Edifício na China pode ser desmontado e reconstruído em outros lugares

Projeto é do escritório de arquitetura LUO Studio

LUO Studio’s Longfu Life Experience Centre

Um centro de vendas localizado em Puyang, na província de Henan, na China, tem um prédio que pode ser desmontado e suas estruturas reaproveitadas em novas construções. O espaço foi projetado pelo escritório de arquitetura LUO Studio para ser facilmente adaptado.

O Longfu Life Experience Center foi encomendado por um empresário que trabalhava com fazendas ecológicas e queria transmitir sua proposta de estilo de vida sustentável na construção. 

Os arquitetos então criaram uma estrutura modular, que toma forma a partir de colunas agrupadas, inspiradas na forma das árvores. Elas podem ser combinadas em outros espaços com facilidade.

Segundo os arquitetos, o edifício pode ser ampliado, reduzido ou completamente desmontado e reconstruído em outro lugar. Já o piso térreo do lugar é um espaço multifuncional adequado para grandes eventos ou reuniões.

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Estruturas metálicas e lajes pré-fabricadas definem casa em SP

Salas de jantar, TV e estar com pé-direito duplo são interligadas e conectadas ao jardim em projeto contemporâneo
Fotos: Manuel Sá

Estruturas metálicas e lajes pré-fabricadas definem a arquitetura desta casa contemporânea de 222 m² no bairro do Butantã, na zona oeste de São Paulo. A distribuição dos espaços priorizou as áreas de convivência: salas de jantar, TV e estar com pé-direito duplo são interligadas e voltadas para o jardim em forma de “L” que contorna o terreno. O paisagismo, aliás, foi feito pelo jovem casal de moradores. Espécies tropicais, como a helicônia, trazem seu colorido para os ambientes sociais graças à fachada envidraçada que permite também a entrada de luz natural.

“A adoção do sistema de estrutura metálica e lajes pré-fabricadas do tipo painel resultou em eficiência e agilidade durante a execução da obra”, diz o arquiteto Bruno Levy, colaborador no escritório do arquiteto Isay Weinfeld desde 2008, que assina o projeto da chamada Casa Azul. Não por acaso, a cor foi escolhida para revestir a escada cuja estrutura é o elemento visual organizador dos níveis da residência. Ela permite acesso à área íntima, no pavimento superior, e ao solário, na cobertura.

No térreo, o escritório situado na empena cega do terreno é conectado a um jardim interno que ilumina e ventila o lavabo, a cozinha e o banheiro da suíte. Concreto e bancadas de pedra conferem unidade e despojamento estético à morada, decorada com móveis escolhidos a dedo. A paleta de brancos e outros tons neutros serve como pano de fundo para o mobiliário de design. Madeira clara e plantas complementam a ambientação despretensiosa.

Soluções sustentáveis também foram incluídas no projeto. Enquanto o aquecimento é feito por meio de um sistema de painéis solares, a ventilação natural é garantida por aberturas superiores.

Prédio de apartamentos é construído com 140 contêineres na África do Sul

Projeto faz parte de movimento de revitalização do centro de Joanesburgo

Um projeto para revitalizar o centro de Joanesburgo, na África do Sul, deu origem a um prédio residencial de seis andares construído com 140 contêineres de carga empilhados uns sobre os outros. A ideia é oferecer opções residenciais de baixo custo em uma área que já abriga restaurantes, bares e o popular mercado semanal Market on Main.

Os arquitetos do estúdio LOT-EK, com escritórios em Nova York e em Nápoles, dividiram o complexo em duas seções – uma azul e outra verde – que se inclinam para fora criando um vão entre elas. Os moradores podem circular por meio de um corredor ao ar livre que também é usado como varanda comum.

O tamanho dos apartamentos varia de 27 m² a 54 m². Cada unidade tem piso de madeira recuperada e revestimentos de metal, o que confere ao projeto uma atmosfera industrial que é a cara da região.

Estação de bombeamento da Segunda Guerra Mundial é transformada em casa de férias

A propriedade fica na praia de Dungeness, na Inglaterra

pump-station-johnson-naylor-interiors_dezeen_2364_col_7-1704x1137Uma estrutura de concreto à prova de bomba, que funcionava como uma estação de bombeamento de combustível durante a Segunda Guerra Mundial, ganhou uma repaginada completa e foi transformada em uma casa de férias.

Projetado pelo arquiteto britânico Johnson Naylor, a propriedade fica na praia de Dungeness, Inglaterra, localizada no único deserto do país. Na Segunda Guerra Mundial, a estação enviava combustível para a França, por meio de tubos submarinos.

Antes de virar uma casa de férias, a estrutura à prova de bomba foi uma escola com capela, salão comunitário e salão de reuniões.

Johnson usou as características originais como o teto de tábuas de concreto apoiado em vigas de aço e fez intervenções para deixar o espaço mais elegante. Na entrada, uma parede de aço rouba a cena. Os banheiros são revestidos em mármore de Carrara. Já um gesso texturizado de areia natural e macia cobre as paredes externas.

“Manter o tratamento externo e a qualidade pragmática do prédio foi importante”, afirmou o escritório do arquiteto em comunicado. “Trabalhar com, e não contra, um edifício é o segredo para um projeto de sucesso.”

Os móveis da propriedade de dois quartos mantêm o padrão de cores usadas na decoração, que combina madeira, metal e concreto.

A iluminação toda de LED conta com um sistema de controle de configurações a partir do humor. Além disso, durante a noite, uma luz oculta é ativada automaticamente para dar um brilho suave no ambiente.

“A luz em Dungeness é maravilhosa e, embora o prédio seja pesado na aparência, tem uma leveza internamente”, comentou o arquiteto.

Qual é a influência do instagram em projetos de arquitetura e interiores?

No Casa Vogue Experience, arquitetos discutem a importância de ter bons perfis em redes sociais e de criar espaços instagramáveis em projetos
Por Vanessa D’Amaro I Foto: André Klotz

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(Foto: Kenji Nakamura) Palestra “A influência das mídias sociais nos projetos contemporâneos: tendências de arquitetura em tempos de Instagram”


Quanto o Instagram pode influenciar projetos de arquitetura e interiores? Para responder a esta pergunta, o Casa Vogue Experience reuniu um time de peso para uma roda de conversa, batizada de  “A importância das mídias sociais nos projetos contemporâneos: tendências de arquitetura em tempos de Instagram”. Participaram Nildo José, Daniela Frugiuele e Carolina Mauro da Suíte Arquitetos, Thiago Rodrigues e Antônio Carlos Figueira de Mello do SuperLimão Studio. O bate-papo, mediado pela redatora-chefe da revista Glamour, Alline Cury, abordou o tema de maneira leve e atual.

Os profissionais falaram sobre os moodboards e as referências dos clientes. “A gente pede para os clientes trazerem os prints para entendermos melhor quem eles são e como pensam os seus projetos”, conta Daniela da Suíte Arquitetos. “Os prints mais honestos são aqueles que o cliente traz antes de nos contratar”, opina Nildo José.

De acordo com ele, é necessário também ter um instagram bem feito, que revele a essência dos projetos e do escritório. “Não temos só que pegar as referências dos clientes, nós temos que ser a referência”, afirma. Nildo José sabe bem do que diz já que um projeto recente de mostra de decoração viralizou internacionalmente.

“Versatilidade e integração fazem parte dos nossos projetos e, por isso, ele é o norte para o Instagram”, revela Daniela. O perfil do Suíte Arquitetos costuma dar pequenas dicas de decoração em seus posts. Já os arquitetos do SuperLimão Studio contam que “seguem o coração”, de acordo com Antônio. Isto é, eles postam de acordo com o mood do dia.

Os arquitetos comentam que muitos projetos comerciais chegam hoje com pedidos de photo opportunity, ou seja, um lugar que seja bonito para fazer fotos. “Muitos clientes vêm pedindo espaços instagramáveis”, conta Thiago. O SuperLimão Studio já realizou alguns projetos, principalmente de bares e restaurantes, com áreas de destaque para cliques.

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(Foto: Kenji Nakamura) Palestra “A influência das mídias sociais nos projetos contemporâneos: tendências de arquitetura em tempos de Instagram”

Apesar de notarem a influência que as redes exercem sobre os clientes, todos os profissionais são categóricos quando o assunto é a importância do desconectar para inspirar-se. “É importante sentir o ambiente, independente das referências. É necessário olhar para um espaço como uma em página branco”, reflete Carolina.

Casa em formato de cabines chama atenção em montanhas de Quebec

Composta por dois volumes angulares revestidos de madeira queimada, a residência dá a sensação de estar deslizando no penhasco

Quem passar pelas montanhas dos vilarejos orientais em Quebec, no Canadá, pode se maravilhar. É que o escritório de arquitetura Nature Humaine instalou uma casa em formato de cabines no alto da floresta.

Batizada de La Binocle Cabin, a propriedade une a beleza da natureza com um ambiente tranquilo para os habitantes. Para isso, os arquitetos ancoraram o estrutura em um terreno rochoso da montanha e finalizaram o acabamento externo com madeira queimada e pranchas de hemlock pré-tecidas.

No entanto, as cabines não têm o mesmo formato. Elas são conectadas por um espaço intermediário na entrada. No primeiro módulo ficam todas as áreas de estar com vista panorâmica. Já no segundo pavimento, por exemplo, ficam dois quartos.

O piso de concreto une todos os ambientes e o telhado dá um toque diferenciado com sua inclinação seguindo a mesma do solo, o que dá a sensação de estar prestes a deslizar no penhasco, além de limitar o avanço do sol na propriedade durante o verão.

“As cidades brasileiras não foram projetadas para a diversidade”, disse a arquiteta Joice Berth

As arquitetas Gabriela de Matos, Bárbara Oliveira, Stephanie Ribeiro e Joice Berth discutiram a divisão colonial dos espaços urbanos no Casa Vogue Experience 2018
Por Mariana Conte I Fotos: André Klotz

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As arquitetas Bárbara Oliveira, Gabriela de Matos, Joice Berth e Stephanie Ribeiro


“Dentro do meu país eu sou estrangeira. Eu não consigo caminhar nas ruas e me sentir bem, segura”, disse a arquiteta Bárbara Oliveira, no início da sua fala na palestra “As cidades brasileiras são feitas para negros?”, no segundo dia do Casa Vogue Experience 2018. E completou: “Além do racismo, a mulher negra sofre com o machismo. O assédio é acentuado pela hiper sexualização do corpo negro, como se ele fosse a carne mais barata, como diz Elza Soares”.

Junto com ela, estavam outras três arquitetas negras, Gabriela de Matos, Stephanie Ribeiro e Joice Berth, que conduziram a discussão e contaram sobre suas experiências e projetos. Bárbara e Gabriela, por exemplo, são responsáveis pela plataforma Arquitetas Negras, uma iniciativa que busca encontrar, catalogar, divulgar e potencializar o trabalho de mulheres negras na área da arquitetura e do design e agora estão com uma campanha para viabilizar a criação de uma revista.

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Bárbara Oliveira, Gabriela de Matos, Stephanie Ribeiro e Joice Berth (Foto: David Mazzo)

Para Joice, autora do livro “O que é empoderamento?”, a questão da colonização ainda está muito presente no desenho dos espaços urbanos. “As cidades não foram projetadas para a diversidade, para a pluralidade. Nosso espaço foi uma consequência da divisão colonial que já existia. A lógica casa grande/senzala foi reproduzida no desenho das cidades, onde há alta concentração de pessoas brancas num determinado lugar e negros em outro”, pontuou Joice.

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Palestra “As cidades brasileiras são feitas para negors?” (Foto: David Mazzo)

Na graduação, Stephanie discutiu a existência do quartinho de empregada e ficou impressionada com a dificuldade das pessoas em discutirem essa questão. “Ouvia de arquitetos formados que se o cliente pedia, eles tinham que fazer. Mas ninguém queria discutir o motivo da gente naturalizar a lógica do quartinho de empregada. São regras de uma estrutura racista e colonial”, disse. E ainda comparou: “Quando discutíamos a questão das favelas e das periferias era mais fácil, mas quando a discussão fala do próprio espaço, é muito incômodo, fere”.