Yayoi Kusama ganha museu próprio no Japão

A artista revelou no começo do mês que o espaço já está construído e deve ser inaugurado no dia 1 de outubro

noriko-takasugi.jpgAnunciada para outubro, a chegada da mostra Yayoi Kusama: Infinity Mirrors no museu The Broad, em Los Angeles, não é a única novidade que a artista japonesa reservou para o mês.

Os fãs de seu trabalho – conhecido mundialmente por conta de seus poás, espelhos e abóboras – vão ficar felizes ao saber que Yayoi planeja desde 2014 um museu exclusivo com seus trabalhos.

la-1500075766-71nlaaxccv-snap-image (1).jpgAmbiente da mostra itinerante Yayoi Kusama: Infinity Mirrors. (Reprodução/LA Times)


Na região de Shinjuku, em Tóquio, o Yayoi Kusama Museum tem inauguração prevista para o dia 1 de outubro e permaneceu um segredo por aproximadamente três anos, segundo a publicação da W Magazine. O prédio, de cinco andares, deve receber duas mostras por ano.

A primeira, Creation is a Solitary Pursuit, Love is What Brings You Closer to Art, expõe pinturas recentes da artista até fevereiro. Os ingressos vão à venda no dia 28 de agosto. [Mariana Bruno]

Artista Mark Grotjahn dita regras e preço de obras vai às alturas

IW_08_GROTJAHN1Quadros de Mark Grotjahn na mostra “Forever Now”, no Museum of Modern Art em 2014. (Hiroko Masuike/The New York Times)

O pintor abstrato Mark Grotjahn declinou os pedidos para discutir seu sucesso – ou seja, o valor de US$ 16,8 milhões definido no leilão realizado há poucos meses na Christie’s.

Mas se Grotjahn, 49, não quiser falar sobre a alta do seu mercado ou do seu modelo de negócios, a arte com certeza fala. Ele conseguiu assumir o controle da sua carreira e influencia o valor monetário de suas obras de uma maneira rara para um artista da sua geração.

“Provavelmente, hoje ele é o artista mais solicitado do que qualquer outro”, disse o colecionador Alberto Mugrabi. “É tão bom que controla tudo. Controla quando as galerias fazem as exposições, controla a quem elas vendem um quadro — ele está no topo”.

Enquanto antes os artistas mantinham em grande parte um relacionamento monogâmico com os seus marchands e se alegravam por não precisar se preocupar com os detalhes dos negócios, agora muitos preferem o caminho seguido por Grotjahn, procurando maximizar sua exposição internacional por meio de múltiplas galerias, e administrando ativamente seus próprios mercados.

Grotjahn é representado por quatro marchands sem a promessa de exclusividade. Ele mantém um relacionamento direto com os seus colecionadores e ocasionalmente vende para eles diretamente do seu estúdio, passando por cima dos marchands. Este rigoroso controle significa que ele pode influir no preço de venda de sua obra nos leilões, o que pode levar a lances maiores.

“É o artista mais importante da sua geração”, disse o magnata da mídia David Geffen, dono de seis quadros de Grotjahn.

“Comprei obras do seu estúdio; e já comprei obras em particular”, acrescentou, referindo-se aos marchands. “Comprei uma escultura dele para o Museum of Modern Art. Ele procura vendê-las a colecionadores e não a investidores”.

Quando os colecionadores compram sua obra, Grotjahn espera que a conservem ou a doem a um museu; ele procura não vendê-la a compradores que costumam vender obras visando o lucro.

Sem título.png00.jpgMark Grotjahn em seu estúdio no centro de Los Angeles, em 2014. (Monica Almeida para The New York Times)


Ele realizou sua primeira exposição individual como a Blum & Poe, na época uma jovem galeria de Santa Mônica, na Califórnia, em 1998 e 2000. Vendeu apenas um quadro na segunda exposição, por US$1.750, e definiu esta experiência “uma verdadeira surra”.

Hoje, entre os museus que têm obras de Grotjahn estão o Museum of Modern Art, o Solomon R. Guggenheim Museum, Whitney Museum of American Art, Museum of Contemporary Art de Los Angeles e Los Angeles County Museum of Art.

“Há sempre uma conversa consciente sobre a importância de se exporem quadros em museus e em grandes coleções”, disse Timothy Bloom, fundador da Blum & Poe. “Ela se torna uma metodologia bastante precisa”.

Talvez Grotjahn não perdoe Marie-Josée Kravis, presidente do MoMA, por vender uma obra que, de acordo com o que ele tinha entendido, iria para lá. A obra era uma das três pinturas do “Circo”, incluídas na pesquisa sobre pintura contemporânea do museu, intitulada “Forever Now”, de 2014; as outras duas foram doadas por seus proprietários Donald B. Marron, e o investidor bilionário Steven A. Cohen – também administradores do MoMA.

“Tanto a galeria quanto o artista ficaram muito decepcionados com a situação”, disse Blum.

Kravis disse em um e-mail: “Só posso declarar energicamente que nunca vendi um quadro prometido ao MoMA de qualquer artista”.

Enquanto a maioria dos artistas prefere distanciar-se ao máximo dos leilões, Grotjahn influi na maneira como suas obras são expostas e descritas nos catálogos dos leilões e tenta influir também quanto quem as compra.

“Enfim, é ele que toma as decisões”, desse Loic Gagosian, copresidente do Christie’s de arte contemporânea e do pós-guerra nas Américas. “É ele que manda nas relações com as suas galerias”.

Essas galerias — como Larry Gagosian, Anton Kern e Shane Campbell — podem se aborrecer, mas aceitaram sua independência.

88r.jpg“Sem título (S III divulgado para a France Face 43.14)”, vendido por US$ 16,8 milhões. (Mark Grotjahn, via Christie’S Images Ltd.)


“Artistas como Mark conduzem o seu show, como deveriam”, disse Blum. “São eles que assumiram todo o risco e ficaram olhando para o vazio”.

Ao mesmo tempo, no mundo da arte, alguns temem que os preços de Grotjahn tenham ultrapassado sua obra.

“Eu seria um louco se considerasse o sucesso pelo montante de dinheiro”, disse Christoph Gerozissis, diretor sênior da Anton Kern. “Por outro lado, também seria um louco se o ignorasse”.

Nascido em Pasadena, Califórnia, Grotjahn recebeu o título de Master of Fine Arts pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e administrou uma galeria de arte em Hollywood. Ele é o perfeito conhecedor do mundo das artes de Los Angeles, particularmente desde que passou a fazer parte do conselho de diretores do Museum of Contemporary Art, há três anos.

Ex-apreciador de bebidas alcoólicas que costumava jogar pôquer para ganhar dinheiro, assentou na vida com a esposa, a pintora Jennifer Guidi, e depois do nascimento de suas duas filhas (embora ele ainda poste muitas vezes imagens excêntricas — e um tanto quanto picantes no Instagram para cerca de 25 mil seguidores).

Os especialistas afirmam que a arte de Grotjahn deverá perdurar por causa do seu talento, que é real e significativo.

E, embora vender obras diretamente do próprio estúdio seja tradicionalmente um tabu, alguns afirmam que isso indica que ele é mais poderoso.

“Quem disse que ele não pode?”, perguntou Ann Philbin, diretora do Hammer Museum de Los Angeles. “Essa regra não está escrita; além disso, ele costuma infringir as regras”. [Robin Pogrebin]

Vilarejo no Texas, Marfa é museu de arte contemporânea no meio do nada

700029-970x600-1Esculturas de concreto de Donald Judd.


Nada te prepara pra Marfa. Você pode já ter visto a foto da Beyoncé pulando em frente à Prada de Marfa ou saber que lá é um ponto de arte contemporânea, mas, mesmo assim, nada te prepara para a paisagem, para a experiência infinita de horas no carro sem nenhum sinal de vida à sua volta, para a cidade que não parece ser especial e ao mesmo tempo é.

No oeste texano, no meio do deserto, perto da fronteira com o México, Marfa é hoje a meca do minimalismo, o segredo de quem ama arte contemporânea e o destino de quem quer ver obras gigantes de concreto e metal que intrigam até o mais leigo em arte.

A visita vale para entender porque essa cidade com cerca de dois mil habitantes virou o conceito de moderno de cabeça para baixo.

“Tempo e esforço são necessários para chegar a Marfa, algo que gostamos. Quando se trata de sentir a arte não há substituto para a experiência real em pessoa. Queremos que os visitantes dos nossos espaços observem a arte, os espaços, os materiais e se envolvam”, diz Rainer Judd, filha de Donald Judd (1928-1994), o artista que começou tudo.

O caminho da cidadela rumo os guias de arte começou em 1971, quando Donald Judd, ícone do minimalismo, se mudou para Marfa num momento de crise com Nova York. O município texano estava em plena decadência e o preço do terreno era acessível. Ele comprou um campo de treinamento militar abandonado e faz dali sua casa. Daí em diante, além de idealizar suas esculturas industriais, em média maiores que um carro, adquiriu pontos históricos com o intuito de preservá-los. Judd então começou a trazer para dentro desses locais obras de seus amigos artistas: Carl Andre, Dan Flavin (1933-1996), Robert Irwin.

Ao caminhar em Marfa é fácil esbarrar com o sobrenome Judd. Ele ocupa a frente de vários prédios e delimita o fato de que o artista queria mesmo deixar sua marca na cidadezinha. Duas fundações sem fins lucrativos possuem grande parte da obra de Judd. A The Chinati Foundation foi fundada por ele, ainda em vida, e usada para trazer obras de outros nomes importantes para lá. Já a Judd Foundation surgiu depois e é tocada pelos dois filhos do artista, Rainer e Flavin Judd. Sozinha, a Judd Foundation tem 22 edifícios em Marfa e quase cinco mil m2 de espaço de instalação permanente. Todos os espaços estão como Judd deixou antes de morrer, em 1994.

As duas fundações fazem vários tours diários com acesso a obras exclusivas no que já foi a casa do artista, seu estúdio, sua biblioteca e até prédios que ele ainda não tinha ideia de como ocupar. Alguns dos imóveis foram restaurados após a sua morte, mas todos trazem sua marca: móveis que desenhou, peças de artistas que admirava, livros que leu etc.

Novidades
No segundo capítulo que coloca Marfa no mapa da arte contemporânea, Virginia Lebermann e Fairfax Dorn, em 2003, compraram o antigo salão de danças do povoado para abrir um centro de arte contemporânea e mantiveram seu nome original.

“A paisagem me atraiu, mas Marfa tem algo que faz você parar. Sabe quando começa a tocar uma música e você para para ouvir? Marfa é a cidade que faz você parar”, diz Dorn.

Hoje, a Ballroom Marfa endossa artistas que trazem temas relevantes no seu trabalho. A Prada Marfa, instalação artística mais icônica da cidade, da dupla de artistas Michael Elmgreen e Ingar Dragset, foi inaugurada em 2005 e financiada pela Ballroom. A loja Prada no meio do deserto tem itens da coleção outono 2005 da grife italiana e hoje é ponto de referência e alvo de protestos -de pichação a roubo de sapatos.

Marfa também já tem festival de cinema e de música próprios. Artistas brigam por residências e escritores buscam inspiração na cidade onde o aluguel é acessível e restaurantes de chefs importados não param de abrir. A Judd Foundation estima que 8.000 pessoas passem ali por ano. Não é um grande número, mas, julgando que as obras no meio do nada ficam a três horas da cidade pequena mais próxima, El Paso, parece algo. [Olívia Simões]

Mecenas brasileira: entrevista com Sandra Hegedüs

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A colecionadora em seu apartamento, em Paris (Foto: Renata Charveriat )


Antes de Sandra Hegedüs, nenhuma brasileira havia conquistado este feito notável: a paulistana de 52 anos integra, hoje, conselhos dos principais museus e espaços de artes de Paris. Ela faz parte do círculo internacional do Centro Georges Pompidou, onde compra itens de artistas latino-americanos, e do Centro Nacional de Artes Plásticas, órgão do Ministério da Cultura francês que dá subsídios a galerias e artistas. Recentemente, também foi convidada para ser curadora de um espaço na feira de arte de Mônaco, para onde levou peças do brasileiro Julio Villani

Seu trabalho mais importante, no entanto, é realizado no Palais de Tokyo, centro de arte contemporânea referência no mundo. Lá, além de ser membro do conselho, Sandra realiza as exibições de seu projeto, o SAM Art Projects. “As pessoas vinham à minha casa e gostavam de obras da minha coleção feitas por Dora Longo Bahia ou Nazareth Pacheco, artistas que já participaram de bienais, são famosas no Brasil, mas, na Europa, ninguém conhecia”, conta ela. “Criei o SAM em 2008 para ajudar quem está fora do eixo Estados Unidos-Europa”, explica. Assim, a empresária lançou uma residência para jovens artistas, que resulta numa exposição anual, e financiou, entre outros, os brasileiros Henrique Oliveira e Rodrigo Braga. A atual mostra do SAM no Palais é dedicada a Gareth Nyandoro, da Tanzânia. O programa também dá um prêmio em dinheiro para artistas franceses (residentes ou não no país).

Colecionadora desde os anos 80, década em que estudou cinema na Faap e teve como colegas a mesma Dora Longo Bahia – cujo quadro (preços estimados hoje entre R$ 60 mil e R$ 80 mil) está numa das paredes de sua sala –, Sandra faz tudo com investimento próprio. Para arrecadar fundos, abre as portas de seu apartamento em Paris para animados jantares e festas, num ambiente inspirador: há arte contemporânea espalhada por todos os cantos. “Não faço ideia de quantas obras tenho. Neste ano, comprei entre 15 e 20”, diz. “É uma paixão que me devora. Um vício.”

“Não faço ideia de quantas obras tenho. Para mim, colecionar é um vício. Uma paixão que me devora”

A paixão de Sandra nasceu quando ela ainda era criança. Filha de judeus que migraram para São Paulo durante a Segunda Guerra (o pai é húngaro, a mãe, francesa), cresceu cercada por livros de arte da avó e se lembra com carinho das visitas ao Masp, museu onde também atua como conselheira. “O Masp me formou: agora devolvo o que ele me proporcionou”, diz.

Desde que mudou para Paris, nos anos 90, Sandra atuou como produtora audiovisual até se casar e ter três filhos, hoje adolescentes. “Parei de trabalhar um tempo e, quando voltei, precisava me reinventar. Foi quando criei o SAM”, conta. Sua rotina inclui visitas a bienais, feiras e exposições ao redor do mundo em busca de novidades. Quando não está viajando, dedica-se também ao garimpo de roupas vintage. “Tenho um verdadeiro fetiche por Saint Laurent, que é, ao mesmo tempo, sexy e rocker”, diz ela. “Posso ser mãe, trabalhar muito, mas quero estar sempre sexy. Quero chegar assim aos 80!” [Adriana Ferreira Silva]

Imperdíveis lá e cá
Coloque na agenda exposições de grandes nomes no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.

Damien Hirst  (Foto: Divulgação)Damien Hirst (Foto: Divulgação)


damien hirst
O britânico quase roubou a atenção da Bienal de Veneza com a mostra Tesouros da Destruição do Inacreditável, no Palazzo Grassi (até 3/12). O ambicioso projeto narra a história de um navio naufragado e da descoberta de seus tesouros por meio de instalações e esculturas. www.palazzograssi.it

Toulouse-Lautrec (Foto: Divulgação)Toulouse-Lautrec (Foto: Divulgação)


toulouse-lautrec
Famoso por retratar a alma boêmia parisiense, o pintor tem 75 obras, entre pinturas, cartazes e gravuras, reunidas até 1º de outubro no Masp, em São Paulo. Batizada de Toulouse-Lautrec em Vermelho, a exibição concentra-se na temática sexual de suas obras. masp.org.br

Hélio Oiticica  (Foto: Divulgação)Hélio Oiticica (Foto: Divulgação)


hélio oiticica
A retrospectiva do artista brasileiro no Whitney Museum, em Nova York, reúne desde desenhos e pinturas geométricas, feitas nos anos 50, passando por trabalhos tridimensionais e os famosos parangolés da década de 70. whitney.org

Feiras de arte agitam mês de agosto em São Paulo

Sem título.png55Galeria Aura, recém-inaugurada na Vila Madalena Por: Keiny Andrade/Folhapress


Quem não quiser correr toda a cidade atrás das novidades no circuito das galerias terá no mês que vem boas oportunidades de ver seleções concentradas dessas e de outras casas de São Paulo e do mundo, já que agosto concentra três feiras dedicadas à arte contemporânea, ao design e à fotografia.

Entre os dias 9 e 13 de agosto, no pavilhão da Bienal, a feira de design Made chega a sua quinta edição reunindo 11 galerias, 65 designers independentes e mais de 20 exposições com peças do Brasil e de outros seis países —Bélgica, Coreia do Sul, Holanda, Japão, Portugal e Suíça. Na lista de galerias estará a Nicoli, espaço dos Jardins considerado a única casa que representa designers contemporâneos do país nos mesmos moldes que as galerias de arte.

Maior novidade deste ano, a Semana de Arte, feira com eventos paralelos de música, cinema e teatro, faz sua estreia no hotel Unique entre os dias 14 e 20 de agosto. Lá estarão estandes de 39 casas do mundo todo, entre elas a Luhring Augustine e a Alexander and Bonin, de Nova York, e a Sprovieri, de Londres, além das maiores casas paulistanas, como Luisa Strina, Millan, Nara Roesler e Vermelho.

Haverá ainda casas menores, como a Sé e a Superfície, que aos poucos se juntam ao time das mais influentes e estabelecidas.

No fim do mês, entre os dias 24 e 27 de agosto, a SP-Arte/Foto, braço da maior feira do país dedicado só à fotografia, vai ocupar o último andar do shopping JK Iguatemi em sua 11ª edição, que reúne outras 30 galerias de todo o país. Na seleção, há algumas casas que se dedicam só à fotografia, como as paulistanas Babel, DOC e Fotospot e a carioca Gávea.

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Houssein Jarouche I Primeira galeria dedicada à pop art chega a São Paulo

Houssein-Jarouche-_0054-Custom-Custom.jpgHoussein Jarouche abre galeria com a exposição “Terre Haut/ Highland: Pop Art” em São Paulo


O empresário Houssein Jarouche, dono da Micasa, é o nome responsável por criar a primeira galeria especializada em pop art do Brasil. Localizada no bairro dos Jardins, em São Paulo, a Galeria Houssein Jarouche servirá como plataforma de exibição e pesquisa das vanguardas da década de 60.

Com foco na pop art, o espaço tem como ponto de partida o acervo pessoal de Jarouche, um grande colecionador de arte, que será exposto na mostra Terre Haut/Highland: Pop Art. Além do movimento inglês, o Concretismo brasileiro e os desdobramentos contemporâneos do movimento pop também serão abordados na exposição.

Entre as obras expostas, nomes como Andy Warhol, Frank Stella, Robert Indiana, Roy Lichenstein, Ed Ruscha, Claudio Tozzi e Mauricio Nogueira Lima estão acessíveis ao público.

Serviço
Galeria Houssein Jarouche
Rua Estados Unidos, 2205, Jardins, São Paulo
Tel. 11 3061 1424 / 3061 0690
Seg a sex: 10h-19h
Sab: 10h-17h

Entre o design e a arte

1499460524835.jpgO empresário e galerista Houssein Jarouche Foto: LU PREZIA


Cultivada ao longo de 20 anos, a coleção particular do empresário Houssein Jarouche, dono da Micasa, foi o embrião da galeria dedicada à Pop Art que ele acaba de inaugurar nos Jardins. “A Micasa acabou virando referência para clientes à procura de arte, uma vez que eles percebiam por lá uma curadoria, um rigor estético”, comenta o empresário a respeito de sua loja de design contemporâneo. “Ao longo dos anos fui expandindo meus conhecimentos, além de que na Micasa sempre trabalhei com designers que atuam na fronteira com a arte”, lembra ele, que além da abertura de sua nova casa, acaba de concluir a restauração de um edifício de 1905, na região da Sé, outro dos assuntos abordados nesta entrevista exclusiva que Jarouche concedeu ao Casa.

O que o levou a se interessar por curadoria? 
Por ser um colecionador de Pop Art, alguns amigos conheceram minhas obras e começaram a me pedir ajuda. A notícia se espalhou, outras pessoas ficaram sabendo e também vieram me procurar. Em determinado momento, comecei a comercializar na Micasa parte de meu acervo pessoal. Clientes começaram a gostar do que viam e a me consultar. Paralelamente, comecei a comprar obras quando saía do Brasil, na base da confiança. Até que a ideia da galeria tomou forma. Diria que faço na arte o mesmo que sempre fiz no design: unir vocação estética e conhecimento do mercado.

O que mais o atraiu no prédio Sé? 
Minha relação com o centro tem início com o Plataforma 91, prédio que adquiri, reformei e acabou virando meu estúdio. No Sé achei a arquitetura incrível, como aliás de todos prédios a seu redor. Ideal para funcionar como locação para eventos comerciais e institucionais, no centro da cidade. Meus projetos são sempre assim. Antes de mais nada, movidos pela emoção, a parte comercial acaba acontecendo naturalmente.

A restauração preservou o visual desgastado do prédio. O próprio retrofit caminha nesta direção. Trata-se de uma opção estética?
Sim, mas a preocupação primordial foi manter a arquitetura do lugar. Para mim, restaurar consiste justamente nisso: preservar ao máximo as marcas do tempo, com o mínimo possível de intervenções. Acrescentamos materiais industriais, desenvolvemos luminárias, grades. Fizemos um detonado bem acabado. Mas sem perder de vista o desenho original do imóvel.

giz-predio-se-06O prédio na região da Sé, em São Paulo, recentemente reformado pelo empresário Foto: LU PREZIA

Roubadas por nazistas, obras raras ganham exposição

IW_08_LOOT2Um rascunho de Aristide Maillol foi mostrado aos repórteres em junho (Albrecht Fuchs para The New York Times)


BONN, Alemanha — Uma representação da sujeira industrial da Londres do início do século 20 pintada em etéreos azuis e verdes acinzentados por Claude Monet. Uma mulher agachada esculpida no mármore por Rodin. E dois rascunhos de nus de Aristide Maillol. Essas são algumas das centenas de obras encontradas nos lares de Cornelius Gurlitt, e suspeita-se que muitas delas foram roubadas pelos nazistas.

Passados quase quatro anos após o descobrimento do acervo que impressionou o mundo da arte e provocou indignação diante do fato de as autoridades alemãs terem ocultado sua existência durante meses, o público finalmente poderá ver cerca de 250 obras escolhidas entre mais de 1.200 como parte de uma exposição que terá início no dia 3 de novembro, no Bundeskunsthalle de Bonn. A exposição “Dossier Gurlitt: Nazi Art Theft and Its Consequences” [Dossiê Gurlitt: o roubo de arte cometido pelos nazistas e suas consequências] concentra-se em obras que teriam sido roubadas pelos nazistas, ou vendidas a eles a preços abaixo do mercado, saídas principalmente de coleções particulares de judeus.

A maioria das obras expostas aqui ainda envolve questões pendentes relacionadas ao seu histórico de propriedade, disseram os organizadores no final de junho, na primeira exibição pública de algumas das obras no Bundeskunsthalle. Entre elas estavam o Monet, o Rodin e os Maillol. Curadores e outros disseram esperar que, ao trazer as obras para o público (algo antes impossibilitado por uma disputa ligada ao testamento de Gurlitt), alguns dos mistérios restantes possam ser resolvidos.

bg_59321498786436Uma escultura de Rodin está entre obras que teriam sido roubadas pelos nazistas (Albrecht Fuchs para The New York Times)


“A atenção renovada pode levar a novas reivindicações de propriedade”, disse Rein Wolfs, diretor do Bundeskunsthalle. “Dito isso, não esperamos que algum visitante da exposição tenha uma revelação súbita pensando que uma obra pertencia originalmente à parede de um parente”.

Até o momento, apenas quatro obras restituídas foram expostas ao público. As obras restantes, do apartamento de Gurlitt em Munique e sua casa de verão em Salzburgo, Áustria, são conhecidas somente por fotografias ou pelos bancos de dados de obras de arte perdidas.

Uma exposição paralela, “Dossier Gurlitt: ‘Degenerate Art,’ Confiscated and Sold” [Dossiê Gurlitt: ‘arte degenerada’, confiscada e vendida] será inaugurada em novembro no Kunsthalle de Berna, Suíça, com foco nas obras confiscadas dos museus alemães.

Até o final de junho, já tinham sido concluídas as pesquisas envolvendo 63 das 1.039 obras do acervo de Gurlitt cuja procedência é questionável. Quatro dessas obras, incluindo um Max Liebermann, um Matisse e um Pissarro, foram devolvidas aos descendentes de seus proprietários antes da guerra, bem como um desenho de Adolph von Menzel.

Como o acervo de Gurlitt é particular, os Princípios de Washington, definidos em 1998 entre os países para orientar a devolução de obras de arte roubadas pelos nazistas, não seriam válidos.

Pouco antes de morrer em 2014, ele chegou a um acordo permitindo que uma força-tarefa de especialistas analisasse cuidadosamente as centenas de obras na tentativa de determinar quais teriam sido incorporadas ilegalmente.

Em meio à intensa pressão internacional, ele também obrigou seus herdeiros a devolver as obras desse tipo aos devidos donos. Quando o Kunsthalle Bern aceitou herdar o acervo legado à instituição no testamento de Gurlitt, o museu prometeu respeitar seus desejos. [Melissa Eddy]

Obras de Frida Kahlo voltam ao México em seu 110º aniversário

KahloO estilo preferido de Frida em roupas era o típico mexicano, com túnica, xale e saia longa estampada, que a ajudava a esconder a perna mais curta, consequência da pólio contraída na infância, e as marcas de cirurgias Foto: Harry Ransom Humanities Research Center Art Collection


A obra Frida Kahlo voltará para casa no dia de seu 110º aniversário, quando após um longa volta ao mundo a mostra da célebre pintora mexicana será exibida novamente no México.

Na quinta-feira, dia 6, será inaugurada a mostra Me pinto a mí misma (Pinto a mim mesma), no Museu Dolores Olmedo, localizado no sul da capital mexicana.

A exibição, que reúne 36 obras, incluindo retratos, autorretratos, desenhos e fotografias, mostra minuciosamente o processo vivido por Kahlo (1907-1954) para se tornar uma referência no mundo da arte através da expressão de seu mundo interior.

“Achamos que nesta ocasião deveríamos apresentar (a obra de Kahlo) com uma museografia e um discurso diferente, por isso usamos uma frase que ela disse: ‘pinto a mim mesma porque sou o que conheço melhor'”, disse nesta terça-feira à AFP Josefina García, diretora de Coleções do Museu Dolores Olmedo.

“Consideramos que era um bom propósito mostrar às pessoas como ela, ao longo de sua vida, foi construindo essa imagem, não só como pessoa e personagem, mas também como sua obra plástica foi se desenvolvendo”, acrescentou García, que também é curadora da mostra.

Esta exibição poderá ser vista por três meses e contará com peças exibidas em São Petersburgo, Seul e no Museu Dalí, na Flórida.

Kahlo “ultrapassou as fronteiras e sua obra disputa exposições com artistas como Salvador Dalí, Pablo Picasso e Vincent van Gogh, que são exposições de muito sucesso e que no caso da arte mexicana, somente a de Kahlo pôde se comparar com nossas mostras de arte pré-hispânica”, disse em coletiva Carlos Phillips Olmedo, diretor do museu.

O diretor destacou que o Museu Dolores Olmedo já trabalha com diferentes instituições na Itália, na Rússia, no Japão, na China, na Austrália, em Cingapura e no Uruguai interessadas em receber a mostra de Frida Kahlo [AFP]

Galeria londrina Bowman Sculpture homenageia Rodin

bac097cc-d10d-4139-b51b-3d7243e0559a.jpg_story_detailAlgumas das 32 peças de Rodin estarão na galeria Bowman Sculpture até 27 de julho. Oito desenhos também estarão na mostra (Lauren Fleishman para The New York Times)


Por Roslyn Sulcas

LONDRES — Milhões de dólares gastos em seguro, transporte, documentação, trabalho, sensores para detectar movimentos, tarifas de exportação, passaporte para as obras de arte.

Em algum momento neste verão europeu, Auguste Rodin deve chegar a uma cidade próxima de você, uma vez que instituições em todo o mundo estarão homenageando o centenário da morte do escultor francês. No geral as exposições serão realizadas por museus com muitos recursos, equipes administrativas e enormes áreas de estacionamento onde descarregar em segurança os enormes bronzes.

Mas na estreita Duke Street em Mayfair, Londres, a galeria Bowman Sculpture, que é modesta, abriu sua exposição Rodin — O Nascimento da Escultura Moderna (até 27 de julho) com 32 obras em bronze e terracota do artista, como também oito desenhos de Rodin raramente vistos.

“É um “tour de force”, disse Jérome Le Blay, que está preparando um catálogo online das esculturas de Rodin sob os auspícios do Comitê Auguste Rodin, em Paris. “Você não consegue reunir tudo em um ano. É preciso dez ou 15 anos de trabalho sobre Rodin para saber onde comprar, como conseguir as peças. Mesmo os maiores marchands de arte e muitos museus famosos não o conseguem”.

escu“Meditation”, um dos 40 trabalhos de Rodin, em uma mostra na galeria Bowman Sculpture, em Londres (Lauren Fleishman para The New York Times)


Robert Bowman, 59 anos, fundador da galeria Bowman Sculpture, despendeu esses dez ou 15 anos. Sua paixão por Rodin, disse ele, começou quando trabalhou como diretor da área de arte européia na Sotheby’s, no final dos anos 80. “Tudo começou com uma peça intitulada “A Velha Cortesã”. E entendi como ele vê beleza na desarmonia, até no que é feio”.

Bowman começou a procurar e estudar obras de Rodin e passou um tempo no Museu Rodin em Paris estudando sua coleção e seu processo de fundição.

Quando abriu sua própria galeria em 1993, demorou algum tempo até Bowman ter fundos para sua primeira grande aquisição, “O Pensador”, em 1997. “Pagamos US$ 150.000 pela obra e tive de pedir empréstimo a um banco”, contou.

Em termos relativos, contudo, a obra de Rodin é muito menos cara do que as de pintores contemporâneos seus, como Monet ou Gauguin, ou escultores como Giacometti ou Brancusi. Isto porque Rodin não só era prolífico, mas também astuto, e suas esculturas eram moldadas em diferentes tamanhos, e ele autorizava as casas de fundição a produzir várias edições. Identificar as peças autênticas e sua proveniência é “um grande quebra-cabeça”, disse Le Blay.

Bowman levou quatro anos para reunir as obras para esta exposição, que inclui diferentes tamanhos de peças famosas do escultor. “Quis expor os trabalhos iniciais de Rodin, antes de ele se tornar um sucesso comercial, e também outros posteriores”, comentou.

O seguro dessas obras chega a milhões de dólares e envolve especificações sobre como os trabalhos são expostos. Qualquer peça com valor superior a US$ 50 mil tem de ter seu passaporte. Mas Bowman afirmou que a mostra vale tudo isso.

“Olhe esta peça”, disse, apontando para uma pequena cabeça em terracota, “A Idade do Bronze”. “Rodin criou seus próprios modelos em terracota, então sabemos que a peça foi moldada com suas próprias mãos. Há obras mais caras, mas o fato de expor esta peça é emocionante”.

Apesar das dificuldades, o negociador honra o mestre francês.