Pele negra precisa de cuidados redobrados na hora de passar por lasers e peelings

Especialistas listam as melhores opções de tratamentos
Talita Duvanel

Laser para pele negra Foto: Shutterstock

Por dentro das células da pele negra, melanina em abundância e colágeno de sobra. O significado disso? Fotoproteção natural (menos riscos de câncer de pele) e uma firmeza que não dá muito espaço para rugas. Seria perfeito, mas é quase. Dentro das muitas opções de tratamentos tecnológicos, esse tipo de pele é a que mais sofre com efeitos colaterais.

— Temos maior quantidade de melanina, o que nos confere alta proteção contra os raios ultravioletas do sol, mas isso faz também com que ganhemos manchas com mais facilidade. Por isso, é muito comum fazer um procedimento e manchar — explica a dermatologista Katleen Conceição, da clínica Paula Bellotti.

Uma das maiores especialistas no assunto no país, Katleen encontra no consultório, diariamente, rostos marcados por procedimentos que não levaram em consideração as especificidades desse fototipo. Imagine só: gastar tempo e dinheiro tentando melhorar uma mancha de acne e ganhar uma cicatriz?

— Os fibroblastos, responsáveis pela produção do colágeno e pela cicatrização, aparecem em maior quantidade nos negros, e isso faz com que haja tendência a formar queloides ou cicatrizes — explica.

Algumas das maiores queixas apresentadas por quem tem pele negra são cicatrizes de acne e melasma, e todas são possíveis de desaparecer, se os procedimentos forem feitos com cautela. As tais marcas de espinha surgem porque, nesse fototipo, costuma-se encontrar uma atividade maior das glândulas sebáceas e das bactérias que causam comedões — e , depois de “secas”, deixam um resquício de hiperpigmentação. Já a marca escura que caracteriza o melasma ocorre justamente porque existe essa tendência de manchar mais. Por isso, uma das palavras-chave para o bom resultado do tratamento de qualquer queixa é a paciência.

— Se usarmos um laser muito forte no nosso rosto ou um peeling muito agressivo, o risco de queimar a epiderme é alto. Às vezes, parece não ter acontecido nada, mas a mancha ou queloide pode aparecer depois — explica Katleen. — Por isso, temos que ir aos poucos.

Experiente com esses tipos de recursos, a dermatologista Flávia Haikal sente segurança em usar o laser Nd-YAG para quase todos os problemas mais comuns de pele negra, mas ressalta que, ainda assim, é preciso pegar leve.

— Às vezes, a mulher acaba tendo que fazer mais sessões, em intervalos de tempo menores, porque utilizamos potência mais baixa por uma questão de precaução — explica Flávia.

A dermatologista ressalta também o cuidado que se deve ter para, na hora de tratar uma mancha escura, não ter acabar surgindo uma branca:

— A energia dos lasers, às vezes, destrói as células que produzem a melanina, os chamados melanócitos, e se cria esse efeito esbranquiçado.

Para outras questões que a paciente não pode ou não quer tratar com lasers, cremes e loções tópicos são boas opções. Mas cuidado: um dos despigmentantes mais eficazes, a hidroquinona tem que ser usada por bem pouco tempo, porque pode destruir o melanócito por completo.

— O mais seguro é passar ácidos leves, como o azeláico e kójico, e combiná-los com antioxidantes, como a vitamina C — diz Flávia.

Mas imprescindível mesmo na rotina é o filtro solar, que muita gente esquece de passar justamente porque “sente” a proteção da melanina. Quem tem melasma precisa, por toda a vida, proteger a pele para evitar o agravamento ou a volta do problema, quando controlado.

— Infelizmente, melasma não tem cura em nenhum fototipo. Filtros fortes, portanto, são essenciais — diz Flávia.

Sempre forte

Proteção adequada

Não é porque a quantidade de melanina serve como um escudo a mais contra o câncer de pele que o filtro solar pode ser deixado de lado. O do rosto deve ter FPS de, no mínimo, 30, e se tiver cor, melhor ainda na proteção contra os efeitos da luz que sai de computadores e celulares. Hoje, muitas marcas estão investindo na diversidade de tons para atender a uma gama maior de mulheres.

Descamação leve

Muita gente acha que peeling bom é aquele que faz o rosto se descamar, mas não é bem por aí quando se trata de pele negra. “A paciente quer descamação, mas nem sempre isso acontece, o que não quer dizer que não teve efeito”, explica Katleen.

Remoção de pelos

Quando o assunto é depilação definitiva na pele negra ou morena, Flávia Haikal aconselha laser de iodo, que age de forma seletiva: ele atua somente na raiz do pelo, sem destruir a melanina ao redor. “Além disso, a ponteira é resfriada, protege ainda mais de possíveis queimaduras”.

De olho no bioestimulador

Substâncias injetáveis que ajudam a pele a formar mais colágeno não têm contra-indicação, mas a mulher deve evitar o sol até qualquer possível roxo ou vermelhidão desaparecer por completo a fim de evitar manchas futuras.

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Águas de março: os novos perfumes sem gênero da Louis Vuitton

A linha ‘Les Colognes’ é uma aposta da marca em fragrâncias sem definição de gênero
POR GLAUCO JUNQUEIRA

Os três aromas da ‘Les Colognes’, da Louis Vuitton (Foto: Divulgação)

A tendência genderless, ou sem gênero, transcendeu a moda e chegou também à perfumaria. Agora, é a vez da maison francesa Louis Vuitton dar mais um passo em direção à não distinção de gênero e anunciar o lançamento de uma série de fragrâncias unissex que “capturam o espírito da Califórnia”.

Chama-se “Les Colognes” e contempla três aromas distintos, que remetem ao verão californiano: Sun Song, Cactus Garden e Afternoon Swim, todos de 100 ml.

Cavalier Belletrud é o mestre perfumista que assina as fragrâncias – mesmo criador de Acqua di Giò, da Armani – e descreve as essências como “leves e sofisticadas”. Os aromas são essencialmente cítricos, com notas frescas e vibrantes, que variam entre limão, laranja, bergamota, gengibre e erva mate.

As cases desenhadas pelo artista Alex Israel (Foto: Divulgação)

A grife francesa convocou, ainda, o artista californiano Alex Israel, para “dar cor” às cases que abrigam os frascos.

Vale lembrar que marcas como Dior (Collection Privée), Chanel (Les Exclusifs) e Tom Ford (Private Blend) já apostam em coleções unissex e têm muito êxito com o feito.

Les Colognes deve estar disponível a partir de 4 de abril em todas as flagships da marca e online, pelo valor de € 210 cada (aproximadamente R$ 900). Vai encarar?

Não coloque a sua felicidade na expectativa de ter um corpo magro

Estamos vulneráveis a ideias que nos passam sobre beleza, mas podemos mudar essa realidade através da reconexão com o feminino
LUCIANA KOTAKA

Os relatos são muitos podendo variar um pouco o contexto, mas é muito comum colocarmos a felicidade em um aspecto fora do nosso bem-estar interno. O foco pode ser  ter um determinado carro, uma casa na praia, um outro parceiro, mas para uma grande parcela de mulheres ter um corpo magro é uma meta de vida.

A beleza sendo vendida em um conjunto de característica é uma absoluta agressão ao feminino. A mulher perde a sua beleza natural em busca de estereótipos impossíveis de serem alcançados, ou mesmo, conquistado à base de muitas restrições e agressões.

Há poucos dias ouvi um relato de uma amiga sobre alisar o cabelo, me deixei ouvir sem preconceito às colocações que ela foi defendendo. Fiquei dias com a questão borbulhando na minha cabeça, até que ficou claro o quanto também cedi à indústria da beleza quando neguei a forma de meus cabelos. Estamos todos muito vulneráveis a essa cultura do belo, até porque muitas vezes algumas escolhas parecem simplificar nossa vida, como no caso de ter os cabelos alisados. Compramos a ideia de que ficamos mais bonitas, mais arrumadas, mas será que essa beleza forjada realmente nos traz felicidade?

Parece um pouco complexo, mas quando me refiro à felicidade estou tentando falar um pouco do que fomos, deixando de lado no decorrer dos anos para agradar ao outro, a sociedade. O corpo magro é somente um dos aspectos dessa sociedade doentia que explora o feminino e a beleza convencendo milhares de mulheres no mundo, lembrando que homens também são afetados, de que não somos suficientemente bonitas, sedutoras ou mesmo competentes sendo quem somos.

Não paramos para pensar muito sobre isso e quando ousamos olhar para essa questão do corpo magro vemos como normal todo esse movimento, vamos tentando nos adaptar às formas das roupas que as indústrias vêm diminuindo e achamos lindo quando uma marca de roupa que deveria servir a todos os padrões anuncia alguma mudança para atender um público que tem um corpo real, um corpo que foge aos padrões. Ou mesmo quando decidem colocar um manequim tamanho quarenta e dois na vitrine, ou alguma marca permite modelos acima do peso normalmente aceitos nos desfiles.

Na verdade, lançam na sociedade uma cultura de insatisfação, não se preocupam com a tristeza que propagam, com a depressão, com a dor que vem gerando. Para sobrevivermos, muitas se lançam em dietas restritivas, horas de malhação, ciclos de compulsão que demandam tratamento emocional e psiquiátrico, isso quando o fim não é marcado por uma tragédia.

Enquanto colocarmos no corpo a nossa felicidade, estaremos subjugados a uma sociedade doentia, que busca o bem-estar e a felicidade fora, desprezando o que temos dentro, o que somos na essência.

Marca de lingerie ThirdLove ganha milhões explorando fraqueza da Victoria’s Secret

A ThirdLove captou um investimento de 55 milhões de dólares. Sua receita está no contato direto com suas consumidoras e no elogio à diversidade
Por Mariana Fonseca

Campanha da ThirdLove: marca já vendeu quatro milhões de sutiãs (ThirdLove/Divulgação)

A vida não está nada fácil para a icônica marca de acessórios, beleza e roupas íntimas Victoria’s Secret — e acabou de ficar um pouco mais complicada. A concorrente ThirdLove, que nasceu 36 anos depois da companhia conhecida por sutiãs push-up e modelos “angelicais”, anunciou recentemente uma rodada de 55 milhões de dólares (na cotação atual, 208 milhões de reais).

Com o investimento, a ThirdLove recebeu uma avaliação de mercado de 750 milhões de dólares. Isso a coloca no caminho para se tornar um unicórniostartup avaliada em um bilhão de dólares ou mais.

Ao todo, a ThirdLove captou 69 milhões de dólares. Os investidores se atraem tanto pelo modelo de negócios da startup, focada em uma relação direta com suas consumidores, quanto pelo posicionamento de marca, antenado com os pedidos por mais diversidade nas mulheres representadas.

Ameaça à Victoria’s Secret

Enquanto isso, a gigante Victoria’s Secret parece parada no tempo. Por mais que ainda represente a maior marca de lingerie dos Estados Unidos, com cerca de 1.200 lojas em operação, aos poucos a VS perde o brilho de décadas passadas.

Em 2018, a marca fechou 30 lojas e anunciou a saída da presidente Jan Singer. Na semana passada, comunicou o fim de mais 53 unidades. Em um ano, o preço de uma ação da companhia-mãe L Brands caiu cerca de 37%, de 42,26 dólares para 26,70 dólares.

Parte dos maus resultados vêm de um cansaço com o marketing da Victoria’s Secret. Em 2018, o famoso desfile com suas modelos, chamadas de angels (“anjos”) por seus padrões de beleza quase inalcançáveis, teve sua menor audiência da história.

Antes do show, o diretor de marketing Ed Razek deixou claro que não teria transgêneros no desfile e, diante de críticas (inclusive da ThirdLove), a marca teve de se desculpar. Outro problema está nos próprios produtos, que seguem a tradicional fórmula do sutiã push-up, que promete a perfeita aparência dos seios.

As vendas das Victoria’s Secret caem anualmente desde 2016 e marca tem feito mais promoções do que gostaria. Neil Saunders, analista da GlobalData Retail, estimou para a rede de televisão CNN que a VS perdeu 3,8 milhões de clientes nos últimos dois anos.

Direto ao consumidor

A Victoria’s Secret enfrenta hoje a concorrência de marcas que se posicionam como “inclusivas” e capturam o coração e a carteira das consumidoras mais jovens. É o caso da Savage x Fenty, criada pela cantora pop Rihanna, e de negócios como Aerie, da grife American Eagle Outfitters, e a própria ThirdLove. São marcas que produzem peças de diversos tamanhos e focam em caimento e conforto. Suas publicidades mostram modelos e não-modelos com diversos pesos e tons de pele, sem tratamento de imagem.

O slogan da ThirdLove é “sutiãs e roupas íntimas para todos”. Criada pela empreendedora e ex-gerente sênior de marketing do Google Heidi Zak em 2015, o objetivo da ThirdLove é fornecer peças que se encaixem melhor sem o constrangimento de medir-se em uma loja física. O marido David Spector, também ex-executivo do Google e ex-sócio do fundo Sequoia Capital, entrou para o negócio. O investimento inicial foi de 50 mil dólares.

Campanha da ThirdLove (ThirdLove/Divulgação)

Na ThirdLove, as consumidoras possuem uma ferramenta dotada de análise de dados em massa para estimar seu tamanho ideal de sutiã, chamada “Fit Finder”. O questionário leva 60 segundos para ser preenchido e permite a criação de sutiãs customizados com escala, ajudando nas margens da startup.

As clientes podem pedir sutiãs pelo site e testá-los durante até 30 dias, com devolução e reembolso caso não aprovem o produto. Alguns diferenciais da marca são 78 tamanhos “inclusivos” e sutiãs cor da pele em cinco tons.

Mais do que produtos e tecnologia, porém, o grande diferencial da ThirdLove está na comunicação. A marca é mais uma a fazer parte da onda “direto ao consumidor”, ou D2C. Nesse modelo de negócios, as fabricantes usam sites e redes sociais para venderem diretamente aos seus clientes, sem a necessidade de lojas multimarcas físicas ou digitais (os marketplaces).

Marcas americanas como Warby Parky (de óculos), Bonobos (de roupa masculina) e Casper (de colchões) criaram modelos sustentáveis de negócio D2C. No Brasil, quem adota o modelo é a varejista de moda Amaro, como forma de reduzir custos e aumentar margens.

Campanha da ThirdLove (ThirdLove/Divulgação)

A ThirdLove já vendeu quatro milhões de sutiãs, possui uma receita anual estimada em 160 milhões de dólares e afirma ser lucrativa. A startup está longe dos lucros e das lojas da Victoria’s Secret — mas não parece ser a marcal mais preocupada nessa história.

Salão de beleza Berlin Hair em São Paulo lança corte de cabelo sem gênero

O preço do serviço é único: R$ 85, sem diferenciação entre homens e mulheres
Gabriela Marçal – O Estado De S.Paulo

Corte de cabelo terá preço único para homens e mulheres Foto: Kaleido-dp/ Pixabay

Cabeleireiro é lugar em que, geralmente, as mulheres pagam mais caro e os homens mais barato. Mas um salão de beleza em São Paulo está quebrando essa tradição e lançando o corte de cabelo sem gênero. A partir de 9 de março, o Berlin Hair cobrará um preço único para o serviço: R$ 85, sem diferenciação entre feminino e masculino

“Além de ultrapassado, o conceito antigo não vai ao encontro com nosso posicionamento, além de não contemplar pessoas não-binárias”, diz Bruno Felício, proprietário do Berlin Hair.

A iniciativa inclui pessoas trans e que têm outras identificações de gênero.”Quando eu comecei a minha transição, a sociedade ainda não conseguia compreender a minha identidade de gênero. Por medo das pessoas não entenderem, eu acabava não falando sobre isso. A minha saída era frequentar barbearias, pois lá, eu não seria questionado”, afirma Lorenzo Lang.

Lady Gaga aposta em beleza clássica para o tapete vermelho do Oscar

Com coque colmeia e delineado prateado, a indicada ao premio de Melhor Atriz combinou make sóbria com o look preto McQueen

Oscar 2019 (Foto: Getty Images)

Uma das personagens mais esperadas da noite, Lady Gaga apareceu com produção reinventada da clássica Bonequinha de Luxo. A indicada – e favorita – ao prêmio de Melhor Atriz pelo filme Nasce Uma Estrela, cruzou o tapete vermelho com vestido preto de Alexander McQueen e beleza clássica. 

Nos cabelos, superplatinados, o hair stylist Frederic Aspiras construiu uma espécie de coque colmeia, prendendo os fios em faixas no topo da cabeça. Já no make, Sarah Tanno criou visual clássico combinando pele iluminada, sobrancelha bem delineada e delineador prateado. 

Oscar 2019 (Foto: FilmMagic)
Oscar 2019 (Foto: WireImage)