COS x Snarkitecture Loop

Loop é uma instalação localizada no Gana Art Center, em Seul, Coréia do Sul, criada em colaboração entre a COS e Snarkitecture. A instalação possui quatro faixas metálicas distintas que se entrelaçam em todo o espaço de exibição branco. 100.000 mármores introduzidos um a cada cinco segundos trazem a vida útil da instalação. Leia mais sobre http://designmilk.com

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Estúdio ucraniano OUUM cria universo fantástico com arte digital

O OUUM é um estúdio especializado em arte digital e, no último mês, postou uma série diária de imagens que misturam realidade e ficção
Por Marcel Verrumo I Fotos reprodução

Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)Durante o último mês, o estúdio ucraniano OUUM, especializado em design de interiores e de produtos, gráficos, arte digital e modelagem 3D, criou uma série de imagens nas quais desconstruiu situações e objetos cotidianos e, a partir de uma linguagem minimalista e com uma estética que lembra a do momento pop art, os colocou em outros contextos e lhes atribuiu novas funções.

Nas imagens, uma banana descascada tem reconstruída sua parte comida; uma planta parte de suas folhas reconstruídas com “tijolos” verdes; um quarto azul é abstratamente iluminado com uma cor-tintura rosa. São imagens abstratas, que transitam entre a fantasia e o surrealismo, criando um universo criativo.

Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)

“Pequenas ideias diárias crescem em um mundo de imagens gráficas que apresenta uma conexão de pensamentos, ideias e mentes. A partir de objetos cotidianos simples, ideias abstratas de certas imagens podem ser criadas, a consciência pode desenhar e ver muito mais do que estamos acostumados”, descreveram os profissionais do estúdio na descrição oficial do projeto, que pode ser conferido no site do OUUM.

Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)
Estúdio ucraniano cria universo fantástico com arte digital (Foto: Divulgação)

Cultura Artística fará temporada 2018 sem Lei Rouanet

Segundo entidade, novas regras exigiram mudança; entre as atrações anunciadas estão a pianista Yuja Wang e a meio-soprano Magdalena Kozena

yuja-wang-review-20160503-snapA Cultura Artística terá dez atrações em 2018 – entre elas, a pianista Yuja Wang (foto) e a meio-soprano Magdalena Kozena. Mas as novidades não estão apenas sobre o palco: a partir do ano que vem, a entidade não utilizará mais a Lei Rouanet em sua temporada de assinaturas, que foi remodelada – as atrações, com exceção das orquestras, farão apenas um concerto.

Segundo Frederico Lohmann, superintendente da entidade, a decisão está relacionada às recentes mudanças na lei. “Dois aspectos se mostraram bastante desafiadores. O primeiro deles diz respeito à distribuição dentro da sala. Segundo as novas regras, 50% do público deve ter acesso gratuito ou promocional a preço não superior ao valor do Vale Cultura. Considerando que 65% do público da Cultura Artística é composto de assinantes, esta distribuição não seria possível”, explica. “O segundo ponto diz respeito ao preço médio dos ingressos da outra metade do público, que passou a ser limitado a R$ 150, o que infelizmente não é compatível com a estrutura de custos das nossas atrações”, completa, ressaltando que a Lei Rouanet continuará a ser um “importante apoio” para os projetos educativos e para atrações extra-assinaturas.

Com as mudanças, as duas séries de assinaturas passam a ser compostas por seis concertos entre as dez atrações do ano – as exceções são as orquestras, que atuam em ambas as séries. Quem quiser assinar toda a temporada terá condições especiais. A primeira atração do ano será, em março, o jovem e celebrado pianista polonês Jan Lisiecki, o primeiro de uma lista de grandes representantes do instrumento na agenda da entidade: Nelson Goerner será o solista, em maio, da Orquestra de la Suisse Romande; e, em outubro, Yuja Wang, estrela internacional do piano, faz recital solo.

Além da Orquestra de la Suisse Romande, integra a programação um dos mais tradicionais conjuntos europeus, a Filarmônica de Dresden, sob regência de seu diretor Michael Sanderling. A música de câmara também tem destaque, com a Camerata Salzburg (em concertos com a meio-soprano Bernarda Fink); o grupo Les Violons du Roy(com Magdalena Kozena); a Geneva Camerata (com o violoncelista Pieter Wispelwey); o Quarteto Modigliani (com o pianista Jean-Frédéric Neuburger); a Orquestra de Câmara de Viena; e o duo formado pela violinista Carolin Widman e o pianista Denis Kozhukhin.

A venda de assinaturas segue um calendário específico. De 23/10 a 10/11, acontecem as renovações; no dia 22/11, serão feitas trocas para Amigos da Cultura Artística e, nos dias 23 e 24/11, para os demais assinantes. Novas assinaturas para os Amigos poderão se feitas nos dias 30/11 e 1º/12 e, para o público em geral, a partir do dia 4/12. Mais informações pelo site da Cultura Artística. [João Luiz Sampaio]

Marina Abramovic vira macaron em parceria de Kreëmart e Ladurée

051017-marina-abramovic-macaron1-550x367.pngEm parceria com Kreëmart e Ladurée, Marina Abramovic vira macaron pra série “Pastry Portrait”


O coletivo Kreëmart introduz o açúcar no trabalho dos artistas contemporâneospra que eles saiam do processo criativo com o qual estão acostumados ao se unirem com chefs de cozinha. Dessa vez, eles e a Ladurée apresentam “Marina Abramovic’s Taste”, edição limitada de 3 macarons vendida até 10/10 em Londres, como parte da série “Pastry Portrait” de Raphael Castoriano, que combina artistas com chefs confeiteiros.

“O meu trabalho é, na maioria das vezes, imaterial, pois a arte da performance é imaterial“, afirmou a performer. Abramovic ainda disse, relacionando imaterialismo e açúcar: “Consumimos a arte comestível, então você a come e pronto. O que fica é a memória do que você comeu”. Interessante! [Lilian Pacce]

Museu em Tóquio homenageia artista plástica Yayoi Kusama

Conheça o Museu Yayoi Kusama, novo espaço na capital japonesa em homenagem à excêntrica multiartista que dá nome à instituição

museu-yayoi-kusama-toquio0007.jpgTóquio acaba de ganhar um espaço dedicado a uma das artistas plásticas japonesas mais populares e influentes da atualidade, Yayoi Kusama. O Museu Yayoi Kusama, como foi batizado, homenageia a excêntrica artista que, no Brasil, ficou conhecida pela exposição “Obsessão Infinita”, evento que levou cerca de 500 mil visitantes ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Por aqui, o público ficou interessado, além de conhecer as instalações ora marcadas pelo minimalismo ora pelo acúmulo, em tirar selfies para suas redes sociais – sim, Yayoi assinou a exposição que se mantém como a mais instagramada já realizada no país.

tumblr_ouse56ViI01vv5uado1_500.jpgCriada pela própria artista e sua fundação, o Museu Yayoi Kusama expõe mais de 600 peças de Kusama, objetos e desenhos que contam sua história e apresentam detalhes dos traços que marcam sua estética e seu processo criativo.
Na exposição de abertura, destacam-se a série “Amor para sempre”, composta por desenhos em preto e branco, e 17 pinturas inéditas de Kusama, conjunto colorido de canvas batizado de “Minha alma eterna”. Como não poderia deixar de ser, foi criada uma sala de espelhos, a “Abóboras gritando sobre amor além do infinito”.

Além dos espaços expositivos onde a obra da artista japonesa está exposta, o novo museu também conta com ambientes educativos onde serão realizados palestras e eventos sobre diversos temas ligados ao universo criativo de Kusama. Também promete, a cada dois anos, ter novas exposições sobre a arte da homenageada.

Se você ficou interessado em conhecer o Museu Yayoi Kusama e estiver de passagem pelo Japão, o ingresso custa 1000 ienes para adultos (cerca de R$ 28) e 600 ienes para o público infantil (aproximadamente R$ 17). Crianças menores de 6 anos não pagam. A instituição está no endereço 107 Bentencho, Shinjuku, Tokyo 162-0851, Japão.

Ficou interessado? Em tempos de busca por exclusividade, visitar o Museu pode ser uma oportunidade de conseguir um selfie diante de um cenário de uma das artistas mais influentes da atualidade sem correr o risco de ver a mesma instalação nas redes sociais de todos os seus conhecidos. [Marcel Verrumo]

Avenida Paulista vira o epicentro da fotografia

A Galeria de Fotos do Sesi, que leva em média 30 mil pessoas a cada exposição, inaugura hoje uma mostra dedicada a quatro veteranos da agência Magnum e o Instituto Moreira Salles exibe retrospectiva do mito Robert Frank

Sem títuloUma típica família americana registrada por Elliott Ewitt bos anos 1970 Foto: Elliott Erwitt


Assim como a Santa Ifigênia é identificada como a rua dos eletrônicos e a Consolação como a rua das luminárias, a avenida Paulista está se transformando no epicentro da fotografia em São Paulo. Só este ano dois espaços dedicados a ela foram inaugurados na cidade: a Galeria do Sesi, no prédio da Fiesp, e o Instituto Moreira Salles, aberto no dia 19 de setembro com uma mostra do fotógrafo suíço Robert Frank. Hoje, dia 2, às 19h30, a Galeria do Sesi abre sua quarta exposição, Retratos, Diálogos de Identidade, que reúne 70 imagens de fotógrafos veteranos como Elliott Erwitt, contemporâneo de Robert Frank e ainda ativo aos 89 anos – como o célebre colega da série Os Americanos, que completa 93 anos em novembro.

Erwitt é um dos seis fotógrafos escolhidos pelo curador João Kulcsár. Os outros são Bruce Gilden, Martin Parr, Paolo Pellegrin, Philippe Halsman e Steve McCurry, todos representados pela Magnum, a célebre cooperativa criada há 70 anos por Cartier-Bresson e Robert Capa. Pela primeira vez no Brasil será exibida parte da histórica série Jump, do norte-americano, de origem russa, Philippe Halsman (1906-1979), que, em 1951, contratado pela rede NBC para fotografar comediantes (Groucho Marx, Bob Hope), teve a ideia de registrar os artistas saltando no ar, o que sugeriu posteriormente a série Jump, com 178 fotos, da qual participaram Marilyn Monroe, Grace Kelly e até a recatada Olivia de Havilland.

10099386Marilyn Monroe pula para Phillipe Halsman em 1955 na série ‘Jump’  Foto: Phillipe Hausman


Na verdade, essa ideia de suspensão no ar é de 1947. Halsman, amigo pessoal do pintor surrealista Salvador Dalí (1904-1989), queria encontrar um equivalente das implosões presentes em suas telas e fez uma montagem em que o artista aparece pulando ao lado de três gatos voadores e um balde d’água. Em tempo: Dalí também está na mostra, mas numa outra imagem de Halsman.

Esse tipo de humor é replicado no trabalho do inglês Martin Parr, de 65 anos, que conserva algo da tradição surrealista numa série de retratos na qual ele se traveste de militar, surfista, turista em Veneza, além de posar ao lado de Messi, Putin e até de um soldado romano em frente ao Coliseu de Roma – todos falsos retratos, montados deliberadamente de modo precário e feitos por fotógrafos de rua e estúdio.

“Erwitt e Martin Parr são dois dos meus fotógrafos favoritos pelo uso do humor na fotografia”, diz o curador João Kulcsár, revelando que a exposição do americano, a terceira promovida pela Galeria do Sesi, em julho deste ano, levou ao novo espaço 31 mil visitantes – incluindo muitos estudantes e crianças. A galeria abriu com uma exposição da Magnum (fotos ligadas ao universo cinematográfico) vista por 25 mil pessoas, seguida de uma mostra dedicada a Cartier-Bresson (27 mil) e, finalmente, pela de Erwitt.

É dele a maior foto da exposição atual, que registra de maneira impiedosa uma família americana de classe média nos anos 1970. Como o colega Bruce Gilden, Erwitt anda sempre com um câmera na mão, registrando tipos que circulam pelas ruas. Uma diferença: Gilden é ainda mais impiedoso – e agressivo. Sempre em contra-plongée, aponta sua câmera para os transeuntes como se mirasse um animal selvagem. As fotos que estão na exposição são de anônimos andando em Nova York, de elegantes senhoras – visivelmente irritadas com a invasão de privacidade – a mafiosos de verdade. “Ele conhece um bocado deles e esteve até no Japão, fotografando os integrantes da Yakuza, a máfia local”, revela Kulcsár.

O italiano Paolo Pellegrin, de 53 anos, na Magnum desde 2005 e conhecido por fotografar áreas de conflito (Kosovo, Líbano), está representado na mostra por uma série de retratos intimistas de celebridades hollywoodianas (Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Sean Penn). E Steve McCurry, famoso por sua foto da menina afegã publicada pela National Geographic em 1984, comparece com uma série de retratos feitos em lugares remotos do Afeganistão, Mali, Paquistão e Tibete. “Quero fazer da galeria um espaço de leitura crítica da produção de imagens e acho que estamos conseguindo”, festeja o curador do espaço do novo Centro Cultural da Fiesp.

winslet2A atriz Kate Winslet por Paolo Pellegrin: na intimidade Foto: Paolo Pellgrin/Magnum


Terremoto visual. Se a avenida Paulista é o epicentro da fotografia em São Paulo, o Instituto Moreira Salles (IMS), inaugurado em setembro, irradia esse terremoto cultural da imagem, a partir mesmo da primeira grande exposição que abre suas portas, dedicada ao mítico fotógrafo suíço Robert Frank. A exposição apresenta, além de 83 fotos da série Os Americanos, pertencentes ao acervo da Maison Européenne de la Photographie, de Paris, um projeto desenvolvido por Frank em parceria com o editor e impressor alemão Gerhard Steidl, Os Livros e os Filmes.
j50Foto da série ‘The Americans’, de Robert Frank: na estrada da América Foto: Robert Frank/IMS


A série Os Americanos foi bancada por uma bolsa da Guggenheim Fellowship. Entre 1955 e 1957, Robert Frank que ficaria associado à beat generation, percorreu 48 Estados americanos e registrou algo em torno de 28 mil fotografias que representam todos os tipos que circulavam pela América na época (1957) em que Jack Kerouac escreveu On the Road (é dele a apresentação do livro que acompanha a mostra, publicado aqui pelo IMS): caubóis raquíticos em Nova York, senhoras sofridas de Montana, aposentados deprimidos, índios aculturados e muitos outros esquecidos no meio dessa estrada perdida.Com curadoria de Samuel Titan Jr. e Sergio Burgi, a exposição de Robert Frank resume, enfim, o objetivo do IMS: organizar mostras que passem à história e sirvam à reflexão. Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

Visões mutáveis de David Hockney

IW_08_HOCKNEY1David Hockney refez a pintura da sua piscina — assinou e datou: 8 de julho de 2017, o dia antes do seu 80ª aniversário. Ele diz que está explorando o conceito de “perspectiva reversa” (Nathanael Turner para The New York Times)


LOS ANGELES — Quando David Hockney começou sua carreira, a pintura figurativa era considerada um tanto retrógrada. Segundo os pressupostos do momento, a abstração era infinitamente superior. Que conceitos seria possível extrair de um quadro que retrata um coqueiro, por exemplo, ou o turquesa brilhante de uma piscina de quintal?

Hockney, frequentemente definido como o artista vivo mais celebrado da Inglaterra, pintou estes temas e tem plena consciência das suspeitas de banalidade que sua obra pode despertar. Mas, hoje em dia, quando artistas mais jovens infundem em suas obras uma narrativa e mesmo autobiografia, ele é considerado um artista de inatacável relevância. Uma retrospectiva de seu trabalho será inaugurada no Metropolitan Museum of Art de Nova York no dia 27 de novembro.

Ágil desenhista e cuidadoso observador, Hockney sempre buscou os próprios temas no ambiente ao seu redor. Sua arte nos apresenta seus pais, amigos, namorados, o quarto em que vive, as paisagens que ama e seus bassets. Provavelmente, ele é mais conhecido por seus duplos retratos dos anos 60 e pelas cenas do lazer americano: pessoas tomando banhos de sol e piscinas estranhamente estáticas.

Seu ateliê em Hollywood Hills, Los Angeles, foi construído sobre uma elevação acima de sua casa. Como em certos quadros do artista, há uma abundância de plantas de folhas largas e as paredes externas são pintadas em tons discordantes de rosa intenso, azul royal e amarelo. Um cisne inflável flutua em uma piscina que tem o formato de um rim e contém uma pintura de Hockney: uma composição abstrata de linhas azuis curvas dispersas por toda a superfície.

Aos 80 anos, Hockney é ainda mais gracioso e vigoroso. Ele gosta de adotar opiniões contrárias. Fuma um maço de cigarros por dia, e ignora, despreocupado, os riscos do cigarro e do charuto.

Hockney pode ser considerado um herdeiro direto do fauvismo de Matisse. Entretanto, quando Matisse surgiu, Hockney curiosamente se calou. Talvez por temperamento ele se sinta mais próximo de Picasso, a respeito do qual ele fala, e cujo cubismo é mais evidente em sua obsessão pela mecânica da visão.

Atualmente, Hockney explora o conceito de “perspectiva reversa”, baseada em um ensaio de 105 páginas de Pavel Florensky, o matemático russo hoje esquecido, que morreu em 1937, vítima dos capangas de Stalin. Florensky afirma que a perspectiva correta é supervalorizada. A ausência de perspectiva nos ícones russos — assim como na arte egípcia e entre os chineses — não é um erro, mas uma opção inspirada.

Na entrevista, Hockney disse: “Na arte japonesa, nunca se usa a sombra”. Pegou um livro de gravuras de Utagawa Hiroshige e o abriu em uma página que mostrava uma pequena ponte de madeira em arco sobre um riacho de cor azul claro. “Não há um reflexo”, afirmou. “Mesmo com uma ponte, não há nenhum reflexo na água”.

Seus novos quadros são interessantes em suas distorções espaciais, e muitos são pintados sobre telas de formas irregulares, com os cantos inferiores rasgados em tiras.

“O fato de recortar os cantos fez maravilhas para mim”, ele disse.

É possível que o grande tema de suas obras mais recentes seja a paisagem. Em 1989, ele adquiriu uma casa espaçosa de tijolinhos vermelhos para a mãe e irmã, com vista para o mar de Bridlington, não muito longe do lugar onde nasceu.

Um dos destaques da mostra do Met serão certamente as paisagens que ele pintou naquela região.

“Espalhei as cinzas de minha mãe sobre um caminho que saía de Bridlington”, contou. “No fim dele, havia um acampamento de ciganos, portanto poucas pessoas passavam por aí. Fomos até lá. Acho que esta vida é um grande mistério. E talvez haja outra”.

Acaso estaria dizendo que acredita na vida após a morte?

“É possível”, respondeu. “Tenho pensado nestas coisas atualmente. Talvez possamos nos movimentar em uma nova dimensão. Na matemática, agora existem dez dimensões, 12 dimensões. Nós temos apenas três, quatro, se contarmos o tempo. Mas o tempo é o grande mistério, não é mesmo? Acho que foi Santo Agostinho que falou que se você me perguntar que horas são, não vou saber responder. Mas se você não me perguntar, eu vou saber”. [Deborah Solomon]