem e trajetória.

O projeto, que ficará no bairro da Vila Madalena, é assinado pelo escritório de arquitetura Triptyque e será erguido em um terreno de 1.025 m². Com 13 pavimentos, a área total deve somar 4.700 m² com espaços que servem a diversas funções, como coworkingcoliving e restaurante. A ideia é ter áreas públicas e privadas que interajam com a cidade e onde se pode aproveitar uma estilo de vida mais consciente.

A estrutura do prédio será construída em madeira laminada cruzada, a CLT (Cross Laminated Timber CLT), um produto de alta tecnologia formado com multicamadas de madeira maciça em duas direções distintas, que permite estruturas construções bem altas.

​Segundo Dario Guarita Neto, sócio fundador da AMATA, empresa responsável pela iniciativa, “os edifícios construídos em madeira são soluções eficientes e podem servir de impulso para mudança de consciência da sociedade porque, ao substituir fontes não renováveis por matéria-prima natural, contribuímos para uma cadeia da construção mais limpa e geramos valor à floresta certificada, o que diminui a pressão pelo desmatamento”. [Casa Vogue]

Bienal de Arquitetura de Chicago: o que esperar da segunda edição

“Criar uma nova história” é o tema do evento em 2017 que conta com mais de 140 participantes do mundo todo

chicagoarchitecturebiennial_002_tomharrisBienal de Arquitetura de Chicago: o que esperar da segunda edição (Foto: Tom Harris/Divulgação)


Entre 16 de setembro e 7 de janeiro de 2018, uma série de eventos, performances e exposições invadem Chicago na segunda edição de sua Bienal de Arquitetura. Cerca de 140 escritórios de arquitetura, artistas, designers e criativos do mundo todo foram convidados pelos curadores Sharon Johnston e Mark Lee, do escritório Johnston Marklee, de Los Angeles, a elaborar intervenções diversas pela cidade.

“Make New History” é o tema desta edição que busca, através das intervenções, tirar dos livros o que está na história da produção arquitetônica e levar essas informações para a cidade, dando novos significados. Segundo os curadores, a ideia é continuar as propostas apresentadas na primeira edição que atraiu mais de 500 mil visitantes em três meses, sendo considerado o maior evento de arquitetura da América do Norte.

O Centro Cultural de Chicago é espaço principal da Bienal, que terá seus três andares ocupados com intervenções. Uma delas é a do artista James Welling, que exibirá fotografias psicodélicas e coloridas na fachada do prédio. Por lá, ainda participam nomes importantes como os arquitetos Francis Kéré e SANAA.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Além do edifício, outros lugares espalhados pela cidade também participam do programa, como Garfield Park Conservatory, que terá Francois Perrin, do escritório Air Architecture, suspendendo estruturas em meio às árvores – uma proposta de reflexão sobre a forma como estamos vivendo com a natureza. Os arquitetos da SO–IL e a artista Ana Prvački também estarão no local com uma performance musical intitulada  L’air pour l’air. Outros seis museus e galerias de arte abrigam mais exposições. Clique aqui para conferir a programação completa. Amanda Sequin I Fotos Divulgação e reprodução/ Instagram

Imóvel dos anos 1940 se transforma em ateliê contemporâneo

atelie-gustavo-neves-08Um imóvel construído na década de 1940 na cidade de Jaú, interior de São Paulo, foi totalmente reformado para abrigar um ateliê de roupas feitas sob medida. A pedido das proprietárias, o arquiteto Gustavo Neves aproveitou ao máximo as características da estrutura original para que o espaço se parecesse realmente com uma casa.

Algumas paredes foram descascadas e pintadas de branco, para que o fundo ficasse neutro e não interferisse no objetivo principal, a exposição de produtos. As paredes que dividiam os ambientes internos foram demolidas para criar um espaço amplo e clean. Na sala de prova, elas foram descascadas de maneira a deixar aparentes todas as camadas de materiais, como a terra vermelha usada no lugar da areia na composição do reboco. “Com isso, conseguimos mostrar a idade e a história do prédio”, diz Neves.

As donas do ateliê, mãe e filha, não queriam ter roupas prontas expostas, mas apenas as matérias-primas. Tecidos exclusivos, trazidos de várias partes do mundo, alcançam status de obras de arte – assim como os botões, fechos e outros materiais. Pensando nisso, o arquiteto criou uma estante divisória para expor pedras, metais, madeiras, tecidos, peles e pelos naturais. “Ao criar esse móvel, o intuito era provocar uma sensação nova –descobre-se aqui um mundo de possibilidades”.

Na sala de provas, mais intimista, a cliente fica à vontade para experimentar roupas de festa. Na sala de estar/recepção, dois provadores em forma de cubos de madeira que saem da parede principal servem para que as clientes experimentem as peças do dia a dia. Aqui, compõem o décor móveis garimpados por Gustavo em lojas na capital paulista: um grande sofá em veludo verde, original de época, uma Berger de Zanine Caldas, em veludo azul-noite, e uma poltrona metálica da década de 70, que recebeu uma pele de ovelha do Himalaia.

A sala ainda recebeu dois tapetes, um de palha natural feito por tribos indígenas brasileiras e outro de cânhamo trançado à mão, vindo da Turquia e tingido em carbono. Outro ponto alto do projeto são as obras de arte: um ensaio dirigido por Gustavo, em parceria com o fotógrafo Israel Denadai, com o uso de tecidos e corpos.

Merece destaque, ainda, o piso do imóvel, todo em cimento queimado caipira, que recebeu uma mistura de materiais criada pelo arquiteto. Já o balcão, desenhado em ébano, latão e aço inox, numa referência Art Déco, remete ao estilo de decoração dos anos 40.