Terapia online estoura no divã da pandemia e incrementa startups

Com saúde mental em alta há mais de um ano, empresas e plataformas como Zenklub, Vittude e Eurekka têm demanda crescente; avaliações psicológicas também viraram soluções na crise
Bianca Zanatta, Estadão

Zenklub
Os sócios-fundadores da Zenklub, Rui Brandão (à esq.) e José Simões.  Foto: Sillas Henrique/Zenklub

Com a pandemia do coronavírus avançando em seu segundo ano e o período de isolamento social esticando seus tentáculos a perder de vista, os brasileiros tiveram necessidade de encarar o divã de uma vez por todas. Segundo uma pesquisa da plataforma de saúde mental e desenvolvimento pessoal Zenklub realizada no primeiro trimestre de 2021, a quantidade de horas aproveitadas em sessões de terapia online no Brasil aumentou 1.856% em relação a 2019. Isso significa que, no último ano, os brasileiros passaram mais de 80 mil horas em sessões online com psicólogos.

Apesar de as mulheres ainda serem o público majoritário (69%), o novo cenário trouxe um universo novo de pessoas que nunca tinham entrado em um consultório, de acordo com o médico Rui Brandão, CEO da startup. 

“Todos sentiram um abalo emocional e a terapia deixou de ser tabu”, ele afirma. No caso dos homens, Brandão acredita que o anonimato do processo online ajudou. “Os clientes precisaram lidar com o relacionamento familiar, mas também passaram a ver o autoconhecimento como matemática, uma forma de construção da consciência psicológica para antecipar questões e prevenir algo pior”, explica.

Os resultados refletem a mudança de comportamento. Desde o início da pandemia, o faturamento da startup saltou 650% e o número de profissionais psicólogos que trabalham com a plataforma foi de 461, em maio de 2020, para mais de 5 mil. O Zenklub tem hoje 150 mil usuários finais e atende 300 empresas. O mundo corporativo, aliás, foi um dos grandes responsáveis pela guinada. 

“Em 2019, sabendo que a depressão vai ser a doença mais incapacitante, as empresas já estavam se abrindo um pouco mais para a importância dos cuidados com saúde mental, mas ainda era tabu”, observa Brandão. “Agora nos tornamos a pílula dourada para as organizações porque abraçar a saúde mental foi uma forma de acolher e dar segurança aos colaboradores. É um espaço muito maior do que só tratar a doença. É uma ferramenta de gestão que ajuda nas questões de desenvolvimento socioemocional dos liderados.”

Com forte atuação em psicoterapia e medicina, a startup de saúde e bem-estar Eurekka também expandiu o negócio na pandemia, criando um modelo de franquia e tornando-se um hub de startups para ajudar profissionais da área a ganhar mercado. A empresa oferece atendimento e ajuda emocional por meio da inteligência artificial e serviços como o Eurekka MED, com especialidades como clínica geral, nutrição e personal trainer.

Com sede em Porto Alegre, a startup possui hoje 40 franqueados distribuídos no País e faz mais de 2 mil atendimentos mensais. A alta na demanda gerou um faturamento de R$ 4,5 milhões em 2020 e a meta para 2021 é de R$ 20 milhões.

Outra que decolou na pandemia é a Vittude, fundada por Tatiana Pimenta, que completou 5 anos de vida em maio. A healthtech, que oferece soluções de saúde mental para usuários individuais e para o mundo corporativo, viu a receita crescer 540% só em 2020 e pretende quadruplicar o resultado em 2021. 

Um dos pulos do gato para chegar ao novo patamar foi o desenvolvimento da Vittude Match, ferramenta de inteligência artificial que auxilia na escolha do psicólogo mais indicado para cada demanda. 

Tatiana Pimenta, Vittude
Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude. Foto: Divulgação

Em maio de 2020, a startup tinha aproximadamente 12 clientes corporativos. Hoje são mais de 130, entre gigantes como Grupo Boticário, SAP, Sky, Saint-Gobain, Alelo e Olist, totalizando 450 mil vidas cobertas. Soma-se a isso o acesso mensal dos mais de 3 milhões de usuários únicos, atendidos por 850 psicólogos que trabalham ativamente com a Vittude (na lista de espera, há mais de 14 mil cadastrados).

Avaliação de riscos

Inserida no nicho de mensuração e previsão de riscos psicossociais por meio de tecnologia, a Bee Touch cresceu 70% entre março de 2020 e março de 2021 com soluções como a plataforma Avax Psi, que faz avaliações psicológicas digitais a partir da ciência de dados.

Hoje, a healthtech cobre mais de 300 mil vidas, alcançadas por meio de parcerias com instituições de Mato Grosso do Sul e São Paulo, como a OAB/MS e a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), da OAB paulista. 

No segundo caso, já foram realizadas mais de 2 mil consultas online desde o início da pandemia. A plataforma CAASPisco, desenvolvida pela Bee Touch, bateu 21 mil acessos. Ainda neste semestre, há a expectativa de um aumento de pelo menos 50% na cobertura de vidas, com a entrada de novas empresas no portfólio, e a previsão é de que o faturamento triplique até o final do ano.

Cinquentona repaginada 

Empresa cinquentenária com foco em pesquisa, desenvolvimento e geração de conhecimento para a área psicológica, a Vetor Editora migrou para o digital um mês antes do começo da pandemia, percebendo que as necessidades dos clientes estavam cada vez mais ligadas à agilidade nas avaliações psicológicas. 

De acordo com o CEO Ricardo Mattos, a nova plataforma, batizada de Vol (Vetor Online), trouxe funcionalidades para facilitar o uso no dia a dia. “Antes o psicólogo enviava o link para o avaliado, mas não conseguia acompanhar o teste de fato. Agora ele se conecta com o avaliado pela plataforma e não só vê a pessoa pela câmera como vê como ela está realizando o teste”, explica.

A empresa também apostou com força na área educacional, com o desenvolvimento do Idem (Itinerário do Ensino Médio) – avaliação aprofundada que vai apontar as questões socioemocionais do aluno e identificar suas aptidões para escolher o caminho a seguir no ensino médio -, aulas online ao vivo e cursos de EAD de psicologia forense e Entrevista Diagnóstica para Transtornos da Personalidade (E-TRAP), entre outros.

Outro braço que impulsionou o crescimento é o organizacional. “Hoje 80% dos usuários da Vol vêm do mercado de RH, de empresas que estão usando nossos instrumentos para fazer contratações”, comemora o executivo. 

Ele fala que os testes da Vetor possuem validação científica e por isso possibilitam fazer contratações mais assertivas, reduzindo o turnover nas empresas. “Fomos de 300 aplicações diárias no começo da pandemia para 3 mil agora”, fala Mattos. “A plataforma já passou de 1 milhão de aplicações na base.” 

Para Mattos, a grande sacada, além da digitalização, foi voltar ao nicho da terceirização de serviços que o fundador da empresa, Glauco Bardella, fazia muito no passado – e que hoje passou a ser uma forte demanda do mercado.

Machismo até na Lua: só 2% das crateras lunares têm nomes de mulheres cientistas

União Internacional Astronômica tenta reverter a pouca representatividade feminina na nomenclatura dos corpos celestes do Sistema Solar
Katherine Kornei, do New York Times

A Lua Foto: Alexandre Cassiano

A superfície da Lua é marcada por crateras, relíquias de impactos violentos no passado cósmico. Algumas das maiores são visíveis a olho nu, e um telescópio amador pode mostrar centenas delas. Um observatório astronômico pode tornar visíveis milhões de crateras.

Bettina Forget, artista e pesquisadora da Universidade Concordia, em Montreal, tem desenhado as crateras lunares há anos. Como também é uma astrônoma amadora, seus desenhos combinam seus dois interesses na arte e na ciência.

As crateras da Lua são batizadas, por convenção, com os nomes de cientistas, engenheiros e exploradores do espaço. Algumas têm nomes muito familiares, como Newton, Copérnico e Einstein, mas outras não. E foi observando e desenhando crateras que Forget questionou: quem são essas pessoas? Quantas são mulheres?

Forget recorreu aos arquivos da União Astronômica Internacional, organização incubida de nomear as crateras da Lua e outras características dos corpos celestes no Sistema Solar. Ela decidiu procurar as crateras com nomes de mulheres.

— Não havia quase nada — diz Forget.

Das 1.578 crateras lunares que tinham recebido um nome, apenas 32 homenageavam mulheres (uma 33ª foi escolhida em fevereiro).

— Eu não esperava 50%, não sou tão otimista. Mas só 2%? Fiquei muito chocada — diz Forget, para quem ter tão poucas crateras lunares com nomes de mulheres é uma afirmação forte. — Isso cria um ambiente em que se pensa que as mulheres não deram sua contribuição.

Em 2016, Forget começou um projeto de desenhar todas as crateras que têm nomes de mulheres. Cannon e Mitchell, nomes de astrônomas dos século XIX e XX, estão no lado visível da Lua. Resnik e Chawla, homenagens a astronautas, estão no lado mais distante do satélite, que não é visível da Terra. Nesses casos, ela usou imagens da NASA. Esses desenhos se tornaram a exposição “Women with Impact” (Mulheres de Impacto), que circula por galerias e planetários do Canadá mostrando a pouca representatividade das mulheres nas chamadas STEM: ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

— Uma cratera é a ausência de matéria, um vazio. É um paralelo com o vazio de mulheres nas STEM.

Em fevereiro, a mais recente cratera lunar a receber um nome foi batizada em homenagem à cientista da computação e mulher negra Annie Easley.

O nome de Easley foi sugerido por outra cientista, a canadense Catherine Neish, que já tinha feito a União Astronômica Internacional nomear crateras em homenagem a Elisabetta Pierazzo e Marie Tharp, em 2015.

— Eu estava motivada a aumentar os números — diz Neish.

A cientista Kelsi N. Singer afirma que a escassez de crateras lunares com nomes de mulheres é uma surpresa ao mesmo tempo que não é.

— Não era permitido às mulheres serem cientistas, engenheiras e exploradoras até o século XX. Como as crateras costumam ser batizadas com os nomes de pessoas que já morreram, há um atraso histórico.

As mulheres são bem representadas quando falamos das características do planeta Vênus e dos satélites de Urano (mas estes últimos foram batizados com nomes de personagens das obras de Shakespeare e de Alexander Pope). Mas esses lugares são exceções no sistema Solar. A União Astronômica Internacional reconhece o problema e, hoje, prioriza os nomes de mulheres quando nomeia características dos corpos celestes, como as crateras da Lua.

— Decidimos que se temos a escolha de nomear uma cratera lunar, será com o nome de uma mulher — diz Rita Schulz, cientista no Centro Europeu de Tecnologia e Pesquisa Espacial, na Holanda, e chefe do grupo responsável pela nomenclatura do Sistema Solar na União Astronômica Internacional.

A cientista Catherine Neish já tem um nome em mente para outra cratera lunar:

— Poucas pessoas podem dar nome a uma cratera lunar porque não têm uma razão científica válida para tal. Eu quero usar o meu privilégio para reconhecer algumas das mulheres que vieram antes de mim — encerra.

Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna recebem Nobel de Química pela descoberta de ‘tesouras genéticas’ para editar DNA

Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna foram laureadas na manhã desta quarta-feira, 7. Antes delas, apenas cinco outras pesquisadoras tinham recebido o Nobel de Química. É a primeira vez que duas mulheres recebem o prêmio juntas
Roberta Jansen e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

BREAKING NEWS: The 2020 #NobelPrize in Chemistry has been awarded to Emmanuelle Charpentier and Jennifer A. Doudna “for the development of a method for genome editing.”

As pesquisadoras Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna foram laureadas na manhã desta quarta-feira, 7, com o Prêmio Nobel de Química 2020 por seus trabalhos pelo “desenvolvimento de métodos para editar o genoma”. O secretário geral da Academia Real de Ciências da SuéciaGöran Hansson, resumiu as descobertas como a “reescrita do código da vida”.

A dupla da França e dos Estados Unidos recebeu o prêmio pela descoberta, como definiu o comitê do prêmio, de “uma das ferramentas mais afiadas da tecnologia genética: a tesoura genética CRISPR/Cas9”. Segundo a academia, a partir dessa ferramenta hoje é “possível alterar o DNA de animais, plantas e microrganismos com extrema precisão”.

O trabalho é considerado revolucionário ao abrir caminho para novas terapias contra cânceres, assim como “pode tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias”, aponta o comitê. As duas vão dividir igualmente o prêmio de 10 milhões de coroas suecas

“Há um poder enorme nessa ferramenta genética, que afeta a todos nós. Não só revolucionou a ciência básica, mas também resultou em colheitas inovadoras e levará a novos tratamentos médicos inovadores”, disse Claes Gustafsson, presidente do Comitê do Nobel de Química, durante a apresentação do prêmio.

Segundo ele, essa “tesoura genética” transformou a ciência molecular. “Hoje podemos editar basicamente qualquer genoma e responder todos os tipos de perguntas. E isso pode ser usado para corrigir falhas genéticas, como a que causa anemia falciforme. Você pode praticamente tirar a célula hematopoética, consertar e voltar para o paciente”, explicou.

“Fiquei muito emocionada, muito surpresa, parece que não é real”, afirmou Emmanuelle Charpentier, em participação na coletiva, com a voz embargada.

Como costuma acontecer na ciência, a descoberta dessas tesouras genéticas foi inesperada. Emmanuelle Charpentier estudava o streptococcus pyogenes, uma das bactérias mais danosas para a Humanidade e acabou descobrindo uma molécula até então desconhecida, tracrRNA. O trabalho de Charpentier mostrou que a tracrRNA fazia parte do antigo sistema imunológico da bactéria, CRISPR/Cas, capaz de desarmar vírus cortando seu DNA.

Emmauelle Charpentier e Jennifer Doudna foram laureadas pelo desenvolvimento do método de tesoura genética

Emmanuelle publicou sua descoberta em 2011. No mesmo ano, ela começou a trabalhar com Jennifer Doudna, uma experiente bioquímica com vasto conhecimento em RNA. Juntas, elas conseguiram recriar as tesouras genéticas da bactéria em laboratório, simplificando seus componentes de forma a torná-las mais fáceis de usar.

Em um experimento que marcou época, elas reprogramaram as tesouras genéticas. Originalmente, as tesouras reconheciam o DNA dos vírus, mas as duas cientistas provaram que poderiam controlá-la de forma a cortar qualquer molécula de DNA em lugares específicos. Quando o DNA é cortado, fica fácil reescrever o código da vida.

Desde que Emmanuelle e Jennifer descobriram a CRISPR/Cas9 em 2012, seu uso se popularizou em todo o mundo. Esta ferramenta contribuiu para muitas descobertas importantes da pesquisa básica. Pesquisadores que trabalham com plantas foram capazes de desenvolver novas variantes, resistentes a secas e vários tipos de pestes. Na Medicina, testes clínicos com novas terapias contra o câncer estão em desenvolvimento e o sonho de conseguir curar uma doença herdada está prestes a se tornar realidade. As tesouras genéticas levaram as ciências da vida para uma nova era, trazendo grandes benefícios para a Humanidade.

Quem são as vencedoras do Nobel de Química de 2020

Emmanuelle Charpentier nasceu em 1968 em Juvisy-sur-Orge, França. Obteve seu PhD. em 1995 no Instituto Pasteur, em Paris, França. É diretora da Unidade Max Planck para a Ciência de Patógenos, em BerlimAlemanha.

Jennifer A. Doudna nasceu em 1964 em Washington, D.C, nos EUA. Obteve seu PhD. em 1989 na Escola Médica de Harvard, em Boston, EUA. É professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA e pesquisadora do Instituto Médico Howard Hughes.

As duas cientistas se somam a um grupo de pouquíssimas mulheres que já receberam o Nobel de Química. Antes delas, apenas cinco outras pesquisadoras tinham sido laureadas. É primeira vez que duas mulheres são laureadas juntas.  Desde 1901, foram 185 agraciados, entre eles, apenas sete mulheres, contando a premiação desta quarta-feira. 

“Espero que essa premiação ofereça um exemplo positivo, especialmente para as jovens que queiram seguir o caminho das ciências, mostrando que as mulheres também podem ganhar prêmios mais importantes e ter um impacto positivo nas pesquisas”, disse Emmanuelle.

Saiba quem foram os premiados em anos anteriores

Prêmio Nobel de Química 2019: John Goodenough, da Alemanha e naturalizado americano, M. Stanley Whittingham, do Reino Unido e naturalizado americano, e Akira Yoshino, do Japão

Em 2019, os pesquisadores John Goodenough, nascido na Alemanha e naturalizado americano, M. Stanley Whittingham, nascido no Reino Unido e naturalizado americano, e Akira Yoshino, japonês, foram laureados pelo desenvolvimento das baterias de lítio. O trio criou “mundo recarregável”, nas palavras do comitê do Prêmio Nobel.

Prêmio Nobel de Química 2018: Frances H. Arnold, George P. Smith, ambos dos Estados Unidos, Gregory P. Winter, do Reino Unido

Em 2018, Frances H. Arnold, nascida nos Estados Unidos, levou o prêmio por uma invenção conhecida como evolução dirigida de enzimas. Ela dividiu a honraria com o americano George P. Smith e o britânico sir Gregory P. Winter, laureados pelo pioneirismo no desenvolvimento de uma técnica conhecida como “phage display”.

Prêmio Nobel de Química 2017: Jacques Dubochet, da Suíça, Joachim Frank, da Alemanha, e Richard Henderson, da Escócia

Em 2017, o prêmio foi dividido entre o suíço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank e o escocês Richard Henderson. Eles se destacaram pelo desenvolvimento de métodos de microscopia que revolucionaram a bioquímica utilizando temperaturas muito baixas.

Prêmio Nobel de Química 2016: Jean-Pierre Sauvage, da França, J. Fraser Stoddart, do Reino Unido, e Bernard L. Feringa, da Holanda

O prêmio de 2016 foi compartilhado pelo francês Jean-Pierre Sauvage, o britânico sir J. Fraser Stoddart e o holandês Bernard L. Feringa por seus trabalhos no design e síntese de máquinas moleculares.

Prêmio Nobel de Química 2015: Tomas Lindahl, da Suécia, Paul Modrich, dos Estados Unidos, Aziz Sancar, da Turquia

Em 2015, o prêmio foi para o sueco Tomas Lindahl, o americano Paul Modrich e o turco Aziz Sancar por seus estudos sobre reparação do DNA danificado.

Prêmio Nobel de Química 2014: Eric Betzig, William E. Moerner, ambos dos Estados Unidos, e Stefan W. Hell, da Romênia

A edição de 2014 do Prêmio Nobel de Química laureou o americano Eric Betzig, o romeno Stefan W. Hell e o americano William E. Moerner pelo desenvolvimento da microscopia de fluorescência de super-resolução

Prêmio Nobel de Química 2013: Martin Karplus, da Áustria, Michael Levitt, da África do Sul, e Arieh Warshel, de Israel

O prêmio de 2013 foi concedido ao austríaco Martin Karplus, ao sul-africano Michael Levitt e ao israelense Arieh Warshel pelo desenvolvimento de modelos multiescala para sistemas químicos complexos

Prêmio Nobel de Química 2012: Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka, ambos dos Estados Unidos

Em 2012, os americanos Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka foram premiados pelos estudos sobre os receptores acoplados a proteínas G.

Prêmio Nobel de Química 2011: Dan Shechtman, de Israel

A edição de 2011 premiou o israelense Dan Shechtman por seu trabalho com semicristais.

Prêmio Nobel de Química 2010: Richard F. Heck, dos Estados Unidos, Ei-ichi Negishi, da China, Akira Suzuki, do Japão

Em 2010, o prêmio foi entregue ao americano Richard F. Heck, ao chinês Ei-ichi Negishi e ao japonês Akira Suzuki pelo catalisador de paládio de acoplamento cruzado em sínteses orgânicas.

Prêmio Nobel de Química 2009: Venkatraman Ramakrishnan, da Índia, Thomas A. Steitz, dos Estados Unidos, e Ada E. Yonath, de Israel

O prêmio de 2009 foi concedido ao indiano Venkatraman Ramakrishnan, ao americano Thomas A. Steitz e à israelense Ada E. Yonath pelos seus estudos sobre a estrutura molecular do ribossomo.

Sobre o Prêmio Nobel

Cada um dos vencedores dos prêmios deste ano, anunciados entre 5 e 12 de outubro, receberá um cheque de dez milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões) – um valor que não era pago há dez anos. Em 2011, a Fundação Nobel reduziu o valor do prêmio de dez milhões para oito milhões de coroas suecas. Em 2017, a instituição aumentou o valor para nove milhões. Somente este ano voltará ao valor original.

A Fundação Nobel administra os bens de Alfred Nobel, que deixou a maior parte de sua fortuna para a criação do prêmio com o seu nome em testamento feito em Paris, em 1895. Nobel inventou a dinamite em 1866, criação que o tornou rico.  A fundação concede os prêmios de medicinafísicaquímicaeconomialiteratura e paz.

Pela primeira vez desde 1944, a cerimônia de premiação física em 10 de dezembro foi cancelada, por conta da pandemia de covid-19, e substituída por um evento on-line, no qual os laureados receberão os prêmios em seu país de residência. Uma cerimônia ainda está marcada em Oslo para o Prêmio da Paz, mas reduzida ao mínimo.

O tradicional banquete dos prêmios Nobel, celebrado todo ano em dezembro em Estocolmo, na Suécia, também foi cancelado. O banquete do Nobel foi cancelado anteriormente durante as duas guerras mundiais. Também não ocorreu em 1907, 1924 e 1956.

Meghan Markle pode concorrer à presidência dos Estados Unidos, diz agente Jonathan Shalit

‘Ela tem todo o direito’, declara assessor da duquesa em entrevista

Meghan, Harry | Crédito: Getty Images

Em entrevista ao “Sunday Telegraph”, Jonathan Shalit, agente de Meghan Markle, disse que a duquesa poderia concorrer à presidência dos Estados Unidos.

O agente afirmou que não está “além do reino das possibilidades” Meghan ingressar na politica, mas admitiu nunca ter discutido o assunto com ela.

“Meghan nasceu nos Estados Unidos e tem todo o direito de concorrer à presidência”, disse o assessor, lembrando do ator Ronaldo Reagan, que governou o país nos anos 1980. “Era um ator que acabou na Casa Branca. Nunca diga nunca”, observou.

A afirmação veio dias depois da divulgação do acordo, de cerca de 795 milhões, assinado pelo príncipe Harry e por Meghan com a Netflix que inclui um documentário sobre a princesa Diana.

Jeanette Epps, da Nasa, será a primeira mulher negra em longa missão na Estação Espacial Internacional

Astronauta foi designada pela Nasa para a missão Boeing Starliner-1, prevista para durar seis meses em 2021
O Globo

A astronauta da Nasa Jeanette J. Epps Foto: Reprodução/NASA

Nasa anunciou que a astronauta Jeanette Epps foi designada para a missão de seis meses prevista para 2021 chamada de Boeing Starliner-1. Ela viajará com os também astronautas Sunita Williams e Josh Cassada, tornando-se a primeira mulher negra a participar de uma longa missão na Estação Espacial Internacional (ISS).

Há dois anos, a astronauta foi programada para voar a bordo de uma espaçonave russa e se tornar a primeira mulher negra a integrar a tripulação da Estação Espacial Internacional. No entanto, no último minuto, Epps foi removida da missão e substituída sem qualquer explicação por Serena Auñon-Chanceler, uma mulher branca.

Graduada em física pela Le Moyne College, em Nova York, Jeanette obteve, pela faculdade de Maryland, mestrado em Ciências e o doutorado em Engenharia Aeroespacial. Em 2017, a NASA anunciou que Epps receberia a posição de engenheira de voo na Estação Espacial Internacional, na metade de 2018, nas Expedições 56 e 57, tornando-se a primeira afro-americana membro da Estação Espacial e a décima-quinta afroamericana a voar ao espaço, mas em 16 de janeiro de 2018, a própria NASA anunciou que Epps havia sido substituída por Serena M. Auñón-Chancellor, mas que Epps seria “considerada para atribuição em missões futuras”.

Detalhes sobre a decisão ainda não foram divulgados, e o anúncio sobre a nova atribuição de Epps não mencionou a Expedição 56.

“Vários fatores são considerados ao fazer as designações de vôo”, disse a NASA em um comunicado. “Essas decisões são questões de pessoal para as quais a NASA não fornece informações.”

Primeira missão tripulada da Nasa ao espaço em nove anos é cancelada por causa do mau tempo

Seria o primeiro voo espacial promovido pelo governo dos Estados Unidos desde 2011
Joey Roulette, Reuters

O lançamento do foguete SpaceX Falcon 9 com a sonda tripulada Crew Dragon foi adiado para sábadoral, na Flórida Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP

O lançamento do foguete Falcon 9 da empresa aeronáutica SpaceXque levaria astronautas da Nasa ao espaço depois de nove anos, foi suspenso por causa do mau tempo na Flórida.

“Infelizmente não lançaremos hoje”, disse Mike Taylor, diretor da SpaceX, aos astronautas da Nasa Bob Behnken e Doug Hurley, acrescentando que o clima não melhoraria até dez minutos após o horário programado para decolagem. A viagem  foi remarcada para a tarde de sábado, 30.

O lançamento estava agendado para 16h33, horário local (17h33 no Brasil). O presidente Donald Trump, sua esposa, Melania, o vice-presidente, Mike Pence e o chefe da Nasa, Jim Bridenstine, compareceram ao centro espacial Kennedy. A contagem regressiva foi interrompida menos de 17 minutos antes do foguete decolar, levando os astronautas a uma viagem de 19 horas a bordo da recém-projetada cápsula Crew Dragon. O destino seria a Estação Espacial Internacional. 

O lançamento foi programado para um dia em que houve chuva constante. O estado da Flórida e o Serviço Nacional de Meteorologia emitiram um aviso de tornado para a área. Os gerentes de operações de voo estavam monitorando diversas condições climáticas, incluindo a ameaça de raios, mesmo quando as equipes começaram a carregar o foguete com combustível.

Para a Nasa, a SpaceX e Musk, um lançamento seguro representaria um marco na busca pela produção de espaçonaves reutilizáveis, o que tornaria viagens espaciais mais baratas. Musk é o fundador e CEO da Spacex e também o CEO da Tesla. 

Falcon 9 and Crew Dragon will lift off from Launch Complex 39A – the same place Saturn V launched humanity to the Moon and from where the first and final Space Shuttle missions lifted off pic.twitter.com/wOSsbCRqi7 — SpaceX (@SpaceX) May 25, 2020

“Bob e eu estamos trabalhando nesse programa há cinco anos, todos os dias”, disse Hurley, de 53 anos, na chegada com Behnken, de 49, ao centro espacial Kennedy na semana passada. “De diversas formas, foi uma maratona e isso é o que você pode esperar no desenvolvimento de um veículo de transporte humano que pode ir e voltar da Estação Espacial Internacional.” 

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A cápsula Crew Dragon partirá com os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken Foto: NASA/Kim Shiflett/Handout via REUTERS

A Nasa, na esperança de estimular um mercado espacial comercial, concedeu US$ 3,1 bilhões à SpaceX e US $ 4,5 bilhões à Boeing Co para o desenvolvimento de cápsulas espaciais de duelo, experimentando um modelo de contrato que permite à agência espacial comprar assentos das duas empresas. A cápsula Boeing CST-100 Starliner deverá ser lançada em 2021. 

pic.twitter.com/iSGrzHgENp — Elon Musk (@elonmusk) May 24, 2020

Jim Bridenstine, da Nasa, declarou que a missão estava pronta depois de checagens finais de engenharia. A SpaceX testou com sucesso a Crew Dragon sem astronautas no ano passado, na sua primeira missão à estação espacial. O veículo acabou destruído no mês seguinte durante um teste em solo quando uma das válvulas do sistema de emergência explodiu. O caso levou a uma investigação que se estendeu por nove meses e foi encerrada em janeiro./COM INFORMAÇÕES DA AFP

Pesquisadores de Stanford criam privada que faz reconhecimento anal por algoritmos

Publicação na revista ‘Nature’, mostra equipamento que poderia ser usado para a detecção de diferentes tipos de doença, incluindo câncer

Privada conectada faz reconhecimento biométrico do ânus 

Cientistas da universidade Stanford, nos EUA, criaram uma privada inteligente que usa algoritmos e sensores de movimento para detectar a saúde dos usuários – o aparelho analisa urina e fezes, além de fazer o reconhecimento do ânus por imagem. O estudo foi publicado na edição de 6 de abril da revista Nature, uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo. 

“Sabemos que parece estranho, mas a sua impressão anal é única”, afirmou em comunicado Sanjiv Gambhir, pesquisador que liderou o estudo. Segundo ele, o invento poderia ser usado para identificar sinais de câncer de cólon e de próstata. A ideia é que o equipamento possa fazer monitoramento contínuo, parte da rotina das pessoas – é algo feito em outras áreas de saúde, por exemplo, por relógios conectados, como o Apple Watch. 

“Todo mundo usa o banheiro – não tem como evitar – e isso aumenta o valor desse equipamento como detector de doenças”, falou Gambhir. 

Nos modelos apresentados, a privada tem sensores de pressão que a colocam em funcionamento quando alguém senta. Câmeras registram as fezes – os dados são enviados para um servidor criptografado na nuvem que procura inconsistências que indicam problemas de saúde. O mesmo se aplica ao ânus do usuário. Em relação à urina, sensores detectam o fluxo, a velocidade e o volume produzido.

Até o o momento, a privada conectada foi testada em 21 pessoas – em um estudo com outras 300 pessoas, 52% disseram se sentiriam confortáveis de alguma forma ao utilizar o equipamento. Ainda não há indicações de uso amplo e comercial do aparelho. 

“Para ter todos os benefícios da privada inteligente, os usuários devem ficar tranquilos com uma câmera que escaneia seus ânus”, disse Gambhir. 

Aves de Rapina | Diretora Cathy Yan comenta bilheteria do filme

Cathy Yan disse que expectativas eram altas tanto para equipe quanto para o estúdio
NICOLAOS GARÓFALO

Aves de Rapina (Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa) 

Um dos principais lançamentos da DC nos cinemas em 2020, Aves de Rapina (Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa) levantou diversas discussões após seu lançamento nos cinemas, em fevereiro. Apesar de receber grandes elogios da crítica e do público (o filme registra 78% de aprovação de ambos no site RottenTomatoes), o longa de Cathy Yan foi alvo de xingamentos e boicotes antes mesmo de sua estreia. Mesmo limitado pela censura para maiores e pela exibição encurtada pela pandemia do COVID-19, o filme arrecadou mais que o dobro de seu orçamento, mas a bilheteria de US$ 201,8 milhões ainda foi classificada como “decepcionante” por alguns críticos mais ácidos da produção estrelada por Margot Robbie.

Em entrevista ao THR, Yan lembrou a sensação de decepção trazida pela arrecadação abaixo do esperado no final de semana de estreia de Aves de Rapina. “Sei que [a Warner Bros.] tinha expectativas muito altas para o filme – todos tínhamos. [Também queríamos] desfazer as expectativas em torno de um filme protagonizado por mulheres e o que mais me decepcionou nisso foi a ideia de que talvez não estejamos preparados [para esse tipo de produção]”, afirmou a diretora, que disse também já se sentir pressionada por ser uma cineasta não-branca comandando um blockbuster.

Eu acho que existem certas formas de interpretar o sucesso ou o fracasso do filme, e todos têm esse direito. Mas eu sinto que todo mundo foi extremamente rápido para escolher um lado”, disse Yan sobre as análises das cifras de Aves de Rapina lançadas ao longo de suas primeiras semanas de exibição.

Aves de Rapina acompanha a jornada de Arlequina (Margot Robbie) após o término de sua relação com o Coringa. Com diversas gangues de Gotham em seu encalço, o caminho da Palhaça acaba se cruzando com o de Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Renee Montoya (Rosie Perez) e Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), mulheres que também estão em busca de sua liberdade. O longa arrecadou US$ 201,8 milhões no mundo, partindo de um orçamento de US$ 84,5 milhões. O filme já está disponível em plataformas on demand no Brasil.

‘Previsão sem dados não é ciência, é opinião’, diz Alexandre Chiavegatto Filho, diretor do Labdaps, da USP

Diretor do Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde, Alexandre Chiavegatto Filho está à espera de dados confiáveis para desenvolver algoritmos brasileiros contra o covid-19
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Alexandre Chiavegatto Filho, diretor do Labdaps, da USP

Alexandre Chiavegatto Filho acredita que a inteligência artificial (IA) poderá ter um papel muito importante ainda na atual crise do coronavírus. Ele comanda o Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (Labdaps) da Universidade de São Paulo (USP), que desenvolve pesquisas de IA em saúde. Hoje, a especialidade do centro são estudos para predizer óbito ou sobrevivência após condições específicas de saúde. 

Ele afirma que os pesquisadores estão de plantão à espera dos dados para treinar algoritmos para o novo coronavírus. Segundo o pesquisador, os sistemas poderão ajudar hospitais a dar prioridade a UTIs e ou a fazer diagnósticos que possam compensar a ausência de testes específicos para covid-19.

O uso de IA sempre soa futurista. Como ela pode ser usada agora para combater o coronavírus? 

Ela pode ser usada em todas as áreas que precisem de decisões inteligentes, como a prioridade para uso de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs). É uma forma de predição: quais pacientes vão se beneficiar mais ao serem transferidos para UTI? Outra área crítica é a prioridade na ventilação pulmonar. Testes também são importantes: não existe teste para todos, então é preciso fazer planos de predição para priorizar quais pacientes podem dar positivo. A IA pode ajudar predizer gravidade e ajudar com a  intervenção apropriada para os diferentes tipos de pacientes. 

Por que isso não está sendo usado agora? 

Tudo depende dos dados. A IA está demorando para entrar na conversa da covid-19 porque precisamos de dados de qualidade. Até agora, não tínhamos dados confiáveis. Fazer previsão sem dados não é ciência, é quase opinião. O aprendizado de máquina precisa de dados do passado para entender regras e projetar o futuro. 

Dados de outros países não podem ajudar? 

A China não tem histórico de transparência de dados, então perdemos essa informações. Agora, começam a chegar dados de outros países e surgem pesquisas nesse sentido. O problema é que outros países têm distribuições socioeconômicas, demográficas e genéticas diferentes do Brasil. Porém, estão aumentando o número de exames e casos confirmados no País, então existe um potencial grande para usarmos esse dados e desenvolver algoritmos que se adequarão melhor aqui do que os de outros países. 

O volume de dados no Brasil ainda não parece ser grande. Ainda assim, dá para treinar um algoritmo ‘local’? 

O importante em aprendizado de máquina não é tanto o número de pessoas, mas sim ter variáveis preditoras fortes. Às vezes, com poucas pessoas é possível ter bons resultados. Estamos publicando um estudo de predição de óbito por febre amarela com apenas 40 pessoas, mas com resultados muito bons. Ter resultados de exames clínicos é muito importante.  

Vai dar tempo de usar esses algoritmos no Brasil ainda durante a crise?

Sim, os hospitais têm esses dados. Todo prontuário de exame é registrado. Ao ser digitalizado, está pronto para análise. Nosso grande desafio é conseguir os dados, meu laboratório está de plantão aguardando o recebimento. Em termos técnicos, temos bons computadores e algoritmos que estão no estado da arte. Estamos nos preparando há anos para uma emergência como essa.