Job sharing I Unilever testa no Brasil novo jeito de trabalhar com semana de três dias

As diretoras de RH da Unilever Brasil estão compartilhando o cargo e, nas sextas, a folga é regra. Confira como funciona
Por Tamires Vitorio

Carolina e Liana: ambas dividem o cargo de diretora de RH na multinacional de bens de consumo (Unilever/Divulgação)

São Paulo — Quem gostaria de trabalhar somente três dias por semana, folgar às sextas-feiras, dividir as responsabilidades e demandas do serviço e ainda ter tempo para estudar, descansar ou ficar com a família?

A resposta “todo mundo” parece ser unânime e até mesmo utópica. Mas, na Unilever, isso já é uma realidade.

Foi tomando um chá da tarde durante a licença maternidade de Carolina Mazziero (que na época era parceira de negócios para food solutions e desenvolvimento organizacional), que ela e Liana Feracotta (BP de marketing e pesquisa e desenvolvimento), tiveram o estalo para a ideia que as faria dividir o mesmo cargo na multinacional.

A sugestão de adaptar o compartilhamento de cargo para a área de recursos humanos ganhou corpo e uma imagem. “Depois da nossa conversa tiramos uma foto e mandamos para a nossa superior, dando a ideia do compartilhamento. Foi quase uma brincadeira, mas ela se mostrou muito aberta para trazer isso à mesa”, conta Carolina. Para ela, esse papo saiu de um sonho e se tornou uma estratégia de RH. A prática está em fase de testes há pouco mais de 15 dias.

Esse conceito já é comum em outros países e, em inglês, a prática leva o nome de job sharing. No entanto, é mais fácil encontrar CEOs que compartilham a tarefa de liderar uma companhia — como é o o caso do Chipotle, cadeia de restaurantes dos EUA, do mercado Whole Foods, da Salesforce e, também, do Deutsche Bank. Já a Samsung, por exemplo, tem três presidentes que dividem o bastão. A novidade na Unilever está   na implementação experimental na área de recursos humanos. “É importante para nós, como funcionárias da área de gestão de pessoas, sermos as cobaias do projeto para depois alavancar isso para o negócio”, diz Carolina.

De business partners, ambas foram promovidas a diretoras de recursos humanos e passaram a dividir o mesmo cargo.

Enquanto Carolina trabalha às segundas, terças e quartas, Liana fica com as terças, quartas e quintas. A folga de sexta é garantida e os horários não são fixos. “Optamos por não estar na empresa de sexta porque a maioria das pessoas faz home office. Eu e Liana ficamos no escritório juntas de terças e quartas porque achamos melhor ter nesse primeiro momento dois dias de interface das duas no escritório para manter tudo mais claro para os funcionários”, diz Carolina.

Os pontos positivos para elas são bem parecidos: com a carga de trabalho reduzida em 40%, elas podem passar mais tempo com os filhos, fazer cursos novos e aumentar a qualidade de vida. “Tem um benefício pessoal muito grande em compartilhar um cargo. Consigo levar meus filhos para a escola, ler artigos, estudar, ouvir podcasts. Isso é muito importante para um profissional em um mundo ágil como o que estamos vivendo”, afirma Liana. 

O compartilhamento também tem efeito positivo no engajamento dos funcionários. “A organização me tem em um nível de engajamento altíssimo. Quando estou aqui, estou de corpo e alma, completamente focada nos desafios que tenho”, diz.

Para as empresas, o job sharing também traz bons resultados que vão além da redução da planilha de gastos da empresa, uma vez que o salário do funcionário é menor com esse regime. “Ter benefícios como esse ajudam na retenção e na atração de talentos. É uma ferramenta de desenvolvimento pessoal na companhia. Para ter os melhores na empresa, precisamos conseguir atraí-los e a flexibilidade do trabalho é um ponto muito importante”, afirma Carolina.

Nenhuma das duas enxerga pontos negativos na mudança de rotina até o momento. As únicas dificuldades, para elas, são descobrir como manter a disciplina e se desconectar totalmente nos períodos de descanso e como se organizar de uma forma efetiva, rápida e, claro, compartilhada. “O mundo corporativo gira cinco dias por semana e nós estamos girando somente três. Não é fácil se desconectar do e-mail, do celular, ou até mentalmente. Esse é o principal desafio no momento”, explica Liana.

Para resolver o impasse da organização, Liana e Carolina se reúnem toda terça-feira às 8h da manhã para discutir as missões e as atividades semanais que ambas precisam desempenhar. Nos outros dois dias, o WhatsApp é um amigo fiel para compartilhar (além do cargo) novidades e problemas que o dia a dia corporativo trazem.

job sharing (por ter sido implementado muito recentemente) ainda não tem previsão para chegar a outras áreas da Unilever.

E aí, você toparia dividir seu cargo?

As lições da Capitã Marvel para se tornar um super profissional

Você consegue reconhecer os vilões da sua vida profissional? Especialista em aprendizado destaca como o filme da Marvel pode ajudar sua carreira
Por Luísa Granato

Capitã Marvel: em todos os momentos difíceis, ela se levanta e tenta novamente (©Marvel Studios 2019/Divulgação)

São Paulo – “Eu não tenho que te provar nada”, diz a super-heroína Capitã Marvel na hora de encerrar com apenas um golpe a luta com o vilão.

Parece uma resposta certa para o filme que recebeu críticas antes mesmo de ser lançado e é o primeiro da Marvel com uma protagonista mulher. E também resume as características da personagem que pode servir de inspiração para sua vida profissional.

De acordo com Flora Alves, coach e especialista de treinamento e em design de aprendizagem, o filme mostra a busca por autoconhecimento, uma jornada que diversos profissionais traçam no mundo atual.

Interpretada pela atriz Brie Larson, a heroína começa o filme como parte de uma equipe dos alienígenas Kree lutando uma inacabável guerra contra a civilização Skrull. Ela não lembra nada do seu passado e até seu nome, Vers, foi dado por outros.

De volta ao planeta Terra, ela redescobre sua história e identidade: ela é Carol Danvers, uma ex-piloto de caças da Força Aérea dos Estados Unidos.

“Quando ela descobre quem é, ela se liberta e alcança seu verdadeiro potencial”, diz Flora.

Com uma bilheteria mundial que ultrapassou o marco de US$ 1 bilhão, o filme inspirou e agradou os fãs do universo Marvel. Para a coach, o filme é impressionante por costurar múltiplos temas em sua trama, mostrando desde a força da diversidade dentro de um time até a responsabilidade de conhecer seus pontos fortes.

“No final da história, o filme mostra que ninguém é capaz de fazer você chegar na sua melhor versão do que você mesmo. A personagem toma decisões de acordo com suas próprias convicções. Na vida profissional, muitos vão tentar mostrar que seu sucesso depende de forças externas, mas é justamente o contrário: o super poder está dentro de cada um”, diz a especialista.

As lições para o crescimento pessoal e profissional são muitas e a especialista fez uma leitura do filme com o foco no mundo corporativo.

Primeiro poder: Ignorar quem só diz “não”

Muita gente disse “não” para Carol Danvers. Em suas memórias da infância, seu pai dá bronca nela por querer participar de brincadeiras e esportes “de menino”. No exército, os colegas riem dela por cair e falhar no treinamento.

Com joelhos ralados e ossos quebrados, ela aparece perdendo e ouvindo que não é capaz repetidas vezes. E, em todos os momentos, ela se levanta e tenta novamente.

“Em termos de carreira, muito vão tentar te convencer de que não é capaz. Você precisa focar nas suas potencialidades, não no que dizem que você deveria ser melhor. A heroína é curiosa e rebelde, irreverente e sempre busca ultrapassar seus limites”, explica Flora.

Segundo poder: Inteligência emocional para tomar decisões

Yon-Rogg, interpretado por Jude Law, é o mentor Kree da Vers. No início do filme, enquanto treinam, ele fala que as emoções são o ponto fraco dela e que precisa encontrar um equilíbrio para ser uma grande guerreira.

“Para nós, o equilíbrio é encontrado através da inteligência emocional, assim você pode ter foco para ver um cenário com clareza e tomar as melhores decisões. Se deixar levar pelas emoções prejudica sua análise da realidade presente”, comenta a coach.

O conselho parece bom de primeira, mas o personagem coloca a si mesmo como quem vai ajudar Vers a resolver seu ponto fraco.

Já na Terra, Carol reencontra sua melhor amiga, Maria Rambeau, que aponta todos os seus pontos fortes. Ela mostra para a protagonista que ela tem os mecanismos para contornar suas falhas e vencer.

“Conhecer a minha reação às emoções, conversar com elas e depois usá-las a meu favor é o certo. Na carreira, se existe uma situação que causa um desconforto, você escolhe como reagir. Para isso, você deve compreender de onde veio o sentimento”, explica.

O mentor mostra o negativo e coloca a responsabilidade pelo crescimento dela do lado de fora. A amiga mostra como olhar para dentro de si. “Isso é chave para o profissional de hoje”, fala a coach.

Terceiro poder: O verdadeiro empoderamento

Quando percebe seu potencial, Carol reflete: estava lutando com uma mão amarrada nas costas, e agora, o que consigo realizar?

“A partir desse momento, ela resolve tudo muito rápido. Ela vê quem é quem, toma decisões e faz em 15 minutos o que não fez no filme inteiro. Ela se empodera e assume a responsabilidade por fazer acontecer”, diz a especialista.

É como um aviso que lembra uma máxima do universo Marvel: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

A personagem avança sempre, mas seus grandes feitos – salvar o mundo – apenas trazem desafios ainda maiores, como se tornar a protetora de diferentes galáxias. “Ela não pode pensar mais só em si mesma”, fala.

No trabalho, é necessário estar atento não somente aos benefícios, mas às responsabilidades implícitas em novos projetos e desafios. Um novo líder deve pensar e cuidar de todos em sua equipe.

Quarto poder: Transparência

“Vivemos um momento em que a transparência se mostra fundamental nas corporações. Em todos os níveis e planos, a prática desenvolve um clima de confiança, responsabilidade, respeito e cooperação nas empresas”, comenta Flora.

Em Capitã Marvel, e outros filmes de super-heróis, os personagens precisar colocar de lado os interesses individuais em favor do bem coletivo. Assim, momentos de transparência e testes de confiança são vitais para a trama se resolver.

Vemos isso no momento que o comandante Skrull se revela como uma vítima da guerra contra os Kree. Ele compartilha com a protagonista, até então sua inimiga, as informações que encontrou, seu passado e suas intenções e pede por ajuda para sua família.

Com a confiança estabelecida, um time inabalável se forma: os Skrulls, Danvers, Maria, Fury e um gato chamado Goose. Apesar de suas diferenças, cada membro se torna vital para missão final (sim, até mesmo o gato).

Quinto poder: Intuição

Quando seu inimigo pode ser qualquer pessoa, como reconhecê-lo?

Essa que é questão que o personagem Nicholas Fury (que os fãs reconhecem de outros filmes da Marvel) coloca para Carol Danvers quando entende que os Skrull possuem a capacidade de imitar a aparência de qualquer pessoa.

A coach adorou a cena que mostra Carol vasculhando um vagão de trem em busca de um Skrull infiltrado. Ela olha nos olhos de cada pessoa com muito cuidado. Ela encontra seu inimigo no rosto de uma senhora idosa aparentemente inofensiva.

Sua intuição pode parecer um super poder, mas Flora Alves acredita que todos podem adquirir essa habilidade ao se permitirem ter atenção plena.

“Você precisa estar presente para ver os sinais ao seu redor, sem dividir sua mente com notificações do celular ou tarefas pendentes. Ao falar com as pessoas, você poderá ver o suficiente para reconhecer no olho do outro se está sendo verdadeiro”, diz.

Ter filhos é terrível para o salário das mulheres

No início de carreira, a renda de homens e mulheres é quase equivalente. Aos 45 anos, as mulheres ganham em média 55% do salário dos homens
Por Janet Paskin, da Bloomberg

Maternidade: as mulheres muitas vezes se afastam da carreira porque o trabalho não remunerado se torna mais exigente (Tuan Tran/Getty Images)

Nova York – Bebês são fofos. São afáveis, geralmente cheirosos e, vamos combinar, são necessários para a sobrevivência da raça humana. Mas para as mulheres, a chegada de um bebê coincide com um evento econômico significativo: o momento em que o poder aquisitivo feminino começa a diminuir em relação aos colegas do sexo masculino.

No início de carreira, a renda de homens e mulheres é praticamente equivalente. Quando ambos os gêneros têm mais ou menos 45 anos, as mulheres ganham em média 55% do salário dos homens.

Claudia Goldin, professora de economia da Universidade de Harvard e especialista em disparidade salarial entre gêneros, diz que a maior parte dessa diferença, não toda, pode ser atribuída a mulheres que trabalham pelo menos um pouco menos do que os homens.

Ou trabalham menos por salário: sua pesquisa aponta que as mulheres muitas vezes se afastam da carreira porque o trabalho não remunerado, cuidar de uma criança, se torna mais exigente.

Em um estudo feito por alunos de MBA da Universidade de Chicago por 15 anos, Goldin e seus colegas descobriram que a diferença salarial começa a aumentar um ou dois anos depois que a mulher tem seu primeiro filho. “Essas mulheres são extraordinariamente motivadas e dedicadas ao que estão fazendo”, disse. “Elas dão o máximo que podem, mas em algum momento, as demandas do lar realmente chegam.”

Em sua segunda temporada, o premiado podcast da Bloomberg, “The Pay Check”, está analisando detalhadamente o que acontece com as carreiras das mulheres quando têm filhos e o que acontece com a economia global se decidirem não ter. Embora cerca de 70% das mulheres trabalhem fora nos EUA, elas ainda fazem muito serviço de casa. Segundo uma pesquisa da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas, as mulheres gastam mais tempo em casa cuidando de filhos do que os homens. Elas também gastam mais tempo em tarefas domésticas, como limpar e lavar roupa.

Essas responsabilidades a mais muitas vezes fazem com que as mulheres limitem o tempo para os empregos remunerados. O esforço das mulheres para lidar com essas demandas conflitantes é frequentemente confundido com falta de dedicação ou ambição na carreira. Essa percepção também contribui para a disparidade salarial entre gêneros, diz Goldin.

E quando os salários das mulheres diminuem dessa maneira, a dinâmica de poder com um parceiro começa a mudar. Em um casal, faz sentido financeiramente para um dos pais, que tem uma profissão, estar disponível para trabalhar essas longas horas e colher os dividendos financeiros, mas isso aumenta as responsabilidades do parceiro em casa. Normalmente, o parceiro profissional acaba sendo o homem.

Para as mulheres que não têm filhos, diz Goldin, a disparidade salarial entre gêneros é muito menor. E para as mulheres que têm, essa disparidade começa a diminuir à medida que se aproximam do fim da carreira, quando os filhos saem de casa ou são geralmente mais independentes.

Apple nomeia Adrian Perica seu novo VP de desenvolvimento corporativo

Adrian Perica novo VP de desenvolvimento corporativo da Apple

Adrian Perica começou a trabalhar na Apple em 2009. Desde então, ele cuida de fusões e aquisições na empresa. Hoje, Perica recebeu uma bela promoção. Como podemos ver na página de liderança da Maçã, ele agora ocupa o cargo de vice-presidente de desenvolvimento corporativo, respondendo diretamente a Tim Cook (antes, respondia ao CFO1 Luca Maestri).

Desde que ingressou na empresa, ele supervisionou a integração bem-sucedida de tecnologias vitais e novos negócios em hardware, software e serviços — e aqui vale lembrar da maior delas, a Beats, por US$3 bilhões.

Antes de ir para a Apple, o executivo trabalhou no Goldman Sachs (novo parceiro da Apple na sua empreitada de cartão de crédito) por oito anos e, antes disso, na Deloitte Consulting (mais uma grande parceira da Maçã) e foi oficial do Exército dos EUA.Leia tambémApple poderá colocar mais dinheiro na Didi Chuxing por conta de um investimento da SoftBankEm evento da Fast Company, Angela Ahrendts fala um pouco sobre os planos da Apple para o varejoApple investirá US$848 milhões em uma usina solar capaz de gerar energia para 60.000 casas

Perica é bacharel em Física pela Academia Militar dos Estados Unidos em West Point e tem um MBA pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT. Ele atualmente também faz parte do conselho de administração da Didi Chuxing, que já recebeu um investimento de US$1 bilhão da Apple.

Será que vem uma nova grande aquisição por aí?

ATUALIZAÇÃO04/04/2019 ÀS 10:06

Segundo Mark Gurman, da Bloomberg, Perica já ocupava o cargo de VP de desenvolvimento corporativo há algum tempo. A novidade foi a mudança na estrutura, já que agora ele responde ao CEO em vez de ao CFO.

Coincidentemente — ou não —, essa mudança ocorreu exatamente no momento em que analistas de Wall Street pedem que a Apple considere fazer aquisições maiores. Em 2018, ela comprou 18 empresas, mas nenhuma delas ultrapassou o patamar de US$1 bilhão.

Gurman também comentou que Perica faz parte de um seleto grupo. No total, são 20 executivos na Apple que respondem diretamente ao CEO — incluindo todos que estão na página de liderança da empresa, além de Mike Fenger e Doug Beck (ambos vice-presidentes de vendas), que não estão listados na página. [MacMagazine]

O novo perfil de CEO que as grandes corporações buscam para se reinventar

O Chief Executive Officer da companhia dá lugar ao Chief Entrepreneur Officer, novo perfil no mercado que combina fluência digital e espírito empreendedor
Por Marcelo Nakagawa *

Louis Gerstner, da IBM, em evento em 1999. FOTO: Colin Braley/Reuters

Na segunda metade do século 20, ser CEO ou Chief Executive Officer da companhia era o maior sonho de muitos executivos. CEOs como Jack Welch da GE, John Reed do Citibank, Lee Iacocca da Chrysler ou Louis Gerstner da IBM personificavam os heróis do capitalismo ao liderar reinvenções épicas das suas companhias investindo fortemente em inovação, desenvolvimento de pessoas e eficiência operacional.

Mas na virada do século, quando estes executivos ambiciosos chegaram ao poder, diversas grandes corporações tornaram-se moedores de carne com empregados se estapeando para bater metas (cada vez maiores) e clientes como um meio para que estas metas fossem atendidas. “Eu até entregava o resultado, mas depois só via sangue e corpos por todo o lado. Hoje eu me arrependo…”, diz um executivo.

Se não bastasse este tipo tóxico de ambiente profissional, de alguma forma muitas empresas ainda se tornaram hipócritas tanto com seus colaboradores como com seus clientes e parceiros. Criaram declarações de missão, visão e valores que eram ironizadas pelos seus funcionários, além de campanhas publicitárias em que alardeavam suas (questionáveis) contribuições para um mundo melhor e mais feliz.

Neste contexto, o sonho de ser CEO da companhia, aos poucos, passou a atrair um número menor de interessados. Não queriam ser aquele cara sozinho lá no topo cercado de puxa-sacos e que liderava pelo medo. Com isso, sucessão tornou-se um grande desafio para muitas corporações em função da ausência de executivos que poderiam ocupar os próximos cargos estratégicos. E isso já começava nos programas de trainees. Uma das grandes multinacionais presentes no Brasil contratou 20 trainees em 2016. No ano seguinte, apenas quatro continuavam na empresa. Por que tantos desistiram? “Diferença entre discurso e prática”, explica, educadamente, uma das trainees que foi trabalhar em uma startup.

E agora, para complicar, as corporações ainda precisam não apenas entender, mas dominar e construir vantagens competitivas tirando proveito das novas tecnologias da 4ª Revolução Industrial. O problema é que isso não é possível quando o principal executivo da empresa é um analfabeto em novas tecnologias digitais exponenciais como inteligência artificial, big data, machine learning ou blockchain. Terá que terceirizar sua capacidade visionária com terceiros, incluindo aí, diversos pseudo especialistas, futuristas e consultores.

Assim como ocorreu no passado, quando foram buscar na capacidade empreendedora e inovadora de Welch, Reed, Iacocca e Gerstner, agora muitos conselhos de administração buscam um novo perfil de CEO. Alguém com fluência digital, com espírito empreendedor, cabeça de executivo e capacidade de inovar não apenas produtos, serviços ou modelos de negócios, mas inovar principalmente em como sua organização pensa e age, tornando-a mais ética, colaborativa e ágil.

“Sempre fomos uma empresa gerida pelo comando e pelo controle. Agora temos mais autonomia e agilidade, menos burocracia e hierarquia, buscando dar protagonismo às pessoas”, disse Gustavo Werneck, um dos exemplos desse novo tipo de Chief Entrepreneur Officer (ele é o CEO da centenária Gerdau), durante evento que discutiu o capitalismo consciente nesta semana.

* Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Pesquisa revela preconceito contra mulheres no mercado de Tecnologia da Informação

Estudo feito pela Yoctoo aponta que 82,8% das entrevistadas sofreram com a questão de gênero nas empresas

Pesquisa revela que 82,8% das mulheres entrevistadas já sofreram preconceito de gênero no mercado de tecnologia. Foto: Pixabay

A presença das mulheres no mercado de Tecnologia da Informação ainda é tímida. E aquelas que conseguem uma oportunidade sofrem com preconceito de gênero. É o que revela um estudo realizado pela Yoctoo, consultoria de recrutamento especializada na seleção de profissionais de TI e digital. 

De acordo com o levantamento, 82,8% das mulheres entrevistadas disseram já ter sofrido preconceito de gênero no ambiente de trabalho. “É um cenário preocupante, que mostra o quanto ainda estamos longe de tornar a área de tecnologia um ambiente igualitário”, afirma Paulo Exel, diretor da Yoctoo.

As empresas também ‘engatinham’ em políticas de diversidade e inclusão, na opinião de 91% das entrevistadas ouvida pela pesquisa. As mulheres também acreditam que o ambiente familiar não incentiva que meninas busquem carreiras ligadas à tecnologia. “Isso ajuda a a explicar o motivo de ainda vermos poucas mulheres em cursos relacionados à tecnologia ou interessadas em seguir carreira na área”, comenta Paulo Exel.

Sobre as principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de TI, 42% declaram que precisam provar o tempo todo que são competentes tecnicamente.

Por que é tão difícil encontrar o emprego perfeito?

Satisfação de trabalhadores com suas funções vai além de recompensa financeira
Robb Todd, The New York Times

O Washington Post está usando robôs para escrever algumas reportagens básicas e, com isso, deixar os repórteres livres para trabalharem nos projetos maiores. Foto: Justin T. Gellerson para The New York Times

Conforme mais pessoas procuram a realização em suas carreiras, e não apenas o dinheiro, a disputa por empregos criativos de baixa remuneração está aumentando. Mas os concorrentes dotados de ambição artística não são a única preocupação. Não foi um robô quem escreveu isso, mas, se tivesse sido, não teria sido fácil descobri-lo.

Os executivos do ramo do jornalismo dizem que as tecnologias emergentes não vão substituir os repórteres, mas a Bloomberg News usa uma inteligência artificial chamada Cyborg para escrever cerca de um terço do seu conteúdo, de acordo com reportagem do Times. A ideia é que tal prática deixaria os repórteres com tempo livre para se dedicar a matérias mais importantes do que informes de rendimentos corporativos.

“Algo que reparei é que nossos artigos escritos pela IA não tem nenhum erro de digitação”, disse ao Times o diretor executivo da Patch, Warren St. John. A Patch, um grupo de jornalismo voltado para as comunidades, usa robôs para escrever a respeito de assuntos como beisebol infantil, futebol americano do ensino médio, terremotos e previsão do tempo. O mesmo fazem Washington Post, Los Angeles Times e Associated Press.

“O trabalho do jornalismo é criativo”, disse ao Times a diretora de parcerias jornalísticas da AP, Lisa Gibbs. “É uma questão de curiosidade e narrativa, investigação e cobrança das autoridades, pensamento crítico e julgamento – e é nisso que desejamos que nossos jornalistas invistam sua energia.”

Mas, ao ser associada a um emprego, a palavra “criativa” deve ser motivo de alerta, escreveu Judy Rosen no Times. Para os escritores e outros do tipo, o termo adquiriu um “poder de atração talismânico”. “Isso aponta para outro tipo de sonho de classe média, livre do desgastante trabalho manual ou da monotonia dos cubículos e planilhas”, escreveu ela. “Esse sonho promete uma carreira e uma vida com espaço para a expressão de si, a imaginação e até a beleza.”

Lisa alertou que o lado negativo desses trabalhos é a necessidade de abrir mão da segurança financeira e dos benefícios empregatícios tradicionais. “Em troca do privilégio de nos dedicarmos a um trabalho ‘criativo’, pede-se que aceitemos condições de precariedade e ansiedade financeira que seriam impensáveis para os empregados de épocas anteriores”, escreveu ela, acrescentando que isso busca disfarçar “como liberdade boêmia a ruptura de um contrato social que resulta nos maus negócios da economia dos bicos”.

Tornar-se um banqueiro também pode ser uma carreira que oferece menos liberdade do que as pessoas imaginam. O repórter do Times Charles Duhigg, que também se formou pela Faculdade de Administração de Harvard, escreveu que um de seus antigos colegas de turma é um milionário infeliz que odeia o próprio emprego, mas não acredita que possa abandoná-lo.

“Tenho a sensação de estar desperdiçando minha vida”, disse a Duhigg o colega não identificado. “Quando eu morrer, será que alguém vai se importar com o fato de eu ter aumentado o lucro por um ponto percentual? Meu trabalho parece ser completamente sem sentido.” Duhigg não estava tentando fazer com que sentíssemos pena dos ricos, e sim argumentar que a satisfação com o próprio trabalho vai além da recompensa financeira.

Estudos mostraram que a satisfação dos trabalhadores não aumenta muito depois de oferecida uma recompensa suficiente para sustentar a si e à própria família. A ideia de autonomia é mais importante, bem como a de pares que respeitamos e de um trabalho que contribua para um mundo melhor.

E nem é necessário dedicar-se à busca pela cura do câncer, disse ao Times o professor de administração Barry Schwartz, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Não importa se você é um vendedor ou cobrador de pedágio”, disse ele. “Se enxergar seu objetivo como sendo solucionar os problemas das pessoas, cada dia trará 100 oportunidades de melhorar a vida de alguém, e nossa satisfação aumenta dramaticamente”.