Arquitetos e urbanistas têm direito de imagem sobre suas construções, define STJ

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Uma decisão inédita do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) definiu por unanimidade que arquitetos e urbanistas têm direito de imagem sobre suas construções. A deliberação foi aplicada após recurso do arquiteto Luis Afonso Monzillo, que processou a Basf, fabricante das tintas Suvinil, que utilizou a fachada de residência assinada pelo profissional em uma campanha publicitária da marca.

De acordo com a decisão dos ministros, “a utilização (no caso, com finalidade lucrativa) da imagem da obra arquitetônica, representada, por fotografias, em propagandas e latas de tintas fabricadas pela demandada encontra-se, inarredavelmente, dentro do espectro de proteção da Lei de Proteção dos Direitos Autorais”.

Ainda segundo o documento, “ante o silêncio do contrato, o proprietário da casa, adquirente da obra arquitetônica, não incorporou em seu patrimônio jurídico o direito autoral de representá-la por meio de fotografias, com fins comerciais, tampouco o de cedê-lo a outrem, já que, em regra, a forma não lhe pertence e o aludido modo de utilização refoge da finalidade de aquisição”.

A Basf foi condenada a pagar ao arquiteto 100 salários mínimos (correspondentes à R$ 41.500,00 na época do julgamento, em 2008). O STJ obriga também a pagar mais R$ 30 mil, com juros e correção monetária, a partir da exibição de comercial da marca em 2001, por violação de direito autoral patrimonial, e a empresa terá ainda que divulgar a identidade do criador da obra estampada nos produtos que comercializa.
Texto: Tereza Raquel Bastos; Foto: Rogério Voltan

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In Residence: Vincenzo De Cotiis

O designer italiano Vincenzo De Cotiis é muito procurado pela sua abordagem única ao design. Equilibrando uma autenticidade crua com uma abordagem mínima através da reapropriação de materiais recuperados, sua agência baseada em Milão é responsável por colocar histórias de luxo, incluindo Antonia e Excelsior Milano, em lugares improváveis ​​- este último um cinema convertido perto do Duomo.

Sarah Chofakian revela seu refúgio em Trancoso

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Um dos pontos preferidos de Sarah na casa, o pergolado de eucalipto no gramado diante da piscina e da fachadavoltada para o mar foi construído após o término da obra, por trabalhadores locais – o condomínio fica dentro de uma fazenda de extração de borracha natural, cercada pela Mata Atlântica
Desde o início, a designer de sapatos e empresária Sarah Chofakian queria que tudo em sua casa de veraneio em Trancoso fosse o mais local possível: dos materiais utilizados ao estilo arquitetônico. Uma vez por mês, ela pega o avião rumo ao sul da Bahia, especificamente a 60 km do centro de Porto Seguro, e instala-se na Fazenda Rio da Barra, de frente para o gramado central, uma área que reproduz a disposição do célebre Quadrado. Há dois anos, este é o lugar escolhido para reunir amigos e familiares, reabastecer energias e cuidar da saúde – além de organizar festas, claro. “O maior valor dessa casa é a elegância de sua simplicidade”, elogia Sarah.

Ela tinha no telhado de taubilha um pedido especial, desejo posto ao arquiteto Gui Mattos, que lidou com um limitante: ao erguê-lo, a construção não poderia ultrapassar 5 m de altura (norma do condomínio; manter as casas baixas dá chance a moradias posteriores de também terem vista para o centro da vila). Resultado: quando chega ao ponto máximo, o telhado sofre um corte horizontal e as taubilhas mudam de sentido – elas descem tal qual uma veneziana em direção a um pátio interno totalmente aberto para o interior.

“A primeira vez que choveu, não tínhamos certeza se ia dar certo, mas foi perfeito”, diz. Hoje, esta é a característica com que a designer mais se identifica ali. “Esse detalhe é único, eu nunca tinha visto antes.” Quem olha o refúgio por dentro, observa o telhado pairar sobre os caixilhos e os cômodos de alvenaria. A solução da cobertura deu liberdade para buscar uma visão diferente da arquitetura regional, exemplificada pelas “caixas” que delimitam alguns ambientes. “É a releitura do que poderia ser a casa de um pescador ou de um morador local”, afirma Gui Mattos.

A sintonia com a região se mostra, ainda, na natureza. Não é raro ver corujas no jardim, revoadas de periquitos e luares inesquecíveis. “A gente até se confunde se está no campo ou na praia”, conta Sarah. Por situar-se no topo de uma falésia, o mar fica ao alcance dos olhos, mas a areia distante o suficiente para criar variadas atmosferas. O pergolado, feito a pedido da designer após o término do projeto, foi construído por trabalhadores do entorno e é o ambiente preferido para contemplar a paisagem. “Ver o mar e o pôr do sol de lá é algo imperdível. O sol fica rosa e é a coisa mais linda do mundo”, conta.

A decoração da morada foi toda feita por Sarah, que chegou a desenhar móveis e mandar fabricá-los em marcenarias de Trancoso. A prioridade é sempre para a utilidade do objeto: “É tudo muito funcional. Gosto de coisas usáveis, simples.” Os conhecidos que visitavam também ajudaram com presentes variados. Um amigo de longa data, que é já “patrimônio da família”, esteve na casa e sentiu falta de um sofá. Mandou vir o móvel da Califórnia, eleito por meio de fotos. “Ele sugeriu este e foi perfeito.”

O cair da tarde é imbatível, segundo a proprietária, para quem “a Bahia é muito agradável durante os 365 dias do ano”. “E a casa é gostosa até quando chove”, diz a psicanalista de formação, que clinicou por cinco anos antes de fazer carreira na moda e comandar a grife com cinco lojas próprias. Além do interior arejado, a área externa é ideal para repor as energias. Há uma sauna subterrânea que surpreende grande parte dos convidados. “Chamo meu massagista todos os dias no final de tarde”, afirma. “Depois, entro na piscina à noite, quando a água fica quente. Com o luar, é mágico.”
Texto: Betina Marcon; Produção: Tiago Cappi; Fotos: Marcos Antonio

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade

g8Dando continuidade ao trabalho da arquiteta Zaha Hadid, que faleceu em março de 2016, o escritório Zaha Hadid Architects continua lançando obras impressionantes pelo mundo. Entre elas, uma das mais ousadas é a nova sede do porto da Antuérpia.

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade (Foto: Reprodução)

Com a fachada repleta de trinângulos espelhados, o edifício faz referência a fama da cidade, conhecida como “a cidade dos diamantes“, mas engane-se quem pensa que a estrutura espelhada pejudica o interior. Na realidade, entre os espelhos, foram colocados painéis opacos para controlar a entrada de luz natural no prédio.

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade (Foto: Reprodução)

Além disso, o formato da nova sede lembra um grande navio que flutua sobre uma antiga sede de bombeiros da Ilha México. A clássica construção  estava em desuso desde a construção da nova estação de bombeiros, com as instalações necessárias para atender o porto em expansão.

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Com 12 km de cais, o porto de Antuérpia recebe o segundo maior número de embarques da Europa, servindo 15.000 navios comerciais e 60.000 balsas fluviais por ano. Toda essa movimentação é coordenada por 500 funcionários, que por falta de espaço estavam espalhados em pequenos prédios e agora foram reunidos neste grande escritório.

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade (Foto: Reprodução)

O novo volume que “flutua” acima do antigo edifício, respeita as antigas fachadas e, de forma inusitada, insere uma torre vertical ao edíficio – que, na realidade, estava no projeto do prédio original, embora nunca tenha sido construída.

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade (Foto: Reprodução)

A torre criada pelo ZHA, ainda foi projetada para valorizar as quatro fachadas do edifício, sem uma fachada principal, afinal de todas elas é possível ver a razão de existência do porto, o mar e os navios que chegam e partem da cidade.

Porto na Antuérpia lembra navio e parece flutuar sobre a cidade (Foto: Reprodução)

Por Giovanna Maradei; Fotos Reprodução

A casa de Rodrigo Ohtake e Ana Carolina Ralston

cv376-estilo-em-casa-com02Ana Carolina Ralston e Rodrigo posam na escada
Três gerações da família Ohtake fizeram deste edifício o lar perfeito para que Rodrigo e eu começássemos nossa vida juntos. Há 30 anos, o pai dele, Ruy, recebeu a encomenda de desenhar um prédio em homenagem à mãe, Tomie Ohtake.

A arquitetura traz seu reconhecível traço, destacando varandas curvas e concreto aparente. O terceiro ponto pelo qual a obra do arquiteto é conhecida, o mix de cores vibrantes, ele deixou a cargo de Tomie, ao convidá-la para pintar uma empena cega de 700 m², única criação da artista nipo-brasileira em uma fachada de edifício residencial.

Havia cinco anos que a cobertura dúplex de 290 m² estava fechada quando Rodrigo, arquiteto e designer, iniciou uma grande reforma que duraria seis meses. Envolto nessa atmosfera familiar, decidiu imprimir sua própria contribuição no ambiente interno.

No andar inferior, eliminou uma das suítes, transformando-a em um escritório aberto para a sala a fim de aumentar o espaço de convivência, elevou o pé-direito e inseriu novas cores. Já no pavimento superior, o piso recebeu um concreto azul e a piscina, divertidos azulejos amarelos.

Há pouco mais de dois anos, terminamos a reforma e nos instalamos definitivamente no apartamento, que já reúne algumas de nossas memórias mais felizes – incluindo a oficialização de nosso casamento.

Nesse dia, usamos um dos móveis fixos de concreto desenhados por Rodrigo como protagonista: ora os convidados sentavam-se sobre ele, ora usavam-no como mesa. A peça de linhas orgânicas atravessa da parte interna para a externa – do lado de fora, inclusive, é onde tomamos nossos cafés da manhã aos fins de semana, quando aproveitamos o espaço que fica ao ar livre, já que o móvel se estende até próximo à piscina.

A multifuncionalidade do mobiliário talvez seja um dos pontos mais marcantes da casa. Quem chega se depara com a Fita, peça escultural de 7 m que mistura sofá e mesa ligados por uma torção na madeira.

Entre itens modernos, espalham-se outros de valor afetivo, como uma antiga cristaleira amarela comprada no bairro da Mooca, que levo comigo há mais de uma década.

Os livros são outra parte essencial da nossa vida. Jornalista que sou, tenho a literatura como vício e consulto publicações com frequência para produzir minhas matérias.

No piso de cima, criamos uma área especialmente para literatura. Um livro preferido? Certamente escolheríamos o mesmo: O Fuzil de Caça, do autor japonês Yasushi Inoue.

E o local para lê-lo, nossa mais nova aquisição: uma rede, pendurada no andar superior em uma quina de vidro, que nos deixa ver a cidade desembocar no Parque Ibirapuera.

Há dois anos nos instalamos no apartamento, que já reúne algumas de
nossas memórias mais felizes – incluindo a oficialização de nosso casamento
Por Ana Carolina Ralston; Fotos Ilana Bessler

Decoradores criam apartamento dramático e eclético em Paris

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Ambos vestidos com costumes da Fendi, os decoradores Michael Coorengel (à esq.) e Jean-Pierre Calvagrac posam à frente de uma cadeira de Charles Rennie Mackintosh e de um quadro de Lucio Fontana (na parede)

Numa segunda-feira de outono, Michael Coorengel abre as portas do apartamento no 10° arrondissement de Paris, que divide com sua cara-metade na vida e no trabalho, o também designer e decorador Jean-Pierre Calvagrac, ausente no dia. Antes mesmo de entrar na casa já era possível sentir seu interior. Um perfume com notas de jasmim e o som da nostálgica You stepped out of a dream, na versão orquestral do filme Ziegfeld Girl, 1941, embalam a atmosfera.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)A chamada sala prateada, onde Coorengel e Calvagrac costumam iniciar suas soirées, mistura elementos de diversas épocas, como a poltrona Wassily de Marcel Breuer, a mesa de centro de Gio Ponti, uma cômoda com detalhes prateados do séc. 18 e, sobre ela, uma luminária de mesa de Vico Magistretti

Ao atravessar os ambientes da residência de 250 m² vê-se, em cada canto, o estilo digno de dândis do século 21, que vem fazendo o renome da dupla desde 1996, quando inauguraram um escritório juntos: um ecletismo de épocas tão harmonioso quanto ousado, capaz de mesclar espirituosamente a antiguidade, o período de Luís XVI e a Bauhaus como se a mistura fosse evidente.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)Quando não se transforma em sala de jantar nessas noitadas, a sala-estúdio tem como vedete um sofá do séc. 18 feito originalmente para o Petit Trianon, em Versalhes, e uma poltrona de madeira desenhada pela dupla, em 1998

“Aceita um spritz? Ou um Bellini? Champanhe?”, enumera Coorengel, sem ligar para os ponteiros do relógio, ainda distantes de marcar cinco da tarde. Normal, afinal, para a dupla, a arte de receber bem é a própria razão de ser do lugar onde vivem – que hoje também funciona como escritório.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)Coorengel deita sobre um sofá em estilo Luís XVI postado na sala recoberta de painéis de laca preta, uma moda nos interiores do séc. 18

Quando estavam à caça de um imóvel, uma década atrás, os principais critérios de compra eram tamanho e originalidade para poderem comandar comme il faut seus jantares semanais – às vezes, Coorengel chega a cozinhar cassoulets, boeufs bourguignons e outros clássicos da gastronomia francesa para mais de 50 convidados! Não surpreende, então, que o martelo tenha sido batido assim que ouviram a história deste imóvel, que ocupa o segundo andar de um antigo hôtel particulier datado de 1830: os cômodos daquele piso funcionavam como os salões de recepção do Barão Luís, antigo ministro das Finanças e proprietário original da construção.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)O home office do casal – como viajam muito, Michael Coorengel e Jean-Pierre Calvagrac resolveram, há alguns anos, trabalhar direto do escritório domiciliar, todo recoberto de azul-chinês e adornado por uma série de quadros renascentistas nas paredes

É por este motivo que ornamentos de época transbordam em cada um dos aposentos. Foram pintados de branco pela última inquilina, mas o duo decidiu trazer o brilho original redourando tudo. Ou quase tudo: em uma das salas de estar, os adornos ganharam revestimento prateado para combinar melhor com o canto mais zen e ousado, um palpite de Calvagrac que Coorengel não acreditou inicialmente.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)Detalhe revela a coleção de joias de Coorengel, uma de suas paixões

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)Calvagrac na poltrona assinada pelo casal na sala-estúdio, na companhia de uma estátua dourada de autoria do escultor Raymond Delamarre, de 1920

“Eu nasci e cresci na Holanda, numa casa moderna cheia de mobiliário dinamarquês, enquanto Jean-Pierre viveu toda sua juventude num castelo francês. Eu me sinto naturalmente atraído por tudo que é antigo, e ele por tudo que é moderno!”, ri o franco-holandês, admitindo que a ideia do marido foi certeira.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)O banheiro de hóspedes exibe, além de um tapete de tigre e uma banheira de granito, um quadro que retrata o compositor italiano Rossini, pintado por Gounod no séc. 19

Sem nenhum corredor na residência, cada sala sucede à outra – até o quarto dos dois é originalmente uma sala! – num jogo de ambientes claros e escuros para equilibrar o conjunto. “Tudo se inicia no hall, esse não espaço. Logo você é atraído pela luz dos dois primeiros cômodos”, conta, revelando que são neles que começam as soirées do casal. Elas geralmente terminam – às vezes depois das oito da manhã! – na sala toda revestida de painéis de laca preta, uma tendência achada em interiores do século 18 que eles ressaltaram ainda mais com obras de arte no mesmo tom, como um quadro de Henri Matisse. “O preto é uma cor relaxante. Acho que a decoração de um lugar deve provocar a sensação de uma roupa na qual nos sentimos confortáveis”, teoriza Coorengel, antes de perguntar se pode servir algo a mais.

cv375 editorial jean pierre e michael (Foto: Marc Van Praag)O grande destaque do quarto de hóspedes, ali ao lado, fica por conta de uma imagem do arcebispo de Paris em 1830, que era amigo do Barão Luís, primeiro proprietário do imóvel


Por Isabel Junqueira; Fotos Marc Van Praag

Casa modernista valoriza a vista e se destaca em condomínio de luxo

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A casa, com estrutura metálica e réguas de concreto aparente, tem à frente espaço gourmet e varanda com piso cerâmico da Solarium, onde estão o sofá de Paola Lenti, na Casual Exteriores, e a mesa de centro da Franccino; no jardim, dois cachorros Puppy, da Magis

Esta não é a casa mais monumental do condomínio, apesar dos seus extensos 700 m² instalados em um terreno cinco vezes maior do que a área construída. Também não é a mais luxuosa. Os materiais escolhidos pela arquiteta Fernanda Marques para fazê-la surgir surpreendente e majestosa, em seus dois andares, são quase triviais, para além da estrutura metálica: concreto aparente, alvenaria, placas cimentícias, aço corten, vidro e a madeira cumaru que reveste os principais tetos.

Mas as linhas retas, os grandes vãos e as dimensões confortáveis de todos os ambientes entregam a linguagem enxuta e sofisticada que o nosso modernismo consagrou – e que hoje aparece nas releituras do estilo pelos melhores profissionais brasileiros em suas residências de alto padrão, inclusive na antiga Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, SP, transformada em um dos condomínios-vitrine dos mais belos exemplares de casas de campo. Fernanda, assim, desponta com ousadia nesse time estelar, mulher marcante na profissão e com toque absolutamente atual e globalizado.

cv375 editorial fernanda marques (Foto: Fernando Guerra/Divulgação)O arejado estar, com teto de réguas de cumaru e escada metálica coma parte interna também de madeira, traz poltronas Clara, de Jader Almeida para a Sollos, mesa Pétalas (à dir.) e banco Dominó, ambos de Jorge Zalszupin, da Etel, abajur de Sergio Rodrigues, mesa ripada da Etel, caixa com colar da Olho Interni e tapete da Clatt – ao fundo, à esq., obra de Marcello Nitsche na parede e poltrona FDC1, design Flávio de Carvalho, da Futon Company)

“A vista é o mais importante”, simplifica ela, ao explicar os dois blocos que integram o refúgio de fim de semana com um megavisual à volta, de um casal que hospeda filhos crescidos e casados, e amigos. A composição geométrica dos elementos distingue a construção, disposta no meio de um gramado, em duas seções – a que abriga a generosa sala e a cozinha, no térreo, o apartamento dos proprietários, acima, e os quartos dos caseiros, abaixo, “e o pavilhão anexo, unido ao principal por um terraço gourmet coberto, com pé-direito duplo e churrasqueira e bancada de almoço”. Nesta última ficam, com total privacidade, as quatro suítes de hóspedes, todas iguais e dotadas de banheiros que ganham iluminação zenital, com rasgos no teto dos boxes, de onde se pode ver o céu, o sol, a lua.

cv375 editorial fernanda marques (Foto: Fernando Guerra/Divulgação)Outro ângulo da escada

“São muitas as opções de se utilizar e de onde ficar na casa”, diz. Entre elas, a área social fechada, o terraço que serve como ponto de encontro e refeições, o outro terraço coberto da frente e a piscina que aproveita o declive do terreno e tem, embaixo, a casa de máquinas e a sauna com sua bela sala de repouso espelhada, motivo de orgulho neste décor da arquiteta. Para o todo, ela escolheu móveis de design, sempre de fabricação recente, ainda que incluam peças do português Joaquim Tenreiro (1906-1992), entre outros.

cv375 editorial fernanda marques (Foto: Fernando Guerra/Divulgação)Poucos e bons elementos formam a sala de jantar: mesa da Breton com cadeiras da Dpot, pendentes da Duolux e tapeçaria de Jean Gillon, na Passado Composto Século XX

Destaque nesta ambientação neutra, com paredes brancas e uso de tons suaves e terrosos nos tecidos dos estofados, é o sofá amarelo, que dá um up no grande estar: “Tudo novo!”. Os tapetes reforçam o aconchego, e as cortinas são de gaze, para se entrever o exterior, mas também para que os espaços não fiquem devassados à noite, quando as luzes dos abajures se acendem, apesar da distância entre as diversas outras propriedades das redondezas. “Meus projetos sempre buscam a participação da área externa, como a entrar no ambiente”, afirma Fernanda, que ressalta o paisagismo contemplado com ipês-rosa e jabuticabeiras. Da porta para fora, o esporte preferido dos donos é passear pelas ruas da Boa Vista, sempre de bicicleta.

cv375 editorial fernanda marques (Foto: Fernando Guerra/Divulgação)A suíte do casal, quase totalmente fechada por panos de vidro, ocupa todo o andar superior do volume principal da construção: cortinas da neo design com tecido do empório Beraldin, almofadas da Luhome, luminárias da Foscarini (à esq.) e Tom Dixon e tapete da Clatt

Ah, e a escada! Em se tratando de Fernanda Marques, há que se notar desde a entrada que ela surge, invariavelmente, como uma verdadeira escultura, neste caso confeccionada com metal e madeira, em meio à arquitetura de interiores caprichada que resulta de um projeto de peso e luxo simples.

cv375 editorial fernanda marques (Foto: Fernando Guerra/Divulgação)O lounge externo que liga os dois blocos da casa traz espreguiçadeiras vindas de Miami e poltronas da Franccino – a piscina é revestida de ardósia esverdeada


Por Sergio Zobaran; Fotos Fernando Guerra/ Divulgação