A guerra baixa uma nova cortina de ferro sobre os palcos de balé da Rússia

Artistas da dança russos falam sobre como a guerra pode impactar um dos grandes destaques do país
Por Alex Marshall

Smirnova agora dança no Dutch National Ballet, em Amsterdã.
Smirnova agora dança no Dutch National Ballet, em Amsterdã. Foto: Melissa Schriek/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – LIFE/STYLE – Poucos dias depois da invasão da UcrâniaOlga Smirnova, uma das mais importantes bailarinas da Rússia, postou uma declaração emocionada no aplicativo de mensagens Telegram: “Sou contra a guerra, do fundo da alma. Nunca pensei que teria vergonha da Rússia, mas agora sinto que foi traçada uma linha que divide o antes e o depois.”

Isso efetivamente é verdade para Smirnova, de 30 anos. À medida que a guerra piorava e a dissidência era esmagada na Rússia, a bailarina, que estava em Dubai se recuperando de uma lesão no joelho, percebeu que não poderia mais voltar para casa. “Se eu voltasse para a Rússia, teria de mudar completamente minha opinião, meus sentimentos em relação à guerra”, declarou em entrevista recente em Amsterdã, acrescentando que voltar seria “francamente perigoso”.

Assim, desligou-se do Bolshoi, famosa companhia cujo nome é sinônimo de balé, com seus luxuosos teatros a poucos quarteirões do Kremlin, cortou todos os laços e se mudou para Amsterdã, onde entrou para o Dutch National Ballet.

A bailarina Olga Smirnova pediu demissão do Bolshoi após se colocar contra a invasão russa à Ucrânia.
A bailarina Olga Smirnova pediu demissão do Bolshoi após se colocar contra a invasão russa à Ucrânia.  Foto: Melissa Schriek/The New York Times

A partida de Smirnova é um golpe no orgulho de uma nação onde, desde o tempo dos czares, o balé é considerado tesouro nacional, principal produto de exportação cultural e ferramenta de soft power. Sua atitude é um dos símbolos mais visíveis de como a invasão russa da Ucrânia desestabilizou o balé, à medida que importantes artistas evitam as famosas companhias de dança da Rússia, teatros ocidentais cancelam apresentações do Bolshoi e do Mariinsky, e a dança na Rússia, aberta para o mundo desde o colapso da União Soviética, parece estar se fechando novamente.

“Estamos voltando à Guerra Fria”, afirmou Ted Brandsen, diretor artístico do Dutch National Ballet e novo chefe de Smirnova, invocando uma época famosa pela deserção de astros e estrelas soviéticos da dança, incluindo Rudolf NureyevMikhail Baryshnikov e Natalia Makarova. Brandsen contou que bailarinos russos o contatavam diariamente, dizendo: “Não consigo ser eu mesmo como artista neste país.”

Simon Morrison, professor de Princeton e historiador do Bolshoi, observou que nos últimos anos o Bolshoi se tornara “mais liberal, internacional, cosmopolita, mais experimental”, tendo chegado a encenar um balé sobre Nureyev que mencionava sua homossexualidade. Agora, segundo ele, parecia haver “um empobrecimento do repertório”.

O balé é um tipo de passatempo nacional na Rússia – uma joia cultural, mas também o foco de intensa emoção e críticas atentas de um público experiente, embora seja menos popular entre os jovens obcecados pela cultura pop. “O balé é adorado pelo povo russo como em nenhum outro lugar no mundo”, disse David Hallberg, que em 2011 se tornou o primeiro bailarino americano a integrar o elenco principal do Bolshoi, meio século depois que Nureyev se tornou o primeiro grande bailarino soviético a desertar para o Ocidente. “Smirnova foi muito corajosa ao deixar o Bolshoi, já que não estava só deixando a companhia, mas uma instituição que está em seu DNA”, acrescentou ele.

Smirnova não é a única artista de elite a deixar a Rússia. No primeiro dia da guerra, Alexei Ratmansky, importante coreógrafo e ex-diretor artístico do Bolshoi, estava em Moscou ensaiando um novo projeto. Imediatamente, pegou um voo de volta para Nova York, onde é artista residente do American Ballet Theater, e comentou que é pouco provável que retorne à Rússia “se Putin ainda for o presidente”.

Laurent Hilaire, o diretor francês do Balé Stanislávski e Niemiróvitch-Dântchenko, de Moscou, renunciou poucos dias depois do início da guerra. E vários outros dançarinos, em sua maioria estrangeiros, também partiram, incluindo Xander Parish, britânico; Jacopo Tissi, italiano; e David Motta Soares e Victor Caixeta, brasileiros. Caixeta, solista em ascensão, agora é parceiro de Smirnova em Amsterdã.

Desde o início da invasão russa, muitos governos europeus determinaram que suas instituições culturais, incluindo as companhias de dança, não trabalhassem com órgãos do Estado russo, como o Mariinsky e o Bolshoi. O Dutch National Ballet cancelou uma visita do Mariinsky, desistiu de um festival de balé em São Petersburgo e parou de colaborar com o Concurso Internacional de Balé de Moscou, programado para junho no Bolshoi.

Obras de diversos coreógrafos ocidentais importantes podem desaparecer dos palcos russos, já que os detentores dos direitos destas suspenderam a colaboração com companhias russas. Nicole Cornell, diretora do George Balanchine Trust, que detém os direitos da obra do coreógrafo, escreveu em um e-mail que “foram pausadas todas as conversas sobre licenciamentos futuros” com companhias russas. E Jean-Christophe Maillot, coreógrafo francês e diretor do Les Ballets de Monte Carlo, informou por e-mail que pediu ao Bolshoi que suspendesse as apresentações de seu balé A Megera Domada, mas que o diretor-geral, Vladimir Urin, recusara: “Essas condições obviamente dificultam a retomada da colaboração com o Bolshoi.”

Representantes do Bolshoi, do Mariinsky e da Academia de Balé Vaganova recusaram os pedidos de entrevista para este artigo ou não responderam a eles.

Em Amsterdã, Smirnova declarou que seu futuro é “nebuloso” e que não quer arriscar um palpite sobre o futuro do balé russo. Mas comentou que haverá “muito menos convites para coreógrafos internacionais e muito menos montagens de obras internacionais”. Isso significa que os bailarinos russos terão menos oportunidades de desenvolvimento, ainda que “a coleção dourada de obras do Bolshoi” – seus balés clássicos – permaneça.

Smirnova e Caixeta, seu novo parceiro de cena, ensaiam breve dueto romântico da peça 'Raymonda'.
Smirnova e Caixeta, seu novo parceiro de cena, ensaiam breve dueto romântico da peça ‘Raymonda’. Foto: Melissa Schriek/The New York Times

A família de Smirnova é um exemplo da crescente lacuna entre a Rússia e o Ocidente. Ela só contou à mãe que se mudara para Amsterdã depois de assinar o contrato. “Para ela, o Teatro Bolshoi é o ápice. Minha mãe não entende a razão da mudança”, disse Smirnova.

Houve relativamente pouca cobertura da partida de Smirnova na mídia estatal russa, mas é possível sentir o peso emocional do evento nos comentários dos fóruns russos sobre balé: um usuário do fórum Passion Ballet, por exemplo, escreveu a Smirnova em março: “Já vai tarde; nunca foi interessante ver esse bacalhau congelado dançar”.

Segundo Hallberg, embora as implicações para o Bolshoi e para o Mariinsky ainda estejam em curso, “é triste pensar que companhias tão importantes não vão poder compartilhar sua beleza e seu domínio do palco com o mundo”.

E, no entanto, de acordo com a maioria dos observadores, o Bolshoi e o Mariinsky sobreviverão a este momento. Morrison observou que o Bolshoi já fora usado para fins políticos, pelos czares da Rússia e depois pela União Soviética, e que seu teatro sobreviveu a incêndios (mais de um) e à transformação em salão de convenções políticas. “Ele vai viver mais do que esses políticos.”

Smirnova concorda. “Os regimes mudam, e o Bolshoi fica”, ela disse no fim da entrevista de uma hora de duração, antes de dar um beijo rápido no marido e descer para ensaiar Raymonda com seu novo parceiro, Caixeta.

Smirnova e Caixeta ensaiaram um breve dueto romântico, durante o qual a bailarina parou para aperfeiçoar todos os mínimos detalhes – uma perna estendida atrás da cabeça, um momento em que pegou as mãos de Caixeta -, embora tudo já parecesse perfeito.

Foto: JAMES HILL

Ao ouvir as instruções de Larissa Lezhnina, mestra de balé que fala russo e inglês, Smirnova demonstrava extrema concentração. Depois abriu um largo sorriso e deu uma risadinha quando Lezhnina fez uma piada sobre a posição de seu traseiro durante uma sequência. No meio de um estúdio de balé, pela primeira vez naquele dia, Smirnova parecia se sentir em casa.

O que pode a arte diante da realidade?

A revista literária Olympio chega ao terceiro número com esta pergunta e tem como fio narrativo a distopia e a utopia
Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

Elida Tessler
‘Phosphoros’, obra de Elida Tessler a partir dos livros citados em ‘Fahrenheit 451’ e incluída na revista ‘Olympio’ Foto: Elida Tessler

O livro da semana é uma revista. Uma revista que pode ser lida como um livro, que fala de literatura e de suas conexões com outras artes e outras áreas, como a psicanálise, e que fala deste mundo e de um outro, melhor, que devemos sonhar. 

Idealizada por Maria Esther Maciel, José Eduardo Gonçalves, Julio Abreu e Maurício Meirelles, a Olympio, que chega ao terceiro número, tem como fio temático a distopia e a utopia. “Diante da terra devastada, é de se perguntar: o que pode a arte, frente a brutalidade da realidade?”, lemos assim que abrimos a publicação. Outras duas ideias pinçadas deste editorial: “Ter utopia é acreditar que dá para fazer” e “mais do que nunca, a arte precisa exercer o seu caráter de insubmissão”. 

É simbólico que Maria Valéria Rezende esteja na primeira seção da Olympio, chamada Retrato. São três textos sobre a escritora e freira missionária, autora de obras premiadas como Quarenta Dias e Outros Cantos, que retratam personagens invisíveis da história, do País, e que já foram temas desta coluna. 

O primeiro dos textos é um perfil escrito por Marília Arnaud. O segundo é um texto de Frei Betto, em que ele relembra uma trajetória comum entre os dois, na fé e na militância, e conta um episódio de 1969, quando a polícia ocupou o apartamento dos dominicanos em São Paulo e Maria Valéria bateu lá desavisada. No último, Marcelino Freire relembra o dia em que ele a pediu em casamento, e ela enfartou – mas não por isso.

Li com curiosidade uma história rocambolesca apresentada pelo jornalista Carlos Marcelo sobre um desconhecido livro (O Escutador), de um desconhecido autor (Ademir Lins), publicado em 1958 pela mineira Montanhesa e nunca reeditado. Há uma questão de autoria em debate, e a introdução de Marcelo é seguida dos primeiros capítulos o livro (dá vontade de ler mais), de uma nota da então editora, Virgínia Lemos, e outro texto em que ela comenta sobre o livro, o autor e o trabalho editorial nos anos 1950.

Há ainda uma bela entrevista-depoimento de Milton Hatoum sobre, entre outras coisas, sua relação com a literatura e sua “crença inabalável” na ficção e na imaginação. “A poesia vai no salvar”, está no título. “Ler é também resistir”, diz o autor e colunista do Estadão. 

Há poesia por todos os lados da revista – de autores brasileiros e estrangeiros. E textos de, entre outros, Paloma Vidal, Laura Erber, Stephanie Borges, Mónica Ojeda. Há ensaio, ficção, inéditos, arte, fotos e até uma carta de Glauber Rocha, de 1980, sobre a preservação de sua obra – parte dela estava na Cinemateca, que pegou fogo. Há, sobretudo, a busca de um caminho, apesar das cinzas. 

Olympio: Literatura e Arte N. 3

Autores: Vários

Editora: Miguilim (408 págs.; R$ 89)

Criação de arte de rua do francês Jo Di Bona “Le Colors Festival” em Paris, França

Os visitantes observam uma criação de arte de rua do artista francês Jo Di Bona em exibição durante a segunda edição do “Le Colors Festival” em Paris, França. Foto de Emmanuel DUNAND/AFP

Espaço coletivo ESTÚDIO 503 realiza evento Semana Arte & Design

SEMANA ARTE & DESIGN
07 A 09 DE ABRIL

Com curadoria de Paola Müller e Refúgio Design, o Estúdio 503 realiza a Semana de Arte & Design, de 07 a 09 de abril, com lançamentos assinados pelos designers e marcas Paola Muller, Refúgio Design, Heloísa Galvão, Nicole Toldi, Suka Braga, Massa Branca, Alex Rocca e Vicente Lo Schiavo. No dia 07, quinta-feira, às 15h, o estúdio promove roda de conversa sobre “Sustentabilidade e Responsabilidade Social no Design e Arquitetura”. Para falar sobre o tema, foram convidados os criativos Luca Sartori e Verônica Cordeiro, com mediação de Pedro Garcia, da Refúgio Design. Durante a Semana de Arte & Design, serão realizadas degustações de drinks, cafés especiais e gastronomia singular.  Na sinergia de parceiros e colaboradores, o evento tem a colaboração do diretor criativo e cenógrafo Michell Lott e conta com o apoio da Suvinil Tintas, Saboaria Brasil, Promex Decor, Café Boa Vista do Anil, Kanto Gastronomia e Destilaria Single Fin Gin.

SEMANA ARTE & DESIGN

07 A 09 DE ABRIL

LANÇAMENTOS 2022

PAOLA MULLER | REFÚGIO DESIGN | HELOISA GALVÃO | NICOLE TOLDI | SUKA BRAGA

MASSA BRANCA | ALEX ROCCA | VICENTE LO SCHIAVO | ZSOLT

RODA DE CONVERSA

QUINTA | 07 DE ABRIL | 15H

“SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL NO DESIGN & ARQUITETURA”

COM OS CRIATIVOS

LUCA SARTORI & VERÔNICA CORDEIRO

+

PEDRO GARCIA

Curador da Refúgio Design

RUA JOÃO MOURA 503 | ESTÚDIO 13 | PINHEIROS | SÃO PAULO

Interface gráfica do usuário, Aplicativo, Teams

Descrição gerada automaticamente

CRIATIVOS CONVIDADOS PARA A RODA DE CONVERSA

LUCA SARTORI
@superlunastudio

Luca Sartori se formou na Accademia di Architettura di Mendrisio em 2011 e ganhou experiência profissional trabalhando para o escritório Archea Associati, com sede em Firenze.

Foi responsável pelo projeto arquitetônico da sede do Archea no Brasil, onde ficou por 7 anos como gerente de projetos.

Durante sua estadia no Brasil, Luca também fez um mestrado em Design de Produto no Instituto de Design (IED) de São Paulo.

É sócio fundador do estúdio criativo SuperLuna, nascido em junho de 2017 e baseado em Como, que tem foco em arquitetura e design contemporâneo e sustentável, com projetos na Europa e América do Sul.

Atualmente leciona no Instituto de Design (IED) de Milão.

VERONICA CORDEIRO
@swing.uy

Veronica Cordeiro é uma artista, curadora, empreendedora da sustentabilidade e escritora brasileira radicada em Montevidéu, Uruguai.
Atualmente dirige dois projetos independentes dedicados ao desenvolvimento social e econômico e ao crescimento pessoal por meio da arte.

O “Swing” busca apoiar técnicas de tecelagem ancestrais que estão se tornando obsoletas em algumas regiões por meio de design inovador, agregando valor ao artesanato local, visibilidade internacional e, assim, empoderando as comunidades tradicionais.

O “Procesual” oferece oficinas de processos criativos de um ano para artistas e fotógrafos que compartilham uma preocupação comum com os aspectos sociais e econômicos da realidade uruguaia e latino-americana.

Desde 1998, quando começou sua formação curatorial na Bienal de São Paulo, Veronica criou e produziu centenas de projetos em vários países, incluindo Brasil, Uruguai, Argentina, Reino Unido, França, México, Espanha e Estados Unidos, onde o discurso artístico contemporâneo e as abordagens de pesquisa contribuem para uma maior consciência das circunstâncias humanas e oferecem estratégias de transformação social.

Uma imagem contendo pessoa, vestuário, homem, foto

Descrição gerada automaticamente

SWING | VERÔNICA CORDEIRO

LANÇAMENTOS ESTÚDIO 503

O Estúdio 503 é um coletivo criativo e multidisciplinar que  apresenta designers e artistas com trabalhos autorais 100% brasileiros. Em um espaço híbrido para experiências sensoriais, a loja galeria lança coleções originais assinadas por novos talentos e nomes consagrados, exposições e instalações artísticas. De forma pluralista, propõe diferentes vivências e manifestações culturais, como rodas de conversas e palestras sobre comportamento, economia criativa, inclusão e diversidade, entre outros assuntos de grande interesse e relevância. Alinhado a valores de sustentabilidade e responsabilidade social, representa marcas expressivas de design, arte, bem-estar, moda e gastronomia.

Imagem em preto e branco

Descrição gerada automaticamente com confiança média

REFÚGIO DESIGN

Balanço Avôa – designer Pedro Leal | Cadeira Black – designer Philipe Fonseca | Banco Baze e Mesas Bruta – designer Eloisa Piardi | Escrivaninha Stecken – designer Andreas Anwander

Desenho de uma pessoa

Descrição gerada automaticamente com confiança média

PAOLA MÜLLER

Foto em preto e branco de pia de cozinha

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

HELO GALVÃO

Uma imagem contendo no interior, foto, mesa, cozinha

Descrição gerada automaticamente
SUKA BRAGA | SÉRIE PAUSA
Crédito imagens  @anajunqueira

EXPOSITORES ESTÚDIO 503

Paola Muller @lolamuller | Refúgio Design @refugio_design | Heloísa Galvão  @estudioheloisagalvao | Nicole Toldi @nicole_toldi |

Suka Braga @sukabraga | Massa Branca @massabranca | Alex Rocca @__alexrocca | Vicente Lo Schiavo @vicenteloschiavo | Zsolt @zsolt_oficial

COLABORAÇÃO

Michel Lott @lottlott

PARCEIROS

Suvinil Tintas @tintas_suvinil

Saboaria Brasil @saboariabrasil

Promex Decor @promexdecor

Café Boa Vista do Anil @boavistadoanil

Kanto Gastronomia @kanto.gastronomia

Destilaria Single Fin Gin @singlefingin

Logotipo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

ESTÚDIO 503

@estudio503_

Rua João Moura 503, estúdio 13, Pinheiros, São Paulo SP

Carolina Kasting expõe obra sobre silenciamento das mulheres na SP-Arte

Atriz mostra seu trabalho como artista plástica na feira que acontece na capital paulista a partir desta quarta (6)

A atriz Carolina Kasting expõe na SP-Arte
A atriz Carolina Kasting expõe na SP-Arte – Divulgação

atriz Carolina Kasting, conhecida por sua atuação em novelas na Globo, mostrará na SP-Arte o seu trabalho como artista plástica.

Na feira, que começa nesta quarta (6), ela vai apresentar a obra “Meia Invisível”, em que propõe uma reflexão sobre o silenciamento das mulheres na sociedade.

A criação é composta por um autorretrato de Kasting nua, impresso em fotografia fine art em tamanho real, com uma meia-calça colocada na cabeça, que sai do quadro e dá a impressão de puxá-la para trás. A peça do vestuário feminino é usada, explica ela, como um símbolo do aprisionamento das mulheres, já que a meia-calça serve para esconder manchas ou qualquer detalhe natural da pele.

“Eu coloco esse objeto [a meia-calça] para questionar essa opressão do corpo feminino que tem que ser perfeito para o homem nesse nosso sistema patriarcal”, diz.

Obra "Meia Invisível", de Carolina Kasting
Obra “Meia Invisível”, de Carolina Kasting – Divulgação

Kasting se define como uma artista feminista que tem se debruçado em suas obras na investigação sobre o que é ser mulher. No ano passado ficou famosa a sua criação de vasos em cerâmica que foram denominados por ela como “Vulvas da Carolina”. As peças são produzidas artesanalmente pela artista e podem ser adquiridas por valores que variam de R$ 150 a 750.

Longe das novelas desde “Salve-se Quem Puder” (Globo, 2020-2021), Carolina Kasting afirma que seus trabalhos como artista plástica e atriz caminham juntos. Como também atua como produtora, ela diz que consegue ter mais autonomia em suas escolhas profissionais.

“O meu trabalho como artista plástica carrega uma fala que é aquilo que eu quero que as pessoas pensem e reflitam”, afirma.

A SP-Arte acontece de quarta (6) a domingo (10) no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo.

O fotógrafo Gleeson Paulino recebeu convidados na abertura de sua exposição individual no espaço Alto SP, no centro da capital paulista, na segunda-feira (4). A atriz Bruna Linzmeyer e a cantora Xenia França compareceram ao evento.

com BIANKA VIEIRAKARINA MATIAS, MANOELLA SMITH e VICTORIA AZEVEDO

Masp expõe o trabalho afro-brasileiro de Abdias Nascimento

Militante da luta pela igualdade racial e a promoção da cultura negra, o ator, diretor e pintor ganha mostra com 62 pinturas suas
Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

A tela que abre a retrospectiva de Abdias Nascimento, no Masp. Elementos da cultura africana são representados na composição Foto: Felipe Rau/Estadão

Entre novembro de 2018 e março de 2019, o Masp realizou uma exposição antológica do pintor Rubem Valentim (1922-1991), Construções Afro-Atlânticas, reunindo 99 obras do artista, que criou uma linguagem original ao cruzar o melhor da abstração geométrica europeia com os signos das religiões afro-brasileiras que representam os orixás. Agora, o mesmo Masp abre nesta sexta, 25, uma retrospectiva do pintor, ator e dramaturgo paulista Abdias Nascimento (1914-2011), militante contra a discriminação racial que viveu de 1944 a 1968 no Rio, antes de fixar residência nos EUA, levado ao exílio pela perseguição política da ditadura militar. 

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora-assistente, e Tomás Toledo, curador-chefe do Masp, a exposição faz parte da programação bienal do museu dedicada às Histórias Brasileiras. É uma grande contribuição à herança cultural afro-brasileira no centenário de nascimento de Rubem Valentim: os curadores conseguiram reunir um conjunto de 61 pinturas, além de 83 documentos e fotografias de arquivo, que mostram não só a trajetória de Abdias Nascimento, mas seu genuíno envolvimento com o Brasil e sua gente.

Entre novembro de 2018 e março de 2019, o Masp realizou uma exposição antológica do pintor Rubem Valentim (1922-1991), Construções Afro-Atlânticas, reunindo 99 obras do artista, que criou uma linguagem original ao cruzar o melhor da abstração geométrica europeia com os signos das religiões afro-brasileiras que representam os orixás. Agora, o mesmo Masp abre nesta sexta, 25, uma retrospectiva do pintor, ator e dramaturgo paulista Abdias Nascimento (1914-2011), militante contra a discriminação racial que viveu de 1944 a 1968 no Rio, antes de fixar residência nos EUA, levado ao exílio pela perseguição política da ditadura militar. 

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora-assistente, e Tomás Toledo, curador-chefe do Masp, a exposição faz parte da programação bienal do museu dedicada às Histórias Brasileiras. É uma grande contribuição à herança cultural afro-brasileira no centenário de nascimento de Rubem Valentim: os curadores conseguiram reunir um conjunto de 61 pinturas, além de 83 documentos e fotografias de arquivo, que mostram não só a trajetória de Abdias Nascimento, mas seu genuíno envolvimento com o Brasil e sua gente.

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A tela que abre a retrospectiva de Abdias Nascimento, no Masp. Elementos da cultura africana são representados na composição Foto: Felipe Rau/Estadão

Suas pinturas, a exemplo da arte de Rubem Valentim, associam orixás à abstração geométrica, além de recriar elementos da cultura africana como os “adinkras” (conjunto de símbolos que representam conceitos embutidos em provérbios, notadamente dos povos da África Ocidental e, em especial, de Gana). Abdias, que foi também um homem da tradição escrita, fundou o Teatro Experimental do Negro (nos anos 1940) e criou o pioneiro projeto Museu de Arte Negra (década de 1950), além de ter atuado como político.

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A curadora da retropectiva sobre Abdias Nascimento, Amanda Carneiro.  Foto: Felipe Rau/Estadão

Abdias Nascimento: Um Artista Panamefricano conta um pouco dessa história, pois sua trajetória está intimamente ligada à pintura do artista, que, ao contrário de Valentim, seguiu fiel à figuração. Não se deve esquecer que Abdias chegou aos EUA em plena ebulição de movimentos contestatórios. O exílio de intelectuais e artistas latinos para a América, nos anos 1960, assim como, no pós-guerra, o dos europeus (Albers e companhia), levou artistas norte-americanos reconhecidos a aderir – e até incorporar – signos das culturas ditas “primitivas”, o que facilitou o trânsito dos orixás de Abdias pelos EUA – e a mostra do Masp está cheia de exemplos de uma iconografia que causou impacto entre jovens artistas americanos empenhados em redescobrir valores espirituais, que andavam esquecidos na América da pop arte.

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Montagem da retrospectiva sobre o pintor Abdias Nascimento, no Masp Foto: Felipe Rau/Estadão

“A mostra retoma conceitos formulados por Abdias, como o ‘quilombismo’, mostrando como seu projeto de transformação social passava pela experiência dos quilombos”, observa a curadora, apontando para uma tela que, segundo Amanda Carneiro, sintetiza essa experiência de incorporar a herança cultural africana numa sociedade eurocêntrica e racista. A tela em questão, Quilombismo, representa a união do tridente de Exu aos ferros de Ogum, divindades iorubás.

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Uma das telas que estão expostas na retrospectiva de Abdias Nascimento, no Masp. O lagarto em questão é um signo presente na obra do artista.  Foto: Felipe Rau/Estadão

Algumas pinturas da mostra traduzem a pesquisa de Abdias sobre símbolos e bandeiras de projetos e identidades nacionais, vistas sob uma perspectiva simultaneamente pan-africanista e amefricanista. As telas que representam Oxóssi e Xangô, ambas de 1970, segundo a curadora, “estabelecem um diálogo entre representações do Brasil e dos EUA por meio de uma recomposição de símbolos nacionais”. Abdias já se encontrava nos EUA quando o pop Jasper Johns conquistou o público com suas bandeiras americanas que perdiam igualmente seu peso simbólico e viravam pretexto temático para a pintura. Em sua bandeira americana, também dos anos 1970, Abdias incorpora o machado de Xangô, o orixá da Justiça.

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Anos 1970, Abdias Nascimento incorpora o machado de Xangô, o orixá da Justiça Foto: Felipe Rau/Estadão

Como um intelectual multifacetado, Abdias prestou no ano seguinte uma homenagem a Glauber Rocha, ao batizar uma tela da exposição como O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1971), mesmo título do filme (de 1969) do cineasta baiano. Detalhe: o “dragão”de Abdias não é o de São Jorge, mas um lagarto da caatinga, que serve como alegoria dos humanos que rastejam aos pés dos coronéis. Outra tela que chama a atenção na mostra é seu Cristo Negro (1969), título americano do filme Sentado à Sua Direita (1968), cinebiografia do líder político anticolonialista congolês Patrice Lumumba (1925-1961), torturado e morto pelos belgas. 

SERVIÇO

Abdias Nascimento: Um Artista Panamefricano

Masp. Avenida Paulista, 1.578, 

tel. 3149-5959. 4ª a dom., 10h/18h. 

3ª, 10h/ 20h, gratuito. 2ª, fechado. Ingressos: R$ 50. Até 5/6

Virgil Abloh será homenageado pelo museu do Brooklyn

by Gabriel Córdoba Acosta

A pouco mais de três semanas do aniversário de três meses da morte de um dos designers mais criativos e influentes da década, o americano Virgil Abloh, fundador da Off-White e ex-diretor criativo da linha masculina da Louis Vuitton, será homenageado com uma exposição no Brooklyn Museum, em Nova York.

Esta exposição terá a curadoria de Michael Darling e Antwaun Sargent e será intitulada “Figuras de Fala”, que estará intimamente relacionada com a exposição organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Chicago em 2019. será a primeira exposição dedicada exclusivamente a Virgílio, à sua visão de vanguarda e espírito visionário que revolucionou e mudou o mundo da moda.

Por enquanto, poucos outros detalhes são conhecidos sobre o conteúdo da exposição, exceto que o público certamente poderá descobrir as criações de Abloh para Off-White, Louis Vuitton, Nike, Supreme ou até Ikea.

Por fim, e depois de conhecer todos os detalhes desta futura exposição, a única questão que se coloca é: Quando estará aberta ao público? De 1 de julho a 29 de janeiro de 2023.

Itaú Cultural inaugura mostra em homenagem a Benjamin de Oliveira

Mais de uma centena de documentos e objetos do histórico do palhaço serão expostos ao público a partir deste sábado, 27, no encerramento das mostras da série Ocupação em 2021

Benjamin de Oliveira
Benjamin de Oliveira em foto de provável divulgação do Circo Spinelli, publicada no Almanack dos Teatros, em 1910. A imagem trazia a legenda: “Popular artista cômico. É a alma e, ao mesmo tempo, o braço direito do Spinelli” Foto: Acervo Ermínia Silva/Itaú Cultural/Divulgação

palhaço Benjamin de Oliveira (1870-1954) será homenageado no encerramento das mostras da série Ocupação, do Itaú Cultural, em 2021, a partir deste sábado, 27. A exposição contará com cerca de 120 peças em um ambiente inspirado em lona de circo, entre elas jornais, fotografias, livros, documentos, fonogramas e objetos originais, colhidos nos arquivos de sua família por pesquisadores.

Benjamin de Oliveira nasceu em Pará de Minas (MG), filho de uma escrava e um capataz de fazenda. Se encantou com o circo durante a visita de um à cidade e fugiu com a trupe logo aos 12 anos de idade. 

“Se tornou um dos homens mais importantes para o desenvolvimento e a modernização do circo brasileiro, fortaleceu a introdução da linguagem teatral no circo estreando, em 1904, um texto dele próprio, O Diabo e o Chico. O sucesso foi tamanho que a partir dali a programação circense passou a contemplar as montagens teatrais com muito sucesso de público e crítica. Além disso, atuou em filmes e gravou discos”, informa o Itaú Cultural.

Benjamin de Oliveira
Matéria retratando a trajetória de Benjamin de Oliveira publicada no jornal ‘Noite Ilustrada’, do Rio de Janeiro, em 22 de dezembro de 1939. Foto: Acervo Ermínia Silva/Itaú Cultural/Divulgação

Para mais informações, é possível acessar o site da exposição.

Ocupação Benjamin de Oliveira

De 27 de novembro de 2021 a 27 de fevereiro de 2022 (terça-feira a domingo, das 11h às 19h)

Itaú Cultual – Avenida Paulista, 149, piso térreo (próximo à estação de metrô Brigadeiro)

Mais informações pelo telefone (11) 2168.1777 (das 10h às 18h) o pelo e-mail: atendimento@itaucultural.org.br

A vida entre a estamparia e as artes plásticas da paulista Marina Saleme, que está com duas exposições em cartaz no Rio

‘As pinturas não migram para as roupas e vice-versa. Não sei bem como explicar, mas o registro é completamente diferente, eu viro uma chave’
Lívia Breves

Marina Saleme e as obras da exposição “Apartamento s” Foto: Mario Grisolli

A artista plástica Marina Saleme, de 63 anos, cresceu entre panos e fios. Filha de um industrial do ramo têxtil, ela se divertia naquele universo das cores, formas e texturas. Com o olhar afiado conquistado ainda na infância, a paulista de Americana logo se interessou pelas artes e, pouco tempo depois, pela moda. “Minha história com tecidos e estampas começou muito cedo, desde as minhas primeiras memórias. As cartelas com as padronagens que tinham na fábrica eram meu brinquedo favorito. Além disso, sempre gostei de roupas, mas a relação com a moda era meio particular. Eu gostava de inventar jeitos de usar”, recorda.

Em paralelo, Marina curtia desenhar e pintar, e a união desses universos deu origem às obras da artista, que expõe desde 1992 regularmente em galerias e museus. Seu mais recente trabalho pode ser visto no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, até dia 12 de dezembro. “Apartamento s” reúne uma série de quase 1.500 pinturas e desenhos que falam de espera, solidão e separação. Ela escolheu dimensões pequenas, com no máximo 25cm por 35cm, e se inspirou na imagem de uma mulher sentada que se deparou ao folhear uma revista. “Não era uma foto muito grande, mas me impactou e voltei à página, o que quase não acontece em um mundo com tantas informações. Sentia a moça sozinha, isolada”, destaca a artista, em cartaz também na galeria Múltiplo, no Leblon. “Logo em seguida, veio a pandemia e o trabalho ganhou ainda mais sentido”.

Saleme também assina estampas e garante que as duas criações não competem entre si. “As pinturas não migram para as roupas e vice-versa. Não sei bem como explicar, mas o registro é completamente diferente, eu viro uma chave, é outra estética. A única coisa em comum é a familiaridade com as cores, combinações e misturas”, explica ela, que vende suas roupas nas multimarcas Pinga, Dona Coisa e Pitanga. “A produção artística é uma atividade que precisa de silêncio, concentração, tempo, paciência, reflexão. Já a criação das estampas é uma atividade quase lúdica, uma paixão. Vou aos ateliês e trabalho diariamente, mas não separo o dia para produção de arte ou de moda, depende da minha vontade”, diz.