‘Frozen 2’ lidera bilheterias na América do Norte e bate recorde

‘Frozen 2’ estabeleceu um recorde de novembro para um filme de animação e se tornou a maior estreia de todos os tempos para a Walt Disney Animation (não incluindo a Pixar)
Rebecca Rubin, Reuters

Estreia de Frozen 2 nos Estados Unidos
Fãs tiram selfies na estreia do filme ‘Frozen 2’ em Los Angeles Foto: Mario Anzuoni/Reuters

O filme Frozen 2, da Disney, liderou as bilheterias na América do Norte, onde o público familiar levou a aventura animada a uma forte estreia com receita de US$ 130 milhões. 

A sequência teve desempenho acima das expectativas antes do Dia de Ação de Graças, que deve se transformar em um cenário de férias especialmente lucrativo.

Frozen 2 estabeleceu um recorde de novembro para um filme de animação e se tornou a maior estreia de todos os tempos para a Walt Disney Animation (não incluindo a Pixar). É também o primeiro filme de animação a atingir três dígitos em sua estreia fora do verão no Hemisfério Norte.

No exterior, a aventura animada arrecadou US$ 223 milhões, o que implica uma forte estreia global de US$ 350 milhões. Frozen 2 estreia no Brasil no dia 2 de janeiro de 2020.

Este fim de semana foi de vitória incontestável para a Disney, já que Ford v Ferrari arrecadou US$ 16 milhões, para um total de US$ 57 milhões.

Novo nas telas, A Beautiful Day in the Neighbourhood, da Sony, estreou em terceiro lugar, com US$ 13,5 milhões em 3.235 cinemas, um começo sólido considerando seu orçamento de US$ 25 milhões. Especialistas projetam que o filme terá longa trajetória nos cinemas durante o fim do ano.

Crime sem Saída, da STX, um thriller de suspense estrelado por Chadwick Boseman, ficou em quarto lugar, com US$ 9,2 milhões em 2.665 locais. Fechando em quinto Midway – Batalha em Alto Mar com US$ 1.3.

Bilheteria EUA: Frozen II, Ford v Ferrari, A Beautiful Day in the Neighbourhood, Crime sem Saída, Midway – Batalha em Alto Mar

Frozen II estreia no topo da bilheteria dos EUA

Sequência da Disney domina o ranking

Disney emplacou o primeiro grande sucesso do mês de novembro com Frozen II. Sequência da animação de 2013, o filme estreou nos Estados Unidos com US$41,8 milhões de arrecadação – e isso só no primeiro fim de semana.

A empresa havia colocado muita confiança no desempenho do filme, inicialmente prevendo arredação inicial global de US$145 milhões, valor que depois foi ajustado para US$100 milhões – marca que, agora, Frozen II chegou próximo de atingir só com o fim de semana, tendo conquistado US$99,6 milhões na arredação mundial. Se considerar o valor das pré-estreias de quinta, o filme passa com tranquilidade a marca, chegando em US$128 milhões. Curiosamente desse valor total, US$35 milhões vieram só da China. Já no Brasil, o lançamento só ocorre em 2 de janeiro.

Este fim de semana foi de vitória incontestável para a Disney, já que Ford v Ferrari arrecadou US$ 16 milhões, para um total de US$ 57 milhões.

Novo nas telas, A Beautiful Day in the Neighbourhood, drama biográfico da Sony, em que Tom Hanks encarna o apresentador infantil Mr. Rogers, vêm em terceiro, com US$ 13,5 milhões em 3.235 cinemas, um começo sólido considerando seu orçamento de US$ 25 milhões. Especialistas projetam que o filme terá longa trajetória nos cinemas durante o fim do ano.

Crime sem Saída, da STX, um thriller de suspense estrelado por Chadwick Boseman, ficou em quarto lugar, com US$ 9,2 milhões em 2.665 locais. Fechando em quinto Midway – Batalha em Alto Mar com US$ 1.3.

Juliette Binoche vem ao Brasil como atração dos 30 anos da Imovision

Ela conversou com ‘Estado’ por telefone; atriz francesa estará no Brasil para comemorar o aniversário da distribuidora de filmes
Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

Mademoiselle Binoche. Exigente na escolha de seus papéis e diretores  Foto: Stephane Mahe/Reuters

A atriz francesa Jeanne Moreau, certa vez, explicou ao repórter que será sempre mademoiselle, não importa que tenha 100 anos. Mademoiselle Juliette Binoche, de 55 anos, contracena pela primeira vez no novo filme com mademoiselle Catherine Deneuve, de 76. Já pensaram? Duas grandes estrelas – as maiores da França?

Mademoiselle Binoche estará em Macao, no começo de dezembro, para participar do festival – como embaixatriz da cultura – e para prestigiar a estreia mundial do novo Hirokazu Kore-eda. O autor japonês, que venceu a Palma de Ouro no ano passado com Assunto de Família, assina seu primeiro filme em língua inglesa. Chama-se The Truth.

E a verdade é que Juliette adorou trabalhar com Kore-eda. “Ele é muito reservado, quase não fala, mas escreve muito. Nisso se assemelha a Bruno Dumont, cujos roteiros parecem romances. Kore-eda envia mensagens muito longas e detalhadas. Como ‘não’ não faz parte da cultura japonesa, ele nunca diz o que não quer, mas é tão envolvente que nos leva a fazer exatamente o que quer da gente.”

Ela conversa com Estado pelo telefone, de Los Angeles. Essa mulher é um globetrotter. Vive viajando e o motivo da entrevista é que, entre os EUA e a China, no fim de semana que vem, dias 29 e 30, Juliette estará no Brasil, mais exatamente no Rio, ou melhor, em Niterói.

Juliette será a madrinha das comemorações dos 30 anos da Imovision. Será sua primeira visita ao Brasil, e ela admite estar ansiosa. “É um país continental, com… Quantos mesmo? 250 milhões de habitantes? É muita gente, e ainda tem a Amazônia, como pulmão do mundo. Mas tenho de confessar que meu interesse pelo Brasil é muito mais pessoal. Lá atrás, nos 1800, um tataravô meu casou-se com uma brasileira, portanto, tenho sangue brasileiro. Isso foi há quase 200 anos, mas tenho muita curiosidade de saber se ainda existe algum Binoche no Brasil.”

Embaixatriz na China (Macao), madrinha no Brasil. Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, sempre quis trazer Juliette ao País. A cada filme com ela que distribuía, renovava o convite. Finalmente, depois de muitas tentativas, conseguiu. Ela virá. Aproveitando sua presença no País, Jean-Thomas – a Imovision – vai relançar nos cinemas a versão restaurada de A Liberdade É Azul.

O filme é o primeiro volume da trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu, Blanc, Rouge. A Liberdade É Azul, A Igualdade É Branca, A Fraternidade É Vermelha. Toda a trilogia virou cult para cinéfilos que veneram o grande diretor polonês. Kieslowski era um intimista radical. Sempre quis colocar na tela o invisível. Que lembrança Juliette guarda daquela filmagem, no começo dos anos 1990?

“Considerando-se a gravidade do tema, o que me vem sempre que penso em Krzysztof, e naquele filme, em especial, é que foi um dos períodos mais leves da minha vida. Foi um set muito alegre, todo mundo muito feliz, divertindo-se. Krzysztof ensaiava muito, mas, até porque o orçamento era reduzido, filmava pouco. Por ele, tudo se resolveria na primeira tomada. Eu, muitas vezes, me sentia insegura e queria repetir. Dizia-lhe que a produção era francesa (de Marin Karmitz) e que, para a gente, era muito comum repetir as cenas. Ele não queria saber. Dizia que, com empenho, se fizéssemos como havíamos ensaiado, uma tomada seria suficiente.”

O invisível? “Não me pergunte como ele conseguia torná-lo visível. Parecia uma filmagem normal, mas algo, realmente, passou-se na tela quando vi o filme pela primeira vez, e sempre que o revejo. Há um mistério Kieslowski, mas não serei eu a explicar.”

Mademoiselle Binoche parece muito exigente na escolha de seus papéis e diretores, mas também é escolhida por eles. A lista é impressionante. André Téchiné, Anthony Minghella, Kieslowski, Leos Carax, Bruno Dumont, Abbas Kiarostami, Naomi Kawase, agora Kore-eda. Deve haver alguma explicação para isso, e ela própria arrisca. “É um pouco de sorte, talvez, mas também pode ser que tenha a ver com as particularidades da minha biografia. Minha irmã e eu fomos criadas em internatos. Meus pais eram atores de teatro, viviam em turnês, não tinham muito tempo para a gente. Isso marca. Sempre necessitei de atenção, de carinho. Quando minha mãe nos resgatou e passamos a viver em família, algo já se havia rompido. Sempre fui solitária, introvertida. Passei a gostar de representar, de ter outras vidas. Os autores sentem isso. Gosto de trabalhar com artistas que conseguem ver através de mim, que não se contentam com uma imagem superficial e me confrontam comigo mesma.” 

Além de representar, ela canta, faz poesia. É múltipla? “Todo mundo é, a questão é que muitas vezes as pessoas não têm noção e não desenvolvem suas habilidades, seus talentos. Não sou louca de me comparar a Rimbaud, mas a poesia é a quintessência da experiência íntima das pessoas. Poderíamos discutir forma, fundo. O que chega antes, o que é mais importante. Às vezes, andam juntos, e é o que faz o mistério da poesia. A gente discute muito o gênio, e tive oportunidade de conhecer e trabalhar com alguns. Mas o gênio não pertence à pessoa. Passa através dela e o artista não é outra coisa senão um catalisador. Sua virtude é a capacidade de perceber isso. É uma forma de entrar em contato com o invisível, com algo que não nos pertence, mas que buscamos e, às vezes, podemos alcançar, como Kieslowski.”

Documentário ‘Bikram: Yogi, Guru, Predador’ desconstrói imagem de guru da ioga acusado de assédio sexual

Bikram Choudhury, que prometia saúde e corpos perfeitos, virou mote de nova produção da Netflix
Fernanda Ezabella

Cena do documentário ‘Bikram: Yogi, Guru, Predador’

LOS ANGELES – Usando apenas uma sunga preta cavada e um relógio dourado Rolex, o indiano Bikram Choudhury conquistou Los Angeles nos anos 1970. Ele trazia a promessa de saúde e corpos perfeitos, pregando uma série de posições de ioga em um estúdio aquecido em altas temperaturas. Suas classes estavam sempre lotadas e seus alunos suavam em bicas.

Considerado um dos mais famosos iogues do mundo, Bikram chegou a ter mais de 1.500 estúdios com o seu nome em diversos países. Sua ascensão meteórica e sua queda em câmera lenta, ainda em processo, estão no documentário “Bikram: Yogi, Guru, Predador”, da Netflix.

Desde 2017, o indiano é considerado fugitivo nos Estados Unidos, onde foi condenado a pagar mais de US$ 7 milhões (cerca de R$ 29 milhões) para sua ex-assessora jurídica.

Ao fugir, ele se livrou também de acusações de estupro e assédio sexual de dezenas de ex-alunas. Ainda assim, segue dando aulas para professores de ioga mundo afora, em países como México e Espanha em meses recentes.

“Ele se safou”, disse a diretora australiana Eva Orner no AFI Fest, evento do American Film Institute em Los Angeles. “Um dos objetivos do filme é fazer com que as pessoas mudem o nome de seus estúdios de ioga e parem de fazer seus treinamentos e ir a suas aulas. Quem quer ser associado a um estuprador?”

O filme é feito com 60% de imagens de arquivo, muitas com Bikram em ação, de rabinho de cavalo e microfone sem fio, fazendo piadas graciosas ou politicamente incorretas.

Na década de 1990, ele lançou um programa de treinamento de US$ 10 mil (R$ 42 mil) para professores, em que todos os participantes, incluindo Bikram, ficavam hospedados num hotel por nove semanas. Foi quando começaram os abusos, segundo suas vítimas.

Orner, ganhadora do Oscar por produzir o documentário “Um Táxi para a Escuridão”, de 2007, disse que as filmagens de “Bikram” começaram antes da explosão do movimento MeToo e das acusações contra Harvey Weinstein, em 2017.

Acusados de assédio
“É preciso pôr em contexto, porque antes do MeToo as pessoas não eram solidárias. As vítimas de Bikram não eram famosas, não tinham uma plataforma. Elas perderam tudo, sua comunidade, seus amigos, seu emprego”, disse a diretora. “São as minhas heroínas.”

A primeira vítima de abuso sexual, Sarah Baughn, estava na sessão do filme e afirmou que ficou tão traumatizada que acabou internada. “Foi difícil entender que no fundo eu fazia parte de um culto”, disse Baughn.

O documentário lembra a série “Wild Wild Country”, além de outros casos de abuso na comunidade da ioga e curandeiros afins. “É um fenômeno estranho, esse do guru”, diz Orner. “Essas pessoas dão soluções aos seus alunos, seja curando uma doença, um vício ou trauma. Há adulação, eles são admirados e isso traz poder. Em situações assim, há espaço para abuso.”

A diretora não pratica ioga, mas para entender o universo fez diversas aulas de “ioga quente”, como foram rebatizados os estúdios que retiraram Bikram de seus nomes. “Preciso dizer que me senti fantástica, principalmente os meus joelhos e ombros, que estavam bem debilitados”, diz. “Mas depois de fazer o filme, não vou incorporar à minha vida.”

BIKRAM: YOGI, GURU, PREDADOR (EUA, 2019)
Onde Disponível na Netflix
Classificação 14 anos
Direção Eva Orner

A Vida Invisível: “filme tem uma missão social e ética de dar luz a essas mulheres silenciadas”

As atrizes Julia Stockler e Carol Duarte fazem suas estreias no cinema em A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, que busca uma vaga no Oscar 2020; Confira uma entrevista exclusiva com as protagonistas e com o diretor
CHANTAL SORDI

Julia usa vestido Atelier Le Lis. Carol, blazer Argalji + Discreta Estúdio (Foto: Marina Benzaquem)

As atrizes Carol Duarte e Julia Stockler não se conheciam antes de serem aprovadas para os papéis das irmãs Guida e Eurídice Gusmão no novo filme do diretor Karim Aïnouz, A Vida Invisível, que desde sua apresentação em Cannes, em maio, venceu a mostra Um Certo Olhar (sendo o primeiro brasileiro a levar o prêmio maior da competição paralela à oficial do festival francês) e já contabiliza mais de 14 vitórias em diferentes festivais, além de ter sido selecionado para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro.

Ambientado no Rio de Janeiro dos anos 50, A Vida Invisível (baseado no romance homônimo de Martha Batalha) estreia dia 21 no Brasil e retrata a vida das duas irmãs em meio a uma sociedade machista. Sempre unidas, elas compartilham sonhos e planos até que uma gravidez aos 18 anos faz comque Guida seja rejeitada pela família. Separadas, elas passam a vida tentando se reencontrar.

No elenco também estão Gregorio Duvivier, Bárbara Santos, Flavia Gusmão e Fernanda Montenegro. “Nós tivemos um mês para ficar loucas uma pela outra e fazer com que a ausência fosse muito presente”, conta Carol, em entrevista à Vogue. “A Nina (Kopko, diretora-assistente do longa) foi muito certeira na preparação, chegando até a entrevistar mulheres que viveram naquela época”, completa a atriz paulista, atualmente em cartaz em São Paulo com a peça As Siamesas – Talvez Eu Desmaie no Front. “Houve uma pesquisa grande sobre o período, mas era importante não imitar os jeitos das pessoas, e sim entender como estavam a situação política e o ambiente do Rio para o sexo feminino naquele momento”, recorda Carol, que faz um excelente trabalho ao representar uma mulher silenciada no ambiente privado, enquanto Julia, igualmente talentosa na pele de Guida, representa a opressão no âmbito público. “A Eurídice é sobre o não falar, sobre engolir e buscar formas de se expressar neste cenário do casamento, em que a violência é muito sutil e no filme isso se transparece de diversas formas”, explica.

Além das oito horas diárias de ensaios, realizados de segunda a sábado, Julia e Carol aprenderam a bordar, tiveram aulas de etiqueta, de grego e de piano. “O bordado foi pela época, mas também por ser uma técnica de concentração”, conta Julia. “Foi muito intenso, especialmente porque não sabia nada sobre a Carol e tivemos que construir essa relação de muito carinho e amor.” Para isso, as duas fizeram desde exercícios sensoriais até improvisações no set, onde ninguém podia usar celular e nem falar com elas, exceto os diretores. Lá, eram Eurídice e Guida. “Muitas vezes recebíamos a cena na noite anterior à filmagem, pois Karim não queria que cristalizássemos as palavras”, diz a atriz carioca, que agora vive Justina na novela Éramos Seis, na Rede Globo. “Também mantínhamos diários das personagens para criar as memórias e a falta”, completa Carol.

Carol Duarte (à esq.) usa top Andrea Bogosian para Ka Store e calça MSGM na NK Store. Julia veste camisa MSGM na NK Store (Foto: Marina Benzaquem)

“Fui me encantando com as duas”, revela Karim Aïnouz, que buscou no teatro o time de atores deste projeto. “O filme está sempre no limite do excesso da interpretação. Ele não tem um estilo naturalista clássico, então procurei mulheres jovens, mas que tivessem um repertório de interpretação teatral mais sólido e conhecessem bem o processo”, diz. Para a seleção, o diretor cearense realizou dois testes: um em que os atores descascavam batatas, “para entender seus limites de carisma”, depois, com os nomes pré-aprovados, outro com leituras de textos selecionados por ele. Julia se destacou logo de cara. “Acho que ela estava tão aflita de fazer aquilo (descascar batatas) que uma hora acendeu um cigarro, mas de um jeito tão verdadeiro, que pensei: quem é essa maluca desobedecendo o que pedi e fumando no meio do teste?”, recorda Aïnouz, aos risos. “Foi muito bonito, pois tinha muita genuinidade naquela ação”, elogia.

Enquanto Carol impressionou por seu tempo dramático e jeito misterioso – “você não sabe quem está ali ou o que ela está pensando, acho isso muito fascinante em uma atriz” –, com Julia a voltagem era mais alta. “Foi intenso. Ela fez várias versões do mesmo texto e tinha a questão do corpo, que era importante, então incluímos danças.”

Sempre se perguntando sobre o seu lugar de fala num projeto essencialmente feminino, Karim também cuidou para que as chefes de departamentos, como som e fotografia, fossem mulheres, originando uma equipe 90% feminina. “Desde que o Rodrigo Teixeira (produtor) me mostrou o livro, eu me questionava se tinha direito de contar essa história e, se pudesse, como faria isso, pois não queria, por exemplo, um homem pegando na coxa da Julia para colocar o microfone.” Além das questões práticas, era fundamental criar um campo magnético no ambiente de filmagem que não expusesse as atrizes e onde o diretor tivesse acesso a essa sensibilidade. “Queria outro clima, que não fosse o dos homens brincando com máquinas, como funciona geralmente nesses departamentos do cinema. Foi bonito gerar algo mais horizontal.”

O resultado geral é uma obra poética e cheia de afeto, rica em detalhes e na qual toda mulher (não importa idade, origem ou classe social) irá se identificar de alguma maneira. “Acredito que o filme tem uma missão social e ética de dar luz a essas mulheres silenciadas”, pondera Julia. “Falamos dos anos 50, mas isso ainda acontece.” Carol concorda: “Talvez eu nunca tivesse me aprofundado tanto em me perguntar o que elas poderiam ter sido, se tivessem tido outra escolha”, reflete. “Penso também no quanto elas abriram caminho para nós e como foram fortes em aguentar tudo isso.”

Para Karim, o pensamento é similar tanto pela temática feminista do longa-metragem, que em tempos de #metoo nunca foi tão importante ser discutida, mas também pela possibilidade de concorrer ao Oscar neste período conturbado pelo qual o cinema nacional está passando. “Quando soube que iríamos representar o Brasil na disputa, pensei na enorme responsabilidade, mas ao mesmo tempo gostei do desafio. Acho que é um momento para a gente se afirmar”, diz. “Esse é um projeto que começou na retomada do cinema nacional, com a criação da Ancine (em 2001), e estamos colhendo os frutos – o Brasil teve mais de dez filmes no Festival de Berlim, vitórias históricas em Cannes tanto com A Vida Invisível quanto com Bacurau. Porém, o terreno está sendo queimado justamente agora, então estou empenhadíssimo nessa questão do Oscar, não por razões narcísicas, mas por posicionamento.”

Styling: Marina Brum
Cabelo e maquiagem: Bárbara Vitória Carvalho
Produção de moda: Aline Swoboda
Assistente de fotografia: João Rios
Agradecimentos: Nayde Pinto

CINEMA I Estreias: A Vida Invisível, A Grande Mentira, Fogo Contra Fogo, Medo Profundo – O Segundo Ataque, Midway – Batalha em Alto Mar

‘A Vida Invisível’ e ‘A Grande Mentira’ estão entre as estreias da semana

Helen Mirren e Ian McKellen em ‘A Grande Mentira’ Divulgação

Bixa Travesty
Brasil, 2018. Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman. 76 min. 18 anos.
O Documentário acompanha a trajetória artística de Linn da Quebrada, cantora negra e transexual. Nascida na periferia de São Paulo, ela utiliza suas músicas para contestar estereótipos de gênero, raça e classe social.

Um Dia de Chuva em Nova York
A Rainy Day in New York. EUA, 2019. Direção: Woody Allen. Com: Timothée Chalamet, Elle Fanning, Selena Gomez, Diego Luna e Jude Law. 94 min. 14 anos.
Um jovem apaixonado por Nova York decide acompanhar sua namorada que viaja à cidade para entrevistar um diretor de cinema. Os planos do rapaz de apresentar a ela o melhor da cidade, porém, são cancelados à medida que a companheira mergulha nas confusas vidas das celebridades que conhece. Do mesmo diretor de “Café Society” (2016).

Fogo Contra Fogo
Kalushi – The Story of Solomon Mahlangu. África do Sul, 2016. Direção: Mandla Dube. Com: Thabo Rametsi, Thabo Malema e Pearl Thusi. 107 min. 16 anos.
Inspirado em fatos reais, o drama conta a história de um jovem vendedor que foi atraído para o movimento contra o apartheid (regime de segregação racial na África do Sul). Injustamente acusado de homicídio pela polícia, ele precisa provar sua inocência e lutar por sua vida.

A Grande Mentira
The Good Liar. EUA, 2019. Direção: Bill Condon. Com: Helen Mirren, Ian McKellen e Russell Tovey. 109 min. 16 anos.
Um golpista se aproxima de uma rica viúva que conheceu por meio um aplicativo de relacionamentos. Ele planejava apenas enganá-la para tomar seus bens, mas acaba desenvolvendo uma real conexão com ela. Adaptação de livro do escritor Nicholas Searle.

UMA – Luz do Himalaia
Brasil/Índia, 2018. Direção: Ananda Jyothi. 73 min. Livre.
O documentário acompanha fiéis de todo o mundo que vão à Índia para visitar o rio Ganges. Considerado sagrado no hinduísmo, ele é símbolo de purificação e de conhecimento para quem se sente perdido.

Mais que Vencedores
Overcomer. EUA, 2019. Direção: Alex Kendrick. Com: Alex Kendrick, Holly A. Morris e Ben Davies. 124 min. 12 anos.
O técnico de um time escolar de basquete é realocado e passa a treinar cross-country (corrida em terreno aberto). O desânimo com a mudança aumenta quando a única atleta inscrita para a modalidade é uma garota com asma.

Medo Profundo – O Segundo Ataque
47 Meters Down – The Next Chapter. EUA/Reino Unido, 2019. Direção: Johannes Roberts. Com: John Corbett, Nia Long e Sophie Nélisse. 91 min. 12 anos.
Um grupo de amigas faz uma viagem e decide mergulhar para explorar as ruínas de uma cidade submersa. Durante o passeio, elas descobrem que o local é habitado por tubarões assassinos.

Midway – Batalha em Alto Mar
Midway. China/EUA, 2019. Direção: Roland Emmerich. Com: Luke Evans, Patrick Wilson, Dennis Quaid, Nick Jonas e Woody Harrelson. 140 min. 14 anos.
Em 1942, meses após o ataque a Pearl Harbor, aviões e embarcações do Japão e dos Estados Unidos deflagraram o que ficou conhecido como a Batalha de Midway, no oceano Pacífico. Do mesmo diretor de “Independence Day” (1996).

O Reino Gelado: A Terra dos Espelhos
Snezhnaya Koroleva. Zazerkale. Rússia, 2018. Direção: Aleksey Tsitsilin e Robert Lence. 86 min. Livre.
Nesta animação, um rei encontra uma forma de banir a magia do mundo após quase perder sua família para os ataques da Rainha da Neve. Quando seu irmão é capturado pelo monarca, uma jovem tenta resgatá-lo.

A Vida Invisível
Brasil, 2019. Direção: Karim Aïnouz. Com: Carol Duarte, Júlia Stockler, Gregorio Duvivier e Fernanda Montenegro. 139 min. 16 anos.
No Rio de Janeiro dos anos 1950, duas irmãs acreditam, equivocadamente, que a outra leva a vida dos sonhos. Vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes e representante do Brasil no Oscar 2020 de filme internacional.

Julia Roberts já foi cotada para papel de heroína afro-americana da escravidão Harriet Tubman

Gregory Allen Howard, coautor do novo filme biográfico ‘Harriet’, fez a revelação em artigo que descreve sua longa jornada para trazer a história da escrava para o cinema
JILL SERJEANT – REUTERS

Julia Roberts e Harriet Tubman
Julia Roberts e Harriet Tubman Foto: Mario Anzuoni/ Reuters |Abrams Books/Library of Congress, via The New York Times

Um executivo de estúdio de cinema de Hollywood sugeriu uma vez que Julia Roberts poderia interpretar Harriet Tubman, a escrava do século 19 que é vista como um ícone afro-americano. Gregory Allen Howard, coautor do novo filme biográfico Harriet, estrelado por Cynthia Erivo, disse que a ideia foi lançada há 25 anos por um ex-executivo de estúdio de cinema.

“Imagine 1994: ‘Este é um ótimo roteiro. Vamos fazer Julia Roberts interpretar Harriet Tubman’ ‘, disse o então presidente de um estúdio menor”, escreveu Howard em um artigo para o Los Angeles Times nesta terça-feira, 19, descrevendo sua longa jornada para trazer a história de Tubman para a tela grande.

“Felizmente, havia uma única pessoa negra naquela reunião de estúdio há 25 anos que lhe disse que Harriet Tubman era uma mulher negra. O executivo respondeu: ‘Isso foi há tanto tempo. Ninguém vai saber disso'”, escreveu Howard no jornal em um texto na primeira pessoa. Ele não disse o nome do estúdio ou do executivo.

Harriet, que estreou nos cinemas dos EUA em 1º de novembro, é o primeiro grande filme sobre Tubman, que nasceu escrava no início do século XIX, em Maryland. Quando jovem, ela escapou da escravidão percorrendo quase 160 quilômetros através de florestas e campos. Ela então arriscou sua vida várias vezes para retornar a Maryland e levar dezenas de escravos à liberdade através de rotas clandestinas, conhecidas como ‘Underground Railroad’.

Cynthia Erivo chega no lançamento internacional de 'Harriet', filme biográfico em que interpreta Harriet Tubman
Cynthia Erivo chega no lançamento internacional de ‘Harriet’, filme biográfico em que interpreta Harriet Tubman Foto: Mark Blinch/ Reuters

Howard disse que nunca desistiu dos esforços para fazer o filme, mas disse que o clima em Hollywood só mudou após o filme 12 Anos de Escravidão vencedor de um Oscar de 2013 e a controvérsia #OscarsSoWhite em 2016, quando todos os 20 indicados foram brancos.

“Não é por acaso que Harriet entrou em produção nove meses após o lançamento de Pantera Negra“, acrescentou Howard. O filme de super-herói Pantera Negra, o primeiro da Marvel Comics a apresentar um elenco predominantemente negro, tornou-se o segundo filme de maior bilheteria de 2018, faturando 1,3 bilhão de dólares. A produção ganhou três Oscars e uma sequência foi anunciada para 2022.