Victoria’s Secret mostra fotos menos retocadas de Jasmine Tookes e choca a internet

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Por Marcela De Mingo
Jasmine Tookes será o destaque do Victoria’s Secret Fashion Show deste ano. A modelo e Angel da marca usará o Bright Night Fantasy Bra e as fotos de divulgação desse anúncio chamaram atenção da internet por deixarem as estrias de Jasmine à mostra. A VS é uma marca conhecida pelo uso exagerado do Photoshop ao deixar as mulheres mais magras e, muitas vezes, desfiguradas, mas é surpreendente ver que imagens da Angel com marcas tão comuns a todas as mulheres foram divulgadas.

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Não se sabe se a imagem mais crua foi liberada propositalmente para a mídia. Mesmo com estrias na pele, Jasmine não deixou de ser menos bonita ou menos apta ao trabalho de modelo.

Quebrando paradigmas

A quebra de paradigmas envolvendo Jasmine não para por aí. A modelo é a primeira negra a ser escalada para o papel principal do desfile da Victoria’s Secret em quase dez anos. Isso, claro, diz muito sobre a questão da representatividade na moda.

Antes dela, Selita Ebanks foi quem desfilou com o Fantasy Bra, em 2007. O sutiã, chamado de Holiday Bra, foi inspirado nas festas de fim de ano e custava, aproximadamente, US$ 4.5 milhões. A primeira e outra única negra a usar a peça foi Tyra Banks, em 1997. A versão da também apresentadora se chamava Diamond Bra e custava em torno de US$ 3 milhões.
Veja as reações da internet depois que a foto foi divulgada:

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Especialista entrega 5 vícios com cabelo que toda mulher deve abandonar

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Das lisas às cacheadas, as dicas são indispensáveis! (Foto: Agência Fotosite)

Dizem que todo ato repetido seguidas vezes, se torna um hábito. A correria da mulher moderna pode resultar em pequenos deslizes que, feitos consecutivamente, acabam entrando na rotina e, muitas vezes, trazendo consequências mais severas. Que tal, então, reverter este ciclo e começar uma nova rotina de hábitos, desta vez saudáveis? Para isso, convidamos o beauty artist Silvio Giorgio, que assina diversas belezas do SPFW, a listar cinco vícios danosos ao cabelo. Leia com atenção e o mais importante: abandone já! Seus cabelos agradecem.[Alexandre Dugata]

1. Usar chapinha ou babyliss nos cabelos molhados: Nunca! Jamais! Isso estraga a estrutura do cabelo e o deixa enfraquecido e ressecado. Também é importante usar protetor térmico e leave-in para ajudar na manutenção da saúde dos fios.

2. Deixar condicionador nos cabelos: Não enxaguar os cabelos adequadamente, eliminando todo o resquício do condicionador, impede o selamento das escamas capilares. O resultando é um cabelo quebradiço e elástico.

3. Não hidratar: A função da hidratação é nutrir e recuperar a maciez. O uso excessivo de produtos químicos acabam danificando o cabelo e o deixando opaco. A hidratação devolve vida aos fios. Dica: use óleo de coco.

4. Prender os fios molhados: Manter os fios presos e molhados pode juntar fungos e caspas, além de provocar queda capilar.

5. Passar muito tempo sem cortar: Depois que o cabelo perde o corte, ele começa a abrir e ficar quebradiço com facilidade.

Carecas e pixies fazem a cabeça das modelos no SPFW

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Ana B., Zyom, Nala Salomé, Jaque Cantelli e Kátia André (Foto: Arthur Vahia)

Sucesso na Netflix, a série Stranger Things apresentou ao público uma turma de personagens-mirins apaixonante, na qual se destaca a misteriosa Eleven, vivida por Millie Bobby Brown. A atriz, de apenas 12 anos, ostenta cabelos raspados na produção e acabou por ditar tendência entre os adultos, como as passarelas da edição 42 do SPFW deixam bem claro: entre as modelos, quanto mais curto o cabelo, melhor.

Entre pixies e carecas, os comprimentos rente à cabeça foram bastante presentes no desfile do Experimento Nohda, por exemplo, onde a equipe do beauty artist Celso Kamura cortava os fios de algumas modelos no próprio backstage. Laís Bueno foi uma das tops a ajustar o corte pouco antes de vestir as roupas de Patricia Bonaldi, Lucas Magalhães e Luiz Cláudio. Dona de madeixas milimétricas há cerca de dois anos, a morena confirmou que a tendência dos curtinhos está mais presente nesta temporada: “eu conversei com meu agente, inclusive, sobre o que eles acham dessa tendência. Está bem forte desta vez e, curiosamente, os meninos estão com cabelos bem compridos. Acho que vai ficar assim por mais um tempo, mas já está começando a mudar para a outra temporada”. Cabelos curtos (Foto: Arthur Vahia)

Laís Bueno (Foto: Arthur Vahia)
Além de Laís, o casting desta edição da semana paulista também traz as modelos Zyom e Kátia André, ambas com máquina zero na cabeça, Nala Salomé, que optou pelo sidecut com flattop, e Ana Bacaro, Monique Santos, e Jaque Cantelli que, assim como Laís, ostentam cabelos à la Mia Farrow em O Bebê de Rosemary.

Go Back: Iódice  (Foto: Ricardo Toscani)Kátia André (Foto: Ricardo Toscani)

Kátia, que aos 20 anos faz sua primeira temporada, raspou os cabelos em fevereiro depois de adotar um joãozinho por pouco tempo. “Eu tinha um cabelão ruivo”, conta a modelo, “e tinha começado a procurar trabalho, mas não tinha muito espaço para quem saía do padrão, quem tinha tatuagem, era diferente, e eu não gostava da ideia de ter que mudar. Agora, nesta temporada, tenho visto os estilistas muito mais abertos às modelos de belezas variadas, incluindo as carecas!”. A newface também revela que apela mais para o masculino ou para o feminino dependendo do humor e que costuma raspar o cabelo até duas vezes por semana para manter o visual.

Go Back: Experimento Nohda (Foto: Arthur Vahia)Zyom (Foto: Arthur Vahia)

Zyom, também estreante aos 20 anos, raspou os cabelos em março depois de uma série de penteados. A gaúcha, que se mudou para São Paulo com uma amiga também careca, decidiu passar a máquina um porque precisava de uma mudança mais drástica. “Comecei a me inteirar mais em relação ao feminismo no final do ano passado e isso me estimulou muito a mudar”, conta, “queria me livrar dos excessos e é isso que eu sinto: liberdade”. A top adora apostar no visual agênero, mas, quando quer mais drama, gosta de valorizar ou os olhos ou a boca – “acho lindo o contraste”, explica.

Marcélia Freesz (Foto: Marcelo Salvador)Marcélia Freesz (Foto: Marcelo Salvador)

Quer adotar o look? Prepare-se para ter o rosto e o colo em evidência, o que abre espaço para ousar mais na maquiagem e nos acessórios. Fabi Gomes, maquiadora-sênior da MAC, é pontual: “quando você raspa o cabelo, não tem mais muletas, não pode bater cabelo. Então é bom arrumar um outro passatempo para se distrair! Acho que a pele tem que ser perfeita, impecável, independente se a ideia é um look andrógino ou mais montado. Quem quer apostar no genderless pode descer o contorno para definir o maxilar e ficar com traços mais masculinizados. Outra boa dica é focar no seu traço favorito: se for a sobrancelha, reforce. Se for a boca, aposte em um batonzão”.

Modelo Careca (Foto: Ricardo Toscani)Amanda Schön (Foto: Ricardo Toscani)

A beauty artist Amanda Schön – que raspou os próprios cabelos há cerca de dois meses – também tem recomendações para quem quer “zerar”. “Se você tiver cabelo comprido, corte bem antes de passar a máquina, porque ela pode puxar os fios e machucar o couro cabeludo. Mas aí não tem segredo: o corte pode ser feito em casa mesmo – eu faço a cada três dias para manter bem rente”. Amanda ressalta a importância de usar um protetor solar no couro cabeludo todos os dias, porque a pele na região é bem sensível, e indica as fórmulas em spray, que aderem à pele e não aos cabelos. E aí, vai ter coragem?  [Anita Porfirio]

Cabelos Curtos (Foto: Arthur Vahia)Monique Santos (Foto: Arthur Vahia)

“Chegou a hora da gente começar a desconstruir o que conhecemos como maquiagem”, afirma Amanda Schon, a make up artist que você precisa ficar de olho

 

Foto do editorial da make up artist Amanda Schon para ELLE
Por Isa Almeida
Amanda Schon é um nome para ficar de olho. A maquiadora assinou a beleza de seu primeiro desfile nesta terça-feira (25.10) e trouxe uma visão fresh para a make da
A.Brand. “Chegou a hora da gente começar a descontruir o que conhecemos como maquiagem. Começar a valorizar o que temos de bom ao invés de se preocupar em cobrir imperfeições”, ela conta em entrevista exclusiva para ELLE.

A paulista de 31 anos morou no Rio de Janeiro por quatro e voltou para São Paulo em dezembro de 2015. “Foi lá que eu entrei em contato com a natureza e também comigo mesma, finalmente descobri quem eu realmente era”. De cabelo raspado e um visual punk, ela afirma sem hesitar que é feminista. “Foi a descoberta do meu feminismo que me fez ter este novo olhar para o meu trabalho. Não dava para continuar fazendo uma pele ‘de bonita’ e escondendo as imperfeições de todas as modelos. Eu gosto de mostrar a personalidade delas, não de cobrir isto”. Porém, ainda faltavam oportunidades para fazer isso por lá, por isso a make up artist embarcou de volta para SP. E deu certo! Além de assinar a beleza para A.Brand, ela já emplacou diversos editoriais em revistas, incluindo o da foto acima, nas páginas da ELLE.

Cheia de esperança para este momento de questionamentos no mundo da moda, ela divide que está otimista. “A moda é controlada por homens. Estilistas, maquiadores, stylists… Eles estão sempre dizendo o que devemos fazer. Já passou da hora para nós mesmas escolhermos o que queremos, o que achamos bonito”. E o discurso não é da boca para fora. Em sua equipe, a grande maioria são mulheres. E também feministas. “Eu trouxe muitas das minhas amigas do Rio de Janeiro para cá”. Amanda acredita também que a revolução não é apenas sobre as mulheres: “Acho que é o momento que estamos finalmente pensando em representatividade. Gênero e raça são assuntos no momento. O que o Emicida fez ontem foi histórico”. Para ela, a moda está invertendo a sua logística.”Ao invés do mercado ditar o que as pessoas devem achar interessante, ele está finalmente ouvindo as pessoas e fazendo o que pedem”. E não tem como negar que não está dando certo. amanda-hair

Beleza I Pele hidratada e iluminada é protagonista da beleza gráfica da Ratier

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Beleza da Ratier (Foto: Ricardo Toscani)

Àprimeira vista, os olhares criados por Lau Neves para o desfile da Ratier são o que chama a atenção nas faces das modelos, mas a pele hidratada e iluminada é tão ou mais protagonista que a sombra prata e o delineador gráfico no look composto com produtos MAC. “Essa pele é uma construção em camadas, com um contorno superleve”, comentou o beauty artist, “primeiro, passei o Lighful C, que cria uma película quase plástica sobre a pele; depois, a base Natural Radiance, que tem partículas douradas; em seguida, Studio Finish – pó também cintilante – e, por fim, o Mixing Medium Shine, que é como uma vaselina e dá um brilho como se a menina tivesse suado, bem verão”.

Essa pele, explica Lau, lembra o aspecto do rosto após uma festa ou um festival nos dias quentes, o que segue a identidade da Ratier, cujo público vive nas pistas até altas horas. É essa faceta clubber da garota Ratier que também levou à criação dos dois olhos do desfile. O prateado, que concentra a cor no canto interno, conversa com as peças metálicas da coleção. Já o delineado é reflexo das formas geométricas, sempre presentes nas peças da marca. Arrematando a maquiagem, a boca, quase nua, colorida no centro pelo balm Tender Talk, que reage à temperatura da pele para criar um tom rosado único. Beleza Ratier (Foto: Ricardo Toscani)

Foco na pele iluminada (Foto: Ricardo Toscani)
Para finalizar o visual, os cabelos foram penteados para trás e fixados com textura molhada. No comprimento, no entando, uma textura mais seca e levemente crespa foi criada, também para simular o efeito do suor. [Anita Porfirio]

Nome quente do mercado, Amanda Schön transforma maquiagem em ativismo

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Amanda Schön dando os últimos retoques antes de começar o desfile da Iódice ©Agência Fotosite
Por Isabella de Almeida Prado
Ao entrar no backstage da A.Brand, já dava para perceber que o clima era diferente; era o tom dado por Amanda Schön, maquiadora de 31 anos que assinava sua primeira beleza de um desfile do SPFW. Muito calma, ela massageava com toques leves o rosto de uma das modelos que esperavam para começar a maquiagem, enquanto conversava com um grupo de quatro jornalistas.

Amanda é um dos nomes mais interessantes do mercado atual. Além de transformar a maquiagem em uma forma de expressão artística, a maquiadora vai na contramão da beleza como acessório e usa seu trabalho como meio de levantar bandeiras políticas e disseminar a causa feminista e da diversidade no mercado de moda. “Eu sei que certas informações não chegaram para algumas pessoas ainda, mas já chegaram pra mim e eu quero compartilhar isso. Estou o tempo todo defendendo essas bandeiras”, afirma.

Este é um momento importante na carreira da maquiadora, que recentemente assinou ensaios da “FFWMAG” #42 trabalhando com Zee Nunes, Dani Ueda e Pedro Sales. Já no SPFW, ela fez a beleza da A.Brand, o cabelo da Iódice e toda a beleza da Just Kids. O trabalho tem agradado: “Amanda captou bem o espírito da marca. Fizemos uma prova de maquiagem e foi maravilhoso. Brilho saudável e beleza natural”, diz Ana Claudia Zander, diretora criativa da A.Brand.

Confira abaixo um bate-papo com a maquiadora, logo após o desfile da grife carioca na terça-feira. FFW

A Brand SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Sergio Caddah/ FOTOSITEAmanda Schön no backstage da A.Brand ©Sergio Caddah/Agência Fotosite
Quando foi o seu primeiro contato com a maquiagem?
Minha família disse que foi desde criança. Eu gostava muito, maquiava todo mundo com a maquiagem da minha avó, até meu avô. Mas a vida vai correndo e os caminhos vão mudando…
Qual é a sua formação?
Eu cursei Publicidade. Sou de São Bernardo, que apesar da proximidade com São Paulo, é bem provinciana. Lá uma carreira é você sair da escola, fazer faculdade e entrar em uma empresa, de preferência uma multinacional. Era essa a responsabilidade que eu sentia nas minhas costas. Nunca consegui olhar para as coisas que eu gostava de fazer como uma maneira de trabalhar, uma profissão. Fui gerente de banco com 18 anos. Uma vez fui em um salão em São Bernardo. Ia cortar o cabelo e peguei as coisas que estavam por lá e comecei a me maquiar. O maquiador de lá, o Eduardo Hyde, falou para mim “cara, você já pensou em maquiar alguém?” e eu disse “não” – apesar de que sempre fui a pessoa que maquiava as amigas, fazia o cabelo de todo mundo. Fiquei com isso na cabeça e comecei a trabalhar como assistente dele no salão aos finais de semana.

E quantos anos você tinha quando teve essa primeira experiência?
Tinha 22 anos. Na época já tinha trancado a faculdade, no último ano. Ainda trabalhava no banco, tinha minha filha Alice e já estava grávida do Vicente. Isso foi acontecendo, até o momento que ele [Eduardo Hyde] começou a fazer os seus primeiros trabalhos de moda e eu ia acompanhando. Na época, ainda ia de modelo dele. Eu odeio, morro de vergonha. Mas começou assim, o interesse. Eu tinha responsabilidade de vida adulta já, com aluguel, contas, filhos. Então era complicado sair do banco e investir em uma carreira meio incerta e que existe um investimento de mala, equipamento…

Quando você conseguiu sair do emprego e focar na profissão de maquiadora?
Eu saí do banco e com o dinheiro que recebi de lá, montei a minha mala e comecei a trabalhar.

E o envolvimento com a moda? Foi mais natural?
Sempre foi uma coisa que eu gostei, mas era fora da minha realidade. As faculdades são supercaras e a minha família nunca teve grana. Eu trabalho desde os 13 anos. Então sempre foi uma coisa meio fora, até para a minha família, que gostava, mas dizia “como você vai bancar?”. Eu desisti. Vim trabalhar com isso depois, nunca queria salão, sempre vi a moda como maneira de me expressar artisticamente com a maquiagem e o cabelo.
Qual foi o primeiro trabalho de moda que você fez?
Fiz muito backstage com o Edu Hyde. O primeiro foi com ele, nem estava assinando, mas ele me chamou para a equipe. Esse dia eu lembro muito, meu primeiro backstage de SPFW; a primeira vez eu entrei e pensei “Caraca, que incrível!”. Pirei. Desde o primeiro dia, meu sonho era assinar um desfile, ver isso acontecer.

Você lembra qual era o desfile?
Era da Osklen.

Hoje você trabalha com Dani Ueda, Zee Nunes, fez diversas colaborações para editoriais da nova “FFWMAG”. Como é esse novo momento?
Ainda não parei para pensar sobre isso, tudo aconteceu tão rápido. Não é nenhum milagre, eu tenho construído a minha carreira. Nos últimos meses foi uma avalanche. As pessoas foram me conhecendo, dando oportunidade, e a primeira oportunidade viraram dez. O meu primeiro trabalho com o Zee Nunes foi agora, com a capa da “FFWMAG”, da Lorena [Maraschi], e já tinha trabalhado com o Pedro [Sales] antes. Quem me indicou para eles foi o Rodrigo Costa. Ele foi meu padrinho aqui em São Paulo, me apresentou para toda essa galera. É maravilhoso. Eu sinto segurança de trabalhar com eles, que sabem muito bem o que querem e ao mesmo tempo me dão abertura e liberdade criativa. Eu participo muito, a gente opina no trabalho um do outro. É realmente uma equipe, todo mundo colabora de fato. No começo da minha carreira, o meu lugar era do lado do monitor olhando se o cabelo saía do lugar. Hoje em dia, não é mais assim. Se eu tenho uma ideia de um acting da modelo ou de alguma coisa pro styling, eu tenho absolutamente toda liberdade de falar. E eu também dou essa liberdade para as outras pessoas, é incrível. Adoro trabalhar com eles, a vibe é muito boa e estamos sempre em comunhão. Não só com ele, mas também com o [Rafael] Pavarotti, que me dá imagens lindas, o George Krakowiak, que é um gênio também.

Você não tem uma agência que cuida da sua agenda e trabalhos. O que te fez querer ter essa autonomia?
Quando eu estava no Rio, eu tinha uma agência, mas eles não tinham uma sede lá, o que dificultava, porque eles não estavam me representando na cidade. Mas eu também sempre fui muito cara de pau. Quando fui pro Rio, já tinha mandado meu portfólio para todos os fotógrafos, stylists. De pouquinho em pouquinho, fui pegando trabalhos menores, depois maiores e foi rolando. Quando voltei pra cá, eu estava muito em busca do meu trabalho autoral. Investi um tempo para pesquisa, até para amadurecer a estética que eu estava tentando representar. No começo não tinha tanta demanda assim, então não precisava de alguém. Hoje em dia, já está ficando complicado. É muita demanda para cuidar e isso acaba me privando um pouco do meu processo criativo. Eu gostaria de ter alguém não exclusivo, mas que cuidasse de mim de uma forma mais próxima. Procuro manter essa relação com os meus clientes. Quando você está em uma agência, tem 300 maquiadores, óbvio que as pessoas não conseguem lidar com tanta proximidade nem de você, nem do cliente. Eu ainda não sei o que vai ser… De verdade! SPFW foi uma prova pra mim. Depois disso aqui, vou precisar de uma ajuda. Mas deu tudo certo, trouxe uma equipe a dedo, não pedi de agência. Consegui ter todo mundo que eu queria aqui. Próximo passo é encontrar essa pessoa ou grupo que consiga cuidar de mim de uma maneira mais pessoal.

Em uma das fotos do editorial da Lorena Maraschi, na nova “FFWMAG”, ela aparece com uma marca de ferro na testa, como se tivesse sido queimada como gado. Uma imagem bem impressionante. Como você dá identidade ao seu trabalho? Dá para levantar bandeiras políticas por meio da maquiagem?
Dá muito! Meu trabalho autoral é muito político. Até o que não é autoral. Óbvio que não é tudo que eu consigo levantar bandeiras no trabalho final, mas eu faço de tudo por trás para a gente não continuar repetindo erros que a gente sabe que estão massacrando e passando por cima de pessoas. Eu sei que certas informações não chegaram para algumas pessoas ainda, mas já chegaram pra mim e eu quero compartilhar isso. Estou o tempo todo defendendo essas bandeiras. Esse editorial foi incrível, porque foi o primeiro que fiz com o Zee e ele também é vegetariano, eu sou vegetariana e a Lorena também. Queria fazer algo contra o especioso, de achar que o animal não sofre ou vale menos que você. A nossa ideia foi fazer uma “punk farm”: o mundo que a gente conhece acabou, ela está numa fazenda em que todos os animais morreram e ela se alimenta e vive dos vegetais e usa acessórios dos animais. É de causar um pouco de desconforto, a questão da marcação, porque “no bicho não dói”, mas numa pessoa choca. Com todos os cuidados, a gente queria muito fazer isso. Meu trabalho tem disso, eu gosto de manchar a pessoa, de fazer uma cicatriz. Eles me deram uma liberdade criativa absurda nesse dia. A gente fez seis maquiagens diferentes e fluiu muito, consegui colocar o que eu queria.

E como funcionam as campanhas? Você consegue ter mais liberdade?
Tem todo um briefing, uma pesquisa de mercado. Mas acho que hoje, consigo ter mais liberdade. Mesmo nas campanhas, a minha pele é leve do mesmo jeito. Se tem uma característica da pessoa que está sendo tolhida em outros lugares, uma modelo de cabelo afro, não aliso de jeito nenhum. Quero ela com um cabelo desse tamanho! Estou em defesa das texturas, da diversidade. Mesmo em campanha, em um trabalho mais comercial, eu já consigo trazer essa mulher que eu acredito. Ela pode estar com um batom vermelho, laqueado, mas a pele muito leve.

Ela é uma mulher que aceita as imperfeições, então?
Exatamente, é autoconhecimento, aceitação e autoestima. Estamos em um momento de rever milhares de coisas, de descobrir a nossa autoestima, o quão maravilhosa a gente é sem todas essas capas, essas coisas que colocam em cima da gente compulsoriamente. Você pode amar usar maquiagem, mas não é legal ser escrava disso. Não é legal dizerem para você que você está bonita porque está maquiada, porque está tapando um monte de coisas que as pessoas dizem para você que é feio, mas na verdade não é, sabe? Esses moldes de maquiagem, que você ilumina aqui, marca ali. Não, cara! Cada rosto é um rosto. Tem gente que gosta da bochecha, então deixa ela vir. Tem gente que não gosta, mas se você mostrar pra ela que é bonito, de um outro jeito, ela vai passar a gostar. A minha mulher tem inseguranças, mas ela é independente, ela é uma mulher em descontração. Ela está aí querendo mostrar a cara dela mesmo, dizendo que faz o que ela quiser. Ela é linda na hora que ela acorda e na hora que vai dormir. Linda no dia que está com a cara lavada e linda quando está usando um olho preto com cílios postiços.

abra_blz_n42_010A beleza supernatural da A.Brand, criada por Amanda. Além da pele levemente iluminada, bochechas rosadas e cabelos marcados como se estivessem presos com elástico durante o dia na praia ©Agência Fotosite

Existe não só no Brasil, mas no mundo, uma cultura da beleza disseminada por tutoriais do YouTube. Você acha que maquiagem é empoderamento?
Isso é bem complexo. A gente acaba tendo mais mulheres que falam por isso, o que eu acho maravilhoso, porque no resto da mídia, existem mulheres que dizem o que homens falaram para elas dizerem. Até no mercado de moda, temos uma ideia que é produzida por homens. Ela veste mulheres, mas o nosso mercado é dominado. Estilo, styling, beleza… O que tem hoje no mercado de mulheres na beleza? São poucas, vista a quantidade de homens. Isso é meio complicado porque a gente continua a trazer referências do que é ser mulher, do que é ser bonita e estar na moda, mas é uma mensagem que a gente está recebendo de homens. A gente deixa de se sentir bonita, de saber como a mulher se sente bonita. E tem muita diferença! O que me assusta um pouco nesses tutoriais é que eles ainda são dentro desse modelo de beleza carregado e que serve para todo mundo. Tem a Nataly Neri que é maravilhosa e que está falando de empoderamento e de moda, mas ela compra as roupas dela no brechó mais barato, é garimpeira, e fala sobre a maquiagem que embeleza a beleza negra. Tem essas pessoas, mas o total ainda vem muito com a coisa da Kim Kardashian. Isso é uma coisa que veio lá de fora, mas ainda aparece por aqui. Você ilumina aqui, você marca ali e você está linda. Isso me preocupa um pouco, porque comunica com muita gente e não tem um contraponto, tipo, não, vou fazer aqui um tutorial de maquiagem que fica bom em mim. Minha boca é assim, mas se a sua for assado, desencana, é maravilhoso. Tem muito pouco ainda. De qualquer jeito, tem mais mulheres que estão falando; mesmo maquiada, ela está com uma câmera na frente dela, não está sendo dirigida ou roteirizada. Essa democracia da internet, com certeza, empodera a mulher.

Dá para eleger algo de mais especial que você já fez em sua carreira?
Cara, tive momentos realmente maravilhosos! Não só de expressão de trabalho, mas de exercer coisas, de colocar coisas que eu acreditava. Acho que hoje, o SPFW. Era o meu sonho, tinha todo mundo que eu queria do meu lado. Estou muito feliz com o resultado, com tudo que fiz. Eu não consigo classificar, cada um tem um significado especial.

Você fez a maquiagem da Elza Soares, para a capa do último álbum dela…
Nossa, Elza Soares! Um dos momentos mais incríveis da minha vida, não só da minha profissão. Sempre gostei da Elza, em casa a gente sempre escutou. Já admirava a história dela, só que quando você entra em contato com a pessoa e sente a energia ali, foi um set que a gente se emocionou o dia inteiro. Não era só eu não, todo mundo. Você olhava para as pessoas e elas estavam lacrimejando. É muito forte. Ela é a voz do milênio, mais reconhecida na gringa do que aqui. No mundo, as pessoas ovacionam essa mulher. Uma mulher negra, periférica, que teve um monte de filhos, sofreu todo tipo de violência, e está aí, cantando com a voz dela. Ela é guerreira, um ícone pra mim!

Tem alguma pessoa com quem você tem o desejo de trabalhar?
Adoraria, como realização, estar no backstage com a Pat McGrath. Acho ela genial. E é uma mulher negra, ali nesse espaço, reinando há muito tempo.

O que falta na beleza?
Desconstrução. É isso. O que eu estou tentando fazer, que é desconstruir esses conceitos de beleza, deixa ela vir sozinha, do jeito que ela é. Uma vez que você desconstruir, você tem muito mais liberdade para brincar. Para colocar uma sombra azul, um desenho no meio da cara se você quiser.

Celso Kamura e Max Weber apontam tendências de cabelo e make para o verão 2017

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O cabelo curto é uma das tendências da temporada de verão 2017 (Foto: Fotosite)

Se as temperaturas nas grandes capitais brasileiras costumam oscilar, obrigando as mulheres a sempre carregarem consigo algumas peças coringas, quando o assunto é cabelo e pele o assunto fica um pouco mais acertado.

Antenados com quais cores, comprimentos e estilo vão compor o visual da brasileiras no verão 2017, os beauty artists Celso Kamurae Max Weber contam à Marie Claire direto do backstage da SPFW as tendências para a próxima estação. Antes, Max Weber alerta: “a grande tendência é você ser você mesma. A saúde da pele e do cabelo dialogam com a saúde da alma”. Mas não custa nada a gente dar uma embelezada na alma, não é mesmo?

Curtos, curtíssimos
A imagem forte de um cabelo curto é a grande marca para a próxima estação. Ele pode ter franja ou não, mas sempre deve-se respeitar a estrutura natural dos fios. As texturas crespas e cacheadas serão super in.

Nada de cabelos monocromáticos
Não poderia ter um tom mais adequado para o verão, senão o inspirado no sol. As cores douradas vão iluminar as madeixas das mulheres. A ideia é que nenhum cabelo seja monocromático, mesmo aqueles que aparentam ser deve ter um fundo, uma ponta clareada.

Eles estarão de volta
A onda dos topetes a la Elvis volta. Secos ou molhados, a ideia é brincar com o volume frontal que além de tudo dá uma rejuvenescida no visual.

Esqueça o efeito molhado. Quanto mais natural o cabelo, melhor. A mesma ideia vale para a pele. Aposte em produtos que dão um acabamento suave (Foto: Fotosite)Esqueça o efeito molhado. Quanto mais natural o cabelo, melhor. A mesma ideia vale para a pele. Aposte em produtos que dão um acabamento suave (Foto: Fotosite)

Esqueça o gel
Para dar a impressão de naturalidade, os fios dos cabelos devem ser trabalhados com spray para os mais estruturados ou pomadas.

Assuma suas imperfeiçoes
A proposta do rosto limpo continua. A ideia é assumir as imperfeições, sem fazer muitas correções, usando produtos que dão aquele efeito de acabamento natural.

Minimalismo nem tão minimal
A pele continua limpa e bem hidratada, mas agora ganha um toque de “estranheza”, algo que parece fora do lugar, como um glitter no olho ou duas cores misturadas de batom.

Contraste
As cores de batom terão de conviver em harmonia. De um lado as vibrantes e impactantes , do outro os tons neutros e caramelos.

Mãe natureza
Usar e abusar cada vez mais dos produtos naturais. Destaque para o óleo de coco.

Glosy
A pele glosy e molhada tende a imitar a sensação de quando saímos do banho vai pegar forte também.

A pele glosy, com efeito molhado, é uma das apostas da temporada (Foto: Fotosite)A pele glosy, com efeito molhado, é uma das apostas da temporada (Foto: Fotosite)