Alta-costura: Cabelo dividido no meio é a ideia de beleza da temporada

Das passarelas de Paris, ideias de penteados com os fios divididos ao meio, bem ao gosto da Geração Z
PAOLA DEODORO

Alta-costura inverno 2021: Alexandre Vauthier (Foto: Divulgação )

E então parece que a Geração Z tinha mesmo razão. Cabelo repartido do lado é cringe! Tendência mesmo são os fios repartidos no meio. E o aval dessa ideia vem dos desfiles da temporada de alta-costura de Paris, que se encerra hoje.
10 das principais marcas de alta moda desenvolveram os conceitos de beleza para o próximo outono com cabelos com uma risca bem no meio da cabeça. E a tendência pode acompanhar qualquer estilo – fios esvoaçantes ou lambidos, com visual wet hair, milimetricamente calculados ou divididos de maneira mais irregular, curtos geométricos, presos, marcando os contornos de tranças afro. Em propostas românticas ou looks desafiadores.

+ Schiaparelli

Alta-costura inverno 2021: Schiaparelli (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Schiaparelli (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Schiaparelli (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Schiaparelli (Foto: Divulgação )


+ Christian Dior

Alta-costura inverno 2021: Christian Dior (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Christian Dior (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Christian Dior (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Christian Dior (Foto: Divulgação )

+ Alaïa

Alta-costura inverno 2021: Alaïa (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alaïa (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alaïa (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alaïa (Foto: Divulgação )


+ Jean-Paul Gaultier

Alta-costura inverno 2021: Jean-Paul Gaultier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Jean-Paul Gaultier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Jean-Paul Gaultier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Jean-Paul Gaultier (Foto: Divulgação )

+ Balenciaga

Alta-costura inverno 2021: Balenciaga (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Balenciaga (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Balenciaga (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Balenciaga (Foto: Divulgação )


+ Alexandre Vauthier

Alta-costura inverno 2021: Alexandre Valthier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alexandre Vauthier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alexandre Valthier (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Alexandre Vauthier (Foto: Divulgação )

+ Armani Privé

Alta-costura inverno 2021: Armani Privé (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Armani Privé (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Armani Privé (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Armani Privé (Foto: Divulgação )

+ Rahul Mishra

Alta-costura inverno 2021: Rahul Mishra (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Rahul Mishra (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Rahul Mishra (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Rahul Mishra (Foto: Divulgação )


+ Zuhair Murad

Alta-costura inverno 2021, Zuhair Murad (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021, Zuhair Murad (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Zuhair Murad (Foto: Divulgação )
Alta-costura inverno 2021: Zuhair Murad (Foto: Divulgação )

Customização é a nova onda da indústria da beleza

Um xampu com seu cheiro preferido, um hidratante feito especialmente para a sua pele e um perfume que só você terá: cosméticos agora podem ser ‘sob medida’
Karina Hollo

Perfumes Amyi Foto: Divulgação

Todo mundo quer se sentir único e especial. Não à toa, a customização, que já tinha tomado conta da moda e do varejo, chega com força ao mercado da beleza. A demanda partiu da Geração Z e de seu desejo de autoexpressão e personalização. “O consumidor passa a se aceitar cada vez mais como único e se distancia de padrões comuns. A individualidade estará ao lado da inclusão, e ambas vão impulsionar a busca por produtos personalizados”, explica Liliah Angelini, especialista da WGSN, empresa líder em tendências de comportamento e consumo.

A exclusividade é viabilizada por meio de recursos tecnológicos que permitem o desenvolvimento de cosméticos de forma inovadora. “A pandemia contribui com o sentimento de perda de controle. Dessa forma, escolher e combinar seus próprios ingredientes, fragrâncias e texturas, estimula a sensação de participação. A experiência também é uma maneira de escapismo”, analisa Liliah.

A primeira categoria a sentir os ares da personalização foi a dos produtos que disputam espaço no boxe do chuveiro. Os itens capilares estão sendo desenhados para atender às necessidades específicas. “Nosso leave-in exclusivo foi pedido pelos consumidores da marca e desenvolvido em cocriação: desde o tamanho do frasco até o valor ideal para comercialização”, conta Beatriz Zogaib, da Just ForYou. Idealizado para combater o frizz, hidratar e proteger os fios contra o calor, o sol e a poluição, o produto é customizável para se adaptar a cada rotina, textura e tipo de cabelo, bastando responder a um questionário no site antes de encomendar.

Na startup de haircare Meu Q dá para escolher a cor, o aroma e e até o nome de xampu, condicionador e leave-in. “O algoritmo da nossa inteligência artificial possibilita termos um conhecimento profundo de cada cliente. A tecnologia direciona os ativos ideais para cada pessoa”, conta Pedro Nunes, sócio-proprietário da marca.

Os gadgets também aderiram ao movimento. Os aparelhos podem ser programados para atuar de acordo com a cútis de quem os usa. A inteligência artificial, de novo, é uma baita aliada. “O Bear, por exemplo, é o único aparelho de massagem facial no mundo que tem uma tecnologia chamada Antishock System, que vai adequando a intensidade da microcorrente para a qualidade da pele de quem o está utilizando”, diz Ana Luisa Chechetti, gerente de comunicação da Foreo, no Brasil.

E tem outra maneira de ter um produto exclusivo para chamar de seu: fazendo você mesma a sua customização. Essa é a pegada da GE Beauty de Camila Coutinho, que sugere que você individualize seu ritual de cuidados com o cabelo a cada lavagem. “Tem dia que você quer mais definição, ou precisa de mais hidratação. Em outros, prefere dar um boost de proteção e força. Ou tudo isso junto”, observa a influencer.

Gostou da brincadeira do faça você mesma? Ela também é possível quando falamos de perfumes. Se casas de fragrâncias de nicho, como a Le Labo, permitem que se crie uma assinatura olfativa exclusiva, para o grande público já existe a opção de misturar aromas e criar um terceiro: é o ‘Mix n Match’ sugerido na linha Choice, da The Body Shop. As notas de Choice Power podem ser combinadas às de Choice Free ou com a Choice Cool.

Mas como a customização pode ir além no mundo das fragrâncias? A startup de perfumaria Amyi tem a resposta. “Nossa missão é ajudar os brasileiros a terem mais conhecimento sobre perfumaria ao observar ingredientes e rotas olfativas que agradam e que não agradam em nossa jornada de experimentação, para então, em um futuro breve, criarmos perfumes verdadeiramente personalizados”, explica a fundadora, Larissa Motta. “Estamos desenvolvendo um algoritmo que nos ajudará a alcançar essa customização.”

A tecnologia também chegou até aos suplementos vitamínicos. Assim que você responde a um quiz sobre hábitos diários, a Vitamine-se sugere um mix de vitaminas. “A inteligência artificial oferece recomendações de nutrientes que correspondem exatamente às necessidades de cada um”, diz Keyth Washington, gerente de atendimento da marca.

É o futuro batendo à nossa penteadeira.

Maquiador Brett Freedman explica como alcançou visual ‘menos é mais’ de Jodie Foster para Cannes

Brett Freedman trabalha a beleza da atriz e diretora há quatro anos
O Globo

Jodie Foster na cerimônia de abertura do Festival de Cinema de Cannes 2021. Foto: Daniele Venturelli / WireImage

Quando se prepara para maquiar, Jodie Foster coloca toda sua confiança no maquiador Brett Freedman, com quem já trabalha há quatro anos. Para a 74ª edição do Festival de Cinema de Cannes, que entrou hoje (08) em seu terceiro dia, o especialista optou por dar à atriz e diretora um visual leve e natural. Em entrevista à Revista People, Freeman explicou como alcançou a beleza ‘menos é mais’.

“Ontem, antes do tapete vermelho, ela saiu e disse: ‘Eu nunca olho, mas dessa vez olhei. A maquiagem dos olhos está linda!’ E eu fiquei tipo, ‘muito obrigado!’ ” diz Freedman à People.

A atriz, que recebeu a Palma de Ouro honorária do festival, gosta de incorporar uma estética natural. “Com a Jodie, menos é mais. Ela é uma daquelas mulheres que fica melhor com menos maquiagem. Ela tem um estilo tão casual. Tudo é transparente. Para este evento, eu queria fazer um look noturno fresco e de verão com olhos neutros e lábios suculentos , ” revela o maquiador.

O maquiador concentrou-se na preparação e hidratação da pele para dar a Foster cobertura total sem correr o risco de endurecer as linhas de expressão da base.”Você pode personalizar uma base fosca, como a que usei em Jodie, para torná-la mais seca e madura. As pessoas não percebem isso”, explica. “Eu misturei um pouco do Charlotte Tilbury Magic Cream e algumas gotas do Charlotte Tilbury Wonderglow Face Primer. Assim você obtém cobertura, poder de permanência e luminosidade.”

Em seguida, ele deu à pele da atriz um pouco de cor bronzeada com o Charlotte Tilbury Cheek to Chic in Ecstasy. “Queríamos que a pele estalasse um pouco, já que é verão e ela estava de branco”, afirma.

Para os olhos, há um detalhe que a atriz diz a Freedman nunca fazer: “Ela conta que o delineador sob os olhos dá a impressão de que não dormiu.” Logo, o maquiador usou a paleta de olhos instantânea cheia de tons quentes foscos e brilhantes para misturar um pouco de “champanhe e damasco dourado” nas pálpebras.

Embora Freedman goste de experimentar tons claros ou escuros para os lábios, eles “não são o que ela gosta”, disse. Ao invés, “fizemos uma divertida festa dos olhos e mantivemos os lábios em nude”, completa.

SPFW 51: as belezas mais impactantes dessa temporada

Dos cabelos leves e cheios de textura da Aluf aos delineados coloridos e maximalistas da Juliana Jabour, confira os destaques de beleza dessa edição

Beleza SPFW (Foto: Reprodução/ Instagram)

E chega ao fim mais uma temporada do SPFW, que mais uma vez foi realizada de forma digital, com a participação de 43 marcas, 10 delas estreantes. Entre as criações desenvolvidas pelos estilistas, confira aqui um balanço com os highlights, top tendências e uma seleção das belezas mais impactantes das apresentações dessa edição.

Ronaldo Fraga (Foto: Reprodução / Instagram)
Suyane Moreira Ronaldo Fraga (Foto: Reprodução / Instagram)

Ronaldo Fraga
“Estou convidando as pessoas a darem um mergulho e irem comigo para o Cariri Cearense. Costumo dizer que se o Nordeste é a grande amálgama da cultura brasileira, o Cariri é o epicentro”, diz Ronaldo Fraga sobre sua coleção que abriu a 51ª semana de moda paulistana. Parceiro de longa data do estilista, o beauty artist Marcos Costa se inspirou nos tons do Cariri para dar toques de cor pontuais na beleza natural que criou para o projeto.

“É uma beleza realmente solar, eu fiz a pele da [modelo] Suyane Moreira usando uma base mate com uma cobertura quase transparente, aplicada com o dedo, não quis fazer contorno, nada disso, só uma pele uniforme com toques de um iluminador marmorizado da linha Una, da Natura”, explica Marcos. “Fui sentindo o que estava acontecendo nas locações e me inspirando pelo trabalho dos artistas locais do Cariri, olhava para as peças deles e desenhava com os dedos no rosto da Suyane.” As cores e tintas usadas foram criadas nos laboratórios da Natura especialmente para a gravação do projeto do estilista.

Laura Fernandez usa a coleção da Rocio Canvas apresentada no SPFW N51 (Foto: Mariana Maltoni/Divulgação)
Laura Fernandez usa a coleção da Rocio Canvas apresentada no SPFW N51 (Foto: Mariana Maltoni/Divulgação)

Rocio Canvas
A modelo e influenciadora digital Laura Fernandez aceitou o convite da Rocio Canvas, marca que estreou na 51º edição do SPFW, de encarar uma mudança de visual para estrelar a apresentação da marca neste último sábado (26). No lugar dos fios loiros, a modelo voltou às raízes e escureceu o cabelo de volta ao seu tom natural – e o look foi arrematado com sobrancelhas descoloridas. Quem assina o novo visual é Helder Rodrigues, beauty artist que soma muitos backstages de semana de moda em seu portfólio de trabalho.

Juliana Jabour (Foto: Reprodução / Instagram)
Coleção Verão 2022 Juliana Jabour (Foto: Reprodução / Instagram)

Juliana Jabour
“A coleção é como uma grande festa para aproveitar tudo o que o futuro tem de bom para nós. Quando ele chegar, quero estar com a roupa mais absurda, mais incrível e mais exuberante, até para ir na padaria comer um pão na chapa”, explicou a estilista para Vogue sobre sua coleção Verão 2022. E o que melhor para acompanhar essa festa que a artista criou do que uma maquiagem colorida e cheia de intensidade? O beauty artist Jean Ricardo Simão criou delineados maximalistas, que se estendem até as têmporas, nas cores azul e rosa chiclete com finalização glossy para um brilho extra.

ALUF (Foto: Divulgação)
Modelo Ana Elisa para Aluf (Foto: Divulgação)

Aluf
Explorando a beleza do cotidiano, Ana Luisa Fernandes desenvolveu uma coleção que mimetiza as texturas de sua própria casa. O tecido do sofá migrou para peças como uma calça e uma saia, o tassel da rede decora vestido e top, a madeira do piso aparece em alças de bolinhas, bolsas e brincos geométricos. Na beleza, a beauty artist Mika Safro embarcou na ideia e criou uma produção que realça os traços naturais das modelos. Em contraponto a maquiagem simples, Mika moldou dois cabelos que são inspiração pura. O da modelo Samara Donda estava com o corte da vez, o chamado wolf, que combina as duas últimas tendências capilares, o shaggy e o mullet. Já os longos fios da modelo Ana Elisa ganharam volume com um cacheado bem fininho. https://8bdaed6cb915ae7b999bd063a340be17.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Ponto Firme (Foto: Divulgação)
Ponto Firme (Foto: Divulgação)

Ponto Firme
A beauty artist Janaina Marques brilhou nessa edição do SPFW, um dos pontos altos do seu trabalho foi a beleza da apresentação da Ponto Firme, na qual entregou um pouco de tudo: sombras cintilantes, batom azul, esculturas de trança e até uma boca com efeito glossy. O resultado é uma miscelânea de referências para botar em prática na primeira festa pós-pandemia.

Consumo consciente aumenta demanda por cosméticos sem água na fórmula e versões em barra ganham espaço

Os produtos capilares sólidos são concentrados e têm rendimento maior do que os líquidos
Karina Hollo

Shampoo em barra Foto: Divulgação

O movimento mundial na busca por ações mais responsáveis em relação aos recursos do planeta colocou formulações sem água, conhecidas como waterless, em foco na indústria da beleza. “Tem a ver com o consumo consciente. Alternativas surgem na forma de produtos com texturas sólidas e óleos naturais”, diz Luiza Loyla, expert da WGSN, empresa líder em tendências. A crise hídrica, de fato, representa uma série de problemas na fabricação de cosméticos. “Mudar a percepção sobre este ingrediente de beleza é a chave. De descartável, a água passa a ser um luxo a ser preservado”, emenda.

São muitas as vantagens de aderir a essa filosofia. “Por serem, geralmente, sólidos, os produtos dispensam a utilização de plásticos, sendo possível a escolha de papéis recicláveis ou biodegradáveis como embalagens”, ressalta Karina Soeiro, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela USP. A ausência de água também garante que esses cosméticos durem mais, dispensando a necessidade de conservantes. “Um produto de formulação anidra (que não contém água) é mais suave e tem menor risco de possíveis reações alérgicas”, explica Karina. Outros ingredientes podem substituir o papel da água nas fórmulas. “Extrato de mel acalma a pele; óleo de jojoba, óleo de semente de camélia e óleo de caroço de damasco ajudam a manter a elasticidade, ao mesmo tempo que fornecem antioxidantes poderosos”, exemplifica Luiza. A praticidade, por ser fácil de transportar e não vazar, e a durabilidade também são pontos a favor. “Muitas vezes, na hora de usar o xampu líquido, colocamos mais produto do que o necessário. Com a versão em barra, isso não acontece”, lembra a farmacêutica.

Não há nenhuma recomendação específica para utilizar um cosmético anidro. Os produtos capilares sólidos são concentrados e têm rendimento maior do que os líquidos. “Como são feitos com ingredientes naturais, costumam ser menos agressivos. Limpam o couro cabeludo e controlam melhor a oleosidade”, afirma Gabi Balan, hairstylist no TP Beauty Lounge. E para conservá-los é muito simples: xampus e condicionadores em barra devem ser colocados em saboneteiras. “Precisam ser mantidos fora do contato com a água. Caso contrário perdem a solidez e a estabilidade e ainda há o desperdício do produto”, finaliza a dermatologista Juliana Piquet, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, do Rio de Janeiro

A história da colorista Eloah que saiu do Complexo do Alemão para conquistar os modernos do eixo Rio-São Paulo

Cabeleireira trans bomba com suas cabeças coloridas pintadas com desenhos de animal print e pássaros
Lívia Breves

Eloah no Care, em Ipanema, onde trabalha no Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Eloah no Care, em Ipanema, onde trabalha no Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Eloah gosta de comparar as cabeças que cria com telas de pintura. Famosa por descolorir cabelos curtinhos e depois estampá-los com desenhos que vão de animal print a pássaros, a colorista de 24 anos conquistou uma agenda cheia de clientes que querem dar um tapa moderno no visual. “Comecei fazendo trabalhos tradicionais, mas senti uma energia interna que pedia algo mais autoral. Não aguentava mais fazer louros. Fui então criar a minha estética”, conta ela, que passou pelo Fil Hair & Experience e hoje atende no Care, em Ipanema, e uma vez por mês no Cab, em São Paulo. “Sempre gostei de desenhar, pensei em estudar moda. Sinto que junto tudo isso agora.”

Nascida no Complexo do Alemão, Eloah diz que sempre gostou do universo dos salões e costumava cortar o cabelo das amigas no recreio da escola. “Sou uma ‘girl from Rio’. Desde sempre empreendo, ganhava meu dinheirinho ainda pequena. Depois, fui para um salão na favela, onde fazia cabelos de donas de casa e mulheres de bandido. Achava as pessoas de lá mais reais e demorei a ter vontade de vir para a Zona Sul. Mas, como só fazia mechas, escova progressiva e design de sobrancelha, entendi que para ser mais artística teria que mudar de lugar. Cansei de só cortar pontinha e retocar pintura”, resume.

Animal print para a cabeça de Richard Dapne. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Animal print para a cabeça de Richard Dapne. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo

A mudança de endereço fez com que a tinturista mergulhasse nos estudos de técnicas e na história do colorismo. Ao mesmo tempo, Eloah foi se empoderando e se assumindo como mulher trans com cabelos à la Gisele Bündchen. “Foco em visagismo, análise cromática, adoro criar conteúdo”, define. “Comecei como uma bicha tímida e hoje sou uma mulher forte. Foram as minhas clientes que me deram o nome de Eloah. Tudo aconteceu de maneira natural e ajudou a acabar com a imagem marginalizada da travestilidade que conheci na infância.

A foto da arte feita na cabeça de Lili Am. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo
A foto da arte feita na cabeça de Lili Am. O make é de Luiza Prevato e Rebeca Castro Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Tenho clientes de todos os perfis e não quero que o valor impossibilite ninguém de criar sua personalidade. Por isso, tenho preços que começam em R$ 300 e chegam a R$ 2.000”, conta a profissional, que tem uma agenda frenética de clientes. “Não nasci em berço de ouro, mas estou construindo uma cama king de luxo”, completa.

Feminização facial: entenda a cirurgia que ajuda mulheres trans

Pioneiro na técnica mundial, o Dr. Thiago Marques Tenório explica como o procedimento funciona e ajuda mulheres trans a se sentirem ainda mais bonitas

Foto: Reprodução | Instagram @facialteambrasil

De maneira geral, cirurgias plásticas podem trazer um impacto positivo na vida das pessoas por não só melhorar a autoestima e confiança das pacientes, mas também, seus relacionamentos sociais, profissionais e até mesmo sexuais.

E o Dr. Thiago Marques Tenório leva isso muito a sério ao mudar a vida de mulheres trans. Em sua clínica, a Facial Team, reconhecida mundialmente, ele se tornou o principal nome quando o assunto é a feminização facial.

Para quem não sabe o que é o procedimento, ele começa com um tratamento não cirúrgico, como a utilização de hormônios femininos, depilação facial, corte de cabelo e formato de sobrancelhas. 

“Cerca de um ano após esse primeiro tratamento a paciente já possui muitas características faciais femininas e já está pronta para a segunda etapa, que são as cirurgias de feminização facial”, explica o especialista.

As cirurgias geralmente são múltiplas (várias áreas do rosto são operadas) e complexas, podendo levar até 10 a 12 horas. Apesar disso, o pré e pós operatórios são simples, não diferindo muito de outras cirurgias plásticas faciais, como um Lifting Facial, por exemplo, com inchaço e equimoses (roxo na pele), mas pouco dolorosas.

A cirurgia de feminização facial, além desses benefícios supracitados, torna a aparência compatível com o gênero ao qual a paciente se identifica. As pacientes se sentem mais seguras também, pois, após a cirurgia, os ataques transfóbicos tendem a diminuir muito ou mesmo desaparecer. E geralmente, o procedimento após os 18 anos. Mas, se a aturdição óssea for mais precoce, a cirurgia pode ser feita mais cedo.

Pelas mãos do médico e sua equipe já passaram famosas como Léa T, Ariadna, Tifanny Abreu, Urias, Carol Marra, Viviany Beleboni e outras que pediram sigilo, e ao longo dos mais de 10 anos que atua na área, ele já atendeu mais de mil mulheres.

“A ajuda na autoestima é variável, a depender da feminilidade facial antes da cirurgia e de sua expectativa com relação ao resultado cirúrgico. Via de regra, elas relatam como um renascimento, a oportunidade de ser por fora o que elas sempre foram por dentro, ver no espelho a mulher que elas sempre sentiram ser”, encerra. 

Poder Black

Símbolo de orgulho da beleza negra, o cabelo afro tem sua história resgatada depois de virar polêmica nas mídias – a atriz Lucy Ramos e a jornalista Luiza Brasil comentam o tema e seu significado
Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

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Identidade. Muito além de estética. A atriz Lucy Ramos  Foto: Itta

Em sua 21ª edição, o reality show Big Brother Brasil chegou quebrando recordes de audiência e causando furor nas redes sociais. Entre polêmicas, paixões e brigas, um assunto de grande importância social ligado a causas antirracistas ganhou força nesta última semana e foi motivo para uma quebra de protocolo do apresentador Tiago Leifert, que interrompeu o programa para fazer um discurso para os participantes falando sobre o tema. 

Um comentário do cantor sertanejo Rodolffo sobre o cabelo de outro participante, o professor de geografia João Luiz Pedrosa, deu início a essa série de conversas sobre o Black Power e sua importância identitária para pessoas negras. 

O estilo, também conhecido como afro, surgiu, como conhecemos hoje, nos Estados Unidos, no final da década de 1950, início dos 1960, como uma forma de expressar orgulho da beleza negra. Com o tempo, o penteado que exalta as características naturais do cabelo crespo e cacheado se tornou uma mensagem política de força e resistência. 

“Muito além da estética ou de apenas um penteado, o black resgata a nossa ancestralidade. Ele me conecta às minhas raízes e celebra a cultura, a luta e a resistência do nosso povo. Pra mim, tem um significado muito grande. Sempre que coloco meu black pra jogo, tenho em mente que estou mantendo a minha identidade”, comenta a atriz e influenciadora Lucy Ramos, que exibe com orgulho toda a beleza do seu cabelo nas telas da TV, revistas e redes sociais. 

“Durante minha vida, fui entendendo que o meu cabelo dizia muito sobre quem eu era. Ao ter acesso à informação, compreendi que o meu crespo é uma característica minha que muito me orgulha. Não tenho motivos para escondê-lo. Hoje temos uma representatividade maior do que eu tinha na minha época de criança e torço para que desde a infância os pequenos e pequenas já possam nutrir esse sentimento de orgulho pela sua coroa”, complementa. 

Além de sua conta pessoal no Instagram, Lucy também comanda o perfil Segundas Cacheadas, no qual compartilha imagens inspiradoras e dicas de cuidado com o cabelo afro. “Carinhosamente sempre fui apontada como alguém que inspira muitas mulheres no seu processo de transição capilar e aceitação do afro. Pensando nelas, decidi criar um espaço específico para que pudéssemos trocar diretamente cuidados, dicas e experiências sobre o nosso cabelo. E assim nasceu o Segundas Cacheadas, com o propósito de fortalecer cada vez mais a nossa autoestima e também provocar reflexões e debates sobre as nossas vivências”, explica. O perfil é um dos destaques entre as inúmeras fontes de informação que encontramos na internet, em livros, jornais e programas de televisão. 

A pesquisa e a busca de conhecimento são fatores de extrema importância para que situações em que falas ofensivas – feitas com intenção ou não – que machucam pessoas e desvalorizam uma cultura deixem de acontecer. 

Segundo Luiza Brasil, profissional de moda e comunicação com mais de 12 anos de experiência, a autonomia para aprender é primordial. “Quando entrei [no mercado], o cenário era bem diferente. Havia ainda menos pessoas pretas. Eram espaços quase solitários. Essa pauta era trabalhada de um jeito diferente. Então sei do meu lugar articulista com o outro e não me incomodo de ser uma pessoa que produz essa informação”, conta.

“Mas acredito sim que o outro precisa ter a boa vontade de entender que hoje em dia existem materiais de todos os tipos, tamanhos e acessos para usufruir e ter conhecimento. Isso não é mais desculpa. Obras da Djamila, falas da Joice Berth, Carla Akotirene. Enfim, muita gente que fala sobre negritude e questões raciais com maestria. Acredito também que a gente não pode fazer com que o negro seja servil à pauta. Como se o negro só falasse de racismo e questões raciais. Precisamos cada vez mais nos tornar autônomos na nossa busca por conhecimento, nesse caso, raciais. Para que a gente entenda que o lugar do negro hoje em dia, mais do que buscar representatividade por conta do seu tom de pele, é gerar pertencimento em suas vivências. Isso que nos dá humanidade para seguirmos e ocuparmos espaços. Para sermos quem sempre sonhamos ser”, comenta.

“Atualmente, minha relação com meu cabelo é pautada em liberdade. Em fazer e usar do jeito que eu quero. Se eu quiser usar trança, vou usar. Se quiser natural, vou usar. Se eu quiser uma lace [peruca] lisa, vou usar. Porque tem um lugar identitário, de entender que nosso crespo é um cabelo bonito, é lindo. Mas agora acredito muito nesse lugar do poder da nossa escolha.” 

Signe Romer in Elle India August 2016 By Frida Marklund

Paint Job/Organic Beauty
Also in Elle Sweden March

www.elle.in Photography: Frida Marklund Model: Signe Romer Beauty Styling: Emma Unckel Hair: Joe-Yves Make-Up: Linda Öhrström