‘Pedi aos autores de ‘The handmaid’s tale’ algo que eu lesse e pensasse: ‘Car***!!’, diz Elisabeth Moss

Atriz americana fala sobre o papel de uma atormentada cantora grunge em novo filme e de sua participação no sucesso ‘Nós’, de Jordan Peele
Jor Coscarelli, do New York Times

Elisabeth Moss como Becky no pôster de “Her smell” Foto: Divulgação

A vida de Elisabeth Moss é sofrida, em diversas épocas. Desde que encarnou a a subestimada Peggy Olson em “Mad Men” (na década de 1960) até sua Offred na distopia “The Handmaid’s Tale” , em um futuro próximo,  passando pela aparição em “Us” de Jordan Peele, ela parece estar no bom caminho para se tornar a santa padoreira dos fracos e oprimidos.

vibe é consistente mesmo em papéis menos conhecidos, principalmente as parcerias da atriz americana de 36 anos com o escritor e diretor Alex Ross Perry. Ele a escalou em três filmes, um deles “Rainha do mundo” (2015), em que imagens cruéis em close retratam o desenlace da personagem.

“Her smell”, sexto longa-metragem do diretor, em cartaz nos EUA, mais uma vez encontra Elisabeth – agora como Becky Something, uma estrela do rock dos anos 1990, no mundo do grunge e das riot grrrls – quebrando tudo, inclusive a si mesma, com foco na maquiagem borrada. O papel foi criado especialmente para ela.

– Algumas pessoas nascem para sofrer, e outras, para fingir que sofrem – diz Perry.

Em cinco partes, a maioria deles uma única cena, “Her smell” mostra a saga de uma compositora genial,  louco, que consome drogas, se autossabota e estraga a banda. Por acaso, ela é  uma mulher.

Com uma fotografia zonza, que mostra a claustrofobia e o suor dos bastidores de uma casa de shows de rock, assim como o redemoinho do vício, o filme foi inspirado por artistascomo Guns N’ Roses, Jawbreaker, Nirvana, Bikini Kill e L7. A essa lista, Elisabeth adicionou Amy Winehouse, Marilyn Monroe e e outras. Tudo isso além de Courtney Love, cujo visual, estilo e palhaçadas no papel de cantora do Hole se espelham no caos de Becky e sua banda, Something She.

A atriz, que estudou guitarra e piano para o papel falou por telefone sobre não ter vivido a onda punk, sua queda por papéis sombrios e o lugar de Courtney no universo de “Her smell”. Veja alguns trechos da conversa.

O que você lembra da época do grunge e das riot grrrls?

Eu fazia balé desde os 5 anos e, naquela época, tinha 11 ou 12. Eu não embarquei em nada daquilo. Lembro-me de ouvir os mais populares, como Nirvana e coisas assim, no rádio. Mas tudo aquilo parecia feito para pessoas mais velhas e definitivamente mais legais que eu. Acho que não entendi direito. Eu era uma criança muito feliz, sabe?. Então, quando fui me aproximar desse universo, fui sincera com Alex, tipo: “Esse é um universo que eu não entendo muito bem”.

Os envolvidos com o filme minimizam a conexão com Courtney Love, mas há muitas referências que apontam para ela. Você a contactou?

Ela é indiscutivelmente a figura feminina mais famosa da época, e também é loura, né? Então visualmente você tem a conexão. E obviamente há algumas histórias bem documentadas e que fazem sentido no que diz respeito a Becky (risos). Mas eu disse a Alex: “Queremos fazer a história de Courtney Love? Vamos falar com ela para o filme, então”. Mas não era o que queríamos. É só por isso que minimizamos a conexão, porque não era a nossa intenção. Ela não fez parte do filme. Mas eu usei Kurt Cobain tanto quanto Courtney Love.

Você ouviu alguma reação de Courtney?

Nenhuma! Mas estive com ela algumas vezes, e ela sempre foi superlegal comigo.

Até com Kitty, seu personagem em “Nós”, e em “Top of the lake”, você se tornou um poço de dor e sofrimento. O que ainda a atrai para esses papéis brutais?

Eu os acho mais interessantes e desafiadores. Sou uma pessoa feliz. Não há nada superinteressante ou dramático em ver alguém que está bem e lava roupa, como eu estou fazendo hoje. Mas existe uma piada interna entre as pessoas com as quais eu colaboro: o que elas podem escrever que vai me fazer dizer: “Noooossa, isso é desafiador”, ou “Meu Deus, que sinistro!”? Eu disse aos autores de “Handmaid’s” no início da temporada: “Sua tarefa é escrever algo que eu vou ler e ficar assim: “Car***!!”

Você costuma equilibrar filmes de arte com alguns dos programas de mais sucesso e blockbusters. É divertido ter participado de algo como “Nós”, e ser apenas parte do ‘zeitgeist’?

É superdivertido. Foi uma experiência diferente para mim, porque eu nunca estive em um filme que as pessoas realmente foram ver (risos). Eu nunca participei de algo que tivesse a expectativa de ganhar dinheiro nas bilheterias. Essa é a verdade. Na segunda-feira, as pessoas todas vieram falar comigo sobre o filme, porque todo mundo foi vê-lo no fim de semana. Sou muito grata a Jordan (P eele, diretor de “Nós” ) por ele ter me chamado para participar de algo histórico assim.

(Spoiler de “Nós”) Quando você viu o filme no cinema, como foi ver as pessoas reagindo ao seu assassinato?

Adorei, achei hilário. Quando filmamos, Jordan chamou aquela cena de “O massacre dos sete segundos”. Aquele negócio de rastejar no chão… A gente sabia que seria legal.

“Nós” e “Her smell” têm algo mais em comum: você tem momentos de humor, mesmo se os personagens que contracenam com você não se divirtam. Você fica confortável em papéis cômicos?

Eu nunca consigo! Ninguém nunca me pede para fazer isso. Eu acho que fiquei… — estigmatizada é uma palavra negativa, então não quero usá-la —, mas definitivamente tenho a fama de fazer papéis mais dramáticos. Então foi muito divertido fazer algo diferente. E essa garota de “Nós”… eu queria fazer um filme inteiro como ela. Muitas mulheres vieram a mim e disseram: “Uau, a sua loura básica é tão legal!”

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Filme Guava Island de Glover e Rihanna mistura musical e críticas

Novo filme protagonizado pelo artista multidisciplinar e Rihanna mistura música, dança e causas sociais em uma narrativa inebriante
POR PAULA JACOB | FOTOS AMAZON STUDIOS/DIVULGAÇÃO

Se você acha que Donald Glover se resume a This Is America, está precisando de uma imersão no universo criativo de um dos nomes mais importantes das artes visuais dos últimos tempos. O músico, ator, roteirista, diretor… tira qualquer narrativa social do senso comum com sua maravilhosa e necessária série Atlanta e cutuca diversas camadas sociais com suas músicas sob o pseudônimo Childish Gambino. Mas em Guava Island ele mostra o quanto sua faceta multidisciplinar é necessária para o cinema, que segue patinando nos mesmos estereótipos há alguns anos.

<img src="https://s2.glbimg.com/Zci8ZzVLaT9cgYW8FiGpanZbdSs=/smart/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2019/04/15/guava-island-005.jpg&quot; alt="Donald Glover in a still from Guava Island, which he stars in with Rihanna. The film premiered at Coachella, where Glover’s musical act Childish Gambino headlined on Friday. (Foto: courtesy of Amazon Prime Video)” width=”600″/>

O filme, disponível no Prime Videostreaming da Amazon, tem menos de uma hora e muita história para contar. O ritmo de fábula encantada começa com uma animação que contextualiza o ambiente no qual a trama se passará. Guava Island é uma pequena ilha, onde a natureza e os saberes ancestrais são valorizados; onde homens e animais convivem em harmonia; e tiram de suas terras com respeito aquilo que produz o fio de seda. Mas como ainda vivemos em um contexto capitalista patriarcal, o que era uma mera produção de roupas a partir da matéria prima, se torna um processo industrial exploratório, ganancioso e abusador dos funcionários, que trabalham de domingo a domingo. Dani (Donald Glover) é um músico que sonha em criar uma música tão linda e genuína, capaz de unir todos os moradores da ilha de novo e relembrá-los da real riqueza daquele lugar. Kofi (Rihanna) é sua companheira e amiga desde a infância, que trabalha como costureira na fábrica dominadora da região. Conseguiu pensar em algum outro lugar parecido?  

‘Guava Island’: o musical politizado de Donald Glover (Foto: Amazon Studios/Divulgação)

Mais do que um sonho de uma noite de verão, Donald Glover ressignifica suas próprias músicas. E não, Guava Island não é um álbum visual. Sob direção de Hiro Murai, mesmo de Atlanta e This Is America, o filme é uma mistura de musical, fábula encantada, política, crítica social e o que mais você conseguir extrair desse roteiro, com embalo de músicas de Glover (ou Childish Gambino). Ah, vale ressaltar: não há brancos no filme. Ele, inclusive, reencena a coreografia de This is America em um galpão ao responder para o colega de serviço – Dani é músico por paixão e operário por necessidade – que o sonho dele de ir para os Estados Unidos não é coerente, já que todo lugar do mundo é a América. “We just wanna party/ Party just for you/ We just want the money/ Money just for you/ I know you wanna party/ Party just for me…”.

‘Guava Island’: o musical politizado de Donald Glover (Foto: Amazon Studios/Divulgação)

E o que é a vida sem sonhar? Donald Glover responde ao fazer de seu personagem um disruptivo social que quer fazer um festival de música no sábado à noite, mas todos precisam trabalhar no domingo de manhã e isso afetaria os negócios da família dominante na ilha. Mesmo com as ameaças, ele segue com o festival de música que faz a população se vestir com as melhores roupas e acessórios, e, sob seu pedido, sentir o máximo da liberdade naquela noite.

‘Guava Island’: o musical politizado de Donald Glover (Foto: Amazon Studios/Divulgação)

Impossível não destacar o trabalho do designer de produção Lucio Seixas e do figurinista Mobolaji Dawodu, que criaram uma atmosfera única para a trama, enaltecendo tons vibrantes em estampas ancestrais, sem deixar o contexto político-social dos personagens de lado. Tudo envelopado pela fotografia de Christian Sprenger, que usou uma 16mm granulada para as imagens ora poéticas ora enérgicas. É daqueles para assistir sem parar até decorar todas as falas.

The Perfection | Horror da Netflix ganha primeiro trailer angustiante

Filme é estrelado por Allison Williams, de Corra! e Logan Browning, de Cara Gente Branca
GABRIEL AVILA

Netflix divulgou o primeiro trailer do horror The Perfection, estrelado por Allison Williams (Corra!) e Logan Browning (Cara Gente Branca). Confira acima.

O filme acompanha Charlotte (Williams), uma musicista talentosa, porém mentalmente instável, que passa a percorrer um caminho sombrio após encontrar uma rival na jovem Lizzie (Browning). Dirigido por Richard Shepard (Girls) com roteiro de Eric C. Charmelo (Sobrenatural), Nicole Snyder (Ringer) e Richard Shepard (O Matador), o filme estreia em 24 de maio.

Morre atriz sueca Bibi Andersson, musa de Ingmar Bergman

Intérprete estrelou vários clássicos do cineasta conterrâneo
AFP

A atriz Bibi Andersson em ‘O Sétimo Selo’ – Divulgação

A atriz sueca Bibi Andersson, conhecida por seus papéis nos filmes do diretor e compatriota Ingmar Bergman, morreu neste domingo (14), aos 83 anos, disse sua filha Jenny Grede Dahlstrand à agência de notícias AFP, sem informar a causa.

Andersson estrelou vários clássicos de Bergman, como “O Sétimo Selo” (1957), “Morangos Silvestres” (1957) e “Persona” (1966) —filme homenageado na 40ª Mostra, em 2016.

A atriz começou a trabalhar com o cineasta quando tinha apenas 15 anos de idade, em vários anúncios da marca de sabonetes sueca Bris, dirigidos por ele.

Ela recebeu vários prêmios, entre eles, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim em 1963 por seu papel em “A Amante Sueca”, de Vilgot Sjoman.

Bibi Andersson e Liv Ullmann, em cena do filme ‘Persona'(1966) (//Divulgação)

Seus primeiros créditos cinematográficos vieram em 1951, mas ela continuou trabalhando e estrelando  filmes até 2009, quando sofreu um derrame que paralisou um lado de seu corpo.

“Deixa um grande vazio para cada um de nós que teve o privilégio de estar perto dela”, disse a filha.

Bilheteria EUA: Shazam!, A Chefinha, Hellboy, Cemitério Maldito, Dumbo

Pela segunda semana seguida, Shazam!se manteve no topo da bilheteria dos EUA. Durante o final de semana, o filme estrelado por Zachary Levi arrecadou US$25 milhões nos cinemas norte-americanos, totalizando US$94 milhões no país.

Quem não teve a mesma sorte foi Hellboy, estrelado por David Harbour(Stranger Things). Era esperado que a nova versão abrisse com algo entre US$16 milhões e US$25 milhões, mas o filme ficou abaixo das expectativas com bilheteria inicial de US$12 milhões e críticas ruins pela mídia e público. Isso coloca Hellboy em terceiro lugar.

Quem ficou em segundo, então? A comédia A Chefinha (Little em inglês), que bateu Hellboy com US$15 milhões em seu primeiro fim de semana. Quase como uma inversão de Quero Ser Grande De Repente 30A Chefinha mostra uma poderosa executiva que, um dia, acorda em seu corpo de 13 anos de idade.

Em quarto ficou Cemitério Maldito com US$$ 10.0 milhões. E para fechar em quinto, Dumbo com US$9,1 milhões.

Respeito e cuidado são marcas do documentário ‘Carta a Theo’

Filme segue rastro de Theo Angelopoulos e expõe conexão afetiva entre mestre e discípula
Sérgio Rizzo

Cena do documentário ‘Carta a Theo’, de Elodie Lélu – Divulgação

Filmes inacabados de grandes cineastas às vezes ressuscitam em abordagens documentais. Em “O Inferno de Henri-Georges Clouzot”(2009), por exemplo, Serge Bromberg e Ruxandra Medrea reconstituem o ambicioso projeto que o diretor francês de “O Salário do Medo” (1953) e “As Diabólicas” (1955) não conseguiu terminar em 1964.

O belga “Carta a Theo”, programado na seção O Estado das Coisas do É Tudo Verdade, filia-se à mesma tradição. O primeiro longa da francesa Elodie Lélu, 37, vasculha os escombros do filme em que o grego Theo Angelopoulos trabalhava quando morreu, atropelado por uma moto, em 24 de janeiro de 2012, aos 76 anos.

Seria um drama sobre processos migratórios e a economia globalizada. O que o diretor de “Paisagem na Neblina” (1988), “O Passo Suspenso da Cegonha” (1991) e “Um Olhar a Cada Dia” (1995) faria, a partir de seu conturbado posto de observação em Atenas, em torno desses temas-chave do século 21?

Respeitosa e também muita cuidadosa, Elodie busca todas as respostas possíveis nos rastros que Angelopoulos deixou. Ao mesclar o resultado da investigação com trechos de obras-primas do diretor, ela instaura um campo de imaginação sobre o qual o fantasma do filme inacabado paira o tempo todo.

Elodie fala de algo que também pertencia a ela. Quando estudava história da arte na Sorbonne, escolheu Angelopoulos como objeto de estudo de sua tese. Os dois se conheceram e se tornaram amigos. Mais tarde, ela decidiu estudar cinema em Bruxelas.

Convidada por Angelopoulos, foi a Atenas com passagem só de ida para participar do filme que jamais seria concluído. Sua carta muito pessoal a Theo, em forma de documentário, envolve memórias afetivas que ela estrutura de forma ensaística (a voz é da francesa Irène Jacob, de “A Dupla Vida de Véronique”).

“Carta a Theo” é também uma homenagem ao diretor grego não apenas porque evoca a sua obra ao mostrar trechos de filmes, mas porque Elodie vai parar em um lugar a que Angelopoulos provavelmente gostaria de ter chegado —um lugar que, por imensa coincidência, lembra o de “Cine Marrocos”, de Ricardo Calil, na competição brasileira do É Tudo Verdade.

E a cereja no bolo de Elodie é o próprio Angelopoulos, em depoimento sobre o que o movia. “Faço filmes para me conhecer e para conhecer o mundo”, diz ele. “Um desejo de viajar que nunca termina. Um desejo de conhecer outros lugares, outros rostos, outras situações, e me sentir sempre em uma jornada sem fim.”

CARTA A THEO (LETTRE A THÉO)

  • Quando Sesc 24 de Maio (SP), dom. (14), às 17h. Estação Net Botafogo – sala 3 (Rio), seg. (15), às 17h
  • Produção Bélgica, 2019
  • Direção Elodie Lélu

Sandra Oh: “Me inspirava em atrizes negras porque havia pouquíssimas asiáticas”

Vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz por Série Dramática, a atriz falou com exclusividade à Marie Claire sobre seu novo filme, “Meditation Park”, sobre representatividade – ou a falta de – em Hollywood e sobre a segunda temporada de “Killing Eve”

Sandra Oh para a Marie Claire US (Foto: Thomas Whiteside/Marie Claire US)

Ela entrou para a história de Hollywood ao se tornar a primeira mulher com ascendência asiática a ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática por sua atuação em Killing Eve, da BBC America. Não bastasse, ela também foi pioneira ao apresentar a premiação e ao ganhar múltiplas estatuetas – sua primeira foi a de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática pelo papel da inesquecível Dra. Cristina Yang em Grey’s Anatomy

Aos 47 anos, Sandra Oh está com a agenda mais cheia do que nunca: a atriz acaba de estrear na segunda temporada de Killing Eve e também no filme Meditation Park, dirigido por sua parceira de trabalho de longa data, a cineasta Mina Shum, com quem também trabalhou em Os Dois Lados da Felicidade (1995) e Vida longa, Felicidade & Prosperidade (2002).

O longa conta a história de Maria Whang (interpretada por Cheng Pei-Pei), mãe de família e imigrante chinesa em Vancouver, Canadá, que, aos 60 anos, vê sua vida mudar completamente ao descobrir uma peça de lingerie no bolso da calça do marido.

Natural do Canadá e filha de pais coreanos, Oh falou com exclusividade à Marie Claire sobre o novo filme, sobre representativade – ou a falta de – em Hollywood, e ainda deu um gostinho do que está por vir em Killing Eve. Confira! [Bárbara Tavares]

Sandra Oh para a Marie Claire US (Foto: Thomas Whiteside/Marie Claire US)
Sandra Oh para a Marie Claire US (Foto: Thomas Whiteside/Marie Claire US)

Marie Claire: Maria é uma mulher de 60 anos que nunca trabalhou fora de casa, passou a vida cuidando do marido e dos filhos e, de repente, decide que precisa de uma mudança. Ela busca emprego, independência e um novo propósito, o que surpreende inclusive Ava (personagem de Oh), sua filha. Podemos dizer que o que Maria enfrenta é uma questão de outra geração, algo mais incomum nos dias de hoje. Você concorda?

Sandra Oh: Eu considero Meditation Park um filme com uma história muito sutil. Em muitos filmes, mulheres independentes são mostradas como super-heroínas que lutam contra alienígenas. Nesse, é heroico que Maria aprenda a andar de bicicleta. Eu considero, sim, uma questão de outra geração, mas falando como alguém que tem um passado de imigrante, onde a ideia de servência da mulher era mais forte, acho revolucionário. Pensando em mim mesma como uma mulher de meia idade, sinto que minha independência ainda é pautada por aprender constantemente como me colocar, me expor, entender o que é poder e qual é o meu.

MC: Como você enxerga essa busca por independência nos dias de hoje, quando a maioria das mulheres é incentivada a estudar, trabalhar e lutar por seus direitos?

SO: Eu reconheço que estou em um lugar muito privilegiado da sociedade. E, mesmo assim, posso te dizer que ainda é uma grande luta interna. O que eu acho mais incrível em movimentos como #MeToo Time’s Up é que eles incentivam mulheres a lidarem com suas próprias lutas internas e então falarem por si próprias, encontrarem sua própria força. Eu ainda estou trabalhando nisso. 

MC: Que tipo de obstáculos você enfrentou no início da carreira?

SO: Os mesmos que toda artista jovem: ser reconhecida, conseguir papéis. Mas, claro, se você não é branco e se você não é homem, você vai, sem dúvida alguma, carregar o peso de tanto o seu sexo como a sua raça dificultarem seu acesso aos mais diversos papéis.  

MC: Em quem você se inspirava no começo?

SO: Essa pergunta é um pouco complexa porque havia pouquíssimas atrizes [asiáticas] para me inspirar no começo. Eu admirava as atrizes negras porque eu pensava: “Elas são como eu. Não exatamente, mas um pouco como eu”. Então eu me inspirava em Angela Bassett em termos de atuação, em Yoko Ono como artista, como ícone. Havia muitas pessoas que eu admirava, mas poucas com que eu me identificava.

MC: O que podemos esperar da segunda temporada de Killing Eve?

SO: É muito, muito mais obscura. Você vê que Eve está tentando estar mais no controle, mas as coisas não estão dando muito certo para ela nesse aspecto.