Masp começa preparativos de exposição do Van Gogh marcada para 2025

Ainda não se sabe quais obras do pintor holandês estarão expostas no local; mostra vai fazer parte do ciclo ‘Histórias da Loucura’

Quadro ‘The Starry Night’, de Vincent Van Gogh Foto: ‘The Starry Night’/Vincent Van Gogh/Divulgação

Museu de Arte de São Paulo (Masp) já está em pleno vapor com os preparativos da próxima exposição de Van Gogh, programada para entrar em exibição ao público apenas em 2025. A expectativa é que grandes obras do pintor holandês, como O Escolar (1888) e Noite Estrelada (1889), façam parte da mostra.

Um tempo tão grande de antecedência não é algo muito comum neste universo, no entanto, quando se fala de artistas da envergadura de Van Gogh, esse tipo de situação simplesmente pode acontecer, já que o processo de negociação para o empréstimo das obras pode se estender por alguns anos. Vale lembrar que ele tem quadros sob a curadoria do Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova York e do Museu Van Gogh em Amsterdã, na Holanda.

Nesta futura exposição, o pintor holandês vai fazer parte do ciclo Histórias da Loucura, tema que irá pautar a programação do Masp em 2025. No entanto, informações como quais serão as obras expostas ou até mesmo quem são os outros artistas da programação, ainda não foram reveladas.

Outra dúvida que fica também é se a mostra, acompanhando a recente tendência do digital, vai apresentar alguma interatividade, como é o caso da Tarsila para Crianças no Farol Santander e da Leonardo DaVinci – 500 Anos de Um Gênio, que está em exibição no Museu da Imagem e do Som – MIS.

A última exposição de Van Gogh em São Paulo foi no Shopping Pátio Higienópolis, entre os meses de agosto a setembro deste ano. Na ocasião, os visitantes puderam vivenciar uma experiência imersiva nas obras do pintor, por meio de cenários feitos com os icônicos quadros Irises (1890), Amendoeira em Flor (1888 a 1890), Campo de Trigo com Corvo (1889) e, obviamente, A Noite Estrelada.

Devemos parar de admirar Paul Gauguin?

Numa época de sensibilidade extrema às questões de gênero, raça e colonialismo, exposição de obras do pintor impulsiona questionamentos
Farah Nayeri, The New York Times

‘Tehamana tem muitos pais’, retrato da amante menor de idade de Paul Foto: Instituto de Arte de Chicago

LONDRES – “Está na hora de pararmos de vez de olhar Gauguin?” Esta é a pergunta espantosa que os visitantes ouvem no guia áudio, circulando pela mostra Gauguin Portraits na National Gallery, em Londres. A mostra, que irá até 26 de janeiro, exibe autorretratos do pintor, retratos de amigos, de colegas artistas, dos filhos que ele teve e das jovens com as quais viveu no Taiti.

O retrato que se destaca na exposição é Tehamana tem muitos pais (1893), da amante adolescente de Gauguin, segurando um leque. O artista “manteve frequentemente relações sexuais com adolescentes, ‘casou’ com duas delas e teve filhos”, diz  o texto na parede. “Indubitavelmente, Gauguin explorou sua posição de ocidental privilegiado para aproveitar da liberdade sexual de que desfrutava”.

Nascido em Paris, Gauguin passou os primeiros anos de sua vida no Peru, antes de  regressar à França. Começou a pintar com pouco mais de 20 anos e viajou para Taiti de barco em 1891. Gauguin viveu grande parte dos 12 anos restantes de sua vida no Taiti e na ilha de Hiva Oa, na Polinésia francesa.

No universo dos museus, Gauguin é um sucesso de bilheteria. Entretanto, em uma época de extrema sensibilidade às questões de gênero, raça e colonialismo, os museus estão reavaliando o seu legado.

Há cerca de vinte anos, uma mostra sobre o mesmo tema “teria sido um grande negócio principalmente sobre a inovação formal”, disse Christopher Riopelle, um dos curadores da mostra da National Gallery. Agora, tudo deve ser revisto em um contexto muito mais pormenorizado”. “Não acho mais que seja suficiente dizer: ‘Bom, eles se comportavam assim naquela época’ ,” afirmou.

A mostra é uma co-produção com a National Gallery do Canadá em Ottawa, onde abriu no fim de maio. Dias antes da inauguração, a diretora do museu que havia sido nomeada pouco tempo antes, Sasha Suda decidiu editar alguns dos textos afixados ao lado dos quadros. Nove rótulos foram mudados para evitar  linguagens culturalmente insensíveis. Em outros lugares, o seu “relacionamento com uma jovem taitiana” mudou para “o seu relacionamento com uma menina taitiana de 13 ou 14 anos”.

A mostra deveria “ter tratado destas questões de uma maneira mais aberta e transparente que falasse ao público contemporâneo,”  indicou Suda em uma entrevista. Tratar dos “pontos cegos” da obra de artistas históricos “poderia tornar estes artistas mais relevantes”, acrescentou. Para outros profissionais dos museus, o reexame da vida de artistas do passado, da perspectiva do século 21, é arriscado.

“Eu posso ter horror e sentir asco pela pessoa, mas a obra é a obra”, explicou Vicente Todoli, diretor artístico da fundação de arte Pirelli HangarBicocca de Milão. “Uma vez que um artista cria algo, isto deixa de pertencer ao artista, passa a pertencer ao mundo”.

Entretanto, Ashley Remer, uma curadora da Nova Zelândia, que em 2009 fundou a girlmuseum.org, um museu online sobre a representação de meninas na história e na cultura, insistiu que, no caso de Gauguin, as ações do homem foram tão escandalosas que ofuscaram a obra. “Ele foi um pedófilo arrogante, superestimado, paternalista, chegando a ser tosco”, afirmou.

Mesmo para os seus admiradores, Gauguin é um convite ao questionamento. “Adoro seus quadros, mas acho que ele é um tanto estranho”, comentou Kehinde Wiley, pintor afro-americano que descreveu Gauguin como um dos seus ídolos, ao ser entrevistado em 2017 em um filme da National Gallery. “A maneira como ele pinta estes corpos negros do Pacífico transmite a sensação do seu desejo. Mas como mudar a narrativa? Como mudar a maneira de olhar?”.

Para garantir que o legado artístico de Gauguin não seja manchado por seus “casamentos” com adolescentes, estes relacionamentos deveriam permanecer cobertos nas exposições, segundo Line Clausen Pedersen, curadora dinamarquesa que organizou várias mostras de Gauguin. Em cada exposição, “retira-se outra camada da proteção da história de que ele de certo modo se aproveitou”, disse. “Talvez tenha chegado o momento de arrancar mais camadas do que antes”. E acrescentou: “O que resta dizer a respeito de Gauguin é que devemos retirar toda a sujeira”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Este posto de gasolina é o mais divertido que você já viu

Camille Walala deu uma nova cara ao posto abandonado nos EUA agregando formas geométricas e cores vibrantes
POR LUCIANA RAMOS | FOTOS DIVULGAÇÃO

Um posto de gasolina, invariavelmente, designa uma parada de abastecimento do automóvel, portanto, passa a ideia de ser um local de passagem, de trânsito rápido, indiferente e, quando acompanhado de loja de conveniência, uma breve pausa no trajeto para comer. O que não estamos acostumados é que esse mesmo local também possa inspirar, ativar o bom humor e abastecer nossas ideias sobre coresformas e conceitos artísticos – ou seja, ser tão atraente e até se parecer com uma galeria de arte a céu aberto! Foi isso o que aconteceu com este posto de gasolina em Fort Smith, dos anos de 1950, no estado do Arkansas, EUA. O lugar virou ponto de referência artística na cidade graças à curadoria artísticas de Camille Walala, do artista local Nate Meyers e da comunidade ao redor.

Conhecida por, dentre outros, homenagear veteranos de guerra e ter uma barbearia que fora frequentada por Elvis Presley, Fort Smith reserva ainda a sensível caracterítica de unir o velho e o novo. É no cruzamento da grand avenue com a 11th street que surgiu o agora denominado Walala Pump & Go.

Após uma reforma promovida pela equipe criativa Justkids – que já estava realizando obras de arte urbana há cinco anos na cidade -, o estabelecimento foi transformado em ponto artístico. O prédio, antes abandonado, ganhou um visual pop, com formas geométricascores vibrantes e um banho de listras – tudo pensado pela curadoria artística de Camille Walala.

Por trás da beleza, uma luta pela sobrevivência no norte do Canadá

Cape Dorset tem artistas de sobra, mas poucos se tornam astros
Catherine Porter, The New York Times

Ooloosie Saila - NYTIW
Ooloosie Saila e o filho em vernissage recente em Toronto. ‘Nunca imaginei que poderia vender meus desenhos’, disse ela. Foto: Sergey Ponomarev para The New York Times

CAPE DORSET, NUNAVUT – Horas antes de pegar o avião para seu espetáculo de estreia em Toronto, Ooloosie Saila, uma estrela em ascensão no panorama da arte canadense, estava escondida no quarto da avó no limiar congelado do Oceano Atlântico, morta de medo.

Entre ela e o futuro havia um parente abusivo que estava bêbado e agressivo – mais uma vez. Ela fez as malas às pressas, tirou os dois filhos pequenos da cama e fugiu noite adentro.

Quatro dias mais tarde e 2.300 quilômetros depois, Ooloosie, 28 anos, chegou à galeria Feheley Fine Arts, em Toronto, onde o público elogiava sua “ousadia no uso” da cor e do espaço negativo. Muitos enxergam em Ooloosie uma artista experiente celebrada por seus retratos da paisagem Inuit – uma jovem indígena que encontrou o sucesso. Mas o mundo ao qual ela retornou após a inauguração é repleto de pobreza, alcoolismo e abuso doméstico.

Para os canadenses, a comunidade de Cape Dorset – cerca de 1.400 habitantes em uma baía envolta por montanhas baixas – é sinônimo de arte. Artistas locais produzem obras que decoram as paredes de escritórios corporativos e dos lares dos mais ricos. Imagens de Cape Dorset estampam os selos e cédulas do dinheiro canadense.

Se há uma cidade que poderia se libertar dos grilhões da pobreza que definiram a vida dos indígenas no Canadá, esta deveria ser Cape Dorset. Mas quase 90% dos moradores vivem em projetos públicos de habitação, superlotados e dilapidados. Suicídios são frequentes. 

Os Inuit de Cape Dorset já fizeram parte de uma cultura de caçadores na qual todos tinham uma função a desempenhar. Sobreviviam inteiramente a partir dos recursos da terra. Então, o governo os atraiu para a cidade com a promessa de moradia permanente e ensino. As autoridades repararam nas habilidades artísticas dos Inuit, imaginando que eles poderiam ganhar algum dinheiro com isso.

Em 1959, artistas criaram uma cooperativa com um conselho chefiado pelos Inuit. No centro da cidade há um símbolo do sucesso da cooperativa: um novo centro cultural moderno de US$ 9,8 milhões, com estúdios de arte e a primeira galeria do vilarejo.

Cape Dorset - NYTIW
Cape Dorset, no Canadá, é conhecida pela arte, mas a comunidade é afetada pelo abuso doméstico, pobreza e alcoolismo. Foto: Sergey Ponomarev para The new York Times

Um grande número de artistas procura o centro cultural trazendo suas obras, com a expectativa de ganhar algum dinheiro. A cooperativa os recompensa pelas obras, independentemente de conseguir vendê-las. 

De acordo com uma estimativa do governo, a maioria dos artistas no território ganha apenas cerca de US$ 2.080 por ano. Uma vez descobertos, os astros ganham mais. Um punhado de artistas conseguia ultrapassar a marca de US$ 75.000 ao ano. Mas trata-se de raras exceções.

“Se trabalhar duro, é isso que pode acontecer”, disse a gerente assistente, Joemee Takpaungai, a um artista, Johnny Pootoogook, que trabalhava no desenho de cinco homens juntos tocando tambor. Era uma lembrança do período recente que passou na prisão.

O pai de Pootoogook, Kananginak, que ajudou a fundar a cooperativa, se tornou um artista de tanto sucesso que sua obra foi uma das principais atrações da Bienal de Veneza. Mas Johnny, 48 anos, se tornou vítima do abuso, da depressão e do álcool. Tentou se enforcar 20 anos atrás.

A arte é a grande constante em sua vida, mas ele segue esperando a oportunidade de expor suas obras. “Quero contar como é a vida dos Inuit do extremo norte”, disse ele. “Nem tudo são rosas.”

Na verdade, alguns responsabilizam a arte pelos problemas da cidade. “Às vezes, quando ganham mais dinheiro, eles usam os recursos para comprar álcool e drogas”, disse Timoon Toonoo, prefeito do vilarejo.

Certo dia, quatro anos atrás, Ooloosie chegou ao estúdio da cooperativa e pediu um pouco de papel. Com o tempo, Bill Ritchie, gerente do estúdio na época, a incentivou a experimentar com paisagens. O resultado foram obras de cinco metros feitas com lápis colorido, tão densas que, de acordo com Ritchie, “quase podemos lê-las como se fossem braille”.

Cerca de um ano mais tarde, um especialista em arte Inuit, Pat Feheley, descobriu a obra dela. Ooloosie apresentou alguns de seus desenhos em uma feira de arte internacional, e a resposta foi tão positiva que ela planejou uma exposição individual em Toronto.

“Nunca imaginei que poderia vender meus desenhos”, disse Ooloosie. Suas três maiores obras – e também mais caras, custando mais de US$ 3.700 cada – foram todas vendidas.

“Nosso maior desafio está no grande preconceito que ainda existe” no Canadá, disse Ian Harvey, colecionador que se apresentou a Ooloosie na vernissage dela. “Agora as coisas estão mudando. Ela é jovem, é mulher, é Inuit, é do norte. Como é bom finalmente poder ouvir vozes assim.”

Certa noite em junho, Ooloosie  estava sentada à mesa da cozinha, colorindo sua mais nova paisagem. Os filhos tinham finalmente dormido, deixando que ela trabalhasse. Três meses tinham se passado desde a inauguração da exposição dela. O que mudou na vida da artista? “Nada.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

MoMA reabre após reforma de US$ 450 milhões

O novo Museu de Arte Moderna de Nova York tem design inovador e inclui uma galeria de design contemporâneo gratuita no térreo
FOTOS IWAN BAAN / BRETT BEYER

Você conhece o MoMA? Se não, tem mais um motivo para visitar o Museum of Modern Art de Nova York agora. Após quatro meses fechado para a fase final das obras, o museu foi reaberto nesta segunda-feira, dia 21/10. A reforma e a expansão de US$ 450 milhões foram lideradas pelos escritórios Diller Scofidio + Renfro e Gensler, que projetaram um novo saguão, livraria, café e várias galerias nos seis andares.

Em 2014, o MoMA começou a reformar sua ala leste. Foi apenas a primeira fase de um projeto de expansão maior, que aumentou o tamanho da instituição cultural em um terço,  agora com 15 mil m². 

A renovação do design integra diversos aspectos da história arquitetônica do museu, que sofreu várias transformações desde que foi inaugurado em 1929. A mais emblemática delas foi a mudança para uma torre envidraçada em 1939, que foi construída por Goodwin-Stone e permanece visível até hoje a partir da entrada da 53rd Street.

A fachada com painéis de vidro transparente complementa a arquitetura existente no entorno e maximiza a visibilidade da rua dentro do museu, privilegiando a iluminação natural e integrando o interior e o exterior. 

Na fase final, houve a extensão da ala oeste do edifício Ronald S. e Jo Carole Lauder do museu, no terreno onde anteriormente estava situado o American Folk Art Museum.

Com seis andares, a nova estrutura oferece 3.716 m² adicionais de espaço para exposições. As novas galerias David Geffen Wing estendem-se ao edifício 53W53, projetado por Jean Nouvel, acrescentando 1.068 m² em cada nível. Assim, os três pisos principais da galeria do MoMA foram ampliados, de acordo com as alturas originais e variáveis ​​do teto.

No interior, a adição estrutural atua como uma nova rede de circulação para o museu. Os corredores cobertos por painéis de aço representam a mudança de zonas, atuando como ligações entre as galerias novas e antigas.

A escada principal está disposta em torno de uma coluna estrutural, que fica pendurada no teto para apoiar as escadas e os patamares livres de suportes laterais.

O café do MoMA foi transferido para o sexto andar, oferecendo um pátio externo com vista para a 53rd Street e grandes mesas de mármore preto. Já a livraria principal do museu também foi movida do nível da rua para o subterrâneo.

Uma nova área de lounge com assentos pretos está localizada entre a loja e a bilheteira, que costumava estar no centro do museu e foi redesenhada. No piso térreo, há uma nova área para associados e houve a ampliação da entrada na 53rd Street, com teto elevado. A abertura desse piso do MoMA criou um ambiente mais espaçoso que acomoda melhor o movimento de visitantes entre as entradas, além de fornecer escadas de acesso mais fácil, elevadores e um jardim de esculturas ao ar livre.

Outros novos espaços do museu são uma galeria de design contemporâneo no térreo, com curadoria de Paola Antonelli e aberta ao público sem a necessidade de compra de ingresso, o Crown Creativity Lab, laboratório para criação e exploração digital, e um estúdio que possui paredes e pisos com isolamento acústico.

Como o mundo da arte está reagindo ao Brexit

Eventos e exposições em Londres mostram que o mercado de arte tenta passar incólume pela saída da União Europeia
Scott Reyburn, O Estado de S.Paulo

Da esquerda para a direita: ‘Untitled’ (1986), ‘Treppenhaus Rund’ (1982) e ‘Als Hätte Man Mir die Muschel’ (1982), de Albert Oehlen, na Galerie Max Hetzler Foto: Albert Oehlen/Galerie Max Hetzler

LONDRES — A Grã-Bretanha está em convulsão por causa do Brexit, mas o mundo da arte contemporânea e 0,1% da população que o faz se movimentar continuam a vida normal. Pelo menos parece.

Esta semana milhares de colecionadores internacionais, marchands e curadores se reúnem para as feiras de arte Frieze London e  Frieze Masters em Regent’s Park, além da muitas mostras de comerciantes de arte, leilões e outros eventos paralelos.

“Em termos geopolíticos parece que o mundo está caminhando na direção errada, mas o mercado de arte segue em frente”, disse Wendy Cromwell, conselheira de arte sediada em Nova York, que, estava em Londres para participar dos eventos.

“As vendas primárias estão ativas e vão bem, como também o mercado secundário de obras raras, de alta qualidade e sob demanda, referindo-se ao mercado de novas obras de galerias comerciais, no mercado primário, e os negócios no “secundário” no caso de peças revendidas, como aos leilões.

“O material dos leilões está mais fraco este ano com as preocupações em torno do Brexit, disse Wendy Cromwell, que não sabia que um Bansky fora leiloado pela Sotheby’s na quinta-feira por US$ 12 milhões. “Mas a libra teve uma queda recorde, de modo que essas vendas favorecem os ousados”.

Os leilões menos espetaculares (Bansky à parte) foram equilibrados por uma série formidável de mostras realizadas por marchands de obras de arte. Dentro um espaço de pouco mais de dois quilômetros quadrados no centro da cidade havia novos trabalhos assinados por Mark Bradford à venda na Hauser & Wirth, de Damien Hirst na White Cube e de Peter Doig na galeria de Michael Werner.

Uma exposição de pinturas novas e antigas do admirado artista alemão Albert Oehlen na Serpentine Gallery animou as ofertas no discreto mercado secundário de obras mais antigas de Oehlen nas galerias Max Hetzler e Lévy Gorvy. E até uma mostra de novas pinturas e esculturas do popular artista de rua americano KAWS na galeria Skarstedt.

Impulsionado pelos recentes resultados excepcionais nos leilões, KAWS se tornou um fenômeno de mercado. A galeria Skarstedt ofereceu 10 novas pinturas abstratas em acrílico do artista, como também duas esculturas enormes em resina, e todas foram vendidas.  Os preços das pinturas variavam de US$ 450.000 a US$ 575.000, ao passo que as esculturas, cada uma disponível uma edição total de sete, eram oferecidas a US$ 850.000 cada uma.

“O problema é que se é uma boa mostra, 200 pessoas querem comprar”, disse Candace Worth, outro conselheiro de arte de Nova York. “Há uma enorme clientela para um número relativamente pequeno de artistas. É uma panela de pressão”.

Um exemplo foi a exposição na Stephen Friedman Gallery de 20 novos pinturas e trabalhos em papel da artista sul-africana Lisa Brice, que realizou uma exposição individual na Tate Britain em 2018.

“Confrontar e reinterpretar as representações tradicionais do nu feminino a partir da perspectiva de uma artista mulher”, segundo comentário da galeria, essas imagens politicamente carregadas estavam perfeitamente em sintonia com a missão de muitos curadores de museus e colecionadores privados de ampliar o cânone histórico. As obras dela foram vendidas por valores variando de US$ 11.000 pelas gravuras a US$ 213.000 pelos biombos pintados, disse Mira Dimitrova, porta-voz da galeria.

Os trabalhos de artistas mulheres afro-americanas são imensamente populares no mercado atual. Na quarta-feira, no vernissage da Frieze London, novas pinturas de Jack Whitten que foram apresentadas na exposição da Tate de 2017 intitulada “Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power”, e de Kerry James Marshall foram rapidamente vendidas.

A obra de Marshall , muito irônica, intitulada Car Girl 2, mostrando uma mulher se inclinando num carro do qual um cachorro aparece na janela foi vendida pelo marchand de Nova York, David Zwirner, por US$ 3,8 milhões, ao passo que a Lisson Gallery, de Londres, vendeu quatro novos abstratos geométricos coloridos de Whitten por preços entre US$ 350.000 e US$ 450.000 para compradores do Oriente Médio, Noruega e Estados Unidos.  

Enquanto a Frieze London no seu vernissage estava lotada, a atmosfera era bem mais contida no evento irmão, Frieze Masters, que apresenta uma mistura “cruzada” de obras abrangendo 6.000 anos. Os velhos mestres foram vendidos agressivamente neste elegante evento, como também os mestres do século 20. Marchands influentes do mercado secundário no campo da arte moderna, como Lévy Gorvy e Luxembourg & Dayab, ambos com sedes em Nova York e Londres, e a Galería Elvira González, de Madrid, foram os grandes ausentes desta última edição.

Mas na quarta-feira o marchand nova-iorquino Van de Weghe vendeu uma pintura de Jean-Michel Basquiat, de 1986, por US$ 2,2 milhões, e a galeria londrina Moretti Fine Ar encontrou um comprador para uma pintura florentina de 1.400, Christ at the Column, avaliada em US$ 200.000.

Com o aceno do Brexit e grandes galerias como David Zwirner, White Cube e Pace abrindo espaço alternativos em Paris, conseguirá Londres manter sua posição antiga de capital internacional do mercado de arte europeu?

Max Edouard Hetzler, marchand de arte contemporânea com galerias em Berlim, Paris e Londres, acha que a capital britânica não vai ceder esse status em breve. A galeria de Hetzler no elegante distrito de Mayfair está com uma mostra de sete Spiegelbilder, de Albert Oehlen, pertencentes a coleções privadas. Algumas obras foram colocadas à venda, com preços que variam de US$ 2 milhões a US$ 4 milhões.

“Há muitos museus, escolas de arte e coleções em Londres. E não sairão daqui”, disse Hetzler.

Tradução de Terezinha Martino

Visitantes terão que se espremer entre casal nu para entrar em exposição em Londres

By Fernando Moreira

Visitantes de exposição terão que se espremer entre corpos de casal para ver obras em Londres Foto: Reprodução

Podemos chamá-lo de um pequeno corredor polonês. Só com uma diferença: cada lateral só tem uma pessoa. Sem roupa. E a dupla não tem a menor intenção de desferir golpes. O objetivo é ficar totalmente parado para que você atravesse o corredor apertado, com espaço pelo qual mal passa uma pessoa.

Imaginou a cena? Pois ela estará na entrada de um espaço da Real Academia de Artes, em Londres (Inglaterra). Trata-se de uma recriação de um audacioso e controvertido projeto de 1977. A artista sérvia Marina Abramovic ficou frente a frente com o namorado, Ulay, ambos nus, para que os visitantes de uma exposição se espremessem entre eles.

Quando foi realizado pela primeira vez, o projeto fez muita gente dar meia volta. Agora, disse a curadora Andrea Tarsia ao “Sun”, acredita-se que quase ninguém se recuse a passar pelo estreito corredor humano.

“Eles não conseguiram lidar com isso e não tinham certeza do que estavam vendo. Alguns passaram. Alguns passaram várias vezes, na verdade”, comentou a curadora.

A Real Academia de Artes está selecionando o casal que fará a nova versão de Marina e UlayVocê se arriscaria? A posar ou a atravessar?