Confira a programação da 17ª edição da SP-Arte

Exposições, bate-papos, lançamentos editoriais são algumas das ações de uma agenda que discute a arte e a cultura brasileira
BRUNA MARTINS | FOTOS: DIVULGAÇÃO

Com atividades presenciais e online, SP-Arte começa hoje (20) e vai até dia 24 (Foto: Divulgação)

Tem início nesta quarta-feira (20) a 17ª edição da SP-Arte, o Festival Internacional de Arte de São Paulo. Em formato híbrido, o evento aposta em atividades presenciais – que serão realizadas na Arca, um galpão industrial da Vila Leopoldina – e online, por meio do espaço digital denominado Viewing Room.

Com atividades presenciais e online, SP-Arte começa hoje (20) e vai até dia 24 (Foto: Divulgação)
Vista externa da Arca, galpão onde acontecerá o evento este ano (Foto: Divulgação)

Depois de ter sido adiada três vezes por conta da crise sanitária, a SP-Arte reúne nomes importantes da arte contemporânea para discussões aprofundadas a respeito da arte e da cultura até o dia 24 de outubro. Além dos talks, também haverá espaço para lançamentos editoriais, como o livro Fernando Zarif – Múltipla unidade, organizado pela escritora e crítica literária Noemi Jaffe e que homenageia o artista morto em 2010. A ação acontecerá no sábado, 23, a partir das 15h.

Também faz parte da agenda do evento a disponibilização de audioguias, gravados pelos pesquisadores Frederico Coelho e Camila Bechelany, que tratam de assuntos relacionados à arte brasileira, desde o modernismo até o movimento contemporâneo.

Com atividades presenciais e online, SP-Arte começa hoje (20) e vai até dia 24 (Foto: Divulgação)
 (Foto: Divulgação)

No total, 128 expositores têm participação confirmada no evento, sendo 84 deles de forma presencial e os demais com contribuição no espaço digital. Entre os destaques na Arca, figuram nomes como Mendes Wood DM (SP-NY Bruxelas), Galeria Luisa Strina (SP), Bergamin & Gomide (SP), além dos estreantes Quadra (RJ), HOA (SP) e Projeto Vênus (SP).

No prédio vizinho à Arca, o State, o visitante da SP-Arte poderá conhecer a exposição Arte e tecnologia: uma revolução em curso, composta por obras de 21 artistas. “A mostra visa discutir o lugar da tecnologia em cada produção, seja ela gerada e nascida na esfera digital ou materializada pelos recursos e reflexões que a própria nos possibilita”, conta a curadora.

Com atividades presenciais e online, SP-Arte começa hoje (20) e vai até dia 24 (Foto: Divulgação)
Área interna da Arca (Foto: Divulgação)

Todas as galerias de arte, editoras especializadas, museus e projetos especiais que participam apenas de forma virtual terão painéis com QR Codes direcionando o público aos seus respectivos Viewing Rooms. Neste setor, destacam-se expositores como Labor, Marian Goodman, Zielinsky, Patricia Ready e a Amparo 60. Já os projetos especiais incluem Casa Chama, Potência Ativa, Piscina, Ateliê397 e Espaço Delirium.

A SP-Arte tem capacidade limitada de público e venda de ingressos pelo site do evento, mediante agendamento. Para o acesso, será necessário apresentar comprovante de vacinação (impresso ou digital) ou um teste negativo para a Covid-19 realizado, no máximo, nas 48 horas anteriores à data de visitação.

Com atividades presenciais e online, SP-Arte começa hoje (20) e vai até dia 24 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Serviço – 17ª SP-Arte

Local: Arca – Av. Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina – São Paulo
Período: 20 a 24 de outubro de 2021
Horários: quarta, das 12h às 21h | quinta a sábado, das 12h às 20h | domingo, das 11h às 18h
Agendamento de visitas pelo site do evento
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira).

Paulo Nazareth exibe na Bienal trabalhos que têm ligação com seus antepassados

Esculturas variam em tamanho e retratam figuras da sociedade
Guilherme Sobota, Estadão

Nazareth
Obras de Paulo Nazareth na Bienal de Arte de São Paulo Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Quando Paulo Nazareth era criança, e ainda não havia definido o que faria da vida, sua mãe levava para ele brinquedos quebrados e descartados a partir das limpezas urbanas e faxinas que fazia na cidade de Governador Valadares (MG). Eram carrinhos, bonecos e outros materiais que o menino então reconstruía com gravetos, talhando madeira e utilizando outras técnicas – o que seria, ele relembra hoje, sua origem como artista plástico. 

Aos 44 anos, Nazareth expõe uma série de trabalhos com destaque na 34.ª Bienal de São Paulo, até o dia 5 de dezembro no Pavilhão do Parque do Ibirapuera, com entrada gratuita e exigência do comprovante de vacinação para os frequentadores.

São trabalhos que exploram a condição de ser brasileiro nas últimas décadas, fortemente ligados às origens e à cultura de antepassados do artista – há influência de arte indígena e afro-brasileira –, mas que também estão em constante diálogo com outras geografias, mundo afora. Deslocamento, comunicação e circulação são temas caros ao artista, vencedor de prêmios como o Masp de Artes Visuais e o Pipa. Não por acaso, seu trabalho já foi exposto ou integra coleções em instituições europeias, norte-americanas e brasileiras, como o Museu de Arte Moderna do Rio e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A primeira obra de Nazareth que o visitante da Bienal verá é a série Outdoors, esculturas de madeira revestidas de chapas de alumínio, posicionadas em pontos diversos do Parque do Ibirapuera com medidas variadas, de até 11 metros de altura. São personagens históricos da luta contra as opressões que marcam a história do Brasil, como Aqualtune, Dinalva, João Cândido, Teresa de Benguela e Marielle Franco.

Nazareth
Representação de Marielle Franco por Paulo Nazareth  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“Nessa obra existe até uma questão linguística, porque o título é o modo brasileiro de se referir a esses grandes ‘anúncios’”, explica o mineiro Paulo Nazareth ao Estadão. “Gosto disso. Existe uma questão própria com o ‘advertising’ (outra palavra de língua inglesa para publicidade). Dá para puxar para o conceito de ‘advertências’, então essas esculturas funcionam para mim como objetos para advertir. Queria mostrar pessoas não só do Brasil, mas do continente americano, porque estamos próximos de lugares na América, mas também distantes de locais dentro do próprio Brasil.”

A grande dimensão das esculturas propõe então uma reflexão sobre nossa relação com assuntos cotidianos (“fiz questão de que a Marielle fosse maior do que o Borba Gato em Santo Amaro”), mas também com o próprio universo. “É um distanciamento para pensar em como nos apequenamos. Talvez a invisibilidade seja pertinente no contexto da pandemia, por exemplo.”

Já em Levante/Amolador de Facas – uma das obras que o visitante confere no hall de entrada da Bienal –, um artista contratado trabalha com uma espécie de bicicleta que funciona como amolador de placas de metal. Com as pontas afiadas, elas acabam formando uma espécie de escultura em construção. 

No andar de cima, a faca também aparece. Na obra Levante/A Impressão, em uma “barraquinha” com um varal, outro artista contratado trabalha com impressões de xilogravura (a partir de bases de madeira talhadas por Nazareth) em papel ou nas roupas dos visitantes – o desenho é o de uma faca. As gravuras são numeradas, assinadas e penduradas no varal. Para levar a impressão para casa, o visitante deve oferecer tabaco ou açúcar, numa espécie de escambo em que as moedas são os produtos fortemente conectados à história colonial do País.

“Esse trabalho fala desse lugar de troca e comércio”, reflete o artista. “O varal, na minha construção, remete a esse ato. Essa função da xilogravura, que é muito mais comum no nordeste brasileiro e está presente no cordel (varal e corda), faz uma referência a esse lugar geográfico do Brasil. Que, por outro lado, constitui muito a cidade de São Paulo também. Gosto de pensar essa mão que tira a cidade do desenho e a faz existir no mundo concreto.”

Nazareth
Esculturas de diversos tamanhos estão posicionadas em pontos variados  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A presença recorrente da faca nas obras não é um acaso. “O que representa a faca hoje: uma contraposição da arma”, diz Nazareth. “No momento em que a campanha por armas está tão acirrada no território brasileiro, a gente pensa na faca. Ela é um utensílio doméstico, e dependendo da mão que a usa pode transformá-la numa arma, mas mesmo assim está num lugar mais humano, mais vivo do que uma arma de fogo. Até um assassinato com faca é algo artesanal, porque existe algo sujo. Na xilogravura, nessa impressão artesanal, de um modo ou de outro, o próprio artista vai sujar as mãos.”

A faca talvez seja a mesma que o jovem Nazareth usava para talhar os brinquedos quebrados que sua mãe levava para casa. “Apesar de ter essa artesania, o mundo das artes era distante para mim. A sina da minha família era trabalhar para outras famílias. Tentei várias coisas, quase fui militar, tentei estudar na Escola de Cinema de Cuba, no teatro universitário. Trabalhei como zelador em um encontro da Alca em BH, quando tive de passar por um teste da Polícia Federal, e fui aprovado para limpar as cagadas dos grandes estadistas. Aí, encontro Mestre Orlando, artista baiano que veio para BH na década de 1970. A história dele com a arte começou quando ele foi trabalhar na restauração de uma senzala em Salvador e viu esculturas talhadas na madeira e pinturas. Isso desperta nele o ser artista. Foi ele quem me apontou o lugar do artista em mim, quando eu lhe disse que talhava os gravetos para fazer brinquedos. Ele falava, ‘artesanato: arte nata’. Começo a estudar com Mestre Orlando, talhar carrancas, madeira e pedra-sabão e continuo com ele até 2001. Foram encontros fundamentais.” 

Performance. No dia 13 de novembro, Paulo Nazareth apresenta na Bienal a performance La Fleur de la Peau (À Flor da Pele), de 2019, na qual um saco de farinha de trigo pende do teto e é esfaqueado ritmadamente por dois homens representados como imigrantes. Segundo a Bienal, a obra é uma “alusão à cultura ocidental branca e seu uso do racionalismo como ferramenta de submissão das demais culturas do mundo”. Ainda na Bienal, o artista também expõe a obra Panfletos, um dos eixos da sua plataforma editorial, que imprime panfletos a serem distribuídos gratuitamente com discussões de temas como violência e racismo estrutural.

Conheça Mariane Ibrahim: a galerista determinada a levar diversidade para o mundo da arte em Paris

A artista acaba de inaugurar sua nova galeria na cidade-luz e tem como objetivo abrir espaço para artes que possam ser vistas por um público mais amplo
BRUNA MARTINS | FOTOS: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM @MARIANEIBRAHIMGALLERY

Conheça Mariane Ibrahim, galerista negra determinada a diversificar o mundo da arte em Paris (Foto: Reprodução/Instagram @marianeibrahimgallery)

Levar diversidade para o mundo das artes de Paris. Esse é o objetivo de Mariane Ibrahim, galerista negra que acaba de criar seu espaço de exposições na capital francesa próximo a grandes nomes da arte, como Almine Rech e Emmanuel Perrotin.

De origem franco-somaliana, Ibrahim já possui galerias com seu nome nas cidades de Seattle e Chicago, nos Estados Unidos, e agora chega para ocupar de vez seu espaço na cidade-luz. Na verdade, trata-se de um retorno: a artista viveu por lá antes de partir para a América do Norte há mais de 10 anos.

A nova galeria em Paris possui quase 400 metros quadrados distribuídos entre três níveis, atrás de uma porta discreta na famosa avenida Matignon. O interior, diferente do que se espera por quem observa a fachada, é grande, fluido e aberto.

Conheça Mariane Ibrahim, galerista negra determinada a diversificar o mundo da arte em Paris (Foto: Reprodução/Instagram @marianeibrahimgallery)
Conheça Mariane Ibrahim, galerista negra determinada a diversificar o mundo da arte em Paris (Foto: Reprodução/Instagram @marianeibrahimgallery)

A exposição inaugural, chamada J’ai deux amours, homenageia a famosa música da artista norte-americana Joséphine Baker. Morta em 1965, Baker se tornou símbolo da resistência francesa contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, além de figura história da luta antirracista. Recentemente, o governo francês anunciou que a artista será a primeira mulher negra a entrar no Panteão de Paris.

Conheça Mariane Ibrahim, galerista negra determinada a diversificar o mundo da arte em Paris (Foto: Reprodução/Instagram @marianeibrahimgallery)

Em entrevista ao site Architectural Digest, Ibrahim afirmou que sua missão sempre foi abrir suas portas pra um público mais amplo, fazendo com que jovens de todo o mundo possam conhecer seus espaços, as obras expostas e voltar para casa com esperança e inspiração. Ela acredita que Paris está prestes a se tornar uma grande força na luta para tornar as artes mais diversificadas.

Díptico de ‘Menina com balão’, de Banksy, é colocado em leilão no Reino Unido

Acredita-se que uma versão em duas partes da pintura pode render até 4,7 milhões de dólares
Agências, AFP

Bansky
‘Menina com Balão’, de Banksy, vai à leilão em Londres. Foto: REUTERS/Toby Melville

A casa de leilões Christie’s apresentou nesta sexta-feira, 1º, um díptico da famosa obra do grafiteiro britânico BanksyMenina com balão, cuja venda será realizada em Londres em 15 de outubro. 

Datado de 2005, o quadro em duas partes, que representa sobre fundo branco uma menina que deixa escapar um balão vermelho em forma de coração, tem preço estimado entre 2,5 e 3,5 milhões de libras (entre 3,4 e 4,7 milhões de dólares).  

A imagem apareceu pela primeira vez em 2002 e se transformou em “uma espécie de leitmotiv” para Banksy e em “uma obra muito apreciada”, disse à AFP Katharine Arnold, curadora da Christie’s para arte contemporânea e do pós-guerra na Europa. 

“Com essas imagens, [Banksy] consegue criar um sentimento e captar a essência e o estado de ânimo do momento”, acrescentou. 

“Acredito que, depois de 18 longos meses de pandemia, encontramos uma verdadeira sensação de esperança e impulso com esta menina que libera o amor no mundo ao soltar o balão. E isso é absolutamente o que precisamos neste momento”, opinou. 

Outra versão de Menina com balãorebatizada de Amor está no lixo desde que sua autodestruição parcial chocou o mundo durante um leilão em 2018, será oferecida pela casa Sotheby’s em Londres, em 14 de outubro. 

Seu preço é estimado em entre 4 e 6 milhões de libras (5,4 e 8,1 milhões de dólares). 

Banksy se tornou mundialmente conhecido por suas obras pintadas às escondidas em paredes de edifícios em vários países. 

O artista urbano gosta de provocar e conscientizar através de sua arte, e já abordou temas como o Brexit e a imigração. Até o momento, sua identidade permanece desconhecida, mas sabe-se que ele é originário da cidade de Bristol, na Inglaterra.

Artist Anna Paparatti on revisiting her work for Dior

Turning the space for the Spring-Summer 2022 show into a vibrant board game-brought-to-life through colossal collages of her paintings from the 1960s, the Italian artist Anna Paparatti speaks with Maria Grazia Chiuri about the realities of being a female artist and mother at the time, and how she took her place at the heart of Rome’s avant-garde scene.

© Edoardo Winspeare

Transformando o espaço da mostra Primavera-Verão de 2022 em um vibrante jogo de tabuleiro, trazido à vida por colagens colossais de suas pinturas da década de 1960, a artista italiana Anna Paparatti conversa com Maria Grazia Chiuri sobre as realidades de ser uma artista feminina e mãe na época, e como ela ocupou seu lugar no centro da cena vanguardista de Roma.

© Edoardo Winspeare

MAM mostra a arte antes e depois da Semana

O modernismo não nasceu em 1922, mas antes, segundo as curadoras da exposição, Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros
Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

MAM mostra a arte antes e depois da Semana de 22
‘Canaval em Madureira” (‘1924), tela de Tarsila: ecos de Léger Foto: Museu de Arte Moderna de São Paulo

A um ano das comemorações da Semana de Arte Moderna de 1922, o Museu de Arte Moderna de São Paulo antecipou a festa e abriu no sábado, 4, a exposição Moderno Onde? Moderno Quando? A Semana de 22 como Motivação, com curadoria de Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros. À primeira pergunta do título, as duas curadoras respondem com um time de artistas de vários Estados brasileiros, para provar que o modernismo não foi um fenômeno exclusivamente paulista. À segunda, sobre a gênese do modernismo brasileiro, elas respondem que, antes de 1922, muitos artistas hoje esquecidos já desenvolviam um tipo de arte que fugia aos padrões acadêmicos e ousava tanto na escolha dos temas como na linguagem formal. Enfim, antes de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Brecheret, pintores, escultores, fotógrafos e arquitetos assinaram obras que passam batidas aos olhos de quem vê a antropofagia como o primeiro manifesto moderno brasileiro.

Um exemplo de vocação pré-moderna é o fotógrafo Valério Vieira (1862-1941), um dos artistas da mostra, montada de forma cronológica para que o público possa acompanhar a evolução da arte na virada do século 19 para o 20, que trouxe, segundo Aracy Amaral, um incontrolável impulso de renovação nos grandes centros urbanos – e não só São Paulo e Rio, que era a capital na época, mas em regiões como Amazonas e Pará. A arquitetura eclética desse tempo é uma prova de uma vontade de mudança, o que é possível notar nos prédios construídos principalmente no Rio e nas fábricas paulistas que começavam a receber os imigrantes europeus – e com eles, um anseio de assimilar o que a Europa tinha de melhor a oferecer. 

Voltando a Valério Vieira, o fotógrafo, nascido em Angra dos Reis, foi um representantes do pictorialismo na fotografia com suas imagens experimentais. Em 1901, por exemplo, ele realizou uma fotomontagem com 30 personagens que ficou conhecida como Os Trinta Valérios – todos, evidentemente, replicando sua figura num sarau, inclusive os bustos e os quadros da sala. Quatro anos depois, Vieira produziu sua primeira experiência panorâmica, um painel de 12 metros de comprimento mostrando São Paulo, cidade que adotou. E, mesclando fotografia e pintura, ele pintou uma ‘fotopintura’ com uma vista noturna da fachada do Teatro Municipal, em 1911, onde seria realizada a Semana de Arte Moderna uma década depois. Esse trabalho também está na mostra.

Mulheres igualmente avançadas para sua época seguiram a trilha moderna de Valério e, antes que o novo século nascesse, elas já anunciavam a alvorada da modernidade. A carioca Abigail de Andrade (1864-1890) não viveu para ver o século 20 ou conhecer os modernistas, mas sua tela A Hora do Pão (1889), do ano da Proclamação da República, já carrega o embrião da pintura moderna de caráter social. Morreu com 26 anos, em Paris, onde se refugiou com o companheiro, um homem casado com quem teve uma filha (que, aliás, virou pintora, Angelina Agostini). Lá, morreu esquecida. Deixou como legado 50 telas.

E o que dizer do pintor Manoel Santiago (1897-1987), de Manaus, que, três anos antes da Semana de 22, pintou O Cosmo (1919), tela marcada pela abstração? Vale lembrar que ele foi mestre de Milton Dacosta e Pancetti. Sua tela, na exposição do MAM, mostra como os artistas fora do eixo Rio-São Paulo estavam antenados com o que se passava no mundo – e o italiano Eliseu Visconti (1866-1944), introdutor do impressionismo no Brasil, é um dos muitos exemplos históricos de artistas da mostra que se rebelaram contra a Academia para criar o novo. O MAM exibe dele um belo autorretrato de 1902, um ano depois de sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro.

MAM mostra a arte antes e depois da Semana de 22
‘O Viioleiro’, tela de 1899 pintada por Almeida Jr e com preocupações sociais Foto: Museu de Arte Moderna de São Paulo

Em arquitetura, muitos consideram o ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1972) como o introdutor do estilo moderno no País (e dele a mostra tem maquetes de pioneiras casas modernistas dos anos 1920). Mas Aracy aponta para uma outra maquete, a da Estação Ferroviária de Mayrink, do arquiteto francês criado na Argentina e radicado no Brasil Victor Dubugras (1868-1933). Ele é tido por muitos como um precursor da arquitetura moderna na América Latina. Com justa razão: a estação ferroviária de Mayrink, construída entre os anos de 1906 e 1907, é considerada a primeira estrutura de concreto armado feita no Estado de São Paulo.

No modernismo, diz Aracy Amaral, “tudo é importado”. E justifica: “Somos todos imigrantes, importamos tudo”. E o discurso nacionalista que sempre acompanha as revisões históricas da Semana de 22 sai um pouco arranhado na exposição que será acompanhada por um catálogo com visões contrastantes sobre ela. Um dos textos dissonantes, assinado pelo jornalista e escritor Ruy Castro, critica o eclipse que apagou da história nomes atuantes na articulação da modernidade brasileira, não só do primeiro time como “alguns luminares, sem os quais a Semana não teria acontecido”. O poeta Guilherme de Almeida é um exemplo que ele cita.

MAM mostra a arte antes e depois da Semana de 22
Autorretrato (1902) de Elisei Visconti: introdutor do impressionismo entre nós Foto: Museu de Arte Moderna de São Paulo

Voltando à mostra, há nela obras de nomes “oficiais” do modernismo, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Brecheret, peças que estiveram, inclusive, na Semana de 22, como Amigos (pastel de 1921), de Di Cavalcanti, ou retratos pintados no mesmo ano da histórica exposição, como o que Tarsila (ela não participou da Semana) fez de Mário de Andrade, um de seus articuladores. As curadoras conseguiram um feito inédito: trazer para o MAM o imenso painel (12 metros de comprimento) Eu Vi o Mundo…Ele Começava no Recife (1926-29) pintado pelo pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Uma obra frágil, técnica mista sobre papel colado em tela, pertencente a um colecionador particular, que viaja só para contar que a modernidade era brasileira, e não só paulista.

Entre os grandes nomes que emergiram na esteira do modernismo, e estão na mostra, destacam-se os de Flávio de Carvalho, Goeldi, Guignard, Ismael Ney, Lasar Segall, Lívio Abramo, Portinari e Raimundo Cela. 

Masp mostra modernidade de Gertrudes Altschul

Na exposição ‘Filigrana’ estão 64 fotografias de uma autora pioneira que brilhou no Foto Cine Clube Bandeirante
Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

Vista geral da exposicao ‘Filigrana’, da fotógrafa alemã Gertrudes Altschul   Foto: DANIEL TEIXEIRA/ ESTADAO

Ainda com fotos suas na mostra Fotoclubismo – Brazilian Modernist Photography, 1946-1964, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), até 26 de setembro, a fotógrafa alemã Gertrudes Altschul (1904-1962), uma das poucas mulheres frequentadoras do histórico Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), ganha uma exposição no Masp, aberta ontem (27). Com curadoria assinada por Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e Tomás Toledo, curador-chefe na instituição, a exposição Gertrudes Altschul: Filigrana resume, em 64 fotografias (12 delas pertencentes ao acervo do Masp), a breve, mas fecunda, carreira dessa fotógrafa, que registrou de maneira poética as transformações arquitetônicas de São Paulo nos anos 1950 e lançou um olhar moderno sobre a natureza, ao se debruçar sobre a botânica com uma precisão de entomóloga.

O próprio título da exposição, Filigrana, que é também o de uma de suas imagens mais conhecidas, traduz essa obsessão pelo detalhe, o que logo despertou a atenção do Clube do Bolinha que era o FCCB em sua época, a ponto de uma foto sua, Linhas e Tons (1953) ilustrar a capa do boletim mensal da instituição, um ano antes de Gertrudes ingressar no Bandeirante, formado basicamente por fotógrafos homens. Essa foto, que integra a coleção do MoMA (cujo acervo tem 12 fotos suas), é uma das imagens da exposição do Masp, que merece ser vista por mais razões: o curador Tomás Toledo conseguiu álbuns da família Altschul vistos por poucos e com imagens históricas, como a do avião que trouxe Gertrudes ao Brasil, em 1939.

Fugindo da perseguição nazista, Gertrudes, judia, instalou-se em São Paulo e aqui criou com o marido uma fábrica de flores decorativas para chapéus e roupas femininas. Muito de sua fascinação pelo mundo botânico vem dessa atividade, mas, claro, seu interesse pelas linhas modernas da arquitetura paulistana dos anos 1950 vai além do registro das edificações. O poder transformador de suas montagens desafia o espectador a ver algo além do aspecto formal dos prédios.

O curador Toledo, curioso, foi atrás de um deles, retratado numa espécie de colagem em que ela sobrepôs numa composição triangular o topo de edifícios em Higienópolis, descobrindo se tratar do edifício Itamarati, na esquina da avenida Higienópolis com a rua Sabará. Projetado em 1953 pelo arquiteto Cyro Ribeiro Pereira, não é tão conhecido como os seus vizinhos, mas tem sua graça, que certamente atraiu a atenção de Gertrudes. A mencionada foto Linhas e Tons (Lines and Tones) retrata igualmente a marquise de um prédio modernista, mas o que interessa não são suas linhas sinuosas, e sim o trompe l’oeil. Ao apontar sua Leica para o alto, ela transforma o branco do teto e duas colunas numa espécie de véu transparente.

Masp mostra olhar moderno de Gertrudes Altschul
Entre as 64 fotos da mostra estão registros da modernidade arquitetônica de SP Foto: Gertrudes Altschul/Masp

“Como se sabe, o Foto Cine Clube Bandeirante formou a primeira leva de fotógrafos modernos em São Paulo, cujo interesse pela arquitetura era evidente”, lembra o curador Tomás Toledo, que pesquisou para a exposição – em parceria com Isabel Amado – alguns clássicos e fotos inéditas da breve carreira de dez anos da fotógrafa, entre eles fotos que dialogam com exemplares da mostra do MoMA – imagens no limiar da abstração em que ela usa desde manilhas de águas pluviais para simular jogos geométricos até folhas sob efeito de solarização, passando por peneiras que simulam um desenho concretista.

“O que mais sobressai em sua técnica é o trabalho de edição, recorte e sobreposição de negativos”, analisa o curador Tomás Toledo, que anuncia a produção da primeira monografia realizada sobre a artista. Com versões em português e inglês, organizado por Pedrosa e Toledo, o catálogo contará com textos dos curadores e de Abigail Lapin Dardashti, Heloisa Espada, Helouise Costa, Paula Victoria Kupfer e Sarah Meister – curadora do MoMA que organizou a exposição sobre fotoclubismo brasileiro em cartaz no museu.

Masp receberá prédio na Paulista para abrigar mostras temporárias

Projetado para ser uma extensão do museu, edifício finalmente sai do papel após todo esse tempo abandonado
Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

Masp
Prédio ao lado do Masp vai ter sete galerias  Foto: Metro Arquitetos

Há anos, São Paulo convive com o espectro do que foi um dia o edifício Dumont-Adams, no ponto central da Avenida Paulista, ao lado de seu maior cartão-postal, o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Projetado para ser uma extensão do museu, ele finalmente sai do papel após todo esse tempo abandonado. O diretor-presidente do Masp, Heitor Martins, e o presidente do Conselho do museu, Alfredo Setubal, anunciaram ao Estadão a retomada das obras, paralisadas desde 2013 por uma disputa judicial com o patrocinador inicial, a empresa de telefonia Vivo, que virou parceira na construção – objeto de negociações com os órgãos de patrimônio, pois se encontra na área envoltória do Masp, protegido em todas as instâncias, embora o Dumont-Adams, prédio de luxo, não fosse tombado.

O novo prédio do museu, que será batizado com o nome do seu primeiro diretor artístico, o crítico e marchand italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999), terá 14 andares e será ligado ao Masp por uma passagem subterrânea, aumentando em 6.945 m² sua área. Nele, serão instaladas galerias, salas de aula, reserva técnica, laboratório de restauro, restaurante, loja, áreas de evento e bilheteria. A capacidade de abrigar mais visitantes foi pensada como uma estratégia para fazer do Masp – que passa a ser chamado pelo nome da arquiteta que o projetou, Lina Bo Bardi (1914-1992) – um museu do futuro, reforçando seu papel como referência internacional, segundo Heitor Martins.

A instituição já ostenta o melhor acervo de arte europeia do Hemisfério Sul e será uma das mais modernas infraestruturas museológicas das Américas. De fato, poucos museus nessa região do globo têm uma coleção como a do Masp, que cobre praticamente todos os séculos da arte europeia – de Botticelli a Picasso, o museu abriga telas de Bosch, El Greco, Goya, Ingres, Manet, Matisse, Monet e Van Gogh, entre outros. São mais de 14 mil obras, entre pinturas, esculturas, objetos, fotografias, vídeos e vestuário de diversos períodos. Essas peças não são produtos exclusivos da Europa. O Masp tem obras africanas, asiáticas e americanas. Há alguns anos, elas foram avaliadas pela Sotheby’s em mais de US$ 1 bilhão.

O projeto arquitetônico do novo prédio, uma coautoria de Júlio Neves com o escritório Metro Arquitetos Associados, dos sócios Martin Corullon e Gustavo Cedroni, vai custar R$ 180 milhões e será totalmente financiado por doações de pessoas físicas. “Viabilizar a construção do anexo por meio de doações resulta do novo modelo administrativo do Masp, que conta com a sociedade civil”, observa Heitor Martins. “As famílias doadoras entenderam o significado de fazer uma doação sem incentivos da Lei Rouanet”, conclui Alfredo Setubal, presidente do Conselho do Masp.

Masp
Masp vai recuperar posse do prédio localizado ao seu lado, na Avenida Paulista Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Alfredo Setubal, presidente do Conselho do Masp, acredita que a expansão do museu “consolida a Avenida Paulista como o mais importante eixo cultural do Brasil”. Com previsão de entrega para 2024, o edifício Pietro Maria Bardi, que será ligado por um túnel ao histórico prédio projetado por Lina Bo Bardi, terá em seus 14 andares sete galerias (cinco expositivas e duas multiúso), representando um aumento significativo da área do Masp destinada a exposições. Ao final da reforma, a área total do Masp será de 17.680 m² (hoje, são 10.485 m²). “Vamos aumentar em 66% a capacidade expositiva do museu com a interligação entre os dois prédios”, diz Setubal.

Por limitações físicas, pouco mais de 1% do acervo do museu é exposto atualmente (apenas 200 das 14 mil peças). A expansão vai trazer aos visitantes a oportunidade de contato com obras guardadas na reserva técnica do museu há décadas, pois alguns espaços (como o atual restaurante) vão virar galerias expositivas após a construção do túnel que vai ligar o Masp e o prédio novo. O acervo do museu cresceu de modo significativo nos últimos anos, revela o diretor-presidente Heitor Martins.

“Mais de 700 obras foram incorporadas em nossa administração, doadas ou cedidas em comodato com possibilidade de doação definitiva, caso de 275 fotos históricas modernistas do Foto Cine Clube Bandeirante.” Entre os comodatos, estão obras da pintora Tarsila do Amaral (1886-1973) pertencentes ao Banco Central (Porto, 1953) ou cedidas por particulares, caso da tela Composição (Figura Só, 1930), propriedade do colecionador e administrador de empresas Ronaldo Cezar Coelho, maior acionista da BR Distribuidora.

Masp
Projeto do subsolo do novo prédio do Masp, que o ligará ao antigo Foto: Metro Arquitetos

O plano do presidente do Masp, Heitor Martins, é reservar o edifício Lina Bo Bardi para a exposição das obras que pertencem à coleção do museu. As novas galerias do edifício Pietro Bardi deverão ser ocupadas com exposições temporárias.

No novo edifício, os pavimentos junto ao piso da Avenida Paulista serão transparentes, dialogando com o vão-livre do prédio original ao lado. Os andares superiores serão revestidos com chapas metálicas perfuradas e corrugadas, sem dificultar a vista da paisagem ou a entrada de luz natural através de aberturas, de acordo com as necessidades dos espaços internos.

A expansão do museu foi idealizada por Júlio Neves, arquiteto que ocupou o cargo de presidente do Masp por 14 anos, de 1995 a 2009. Na década de 1990, Neves foi responsável pela reforma do museu de Lina Bo Bardi, que incluiu a instalação da reserva técnica e a renovação do sistema de ar condicionado. Foi também quem desenvolveu o projeto inicial para um anexo, que sofreu alterações para obter a aprovação dos órgãos de patrimônio histórico.

A nova diretoria, que assumiu em 2014, enfrentou muitos problemas para sanar as questões jurídicas e a falta de recursos que paralisaram as obras do novo prédio, conta Heitor Martins. “O projeto original de Neves previa a instalação de um mirante com o logotipo da Vivo, mas a Lei Cidade Limpa inviabilizou o projeto”, lembra. O prédio estava hipotecado para a Vivo, que passou, segundo Martins, a integrar o quadro de parceiros na retomada das obras.

De qualquer forma, o projeto original é bem diferente do atual, a cargo da Metro Arquitetos. “Faltava o conceito museológico”, acrescenta Heitor Martins. “As sete galerias, por exemplo, não têm pilares para atrapalhar a exposição das obras”, revela. A interligação entre elas vai permitir a promoção de grandes mostras monotemáticas que exigem uma comunicação entre os espaços expositivos. “Muitos museus se recusam a emprestar obras se as condições não forem consideradas adequadas, mas isso não vai acontecer com o novo prédio, que será uma referência em matéria de controle de umidade, segurança das obras e local para desembarque das peças”, garante Alfredo Setúbal.

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Projeto do novo térreo do Edifício Pietro Maria Bardi Foto: Metro Arquitetos

Parte fundamental do projeto, a interligação subterrânea entre os dois edifícios será feita sob a Rua Prof. Otavio Mendes – já autorizada pela Prefeitura de São Paulo. “Devemos muito ao falecido prefeito Bruno Covas pela sua ajuda e compreensão do projeto”, lembra Setubal. Outra transformação no aspecto atual do Masp é a transferência da bilheteria para o prédio Pietro Maria Bardi, liberando o vão-livre e devolvendo a este espaço (que pertence à Prefeitura) sua utilização como praça pública, como era o desejo de Lina Bo Bardi desde que idealizou a atual sede do Masp. 

Vista de como será a conexão subterrânea entre o Masp e o edifício ao lado, que será utilizado pelo museu. Obra deve ficar pronta em 2024. Foto: Foto Metro Arquitetos
Publicado: 20/08/2021 | 11:22

O diretor- presidente do museu, Heitor Martins, chama a atenção para a singularidade do projeto do novo prédio. “Não queríamos que ele replicasse a arquitetura de Lina Bo Bardi, mas que fosse complementar e funcional.” A Metro Arquitetos, que deu forma final aos cavaletes de cristal concebidos pela arquiteta nos anos 1960 e definiu a nova expografia do museu, vai revestir as paredes externas do prédio Pietro Maria Bardi de uma delicada película que permitirá ampla visibilidade.

A fachada dupla que protege o edifício da radiação solar vai diminuir a carga térmica interna. A malha metálica permite que uma camada de ar se forme entre o edifício e a fachada externa, criando um microclima, aliviando o sistema de ventilação e, consequentemente, o consumo de energia.

“Mais do que uma expansão, estamos construindo um museu para o futuro”, diz Alfredo Setubal. De fato, o trabalho do Masp vem sendo reconhecido internacionalmente, como comprova a mostra Histórias Afro-Atlânticas (2018), eleita pelo jornal norte-americano The New York Times como uma das melhores daquele ano. Agora é esperar pela inauguração da retrospectiva da surrealista Maria Martins (1894-1973) dia 27, que deve seguir o mesmo caminho.

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O conselho do Masp é formado por Juliana Sa, Jackson Schneider, Alfredo Setubal, Geyse Diniz, Heitor Martins e Ronaldo Cezar Coelho Foto: Eduardo Ortega

Histórico do projeto

Origem: Construído entre 1950 e 1958, o edifício Dumont-Adams foi comprado em 2005 pelo Masp com patrocínio da Vivo

Paralisação: O prédio foi remodelado com uma torre/mirante, que foi vetada pelo Patrimônio Histórico de SP. A obra está paralisada desde 2013

Orçamento: Projeto original iria custar R$ 15 milhões. O novo vai custar R$ 180 milhões

Prazo de entrega: Prédio será entregue no início de 2024

Patricia Carparelli inaugura instalação na Galeria Kogan Amaro

Patricia Carparelli. Crédito: Iara Morselli

Patricia Carparelli inaugura, hoje, a instalação Amômetro, na Galeria Kogan Amaro. A obra tem 110 metros lineares de tecido pintado com tinta guache e dividida em camadas. “O público poderá passear por este labirinto como se entrasse em uma tela 3D, que provoca múltiplas sensações”, explica a artista.