Cultura Artística fará temporada 2018 sem Lei Rouanet

Segundo entidade, novas regras exigiram mudança; entre as atrações anunciadas estão a pianista Yuja Wang e a meio-soprano Magdalena Kozena

yuja-wang-review-20160503-snapA Cultura Artística terá dez atrações em 2018 – entre elas, a pianista Yuja Wang (foto) e a meio-soprano Magdalena Kozena. Mas as novidades não estão apenas sobre o palco: a partir do ano que vem, a entidade não utilizará mais a Lei Rouanet em sua temporada de assinaturas, que foi remodelada – as atrações, com exceção das orquestras, farão apenas um concerto.

Segundo Frederico Lohmann, superintendente da entidade, a decisão está relacionada às recentes mudanças na lei. “Dois aspectos se mostraram bastante desafiadores. O primeiro deles diz respeito à distribuição dentro da sala. Segundo as novas regras, 50% do público deve ter acesso gratuito ou promocional a preço não superior ao valor do Vale Cultura. Considerando que 65% do público da Cultura Artística é composto de assinantes, esta distribuição não seria possível”, explica. “O segundo ponto diz respeito ao preço médio dos ingressos da outra metade do público, que passou a ser limitado a R$ 150, o que infelizmente não é compatível com a estrutura de custos das nossas atrações”, completa, ressaltando que a Lei Rouanet continuará a ser um “importante apoio” para os projetos educativos e para atrações extra-assinaturas.

Com as mudanças, as duas séries de assinaturas passam a ser compostas por seis concertos entre as dez atrações do ano – as exceções são as orquestras, que atuam em ambas as séries. Quem quiser assinar toda a temporada terá condições especiais. A primeira atração do ano será, em março, o jovem e celebrado pianista polonês Jan Lisiecki, o primeiro de uma lista de grandes representantes do instrumento na agenda da entidade: Nelson Goerner será o solista, em maio, da Orquestra de la Suisse Romande; e, em outubro, Yuja Wang, estrela internacional do piano, faz recital solo.

Além da Orquestra de la Suisse Romande, integra a programação um dos mais tradicionais conjuntos europeus, a Filarmônica de Dresden, sob regência de seu diretor Michael Sanderling. A música de câmara também tem destaque, com a Camerata Salzburg (em concertos com a meio-soprano Bernarda Fink); o grupo Les Violons du Roy(com Magdalena Kozena); a Geneva Camerata (com o violoncelista Pieter Wispelwey); o Quarteto Modigliani (com o pianista Jean-Frédéric Neuburger); a Orquestra de Câmara de Viena; e o duo formado pela violinista Carolin Widman e o pianista Denis Kozhukhin.

A venda de assinaturas segue um calendário específico. De 23/10 a 10/11, acontecem as renovações; no dia 22/11, serão feitas trocas para Amigos da Cultura Artística e, nos dias 23 e 24/11, para os demais assinantes. Novas assinaturas para os Amigos poderão se feitas nos dias 30/11 e 1º/12 e, para o público em geral, a partir do dia 4/12. Mais informações pelo site da Cultura Artística. [João Luiz Sampaio]

Marina Abramovic vira macaron em parceria de Kreëmart e Ladurée

051017-marina-abramovic-macaron1-550x367.pngEm parceria com Kreëmart e Ladurée, Marina Abramovic vira macaron pra série “Pastry Portrait”


O coletivo Kreëmart introduz o açúcar no trabalho dos artistas contemporâneospra que eles saiam do processo criativo com o qual estão acostumados ao se unirem com chefs de cozinha. Dessa vez, eles e a Ladurée apresentam “Marina Abramovic’s Taste”, edição limitada de 3 macarons vendida até 10/10 em Londres, como parte da série “Pastry Portrait” de Raphael Castoriano, que combina artistas com chefs confeiteiros.

“O meu trabalho é, na maioria das vezes, imaterial, pois a arte da performance é imaterial“, afirmou a performer. Abramovic ainda disse, relacionando imaterialismo e açúcar: “Consumimos a arte comestível, então você a come e pronto. O que fica é a memória do que você comeu”. Interessante! [Lilian Pacce]

Museu em Tóquio homenageia artista plástica Yayoi Kusama

Conheça o Museu Yayoi Kusama, novo espaço na capital japonesa em homenagem à excêntrica multiartista que dá nome à instituição

museu-yayoi-kusama-toquio0007.jpgTóquio acaba de ganhar um espaço dedicado a uma das artistas plásticas japonesas mais populares e influentes da atualidade, Yayoi Kusama. O Museu Yayoi Kusama, como foi batizado, homenageia a excêntrica artista que, no Brasil, ficou conhecida pela exposição “Obsessão Infinita”, evento que levou cerca de 500 mil visitantes ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Por aqui, o público ficou interessado, além de conhecer as instalações ora marcadas pelo minimalismo ora pelo acúmulo, em tirar selfies para suas redes sociais – sim, Yayoi assinou a exposição que se mantém como a mais instagramada já realizada no país.

tumblr_ouse56ViI01vv5uado1_500.jpgCriada pela própria artista e sua fundação, o Museu Yayoi Kusama expõe mais de 600 peças de Kusama, objetos e desenhos que contam sua história e apresentam detalhes dos traços que marcam sua estética e seu processo criativo.
Na exposição de abertura, destacam-se a série “Amor para sempre”, composta por desenhos em preto e branco, e 17 pinturas inéditas de Kusama, conjunto colorido de canvas batizado de “Minha alma eterna”. Como não poderia deixar de ser, foi criada uma sala de espelhos, a “Abóboras gritando sobre amor além do infinito”.

Além dos espaços expositivos onde a obra da artista japonesa está exposta, o novo museu também conta com ambientes educativos onde serão realizados palestras e eventos sobre diversos temas ligados ao universo criativo de Kusama. Também promete, a cada dois anos, ter novas exposições sobre a arte da homenageada.

Se você ficou interessado em conhecer o Museu Yayoi Kusama e estiver de passagem pelo Japão, o ingresso custa 1000 ienes para adultos (cerca de R$ 28) e 600 ienes para o público infantil (aproximadamente R$ 17). Crianças menores de 6 anos não pagam. A instituição está no endereço 107 Bentencho, Shinjuku, Tokyo 162-0851, Japão.

Ficou interessado? Em tempos de busca por exclusividade, visitar o Museu pode ser uma oportunidade de conseguir um selfie diante de um cenário de uma das artistas mais influentes da atualidade sem correr o risco de ver a mesma instalação nas redes sociais de todos os seus conhecidos. [Marcel Verrumo]

Avenida Paulista vira o epicentro da fotografia

A Galeria de Fotos do Sesi, que leva em média 30 mil pessoas a cada exposição, inaugura hoje uma mostra dedicada a quatro veteranos da agência Magnum e o Instituto Moreira Salles exibe retrospectiva do mito Robert Frank

Sem títuloUma típica família americana registrada por Elliott Ewitt bos anos 1970 Foto: Elliott Erwitt


Assim como a Santa Ifigênia é identificada como a rua dos eletrônicos e a Consolação como a rua das luminárias, a avenida Paulista está se transformando no epicentro da fotografia em São Paulo. Só este ano dois espaços dedicados a ela foram inaugurados na cidade: a Galeria do Sesi, no prédio da Fiesp, e o Instituto Moreira Salles, aberto no dia 19 de setembro com uma mostra do fotógrafo suíço Robert Frank. Hoje, dia 2, às 19h30, a Galeria do Sesi abre sua quarta exposição, Retratos, Diálogos de Identidade, que reúne 70 imagens de fotógrafos veteranos como Elliott Erwitt, contemporâneo de Robert Frank e ainda ativo aos 89 anos – como o célebre colega da série Os Americanos, que completa 93 anos em novembro.

Erwitt é um dos seis fotógrafos escolhidos pelo curador João Kulcsár. Os outros são Bruce Gilden, Martin Parr, Paolo Pellegrin, Philippe Halsman e Steve McCurry, todos representados pela Magnum, a célebre cooperativa criada há 70 anos por Cartier-Bresson e Robert Capa. Pela primeira vez no Brasil será exibida parte da histórica série Jump, do norte-americano, de origem russa, Philippe Halsman (1906-1979), que, em 1951, contratado pela rede NBC para fotografar comediantes (Groucho Marx, Bob Hope), teve a ideia de registrar os artistas saltando no ar, o que sugeriu posteriormente a série Jump, com 178 fotos, da qual participaram Marilyn Monroe, Grace Kelly e até a recatada Olivia de Havilland.

10099386Marilyn Monroe pula para Phillipe Halsman em 1955 na série ‘Jump’  Foto: Phillipe Hausman


Na verdade, essa ideia de suspensão no ar é de 1947. Halsman, amigo pessoal do pintor surrealista Salvador Dalí (1904-1989), queria encontrar um equivalente das implosões presentes em suas telas e fez uma montagem em que o artista aparece pulando ao lado de três gatos voadores e um balde d’água. Em tempo: Dalí também está na mostra, mas numa outra imagem de Halsman.

Esse tipo de humor é replicado no trabalho do inglês Martin Parr, de 65 anos, que conserva algo da tradição surrealista numa série de retratos na qual ele se traveste de militar, surfista, turista em Veneza, além de posar ao lado de Messi, Putin e até de um soldado romano em frente ao Coliseu de Roma – todos falsos retratos, montados deliberadamente de modo precário e feitos por fotógrafos de rua e estúdio.

“Erwitt e Martin Parr são dois dos meus fotógrafos favoritos pelo uso do humor na fotografia”, diz o curador João Kulcsár, revelando que a exposição do americano, a terceira promovida pela Galeria do Sesi, em julho deste ano, levou ao novo espaço 31 mil visitantes – incluindo muitos estudantes e crianças. A galeria abriu com uma exposição da Magnum (fotos ligadas ao universo cinematográfico) vista por 25 mil pessoas, seguida de uma mostra dedicada a Cartier-Bresson (27 mil) e, finalmente, pela de Erwitt.

É dele a maior foto da exposição atual, que registra de maneira impiedosa uma família americana de classe média nos anos 1970. Como o colega Bruce Gilden, Erwitt anda sempre com um câmera na mão, registrando tipos que circulam pelas ruas. Uma diferença: Gilden é ainda mais impiedoso – e agressivo. Sempre em contra-plongée, aponta sua câmera para os transeuntes como se mirasse um animal selvagem. As fotos que estão na exposição são de anônimos andando em Nova York, de elegantes senhoras – visivelmente irritadas com a invasão de privacidade – a mafiosos de verdade. “Ele conhece um bocado deles e esteve até no Japão, fotografando os integrantes da Yakuza, a máfia local”, revela Kulcsár.

O italiano Paolo Pellegrin, de 53 anos, na Magnum desde 2005 e conhecido por fotografar áreas de conflito (Kosovo, Líbano), está representado na mostra por uma série de retratos intimistas de celebridades hollywoodianas (Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Sean Penn). E Steve McCurry, famoso por sua foto da menina afegã publicada pela National Geographic em 1984, comparece com uma série de retratos feitos em lugares remotos do Afeganistão, Mali, Paquistão e Tibete. “Quero fazer da galeria um espaço de leitura crítica da produção de imagens e acho que estamos conseguindo”, festeja o curador do espaço do novo Centro Cultural da Fiesp.

winslet2A atriz Kate Winslet por Paolo Pellegrin: na intimidade Foto: Paolo Pellgrin/Magnum


Terremoto visual. Se a avenida Paulista é o epicentro da fotografia em São Paulo, o Instituto Moreira Salles (IMS), inaugurado em setembro, irradia esse terremoto cultural da imagem, a partir mesmo da primeira grande exposição que abre suas portas, dedicada ao mítico fotógrafo suíço Robert Frank. A exposição apresenta, além de 83 fotos da série Os Americanos, pertencentes ao acervo da Maison Européenne de la Photographie, de Paris, um projeto desenvolvido por Frank em parceria com o editor e impressor alemão Gerhard Steidl, Os Livros e os Filmes.
j50Foto da série ‘The Americans’, de Robert Frank: na estrada da América Foto: Robert Frank/IMS


A série Os Americanos foi bancada por uma bolsa da Guggenheim Fellowship. Entre 1955 e 1957, Robert Frank que ficaria associado à beat generation, percorreu 48 Estados americanos e registrou algo em torno de 28 mil fotografias que representam todos os tipos que circulavam pela América na época (1957) em que Jack Kerouac escreveu On the Road (é dele a apresentação do livro que acompanha a mostra, publicado aqui pelo IMS): caubóis raquíticos em Nova York, senhoras sofridas de Montana, aposentados deprimidos, índios aculturados e muitos outros esquecidos no meio dessa estrada perdida.Com curadoria de Samuel Titan Jr. e Sergio Burgi, a exposição de Robert Frank resume, enfim, o objetivo do IMS: organizar mostras que passem à história e sirvam à reflexão. Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

Visões mutáveis de David Hockney

IW_08_HOCKNEY1David Hockney refez a pintura da sua piscina — assinou e datou: 8 de julho de 2017, o dia antes do seu 80ª aniversário. Ele diz que está explorando o conceito de “perspectiva reversa” (Nathanael Turner para The New York Times)


LOS ANGELES — Quando David Hockney começou sua carreira, a pintura figurativa era considerada um tanto retrógrada. Segundo os pressupostos do momento, a abstração era infinitamente superior. Que conceitos seria possível extrair de um quadro que retrata um coqueiro, por exemplo, ou o turquesa brilhante de uma piscina de quintal?

Hockney, frequentemente definido como o artista vivo mais celebrado da Inglaterra, pintou estes temas e tem plena consciência das suspeitas de banalidade que sua obra pode despertar. Mas, hoje em dia, quando artistas mais jovens infundem em suas obras uma narrativa e mesmo autobiografia, ele é considerado um artista de inatacável relevância. Uma retrospectiva de seu trabalho será inaugurada no Metropolitan Museum of Art de Nova York no dia 27 de novembro.

Ágil desenhista e cuidadoso observador, Hockney sempre buscou os próprios temas no ambiente ao seu redor. Sua arte nos apresenta seus pais, amigos, namorados, o quarto em que vive, as paisagens que ama e seus bassets. Provavelmente, ele é mais conhecido por seus duplos retratos dos anos 60 e pelas cenas do lazer americano: pessoas tomando banhos de sol e piscinas estranhamente estáticas.

Seu ateliê em Hollywood Hills, Los Angeles, foi construído sobre uma elevação acima de sua casa. Como em certos quadros do artista, há uma abundância de plantas de folhas largas e as paredes externas são pintadas em tons discordantes de rosa intenso, azul royal e amarelo. Um cisne inflável flutua em uma piscina que tem o formato de um rim e contém uma pintura de Hockney: uma composição abstrata de linhas azuis curvas dispersas por toda a superfície.

Aos 80 anos, Hockney é ainda mais gracioso e vigoroso. Ele gosta de adotar opiniões contrárias. Fuma um maço de cigarros por dia, e ignora, despreocupado, os riscos do cigarro e do charuto.

Hockney pode ser considerado um herdeiro direto do fauvismo de Matisse. Entretanto, quando Matisse surgiu, Hockney curiosamente se calou. Talvez por temperamento ele se sinta mais próximo de Picasso, a respeito do qual ele fala, e cujo cubismo é mais evidente em sua obsessão pela mecânica da visão.

Atualmente, Hockney explora o conceito de “perspectiva reversa”, baseada em um ensaio de 105 páginas de Pavel Florensky, o matemático russo hoje esquecido, que morreu em 1937, vítima dos capangas de Stalin. Florensky afirma que a perspectiva correta é supervalorizada. A ausência de perspectiva nos ícones russos — assim como na arte egípcia e entre os chineses — não é um erro, mas uma opção inspirada.

Na entrevista, Hockney disse: “Na arte japonesa, nunca se usa a sombra”. Pegou um livro de gravuras de Utagawa Hiroshige e o abriu em uma página que mostrava uma pequena ponte de madeira em arco sobre um riacho de cor azul claro. “Não há um reflexo”, afirmou. “Mesmo com uma ponte, não há nenhum reflexo na água”.

Seus novos quadros são interessantes em suas distorções espaciais, e muitos são pintados sobre telas de formas irregulares, com os cantos inferiores rasgados em tiras.

“O fato de recortar os cantos fez maravilhas para mim”, ele disse.

É possível que o grande tema de suas obras mais recentes seja a paisagem. Em 1989, ele adquiriu uma casa espaçosa de tijolinhos vermelhos para a mãe e irmã, com vista para o mar de Bridlington, não muito longe do lugar onde nasceu.

Um dos destaques da mostra do Met serão certamente as paisagens que ele pintou naquela região.

“Espalhei as cinzas de minha mãe sobre um caminho que saía de Bridlington”, contou. “No fim dele, havia um acampamento de ciganos, portanto poucas pessoas passavam por aí. Fomos até lá. Acho que esta vida é um grande mistério. E talvez haja outra”.

Acaso estaria dizendo que acredita na vida após a morte?

“É possível”, respondeu. “Tenho pensado nestas coisas atualmente. Talvez possamos nos movimentar em uma nova dimensão. Na matemática, agora existem dez dimensões, 12 dimensões. Nós temos apenas três, quatro, se contarmos o tempo. Mas o tempo é o grande mistério, não é mesmo? Acho que foi Santo Agostinho que falou que se você me perguntar que horas são, não vou saber responder. Mas se você não me perguntar, eu vou saber”. [Deborah Solomon]

Arte de rua volta às ruas, agora sobre rodas

Sem título13.jpgSergio Mora e a arte que fez para um caminhão. Agora os artistas de rua fazem fila para participar do projeto. (Panci Calvo)


MADRI — Jaime Colsa é o proprietário de uma empresa de transportes que entrega bens de consumo comuns. O conteúdo dos caminhões não chama atenção, mas os veículos, sim: são pintados com rostos que lembram desenhos animados, cães, padrões geométricos de cores vivas, espirais e paisagens.

Esses caminhões que cruzam a Espanha foram pintados por artistas como parte de um projeto financiado por Colsa para trazer a arte de rua de volta às suas raízes.

“Graças a pessoas como Banksy, a arte desse tipo chegou às galerias”, disse Colsa, 45 anos. “Mas pensei que seria interessante e desafiador fazer o oposto: tirar os artistas da galeria ou museu e levá-los de volta às ruas.”

Banksy não está entre os participantes, mas muitos dos pintores dos caminhões de Colsa, de maioria espanhola, começaram como artistas de rua, embora hoje já tenham exposto seu trabalho em importantes galerias e museus.

O caminhão mais recente foi pintado por Nuria Mora, cuja arte de rua foi exibida na Tate Modern, em Londres. A caçamba pintada por ela traz uma abstração geométrica de cores fortes que ela descreveu como “um jogo de equilíbrio e tensão“.

O projeto dos caminhões nasceu em 2013 quando Colsa contratou o artista Okuda San Miguel para pintar um mural num armazém de sua empresa, Palibex, nos arredores de Madri. Quando ficou pronto, Colsa disse a San Miguel que “era uma pena ver uma obra tão bela num armazém, onde poucas pessoas poderão vê-la”.

Sem título14Jaime Colsa disse que, no início, alguns dos motoristas não gostaram de ver “desenhos idiotas” nos seus caminhões. (Panci Calvo)


A conversa acabou se encaminhando para a possibilidade de pintar um veículo em vez de uma parede. Até o momento, Colsa gastou cerca de € 300 mil, ou aproximadamente US$ 327 mil, no projeto dos caminhões, que é supervisionado por dois curadores, Fer Francés e Óscar Sanz. Sanz disse haver interesse em imitar o projeto no exterior, como no México.

Sob certos aspectos, disse Sanz, o projeto “faz referência à arte de 30 anos atrás”, quando os artistas decoravam “os trens e caminhões de Nova York”. Alguns desses artistas ganharam mais fama e ficaram mais acostumados à ideia de pintar áreas maiores, como murais e edifícios. Mas pintar um caminhão é diferente.

“O movimento faz da arte uma espécie de visão passageira”, disse. Ele acrescentou que, como muitos dos artistas escolhidos estavam habituados a deixar sua marca em caminhões e vagões de metrô (ou tinham colegas que o faziam), eles “gostaram do desafio de voltar às origens desse tipo de arte”.

Colsa disse que, inicialmente, a reação foi variada, tanto por parte dos motoristas quanto de alguns fregueses. Um motorista chegou a se queixar à gerência, dizendo que seu caminhão tinha sido vandalizado com uma “tinta horrível”. Mas as atitudes mudaram.

Alguns dos caminhoneiros “não entenderam o tipo de desenho idiota que foi feito em seus veículos“, disse Colsa. “Mas eles percebem que as pessoas agora reparam quando eles passam, tirando fotos dos caminhões, e isso os deixa contentes.”

Com o crescimento do projeto, mais artistas foram atraídos pela proposta, ao ponto de Colsa dizer que agora há uma lista de artistas à espera de um caminhão. [Raphael Minder]

29Rooms: Exposição em Nova York cria ambientes fantásticos

Jason Wu, Jake Gyllenhaal, Emma Roberts, Chloe x Halle são alguns dos nomes que colaboraram com instalações artísticas para a exibição 29Rooms

843773034 (1).jpgÉ possível interagir com algumas das instalações (Foto: Nicholas Hunt/Getty Images)

Um espaço rodeado por 1500 orquídeas: essa é a primeira instalação que o público se depara ao entrar no 29Rooms, exposição produzida pelo site Refinery29. Como o próprio nome diz, são 29 quartos, cada um com uma produção artística diferente. Os temas são diversos: de moda e beleza a política e causas ambientais. O que chama atenção é a criatividade de cada narrativa. As flores, por exemplo, são parte da instalação Erotica in Bloom, onde se convergem temáticas de sexo, arte e natureza.

“No mundo em que vivemos hoje precisamos pensar em diversas formas de nos comunicar. Uma instalação artística é uma delas”, comenta o estilista Jason Wu em entrevista exclusiva para à Marie Claire. Ele criou um redemoinho repleto de elementos que fazem parte do fluxo de inspirações que rodeiam a sua mente. “Estou acostumado a criar para a passarela, mas é interessante ir além e trabalhar com o design de uma instalação em larga escala.” Tudo está cinza, em um tom criado exclusivamente por ele em parceria com a Pantone.843780882Escreva o que te aborrece e pique: instalação de Jake Gyllenhaal (Foto: Nicholas Hunt/Getty Images)


A instalação do ator Jake Gyllenhaal é cheia de pedaços de papel. As pessoas são convidadas a escreverem o que estão as deixando para baixo e depois trituram aquela mensagem. É uma forma de transformar sensações de depressão em arte. Já a atriz Emma Roberts criou um ambiente com uma máquina de escrever gigante; e as pupilas de Beyonce, as cantoras Chloe x Halle, fizeram uma escultura com tule.

Convergência da vida real e virtual
O 29Rooms já está na sua terceira edição e a cada ano aumenta a expectativa do público para visitar o espaço. Vinte mil pessoas são esperadas em apenas quatro dias de evento. “O mundo de hoje está cada vez mais conectado, mas as pessoas têm o desejo de viver experiências reais, ao mesmo tempo em que criam conteúdo para suas vidas digitais”, explica Piera Gelardi, co-fundadora e diretora criativa do Refinery29. A ideia da exposição primeiro surgiu como uma forma de interagir ao vivo com o público do site, mas hoje se tornou um destino para fãs de arte contemporânea e, claro, para quem gosta de uma boa foto para o Instagram.

843780948.jpgInstalação Erotica in Bloom (Foto: Nicholas Hunt/Getty Images)


As instalações têm o intuito de gerar empatia nas pessoas. Desde uma experiência de realidade virtual com afrofeminismo, a um quarto dedicado à luta das mulheres pelos seus direitos, a intenção é não só propiciar imagens que vão ganhar vários likes, mas também propor uma discussão de conteúdos que a primeira vista podem parecer complicados. “O público irá explorar instalações que mostram como a arte pode ser o ponto de partida para inspirar ações reais”, completa Piera.

O 29Rooms fica em cartaz até segunda-feira, dia 11 de setembro, em um galpão em Williamsburg, área descolada do Brooklyn. Porém, um aplicativo que leva o nome do evento está disponível para download no celular, onde você pode experimentar como funcionam as instalações direto do conforto da sua casa. Mais detalhes no site: refinery29.com/29rooms. [Larissa Gomes]

Yayoi Kusama ganha livro infantil

Vida e obra da artista japonesa ganha retrato ilustrado para crianças

359323_6_800A artista japonesa Yayoi Kusama, que faz sucesso com suas obras repletas de pontos e bolas coloridas, acaba de entrar para o seleto grupo: o de artistas que possuem livros dedicados a contar suas histórias e não para leitores regulares ou amantes da arte, mas para as crianças.

Produzido pela ilustradora Ellen Weinstein e a curadora do MoMA, Sarah Suzuki, o livro Yayoi Kusama: To Infinity and Beyond! – título que pode ser traduzido por “Yayoi Kusama: para o infinito e além! ” – dá às crianças a chance de ler sobre a jornada da artista de 88 anos.

A história começa quando Yayoni ainda é uma criança e aprendia sobre plantas e vegetais com a sua família. De acordo com a história, a mãe de Kusama queria que ela seguisse a tradição da família, mas a jovem já tinhas aspirações artísticas e passava a maior parte do tempo desenhado e pintando.

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Mais tarde, já na escola de artes, ela experimentou a rigidez mais uma vez e era forçada a pintar no estilo tradicional japonês. Querendo viver uma vida livre de regras, porém, Yayoni mudou-se para Nova York, onde tornou-se famosa por suas pinturas de bolinhas, além das esculturas gigantes e luxuosas.

O livro termina com o retorno de Yayoni Kusama ao Japão, onde ela cria todo seu trabalho em um estúdio perto da instalação psiquiátrica de Tóquio – local no qual a artista viveu, voluntariamente desde 1977, tendo relatado experimentar alucinações visuais e auditivas durante a vida toda. [Giovanna Maradei I Fotos Divulgação]

Yayoi Kusama ganha museu próprio no Japão

A artista revelou no começo do mês que o espaço já está construído e deve ser inaugurado no dia 1 de outubro

noriko-takasugi.jpgAnunciada para outubro, a chegada da mostra Yayoi Kusama: Infinity Mirrors no museu The Broad, em Los Angeles, não é a única novidade que a artista japonesa reservou para o mês.

Os fãs de seu trabalho – conhecido mundialmente por conta de seus poás, espelhos e abóboras – vão ficar felizes ao saber que Yayoi planeja desde 2014 um museu exclusivo com seus trabalhos.

la-1500075766-71nlaaxccv-snap-image (1).jpgAmbiente da mostra itinerante Yayoi Kusama: Infinity Mirrors. (Reprodução/LA Times)


Na região de Shinjuku, em Tóquio, o Yayoi Kusama Museum tem inauguração prevista para o dia 1 de outubro e permaneceu um segredo por aproximadamente três anos, segundo a publicação da W Magazine. O prédio, de cinco andares, deve receber duas mostras por ano.

A primeira, Creation is a Solitary Pursuit, Love is What Brings You Closer to Art, expõe pinturas recentes da artista até fevereiro. Os ingressos vão à venda no dia 28 de agosto. [Mariana Bruno]

Artista Mark Grotjahn dita regras e preço de obras vai às alturas

IW_08_GROTJAHN1Quadros de Mark Grotjahn na mostra “Forever Now”, no Museum of Modern Art em 2014. (Hiroko Masuike/The New York Times)

O pintor abstrato Mark Grotjahn declinou os pedidos para discutir seu sucesso – ou seja, o valor de US$ 16,8 milhões definido no leilão realizado há poucos meses na Christie’s.

Mas se Grotjahn, 49, não quiser falar sobre a alta do seu mercado ou do seu modelo de negócios, a arte com certeza fala. Ele conseguiu assumir o controle da sua carreira e influencia o valor monetário de suas obras de uma maneira rara para um artista da sua geração.

“Provavelmente, hoje ele é o artista mais solicitado do que qualquer outro”, disse o colecionador Alberto Mugrabi. “É tão bom que controla tudo. Controla quando as galerias fazem as exposições, controla a quem elas vendem um quadro — ele está no topo”.

Enquanto antes os artistas mantinham em grande parte um relacionamento monogâmico com os seus marchands e se alegravam por não precisar se preocupar com os detalhes dos negócios, agora muitos preferem o caminho seguido por Grotjahn, procurando maximizar sua exposição internacional por meio de múltiplas galerias, e administrando ativamente seus próprios mercados.

Grotjahn é representado por quatro marchands sem a promessa de exclusividade. Ele mantém um relacionamento direto com os seus colecionadores e ocasionalmente vende para eles diretamente do seu estúdio, passando por cima dos marchands. Este rigoroso controle significa que ele pode influir no preço de venda de sua obra nos leilões, o que pode levar a lances maiores.

“É o artista mais importante da sua geração”, disse o magnata da mídia David Geffen, dono de seis quadros de Grotjahn.

“Comprei obras do seu estúdio; e já comprei obras em particular”, acrescentou, referindo-se aos marchands. “Comprei uma escultura dele para o Museum of Modern Art. Ele procura vendê-las a colecionadores e não a investidores”.

Quando os colecionadores compram sua obra, Grotjahn espera que a conservem ou a doem a um museu; ele procura não vendê-la a compradores que costumam vender obras visando o lucro.

Sem título.png00.jpgMark Grotjahn em seu estúdio no centro de Los Angeles, em 2014. (Monica Almeida para The New York Times)


Ele realizou sua primeira exposição individual como a Blum & Poe, na época uma jovem galeria de Santa Mônica, na Califórnia, em 1998 e 2000. Vendeu apenas um quadro na segunda exposição, por US$1.750, e definiu esta experiência “uma verdadeira surra”.

Hoje, entre os museus que têm obras de Grotjahn estão o Museum of Modern Art, o Solomon R. Guggenheim Museum, Whitney Museum of American Art, Museum of Contemporary Art de Los Angeles e Los Angeles County Museum of Art.

“Há sempre uma conversa consciente sobre a importância de se exporem quadros em museus e em grandes coleções”, disse Timothy Bloom, fundador da Blum & Poe. “Ela se torna uma metodologia bastante precisa”.

Talvez Grotjahn não perdoe Marie-Josée Kravis, presidente do MoMA, por vender uma obra que, de acordo com o que ele tinha entendido, iria para lá. A obra era uma das três pinturas do “Circo”, incluídas na pesquisa sobre pintura contemporânea do museu, intitulada “Forever Now”, de 2014; as outras duas foram doadas por seus proprietários Donald B. Marron, e o investidor bilionário Steven A. Cohen – também administradores do MoMA.

“Tanto a galeria quanto o artista ficaram muito decepcionados com a situação”, disse Blum.

Kravis disse em um e-mail: “Só posso declarar energicamente que nunca vendi um quadro prometido ao MoMA de qualquer artista”.

Enquanto a maioria dos artistas prefere distanciar-se ao máximo dos leilões, Grotjahn influi na maneira como suas obras são expostas e descritas nos catálogos dos leilões e tenta influir também quanto quem as compra.

“Enfim, é ele que toma as decisões”, desse Loic Gagosian, copresidente do Christie’s de arte contemporânea e do pós-guerra nas Américas. “É ele que manda nas relações com as suas galerias”.

Essas galerias — como Larry Gagosian, Anton Kern e Shane Campbell — podem se aborrecer, mas aceitaram sua independência.

88r.jpg“Sem título (S III divulgado para a France Face 43.14)”, vendido por US$ 16,8 milhões. (Mark Grotjahn, via Christie’S Images Ltd.)


“Artistas como Mark conduzem o seu show, como deveriam”, disse Blum. “São eles que assumiram todo o risco e ficaram olhando para o vazio”.

Ao mesmo tempo, no mundo da arte, alguns temem que os preços de Grotjahn tenham ultrapassado sua obra.

“Eu seria um louco se considerasse o sucesso pelo montante de dinheiro”, disse Christoph Gerozissis, diretor sênior da Anton Kern. “Por outro lado, também seria um louco se o ignorasse”.

Nascido em Pasadena, Califórnia, Grotjahn recebeu o título de Master of Fine Arts pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e administrou uma galeria de arte em Hollywood. Ele é o perfeito conhecedor do mundo das artes de Los Angeles, particularmente desde que passou a fazer parte do conselho de diretores do Museum of Contemporary Art, há três anos.

Ex-apreciador de bebidas alcoólicas que costumava jogar pôquer para ganhar dinheiro, assentou na vida com a esposa, a pintora Jennifer Guidi, e depois do nascimento de suas duas filhas (embora ele ainda poste muitas vezes imagens excêntricas — e um tanto quanto picantes no Instagram para cerca de 25 mil seguidores).

Os especialistas afirmam que a arte de Grotjahn deverá perdurar por causa do seu talento, que é real e significativo.

E, embora vender obras diretamente do próprio estúdio seja tradicionalmente um tabu, alguns afirmam que isso indica que ele é mais poderoso.

“Quem disse que ele não pode?”, perguntou Ann Philbin, diretora do Hammer Museum de Los Angeles. “Essa regra não está escrita; além disso, ele costuma infringir as regras”. [Robin Pogrebin]