Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos

Grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolve bloco de concreto capaz de ser facilmente transportado

Hoje, a construção civil depende de guindastes e máquinas pesadas para erguer blocos maciços e toneladas de peso. Mas a verdade é que nem sempre foi assim. Na Antiguidade, seres humanos foram capazes de construir estruturas megalíticas com pedras de dezenas de toneladas muito antes da tecnologia existir, como aconteceu em Stonehenge ou na Ilha de Páscoa.

Por isso, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussetts debrussaram-se sobre o tema na tentativa de encontrar soluções para o transporte de grandes blocos de um jeito mais simples. Emulando técnicas antigas, o grupo conseguiu uma forma de movimentar toneladas usando apenas duas mãos.

Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)
Em parceria com a empresa Cemex Global R & D, eles desenvolveram blocos de concreto cujo centro de gravidade foi colocado no ponto determinado. Com a ajuda de algoritmos e de alguma força manual, os pesquisadores asseguraram que a própria pedra facilitasse seu deslocamento, que foi facilitado ainda mais pelo design inteligente dos blocos.

“Por meio da densidade variável do concreto, é possível calibrar o centro de massa do objeto de forma precisa, controlando o movimento dos cubos”, explicaram os pesquisadores. “Isso garante que os elementos maciços se movam e se montem, permitindo a construção sem guindastes”. 

Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)

Usando bordas arredondadas e pontos de manuseio, os blocos de concreto podem ser facilmente balançados, inclinados e rolados no lugar com as mãos. 

Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)
Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)

As pesquisas do MIT iniciaram em 2014 com um estudo detalhado das técnicas de construção empregadas na Ilha de Páscoa e nas pirâmides do Egito. A descoberta do grupo pode mudar o futuro da construção civil, permitindo que empresas construam grandes obras sem o uso de guindastes e máquinas de difícil operação. 

Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)

Além disso, os blocos de concreto do MIT possuem um forte apelo sustentável. Eles são ideais para tornar edifícios mais duráveis ou até mesmo para reutilizar certas estruturas, evitando a demolição de edifícios que poderiam durar uma eternidade. 

Pesquisadores encontram forma de mover toneladas apenas com as mãos (Foto: Divulgação)

Veja os blocos em ação:

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Hotel em região protegida pela UNESCO é renovado

O Hotel Schgaguler, no norte da Itália, tem arquitetura aberta para os alpes e decoração clean e, ao mesmo tempo, aconchegante
POR BETA GERMANO FOTOS DIVULGAÇÃO

Imagine uma casa de vidro, completamente transparente e aberta para a natureza em seu entorno. Agora pense nesse entorno como um grupo de montanhas os alpes italianos protegidos pela UNESCO. Se você estiver fora, terá vontade de entrar. Se estiver dentro, terá vontade de contemplar o esplendor daquela natureza. Simplesmente. Assim ficou o Hotel Schgaguler, em Castelrotto, na província de Bolzano, no norte da Itália, renovado em apenas 4 meses de obra pelo Peter Pichler Architecture.

Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)

O principal norte dos arquitetos responsáveis por renovar o charmoso hotel boutique foi criar uma edificação arquitetônica simples e atemporal, estabelecendo uma conexão genuína com a pitoresca  aldeia de Castelrotto – conhecida por cultura folclórica – e suas montanhas circundantes.

Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)

O projeto consiste, assim, em três volumes monolíticos, seguindo a estrutura original da casa original de 1986, totalmente fachadas abertas dos dois lados – no norte, ficam a maioria dos corredores e espaços públicos, enquanto os quartos ficam na fachada sul, com mais profundidade, formando galerias com sombreamento natural.  Respeitando o contexto local e seus arredores, a forte identidade arquitetônica do hotel busca uma reinterpretação contemporânea do estilo típico dos alpes, jogando com elementos vernaculares, como o telhado inclinado típico.

Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)

Os interiores, com um quê escandinavo, têm assinatura de Peter Pichler em parceria com Martin Schgaguler. A ideia é unir tradição e contemporaneidade de um jeito simples, causal e harmônico. Portanto, os layouts abertos – quarto e banheiro são separados apenas por uma fração de parede atrás da cama – foram elaborados com materiais locais: a madeira clara e as peças têxteis locais garantem ambientes acolhedores, enquanto as pedras e a cor cinza em alguns detalhes dialogam com a natureza que entra no decor.  

Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)

O nível subterrâneo abriga as instalações de bem-estar, spa e beleza. Os espaços públicos como o lobby, bar e restaurante estão localizados no piso térreo. Escolha a sua garrafa de vinho e um lugar no bar que conecta-se a um amplo e ensolarado terraço com vistas impressionantes para as montanhas. Nada mal, ne?

Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)
Hotel Schgaguler (Foto: divulgação)

Arquiteta Jeanne Gang entre as 100 pessoas mais influentes de 2019 segundo a revista TIME

Por Niall Patrick Walsh Traduzido por Romullo Baratto

© Wikimedia de Kramesarah; licença CC BY-SA 4.0

A arquiteta Jeanne Gang, fundadora do Studio Gang, foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes de 2019 da revista TIME. Gang é a única profissional do campo da arquitetura a fazer parte da lista deste ano, que reconhece o ativismo, a inovação e as conquistas das pessoas mais influentes do mundo.

O reconhecimento é mais uma conquista neste que já é um ano histórico para Jeanne Gang e seu estúdio. Em janeiro, a arquiteta anunciou seu primeiro projeto na França – o Centro da Universidade de Chicago em Paris – e no mês passado seu escritório foi selecionada para liderar o projeto de expansão do aeroporto O’Hare em Chicago.

Para Jeanne, a arquitetura não é apenas um objeto maravilhoso. É um catalisador de mudança. Suas elegantes casas flutuantes estão ajudando a revitalizar o poluído rio Chicago ao filtrar o esgoto. Seu conceito de Polis Station visa melhorar a maneira como a população civil interage com a polícia ao fundir delegacias com centros recreativos.
– Anna Deavere Smith, sobre Jeanne Gang na lista da TIME.

Veja a lista completa da TIME, aqui.

Via: Studio Gang

Fachada de prédio nos EUA parece “desabar” como um dominó

Estrutura foi desenhada pelo Bjarke Ingels Group (BIG), com colaboração da Goody Clancy Architects, para a Universidade de Massachusetts Amherst
DIVULGAÇÃO / MAX TOUHEY / LAURIAN GHINITOIU

Quem olhar rápido pode até pensar que a fachada desse prédio da escola de negócios da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, desaba aos poucos como pecinhas de um dominó. Desenhado pelo Bjarke Ingels Group (BIG), com colaboração de Goody Clancy Architects, a extensão de 6 500 m2 foi necessária para acompanhar o crescimento da instituição e abrigar novas instalações para mais de 150 funcionários e 5 000 alunos em programas de graduação, mestrado e doutorado.

BIG e Goody Clancy foram contratados em 2015 para projetar um espaço flexível que inspira e facilita a colaboração de todos os alunos.

Fachada de prédio nos EUA “desaba” como um dominó (Foto: Reprodução )

Revestido em cobre, o exterior do edifício é envolvido por colunas verticais retas que se inclinam gradualmente para baixo, criando uma aparência distinta sem elementos curvos.

A luz do dia interage entre os pilares para iluminar o átrio de vários andares. Em qualquer sala ou corredor, a luz natural atinge o interior do campus e do pátio interno.

Fachada de prédio nos EUA “desaba” como um dominó (Foto: Reprodução )

Segundo a descrição do projeto, os espaços foram projetados tendo em mente as interações estudantis, o trabalho em equipe e os encontros casuais. No segundo e terceiro andares, alunos e funcionários ocupam os laboratórios de inovação, assessorando os espaços e os gabinetes dos professores.

Fachada de prédio nos EUA “desaba” como um dominó (Foto: Reprodução )
Fachada de prédio nos EUA “desaba” como um dominó (Foto: Reprodução )
Fachada de prédio nos EUA “desaba” como um dominó (Foto: Reprodução )
© Laurian Ghinitoiu (Foto: Reprodução )

Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno

Nas mãos do estúdio Cadaval & Solà-Morales, edifício antigo é revitalizado e transformado em um incrível espaço de trabalho

No bairro de Poblenou, em Barcelona, um antigo teatro de madeira foi repaginado pelo estúdio Cadaval & Solà-Morales. Abandonado, o edíficio era usado como um depósito antes de cair nas mãos dos arquitetos, que o transformaram em um espaço totalmente novo onde funcionará um coworking. 

Em homenagem ao passado do edifício, o novo espaço recebeu o nome de “The Theatre”. E para preservar a identidade do teatro, algumas características do projeto original foram mantidas pelos arquitetos. As estruturas de madeira, metal e tijolo foram preservadas, enquanto uma parede de vidro emoldurado foi incrementada para modernizar a construção. 

Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno (Foto: Divulgação)

Para completar, parte do telhado do edifício original foi removida, a fim de tornar o edifício mais aberto e integrado. Assim, uma nova versão do pátio originou um ambiente acolhedor e revigorante para quem usar o espaço como escritório. 

Na decoração, os ambientes foram pensados para se aproximarem ao máximo de uma casa. Por isso, redes dividem espaço com vários vasos de plantas, obras de arte e móveis funcionais. Cheio de personalidade, um Porsche 911 foi introduzido na garagem como uma verdadeira escultura fixa. 

Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno (Foto: Divulgação)

Confira mais fotos: 

Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno (Foto: Divulgação)
Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno (Foto: Divulgação)
Em Barcelona, teatro abandonado vira coworking moderno (Foto: Divulgação)

3GATTI propõe uma “espaçonave verde” para a nova Biblioteca de Madri

Por Megan Schires Traduzido por Giovana Martino

Uma espaçonave verde parece ter aterrissado em Villaverde, Madri, na proposta do escritório de arquitetura 3GATTI para a nova biblioteca municipal. O projeto do explora a curiosidade do público para atrair visitantes e criar uma presença icônica na cidade. A biblioteca é dividida em dois andares: o nível do solo é transparente e aberto, destinado a abrigar os ambientes públicos e e com alto índice de ruído do programa; já o piso superior compreende, de fato, o objeto arquitetônico, que flutua acima do solo e abriga os espaços de estudo.

Sendo a verdadeira “espaçonave” do projeto, o piso superior é composto por uma base de concreto e tijolo, pulverizada com gesso escuro, que suporta um volume de estrutura metálica vermelha. Suas paredes são revestidas por trepadeiras que darão um aspecto natural ao edifício. 

Na estação quente, as vinhas crescem rapidamente e cobrem a estrutura com folhas verdes, protegendo-as da luz solar forte. No outono, as folhas ficarão avermelhadas antes de cair no inverno e deixar para trás apenas a superestrutura transparente. O gesso escuro exposto nos meses mais frios absorve mais luz solar e serve para aquecer passivamente o edifício.

O volume superior monolítico é dividido para criar um pátio interno e outros dois externos voltados para a rua de pedestres. As paredes voltadas para os pátios são envidraçadas para proporcionar vistas tranquilas para o exterior. 

Contrapondo-se ao volume do espaço superior, o piso inferior é integrado ao contexto urbano através da transparência e de vários pontos de acesso. A fachada da biblioteca voltada para a rua se recua para criar um espaço público maior em frente ao prédio. A parte de trás do terreno é deixada livre para criar um caminho peatonal conectado às ruas do bairro.

O objetivo do 3GATTI é criar um edifício verdadeiramente público que vá além de um espaço para armazenar livros. A biblioteca foi concebida como um organismo que pode interagir com o entorno de maneira aberta e flexível, fomentando discussões sobre o meio ambiente, vida cívica e educação. [ArchDaily]

O que se perdeu e o que foi salvo no incêndio da Catedral de Notre-Dame

Símbolo da arquitetura gótica, catedral abrigava uma variedade de relíquias católicas, além de quadros, esculturas e artefatos históricos

Construída em entre 1163 e 1343, a Catedral de Notre-Dame, atingida por um grave incêndio em Paris, abrigava uma variedade de relíquias católicas, além de quadros, esculturas e artefatos históricos. Anne Hidalgo, prefeita de Paris, disse que algumas obras de arte que estavam no local foram retiradas a tempo e colocadas em um local seguro. No entanto, os bombeiros afirmam que ainda não é possível ter uma dimensão mais exata dos danos.

Nesta terça-feira (16), o secretário do Estado de Interior, Laurent Nuñez, revelou detalhes da força-tarefa montada para salvar a Catedral do incêndio, que durou nove horas. “Os colaboradores de Notre-Dame, os arquitetos do patrimônio da França e os funcionários do Ministério da Cultura foram mobilizados para orientar os bombeiros e mostrar as obras que a todo preço deveriam ser salvas”, informou.

Relíquias cristãs
O artigo mais valioso guardado na Notre-Dame é a Santa Coroa, que os católicos acreditam que foi usada por Jesus pouco antes de ser crucificado. Segundo o site oficial da catedral, a réplica é composta de um “círculo de juncos unidos por fios de ouro, com um diâmetro de 21 centímetros”. A peça foi salva a tempo das chamas, assim como a túnica usada por São Luís, rei francês do século XIII.

Além da Santa Coroa, o local conserva outras duas relíquias da Paixão de Cristo: um pedaço da Cruz e um cravo.

Obra-prima da arquitetura gótica, Catedral de Notre-Dame foi palco de eventos históricos (Foto: Getty Images)

Obras de arte
Segundo o Monsenhor Patrick Chauvet, os bombeiros enfrentaram mais dificuldade para remover os quadros maiores. A catedral abrigava várias pinturas do século XVII, entre elas “São Tomás de Aquino, Fonte de Sabedoria” (1648), de Antoine Nicolas. Outras relíquias, como “A Descida do Espírito Santo” (1934), de Jacques Blanchard, e “São Pedro Curando os Doentes com Sua Sombra” (1935), de Laurent de la Hyre, também ficavam no local.

O incêndio atingiu principalmente as torres de madeira, onde ficavam os sinos. A estrutrua foi feita com 500 toneladas de madeira e 250 toneladas de chumbo. Na sua base, estavam conjuntos de estátuas de bronze, que representavam os 12 apóstolos e os quatro evangelistas. 

As dezesseis esculturas que ornavam a parte externa da catedral foram retiradas na última sexta-feira (12) para trabalhos de restauração e foram poupadas do incêndio. Entretanto, o topo da torre que cedeu abrigava um galo que trazia a Coroa de Espinhos, uma relíquia de San Dionísio e outra de Santa Genoveva.

Os vitrais
A Catedral de Notre-Dame também é conhecida por seus vitrais coloridos, principalmente a Rosa Sul e a Rosa Norte, construídas entre 1260 e 1250. Uma das mais procuradas, a Rosa Sul foi feita com 84 painéis divididos em quatro círculos, que representam em riqueza de detalhes os 12 apóstolos, mártires e santos, como São Mateus.

O que se perdeu e o que foi salvo no incêndio da Catedral de Notre-Dame (Foto: Flickr)

Com o passar do tempo, eles foram restaurados e modificados inúmeras vezes. Como são peças frágeis e extremamente vulneráveis ao calor, a chance de terem sido danificadas no incêndio é muito grande.