Arquiteta Mariam Kamara desenvolve centro cultural em Níger em parceria com o renomado arquiteto David Adjaye

Projeto foi criado a partir da iniciativa filantrópica Mentor & Protégé, da marca Rolex
ANA LUIZA CARDOSO, DE LONDRES (FOTOS: ROLEX/THOMÁS CHÉNÉ E ROLEX/ATELIERMASOMI)

David Adjaye, mentor, with Mariam Kamara, prot (Foto: ©Rolex/Thomas Chéné)

Um centro cultural em Niamey, no Níger, munido de biblioteca, espaço para performances, café e exposição, pronto para abrigar uma cidade em transformação. Esse foi o resultado de dois anos de estudos e visitas realizadas pela arquiteta nascida na capital do estado africano Mariam Kamara, do Atelier Masōmī, que teve o seu trabalho acompanhado pelo renomado arquiteto britânico-ganês David Adjaye.

Eles fazem parte da iniciativa Mentor & Protégé, da marca suíça Rolex, voltada para a perpetuação do conhecimento nas artes e a transmissão de conhecimento de geração para geração.

Além de auxílio financeiro, a empresa une por um determinado período de tempo jovens talentosos e profissionais renomados em diferentes campos como música, cinema, dança e literatura. Lançado em 2002, o programa já atraiu nomes de peso como o artista David Hockney, o cineasta Martin Scorsese e o cantor Gilberto Gil. 

Os resultados para os participantes variam: um novo romance, uma nova produção teatral, uma carreira dançando com a empresa do mentor ou uma obra de arte colaborativa.

Arquiteta Mariam Kamara desenvolve centro cultural em Níger em parceria com o renomado arquiteto David Adjaye (Foto: Rolex/ateliermasomi)

No caso de Mariam, não apenas o centro cultural em sua cidade natal, mas uma oportunidade de dar um rumo e entender melhor o seu próprio trabalho, como ela explicou em uma entrevista coletiva realizada no escritório de Adjaye. 

“É o projeto mais ousado que todos que eu já fiz”, disse. “Eu queria firmar a minha voz, tinha uma necessidade de criar uma identidade e não sabia como. Eu sinto que agora estou chegando a uma resposta. E isso é maravilhoso”. 

Durante entrevista com cidadãos locais, ela registrou a necessidade de existirem lugares de acesso público, onde todos poderiam se reunir e, ainda assim, que esse ambiente respeitasse a cultura local. 

Ela optou, portanto, por uma arquitetura que possibilitasse boa ventilação e ainda uma cor em harmonia com a região desértica.

O centro cultural, que deverá ser chamado de Centro Cultural Boubou Hama e começará a ser construído no próximo ano. Ele foi apresentado pela primeira vez ao público em cerimônia realizada na segunda-feira (25), em um auditório, na Royal Academy of Arts, em Londres, com a presença de Adjaye e do arquiteto David Chipperfield (mentor do programa de arquitetura de 2017). 

Questionado sobre quem seriam os seus “mentores”, Adjaye citou como referência Chipperfield e Oscar Niemeyer.

Arquiteta Mariam Kamara desenvolve centro cultural em Níger em parceria com o renomado arquiteto David Adjaye (Foto: Rolex/ateliermasomi)
David Adjaye, mentor, with Mariam Kamara, prot (Foto: ©Rolex/Thomas Chéné)
Arquiteta Mariam Kamara desenvolve centro cultural em Níger em parceria com o renomado arquiteto David Adjaye (Foto: Rolex/ateliermasomi)

45 m² com marcenaria planejada e soluções surpreendentes

Apartamento em Hong Kong, na China, dá lições de como viver bem em pouco espaço
TEXTO MARIA CLARA VIEIRA | FOTOS DIVULGAÇÃO

Jovens e muito ocupados, os proprietários deste apartamento em Hong Kong, na China, queriam um lar prático e confortável em apenas 45 m². Para alcançar este objetivo, a marcenaria panejada nos mínimos detalhes criou ambientes aconchegantes e clean ao mesmo tempo – com espaço de sobra para armazenagem. O projeto é assinado por Patrick Lam, do escritório Sim-Plex Design Studio. No living, o piso elevado e a estante da TV criam um efeito de continuidade que camufla equipamentos eletrônicos e outros móveis. Repare, por exemplo, na mesa que se eleva e se retrai de acordo com a necessidade dos moradores – ela serve de apoio para refeições rápidas, para trabalho ou até para brincadeiras com o filho do casal.

Emirados Árabes Unidos fazem trienal de arquitetura sem impacto regional

Cunho social e ecológico de evento em Charjah busca gerar comoção global, mas não reverbera em seu contexto
Francesco Perrotta-Bosch

Escola Al-Qasimiyah, Charjah

Charjah – Numa cidade com uma mesquita a cada 500 metros, o evento internacional de arquitetura trata de rituais.

O painel de abertura da primeira edição da Trienal de Arquitetura de Charjah, nos Emirados Árabes Unidos, ocorreu numa construção chamada de plataforma. Era um piso de concreto vermelho, sem paredes e sem teto, só com um banco periférico.

Em tapetes no chão, sentavam os participantes da exposição e os jornalistas convidados. Ao redor, ficavam os moradores da vizinhança, em grande parte imigrantes indianos e paquistaneses.

O escritório Dogma, responsável pelo projeto da tal plataforma, estava representado nessa conferência pelo teórico e arquiteto italiano Pier Vittorio Aureli, que falou da diferença entre rituais e hábitos.

O modernismo arquitetônico no século 20 —preponderantemente ocidental— se aprofundou nas rotinas das pessoas, ou seja, nas ações feitas repetida e automaticamente de tão arraigadas na cultura da maioria da população. Esses hábitos foram usados como parâmetros para projetar das casas às cidades.

Aureli destacou que rituais, por sua vez, demandam comprometimento e um estatuto especial no cotidiano. Logo depois, a conversa pública foi encerrada com o chamado à reza vindo dos alto-falantes.

É inevitável que um evento desse cunho no Oriente Médio traga o ritualismo e a devoção para o centro das atividades. Ritos tradicionais e, muitas vezes, religiosos lá não são vistos como vestígios a serem superados pelo progresso (supostamente) civilizatório.

A abertura desta Trienal batizada “Rights of Future Generations”, ou direitos de gerações futuras, começou com a reprodução de uma procissão que acontece anualmente em cidades costeiras da Índia.

Com cânticos e danças aos deuses hindus, navegantes levaram bandeiras verdes até os dhows —navios de madeira— pedindo proteção nas revoltosas águas do oceano Índico.

No mesmo dia, o grupo Al Ahly Thikr Jamaah, da Cidade do Cabo, cantava uma pregação para Alá enquanto conduzia o grupo artsy até a sede principal da Trienal —a desativada escola Al-Qasimiyah, um raro exemplo de arquitetura moderna no Emirados Árabes, feita nos anos 1970.

Traços regionalistas não estão explícitos no discurso de Adrian Lahoud, organizador da mostra e reitor da escola de arquitetura do Royal College of Art de Londres. Ele reconhece que a “expansão massiva de direitos”, nas últimas décadas, não beneficiou a todos. Falou da “mudança climática e da desigualdade” como grandes desafios atuais, afirmando que “nossa geração está deixando o meio ambiente de modo muito pior do que recebemos”.

Apresentados até 8 de fevereiro, dois terços dos trabalhos na Trienal de Charjah revelam questões de nações asiáticas e árabes —tal como o coletivo Public Works, que apresentou um estudo sobre quartos de empregada em prédios de Beirute, no Líbano —muito parecidos com os do Brasil.

Francesco Sebregondi e Jasbir Puar sistematizaram dados alarmantes sobre as condições de vida na Faixa de Gaza. Com uma população muito jovem e sem acesso a serviços básicos, a densidade populacional do território palestino é quase 8.000 vezes maior que a dos Emirados Árabes.

Três salas dedicadas a casos africanos chamam atenção. Uma apresentava projetos de escolas no Egito dos anos 1950, quando se buscou a universalização da educação feminina. Outra apresentação mostrava mapas e métodos de ocupação das ruas por manifestantes do Sudão. Outro ambiente continha dezenas de pequenas maquetes de lugares de reunião em florestas da Etiópia.

A relação entre povos ancestrais e a terra reaparece no trabalho de um coletivo chileno sobre as linhas do Atacama. Três salas escuras, com projeções de filmes, fotografias e maquetes com videomappings, destacavam os geoglifos —imensos desenhos feitos por índios no solo.

As imagens dos monumentais sinais na deslumbrante paisagem desértica serviam como declaração daquele território como patrimônio cultural indígena a ser protegido.

“Sul global”, “preservação do patrimônio”, “anticolonial”, “empoderamento”, “direitos civis” estão presentes no vocabulário selecionado com minúcia por Hoor Al Qasimi, presidente da Trienal de Arquitetura, patrona da bienal de arte da cidade que já teve 14 edições, e filha do xeque, governante máximo do emirado de Charjah desde 1972.

Os excluídos da Trienal eram os edifícios com formas espetaculares e ornamentos mirabolantes que geralmente associamos a Dubai e Abu Dhabi. Contudo, assim como os 828 metros de altura da torre Burj Khalifa foram erguidos para estrangeiro ver, os temas de cunho social e ecológico da Trienal de Arquitetura de Charjah são apresentados para comover o público global, mas pouco reverberam na realidade local.

Este posto de gasolina é o mais divertido que você já viu

Camille Walala deu uma nova cara ao posto abandonado nos EUA agregando formas geométricas e cores vibrantes
POR LUCIANA RAMOS | FOTOS DIVULGAÇÃO

Um posto de gasolina, invariavelmente, designa uma parada de abastecimento do automóvel, portanto, passa a ideia de ser um local de passagem, de trânsito rápido, indiferente e, quando acompanhado de loja de conveniência, uma breve pausa no trajeto para comer. O que não estamos acostumados é que esse mesmo local também possa inspirar, ativar o bom humor e abastecer nossas ideias sobre coresformas e conceitos artísticos – ou seja, ser tão atraente e até se parecer com uma galeria de arte a céu aberto! Foi isso o que aconteceu com este posto de gasolina em Fort Smith, dos anos de 1950, no estado do Arkansas, EUA. O lugar virou ponto de referência artística na cidade graças à curadoria artísticas de Camille Walala, do artista local Nate Meyers e da comunidade ao redor.

Conhecida por, dentre outros, homenagear veteranos de guerra e ter uma barbearia que fora frequentada por Elvis Presley, Fort Smith reserva ainda a sensível caracterítica de unir o velho e o novo. É no cruzamento da grand avenue com a 11th street que surgiu o agora denominado Walala Pump & Go.

Após uma reforma promovida pela equipe criativa Justkids – que já estava realizando obras de arte urbana há cinco anos na cidade -, o estabelecimento foi transformado em ponto artístico. O prédio, antes abandonado, ganhou um visual pop, com formas geométricascores vibrantes e um banho de listras – tudo pensado pela curadoria artística de Camille Walala.

Um tour pelo novo espaço de coworking da Mindspace em Londres

A Mindspace, uma plataforma de coworking que fornece soluções elegantes de espaço de trabalho para startups, freelancers e empreendedores, abriu recentemente um novo espaço de coworking em Londres, Inglaterra, projetado pelo escritório de arquitetura John Robertson Architects.

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Communal space

Com 44.123 pés quadrados em dois andares, o Mindspace Shoreditch incorpora áreas informais para reuniões, lounges, secretárias, cozinhas, escritórios particulares e cabines telefônicas. A JRA colaborou estreitamente com a Mindspace para criar um design que fosse fiel ao seu estilo exclusivo de hospitalidade boutique, além de fornecer um espaço que refletisse o estilo de ponta e a vibração da área de East London.

O espaço do escritório apresenta murais de parede divertidos e uma variedade de móveis e obras de arte cuidadosamente selecionados, combinados para proporcionar um ambiente de trabalho envolvente e estimulante. A JRA foi responsável pelo conceito e pelo design desenvolvido, bem como pelos documentos finais de planejamento e pelo pacote de marcenaria.

A prática foi capaz de realizar o projeto em um prazo apertado, devido ao seu profundo conhecimento da marca Mindspace. O edifício oferece um ambiente elegante e comunitário para empresas de diferentes tamanhos e setores ”, disse John Robertson Architects.

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Reception
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Communal space
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Lounge zone
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Communal space
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Communal space
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Breakout space
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Breakout space
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Phone booths
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Phone booths
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Phone booth

Estrutura de aço é o centro das atenções no apartamento “L” projetado pela Vapor em São Paulo

O Vapor, um escritório multidisciplinar com sede em São Paulo, criou um interior refinado do apartamento na mesma cidade.

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“O formato sinuoso dos móveis projetados garante a continuidade da nova planta em formato perpendicular e pontua as diferentes atividades do ambiente interno; cria roupeiros específicos para diferentes ambientes, apóia atividades audiovisuais (som e TV), cria uma espécie de portal de acesso a escritórios, organiza equipamentos de cozinha e área molhada e acesso à suíte master. Peça estreita e sinuosa cria nova fachada interior do apartamento e molda as vistas do jardim existente ”, diz Vapor.

  • Location: Sao Paulo, Brazil
  • Date completed: 2017
  • Size: 970 square feet
  • Design: Vapor
  • Photos: Isadora Fabian
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Living room area
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Kitchen area
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Bedroom
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Floor plan

A Galeria Casa de Raúl Sánchez Architects é um encontro entre casa, hotel e galeria de arte

A Raúl Sánchez Architects concluiu recentemente o projeto The Gallery House, um conceito único, que está em conjunto com o recém-concluído Espai Saó, parte de um conjunto de intervenções realizadas para a vinícola Mas Blanch i Jové. A casa localizada na pequena cidade de La Pobla de Cérvoles, em Lleida, província da Catalunha, é um encontro entre uma casa de família, um pequeno hotel e uma galeria de arte.

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Dining area

“Em 2017, os proprietários da vinícola Mas Blanch i Jové decidiram comprar uma casa antiga perto da vinícola, com o objetivo de reformá-la para acomodar o crescente número de visitantes da vinícola, mas também para ser usada em toda a família em suas reuniões na pequena vila. No processo de conceituação do projeto, propusemos relacionar a casa à experiência artística da própria vinícola, representada pelo jardim de esculturas: todos os anos, um renomado artista-escultor é convidado a construir uma escultura nas vinhas, com total liberdade de assunto, localização e material. Ao redor do jardim, há obras de Joan Brossa, Frederic Amat, Evru, ou as mais recentes de Eva Lootz. A partir de agora, cada artista será solicitado a fazer uma pequena intervenção na casa, criando uma experiência conjunta na visita às diferentes instalações da vinícola. O projeto propõe uma divisão clara e precisa da casa por meio de uma cruz estabelecida em planta e seção, que abre quatro janelas enormes em cada uma das fachadas da casa, colocando-a em contato próximo com a paisagem pitoresca do local. Essa cruz ocupa e resolve os espaços de circulação, ampliados para acomodar mais funções do que a própria distribuidora. Esses espaços são revestidos com chapas de aço, um material de identificação da própria vinícola, onipresente nas esculturas e obras que Josep Guinovart, um renomado artista, amigo íntimo dos proprietários, fez ao longo de sua vida para a vinícola. O aço, frio e não material doméstico, representa os espaços de exposição, alojados nesta cruz. Ao redor, os espaços domésticos são implantados, com uma materialidade completamente oposta: argamassas, cimentos e tons de cinza nos espaços comuns do térreo; e madeira, cerâmica e espelhos nos quartos no andar de cima. A colisão de materiais é direta no piso superior: do espaço metálico e frio das áreas de exposição, é possível acessar, através de uma porta com acabamento diferente de cada lado, os ambientes de madeira acolhedores e confortáveis ​​dos quartos. O ponto crucial da casa é o centro da cruz, resolvido por uma pequena ponte que sobrevoa o térreo e a partir da qual as quatro grandes janelas se abrem sem moldura: dois bancos pequenos para admirar a paisagem acabam com os eixos dos quartos ; dois vazios de altura dupla estrelam nos lados restantes. No térreo, a distribuição ocorre em torno de um bloco de cozinha, banheiros e armazéns, conectando todas as áreas em um caminho circular, aumentando a complexidade interior e passando por espaços de alturas variadas, comprimindo e descomprimindo os espaços.
No piso superior, cinco quartos com banheiros próprios ocupam os quatro cantos. O mesmo tipo de quarto recebe cinco variantes, em particular nos banheiros, cada uma de uma cor diferente, destacada pela junção entre os azulejos, a pintura das paredes e a cor das próprias pias. Lá fora, algumas intervenções denotam o novo caráter da casa: as quatro novas janelas, que atravessam as fachadas, com uma escala estranha à própria casa; o revestimento de carpete das escadas de acesso em aço cor-dez; os novos perfis do mesmo material, bem como o pórtico da entrada, e uma maior homogeneidade nos acabamentos externos. Uma nova cerca de dez chapas de aço fecha a casa do lado de fora e, de acordo com o ângulo, fecha ou abre a casa diante do transeunte ”, explica Raúl Sánchez

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Entrance area
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Kitchen
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Living room
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Cor-ten steel plates & small bridge
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Bedrooms
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Exterior
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Floor plan