Fiamma Zarife, big boss do Twitter, fala sobre autossabotagem, angústia e sentir-se intimidada

Sim, altíssimas executivas são tão humanas quanto eu e você. Elas falham, sentem-se inseguras, intimidadas. Mas altíssimas executivas dignas da nomenclatura falam a respeito. E sabem que isso só as torna mais interessantes. Por isso, uma salva de palmas a Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter. Num papo franco com Mônica Salgado, ela humaniza o sucesso como você nunca viu

Fiamma Zarife e Mônica Salgado (Foto: Arquivo pessoal)

“Melhor pedir perdão que permissão.” Uau, frase de efeito para levar para a vida. Cautelosa, Fiamma me explica que, quando a colocou em prática, numa das empresas pelas quais passou, tinha a bênção do então presidente. “Fiz muita coisa inovadora pensando assim. Ousar é preciso, mas tem que ser um risco controlado”, explica, acrescentando que, nos casos de multinacionais, quando se está longe da matriz “é necessário fugir um pouquinho dos guidelines para se adaptar ao mercado local”.

Hum, fugir dos guidelines talvez seja uma marca registrada da executiva? Pode bem ser. Aos 47 anos, a paulistana de origens árabe e italiana é formada em publicidade e propaganda, com pós em marketing, Fiamma já foi vice-presidente de conteúdo e serviços da Samsung na América Latina e passou por Claro, Oi e Petrobras Distribuidora, entre outras companhias. Bem-sucedida? Dã, obviamente! Mas a fim de compartilhar as vezes em que não se sentiu tão digna assim deste sucesso? Opa, isso é para poucas. Fugir dos guidelines, neste relato, significa fugir dos clichês de perfeição do que se convencionou chamar de sucesso. Com vocês, Fiamma Zarife.

“Me sabotei assim que descobri estar grávida”

Impressionante como a autossabotagem acomete muito mais as mulheres. Não apenas vejo isso acontecer ao meu redor. Vivi isso. Quando engravidei da minha filha, hoje com 15 anos, tive a maior cautela para contar a todos. Isso porque dez semanas antes havia perdido um bebê. E tinha contado pra Deus e o mundo. No fim, foi mais difícil gerenciar a frustração alheia do que a minha própria. Então, decidi esperar pelos três meses… mas o plano não saiu como desejado. Estava respeitando esse prazo quando, sem aviso prévio, meu chefe reuniu a equipe e anunciou minha promoção.

Atônita, fui à sala dele e disse: “Estou grávida. Fique à vontade para rever sua decisão”. Ele olhou bem pra mim: “Volte para o seu lugar porque ainda temos oito meses…”. E foi um dos períodos mais produtivos da minha carreira. Saí de licença numa sexta, e ela nasceu domingo. As pessoas me falavam: “Sabe que você terá que diminuir o ritmo, né?”. Isso me angustiava. Por quê? Amo meu trabalho. Não quero abrir mão de nada. Quero TUDO. E escolhi ser uma mãe workaholic. Até agora, está dando tudo certo.

“Ninguém me contou que a licença maternidade seria tão angustiante. E que eu sentiria falta do trabalho”

Vou resumir o sentimento: é como se você estivesse num ônibus em alta velocidade e de repente ele freia bruscamente e você é atirada para fora – sendo o ônibus uma metáfora da vida. Olhava para as pessoas na rua e pensava se algum dia andaria livremente de novo. É um mix de sentimentos. Você quer viver a maternidade, mas não se desconectar da vida lá fora. Na época, grandes mudanças aconteciam na empresa, um novo chefe havia chegado. Eu mandei até email para ele me apresentando, explicando porque estava fora. Como se precisasse… pode?

A verdade é que comecei a curtir de verdade no terceiro mês da licença. Tirei quatro e optei por usufruir dos 30 dias de férias mais tarde. Não aguentava mais ficar em casa.

Mas… quando você volta, percebe que está tudo lá, nada mudou de fato. Foi tudo tão intenso para mim que demorei sete anos para ter meu segundo filho, hoje com oito. A experiência é tão diferente! Tem uma previsibilidade, você sabe o que te espera. Fora que eu estava muito mais estabilizada emocional e profissionalmente.

“Tive muito medo de fracassar quando fui chamada para o cargo de diretora geral aqui do Twitter. E tentei me sabotar de novo”

Simplesmente não me sentia preparada. Inclusive, existem pesquisas que mostram que as mulheres precisam se sentir 100% preparadas para assumir cargos, enquanto os homens os aceitam sentindo-se 60% prontos. Hoje, percebo que, uma vez no cargo, você vai compondo, perseguindo os 100%.

Atenção: fazia apenas um ano e meio que estava na empresa. Entrei em 2015, como head de agência, responsável pelo relacionamento com  as agências de publicidade. Meu chefe, Guilherme Ribenboin, um dia me chamou na sala para dizer que estava indo para o Twitter de Nova York. Falei: “Puxa, que demais, parabéns! E quem é a pessoa que assumirá seu cargo aqui?”. Ele respondeu: “Você!”. No ato, aleguei que a pessoa não era eu, que havia ali gente muito mais merecedora, com mais tempo de casa. Cheguei a levantar uma lista de nomes para ele.

Guilherme me lembrou das qualidades que eu tinha. Palavras dele: postura, liderança, musculatura corporativa. Seria, segundo ele, a guardiã da cultura do Twitter no Brasil, uma conectora entre as áreas – características importantes para o esquema matricial em que operamos. Existem 12 áreas aqui que não se reportam a mim, e sim à matriz. Sob minha coordenação, tenho a área de vendas.

Enfim, depois de uma entrevista com o COO global, assumi como diretora geral no início de 2017.

“Fiquei intimidada na entrevista com o COO global do Twitter”

Sem dúvida, a entrevista mais difícil que já tive. Tinha que passar pelo crivo dele para ser de fato efetivada. Anthony Noto, então COO (chief operating officer), é um homem bastante sério. Tenho profundo respeito pela história dele. Ok, admito, ele inspira um pouco de medo. Me preparei muito para o encontro. Estudei balanço, tudo o que você imaginar sobre o Twitter. Mas sabe quando você estuda para uma prova e não sabe o que vai cair? Era assim que me sentia. Não tinha ideia do que ele perguntaria.

Durante o papo, eu estava sentada, e ele em pé, me olhando de cima. Isso não ajudou em nada. Além disso, Anthony é de difícil leitura. Eu não sabia se estava agradando. Foi então que ele me fez uma pergunta curiosa: “Quem ficaria chateado se você assumisse o cargo?”. Eu respondi: “Acho que todo mundo ficaria feliz”. ele gostou. Tenho a sensação de que essa resposta definiu meu futuro. E o resto é história. [Mônica Salgado]

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Quem trabalha 40 horas por semana nunca vai mudar o mundo, diz Elon Musk

Perguntaram para o CEO da Tesla quantas horas exatamente as pessoas devem trabalhar por semana para mudar o mundo
Por Nathan Crooks, da Bloomberg

Elon Musk: às vezes ele dorme na empresa

O CEO da Tesla, Elon Musk, diz que sabe quantas horas por semana você precisa trabalhar para mudar o mundo, e não são poucas.

“Há lugares muito mais fáceis de trabalhar, mas ninguém mudou o mundo trabalhando 40 horas por semana”, disse em um tuíte, após dizer que SpaceX, Tesla, Boring Company e Neuralink são os lugares a escolher se “você quer fazer acontecer”.

Indagado por um usuário quantas horas exatamente as pessoas devem trabalhar por semana para mudar o mundo, ele respondeu que 80 era um número sustentável, com picos acima de 100 às vezes.

“O nível de dor aumenta exponencialmente acima de 80”, alertou.

Os comentários vêm à tona no dia seguinte à transmissão de uma entrevista do website Axios com Musk, na HBO, em que ele revelou que a Tesla esteve a poucas semanas da falência financeira durante o esforço frenético e caro para acelerar a produção do sedã Model 3.

“A empresa estava sangrando dinheiro enlouquecidamente e se não resolvêssemos os problemas em muito pouco tempo, morreríamos”, disse Musk, que sabidamente dorme às vezes em sua fábrica, na entrevista.

Demanda explode e estes 5 profissionais viram “moscas brancas” no mercado

Consultoria de recrutamento Hays ranqueou os cargos mais demandados pelas empresas do Brasil numa das áreas mais quentes de trabalho
Por Camila Pati

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Candidatos a vaga de emprego: profissionais raros no Brasil (Foto/Thinkstock)


São Paulo – Na consultoria de recrutamento Hays, uma das maiores do Brasil, a demanda por profissionais ligados às diversas áreas que envolvem transformação digital nas empresas cresceu 44% de 2015 até o ano passado.

E quando a diretora da Hays Caroline Cadorin olha para o futuro, ela enxerga horizonte ainda mais promissor sobretudo para cinco funções, cujas nomenclaturas são mais utilizadas em inglês, idioma que é pré-requisito para 9 entre 10 cargos na área de tecnologia.

No jargão de recrutamento, Caroline e seus colegas de área chamam estes profissionais de moscas brancas (termo usado para especialistas difíceis de encontrar no mercado):

1. Especialista ou arquiteto de cloud: profissional que comanda a mudança da infraestrutura da empresa passando dados dos servidores para a nuvem.

2. Profissional de digital labs: responsáveis por desenvolver laboratórios digitais para testar novas tecnologias e processos.

3. Líderes de digital transformation: é quem vai ficar responsável por gerir o processo de transformação digital que exige mudança de metodologia, cultura e tecnologia.

4. Product Owner e Project Manager: a necessidade no que diz respeito à gestão de produtos e projetos parte de empresas que adotaram metodologia ágil. A busca mira profissionais que trabalhem em modelo de SQUAD – pequenos times multifuncionais.

5. Desenvolvedor: responsáveis por programar e criar softwares/plataformas/ aplicativos.

O perfil de tecnologia aliado ao conhecimento do negócio é uma regra para todos eles. “ Senso de dono, pensamento voltado em como contribuir fazem parte do perfil que deixa de ser só técnico para ser empreendedor”, explica.

A executiva atribui a tendência de alta à ampliação do uso da tecnologia pelas empresas no Brasil. “Nesse último período, para além das empresas de tecnologia e startups, começou um movimento de transformação digital nas indústrias mais tradicionais”, explica.

Nesse domínio, empresas de bens de consumo e serviços, como bancos e instituições financeiras, são as que mais contratam, mas a distribuição da necessidade é uma realidade, inclusive geograficamente.

Embora haja obviamente mais profissionais disponíveis nos grandes centros urbanos como São Paulo e interior do estado e Rio de Janeiro, partes da região Sul, as oportunidades profissionais estão espalhadas pelo país. “É uma área que pede mobilidade”, diz Caroline. Horários flexíveis e trabalho remoto são benefícios bastante frequentes nessas áreas.

Ela vê muitos profissionais saindo de empresas de tecnologia para fazer parte da transformação digital de empresas de outros setores. “Existe uma migração de indústrias dependendo do mercado”, diz.

Os salários, segundo ela, variam bastante de acordo com a experiência do profissional, do setor e tamanho da empresa. Ela prefere não cravar valor médio em nenhuma das funções e diz que há muita flexibilidade na negociação.

Maioria das empresas não possui programas de inclusão e diversidade

Especialista em diversidade diz que desafio é promover a inclusão de grupos diversos e condena piadinhas preceituosas no local de trabalho
Por Fabiana Futema

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Para 62% dos profissionais de RH, as empresas não estão preparadas para lidar com a diversidade (iStock/Getty Images)


Empresas que possuem políticas de inclusão e diversidade para grupos que mais sofrem discriminação – como mulheres, negros, deficientesLGBT – ainda são minoria no país. Seis em cada dez companhias não possuem nenhum programa, segundo pesquisa realizada pelo site vagas.com com profissionais de Recursos Humanos. Entre as que informaram oferecer esse tipo de programa, a maioria é para pessoas com deficiência (88%).

Para 62% dos profissionais de RH, suas empresas não estão preparadas para lidar com a diversidade. Outros 25% acreditam que as companhias não estão aptas a tratar do tema. Só 10% afirmam que suas corporações estão prontas para essa questão.

Para Ana Pellegrini, coordenadora do programa de diversidade da Uber na América Latina, a criação de políticas de inclusão melhora o ambiente de trabalho. “Quando não existe o comprometimento institucional com a diversidade, as pessoas não se sentem à vontade, ficam inibidas e sem poder ser quem elas são. Quando se tem um programa para grupos minorizados, se fala sobre o assunto, mostra-se a importância dele, o ambiente fica melhor.”

Mas não basta criar programas de diversidade. Cris Kerr, especialista em diversidade e inclusão, diz que o grande desafio é fazer inclusão desse público. “O que as empresas fazem hoje é diversidade, contratam um monte de pessoas diversas, mas não incluem. É como se fizessem uma festa, convidassem homens, mulheres, brancos, negros, LGBT e deixassem todos eles sentados, não chamassem ninguém para dançar. Eu falo que trouxe todo mundo, mas não incluí ninguém.”

Segundo ela, esse tema começa a preocupar as empresas, mas pouca coisa tem sido feita para melhorar a inclusão. “Incluir é dar voz para essas pessoas se sentirem pertencentes àquele time.”

Cris afirma que a maioria dos programas de diversidade e inclusão estão em empresas multinacionais. “A matriz adotou e determinou que o Brasil também fizesse algo. As iniciativas nacionais próprias são raríssimas.”

Diretora jurídica da Uber, Ana foi a primeira funcionária LGBT da companhia. Ela demorou anos para sair do armário no ambiente do trabalho e hoje coordena políticas de inclusão na corporação. Uma das iniciativas é a possibilidade de que motoristas transexuais adotem o nome social mesmo antes de terem finalizado o processo de transição de gênero. A Uber foi reconhecida pela Glassdoor, serviço on-line de recrutamento e seleção de talentos, como a empresa número 1 em práticas de contratação igualitárias para pessoas LGBTQ+.

A inclusão do público LGBT nas corporações passou a ser tema de uma campanha lançada nesta semana pela ONU (veja vídeo abaixo). O objetivo é combater a discriminação no ambiente de trabalho e fortalecer o envolvimento das empresas na promoção da igualdade de direitos e tratamento justo da população LGBT.

Chega de piadinha

Para incluir os funcionários diversos, Cris diz que é preciso haver uma mudança de postura a partir dos principais cargos de chefia. “Não adianta a empresa montar o programa e aí um chefe chega e fala: ‘olha as luluzinhas’ ou ‘olha o comitê dos gays’. O líder tem que dar exemplo, não pode fazer piada.”

Ela cobra outras mudanças. “Por que apenas as mulheres fazem anotações em reuniões de trabalho? Não pode haver um revezamento

Empresa social Specialisterne capacita autista para mercado de tecnologia da informação

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Bianca Gulfier, 19, que irá começar a estagiar na multinacional de tecnologia SAP


Contratar pessoas que estão no espectro do autismo pode ser, mais do que uma iniciativa para gerar inclusão social, uma vantagem para a organização.

Essa é a crença da empresa social Specialisterne, de origem dinamarquesa e no Brasil há dois anos.

A companhia capacita, em curso de cinco meses, pessoas com autismo para que trabalhem no mercado de tecnologia da informação.

Para participar dos cursos, o aluno deve ter interesse por informática e algumas características valorizadas pelo mercado que costumam estar presentes em pessoas com autismo, como facilidade para trabalhar com atividades repetitivas, atenção a detalhes e boa memorização, explica Fernanda Lima, diretora de formação da empresa.

“O espectro do autismo é muito amplo e nosso programa é muito específico, para pessoas que tem um autismo de alto-funcionamento.”

As aulas acontecem sempre com psicólogos na sala, para ajudar os alunos a perceberem onde podem melhorar. Eles também têm uma seção semanal de coaching para desenvolver habilidades sociais e realizam atividades em grupo.

Até agora, 300 pessoas demonstraram interesse pela formação. Dessas, cerca de 50 foram aprovadas e 30 contratadas por outras companhias após a capacitação.

Após a capacitação, na qual os alunos recebem orientações quanto a relacionamento no mercado de trabalho e programação, eles passam a prestar serviços para outras companhias como consultores contratados pela Specialisterne.

Os formados pela empresa trabalham, na maioria das vezes, no próprio cliente.

Realizam tarefas como conferir informações cadastrais em bancos de dados, fazer testes de funcionamento de software e atividades relacionadas à programação.

É comum que os colegas da empresa que contrata visitem a Specialisterne ou recebam palestra da companhia para aprender mais sobre autismo e como lidar com o colega recém-chegado.

Como os consultores permanecem vinculados à Specialisterne, a contratação deles não está relacionada ao cumprimento da lei de cotas (que prevê que de 2% a 5% das vagas em companhias que têm mais de 100 funcionários sejam reservadas para pessoas com deficiência).

Bianca Gulfier, 19, irá começar a estagiar na multinacional de tecnologia SAP neste ano (a companhia já conta com dez consultores da Specialisterne no Brasil).

Ela diz ter passado a desconfiar de que estaria no espectro do autismo há cerca de um ano. Assistindo série de TV, viu que tinha comportamentos parecidos com o de uma menina que tinham autismo, diz.

Autodidata, tem entre seus interesses, além da informática, temas como arqueologia e astronomia. Estuda esses assuntos por conta própria, em plataformas de cursos universitários pela internet.

Gulfier diz acreditar que seu principal desafio no trabalho será socializar com colegas, principalmente quando estiver em grupo. Nessas situações, é comum querer falar, mas se sentir “travada”.

Busca forma de lidar com a dificuldade desde a escola. “Como eu achava que era muito tímida, sempre fui atrás de superar isso, fiz muitos anos de teatro, cinema, para ajudar a me desenvolver”, conta.

Pedro Christensen, 22, também tem estratégias para lidar com desafios criados pelo autismo.

Ele conta ter dificuldades para reconhecer rostos e, por isso, aprendeu a prestar muita atenção em detalhes como tipo de roupa que a pessoa usa para saber quem está próximo..

Para ele, o curso na empresa o ajuda a desenvolver disciplina e atenção. Para isso, está criando uma tabela, junto a tutora que tem na organização, em que escreve suas tarefas, incluindo a hora de dormir e acordar.

Seu conhecimento de programação e facilidade com linguagem o levaram a ser contratado pelo banco americano JPMorgan na primeira entrevista que fez no final do ano passado.

Christensen atuará na revisão de documentos relativos a segurança da informação da companhia.

Ele se diz tranquilo com a perspectiva de começar a trabalhar na empresa, porque terá acompanhamento da companhia na qual fez o treinamento para monitorar seu desempenho.

“Pela falta de foco, tenho muitos projetos que comecei e não acabei. Agora, terei um emprego com um chefe, tarefas, metas, estou me preparando para isso.”.

O custo para participar do programa é de R$ 600 por mês. A empresa dá bolsas de estudo quando o aluno e sua família não podem pagar.

A Specialisterne foi escolhida em dezembro como a melhor empresa para pessoas com deficiência, na categoria micro, pequenas e médias empresas, em premiação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Diversidade
A psicóloga Cristiane Silvestre de Paula, professora da Unifesp e do Mackenzie, diz considerar a iniciativa positiva, mas lembra que trata apenas de casos pontuais, de pessoas com alto funcionamento.

Ela explica que existe uma diversidade grande de quadros de autismo, com diferentes graus de comprometimento na sociabilidade e comportamentos estereotipados (como repetição de rituais e dificuldades com mudanças).

Por outro lado, podem ser melhores do que o restante da população em algumas atividades, como preenchimento de formulários, diz.

Ela comemora a inclusão das pessoas com autismo entre as que podem preencher vagas previstas na lei de cotas, definida em lei de 2012. Porém, segundo sua avaliação, ainda são poucas as empresas que se adaptam para receber esse público e aproveitar seu potencial, diz. [Felipe Oliveira]

O futuro do trabalho

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A empreendedora Elatia Abate viajou pelos EUA para descobrir como será o futuro do trabalho.


A empreendedora Elatia Abate viu sua cidade natal, Detroit (EUA), ser destruída pela tecnologia. A cidade foi o maior centro da indústria automotiva no mundo, mas incapacidade de se adaptar aos avanços tecnológicos somada a uma crise financeira levou ao desmonte de toda indústria local – e, consequentemente, a cidade ruiu junto com as suas empresas.

As memórias da experiência de Detroit ajudaram Elatia a tomar coragem de colocar em prática um plano que há tempos ocupava sua memória. No fim de 2016, ela abandonou uma carreira estabelecida na área de recursos humanos, com passagem por empresas como a AB InBev e Dow Jones & Company, para viajar pelos EUA, Canadá e Londres em busca de uma resposta para a pergunta: qual será o futuro do trabalho?

“Eu vi o resultado da falta de planejamento e de treinamento para preparar as pessoas para novas demandas” diz. “Decidi viajar para criar soluções para o futuro do trabalho para que outras pessoas não precisem fazer isso e se sintam encorajadas a mudar”.

Durante a maior parte de 2017, Elatia viveu sem endereço fixo. Todos os seus pertences cabiam em uma mala que ela carregou durante os meses de viagem. Em cada destino, a empreendedora observou tendências e conversou com profissionais de diversas áreas para entender como a tecnologia está impactando o mercado de trabalho.

De volta a Chicago (EUA), onde mora atualmente, ela trabalha para terminar uma série de entrevistas com 200 profissionais enquanto escreve um livro e planeja soluções para ajudar profissionais do mundo todo a se anteciparem às mudanças drásticas que devem ocorrer no mercado de trabalho nos próximos anos.

Tecnologias como a inteligência artificial prometem acabar com milhares de emprego, ao mesmo tempo em que vão criar novas carreiras. Ajudar as pessoas a fazerem essa transição e evitar que elas passem pela experiência de Detroit é a principal meta da empreendedora.

Lidando com o inevitável.
Elatia faz parte de um grupo cada vez maior de empreendedores, professores, pesquisadores, dentre outros, que estão preocupados com a forma como a tecnologia vai impactar o futuro do trabalho.

Entre eles o consenso é um só: a forma como trabalhamos já está mudando — e nós precisamos nos adaptar antes que seja tarde.

Pesquisas indicam que 65% das crianças vão trabalhar quando crescer em funções que nem existem hoje. Em contrapartida, 73 milhões de postos de trabalhos devem desaparecer nos EUA até 2030 por causa da automação.

Há quem discuta a necessidade dos governos implementarem uma renda básica universal para lidar com o desemprego em massa. A ideia é que todo cidadão tenha o mínimo necessário para viver, já que as máquinas vão substituir desde motoristas de carros, até contadores e advogados.  O movimento é apoiado por empreendedores como Mark Zuckerberg e Elon Musk.

Mas nem todo mundo acredita que os efeitos da tecnologia são apenas negativos. Há uma corrente que defende que novas profissões vão surgir para compensar a perda de alguns trabalhos. A principal questão é que esses novos trabalhos vão exigir requalificação profissional e, quem não for capaz de se qualificar ficará sem emprego.

Qual é o futuro do trabalho?
Após meses de viagem explorando o futuro do trabalho, Elatia acredita que o futuro não será tão assustador quanto alguns defendem, desde que as pessoas se preparem para mudanças em curso.

O futuro do trabalho, segundo ela, vai exigir profissionais mais dinâmicos, resilientes, capazes de executarem diversas funções e se adaptarem às necessidades do mercado. Contratos  de trabalho mais flexíveis ganharão espaço. Em outras palavras, o profissional do futuro terá que ser empreendedor. “Teremos que redefinir o que é sucesso e trabalho. E teremos que mudar o jeito de pensar para deixar de associar mudança a algo ruim. Mudança pode significar acesso a oportunidades únicas”, diz.

Elatia trabalhou com recursos humanos em grandes empresas ao redor do mundo (inclusive no Brasil, onde aprendeu a falar português fluentemente) e como coaching profissional. Durante esse tempo ela observou um fenômeno interessante: depois de anos lutando para crescerem na carreira, muitos profissionais que alcançam altos cargos em empresas tornam-se absolutamente infelizes. São pessoas que alcançaram o sucesso material, mas não estão felizes como imaginavam.

“Eu vi muita gente que ama uma certa carreira, mas acabou seguindo outra completamente diferente em busca de sucesso. Mas o que é sucesso?”, questiona. “Eu acho que o futuro do trabalho é sobre ter liberdade. Não precisar da regra de ninguém e decidir por si só o que é importante ou não.”

E não é só a vida dos profissionais que deve mudar. O futuro do trabalho também será diferente para as empresas. A WeWork, uma rede internacional de escritórios de coworking avaliada em US$ 16 bilhões, aposta que muitas empresas deixarão de ter um escritório próprio. Com o futuro do trabalho caminhando para uma realidade de contratos flexíveis e foco em produtividade, as empresas passarão a usar a estrutura de espaços de coworking para seus funcionários trabalharem de onde quiserem. Dessa forma, a empresa pode focar apenas no seu negócio principal, sem precisar se preocupar com infraestrutura.

Liberdade, perda de direitos, flexibilidade, insegurança. Há muitas formas de ver o futuro do trabalho. Seja qual for a sua forma de enxergar a mudança em curso, o momento é de atitude. Ou começamos a adotar um papel de mais protagonismo para criar o futuro que desejamos ou ficaremos à mercê do futuro que está sendo ditado pela tecnologia. 2017 foi um ano de muitas lições sobre o que acontece quando deixamos de observar as mudanças em curso e como podemos ser pegos de surpresa por tendências que não conseguimos prever. A hora de começar a olhar para o futuro do trabalho é agora. [Ligia Aguilhar]

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Outros destaques.
Quer saber mais sobre os planos da WeWork para o futuro do trabalho? A revista Wired publicou uma matéria extensa e muito interessante sobre o assunto.

A McKinsey publicou relatórios interessantes sobre o futuro do trabalho e como podemos nos preparar. A consultoria aponta as mudanças que vão acontecer no mercado de trabalho e como isso vai impactar profissionais e salários.

A Deloitte também tem seu guia sobre o futuro do trabalho com análises sobre diferentes aspectos da questão.

Elatia Abate, personagem do post acima, deu uma palestra na conferência TED sobre sua experiência viajando pelos EUA e seus aprendizados sobre o futuro do trabalho. Confira o vídeo.

Vídeo ‘Como a Inovação Acontece’ da Apple mostra um pouco sobre como é trabalhar lá

Com o título de “Como a Inovação Acontece”, o vídeo é focado em trabalhar na Apple e mostra um pouco de como as coisas funcionam por lá, inclusive com imagens internas da empresa.

As pessoas vêm à Apple para fazer o melhor trabalho de suas vidas. Eles vêm para colaborar com algumas das equipes mais inteligentes e inovadoras do mundo para criar produtos e experiências incríveis. E eles vêm porque é um lugar onde seu trabalho pode fazer a diferença.

A Apple fechou o ano de 2016 com cerca de 116.000 empregados no mundo todo, englobando obviamente todos os que trabalham em suas quase 500 Apple Stores. E esse número não para de crescer. [MacMagazine]