Bilheteria EUA: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, O Rei Leão, Dora e a Cidade Perdida, Era uma Vez em Hollywood

Estreias da semana tiveram bons números no top 10, mas não desbancaram filme com The Rock

Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw lidera bilheteria americana pela segunda semana

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é o lider da bilheteria americana pela segunda semana consecutiva. O filme arrecadou US$ 25 milhões no fim de semana, registrando queda de 58%.

Mesmo com o domínio da produção, as estreias fizeram bons números, ocupando cinco posições do top 10. Uma delas é Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, produzida por Guillermo del Toro. A bilheteria do longa foi de US$ 20,8 milhões.

A terceira colocação ficou com o novo O Rei Leão, com US$ 20 milhões. A produção segue como uma das mais vistas do ano e já soma US$ 1.3 bilhão na bilheteria mundial.

Dora e a Cidade Perdida estreou no quarto lugar, com US$ 17 milhões, seguido de Era uma Vez em Hollywood, que está em sua terceira semama no país e chega por aqui em 15 de agosto. O filme arrecadou US$ 11,6 milhões no fim de semana.

Vale citar ainda o lançamento por lá de Bring The Soul: The Movie, nova produção da banda BTS que faturou a décima colocação, com US$ 2,2 milhões.

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Um glossário de cultura pop para “Era Uma Vez em… Hollywood”, de Tarantino

Filme está repleto de referências a programas de TV, filmes e outros totens da Los Angeles da metade do século 20
Bruce Fretts

Leonardo DiCaprio em ‘Era Uma Vez em… Hollywood’

NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES – Não é coincidência que o titulo “Era Uma Vez em… Hollywood” evoque, como A.O. Scott mencionou em sua critica no The New York Times, “tanto histórias de ninar bem quanto um par de obras-primas de Sergio Leone”.

O mais recente filme de Quentin Tarantino, passado em Los Angeles em 1969, combina personagens de ficção e celebridades reais, séries de TV, filmes e marcos históricos da era, ao contar a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um astro de TV inventado, e seu dublê de ação igualmente fictício, Cliff Booth (Brad Pitt).

Na realidade alternativa de Tarantino, Rick mora em Benedict Canyon, em Cielo Drive, bem ao lado de Sharon Tate (Margot Robbie), uma atriz real casada com o cineasta polonês Roman Polanski e que estava bem adiantada no seu oitavo mês de gravidez quando foi brutalmente assassinada, em companhia de hóspedes que estavam em sua casa, por membros do culto liderado por Charles Manson.

Abaixo um glossário, para ajudar a distinguir entre as referências reais e as falsas. Alerta: diversos “spoilers” adiante!

Morey Amsterdam e Rose Marie
Os atores que interpretavam os amigos do astro em “The Dick Van Dyke Show” são mencionados como convidados da próxima semana por Allen Kincaid (Spencer Garrett), um jornalista fictício de Hollywood que abre o filme entrevistando Rick e Cliff.
 
“Batman”
A série de TV (1966-68) é mencionada zombeteiramente pelo personagem de Al Pacino, um figurão fictício do cinema chamado Marvin Schwarzs – não confundir com Marvin Schwarz, que produziu “Hard Contract”, filme de sucesso sobre um assassino de aluguel, lançado em 1969. Os astros de “Batman”, Adam West e Burt Ward, também podem ser ouvidos nos créditos finais do filme, promovendo um concurso na KHJ-AM, uma estação de rádio real.
 
“The Big Valley” e “Bonanza”

Esses westerns de TV – o primeiro estrelado por Barbara Stanwyck, o segundo por Lorne Greene – são criticados por Sam Wanamaker (ator real tornado cineasta, interpretado por Nicholas Hammond). Wanamaker diz a Rick que quer que o western de TV que eles estão fazendo juntos, “Lancer”, seja mais antenado do que essas séries antiquadas.
 
“C.C. and Company”
Esse drama sobre motociclistas, de 1970, estrelado por Joe Namath e Ann-Margret, é promovido em um trailer quando Tate vai ao cinema ver um de seus próprios filmes.
 
Cinerama Dome e The Vine Theather
Esses dois cinemas reais aparecem em uma montagem de marcos locais que também inclui a cadeia de cachorros-quentes Der Wienerschnitzel, os restaurantes El Coyote, Casa Vega e Chili John’s, e a loja de fantasias e adereços de época Supply Sergeant.
 
“Combat!”
O drama de guerra estrelado por Vic Morrow é anunciado na lateral de um ônibus.
 
Sergio Corbucci

Cineasta italiano real citado como “o segundo melhor diretor de westerns-espaguete no mundo inteiro” (presumivelmente abaixo de Leone). Os filmes reais de Corbucci incluem “The Great Silence” [no Brasil, “O Vingador Silencioso”], um favorito cult de 1968 relançado recentemente, mas Tarantino o credita como diretor do imaginário “Nebraska Jim”, estrelado por Rick. Durante a passagem de Rick pela Europa, ele também trabalha com Telly Savalas, o astro de “Kojak”, que trabalhou de fato em diversos westerns italianos, e se casa com Francesca Capucci, uma atriz fictícia.
 
“Don’t Make Waves”
Comédia erótica [no Brasil, “Não Faça Onda”], estrelada por Tate, Tony Curtis e Claudia Cardinale, em 1967, celebrada em um cartaz na casa dela em Cielo Drive.
 
Ron Ely
O astro da série de TV “Tarzan” (1966-68) é mencionado por Rick – que apareceu recentemente como convidado do programa -, e pelo personagem de Pacino, que pronuncia incorretamente o sobrenome do astro, como “I-lai” (a pronuncia certa é “I-li”)
 
Fabian
O ator-cantor é mencionado como tendo abandonado seu papel em “The 14 Fists of McCluskey”, o falso filme de Rick sobre a Segunda Guerra Mundial, depois de sofrer uma fratura no ombro nas filmagens do western televisivo “The Virginian”. Fabian fez the fato três participações em episódios de “The Virginian” entre 1963 e 1966.
 
“The FBI”
Esse drama televisivo sobre crime, no ar entre 1965 e 1974, é mencionado diversas vezes. George Spahn– proprietário do rancho em que a família Manson vive – gosta de assisti-lo. Em companhia de Cliff, Rick se vê inserido como convidado no episódio real “All the Streets Are Silent”, de 1965.
 
Wojciech Frykowski e Abigail Folger
O ator polonês e a herdeira do império Folger de café (interpretados por Costa Ronin e Samantha Robinson) estavam hospedados em Cielo Drive e foram mortos em companhia de Tate.
 
“Hobbo Kelly”
O programa infantil exibido pela TV KCOP em Los Angeles durante as décadas de 1960 e 1970 é visto em um anuncio em um ponto de ônibus.
 
“The Golden Stallion”
Um cartaz desse filme de Roy Rogers [no Brasil, “Cavalgada de Ouro”], de 1949, decora a parede da casa de Rick.
 
Robert Goulet
O cantor é visto interpretando “MacArthur Park” na TV.
 
“The Green Hornet”
Essa série de TV, de 1966-67, coestrelada por Bruce Lee (como Mike Moh), é parte de um flashback sobre o momento em que Cliff sabotou sua carreira. O dublê entra em uma briga com o mestre das artes marciais no estúdio e danifica o carro da mulher de um coordenador fictício de dublês (Kurt Russel).
 
Heaven Sent
O perfume de Helena Rubinstein é veiculado em um comercial de rádio. Outros comerciais em áudio incluem uma promoção para a adaptação de “The Illustrated Man”, romance de ficção cientifica de Ray Bradbury, adaptado para o cinema em 1969.
 
Dennis Hopper
O astro e diretor hippie de “Easy Rider” [“Sem Destino”, no Brasil] é mencionado quando Tex Watson (Austin Butler) e outros membros da família Manson aparecem em Cielo Drive. Rick, bêbado, compara Tex sarcasticamente a Hopper.
 
“Hullabaloo”
Esse programa de dança, de 1965-66, é recriado em um vídeo que mostra Rick dançando com um grupo de jovens mulheres ao som de “The Green Door” sucesso de Jim Lowe, em 1956.
 
KHJ
Essa estação real de rádio é ouvida ao longo de todo o filme, com destaque para os apresentadores Real Don Steele e Robert W. Morgan.
 
“Kid Colt Outlaw”
Quadrinho de faroeste da Marvel, visto no trailer de Cliff.
 
“Lady in Cement”
Esse mistério de 1968 [no Brasil, “A Mulher de Pedra”], com Frank Sinatra e Raquel Welch, é exibido na tela do Van Nuys Drive-In, hoje fechado.
 
“Lancer”
Foi um western da CBS (1968-70) que, na versão de Tarantino, escalou Rick como vilão convidado. No set, ele conhece os astros James Stacy e Wayne Maunder, que interpretavam irmãos nessa historia sobre rancheiros (aqui retratados por Timothy Olyphant e Luke Perry). Rick também esbarra em uma atriz jovem porém experiente chamada Trudi Fraser (Julia Butters), que pode ter sido inspirada por Jodie Foster, que trabalhou como convidada em “Gunsmoke” e outras séries de TV da era, quando criança. O patriarca de “Lancer” Andrew Duggan, é visto de relance na capa da revista TV Guide.
 
“Land of the Giants”
A série de ficção cientifica do produtor Irwin Allen (1968-70) [no Brasil, “Terra de Gigantes”], teria escalado Rick para um episódio.
 
The Mamas and the Papas
Membros da banda que gravou “California Dreamin'” -entre os quais Michelle Phillips (Rebecca Rittenhouse) e Mama Cass Elliot (Rachel Redleaf) – participam de uma festa na Playboy Mansion. Folger aparece cantando “Straight Shooter.”, sucesso da banda em 1966.
 
Membros da família Manson
Diverso acólitos de Charles Manson na vida real são retratados. Lynette “Squeaky” Fromme (Dakota Fanning), que aparece como amante de Spahn, tentou assassinar o presidente Gerald Ford em 1975. Susan “Sexy Sadie” Atkins (Mikey Madison) e Patricia “Katie” Krenwinkel (Madisen Beaty) foram condenadas pela participação nos homicídios na casa de Tate. Creditada apenas como ” Flower Child” no filme (onde ela é interpretada por Maya Hawke, filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), Linda Kasabian serviu como olheira em Cielo Drive e mais tarde depôs contra seus cúmplices. Outros membros reais da quadrilha incluem Catherine “Gypsy” Share (Lena Dunham), e Dianne “Snake” Lake (Sydney Sweeney). Pussycat (Margaret Qualley), que flerta com Cliff, parece ser invenção de Tarantino.
 
Andrew V. McLaglen
O veterano diretor e produtor de programas de TV (“Gunsmoke”) e filmes (“The Undefeated” [no Brasil, “Jamais Foram Vencidos”]) é mencionado como grande empregador de dublês.
 
“Mannix”
Essa série passada em Los Angeles e estrelada por Mike Connors como investigador particular é uma das diversas que o agente interpretado por Pacino menciona ao tentar convencer Rick de que seu futuro está nos westerns-espaguete e não em interpretar o vilão da semana em séries como essa, Batman e outras.
 
Steve McQueen
Conhecido como “King of Cool” (interpretado por Damian Lewis), o ator fez o papel principal em “The Great Escape” [no Brasil, “Fugindo do Inferno”], supostamente derrotando Rick para conquistá-lo.
 
Terry Melcher e Dennis Wilson
Melcher, produtor de discos e filho de Doris Day, era o locatário anterior da casa em Cielo Drive e trabalhava com Wilson, baterista dos Beach Boys. Manson, um musico frustrado, era o coautor de uma versão inicial de uma canção dos Beach Boys, mas Melcher não quis lhe dar um contrato de gravação. Manson foi à casa procurando por Melcher, sem saber que os novos moradores eram Tate e Polanski. Manson mais tarde ordenou que seus seguidores voltassem ao local e matassem todos que encontrassem lá.
 
“The Mercenary”
O cartaz desse western [no Brasil, “Os Violentos Vão para o Inferno”], que Corbucci lançou em 1968, pende da parede do cinema em Bruin-Westwood Village onde Tate vai assistir a um de seus filmes.
 
Musso & Frank Grill
O lendário restaurante é o lugar do encontro em que Schwarzs tenta contratar Rick pela primeira vez.
 
“The Night They Raided Minsky’s”
Essa comédia burlesca [no Brasil, “Quando o Strip-Tease Começou”], do cineasta William Friedkin (1968) é mencionada na fachada de um cinema.
 
Paul Revere & The Raiders
O álbum “The Spirit of ’67” toca na vitrola de Tate. Ela admite que a banda não é tão bacana quando Jim Morrison e o Doors.
 
George Peppard, George Maharis e George Chakiris
Os três atores  – talvez mais conhecido por “Bonequinha de Luxo”, “Rota 66” e “Amor Sublime Amor”, respectivamente – também foram derrotados por McQueen na disputa pelo papel principal de “The Great Escape”, de acordo com Tarantino.
 
George Putnam
O veterano apresentador de noticias locais é visto em um anúncio em um ponto de ônibus.
 
“Romeu e Julieta”
A adaptação da peça de Shakespeare por Franco Zeffirelli (1968) é anunciada na fachada de um cinema.
 
Jay Sebring
O cabeleireiro de Hollywood (Emile Hirsch), teve um envolvimento romântico com Tate antes de ela se casar com Polanski, e morreu em sua companhia como vitima do clã de Manson.
 
Shorty Shea
Ex-dublê, esse empregado na propriedade de Spahn (mencionado mas não visto no filme) foi morto pela gangue de Manson.
 
Connie Stevens
A atriz e cantora (Dreama Walker) foi casada com James Stacy, coastro de “Lancer”, entre 1963 e 1966, e com o ídolo pop Eddie Fisher entre 1967 e 1969; ela faz uma cavalgada pelo Spahn Ranch, conduzida por Tex Watson.
 
“Tess of the D’Urbervilles”
O romance (1891) de Thomas Hardy é comprado por Tate como presente para Polanski. Uma década depois da morte dela, o cineasta o adaptou [no Brasil, “Tess – Um Lição de Vida”], com Nastassja Kinski no papel-título .
 
“3 In the Attic”
Essa comédia erótica de 1968, estrelada por Yvette Mimieux, passa na TV.
 
“Valley of the Dolls”
Sucesso de Tate em 1967, o filme [no Brasil, “O Vale das Bonecas”], baseado em um best-seller de Jaqueline Susann sobre abuso de remédios, é citado pela bilheteira (Kate Berlant) no cinema de Bruin-Westwood. Ela está tentando explicar ao gerente quem é Tate (ele inicialmente a confunde com Patty Duke e Barbara Parkins, suas coestrelas no filme).
 
John Wayne
O Duke aparece na capa da revista capa Time em 8 de agosto de 1969 para promover seu papel em “True Grit” [no Brasil, “Bravura Indômita”], que terminou por lhe valer um Oscar. Os homicídios em Cielo Drive ocorreram pouco depois da meia noite naquela data.
 
“The Wrecking Crew”
Tate vai ao cinema para se ver esse filme de 1969 [no Brasil, “A Arma Secreta Contra Matt Helm”], em que ela contracena com Dean Martin. O que se vê na tela é o filme original – e a Tate original.
 
Tradução de Paulo Migliacci

Jornalista e cineasta ucraniana Anastasia Mikova fala sobre filme que dá voz a mulheres de 50 países

Anastasia Mikova conversou pessoalmente com mil personagens para o documentário; cem delas estarão no filme “Woman”
Fernando Eichenberg, de Paris

Ao longo de três anos e meio, Anastasia conversou pessoalmente com mil personagens para o documentário; cem delas estarão no filme, que também vai virar livro e exposição Foto: Divulgação/Peter Lindbergh

Mikova , 37 anos, exibia um sorriso de satisfação ao chegar para a entrevista em um ensolarado pátio no bairro de Montmartre, na capital francesa, nas proximidades de sua casa. Há dois dias, havia finalizado a fase de montagem de seu mais novo filme, “Woman” , codirigido pelo célebre fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand . Foram mais de duas mil entrevistas com mulheres, realizadas por três anos e meio em cerca de 50 países. A ideia surgiu durante as filmagens da precedente obra da dupla, “Human” (2015), uma imersão no ser humano por meio de depoimentos recolhidos pelos quatro cantos do planeta. “Ao fazer entrevistas para o ‘Human’, me impressionou uma necessidade visceral nas mulheres de contar suas histórias, bem mais do que nos homens. Quando sua voz é oprimida por séculos, torna-se algo quase físico. E quando libera, é um poço sem fundo. Encontramos mulheres nos mais diferentes e longínquos lugares, por quem nunca ninguém se interessou, e dissemos a cada uma delas: ‘Você é importante, quero ouvir a sua história’. No início, elas se mostravam desconfiadas, mas depois que entendiam o que fazíamos, passava-se algo incrível, se abria uma porta, como um vulcão que entrava em erupção”, conta.

O gosto pela descoberta e a curiosidade pelo humano e o mundo emergiram cedo em sua vida. Seu modelo “total e absoluto” é a mãe, Rita, que, adolescente, partiu sozinha da aldeia em que vivia em Nagorno-Karabakh, região entre a Armênia e o Azerbaijão, para estudar em Kiev, na Ucrânia. “Ela nasceu em uma família pobre de cinco irmãos. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas dois anos. Aos 17, disse que ia para a universidade. Ninguém a encorajou. Foi para casa de um tio, em Kiev. Durante vários anos foi duro, tinha três trabalhos e estudava ao mesmo tempo. Quando vejo tudo o que ela conseguiu, quem sou eu ao seu lado?”, indaga.

A partir dos anos 1990, quando se abriram as fronteiras do bloco soviético, a mãe enviava a jovem Anastasia para temporadas na Itália ou na França, em programas para vivenciar outras culturas e aprender novos idiomas. “A cada verão, passava um mês em algum país estrangeiro. Tinha 10, 11 anos, e ela me dizia: ‘Vá viajar, ver o mundo e como vivem as outras pessoas, quero que você tenha um horizonte mais amplo’”. O pai, Igor, já falecido, fazia documentários, a maioria com temática do reino animal, uma influência também nos destinos da filha. “Ele estava sempre com uma câmera na mão. Cheguei a essa profissão de forma inconsciente, nunca me disse que era minha vocação. Mas, intrinsecamente, já tinha isso desde a infância”.

Em 1998, aos 17 anos, a exemplo da mãe, Anastasia partiu para estudar em outro país. Escolheu cursar História em Paris. “Não era um sonho, mas uma evidência. Fui preparada para uma vida independente. Não conhecia ninguém em Paris, uma enorme cidade, com muitas coisas acontecendo. Isso faz você se questionar e amadurecer muito rápido”.

Depois de ter passado pelas revistas “Figaro Magazine” e “Marie Claire”, foi trabalhar na série documental sobre ecologia “Vu du ciel”, para a tevê pública francesa, onde encontrou Arthus-Bertrand, amigo e parceiro profissional até hoje. Ter participado da equipe do filme “Human” transformou sua maneira de encarar a vida. “Encontrei pessoas pelo mundo que partilharam comigo coisas difíceis que viveram, em histórias que nunca haviam contado para ninguém. Só em falar nisso me sinto arrepiada. Desde esse momento, não há mais fronteira na minha vida entre o que faço e o que sou, tornou-se um todo. É algo que te penetra de alguma forma. Em tudo que faço, hoje, procuro um sentido talvez exacerbado. É quase uma missão. ‘Human’ foi o momento em que me conscientizei disso”.

Anastasia com Denilse, de 16 anos, que conheceu em um mercado de Cabo Verde Foto: Divulgação
Anastasia com Denilse, de 16 anos, que conheceu em um mercado de Cabo Verde Foto: Divulgação

A experiência se aprofundou em “Woman”, em que fez mais da metade das duas mil entrevistas realizadas para o filme, com pré-estreia mundial no Festival de Veneza, que começa no fim do mês, e tem lançamento previsto no início de 2020. Apenas cem aparecerão na versão de 1h45min para o cinema, mas todas as demais estarão presentes de alguma forma no formato digital, na exposição e livro que acompanham o projeto. Segundo ela, 70% do filme poderia, infelizmente, tratar somente das violências sofridas pelas mulheres: “Mas fizemos a escolha de mostrar que elas não são apenas isso. Além de educação ou emancipação, abordamos também temas íntimos, como menstruação, orgasmo, a relação com o corpo. Ainda assim, boa parte do filme é dedicada à violência, porque se trata de uma realidade. O Brasil me surpreendeu por isso, é um país em que a violência está tão normalizada, a mulheres falam como uma evidência e, por vezes, não se mostram revoltadas”.

A palavra que resume, para ela, o teor do projeto “Woman” é “resiliência”: “A resiliência das mulheres pode fazer milagres. Estamos em um momento crucial da História: as mulheres estão prontas a ver o mundo de forma diferente e, sobretudo, não querem mais que os homens decidam por elas. Este filme é um espelho para as mulheres — de alguma forma, todas se reconhecerão nele —, mas não é feito por elas somente para elas, mas também para os homens, pois é uma janela para um mundo que eles não conhecem. Tudo o que fazemos, eu e Yann, é sobre o viver junto. Tentemos nos compreender mais e certamente que vai melhorar, para os dois lados.”

CINEMA I Estreias: Simonal, O Amigo do Rei, Histórias Assustadoras para Contar no Escuro, Leste Oeste, Mulheres Armadas, Homens na Lata

‘Simonal’, terror produzido por Del Toro e filmes com pegada feminista estão entre as estreias

Mulheres Armadas, Homens na Lata. França, 2019. Direção: Allan Mauduit. Com: Cécile de France, Yolande Moreau e Audrey Lamy. 87 min. 16 anos.

O Amigo do Rei
Brasil, 2019. Direção: André d’Elia. Com: Luciano Chirolli, Rafael Golombek e João Signorelli. 142 min. 12 anos.
Cinema documental e ficcional se misturam para explorar diferentes pontos de vista sobre o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, ocorrido em 2015.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro
Scary Stories to Tell in the Dark. Canadá/EUA, 2019. Direção: André Ovredal. Com: Zoe Margaret Colletti, Michael Garza e Gabriel Rush. 108 min. 14 anos.
Em uma cidadezinha nos anos 1960, um grupo de adolescentes encontra um antigo livro em uma casa mal-assombrada. Eles logo percebem que o objeto é controlado por uma entidade maligna: as criaturas descritas nas histórias aparecem na vida real para assombrá-los. Guillermo del Toro roteiriza e produz o filme, adaptado da érie literária homônima de Alvin Schwartz.

Leste Oeste
Brasil, 2016. Direção: Rodrigo Grota. Com: Felipe Kannenberg, Simone Iliescu e Bruno Silva. 86 min. 14 anos.
Longe da cidade natal há anos, um piloto retorna para disputar sua última corrida. Antes disso, porém, encontrará figuras do passado e também um jovem que quer seguir seus passos. Exibido na 42ª Mostra.

Meu Amigo Enzo
The Art of Racing in the Rain. EUA, 2019. Direção: Simon Curtis. Com: Milo Ventimiglia, Amanda Seyfried e Martin Donovan. 109 min. 10 anos.
O filme mostra a amizade de um piloto de corrida e seu cachorro, que o acompanha na profissão e também nos problemas da vida pessoal. Adaptação do livro “A Arte de Correr na Chuva”, de Garth Stein.

Mulheres Armadas, Homens na Lata
Rebelles. França, 2019. Direção: Allan Mauduit. Com: Cécile de France, Yolande Moreau e Audrey Lamy. 87 min. 16 anos.
Uma mulher se vê obrigada a fugir da cidade onde mora por ter um marido abusivo. Ela retorna à sua terra natal e consegue um emprego em uma fábrica. Mas certo dia, mata um colega de trabalho após uma série de provocações.

Não Mexa com Ela
Isha Ovedet. Israel, 2018. Direção: Michal Aviad. Com: Liron Ben-Shlush, Menashe Noy e Oshri Cohen. 93 min. 16 anos.
Mãe de três filhos, uma mulher decide voltar ao mercado de trabalho quando percebe que o restaurante do marido não está dando lucro. Ela consegue emprego em uma imobiliária, mas sua sorte muda quando seu novo chefe começa a assediá-la de forma incessante e agressiva.

Rainhas do Crime
The Kitchen. EUA, 2019. Direção: Andrea Berloff. Com: Elisabeth Moss, Melissa McCarthy e Tiffany Haddish. 103 min. 16 anos.
Quando seus maridos são presos pelo FBI, três mulheres passam a coordenar a rede de crimes instaurada por eles na Nova York dos anos 1970. Adaptação da HQ “The Kitchen”, de Ollie Masters e Ming Doyle.

Retrato do Amor
Photograph. Índia/Alemanha/EUA, 2019. Direção: Ritesh Batra. Com: Nawazuddin Siddiqui, Sanya Malhotra e Sachin Khedekar. 109 min. 12 anos.
Pressionado pela família, um fotógrafo indiano convence uma desconhecida a fingir ser sua noiva. Aos poucos, eles começam a se conhecer e inesperadamente desenvolvem uma relação que transforma suas vidas.

Simonal
Brasil, 2018. Direção: Leonardo Domingues. Com: Fabrício Boliveira, Isis Valverde e Caco Ciocler. 105 min. 14 anos.
A cinebiografia acompanha a carreira do músico carioca Wilson Simonal (1938-2000), de sua ascensão e astronômico sucesso até o envolvimento com membros da ditadura militar, que o levou ao ostracismo. Vencedor dos prêmios de melhor fotografia, direção de arte e trilha sonora no Festival de Gramado. Exibido na 42ª Mostra.

Vermelho Sol
Rojo. Argentina/Brasil/França/Holanda/Suíça/Bélgica/Alemanha, 2018. Direção: Benjamin Naishtat. Com: Dario Grandinetti, Andrea Frigerio e Alfredo Castro. 119 min. 14 anos.
Apesar de uma onda de violência que tomou a Argentina dos anos 1970, os moradores de uma pequena cidade levam vidas pacatas, imunes àquela realidade. Até que, certa noite, um renomado advogado e sua mulher são surpreendidos com a chegada de um estranho. Exibido na 42ª Mostra.

Voando Alto
Manou the Swift. Alemanha, 2019. Direção: Christian Haas e Andrea Block. 90 min. 12 anos.
Na animação, uma andorinha adotada por gaivotas cresce acreditando ser da mesma espécie que os pais. Quando fica sabendo a verdade, foge de casa, até descobrir um plano que ameaça sua família.

Rafiki
Idem. Quênia/África do Sul/França/Holanda/Alemanha/Noruega/Reino Unido/Líbano, 2018. Direção: Wanuri Kahiu. Com: Samantha Mugatsia, Sheila Munyiva e Jimmi Gathu. 83 min. 16 anos.
Duas grandes amigas, filhas de políticos rivais, se envolvem amorosamente. Elas então precisam decidir se vão desafiar o conservadorismo da sociedade queniana para ficarem juntas. Adaptação do conto “Jambula Tree”, da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko. Exibido em Cannes e na 42ª Mostra.

Bilheteria EUA: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw, O Rei Leão, Era Uma Vez Em… Hollywood, Homem-Aranha: Longe de Casa, Toy Story 4

Longa arrecada US$ 60 milhões

Hobbs & Shaw estreia na liderança dos EUA

Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw desbancou O Rei Leão da liderança da bilheteria norte-americana neste final de semana e estreou na primeira posição. O derivado arrecadou pouco mais de US$ 60 milhões. O remake da Disney ficou em segundo lugar com US$ 38, 2 milhões

Era Uma Vez Em… Hollywood, nono filme do diretor Quentin Tarantino, fez mais US$ 20 milhões e conta com um total de US$ 78 milhões somente nos EUA.

Na sua quinta semana em cartaz, Homem-Aranha: Longe de Casa garantiu a quarta colocação com uma bilheteria avaliada em US$ 7,7 milhõesToy Story 4 fecha o top 5 com US$ 7,1 milhões.

Ator Zack Gottsagen com Síndrome de Down inspira e estrela filme de Hollywood

Zack Gottsagen interpreta um jovem que foge de uma instituição para seguir o sonho de ser lutador profissional
ROLLO ROSS – REUTERS

A atriz Dakota Johnson, o ator Zack Gottsagen e o ator Shia LaBeouf  chegam para exibição especial do filme The Peanut Butter Falcon, em Hollywood Foto: Chris Delmas/ AFP

O novo filme The Peanut Butter Falcon, aclamado pela crítica, fez um caminho diferente para Hollywood e transformou em estrela o ator Zack Gottsagen, que possui Síndrome de Down

No papel principal, Gottsagen interpreta um jovem que escapa de uma instituição para correr atrás do sonho de se tornar um lutador profissional. Em suas viagens, ele faz amizade com um trapaceiro vivido pelo astro de Transformer Shia LaBeouf. A atriz Dakota Johnson co-estrela o filme no papel de uma enfermeira enviada para encontrar o personagem de Gottsagen. 

O filme é um dos poucos de Hollywood a apresentar um ator com Síndrome de Down em um papel principal. 

Na estreia do longa no tapete vermelho, os co-diretores e roteiristas Tyler Nilson e Michael Schwartz disseram que conheceram Gottsagen quando estavam fazendo trabalho voluntário em um acampamento para pessoas com deficiência, e que Gottsagen havia dito que queria se tornar uma estrela de cinema. 

O filme encantou a crítica, atingindo um rating 100 por cento positivo no site Rotten Tomatoes, que reúne resenhas. A data de lançamento do longa nos Estados Unidos está marcada para o dia 9 de agosto.

Enola Holmes | Millie Bobby Brown mostra visual como irmã de Sherlock Holmes

Henry Cavill deve interpretar o icônico investigador
JULIA SABBAGA


Millie Bobby Brown revelou em seu Instagram o visual para as filmagens de Enola Holmes, longa que focará na irmã mais nova de Sherlock Holmes.

No filme, após o desaparecimento de sua mãe, a irmã criança de Sherlock e Mycroft Holmes foge para se tornar uma fugitiva e detetive particular.  

Henry Cavill deve interpretar o icônico investigador Sherlock Holmes e o longa deve contar também com Helena Bonham Carter (Clube da Luta) como a mãe dos personagens.

Harry Bradbeer (Killing Eve) dirige e Jack Thorne (Extraordinário) escreve o roteiro, que adapta a série literária Os Mistérios de Enola Holmes de Nancy Springer.

Os livros, que começaram a ser publicados em 2006, acompanham a jovem Enola enquanto ela faz suas investigações. O primeiro deles é intitulado The Case of the Missing Marquess.

Enola Holmes ainda não tem data de estreia.