Patricia Carparelli inaugura instalação na Galeria Kogan Amaro

Patricia Carparelli. Crédito: Iara Morselli

Patricia Carparelli inaugura, hoje, a instalação Amômetro, na Galeria Kogan Amaro. A obra tem 110 metros lineares de tecido pintado com tinta guache e dividida em camadas. “O público poderá passear por este labirinto como se entrasse em uma tela 3D, que provoca múltiplas sensações”, explica a artista.

Cupertino: Apple revela planos de escultura usando areia de 58 desertos do mundo

Mais de 400 colunas de vidro fundido combinarão todos os desertos do planeta em uma escultura externa semelhante a uma onda
By ALDO TOLEDO | atoledo@bayareanewsgroup.com | Bay Area News Group

Uma escultura pública chamada “Mirage” envolverá areia de 58 desertos ao redor do mundo dentro de tubos de vidro fundido que lembram uma duna de areia no Apple Park de Cupertino. (Courtesy of Apple) 

CUPERTINO – Uma nova escultura de arte pública feita de areia de 58 desertos do mundo transformará a aparência de um olival fora do centro de visitantes do campus da Apple no verão de 2022.

Batizada de “Mirage” pela artista escocesa Katie Paterson e pelo escritório de arquitetura alemão Zeller & Moye, a escultura consistirá de 400 colunas de vidro fundido puro feitas de areia do deserto e formadas em três paredes transparentes semelhantes a ondas que imitam uma duna do deserto.

Funcionários da Apple disseram que a escultura é um projeto multimilionário que envolve uma equipe de dezenas de artistas, arquitetos, geólogos e especialistas em deserto, todos com o objetivo de criar um espaço público ao ar livre na enorme sede da empresa em Cupertino.

“Nosso objetivo é reunir todos os desertos da terra”, disse Paterson. “Os visitantes poderão caminhar de leste a oeste em torno de cada deserto do planeta. Vamos fazer deste um espaço microcosmo que traz todos esses desertos imensos e diversos ali mesmo para o Apple Park. ”

Não será pouca coisa pegar areia de todos os desertos do mundo, derretê-la em vidro e montá-la em Cupertino.

Paterson – conhecido por obras expansivas como Hollow no Royal Fort Gardens em Bristol, Reino Unido – disse que um projeto dessa escala não foi feito antes e será necessária cooperação em nível global para realizá-lo.

Fabricar vidro com areia do deserto é algo que Paterson pensou em fazer antes, mas depois de fazer parceria com Zeller & Moye, a escultura “realmente ganhou vida”, disse ela. As duas equipes trabalharam juntas antes de 2016 em Hollow, uma estrutura semelhante a um dossel feita de árvores do mundo todo.

Os planos do escritório de arquitetura prevêem três segmentos de linhas feitas de colunas de vidro conectadas em um espaço central, dando ao espaço três “entradas principais”, disse Moye. A natureza de forma livre da escultura criará pequenos nichos e bolsos onde as pessoas podem experimentar um momento de silêncio enquanto são envolvidas pela estrutura, disse Moye.

“Estamos trabalhando com esses materiais de forma experimental, mas focando em um material como o núcleo da arte: areia do deserto”, disse Moye. “Tem essa qualidade artesanal por causa do vidro fundido, então vai apresentar muitas variações e formas e descolorações.”

Laurence des Cars será a primeira mulher presidente do Louvre em 228 anos de história

Laurence des Cars, que atualmente preside o Musée d’Orsay e o Musée de l’Orangerie, assumirá o cargo em setembro
New York Times

Laurence des Cars será a primeira mulher a presidir o Louvre em 228 anos de história Foto: Alain Jocard/AFP

O Museu do Louvre vai ter uma primeira mulher presidente, ou presidenta, em seus 228 anos de história.

Laurence des Cars, que atualmente preside dois outros museus parisienses, o Orsay e o Orangerie, assumirá o cargo — um dos mais importantes no mundo das artes — no dia 1º de setembro, afirmou o ministério da Cultura da França em um comunicado.

A nova presidente assumirá o museu — que tem um orçamento anual de 240 milhões de Euros, mais de 2 mil funcionários e uma filial no norte da França — em um momento difícil. A pandemia interrompeu o turismo internacional, do qual Paris e o Louvre sempre se beneficiaram. Antes da chegada da Covid- 19, o Louvre recebia anualmente 10 milhões de visitantes, o que o colocava na confortável posição de museu mais visitado do mundo.

A missão de Laurence des Cars incluirá atrair mais jovens ao museu e aumentar as parceria internacionais da instituição.

Des Cars, de 54 anos, conhece bem o Louvre já que estudou História da Arte na École du Louvre, a escola do museu. Ela gerenciou o projeto do Louvre Abu Dhabi, um museu inaugurado em 2017 nos Emirados Árabes por meio de uma licenciamento da marca Louvre.

Este ano, ela foi nomeada diretora do Musée d’Orsay, onde foi elogiada por exposições realizadas em colaboração com instituições como o Metropolitan Museum of Art, de Nova York. A mostra “Black Models: From Géricault to Matisse”, de 2019, concentrada em figuras negras até então ignoradas pela arte francesa, e que foi desenvolvida junto com a nova-iorquina Wallach Art Gallery, é considerada um marco de seu trabalho.

O Museu do Louvre é estatal, por isso seu presidente é nomeado pelo presidente da França.

Há alguns meses, muitos acreditavam que Jean-Luc Martinez, que preside o Louvre desde 2013, ganharia um terceiro mandato de três anos. Foi em sua gestão que o museu chegou a 10 milhões de visitantes anuais.

Mas críticos a sua gestão afirmam que Martinez estava vulgarizando o nome do Louvre ao fechar parcerias com marcas como a fast fashion; ao permitir que um casal pernoitasse no museu para uma capanha do Airbnb; e ao ceder espaço para que Beyoncé e Jay-Z filmassem o clipe de “Apes**t.”

Martinez vai continuar no museu, que reabriu no dia 19 de maio depois de ficar fechado por meses, at´r 31 de agosto. A partir daí, ele se tornará embaixador do Patrimônio , responsável por coordenar a participação da França em projetos internacionais.

Zwirner pode mudar o modelo de negócio das galerias com seu website de compra de arte online

Platform venderá 100 obras de arte online através de pequenas galerias, por preços que vão de 2.500 dólares a 50.000 dólares
Robin Pogrebin, The New York Times

Platform
Platform venderá 100 obras de arte por mês online por meio de galerias menores, por US $ 2.500 a US $ 50.000. Foto: Matt Grubb/The New York Times

O mundo da arte está apenas começando a responder às perguntas levantadas pela pandemia, como: as feiras de arte presenciais são coisa do passado e as salas virtuais serão o futuro? Os museus manterão a proibição de não se tocar na obra e as casas de leilões continuarão com seus salões globais online?

Um galerista colossal, David Zwirner decidiu apostar no que desprezou no ano passado: a necessidade de um mercado de venda de obras de arte originais online, em que basta clicar para comprar. E assim criou a Platform, website lançado na quinta-feira e que a cada mês oferecerá 100 obras apresentadas por 12 galerias independentes de todo o mundo com preços que variam de 2.500 dólares a 50.000 dólares.

“Vimos que existe um espaço real no mundo da arte para o e-commerce”, disse ele numa entrevista por telefone. “Há um público que não sabíamos que existia. Essas pessoas não vão a galerias necessariamente e não vão a feiras de arte. Elas buscam tudo isso online”.

Ele notou que esse público é formado na maior parte “por millenials”, que descobrem arte através do Instagram e por meio do boca a boca. “O mundo da arte nunca os satisfez”.

Zwirner apresentou um projeto piloto da Platform no ano passado e várias galerias participantes vêm retornando para a nova iteração, incluindo Bridget Donahue e a Night Gallery. Entre os novos parceiros estão BortolamiCharles Moffett Jessica Silverman. E entre os artistas que o website apresentará inicialmente estão Kenny RiveroJane Dickson e Jibade-Khalil Huffman.

Na verdade, websites como Artsy e Artnet vem vendendo obras de arte online já há algum tempo. E no ano passado a Sotheby’s lançou sua Gallery Network, um espaço de compra de arte online com obras custando até 150.000 dólares.

Mas no caso de um colosso com uma imensa capacidade profissional como Zwirner, o seu empreendimento online representa um abandono significativo do modelo tradicional de galeria com atividades presenciais. As informações adicionais oferecidas sobre as obras de arte são mais extensas e em muitos casos os artistas produzem trabalhos especialmente para a plataforma.

“Todos vêm tentando imaginar esse novo cenário, que depende muito do conteúdo digital e da venda de material sem que ele seja visto pessoalmente”, disse Moffett. “Experimentamos várias plataformas diferentes e ficamos menos satisfeitos com os resultados. Obviamente a marca David Zwirner é muito respeitada e meus artistas gostaram da ideia de mostrar seus trabalhos na plataforma dele, de modo que pensei, por que não dar uma chance a ela?”.

Os céticos dirão que Zwirner está apenas tentando conquistar publicidade e gerar simpatia com uma ação paternalista, tipo Robin Hood, que no final vai propiciar à sua própria galeria 20% de cada venda feita na Platform. E algumas pessoas do mundo da arte se preocupam de que o website seja meramente uma espécie de liga menor de times para Zwirner – uma maneira de desenvolver artistas novos, atraí-los para as pequenas galerias e colher informações sobre a clientela dessas galerias.

“Não teria interesse em fazer algo desse tipo – é mais uma espécie de lobo em roupa de cordeiro”, disse o marchand Larry Gagosian. “Meu conselho para essas galerias menores é que preservem sua própria identidade e marca – mesmo que não consigam chegar ao nível de uma grande galeria, trabalhem dentro dos seus recursos e não entreguem seus artistas e listas de clientes para alguém que poderá se beneficiar disso num determinado momento”.

Zwirner disse que deseja colaborar com essas galerias menores e não as suplantar ou explorá-las. E cita, por exemplo, a recente adição à galeria da escultora nascida na Romênia Andra Ursuta, que continuaram a expor com Ramiken Crucible e Harold Ancart, que continua trabalhando com uma galeria menor, a Clearing.

Lucas Zwirner, filho do marchand e que dirigiu a criação do website sublinhou que a mega-galeria está investindo em material no site que dará mais visibilidade aos artistas, incluindo entrevistas e vídeos.

Platform
Parte da equipe Platform, a partir da esquerda: Armani Smith, Lucas Zwirner, Marlene Zwirner, Bettina Huang, Liley Huo (na frente), Richard Thayer, Martin Lerma e Taylor Langone Foto: Martyna Szczesna via The New York Times

“Não estamos apenas pegando arte e vendendo. Estamos ajudando artistas a criarem uma carreira e promovê-los”, afirmou ele.

Segundo Moffett, esse sistema de clicar para comprar é um pouco inquietante, substituindo o botão “investigar”, que inicia uma conversa com a galeria. “Tenho muito orgulho em colocar as obras dos meus artistas de uma maneira cuidadosa e a ideia de que se está colocando os trabalhos desses artistas à mostra para qualquer pessoa comprar é um pouco desgastante. Eu preferiria investigar primeiro, mas acho que vale a pena botar fé na plataforma”

“Se eu tivesse uma opção, preferiria fazer primeiro uma investigação, mas acho que vale a pena esse ato de confiança”, disse ele.

Na verdade, no caso em que os marchands normalmente se esforçam muito para colocar obras de arte em museus importantes e colecionadores reputados, a Platform permite que qualquer pessoa, salvo os malandros, comprem. Mas essa democratização e a transparência dos preços postados, em comparação com a costumeira opacidade das galerias quanto ao valor das obras – são importantes para o novo negócio, disse David Zwirner.

O empreendimento tem por objetivo cultivar uma nova estirpe de comprador, aquele que se sente mais à vontade em tomar uma decisão por si próprio, menos interessados na ajuda que os marchands oferecem.

“Não tenho tempo para ir a cada nova galeria”, disse Dorian Grinspan, colecionador de Nova York. “É interessante ter um lugar onde você encontra uma mostra mais seleta do que vou encontrar por aí no mercado”.

Zwirner disse que gosta da ideia de que um empreendimento como a Platform vai poupar sua galeria – e as pequenas galerias colaborando com ele – dos gastos enormes das múltiplas feiras de arte a cada ano.

“Nunca voltaremos à antiga maneira de trabalhar. Vamos deparar com um mundo da arte muito mais amplo do que imaginávamos. Se ele provar ser um mercado primário robusto, o céu é o limite”, disse ele.

Tradução de Terezinha Martino

‘Galerias Ipanema e Jaqueline Martins comemoram o sucesso das trajetórias’

Alice Ferraz

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A galerista Jaqueline Martins.    Foto: Galeria Ipanema

O cenário artístico fervilhava na década de 1960 por todo o Brasil. Criativos de diferentes áreas lançavam mão de produções variadas e instigantes para mobilizar um país que vivia sob grande repressão, mas talvez também por isso, em um terreno fértil de ideias. Entre os nomes que despontavam estava o de um jovem empreendedor apaixonado pelas artes plásticas e de olho no potencial de mercado que a cena apresentava. 

Luiz Sève era dono de um olhar afiado para detectar novos talentos que emergiam do turbilhão nacional. Entre seus achados estavam os nipo-brasileiros Tomie Ohtake (1913-2015) e Manabu Mabe (1924-1997), dois dos nomes que compuseram a exposição de inauguração da Galeria de Arte Ipanema, em 1965, no emblemático Hotel Copacabana Palace. O sucesso foi absoluto. 

Depois de 55 anos, Luiz segue à frente do espaço, que possui uma das mais interessantes coleções modernas do Rio – além de ser uma das mais antigas galerias do País. A longevidade, para o galerista, vem atrelada a muito amor pelo que faz. “Arte é uma paixão. Poder conviver em meio a essa beleza é um prazer inenarrável. Esse prazer apaga qualquer dificuldade que tive no percurso”, afirma. Como braço direito e na direção da Ipanema está a filha Luciana Sève, que veio do mercado financeiro trazendo para o espaço mais agilidade e uma dose extra de amor pelo segmento. 

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Luiz e Luciana Sève, fundador e diretora da Galeria de Arte Ipanema   Foto: José Pelegrino

Assim, o ano é de celebração para a família Sève, que inaugura no mês de junho a segunda da série de exposições que celebram a trajetória da Ipanema. Corpos: O Relicário de um Tempo reúne algumas das imponentes obras que compõe a coleção da galeria, entre elas produções de nomes como Di Cavalcanti, Wesley Duke Lee e os contemporâneos Waltercio Caldas e Cildo Meireles. A mostra coloca o corpo no lugar de santuário que materializa ideias, crenças e lutas, transcendendo as barreiras atuais para alcançar o sentido da vida. Do ideal de perfeição e da constituição de uma cultura humanista baseada na razão e na ciência até a representação do corpo divino, como crença e louvor. 

O corpo como forma de expressão também permeia a trajetória da galerista Jaqueline Martins, que comemora 10 anos de seu espaço homônimo, em São Paulo. Dedicada inicialmente ao resgate de artistas e práticas experimentais dos anos 1970 e 1980, a galeria promove este ano uma programação que reverbera e atualiza os principais eixos que guiaram a sua atuação na última década: exposições de artistas históricos em diálogo com jovens contemporâneos. 

A história da galeria Jaqueline Martins também se confunde com as pesquisas individuais da fundadora pelos catálogos e arquivos da arte brasileira. Tal mergulho realizado dentro da produção conceitual, política e processual do País foi fundamental para os primeiros passos do espaço e a definição de um dos pilares de sua missão como galerista: reapresentar ao público artistas cuja produção experimental nunca mais foi vista desde as primeiras apresentações em Bienais e outras exposições, como o caso de Letícia Parente, Lydia Okumura e Hudinilson Jr.  Atualmente localizada em um prédio industrial de 600m² na Vila Buarque, São Paulo, a galerista inaugurou no ano passado um espaço em Bruxelas, na Bélgica, iniciativa que amplia o alcance internacional da arte brasileira. 

É no endereço estrangeiro que será inaugurada, em junho, a mostra de Daniel de Paula, Veridical Shadows, que exibe as investigações inéditas do artista sobre as estruturas políticas, sociais, econômicas, históricas e burocráticas que moldam lugares e relações. “Temos o desafio de sobreviver a mais um ano de pandemia sem perder a criatividade e o desejo genuíno de ser uma galeria que apoia o desenvolvimento dos artistas, além de reinventar a forma como nos comunicamos, trazendo as discussões inerentes a nossa situação atual de forma produtiva” avalia Jaqueline.

Quadro de Picasso é vendido por US$ 103 milhões em Nova York

Valor comprova vitalidade do mercado de arte e status especial do artista espanhol
AFP, O Estado de S.Paulo

Mulher Sentada Junto a uma Janela, de Pablo Picasso

A obra Mulher Sentada Junto a uma Janela, de Pablo Picasso, foi comprada na quinta-feira, 13, por US$ 103,4 milhões na casa de leilões Christie’s, em Nova York, informou a empresa. O quadro, concluído em 1932, foi vendido por US$ 90 milhões, que subiram para US$ 103,4 milhões com a adição de taxas e comissões, após 19 minutos de leilão, segundo a Christie’s.

A obra, que representa a amante e musa de Picasso, Marie-Thérèse Walter, quase dobrou o valor da estimativa inicial divulgada pela Christie’s, de US$ 55 milhões. A venda confirma a vitalidade do mercado de arte, que não sofreu os efeitos da pandemia, mas também o status especial de Pablo Picasso (1881-1973).

O bom resultado geral do leilão de quinta-feira, que atingiu US$ 481 milhões, “sinaliza uma verdadeira volta à normalidade”, disse Bonnie Brennan, presidente da Christie’s America, em uma entrevista coletiva virtual. “O mercado de arte está realmente de volta aos trilhos.”

A mesma pintura foi comprada há apenas oito anos por seu atual proprietário em um leilão de Londres por US$ 44,8 milhões, menos da metade do preço oferecido nesta Quinta-feira. Cinco obras do pintor espanhol já ultrapassaram o patamar simbólico dos US$ 100 milhões.

A obra ‘Femme assise près d” une fenêtre (Marie-Thérèse)’, de Pablo Picasso, vendida por US$ 90 milhões Foto: EFE/Christie’s

“É apenas um artista, mas também são sete artistas ao mesmo tempo”, disse Giovanna Bertazzoni, vice-presidente do departamento de obras dos séculos 20 e 21, após a venda, em referência aos diferentes períodos do artista e à evolução de seu estilo.

Antes mesmo desta venda, o artista espanhol já estava à frente deste seleto grupo, com quatro pinturas, entre as quais Les femmes d’Alger, que detém o recorde para um Picasso de US$ 179,4 milhões, em maio de 2015.

É a primeira vez em dois anos que uma obra ultrapassa US$ 100 milhões, após uma cópia da série Meules de Claude Monet arrecadou US$ 110,7 milhões na Sotheby’s em Nova York.

Na terça-feira, a tela In This Case do pintor americano Jean-Michel Basquiat foi vendida por US$ 93,1 milhões na Christie’s durante a primeira das grandes vendas da primavera no hemisfério norte (outono no Brasil).

O ano de 1932 é frequentemente considerado o mais prolífico de Picasso. Várias exposições importantes foram dedicadas à produção do artista espanhol naquele ano.

Curadora Sarah Meister do MoMA falará sobre fotografia modernista brasileira em live

Museu receberá exposição sobre o tema em maio deste ano

Sarah Meister, MoMA Photography Curator

Sarah Meister, curadora à frente do Departamento de Fotografia do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), participará de live do Itaú Cultural no dia 19 de maio. As inscrições para participar começam no dia 5 de maio.

Na conversa, será abordada a exposição “Fotoclubismo: Fotografia Modernista Brasileira – 1946-1964”, que será inaugurada no dia 8 de maio no museu americano. ​

HOA é a primeira galeria brasileira fundada e dirigida por equipe 100% negra

Idealizada por Igi Lola Ayedun, a HOA nasce com modelo híbrido inédito, que mescla experiências presenciais e virtuais MARINA DIAS TEIXEIRA | FOTO WALLACE DOMINGUES/CORTESIA HOA

Igi Lola Ayedun, à frente da primeira galeria brasileira fundada e dirigida por equipe inteiramente negra, convida à reflexão (Foto: Wallace Domingues/cortesia HOA)

Igi Lola Ayedun, 30 anos, já transitou por diversos âmbitos criativos, como moda, publicidade e educação. Ela é a artista multimídia por trás da HOA, “uma residência artística e galeria hospedada em todos os lugares (desde que você tenha conexão de internet)”, como declara seu manifesto.

Inaugurada no segundo semestre de 2020, a primeira galeria do Brasil fundada e dirigida por uma equipe inteiramente negra propõe um modelo híbrido inédito, que mescla experiências presenciais e virtuais. Sem perder de vista a verve digital sob a qual nasceu, ela funcionará fisicamente no centro cultural independente EspaçoCC (onde Igi posa na foto ao lado), no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, até julho de 2021. Em poucos meses, a estreante já compareceu à SP-Arte e à ArtRio, e integrou a plataforma internacional Artsy.

Nomes como Davi de Jesus do Nascimento, Jota Mombaça e Lidia Lisboa constam da lista de representados – em sua maioria, artistas afrodescendentes. Igi afirma que “não é a lógica colonial que a gente quer obedecer”, razão pela qual busca montar um negócio “que dê direito ao sensível”, como diz. Quando perguntada sobre ser pioneira no país com sua black-owned gallery, ela devolve: “Como as pessoas se sentem ao entender que a HOA surgiu a partir disso? Surpresas, abismadas, representadas? Com vontade de fazer algo semelhante, para termos muito mais?” Fica o convite à reflexão.

Conheça a trajetória de Marlene Taschen, CEO da editora de arte mais prestigiada do mundo

Herdeira da Taschen, império editorial construído por seu pai, executiva afirma ter planos de abrir uma filial no Brasil
Fernando Eichenberg

Marlene Taschen Foto: Hannelore Foerster/Getty Images

Aos 31 anos, Marlene Taschen soube de forma inusitada de sua nomeação como CEO da editora alemã Taschen, célebre tanto por democratizar os livros de arte como transformá-los em verdadeiros objetos de luxo. Seu pai, Benedikt Taschen, fundador da editora, era entrevistado ao seu lado numa das livrarias da casa, em Berlim, e sem aviso prévio fez o anúncio. “Receber esta responsabilidade, assim deste jeito, foi um choque. Mas decidi aceitar o desafio”, conta ela em uma conversa por Zoom de Londres, onde vive com o marido e a filha Aurelia, de 9 anos.

Hoje, aos 35, Marlene, que deu à luz no final de janeiro a uma segunda menina, dirige da capital britânica as criações e os negócios da Taschen, que tem sede na cidade alemã de Colônia e 13 livrarias no mundo. E diariamente, no final do dia, faz uma reunião virtual de trabalho com o pai, que mora na famosa Chemosphere, uma casa suspensa em forma de disco voador projetada pelo arquiteto John Lautner, em 1960, nas colinas de Hollywood.

A Taschen nasceu em 1980 como uma livraria de HQs em um modesto espaço de 25 metros quadrados em Colônia, inaugurada pelo então jovem empreendedor Benedikt na véspera de completar 19 anos. Logo se tornou uma marca de referência por suas edições sobre artes em geral, fotografia, arquitetura, design, erotismo, viagem ou lifestyle, em parcerias exclusivas com grandes nomes internacionais.

Na infância, Marlene conheceu artistas como Jeff Koons e a ex-atriz pornô Cicciolina. Aos 18 anos, recebeu a missão de acolher no aeroporto, sozinha, Muhammad Ali, que desembarcava para as dedicatórias da obra “GOAT (Great of All Times)”, uma homenagem ao fenômeno do boxe em edição limitada da coleção SUMO, de livros de dimensões gigantescas. Apesar da precoce convivência com o universo da editora, seu percurso foi sinuoso até entrar profissionalmente na empresa familiar.

Aos 16 anos, saiu de casa para morar com um namorado. Aos 18, deixou a Alemanha para passar temporadas na Austrália, em uma experiência de intercâmbio, e depois no Panamá, por amor a um australiano. Mais tarde, acabou se estabelecendo na Inglaterra. Diplomada em Comércio e Psicologia, colaborou em Londres com o “Museum of everything”, exposição itinerante de arte bruta criada pelo colecionador James Brett.

Foi em 2011, aos 26 anos, grávida, que surgiu o interesse de ingressar na Taschen: “Enquanto a Aurelia crescia dentro de mim, me dizia por que não dar minha energia para a empresa da família”, lembra. O pai ficou feliz. “Um dos primeiros projetos de que participei foi o livro ‘Gênesis’, de Sebastião Salgado”, conta.

O Brasil continua presente nos planos da editora. Para este ano, além de uma nova obra do fotógrafo brasileiro, sobre a Amazônia, está prevista uma reedição atualizada do livro da artista Beatriz Milhazes. Mais do que isso: o país poderá ter em breve sua primeira livraria Taschen. “Há uma possibilidade, hoje, de uma parceria bem interessante para uma loja em São Paulo. Acho que seria bem bom. Estou também pessoalmente envolvida como integrante do conselho do Instituto Terra, do Salgado. E ainda temos a pretensão de um grande projeto sobre Oscar Niemeyer. Tivemos, inclusive, a assinatura dele, já adiantamos uma parte do trabalho, e espero que um dia chegue o momento de concretizá-lo”, diz Marlene.

O catálogo de 2021 promete ainda obras dos artistas britânico David Hockney e da mexicana Frida Kahlo e do estilista americano Virgil Abloh, diretor criativo da linha masculina da Louis Vuitton. “Hockney planejou permanecer todo o ano de 2020 em sua casa no interior da Normandia, pintando todas as mudanças das estações em um Ipad. Será um belo e poético artwork de 220 desenhos. O livro de Frida Kahlo foi algo muito difícil, nossa equipe está exausta. Trabalhamos com muitos museus e colecionadores, e tivemos de lidar também com o governo mexicano, em uma operação complicada. Em termos de conteúdo visual, será a obra mais substancial e ambiciosa já publicada sobre ela, um livro sobre vida e arte, com muitas fotos e pinturas”, conta. Já a obra de Abloh surpreendeu pela enorme quantidade de encomendas antes mesmo de ser lançada. “Foi uma loucura. Incrível como a notícia se espalhou rapidamente, e a demanda foi impressionante. Tivemos de reimprimir antes do lançamento, algo inacreditável”, espanta-se.

Nos seu horizonte está também um maior investimento em livros para crianças e em torno dos universos do tarô e da cozinha, e para este último formou uma parceria com a publicação britânica The Gourmand. “Temos as mesmas visões de estilo e de estética. Hoje estava conversando com eles sobre o nosso primeiro livro, que será exclusivamente sobre o ovo. Não terá apenas receitas, mas também referências na arte, no cinema. Será uma abordagem artística e cultural do ato de cozinhar”, revela.

Em 2020, para comemorar seus 40 anos de existência, a Taschen criou a coleção T40, de edições compactas de grandes sucessos XL da editora (Ai Weiwei, Araki, Tadao Ando, Basquiat, Bruegel), que sai a 20 euros, na Europa. Ao mesmo tempo, são vendidas edições limitadas a valores elevados. O livro sobre a marca Ferrari, por exemplo, esgotou em uma semana a 25 mil euros, o exemplar. A coleção SUMO pode trazer inseridas tiragens de trabalhos dos artistas, e inclui ainda móveis de apoio para os livros concebidas por nomes como Philippe Starck, Marc Newson e Renzo Piano. “É algo muito único para uma empresa, não apenas para um publisher, atuar nestes dois extremos. Somos muito orgulhosos desta abordagem democrática. Nossas edições limitadas são fantásticas, e investimos tudo para fazê-las da melhor forma. Não há economias para alcançar a excelência. Vendemos por um preço caro, e depois fazemos uma versão comercial”, justifica Marlene.

Já a coleção de fotografia erótica, iniciada nos anos 2000 sob a curadoria de Dian Hanson, não contribuiu de forma significativa para as vendas, mas colaborou para dar visibilidade ao universo homossexual e queer. “Somos bastante orgulhosos de alguns destes livros, porque ajudaram a uma certa liberação, tive testemunhos pessoais disso. Eram criativos e de espírito aberto. Alguns não publicaríamos novamente, mas no conjunto não temos nada a esconder. Dian é uma expert em sexualidade, e pensamos em editar livros sobre sexo em geral”, confirma.

No ano que passou, sem poder viajar e com jornadas limitadas no escritório por causa da pandemia, e grávida, Marlene refletiu sobre os novos tempos em meio à Covid-19. Seu pai teria dito certa vez: “Quando a maré está baixa, vê-se o banhista nu”. “Não é um bom momento para o mundo, são tempos bastante tristes. Fizemos 40 anos em 2020, havia muitos eventos planejados e um programa para o Japão em torno da Olimpíada, e por causa da pandemia tudo mudou. Usei o tempo muito bem para ter uma visão clara, mais focada. Quando tudo está bem, você deixa o barco correr, mas em momentos ruins, nota outras coisas que não veria em situações normais e que devem ser mudadas. Para nós, foi uma catalisador para mudar e melhorar.”