Executivo Stephane Reboud da Dell EMC defende maior diversidade de gênero na área de TI

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De Charlotte Jee – Computerwold UK
Os homens precisam fazer mais para encorajar e apoiar a diversidade de gênero dentro das empresas de tecnologia, de acordo com  Stephane Reboud, diretor de Serviços de Vendas da Dell EMC para Europa, Oriente Médio e África. A proporção de mulheres ingressando em funções técnicas, segundo ele, está caindo. “Quando estudei engenharia, 22% da turna na escola francesa eram mulheres. Passados 20 anos, são apenas 12%”, disse Reboud em entrevista ao ComputerworldUK.

“Precisamos continuar a nos engajar – os homens, especialmente – nas questões relacionadas a diversidade de gênero. Dentro da Dell, eu promovo o Programa Marc – Men Advocating Real Change (ou homens que defendem mudanças reais, em português). Trata-se fazer com que os homens se deem conta de que há outro ponto de vista, outras formas de encarar as coisas”, acrescentou.

Como a maioria dos estudantes de tecnologia são homens, uma solução, na opinião de Reboud, poderia ser expandir as pesquisas na hora do recrutamento de pessoal para o setor. Em vez de apenas indicar aqueles que já têm habilidades e capacitações técnicas, as empresas deveriam ser mais abertas em relação à seleção de pessoas que podem chamar e treinar, sugere o executivo.

Fusão Dell EMC
Reboud defendeu a recente fusão de US$ bilhões da Dell com a EMC, que finalmente concluída no último mês.

Pode esta nova mega-empresa de TI ter sucesso em um mundo onde as companhias de tecnologia estão se dividindo, separando ou reduzindo sua escala (como a HP, por exemplo)?

“Esta é uma das primeiras vezes na indústria de serviços de TI em que vemos alguma que é complementar. Em termos de produtos e segmentação de clientes, há uma sobreposição muito pequeno…Em geral, temos na divisão de serviços 6 mil pessoas, o que nos permite atender 165 países, para entregar algo consistente, eficaz e superior em termos de mercado. Acredito que isso é um poder inagualável de entrega”, afirmou.

De todo modo, em qualquer fusão desse porte, sempre há corte de empregos. A Dell EMC anunciou recentemente que 50 demissões estavam previstas nos escritórios de Cork, na Irlanda. Um número pequeno, mas um sinal do que está por vir?

“São 140 mil empregados ao todo. Haverá uma pequena [redundância], em ordem de grandeza, se formos comparar com o quadro global. Tratamos todo o nosso staff com muito respeito”, disse.

Na nuvem
A Dell EMC observa que a maior parte dos seus clientes ainda tem preferido adotar estratégias de nuvem híbrida, em vez de ir totalmente para uma nuvem pública, de acordo com Reboud.

“Isso não é uma bala de prata. As pessoas dizem que nuvem é a resposta, mas trata-se mais de aproveitar a nuvem para o ambiente específico de cada cliente em particular”, avalia.

Um pesadelo especial para Reboud é a moda de fazer referência ao Uber, Airbnb e Spotify em eventos de TI para demonstrar o poder da tecnologia da nuvem. Ele explica: “Para eles, é óbvio estar totalmente na nuvem. É diferente. Nasceram na indústria digital, são companhias digitais nativas. Não têm legado, nada. De todo modo, para nossos clientes, é preciso cuidar do legado. Eles sabem que a nuvem é parte da resposta, mas a questão é como integrá-la ao legado, mover parte dele para a nuvem e criar o ambiente híbrido.”

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Diversidade no ambiente corporativo é tema de evento da CA Technologies em São Paulo

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Marcado para dia 25, o Diversity Empowered by Software terá a participação de Meghan Stabler, transgênero e mãe, integrante do Conselho da empresa

Meghan Stabler, transgênero, mãe, integrante do Conselho de Administração da CA Technologies nos Estados Unidos, vai contar sua experiência em evento que a empresa promove no próximo dia 25, em São Paulo, o Diversity Empowered by Software. O evento vai reunir profissionais do setor para debater formas de promover um ambiente corporativo mais diverso e um setor de tecnologia capaz de desenvolver soluções que atendam a toda a sociedade.

A participaçãode Meghan está prevista para o painel ‘Como a indústria de TI pode se tornar mais aberta à diversidade e à inclusão de minorias e por que a diversidade é importante para o setor”, junto com Cláudia Vásquez, presidente da CA para América Latina, e Edson Mackeenzy, especialista em desenvolvimento de negócios digitais.

Para Meghan, que também faz parte do Conselho Consultivo para LGBTs do Democratic National Committee, as empresas devem se responsabilizar pela contratação de pessoas com perfis profissioniais diversificados, o que, na sua opinião, é essencial para a inovação.

Outro debate do evento terá como tema “Como a educação pode estimular a diversidade e influenciar a próxima geração de líderes”, com a presença de Maria José de Freitas, professora e consultora sobre gênero, diversidade sexual, relações étnico-raciais, direitos sexuais e reprodutivos; de Juliana de Faria, fundadora da ONG Think Olga e co-fundadora do Think Eva; e Viviane Duarte, fundadora do Plano Feminino. A moderação dos paineis será feira por Alexandre Assis, diretor na CA Technologies.

O evento está programado para as 19h, com tradução simultânea para o Português. A participação é gratuita e aberta ao público. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo link :https://www.eventbrite.com/e/diversity-empowered-by-software-tickets-284…. [CW]

Os 4 sinais de machismo mais frequentes no ambiente de trabalho

O resultado não poderia ser melhor. Além de as mulheres da equipe de Obama conquistarem seu espaço merecido, a iniciativa se espalhou pelas empresas americanas e, aos poucos, ajudou a conscientizar as pessoas sobre o machismo no ambiente corporativo.

No Brasil, o cenário ainda é diferente: as práticas machistas dentro de uma empresa são recorrentes e naturalizadas.
Para Itali Collini, co-fundadora e diretora do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Raça da USP (Universidade de São Paulo), as brasileiras sofrem diariamente com o sexismo no trabalho, mas não discutem o tema – e, na maioria das vezes, sequer reconhecem o que vivem.
“É importante lembrar que o machismo está, principalmente, nos pequenos atos. Ele é sutil, passa despercebido e é constante. Por isso é necessário conversar sobre o tema e conscientizar tanto homens quanto mulheres”, explica.

Na mesma linha, Jorgete Lemos, diretora de diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), aponta para um problema estrutural e histórico da sociedade. “As mulheres foram criadas em uma sociedade machista e, por isso, reproduzem muitos aspectos dela. Para acabar com isso, é preciso desconstruir ensinamentos e não mais abaixar a cabeça”, orienta.

A dúvida, que permanece no universo feminino, entretanto, é como identificar e combater essas práticas.
Uma dica importante para enfrentar atitudes machistas do dia a dia, inclusive quando se transformam em assédio moral e sexual, é reportar essas questões ao setor de Recursos Humanos da empresa.
Para Jorgete Lemos, apesar de o RH aprender aos poucos a importância de seu papel para combater o preconceito, quanto mais o assunto for discutido, mais seguro o ambiente de trabalho ficará para as mulheres.

“O tema precisa conquistar seu devido espaço. É necessário conversar individualmente com os colaboradores das empresas, promover políticas inclusivas e desconstruir antigas ideias sobre homens e mulheres”, conclui.
Outro conselho, dado pela advogada trabalhista Vivian Dias, é sempre que possível ter provas. “Um vídeo, um áudio ou uma testemunha fazem toda a diferença na hora de questionar as atitudes”.
A advogada ressalta ainda que mesmo denúncias quanto a atitudes pontuais precisam ser feitas, já que o empregador não toma conhecimento de muitas situações.
Veja a seguir 4 sinais de machismo muito comuns nas empresas, de acordo com especialistas consultadas por
EXAME.com, e aprenda a combatê-las:

1 – Interrupção de fala ou “manterrupting”

Durante as reuniões empresariais é comum que os homens falem mais e interrompam desnecessariamente as mulheres com mais frequência, aponta um estudo da pesquisadora Adrienne Hancock, da Universidade George Washington.

Em ocasiões assim, Collini orienta que a mulher explique que ainda não concluiu sua linha de raciocínio, continue expondo suas ideias e mantenha uma postura afirmativa.

2 – Receber explicações óbvias ou “mansplaining”

Ficar horas ouvindo explicações sobre um tema que você domina é uma situação comum para as mulheres. Com explicações óbvias e “didáticas”, os homens muitas vezes tiram a chance de elas falarem.

A mulher deve esclarecer que conhece bem o assunto em questão, afirma Collini. Se for especialista naquele tema, é importante dizer que fez estudos e sabe bem do que está falando.

3 – Ter ideias roubadas

Outra prática comum no ambiente de trabalho é quando a mulher propõe uma ideia e ninguém lhe dá a devida atenção. Quando um homem tem a mesma iniciativa mais tarde, é elogiado e não reconhece que a ideia era originalmente de sua colega.

Um método eficaz é fazer o que as assistentes de Obama fizeram: estar atenta às situações vividas por cada colega e lembrar os demais quando a ideia inicial foi de uma mulher. Se a sua ideia foi roubada, é possível usar frases como “obrigada por concordar comigo” ou “que bom que você apoia minha ideia”.

4 – Piadas sobre TPM

Quem nunca viu uma atitude mais assertiva das mulheres, dentro ou fora do ambiente de trabalho, ser atribuída à TPM (Tensão Pré-Menstrual)? Segundo Collini, isso é machista e reduz os sentimentos femininos a hormônios.

É preciso deixar claro que aquela reação teve um motivo. Frases como “você prejudicou meu trabalho e meu desempenho, por isso estou reagindo desta forma” são eficientes em situações assim. [Clara Cerioni]

Coworking conquista adeptos por aumentar chance de parcerias

16288182O publicitario Bruno Moretti, 34, que abriu escritório compartilhado
Decidir montar escritório e, no dia seguinte, já ter móveis, equipamentos e até colegas. Essa é uma das razões que levam profissionais a alugar uma cadeira num coworking, escritório compartilhado cada vez mais comum.
Dos 378 espaços desse tipo no país, 140 foram abertos nos últimos 12 meses, segundo pesquisa do portal Coworking Brasil. “Há um crescimento intenso de oferta desses locais”, diz Fernando Aguirre, fundador do portal.
Além da comodidade e do custo mais baixo que o de um escritório próprio, outro fator impulsiona o crescimento da modalidade: o networking.

“Tenho dificuldade de entender por que alguém ainda prefere se isolar num escritório”, diz Sérgio Serapião, 42. O empreendedor social fechou a sede de sua empresa há quatro anos para trabalhar em um coworking com o sócio. Hoje, aluga quatro estações de trabalho e criou uma rede de parceiros para execução dos projetos.

Serapião conquistou clientes e fez parcerias com pessoas que conheceu no ambiente de trabalho. “Ocorrem encontros ótimos, que podem se tornar um negócio, um cliente ou uma amizade.”

Ou até um sócio, como ocorreu com o publicitário Bruno Moretti, 34. Depois de oito meses em um coworking, decidiu abrir uma agência de gerenciamento de marcas com o gestor de projetos que trabalhava na mesa ao lado. Os primeiros clientes também estavam no escritório compartilhado, onde a nova agência funcionou por mais um ano e três meses.

“Descobrimos como é trabalhar de forma colaborativa”, diz Moretti. Hoje, a empresa está num escritório próprio, mas os sócios ainda frequentam dois serviços de coworking para palestras e eventos. Assim, mantêm a rede de relacionamentos.

A locação de uma estação de trabalho custa R$ 800 por mês, em média. O serviço de endereço comercial e atendimento telefônico têm preço médio de R$ 200, e a locação de sala de reuniões gira em torno de R$ 50 por hora.

A GoWork, que tem oito estações de coworking na cidade de São Paulo, cobra cerca de R$ 11 mil por ano por uma mesa de trabalho.

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A empresa fez um levantamento de custos em escritório particular na capital paulista e chegou ao valor médio de R$ 17,4 mil anuais por cadeira, levando em conta gastos com manutenção.

“Estar em um coworking possibilita conexões que seriam mais difíceis de criar de outras formas, permite troca de ideias, relações afetivas e, no final das contas, negócios”, avalia Gilberto Safarti, professor da Escola de Administração de Empresas de Fundação Getulio Vargas.

EM CASA
Já quem não faz questão de criar conexões, quer reduzir gastos ao mínimo ou trabalha com informações sigilosas, pode fazer home office e alugar serviços específicos de endereço comercial e salas de reuniões em coworkings quando necessário.
Foi a opção da consultora financeira Natália Amaral, 30, que decidiu conter gastos após um ano em um escritório compartilhado. Agora, trabalha em casa e vai ao local apenas para reuniões. “Consegui clientes e até meu contador lá”, conta.
“Trabalho em casa para me reorganizar”, afirma.
Mesmo quem precisa de privacidade pode estar em coworking, nas salas fechadas, diz Jorge Pacheco, fundador da Plug. A locação de ambientes privativos é tendência nesse mercado: hoje há 840 salas privadas no Brasil, contra 122 em 2015.

JULLIANE SILVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA