Cuidados com a área dos olhos: Veja como suavizar rugas, flacidez e olheiras

Dicas dos dermatologistas e nove produtos que podem ajudar
Maria Cecília Prado

Cuidados para a pele do rosto – puhhha – stock.adobe.com

Ela é delicada, tem uma pele mais fina que qualquer outra área do corpo. Ao mesmo tempo, vive em movimento: piscamos, sorrimos, franzimos, exigimos um esforço contínuo da área dos olhos.

O resultado dessa equação que não fecha –máxima exigência, pouca resistência natural– é que as pálpebras costumam entregar a idade bem cedo. Mas, desde que se tome alguns cuidados, dá para frear o processo e até para suavizar sinais já instalados.

Confira o que quatro dermatologistas me contaram sobre o assunto e aproveite para checar a seleção de cosméticos e cosmecêuticos que fiz para acompanhar suas ótimas dicas.

Hidrate continuamente

“A pele da área dos olhos, além de mais fina, é mais sujeita ao ressecamento, o que faz com que sofra ainda mais com as agressões externas”, explica a dermatologista Maria Bussade.

Utilizar produtos que mantenham a região hidratada e nutrida evita que esse ressecamento ocorra ou se acentue, e também contribui para manter a flexibilidade e a resistência da pele. Aplique com movimentos delicados e use ao menos duas vezes por dia, pela manhã e à noite.

Escolha um produto específico

Em tese, usar um hidratante para o rosto na área dos olhos é possível, desde que o produto não inclua ativos mais potentes, com ácido retinóico ou ácido salicílico.

“Porém, é sempre preferível optar por fórmulas específicas para as pálpebras, pois elas passam por testes oftalmológicos”, esclarece a dermatologista Silvia Zimbres. Ou seja, o fabricante avalia e atesta que elas podem ser usadas sem riscos nessa região.

Escolha a formulação mais adequada

Alguns ativos são especialmente interessantes para tratar a área dos olhos. É o caso do ácido hialurônico, que hidrata e tem efeito preenchedor, ou seja, deixa as linhas menos evidentes.

“As ceramidas agem preenchendo o espaço entre as células da epiderme e isso faz com que a pele ganhe um aspecto mais uniforme e mais bonito”, diz o dermatologista Luís Pascoal. O esqualano é altamente hidratante. Alguns óleos vegetais, como o de rosa mosqueta e o de semente de uva, trazem emoliência e contribuem para dar flexibilidade. E peptídeos têm ação tensora imediata – a pele fica temporariamente mais esticada.

Certas substâncias ácidas, como o ácido biônico e a gluconolactona (ambos da família dos poli-hidroxiácidos), até podem ser utilizadas para minimizar linhas à volta dos olhos e olheiras.

Elas são mais suaves do que ácidos mais conhecidos, com o retinóico e o glicólico, mas mesmo assim podem causar uma leve irritação, principalmente no início do tratamento. “Recomendo que os pacientes os utilizem em dias alternados, pois isso faz com que a pele desenvolva tolerância a esse tipo de componente”, explica Silvia Zimbres. “Após algumas semanas, o uso pode passar a ser diário.”

“Antioxidantes também são muito úteis”, esclarece a dermatologista Amanda Carniello. Vitamina E e chá  verde, entre outros ativos do tipo, ajudam a blindar a pele contra a ação nociva dos raios solares.

Aplique acima e abaixo do olho

Tanto a pálpebra de cima como a de baixo precisam de cuidados. Então, o ideal é estender a aplicação do produto para as duas áreas. “Só evite a pálpebra móvel, ou seja, a área que recobre o olho”, indica Luís Pascoal.

Além de cuidar, proteja

Os raios solares acentuam olheiras e têm relação direta com o surgimento da flacidez e das rugas. Para minimizar sua ação, use óculos de sol sempre. E se tiver olheiras muito marcadas, vale aplicar filtro solar sobre elas, apenas tome dois cuidados.

O primeiro é escolher uma formulação com filtros físicos (dióxido de titânio e óxido de zinco são os principais), pois protetores que incluem filtros químicos têm mais chance de provocar irritação ocular. O segundo é não passar o produto além das olheiras. Se ele chegar muito perto da linha dos cílios, pode acabar escorrendo para os olhos, provocando incômodo.

Jeanne Damas nos mostra sua nova boutique, Rouje e restaurante, Chez Jeanne| Vogue Paris

Jeanne Damas acaba de abrir sua própria boutique e restaurante em Paris, realizando um sonho de infância. A Vogue Paris fez uma visita guiada a Rouje e Chez Jeanne para ver de perto os batons e vestidos, provar o cardápio e conhecer alguns dos segredos de beleza da modelo.

Director/ Producer – Nikki Petersen
Director of Photography – Thibault Della Gaspera
Editor – Elie Pszenny
Color Grade – Etienne Baussan
Editor-in-chief – Jennifer Neyt

Coty planeja vender operações no Brasil e marcas como Wella e Clairol

Pigmentos naturais: a Desinchá Beauty tem desde bases e máscaras de cílios até iluminadores e batons com pigmentação natural 

FINANCIAL TIMES – A fabricante de cosméticos Coty estuda a possibilidade de vender sua divisão de produtos profissionais para cabelos e unhas, que inclui as linhas Wella e Clairol, como parte de seus esforços para reduzir suas dívidas e simplificar sua estrutura, depois de uma série de reveses na empresa. A companhia também busca vender sua operação no Brasil, e planeja completar as vendas até a metade de 2020.

A Coty espera arrecadar entre US$ 8 bilhões (R$ 33 bilhões) e US$ 9 bilhões (R$ 37,1 bilhões), no mínimo, com as transações, acrescentou uma pessoa informada, e acredita que empresas concorrentes e grupos de capital privado estariam interessados em todos ou em parte de seus negócios.

A venda proposta representa o mais recente esforço da JAB, controladora da Coty, para resolver os problemas da empresa, que apresenta um dos desempenhos mais fracos em uma carteira que inclui a Keurig Dr Pepper e a Pret A Manger.

As ações da companhia, cotadas nos Estados Unidos, subiram em quase 15% com a notícia de que a Coty, cujo acionista majoritário é a companhia de investimento , havia contratado o Credit Suisse para conduzir o processo de venda das unidades.

A divisão atende a salões de beleza profissionais e deve gerar US$ 2,7 bilhões (R$ 11,1 bilhões) em receita este ano. Outras marcas na carteira que a Coty está colocando à venda incluem a Good Hair Day (ghd) e a OPI, de produtos para unhas.

A Coty fracassou na integração das marcas de beleza da Procter & Gamble que adquiriu por US$ 12,5 bilhões (R$ 51,6 bilhões) em 2015, e foi forçada a registrar uma depreciação de um quarto do valor da transação. A empresa também sofreu problemas de cadeia de suprimento no ano passado, o que causou queda nos preços de suas ações e levou a JAB a substituir seu comando executivo.

Pierre Laubies, presidente-executivo da Coty, disse que as vendas de ativos “reposicionariam a Coty como empresa mais ágil e de foco mais firme, reduziriam nosso endividamento e aumentariam nossa capacidade de investir nas áreas com maior potencial de crescimento”.

Se os produtos profissionais de beleza forem vendidos, a Coty ficará com sua divisão de produtos de beleza ao consumidor, que vem enfrentando uma queda de vendas à medida que suas marcas voltadas ao mercado de massa, como a CoverGirl, perdem preferência entre os compradores jovens, e com sua divisão de luxo, que fabrica fragrâncias sob licença.

A venda recolocaria no mercado algumas das marcas adquiridas da Procter & Gamble, e desfaria uma série de aquisições que remonta a 2010. A divisão de produtos profissionais de beleza respondeu por cerca de um quinto do faturamento anual de US$ 8,65 bilhões (R$ 35,7 bilhões) da Coty nos 12 meses até o final de junho.

As ações da Coty, cuja dívida líquida é de US$ 7,4 bilhões (R$ 30,5 bilhões), vêm cambaleando nos últimos 12 meses, e caíram abaixo de seu valor de oferta pública inicial em 2013. A alta da segunda-feira conduziu o valor de mercado da companhia a US$ 8,7 bilhões (R$ 35,9 bilhões).

As margens de lucro mais baixas e o crescimento mais fraco da companhia deixaram suas ações muito abaixo dos preços obtidos por rivais como L’Oréal e Estée Lauder, que registraram alta respectiva de 26% e 47% em suas ações nos últimos 12 meses.

A companhia disse que os proventos da venda devem ser usadas para reduzir a relação entre sua dívida líquida e a receita anterior aos juros, impostos, depreciação e amortização de mais de cinco para um a cerca de três para um. Qualquer provento adicional seria devolvido aos acionistas, entre os quais a JAB.

A JAB, que administra a riqueza da bilionária família Reimann, da Alemanha, elevou sua participação na Coty de 40% para 60% em abril, para tentar pôr fim a um período conturbado. Os problemas da Coty também influenciaram na demissão de Bart Becht, sócio diretor da JAB que deixou a empresa em janeiro; Becht foi presidente do conselho da Coty anteriormente.

Tradução de Paulo Migliacci

Apartamento é naturalmente chique com muita madeira

O lar parisiense de Lucia Pica é moderno e ousado, assim como a maquiagem que ela cria para Chanel
Lucy Halfhead – Bazaar

Foto: Josh Shinner

“A maquiagem nunca deve ser usada como máscara, apenas deve realçar o que já está ali”, diz a italiana Lucia Pica, cuja abordagem moderna da beleza e o talento para criar looks frescos e naturais fizeram dela uma das maquiadoras mais influentes do mundo. Como diretora criativa global de Make-up e Cores da Chanel, é responsável por desenvolver até oito novas coleções a cada ano e também participa da concepção das campanhas de beleza e dos visuais de passarela da marca.

Lucia divide seu tempo entre casas no leste de Londres e em Paris, onde ela abriu as portas de seu iluminado apartamento no 6º arrondissement, com sua aparência habitual: lábios vermelhos aveludados, franja perfeita e olhos esfumaçados. Vestindo um jeans Levi’s 501 vintage, um suéter de cashmere Margaret Howell, escarpins Chanel e brincos Sophie Bille Brahe, Lucia é simpática e acolhedora.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

O apartamento é decorado com uma atraente coleção de móveis da metade do século 20, que vai de uma mesa de jantar Pierre Chapo a uma chaise longue Igor Rodrigues – adquirida na Piasa, a famosa casa de leilões de Paris – e a uma mesa de centro George Nakashima. Um sofá de veludo vintage acrescenta um toque de glamour, junto com as luminárias de parede Rupprecht Skrip, um vaso de Mathilde Martin e obras de arte assinadas por Harley Weir, Ben Barlow e Jason Brinkerhoff. “Você não está apenas comprando um item, está comprando a história e a magia também”, diz Lucia.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Nascida em Nápoles, ela cresceu cercada pelos coloridos afrescos da cidade, aos quais credita a fascinação precoce pela maquiagem. “Me trancava no banheiro e passava uma hora me maquiando. Depois, tirava tudo e saía como se nada tivesse acontecido”, conta. Ao chegar a Londres, aos 22 anos, ela se matriculou em um curso na Greasepaint Make-Up School e nunca mais olhou para trás. “Londres foi tão libertadora, foi incrível conhecer todas essas pessoas que pensavam como eu”, relembra. “É uma cidade que abraça todas as culturas, e essa diversidade e a liberdade de expressão me ajudaram a abrir a cabeça e ser criativa.”

Depois de trabalhar na butique cult de maquiagem Pout, em Covent Garden, e atrás do balcão da Shu Uemura, Lucia conseguiu um posto como assistente de Charlotte Tilbury. “Tive tanta sorte de conseguir essa oportunidade”, conta. “Era ótimo trabalhar para Charlotte, porque ela não é apenas talentosa, mas também muito carinhosa, solidária e uma boa mentora.”

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Em 2008, após três anos aprimorando sua arte, Lucia decidiu ser freelancer. “Foi assustador, mas eu estava determinada a encontrar meu próprio estilo e um time – os fotógrafos e stylists que poderiam criar o melhor trabalho comigo.” Sua carreira solo deslanchou quando colaborou com alguns dos mais influentes fotógrafos da indústria, incluindo Alasdair McLellan, Willy Vanderperre e Juergen Teller.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Após a saída de Peter Phillips, ex-diretor criativo de maquiagem da Chanel, que foi para a Dior, Lucia ficou como freelancer na casa por um ano e meio, até ser nomeada a primeira diretora criativa global de Make-up e Cores, em 2015. Conhecida por usar tons vivos e batons fortes, trabalhou ao lado de Karl Lagerfeld para produzir maquiagem para complementar as coleções de moda dele. “Me sinto tão grata de ter tido a chance de colaborar com ele nos desfiles e campanhas publicitárias”, diz. “Você espera que uma figura tão incrível seja distante e fria, mas ele não era assim. Era generoso, doce, engraçado e carinhoso.”

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

A estreia de Lucia, “Le Rouge Collection nº 1″, surgiu de sua paixão pela cor vermelha e é tida como um dos matizes fundamentais no universo de Chanel, enquanto a nova coleção inverno 2019, “Noir et Blanc de Chanel”, é inspirada na estética monocromática de Paris e no preto e branco da paleta da grife. “Amo trabalhar com esta marca incrível e tradicional, mas quero adicionar modernidade e mostrar luxo de forma mais experimental”, diz ela.

Foto: Josh Shinner

Foto: Josh Shinner

Viagens de pesquisa para encontrar novas cores e texturas também são parte importante do processo da designer criativa – a recente coleção verão 2019 “Vision of Asia: the Art of Detail” foi influenciada por suas visitas a Tóquio e Seul, e, em 2018, ela colocou dentro de um vidro um tom amarelo-canário, observado durante uma passagem por sua terra natal, Nápoles, que se tornou o esmalte mais cobiçado do ano. “O conceito pode ser bonito e sonhador, porém, tenho de trazê-lo à realidade e garantir que aquelas cores sejam adaptáveis à pele e ao rosto de uma mulher.”

Coleção de bolsas Chanel - Foto: Josh Shinner
Coleção de bolsas Chanel – Foto: Josh Shinner

Sem surpresa, uma espiada no guarda-roupa de Lucia revela uma abundância de peças, sapatos e acessórios Chanel. “Gosto de me mostrar feminina, porém, forte, algo que Chanel faz muito bem”, afirma. “Às vezes, tenho esses momentos de querer parecer uma princesa em um evento, então, uso um desses lindos vestidos de renda da coleção Métiers d’Art, de 2016, desfilados em Roma.”

Um dos quartos do apartamento - Foto: Josh Shinner
Um dos quartos do apartamento – Foto: Josh Shinner

Outras grifes preferidas são The RowCrista Seya – “para camisas elegantes e trench coats” – e a boa e velha Celine, que ela usa com joias de Sophie Buhai e do designer brasileiro Fernando Jorge. Para o toque final, ela explica: “Sempre aplico Chanel Rouge Audace, Obscure ou Nightfall. Minha mãe nunca saía de casa sem batom e eu acabei sendo igual”.