Novo Museu da Academia, em Los Angeles, tem projeto de Renzo Piano

Obras do complexo anunciado como a principal instituição cinematográfica do mundo devem ser concluídas até o final de 2019

Os olhos do mundo se voltaram para a cerimônia do Oscar 2019 no domingo, 24 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Hollywood. Entre as premiações e homenagens da noite, a Academia anunciou finalmente a entrega do museu próprio, dentro do complexo designado como “a principal instituição cinematográfica do mundo”. Assinado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, o objetivo do centro cultural é transmitir o poder dos filmes aos espectadores por meio de arquivos e fotos de bastidores e explorar o impacto positivo das produções na cultura e sociedade. 

Localizado em Wilshire & Fairfax, Los Angeles, o Museu da Academia é composto por dois edifícios que formam um campus de mais de 27 mil m². O prédio Saban, com seis andares, contará com mais de 4 mil m² de áreas para galerias, exposições, salas para cursos sobre cinema, teatro com 288 lugares, lojas, restaurantes e café. O acréscimo ao espaço em forato de globo, intitulado de A Esfera, terá um teatro com mil lugares, onde será possível ver performances, peças, exibições e estreias de filmes, assim como eventos da indústria. No topo desse complexo, um terraço com vista para as emblemáticas colinas de Hollywood. 

Ocupando dois andares do edifício Aaban, o museu abrirá no final de 2019 com uma exposição de longo prazo que explora a evolução do cinema. A instituição também anunciou uma exposição temporária dedicada ao animador japonês Hayao Miyazaki (A Viagem de ChihiroMeu Amigo Totoro), que será seguida, em 2020, por uma exposição que revela a importante e pouco reconhecida história dos cineastas afro-americanos no desenvolvimento do cinema norte-americano.

O Museu da Academia tem adquirido ativamente objetos de cinema desde 2008, que somam aproximadamente 2.500 itens no acervo, para contar sobre a evolução da tecnologia cinematográfica, figurino, design de produção, maquiagem e materiais promocionais. Separado da exposição central, o terceiro andar também conta com uma experiência do Oscar, que usa realidade virtual para colocar os visitantes no famoso tapete vermelho de Hollywood e dá a eles a chance de ter um Oscar real ao aceitarem o prêmio “no palco”.

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Paisagem verde e materiais naturais criam clima aconchegante neste casa

Casa em Salvador tem área externa aberta à paisagem exuberante, com elementos naturais, amplitude, conforto e linhas contemporâneas
FOTOS TARSO FIGUEIRA/DIVULGAÇÃO

Ângulo geral exibe a harmonia arquitetônica e o diálogo entre o deque de cumaru e o piso de limestone NATURAL STONE – destaque para as confortáveis chaises trazidas de Bali pela moradora

Verão, sombra e água fresca. Junte tudo isso à arquitetura contemporânea e afinada dos arquitetos Caio Bandeira e Tiago Martins, titulares do escritório Architects + Co, e pronto. A soma resulta na atmosfera paradisíaca desta casa de 655 m² na região metropolitana de Salvador, BA.

Visão geral da construção exibe esquadrias metálicas ENPRO com generosos panos de vidro, os quais imprimem leveza à estrutura feita de madeira cumaru DEMUNER MARCENARIA

O paisagismo é elemento-chave na criação da dupla, que promove um interessante diálogo entre a construção e o seu entorno. Por isso, madeira e elementos naturais são pontos fortes que aparecem em meio a linhas retas e puras, de espírito jovem. A essência praiana ganha destaque na residência, que possui terraços amplos para contemplar o mar e receber os amigos.

A piscina com pedra natural Hijau se integra à bela paisagem e à arquitetura pensada para garantir fluidez ao refúgio

Planos em elevações variadas destacam-se na fachada, assim como o painel de brise  idealizado pelos arquitetos, que leva, ao mesmo tempo, um belo efeito estético e privacidade à circulação dos quartos. “Para cada projeto, buscamos uma identidade única, além de total conforto. A ideia é que os moradores sintam os espaços como extensão de si mesmos”, dizem Caio e Tiago, que se dividem entre escritórios em Salvador e São Paulo, sob a mesma marca.

A imponência da porta de entrada de madeira cumaru DEMUNER MARCENARIA

Como na arquitetura

Designers apresentam seus móveis, que passam por um período de adaptação antes de serem produzidos e lançados
Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo

A estante Dots. Foto: Fran Parente

Arquitetos de formação, os integrantes do F. Studio admitem dispensar ao desenho de mobiliário o mesmo rigor dedicado a seus projetos de arquitetura. Só que em escala menor. Sistemas estruturais, relações espaciais e permeabilidade visual são questões por eles abordadas, indistintamente, em todos as suas criações. “Cidade, edificação e mobiliário estão sempre interligados: mantendo as proporções, invertendo as escalas e adaptando os usos”, conforme afirma Fernando Fernandes, sócio do estúdio, desde de 2013, ao lado de Flavia Araujo e Felipe Vargas. “Nossa proposta é oferecer um design contemporâneo e acessível, adaptável aos mais diversos contextos. E para nós, isso significa olhar para frente, mas também para trás”, resume Flavia que, junto a seus colegas, apresenta as criações da marca aos leitores do Casa.

Do ponto de vista funcional, a quem se destina um móvel do F. Studio?
Flavia Araujo: Ao longo da nossa trajetória, percebemos que atingimos um público que busca um desenho atemporal, autoral, mas com personalidade. Ainda acrescentaria que, do ponto de vista técnico, nosso móvel também chama a atenção das pessoas por ser facilmente desparafusado, o que facilita o transporte. Por fim, acredito que o sistema de encaixe das madeiras nos ferros, que reforça a leveza das peças, acaba sendo outro atrativo.

Os materiais parecem ter fundamental importância na configuração de cada projeto. Como eles são escolhidos?
Fernando Fernandes: Sem dúvida. Observamos, sobretudo, a interação entre eles. O ferro sempre é utilizado como elemento estrutural, enquanto os demais, como a madeira, o vidro, o couro e o concreto, determinando superfícies e volumes. Recentemente, começamos também a garimpar madeiras de demolição no interior de Minas Gerais. Com ela temos desenvolvido peças mais leves, um pouco distante da ideia que normalmente se tem de um ‘móvel de demolição’.

Vocês possuem uma forma muito particular de, digamos, “observar” os móveis em ação, antes de encaminhá-los para a produção e para o mercado. Como isso se dá? 
Felipe Vargas: É verdade. Como nossa fabricação é própria, conseguimos ter acesso e controle total dos processos de produção. Além disso, dispomos de uma ‘casa-ateliê’, onde todas nossas peças são usadas no dia a dia, para que possamos aperfeiçoá-las ao máximo. Só a partir desse momento, consideramos que o móvel está pronto para ser produzido e comercializado. Mas isso não é tudo. Observá-los em todos os seus detalhes, também ajuda na concepção dos próximos produtos.

O banco Grid, outra criação do F. Studio Foto: Fran Parente
Os integrantes do F. Studio, a partir da esquerda: Fernando Fernandes, Flavia Araujo e Felipe Vargas. Foto: Fran Parente

Mix industrial e moderno trazem personalidade à produtora musical

As arquitetas Adriana Oliveira e Rafaella Lanfranchi imprimem um clima descontraído à área administrativa desta produtora em Maringá
FOTOS RAPHAEL BRIEST

Na recepção, duas poltronas Daff e outras duas Linna, todas design Jader Almeida, na Márcia Silveira Ambientações 

Nesta produtora musical em Maringá, PR, a área administrativa pedia ares mais descontraídos para receber artistas como Bruno & Barretto, Conrado & Aleksandro, Julia & Rafaela e Vinicius Lobo.

Cadeiras e mesa Márcia Silveira Ambientações, com painel de madeira Incomóveis Ambientes Planejados

Ao entrarem em cena, Adriana Oliveira e Rafaella Lanfranchi, do Studio AR8, elaboraram um mix que une os estilos industrial e moderno para dar personalidade ao espaço de 223 m². “Parte dos elementos da construção ficam expostos, o que valoriza os ambientes”, explicam.

No lavabo, bancada Metalúrgica Continental e persiana Studio Roberta Matsunaga/Unilux

Em meio a tais escolhas, o tom de azul entrou pelas propriedades calmantes de corpo e mente, segundo as arquitetas. “Ele também transmite lealdade e confiança, valores que a empresa gosta de expressar aos artistas e clientes.” São estas sensações, aliás, que interessam nos projetos que Adriana e Rafaella assinam.

Adriana Oliveira e Rafaela Lanfranchi 2019 (Foto: Raphael Briest)
Em primeiro plano, poltrona Daff, design Jader Almeida, na Márcia Silveira Ambientações, e, ao fundo, banquetas Iron Márcia Silveira Ambientações e marcenaria Incomóveis Ambientes Planejados

“O importante é entender a história de vida das pessoas que vão ocupar esses espaços. É criar um lugar que estimule os sentidos de bem-estar constante, para que elas se sintam felizes, criativas e estimuladas a executar qualquer tarefa.”

Hamra / Collectif Encore

ArchDaily – Traduzido por Vinicius Libardoni

© Michel Bonvin

Arquitetos: Collectif Encore
Localização: Suécia
Arquiteta responsável: Anna Chavepayre
Construtor: Allan Wahlby
Cliente: Birgitta & Staffan Burling
Área: 130.0 m2
Ano do projeto: 2017
Fotografias: Michel Bonvin

Descrição enviada pela equipe de projeto. Como um dos quatro projetos selecionados para o Prêmio Kasper Salin de 2018, a Casa Hamra foi desenvolvida pelo Collectif Encore, um escritório francês coordenado pela arquiteta Anna Chavepayre. Organizado pela Swedish Architect’s Association, o Kasper Salin é considerado um dos mais importantes prêmios de arquitetura na Suécia. Esta é a primeira vez que um projeto de escala tão modesta fica entre os quatro finalistas do prêmio desde 1962.

Para o júri, “a Casa Studio Hamra possui uma expressão muito incomum e pessoal. Sua arquitetura é caracterizada por uma enorme diversidade de qualidades espaciais internas e externas. Diferentes fachadas podem ser abertas ou fechadas para que a casa possa ser acessada ou ampliada em diferentes orientações. Este anseio do projeto por múltiplas conexões e cenários específicos cria um conjunto de relações espaciais únicas, o que favorece uma enorme flexibilidade de usos que vai dos mais íntimos e individuais aos mais públicos e coletivos.

A fachada foi acabada de acordo com as estritas normas locais e o interior também possui o mesmo acabamento, os mesmos materiais e as mesmas cores. Em contraste com esta materialidade única, um volume de madeira foi concebido de forma a criar distintas relações visuais e funcionais entre os diferentes pavimentos dentro do edifício. Os detalhes foram concebidos com esmero e executados com perfeição. A dimensão tátil dos seus espaços é inspiradora, resultado de uma colaboração ativa entre arquitetos, construtores e clientes.”

O veredicto final do Prêmio Kasper Salin será entregue no próximo dia 19 de março, em Estocolmo, durante a cerimônia a ser realizada no Stockholm Concert Hall. O projeto foi condecorado anteriormente com o Grande Prêmio do Design Sueco, concedido em 2018 pela Sociedade Sueca de Artesanato e Design (Svensk Form).

O escritório

O Collectif Encore é um escritório de arquitetura e paisagismo voltado à projetos bastante simples e voltados para pessoas comuns. A filosofia do studio ficou mais conhecida durante a recentemente conferência realizada na Escola de Arquitetura de Versailles por Anna Chavepayre. A arquiteta afirma que “em uma era governada pela imagem, onde somente o que é simplificado e binário se torna visível, valorizamos a complexidade, as interações e conexões sociais, as transformações e modularidade.

Concebemos e desenvolvemos projetos que, acima de tudo, consideram as reais necessidades de seus usuários, mas também a riqueza e a diversidade que eles nos trazem (humana, ambiental, patrimonial, etc.) e o valor de tudo que é preexistente em seu contexto. Este conjunto de especificidades é aquilo que faz de cada projeto, único. A partir disso, desenvolvemos um trabalho cuidadoso e metódico nos permite encontrar as soluções mais inovadoras e adaptadas para cada caso específico. 

Nossa maior ambição é que a vida das pessoas seja mais importante que a própria arquitetura, que nossos projetos se tornem vivos e dinâmicos na vida das pessoas e não sejam apenas imagens que nos satisfazem, que eles se tornem mais interessantes a cada dia e ainda mais daqui a 10 anos!”

A arquiteta

Anna Chavepayre é uma arquiteta sueco-francesa preocupada em desenvolver uma arquitetura que reivindica o espaço como uma condição prévia para a liberdade do ser humano e que promova a diversidade, a evolução e inovação no campo expandido da arquitetura. Seus esforços em defesa de uma arquitetura resiliente se tornaram conhecidos através de suas participações regulares em várias conferências sobre inovação e pensamento prospectivo sobre projetos de habitação, assim como através de seu sólido histórico de ensino em algumas das principais universidades ao redor do mundo. Ela também já trabalhou em parceria com importantes figuras do mundo da arquitetura como Jean Nouvel (Paris) e Rem Koolhaas (OMA – Holanda).

Prefeitura de SP anuncia parque suspenso no Minhocão

Com um custo estimado de R$ 38 milhões, a previsão de entrega é dezembro de 2020
FOTOS DIVULGAÇÃO/ PREFEITURA DE SÃO PAULO

A gestão Bruno Covas (PSDB) anunciou o novo destino para o Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão. Ao custo estimado de R$ 38 milhões, a obra que inclui elevadores, escadas, 17 500 m² de jardins, além de floreiras e deques, dispostos em módulos pré-fabricados, tem previsão de entrega em dezembro de 2020.

Localizado na área central da cidade, o Minhocão conecta a Avenida Radial Leste-Oeste (no centro da cidade) à Av. Francisco Matarazzo (na zona oeste), passando pelos distritos República, Consolação, Santa Cecília e Barra Funda.

Segundo a prefeitura, a ação será dividida em três etapas. Na primeira, com obras de acessibilidade, serão instalados acessos em nove pontos de todo o elevado, entre elevadores e escadas. Além disso, proteções nas laterais para segurança dos frequentadores. A previsão é que até o final de 2019 essa etapa seja concluída.

A segunda etapa consiste na implantação de 900 metros de parque entre a Praça Roosevelt e o Largo do Arouche. No total estão previstos 17.500 metros quadrados com jardins, além de floreiras e deques, dispostos em módulos pré-fabricados. A prefeitura vai utilizar o conceito urbanístico e referências do arquiteto Jaime Lerner,  ex-prefeito de Curitiba, com material modulado, propostas de usos institucionais no baixo do viaduto e intervenções que permitem a integração dos espaços, informou.

A Implantação do primeiro trecho do Parque Minhocão (900 metros) foi definida em razão de sua conexão com outros espaços públicos de lazer, como a praça Roosevelt, Parque Augusta, Largo do Arouche e Praça Marechal Deodoro.

A primeira etapa do Parque Minhocão vai compreender um trecho da saída da Ligação Leste-Oeste ao entroncamento com a Avenida São João.

Segundo a prefeitura, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) está realizando estudo para definição de outras intervenções viárias que se fizerem necessárias.

Projeto leva cores e espaços de leitura para escolas municipais em Santos

Espaços foram assinados pelo escritório AUÁ Arquitetos
FOTOS RENATA MOSANER /DIVULGAÇÃO

Bibliotecas e salas de estudo banhadas com tons de laranja e azul, e símbolos que remetem ao calçadão da cidade de Santos, em São Paulo. Essas foram algumas das propostas desenhadas e inseridas pelo escritório AUÁ Arquitetos para escolas públicas da cidade no litoral paulista.

Essa restauração faz parte do projeto Escolas que Inovam, que conta com cooperação entre a Prefeitura de Santos, a VLI logística, a Agência Tellus e o AUÁ. As obras, concluídas em 2018, contemplaram nove escolas municipais, entre elas a UME Ayrton Senna e a UME Cidade de Santos.

As bibliotecas foram remodeladas com o propósito de oferecer um espaço mais aconchegante e atrativo para os alunos. Já as estudiotecas funcionam como núcleos tecnológicos e tem como objetivo de suprir a demanda por um local para estudos, explica nota da prefeitura em seu site.

“Cada escola tinha a sua sala, elas eram muito diferentes, a gente precisava aplicar o mesmo conceito entre elas”, explica Diogo Cavallari, um dos arquitetos envolvidos no projeto.

Além de reparos estruturais, para a biblioteca, os arquitetos pensaram em tons de azul, cor que poderia colaborar para a concentração. Já a estudioteca, espaço de criação e debates, recebeu um enérgico tom laranja.

As pinturas nas paredes e tetos receberam formas geométricas de diferentes dimensões, como quadrados e retângulos com pontas arredondadas, figuras conhecidas entre os caiçaras. “Elas remetem ao calçadão de Santos”, explica o profissional. “Procuramos referências de espaço externo, da praia, do calçadão e grafites. Traduzimos isso para essa lingaguem, que vem pelo piso e sobe a parede”, conta.

Em ambos os espaços foram propostas arquibancadas-baú, que além de servirem às reuniões, abrigam também livros, materiais e equipamentos, liberando as salas para as atividades propostas.

Os projetos, segundo a prefeitura, foram viabilizados por meio de um convênio de R$ 6 milhões firmado no ano passado entre VLI (Valor da Logística Integrada) e a gestão municipal. Do total, R$ 3,3 milhões foram destinados para projetos ligados à saúde e os R$ 2,7 milhões restantes seguiram para a educação.