34ª edição da Casacor São Paulo tem recorde de novos nomes da arquitetura

Dos 58 ambientes espalhados pelo Parque Mirante, 28 participam, pela primeira vez, do evento paulista
ANA LOURENÇO – O ESTADO DE S.PAULO

Ambiente de Gabriela de Matos é inspirado nas arquiteturas afro-brasileiras e ameríndias Foto: Paulo Pereira/teiadocumenta

Em todo planejamento de decoração ou design de interiores existe um cliente por trás. As referências e particularidades dos moradores são espelhados em cada canto da casa. No entanto, durante as mostras de decoração é possível observar exatamente o estilo daquele profissional sem nenhum outro ruído; é a interpretação dele por ele. A 34ª edição da Casacor, que começa nesta terça, 21, é a que mais tem com nomes novos – dos 58 ambientes, 28 foram feitos por estrantes.

“A Casacor tem essa característica de ter novos nomes, novas apostas. Nesse ano temos profissionais realmente muito talentosos e promissores que fazem a leitura da Casa Original (tema do evento neste ano) das mais distintas formas”, coloca Lívia Pedreira, curadora e superintendente da Casacor. O segredo, em todos eles, é apostar na sua história.

A arquiteta Gabriela de Matos, por exemplo, sempre gostou de observar o rio na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Hoje, com 35 anos, ela estreia na Casacor São Paulo levando exatamente essa visão em formato de cadeira. “Esse banco foi produzido com uma técnica ancestral, da taipa de pilão, que consiste em colocar terra em camadas na taipa e ir socando com o pilão. Então se você olhar de frente, fica esse desenho interessante. E coloquei o nome do banco de Margem de Rio porque me lembra a minha infância e adolescência em Minas”, conta.

A técnica foi muito usada durante o período colonial do Brasil para construções de casas. “A minha ideia foi referenciar a técnica no ambiente, mas trazer para um outro formato, que foi o design de mobiliário”, diz ela, que também passou resina de mamona no móvel para que o visitante pudesse sentar.

Gabriela abre a mostra com o ambiente Agô, que no idioma iorubá significa “entrar e pedir licença”. Sua ideia, como estreante, é trazer sua vivência como arquiteta negra com um vasto campo de pesquisa na cultura afro-brasileira e ameríndia. “Eu entendo que essa originalidade tem que estar desde o pensamento, na distribuição do ambiente, até a escolha do material, para mostrar que a gente pode construir, mostrar nas nossas moradias com outras perspectivas também, sabe? É mais um convite para pensar diferente”, explica.

“A Casacor tem um papel muito importante na promoção do design de interiores e de arquitetura. Então trazer arquitetos e arquitetas jovens, trazer mais diversidade de profissionais, como é o meu caso, por ser uma arquiteta negra, eu acho que é incrível e me sinto animada com o que isso vai representar daqui pra frente no campo da arquitetura como um todo. Acredito que aí sim começaremos a produzir num outro lugar, um lugar que seja mais ligado a essas raízes diversas da cultura brasileira”, diz Gabriela. 

Ousadia e alegria

Contraste entre divertido e sério comtemplam o espaço de Pedro Luiz
Contraste entre divertido e sério comtemplam o espaço de Pedro Luiz Foto: Denilson Machado

O ousar está presente em todos os ambientes estreantes. Alguns ousam em sentimento, como é o caso de Gabriela, mas outros abusam das cores, móveis e texturas, como fez Pedro Luiz De Marqui, de 30 anos. Em seu ambiente, destaca-se o contraste. “Minha inspiração foi trazer o passado com o presente, o tradicional com algo contemporâneo”, coloca ele. “Eu gosto muito desse estilo que traz a coisa artística, que ousa e quebra barreiras. Então uma coisa brincalhona ser uma coisa respeitada também, por exemplo”, diz Pedro, citando o tapete de ovo da marca italiana Seletti e a luminária de Ingo Maurer construída com uma luva de látex azul.

Como destaque, o ambiente tem uma instalação artística feita de vidros e cabo de aço pelo arquiteto em parceria com o designer Lucas Recchia. Ela serve como uma espécie de divisor de ambientes, seguindo a ideia de espaços fluídos.

No andar acima, Ana Weege, de 35 anos, também estreante, tem um espaço que conversa diretamente com o de Pedro. Para ela, chegou a hora de trazer elementos lúdicos para quebrar a seriedade dos tempos atuais. “Eu acho que os espaços que a gente vive podem ser mais divertidos. É o que eu sempre falo também sobre obra de arte, de você se perguntar: essa obra vai me fazer feliz todos os dias que eu olhar para ela pendurada na parede? Então é com esse viés que eu penso para os objetos que a gente vai escolher para nossa casa também”, diz. 

Para seu espaço, cada peça foi escolhida a dedo – independente dos obstáculos. As intervenções do piso, realizadas pelo artista Gian Luca Ewback, foram feitas com materiais trazidos na mala dopai dela, que mora em Portugal. Já as bebidas do bar foram escolhidas pelos rótulos e histórias que Ana teve com os amigos. “É sobre ter esse carinho com os objetos, explorando essa nostalgia e sentimentos”, diz ela, que se inspira no icônico arquiteto Sig Bergamin para fazer o “garimpão”.

Ana Weege deseja limpar os visitantes dos outros ambientes já vistos para garantir a surpresa do seu
Ana Weege deseja limpar os visitantes dos outros ambientes já vistos para garantir a surpresa do seu Foto: Evelyn Muller

A explosão de cores é antecipada por um jardim zen com o nome do seu ambiente, “Perspectiva”. “Numa mostra, o visitante chega no seu ambiente depois de passar por tantos outros. Então a ideia do Jardim é que ele traga essa limpeza, essa transição para que quando a pessoa entrasse no meu espaço fosse mais impactante ainda”, conta . Para isso, Ana se inspirou nos elementos naturais: água, areia rastelada em formato circular para o fluxo da energia, fio de juta e quartzo hematoide, a pedra da cura.

Casa Tempo

As traduções da origem, seguindo o tema da edição de 2021, estão presentes em todos os ambientes. Em alguns até, ela é traduzida como tempo. “A minha inspiração foi o céu, por isso trouxe um pano de vidro logo na entrada do espaço e proponho uma reflexão profunda sobre o que é verdadeiramente importante em nossa casa e em nossa vida”, diz a arquiteta Ticiane Lima. Apesar de estar participando pela terceira vez do evento, faz, pela primeira vez, uma construção completa. Seu “ambiente”, presente no rooftop do espaço, é uma Tiny House suspensa em um espelho d’água, que acompanha a luz solar e mostra fluidez dos espaços com arquitetura minimalista.

O sentimento de tranquilidade e pausa é tamanha que o espaço foi apelidado de Casa Tempo. Foi esse também o intuito de Beatriz Quinelato, 40 anos, estreante na Casacor. “Depois de tudo que a gente viveu nesses dois últimos anos, trazer o projeto para uma coisa mais afetiva, mais sentimental, eu acho que é o caminho pra mim”, diz.

Beatriz Quinelato aposta em tons terrosos e muito verde em seu Estúdio Terra
Beatriz Quinelato aposta em tons terrosos e muito verde em seu Estúdio Terra Foto: Renato Navarro

A grande tendência do espaço é destacar os tons terrosos e valorizar a arte e o design brasileiro. “O Estúdio Terra traz o resgate ao essencial, é ter essa sensação de pé no chão. E trazer essa simplicidade não significa ser uma coisa rústica. Mas sim com estilo, sofisticação e exclusividade”, explica. Segundo Beatriz, o segredo é usar os materiais de forma repaginada. Como o piso do ambiente que traz tijolinhos – mais comum nas paredes. 

Em muitos dos ambientes, é possível ver árvores e plantas. Uma, em específico, chama a atenção, a Jasmim Manga. Totalmente sem folhas ou flores, ela fica lá, mostrando sua beleza, mas pronta para se transformar e florir até o fim da mostra. 

CasaCor 34ª edição – A Casa Original

De 21 de setembro a 15 de novembro

Funcionamento de terça a domingo, das 12h às 22h

Ingresso: R$ 80 (inteira), de terça a quinta; R$ 100 nos fins de semana e feriados

Rua Padre Antônio Tomás, 72

www.casacor.byinti.com

NEVER TOO SMALL Paris Architect’s Micro Apartment – 31sqm/344sqft

In search of an affordable home in Paris, architect Matthieu Torres and his partner picked out a small, dark space with a beautiful view of Paris city. Completely gutting the neglected apartment allowed them to add a previously missing toilet and shower, as well as introduce a mezzanine level by removing the aging ceiling. In turn they were able to elevate the home’s bedroom and install a large furniture unit to contain the added bathroom, a wardrobe and a large amount of storage. The French ply used in the unit continues throughout the apartment, uniting the home through its plywood features while the exposed ceiling gives the apartment a spacious, airy feeling.

Em busca de uma casa acessível em Paris, o arquiteto Matthieu Torres e seu parceiro escolheram um espaço pequeno e escuro com uma bela vista da cidade de Paris. A destruição completa do apartamento abandonado permitiu que eles adicionassem um vaso sanitário e chuveiro que faltavam, bem como um mezanino removendo o teto antigo. Por sua vez, eles puderam elevar o quarto da casa e instalar um grande móvel para conter o banheiro adicional, um guarda-roupa e uma grande quantidade de armazenamento. A folha francesa usada na unidade continua por todo o apartamento, unindo a casa por meio de suas características de madeira compensada, enquanto o teto exposto dá ao apartamento uma sensação espaçosa e arejada.

Music:
Rêveries by Wings for Louise

Produced by New Mac Video Agency
Creator: Colin Chee
Director/Camera Operator: Matthieu Torress
Producer: Lindsay Barnard
Editor: Colin Chee

Arquitetura pós-moderna: como o estilo ganhou novos contornos em Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil

Crítica, ironia e liberdade compõem a fórmula que deu origem ao pós-modernismo na arquitetura internacional há mais de 50 anos
LARA MUNIZ | FOTOS: FRAN PARENTE (RAINHA DA SUCATA), LEONARDO FINOTTI (CAPELA DE SANTANA DO PÉ DO MORRO) E WESLEY DIEGO EMES (CENTRO EMPRESARIAL RAJA GABAGLIA

Criação de Éolo Maia e Jô Vasconcellos, a Capela de Santana do Pé do Morro, em Ouro Branco, MG, manteve como altar-mor uma ruína antiga de barro e pedra e a envolveu com uma estrutura de aço, vidro e madeira – agindo dessa forma, os arquitetos adicionaram uma camada de tempo ao local, com vista preservada para o mar de morros mineiro

“Éramos, antes de tudo, indisciplinados. Fazíamos uma arquitetura de surpresa, revolta e reencontro.” A análise da arquiteta Jô Vasconcellos, um dos vértices do escritório mineiro Três Arquitetos – ao lado de Éolo Maia (1942-2002) e Sylvio de Podestá – permanece precisa, embora se refira a um trabalho com mais de 40 anos de história.


Brindados com o recente reconhecimento de seu legado para a cultura nacional, ela e Podestá continuam na ativa, individualmente. Carimbado com o selo de pós-moderno, o grupo peitou o modernismo vigente na passagem dos anos 1970 para os 1980, contestando algumas de suas posturas.

Parece difícil reprovar a linguagem arquitetônica predominante no Brasil, especialmente porque exerce influência até hoje. “Ela nunca perde a validade. Casas desvinculadas do chão que priorizam a integração com a natureza é uma fórmula muito tropical, que combina com nosso clima. Mas isso não a isenta de críticas. E foi nesse diálogo que o pós-modernismo encontrou seu lugar”, comenta o arquiteto Gustavo Penna, um dos grandes nomes do ofício a atuar em Minas Gerais.

Arquitetura pós-moderna: como o estilo surgiu ganhou novos contornos em Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil (Foto: Wesley Diego Emes)
Centro Empresarial Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, outra obra de Éolo Maia e Jô Vasconcellos: implantado em um terreno triangular,ele dispõe brises diferentes nas faces leste e norte, e vidro na face sul – o volume redondo das escadas ajuda a poupar acabamentos, boa solução para um período de alta inflação

Nascido no século 20, o modernismo se tornou hegemônico por vir acompanhado da ideia de que o progresso e o desenvolvimento tecnológico são essencialmente bons. A partir da Segunda Guerra Mundial, como lançamento das bombas atômicas sobre o território japonês, essa onda se relativiza. Ainda levaria um certo tempo para que o pensamento fizesse a curva que conduziria a um novo caminho.

“Diante de um questionamento tão profundo sobre o futuro, nossa reação automática é olhar para o passado. Vem daí a retomada do repertório formal que devolveu colunas e ornamentos às construções”, detalha o arquiteto Carlos Alberto Maciel, o Robin, sócio do escritório mineiro Arquitetos Associados e professor da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Arquitetura pós-moderna: como o estilo surgiu ganhou novos contornos em Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil (Foto: Fran Parente)
O Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves (o popular Rainha da Sucata, atual sede do Museu de Mineralogia), de Éolo Maia e Sylvio de Podestá, desponta como maior exemplar do pós-modernismo nacional

As primeiras manifestações que põem em xeque o modernismo emergem na década de 1960, por meio do trabalho e das publicações do casal de arquitetos norte-americanos Robert Venturi (1925-2018) e Denise Scott Brown. É de Venturi a frase “menos é chato”, que iroiza a famosa máxima de Mies van der Rohe. A dupla escreveu, junto com Steven Azenour (1940-2001), nos idos de 1972, o livro Aprendendo com Las Vegas (Cosac&Naify, 224 págs.), quase um manual do que viria a ser o estilo seguinte.

Um exemplo? O texto elogia a utilização da pele dos edifícios como recurso plástico e o retorno das cores à rotina criativa. Da Europa, ecoavam as novidades difundidas pelo italiano Aldo Rossi (1931-1997), assim como as propostas do britânico James Stirling (1926-1992) e do suíço Mario Botta. Mais a leste, a referência era o egípcio Hassan Fathy (1900-1989).

Arquitetura pós-moderna: como o estilo surgiu ganhou novos contornos em Minas Gerais e se espalhou pelo Brasil (Foto: Fran Parente)
Uma amostra do mix de materiais que lhe rendeu o apelido e reforça o localismo exaltado no projeto: as mesmas chapas metálicas que abasteciam as fábricas automotivas mineiras, azulejos coloridos e quartzitos extraídos nos arredores

CERTIFICADO DE ORIGEM

Em nossas terras, a obra mais marcante desse momento, o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves, responde pelo codinome Rainha da Sucata. Criação de Éolo Maia e Sylvio de Podestá, o edifício de 1992 continua firme sobre seu terreno triangular no centro da capital mineira, em plena Praça da Liberdade (e, atualmente, abriga o Museu de Mineralogia). Sobre o apelido dado pelos alunos de uma escola próxima, uma alusão à novela transmitida na época, engana-se quem pensa que os autores se ofenderam. “Um dos méritos do prédio foi ter colocado a arquitetura na discussão cotidiana”, observa Bruno Santa Cecília, outro integrante do escritório Arquitetos Associados e um dos guardiões da obra de Éolo Maia, tema de sua tese de doutorado.

A demanda original era instalar banheiros públicos para atender os visitantes das populares feiras de artesanato que acontecem na região nos fins de semana. A partir dela, surgiram o anfiteatro, que deveria ficar aberto para a praça, e os outros andares dedicados ao apoio turístico. “Na ocasião, já o encarávamos como uma boa proteção para as pessoas em situação de rua”, lembra Jô, revelando a preocupação social que seria outra bandeira do grupo. Pouco depois da inauguração, porém, as autoridades o cercaram justamente para coibir a presença de desabrigados. Anos mais tarde, enfim, terminaria reaberto após a revitalização assinada pela própria Jô Vasconcellos. “Havia banheiros para homens, mulheres, espaços para crianças com louças mais baixas e sanitários acessíveis”, conta. Nos anos 1980, vale lembrar, decisões como essa significavam grande evolução.

O nome jocoso faz graça coma mistura de materiais utilizados como revestimento. Ali encontram-se as mesmas chapas de aço empregadas pela Fiat para moldar seus automóveis, cerâmicas fabricadas nos arredores, quartzitos extraídos de jazidas do entorno – verdadeira ode ao localismo, característica fundamental da vertente. Outra pauta defendida com afinco vê-se no Grupo Escolar Vale Verde (1983), no qual as abóbadas de tijolos maciços refletem a
primorosa tradição construtiva de Timóteo, MG, onde fica o conjunto. O saber vernacular, para essa linhagem, é algo precioso.

POR QUÊ, UAI?

E qual a razão para o pós-modernismo brasileiro ter florescido em Minas Gerais? Nos anos 1970, Belo Horizonte vivenciava o impulso do milagre econômico. “Víamos casas históricas demolidas e, em seus lugares, brotavam prédios modernos. Começamos a estudar outras propostas para sair do costumeiro, daquilo que havia se firmado padrão”, afirma Jô. Estava plantada a semente. A ousadia da experimentação falou ainda mais alto como lançamento da revista Pampulha, outra inovação capitaneada por Éolo Maia que deu merecedora visibilidade à capital mineira. Os holofotes se voltaram a projetos mais humanos, feitos com técnicas e materiais locais, atentos à história da região e com qualidade ambiental.

Diferentemente do Rio de Janeiro, cuja escola arquitetônica vivia sob a influência das belas artes e da paisagem, ou de São Paulo, com a força da Politécnica e da materialidade puxando a locomotiva do desenvolvimento, Belo Horizonte era livre. E figurar na vanguarda nunca foi novidade para os mineiros, que já haviam sediado o barroco de Aleijadinho e a Pampulha de Oscar Niemeyer. “O pós-modernismo exuberante e radical é só mais uma amostra do que Minas Gerais é capaz de produzir”, avalia Santa Cecília. “Costumamos brincar que quem gosta de rótulos é a academia, não é? Pois ganhamos o título de pós-modernos ao romper coma ordem vigente. A mensagem irônica trazia uma sinalização crítica”, acrescenta Jô.

HERANÇA COLETIVA

“Continuo fazendo as mesmas coisas, sob a mesma ótica”, orgulha-se Sylvio de Podestá. A inovação atenta ao lugar, considerando o que já existe como premissa, consiste em uma maneira eficaz de adicionar sensibilidade ao contexto. “Os vencedores do Pritzker de 2021, os franceses Jean-Philippe Vassal e Anne Lacaton, foram reconhecidos por evitar demolições”, observa, com a razão e a tranquilidade que a experiência proporciona.

Exemplo dessa “pós-mineiridade” aparece na Capela de Santana do Pé do Morro, assinada pelo casal Éolo e Jô. Ela parte de uma ruína e termina envolvida num pavilhão de arte, mantendo a vista da serra ao fundo. Como se tivessem adicionado uma camada de tempo ao conjunto.


Mais dos mandamentos ditos pós-modernos que permanecem na arquitetura atual: exaltar a tradição e a forma local de erguer novos projetos caminha lado a lado com uma certa mudança na força expressiva das construções. Se no modernismo ela reside na estrutura, no movimento seguinte a epiderme chega como solução plástica entre fechamento e abertura, mais atenta às mudanças de uso, facilitando futuros ajustes. “Antes dessa visão chegar às edificações, ela já se insinuava nas artes e na literatura no mundo e, claro, também em Minas Gerais”, pontua Podestá. A harmonia inventada pelo Clube da Esquina, a dança atrevida do Grupo Corpo, a linguagem orgulhosa de Jorge dos Anjos, o teatro vivo do Grupo Galpão, o peso artístico de Amilcar de Castro. A bandeira de Minas Gerais é mesmo a liberdade. 

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo

Localizado em Nova York e com projeto de Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, o Central Park Tower tem impressionantes 470 metros de altura
POR NADJA SAYEJ | FOTOS DIVULGAÇÃO

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Vista para o norte, para o Central Park, do 56º andar do Central Park Tower (Foto: Divulgação)

O mais recente prédio superalto no Billionaire’s Row – um conjunto de edfícios de luxo no extremo sul do Central Park, em Manhattan, em Nova York – é o Central Park Tower, que leva o título de arranha-céu residencial mais alto do mundo. Esta torre de vidro angular, projetada por Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, tem 470 metros de altura e 131 andares.

Com vistas imbatíveis para o Central Park e para Manhattan, o edifício conta com um estilo minimalista em sua fachada e áreas externas. “A estética exterior foi concebida para uma elegância sob medida”, contou Gordon Gill, um dos sócios do escritório.

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
O edifício é debruçado sobre o Central Park 
Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Todos os apartamentos contam com vistas panorâmicas (Foto: Divulgação)

Os 179 apartamentos de altíssimo luxo (alguns já ocupados!) foram decorados pelo Rottet Studio, especialista no que eles definem como “arte do minimalismo chique”. Começando no 32º andar, as unidades residênciais custam a partir de US$ 6,5 milhões (mais de R$ 34 milhões), e possuem tamanhos variados, de um a quatro quartos, com janelas que vão do piso ao teto.

Empresa por trás do empreendimento, a Extell Development Company, aposta que o edifício será um pontapé no retorno dos condomínios de luxo. Se este for o caso, sua venda total, na casa dos US$ 4 bilhões, fará do Central Park Tower o prédio mais caro do país.

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Escritório no 66º andar tem vista para o Rio Hudson e Nova Jersey a oeste (Foto: Divulgação)

Os moradores do condomínio têm acesso ao Central Park Club, um clube privado e exclusivo, com 4.600 m² distribuídos por três andares. Lá é possível, inclusive, aproveitar cozinhas comandadas por chefes com estrelas Michelin. Além é claro, de outros benefícios, como salão de festa privativo, spa, academia, quadras para prática de esportes, piscinas e bar – para mencionar apenas alguns. 

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Banheiro da suíte master do 66º andar (Foto: Divulgação)

No 100º andar há outro clube, com o status de clube privado residencial mais alto do mundo. Esse estilo de vida luxuoso e cheio de superlativos é um componente que busca ser diferencial naa recente onda de residências de alto padrão de Manhattan. E ali, a concorrência é acirrada.

Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Suíte master do 55º andar (Foto: Divulgação)
Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
A cozinha tem vista do Rio Hudson a oeste (Foto: Divulgação)
Por dentro do arranha-céu residencial mais alto do mundo (Foto: Divulgação)
Vista aérea mostra o topo do arranha-céu com vista o Central Park (Foto: Divulgação)

*Tradução: Adriana Mori
Via Architectural Digest

STEPHANIE RIBEIRO abre seu APÊ com urban jungle, artesanato e móveis rústicos | Pode Entrar

No último episódio da temporada do “Pode Entrar”, a arquiteta Stephanie Ribeiro abre as portas do seu novo apê em São Paulo. Ela mostra a decoração com urban jungle, artesanato e seus móveis rústicos em tour pelas salas de estar e de jantar, varanda, seu quarto de casal e o cantinho de descanso. Vem ver! #TourPelaCasa #PodeEntrarCasaGNT #StephanieRibeiro

A apresentadora do Decore-se realizou o sonho de morar neste prédio, considerado um marco da arquitetura moderna brasileira, com seu companheiro Túlio Custódio. O hall de entrada possui os dois elementos marcantes do lar da Ste: as almofadas e as plantas. Na sala de estar decorada em cores sóbrias, ficam as peças de artesanato brasileiro que a apresentadora ama garimpar em feiras, além dos seus livros de fotografia, design e arquitetura, muitos quadros e esculturas que remetem à ancestralidade africana.

Para a sala de jantar, Ste optou por móveis rústicos de varanda para dar uma estética de casa do interior, como a que a apresentadora viveu na infância. Já a varanda é repleta de plantas, entre as quais o cachorro Basquiat ama ficar, e o local onde o casal gosta de ouvir os sons da cidade.

No quarto do casal, a arquiteta improvisou uma cabeceira de esteira de palha na parede cor-de-rosa. Por fim, Stephanie nos leva ao seu quarto de descanso. O ambiente escuro e cheio de almofadas é usado como retiro pessoal dentro da própria casa. Lá ela guarda sua herança de família: as partituras do seu bisavô, que era músico.

Showroom de carro subterrâneo abriga 8 Aston Martins

Com formas sinuosas, construção foi inspirada nos filmes de James Bond
POR MARLEY GALVÃO

Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)

Um showroom de carros no mínimo inusitado, chama a atenção pelo local onde foi erguido: criado pelo estúdio de arquitetura Unism em colaboração com a Arup, The Secret Cave é subterrâneo com formas sinuosas e abriga oito Aston Martins.

Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)
Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)

A marca de automóveis KDW Automobile revelou esta semana seu showroom subterrâneo em Varsóvia, para visitação durante o Dezeen Awards 2021. Descrito como um “covil subterrâneo de alta tecnologia para uma extraordinária coleção de carros clássicos”. E, embora seja uma coleção particular de carros antigos, o público poderá reservar ingressos para ver a coleção

Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)
Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)

No interior, o showroom apresenta paredes curvas de concreto, projetadas para criar um espaço cinematográfico que faz referência às garagens de carros de alta tecnologia vistas nos filmes clássicos de James Bond. “A proposta final acentua a experiência utópica de um espaço secreto semelhante a uma caverna visto em muitos filmes de James Bond”, disse Unism ao site Dezeen.

Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)
Showroom de carros subterrâneo (Foto: Divulgação)

NEVER TOO SMALL 54sqm/581sqft small apartment design – Studio Seguí

Located in a picturesque 1940’s building in the lively neighbourhood of Palermo in Buenos Aires, this bright and elegant mezzanine apartment was previously a small dark office space. By moving the kitchen, guest toilet and staircase to one side of the apartment, Architect Carol Burton created a fluid and open space drawing the eye to the only light source in the apartment. The multifunctional staircase built from one piece of folded metal houses the fridge, pantry and additional storage, whilst a metal balustrade in the bedroom creates privacy from the street. Floor to ceiling terrazzo and a floating sink make for a surprisingly spacious main bathroom.

Localizado em um edifício pitoresco da década de 1940 no animado bairro de Palermo, em Buenos Aires, este apartamento mezanino elegante e bem iluminado era anteriormente um pequeno espaço de escritório escuro. Ao mover a cozinha, o banheiro de hóspedes e a escada para um lado do apartamento, a arquiteta Carol Burton criou um espaço aberto e fluido atraindo o olhar para a única fonte de luz no apartamento. A escada multifuncional construída com uma peça de metal dobrado abriga a geladeira, despensa e armazenamento adicional, enquanto uma balaustrada de metal no quarto cria privacidade da rua. O terraço do chão ao teto e a pia flutuante tornam o banheiro principal surpreendentemente espaçoso.

Music:
Written Words by Greg McKay

Produced by New Mac Video Agency
Creator: Colin Chee
Director/Camera Operator: Fernando Schapochnik
Producer: Lindsay Barnard
Editor: Jessica Ruasol
Thumbnail Photography: Gonzalo Viramonte

Uma olhada no novo escritório do jornal americano Newsday em Nova York, EUA

O jornal diário americano Newsday contratou a empresa de arquitetura e design de interiores TPG Architecture para projetar seu novo escritório na cidade de Nova York.

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Corridor

“Ao longo do processo de design, o TPG precisava preservar o forte legado do Newsday à medida que avança para o futuro. A Newsday se reenergizou como uma premiada empresa de multimídia através da concepção de um espaço seguro e acolhedor, dinâmico, reflexo de sua marca e fonte de inspiração para visitantes e funcionários. Esta mudança de sede permite que o Newsday consolide e reúna seus funcionários. Além disso, o cuidado com o funcionário era fundamental – o Newsday queria que sua equipe sentisse que estava mudando para um ambiente de trabalho confortável que atenda às suas necessidades hoje e no futuro. O design tem uma forte sensação moderna e infundida de tecnologia que dá ao local de trabalho uma atmosfera nova e com visão de futuro.

A marca e os gráficos desempenharam um papel essencial no design do Newsday. Ao longo do processo, era importante que o novo escritório refletisse a estética de Long Island e se inspirasse na comunidade local. A equipe projetou uma instalação de arte em grande escala que apresenta fotos publicadas do Newsday impressas em painéis de metal fora da entrada principal. Na redação, há uma área de câmera com flash para fotos rápidas aos repórteres durante as transmissões ao vivo e streams – posicionada bem no meio do hub de notícias, permitindo que os membros da equipe sintam que fazem parte da ação. A área de trabalho é aberta, cercada por grandes telas de TV para acompanhar as últimas novidades e trabalhos. Eles também agora têm estúdios de edição de fotos e vídeos que podem aumentar sua presença nas mídias digitais e sociais. Além disso, o espaço multimídia interativo na nova sede do Newsday em Melville é voltado para celebrar eventos da comunidade local. Como parte da Newsday Productions, este espaço multimídia agora estará disponível para clientes externos que podem acomodar 186 pessoas. ”

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Kitchen
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Por dentro do elegante escritório da Antin Infrastructure Partners em Londres, Inglaterra

A firma de private equity Antin Infrastructure Partners contratou recentemente a firma de design de locais de trabalho Oktra para projetar seu novo escritório em Londres, Inglaterra.

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Lobby

“Oktra colaborou com suas equipes seniores em Londres e Paris para desenvolver um design que refletisse seu escritório parisiense, o que poderia criar um senso de continuidade para seus funcionários que dividiam seu tempo entre as duas cidades. Os parceiros imaginaram um design de escritório de alta qualidade com um toque premium e atemporal que refletiria a qualidade e a estabilidade de seus negócios.

O cliente da Oktra escolheu um edifício listado em Mayfair para seu novo escritório, onde entregamos um encaixe Cat B em dois andares e instalamos uma impressionante escadaria integral com marcenaria sob medida para conectar o térreo e o primeiro andar. Um local de trabalho de dois andares melhora a experiência do cliente, pois seu ponto de chegada é removido do chão de trabalho, mas ainda assim facilmente acessível. A escada central celebra a escala do local de trabalho enquanto abre áreas vazias para complementar os tons claros, iluminação indireta suave e luz natural emprestada através dos vidros. Os pisos de trabalho beneficiam de tectos altos para aumentar ainda mais a luz natural e criar um ambiente de trabalho calmo, profissional e de alto desempenho.

Todas as funções dos negócios da Antin Infrastructure Partners são atendidas, com escritórios celulares para executivos, duas salas e uma biblioteca para hospedar clientes e uma cozinha totalmente equipada onde os funcionários podem interagir longe das áreas de contato com o cliente. Uma variedade de espaços para reuniões que variam em formalidade apóiam o tom residencial transmitido no briefing e podem acomodar requisitos internos e externos. De salas de diretoria a salões luxuosos, cada espaço no novo local de trabalho do cliente Oktra exibe elementos de artesanato de qualidade e prepara os gerentes de investimento para o sucesso contínuo. ”

  • Location: London, England
  • Date completed: 2018
  • Size: 15,000 square feet
  • Design: Oktra
  • Photos: Oliver Pohlmann
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