Fernanda Young morre aos 49 anos

Amigo de Fernanda afirma que artista teve uma crise de asma seguida de uma parada cardíaca; sepultamento será às 16h15 em cemitério da Zona Sul de São Paulo

O sepultamento da atriz e roteirista será às 16h deste domingo, 25; causas da morte ainda não foram divulgadas Foto: Denise Andrade/ESTADÃO

A escritora, atriz e roteirista Fernanda Young morreu na madrugada deste domingo, 25, aos 49 anos. O estilista Rodrigo Rosner, um amigo próximo, afirmou que Fernanda teve uma crise de asma, seguida por uma parada cardíaca. De acordo com ele, não houve demora no atendimento. O velório da artista será às 13h na sala A do Cemitério de Congonhas, zona Sul de São Paulo. O sepultamento está marcado para as 16h15, no mesmo local.

Fernanda estava na companhia de uma amiga no sítio da família em Gonçalves (MG) quando passou mal. “Ela teve uma crise de asma seguida de uma parada cardíaca e faleceu”, explicou. Rosner lamentou a morte. “Ela era incrível, isso é o mais importante.” Segundo uma nota da Globo, ela morreu em decorrência de complicações respiratórias depois de uma crise de asma.

Fernanda foi roteirista de séries como Os Normais, Minha Nada Mole Vida e Como Aproveitar o Fim do Fundo. Em entrevista ao Estado, a artista falou sobre a série Shippados, que estreou na TV Globo em 18 de junho. O roteiro foi escrito por ela em parceria com Alexandre Machado. “Queremos mostrar o que se passa nesses novos tempos e não simplesmente fazer piadas sobre relacionamento”, afirmou à época das gravações.

 “Quando a paixão surge, agora? Quando dá um match? Não sei. O fato é que essa é uma mudança irreversível, então os seres humanos vão se adaptar a ela, como já se adaptaram a diversas outras. Algo se perde? Provavelmente. Algo se ganha? Talvez, ainda é cedo para dizer. Pode ser que os relacionamentos pós-redes sejam mais sinceros, pois não há mais como se ter segredos, acabou a privacidade. No fim das contas, o amor prevalece e sobrevive, apesar todas as mudanças que o mundo sofreu. As pessoas querem o amor, não importa de qual maneira ele venha”, disse Fernanda ao Estado em fevereiro.

Nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1970, Fernanda estreou como roteirista na Globo em 1995, com a série A Comédia da Vida Privada, baseada em textos de Luis Fernando Verissimo, que assinou com o marido Alexandre Machado, seu parceiro em todos os trabalhos na TV. No ano seguinte, ela publicaria seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, o início de uma carreira de sucesso na literatura que teria ainda mais 13 títulos.

Em 2001, veio um dos maiores sucessos da comédia da televisão brasileira: Os Normais, série estrelada por Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães, que ficou no ar até 2003 e ganhou dois longa-metragens. 

Young foi indicada duas vezes ao prêmio de Melhor Comédia do Emmy Internacional, por Separação?! e Como Aproveitar o Fim do Mundo

Young entraria em cartaz no próximo dia 12 com a peça Ainda Nada de Novo, contracenando com Fernanda Nobre no Centro Cultural São Paulo. O enredo conta a história de um casal lésbico prestes a filmar um filme — as personagens são uma diretora e sua atriz principal. 

Ela deixa deixa o marido Alexandre Machado e quatro filhos: as gêmeas Cecília Maddona e Estela May, de 19 anos, Catarina Lakshimi, de 10 anos, e John Gopala, também de 10 anos. 

Repercussão da morte de Fernanda Young

No perfil oficial da artista no Instagram, fãs lamentaram a morte. “Obrigada por vc ter existido em nossas vidas, com seu enriquecedor trabalho!”, afirmou um deles. “Estou sem acreditar!!!!! Tenha Luz, como sempre”, escreveu outro.

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Disney divulga primeira imagem de Emma Stone como Cruella

Atriz dará vida à vilã no spin-off ‘Cruella’, que é baseado em ‘101 Dálmatas’ e chegará aos cinemas em 2021

Foi revelada neste sábado (24), durante a D23, a primeira imagem oficial de Emma Stone como a personagem Cruella De Vil.

Cruella de Vil vai ganhar um filme só dela com Emma Stone dando vida à vilã de 101 Dálmatas. Neste sábado, 24, a Disney divulgou a primeira imagem da atriz caracterizada como a personagem.

A divulgação ocorreu durante o D23 Expo, evento destinado aos produtos da empresa e que foi realizado em Anaheim, na Califórnia, neste fim de semana.

“Aqui está sua primeira visão de Emma Stone como Cruella de Vil em Cruella da Disney”, disse a companhia ao compartilhar a foto no Instagram.

Na imagem, Emma aparece com o característico cabelo metade branco e metade preto, segurando as coleiras de três cachorros dálmatas.

O filme, que também é estrelado por Emma Thompson, Paul Walter Hauser e Joel Fry, chega aos cinemas em 28 de maio de 2021. Em uma mensagem de vídeo exibida durante o D23, Emma Stone brincou que o spin-off tem uma vibe “punk rock” e se passa em Londres na década de 1970.

Bilheteria EUA: Invasão ao Serviço Secreto, Bons Meninos, Overcomer, O Rei Leão, Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw

Invasão ao Serviço Secreto supera expectativas e estreia em primeiro

Gerard Butler e Jada Pinkett Smith na estreia do filme “Invasão ao Serviço Secreto” (“Angel Has Fallen”) em Los Angeles, Califórnia, EUA, 20/08/2019. REUTERS/Mario Anzuoni

Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen), terceiro longa da série estrelada por Gerard Butler iniciada com Invasão a Casa Branca (2013), estreou em primeiro lugar nos EUA, superando as expectativas da Lionsgate com US$ 21,25 milhões em três dias de exibição. 

Bons Meninos, comédia para maiores protagonizada por três crianças, ficou com a segunda posição com US$ 11,75 milhões, chegando a um total de US$ 42 milhões arrecadados para um orçamento de 20 milhões. 

A terceira posição ficou com o drama religioso esportivo Overcomer, que somou US$ 8,2 milhões na sua estreia. O Rei Leão ficou em quarto com US$ 8.15 e total de US$ 510.635. Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw ficou em quinto com US$8.14 e total de US$ 147.7

Ready or Not, a outra novidade da semana, ficou com a sexta posição, chegando a uma arrecadação de US$ 7,6 milhões. 

D23 Expo: Série sobre Obi-wan Kenobi e ‘Ms. Marvel’ vão estar no Disney+

No Brasil, o serviço chega em 2020 incluindo conteúdos criados e produzidos na América Latina
Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

Visitantes na D23 Expo, no estande do Disney+  Foto: Robyn Beck / AFP

ANAHEIM – A Disney mostrou prévias e divulgou novidades do seu serviço de streaming, Disney+, num painel estrelado na tarde de sexta, 23, em Anaheim, na Califórnia, no primeiro dia da D23 Expo.

Entre os principais destaques estão três novas séries da Marvel, Ms. MarvelMoonknight e She Hulk, e a confirmação da série com Obi Wan Kenobi, ainda sem título. Nos Estados Unidos, o Disney+, que aquece a guerra do streaming, será lançado em 12 de novembro.

No Brasil, o serviço chega em 2020 incluindo conteúdos criados e produzidos na América Latina. O serviço conta com cinco canais – Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic – e conta ainda com as 30 temporadas de Os Simpsons.  

Marvel

Presidente dos Estúdios Marvel, Kevin Feige anunciou mais três séries da companhia: Ms. Marvel, cuja protagonista é adolescente muçulmana Kamela Khan, Moon Knight (no Brasil, “O Cavaleiro da Lua”), com o vingador Marc Spector, e She-Hulk. Todas fazem parte da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel. 

A plateia da D23 Expo foi à loucura com cenas da série de animação What If…, que usa eventos e personagens do Universo Cinematográfico Marvel e imagina o que aconteceria se uma mudança de certos acontecimentos tivessem causado mudanças nas histórias. A atriz Hayley Atwell subiu ao palco porque sua Peggy Carter está de volta. “Agradeço muito aos fãs, é por conta deles que estou aqui”, disse. 

Feige também falou de séries previamente anunciadas. Loki revela os passos do irmão de Thor depois de ele pegar o Tesseract no fim de Vingadores: UltimatoO Falcão e o Soldado Invernal lida com o passado e as consequências de Ultimato para os personagens de Anthony Mackie e Sebastian Stan. Daniel Brühl volta como o vilão, e a Sharon Carter de Emily Vancamp também retorna.

WandaVision, com a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany), é uma mistura de sitcom clássica com aventura épica típica do Universo Cinematográfico Marvel. O tom é inspirado pelo Dick Van Dyke Show, série dos anos 1960, uma proposta intrigante.  

Interface do Disney+  Foto: Robyn Beck / AFP

Star Wars

Jon Favreau levou ao palco parte do elenco da série The Mandalorian: Pedro Pascal, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Carl Weathers e Taika Waititi, diretor de Thor: Ragnarok. Favreau descreveu a série, que se passa depois de O Retorno de Jedi, depois da queda do Império e antes do surgimento da Primeira Ordem, como uma espécie de western em que não existe governo central. “É um lugar perigoso”, disse. Em seguida, apresentou o trailer da série, que tem um clima meio pós-apocalíptico.

Trailer The Mandalorian:

Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, anunciou oficialmente a série sobre Obi-Wan Kenobi, que vai trazer Ewan McGregor de volta ao personagem. “É tão bom finalmente poder confirmar, depois de quatro anos desconversando”, disse o ator. Kennedy também confirmou novos episódios de Star Wars: The Clone Wars e conversou com Diego Luna e Alan Tudyk, que reprisam os papeis de Cassian Andor e K-2SO, de Rogue One: Uma História Star Wars, que ela definiu como uma série sobre espionagem. 

Disney

Quinze anos mais tarde, Hilary Duff volta ao papel que a consagrou na série Lizzie McGuire, de Terri Minsky. A adolescente cresceu e tem a vida perfeita aos 30 anos, mas sua mente continua tão ativa quanto antes.  

Os Muppets também estão de volta em Muppets Now, sua primeira “série não-roteirizada”. 

D23 Expo também mostrou o trailer do remake da clássica animação A Dama e o Vagabundo, feita com cachorros de verdade, quase todos resgatados, e vozes de Justin Theroux e Tessa Thompson. 

Trailer de A Dama e o Vagabundo

A divulgação incluiu ainda várias séries – High School Musical. The Musical. The Series – e filmes – Noelle, sobre a filha do Papai Noel, vivida por Anna Kendrick, e o adorável Timmy Failure: Mistakes Were Made, dirigido por Tom McCarthy (do vencedor do Oscar Spotlight: Segredos Revelados). 

Trailer de High School

Pixar

Sensação de Toy Story 4, Garfinho vai ganhar sua série própria. Em Forky Asks a Question, o personagem recém-nascido investiga mistérios da vida, como “O que é dinheiro?”. 

Em Monsters at Work, Tylor é um monstro recém-formado que topa com mudanças em sua área de atuação. 

National Geographic

Em The World According to Jeff Goldblum, série em 12 episódios, o ator investiga as coisas que mais o intrigam – do sorvete a tênis e tatuagem. 

Confira onde ver filmes com Elizabeth Taylor

Vencedora de dois Oscar, foi a 1ª a ter contrato milionário

Elizabeth Taylor em “De Repente, No Último Verão”, em 1959. Foto: Reuters

Elizabeth Taylor foi uma das grandes atrizes de Hollywood, figurando entre as dez maiores lendas femininas do cinema, segundo o American Film Institute. Vencedora de dois Oscar, ficou conhecida pelos olhos cor violeta, pelas grandes interpretações e pelo ativismo em campanhas de prevenção ao HIV.

Começou a carreira nos anos 1940, como atriz infantil. Na década seguinte, se firmaria como estrela em Hollywood ao participar de obras que se tornaram clássicas. Entre elas está “Assim Caminha a Humanidade”, um de seus principais filmes, de 1956. Elizabeth interpreta a mulher de um rancheiro rico do Texas, vivido por Rock Hudson. Ela é uma jovem refinada, que tem de se adaptar a um ambiente estranho.

A isso soma-se um jovem ambicioso, interpretado por James Dean, em uma eterna rivalidade com o personagem de Hudson.”Gata em Teto de Zinco Quente” é do mesmo período e deu a Elizabeth a indicação a melhor atriz no Oscar (foram três indicações no total, também por “De Repente, no Último Verão” e por “Árvore da Vida”).

O filme é uma adaptação de peça homônima de Tennessee Williams. A atriz e Paul Newman interpretam um casal que vai a uma reunião familiar no sul-americano. Ele é Brick, um ex-jogador de futebol alcoólatra que rejeita a mulher, Elizabeth. Em meio a isso, há a disputa pela futura herança do pai de Brick, a cobrança pelo casal não ter filhos e o fato de Brick ser homossexual.

O primeiro Oscar de Elizabeth viria por “Disque Butterfield 8”, pela interpretação da prostituta que se apaixona por um homem rico e casado. O número do título corresponde à central telefônica de onde a personagem vive, em Manhattan.

Após o prêmio, ela se tornou a atriz mais bem paga de Hollywood ao assinar um contrato milionário para estrelar a personagem título de “Cleópatra”, filme mais caro da história até então. A produção passou por problemas como troca de diretores, refilmagens, falta de roteiro e rumores sobre a relação entre Elizabeth e Richard Burton, intérprete de Marco Antônio, com quem se casaria logo depois.

A atriz dividiu a tela com Burton em outras ocasiões. Em uma delas, no filme “Quem Tem Medo de Virgínia Wolf”, ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz. Eles fazem um casal de intelectuais de meia idade que acolhe um jovem casal, em uma noite regada a álcool e revelações. Depois, Elizabeth e Burton ainda fariam juntos “A Megera Domada”.​

ONDE VER

GATA EM TETO  DE ZINCO QUENTE,  Google Play: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 20,90 (compra)iTunes: R$ 7,90 (aluguel)  e R$ 19,90 (compra)americanas.com.br: DVD  por R$ 12,90NOW:”‚ R$ 6,90  Cleópatra,  Google Play: R$ 11,90 (aluguel) e R$ 24,90 (compra)iTunes: R$ 9,90 (aluguel)  e R$ 29,90 (compra)Microsoft Store: R$ 3,90  (aluguel) e R$ 29,90 (compra) americanas: DVD a partir de 19,90NOW:”‚ R$ 6,90  

ASSIM CAMINHA  A HUMANIDADE,  Google Play: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 20,90 (compra)iTunes: R$ 4,90 (aluguel)  e R$ 19,90 (compra)NOW:”‚ R$ 6,90  

DISQUE BUTTERFIELD 8,  iTunes: R$ 7,90 (aluguel)  e R$ 19,90 (compra) americanas.com.br: DVD  a partir de R$ 12,90  

DE REPENTE, NO  ÚLTIMO VERÃO,  Google Play: R$ 5,90 (aluguel) e R$ 15,90 (compra) americanas.com.br: DVD  por R$ 45  

QUEM TEM MEDO  DE VIRGÍNIA WOLF,  iTunes: R$ 7,90 (aluguel)  e R$ 19,90 (compra)  

A MEGERA DOMADA,  iTunes: R$ 9,90 (aluguel)  e R$ 24,90 (compra) americanas.com.br: DVD por R$ 11,89

‘Desmontando bonecas quebradas’: crítica

Peça fica em cartaz até domingo no Centro Cultural Justiça Federal
Patrick Pessoa

‘Desmontando bonecas quebradas’ Foto: Divulgação/ Daniel Dias da Silva

Bel Hooks, teórica e militante feminista negra, escreveu que “pessoas negras sempre vivem com a possibilidade de serem aterrorizadas pela branquitude”, fazendo a associação da branquitude com o terror. “Essa violência apavorante, no entanto, é na maior parte das vezes exercida de maneiras sutil”, complementa Grada Kilomba em seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”. O modo como essas duas pensadoras negras compreendem a violência é a espinha dorsal de “Desmontando bonecas quebradas”, perturbador experimento de teatro documentário.

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Sozinha em cena sob a direção de Ysmaille Ferreira, a performer e dramaturga Luciana Mitkiewicz combina documentos históricos (vídeos e canções), personagens ficcionais (baseadas nas vítimas reais), reflexões metateatrais (“o que pode o teatro contra tamanha violência?”) e depoimentos autobiográficos para discutir a interminável série de brutais feminicídios ocorridos em Ciudad Juarez, no México. De 1993 até hoje, dezenas de mulheres jovens e pobres, em geral de ascendência indígena e trabalhadoras das “maquiladoras” (fábricas comandadas pelo capital estrangeiro branco que pagam salários miseráveis) vêm sendo sequestradas, torturadas, estupradas e assassinadas. Em seguida, seus cadáveres são mutilados e quase sempre “desaparecidos”.

Nos quase 30 anos desse filme de terror, os verdadeiros autores dos crimes permanecem impunes, o Estado guarda um “silêncio sorridente” e as vítimas é que acabam sendo culpabilizadas por serem imprudentes (ou impudentes) demais. Ao citar crimes análogos ocorridos no Brasil e uma série de canções misóginas, a dramaturga nos lembra que “o México é aqui”.

Nas duas cenas que concentram o sumo da denúncia feita pelo trabalho, o espectador é confrontado com uma escolha impossível. Na primeira, tendo a projeção de suas fotos ao fundo, Lilia Alejandra, 13 anos, uma das meninas assassinadas, diz: “Era dia 14 de fevereiro de 2001, dia dos namorados, quando me sequestraram. Eu estava muito feliz naquele dia porque eu tinha feito quase 200 pesos depois de trabalhar por 16 horas. Fui encontrada morta 7 dias depois”. Na segunda, a dramaturgia imagina o que teria acontecido caso ela não tivesse sido assassinada. “Meu nome é Lilia Alejandra. Eu tenho 17 anos. Minha vida é a maquila, porque eu tive dois filhos. Eu ganho em média 80 pesos por dia, que equivalem a R$ 16. Quando eu volto para casa, dou banho nas crianças, faço o jantar, elas comem e vão dormir. No final do dia, minhas mãos doem”.

Ao contrapor essas duas imagens aterrorizantes, a desmontagem da ilusão ideológica operada por “Desmontando bonecas quebradas” revela que, sob a máscara desse terror aparentemente excepcional contra a mulher, habita um terror cotidiano e invisível apenas na medida em que é considerado normal ou inevitável: o terror do sistema capitalista de produção.

Ressoa a pergunta: por que, hoje, imaginar o fim do mundo é mais fácil do que imaginar o fim do capitalismo? 

Centro Cultural Justiça Federal: Av. Rio Branco 241, Centro — 3261-2550. Sex a dom, às 19h. R$ 40. 50 minutos. Não recomendado para menores de 16 anos. Até 25 de agosto.

K-Pop leva jovens norte-coreanos a desertar

Músicas e filmes sul-coreanos e ocidentais têm provocado desilusão com o regime norte-coreano
Simon Denyer e Min Joo-kim, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

A norte-coreana Ryu Hee-jin faz aulas de dança em Seul Foto: The Washington Post / Jean Chung

Quando menina, Ryu Hee-jin cantava canções patrióticas exaltando o caráter, a coragem e a bondade do então líder norte-coreano, Kim Jong-il. Aí ela ouviu música pop americana e sul-coreana.

“Quando você ouve música norte-coreana, não se emociona, mas quando ouve música americana ou sul-coreana você se arrepia. As letras são acessíveis, têm frescor. Ao ouvir essas músicas, a expressão facial das crianças simplesmente muda”, disse.

A música ocidental ajudou a abrir uma brecha na Cortina de Ferro. Jovens soviéticos ouviam gravações clandestinas dos Beatles. Em 1987, a juventude de Berlim Oriental se reunia junto ao Muro para ouvir David Bowie e sua emotiva interpretação de Heroes no lado ocidental da cidade dividida. 

Hoje, há evidências de que o pop sul-coreano está tendo um papel semelhante em solapar sutilmente a propaganda do regime da Coreia do Norte. Cada vez mais, desertores do Norte citam a música como um dos fatores que os desiludiram de seu governo, segundo Lee Kwang-baek, presidente do Grupo de Mídia pela Unificação (UMG), da Coreia do Sul. 

A tendência, alimentada pelo número cada vez maior de celulares da Coreia do Norte e pelo comércio fronteiriço com a China, provocou uma nova onda repressora de Pyongyang no ano passado, segundo reportagens do Daily NK, um serviço informativo operado por desertores e com forte penetração no Norte. A repressão seguiu-se à ameaça de Kim Jong-un de “esmagar a cultura burguesa reacionária”. 

Uma pesquisa da UMG com 200 desertores recentes, divulgada em junho, concluiu que mais de 90% deles tinham assistido a filmes, visto televisão e ouvido música do exterior na Coreia do Norte; três quartos conheciam alguém que havia sido punido por isso; e mais de 70% disseram que ficou mais perigoso acessar a mídia estrangeira desde que Kim Jong-un assumiu o poder, em 2011. 

Ryu é uma dos muitos desertores que dizem que o pop do Sul e a música popular ocidental abriram seus olhos, convencendo-os de que a Coreia do Norte não é o paraíso que supostamente deveria ser e suas melhores perspectivas estavam no exterior.

Em seu quarto em Pyongyang, a capital norte-coreana, Ryu às vezes passava a noite acordada vendo repetidamente o mesmo vídeo – escondida, por medo da polícia. “Éramos sempre ensinados que os americanos eram lobos e os sul-coreanos suas marionetes”, disse. “Mas quando vemos e ouvimos a arte ocidental, simplesmente temos de admirá-la.” Ela cita Celine Dion, o violinista britânico Nigel Kennedy e a banda irlandesa Westlife, assim como as bandas K-POP TVXQ, Girls Generation e T-Ara. 

Nascida numa família amante da música, Ryu tocava gayageum, instrumento coreano tradicional de cordas semelhante à cítara, numa escola de artes de Pyongyang. Após um período na equipe nacional de nado sincronizado, seguiu-se um emprego de garçonete no sul da Europa. Ali, ela passava as noites em clubes, dançando Gangnam Style com colegas de trabalho e amigos sul-coreanos. Em 2015, aos 23 anos, ela desertou para a Coreia do Sul. 

Ex-desertores da Coreia do Norte que vivem na Coreia do Sul compreenderam há muito o poder das notícias e da cultura estrangeira em contrabalançar a propaganda do regime. 

Projetos como ‘Pen Drives para a Liberdade’ contrabandeiam USB carregados com filmes de Hollywood e programas de TV americanos, assim como dramas sul-coreanos e vídeos de música. Voz da América, Radio Free Asia, Serviço Mundial da BBC e rádios dirigidas por desertores divulgam na Coreia do Norte programas em coreano – principalmente noticiários, mas também programas musicais. Mas montar empresas privadas pode ser o veículo de mudanças mais poderoso, com vídeos trazidos em massa por comerciantes que vão e voltam da China

Os riscos para espectadores e ouvintes são reais, com uma unidade especial da polícia e serviços de segurança conhecida como ‘Grupo 109’ que não dá trégua à repressão. Mesmo menores de idade, quando são pegos com material proibido, podem ser condenados a penas de 6 meses a 1 ano de treinamento ideológico num campo de reeducação – a menos que os pais possam comprar sua liberdade subornando funcionários. Pelo mesmo crime, adultos estão sujeitos a uma pena perpétua de trabalhos forçados ou, se se tratar de material mais secreto, até a execução. 

Não são apenas melodias e letras que podem ser consideradas perigosas, mas também as roupas e os penteados dos artistas. 

“Eu gostaria de tingir os cabelos e usar minissaia e jeans”, disse Kang Na-ra, de 22 anos. “Mas uma vez fui de jeans ao mercado e me mandaram tirar. Os jeans foram queimados na minha frente.”

Kang, que cantava numa escola secundária em Pyongyang, desertou em 2014 para poder se expressar livremente. Ela tentou cantar K-Pop, mas disse que os estilos são muito diferentes. Hoje, tem uma carreira de sucesso como apresentadora de TV e atriz, representando norte-coreanas em filmes sul-coreanos.

Han Song-ee tinha 10 anos quando assistiu a um vídeo da banda sul-coreana de garotas Baby V.O.X cantando em um “Concerto pela Unificação” em Pyongyang, em 2003, para uma plateia de figurões comicamente impassíveis. “No começo, fiquei chocada ao ver aquela banda de ‘vândalos capitalistas’, mas quando ouvi sua música, me senti totalmente envolvida”, disse.

Logo estava fisgada.

Ela e as amigas começaram a usar as calças coloridas popularizadas pela banda sul-coreana Girl’s Generation, mas apenas em seu bairro, não no centro da cidade. Han desertou em 2013 e hoje é uma conhecida blogueira em Seul, aparecendo também no rádio e televisão. 

Líderes norte-coreanos têm impulsos contraditórios quando se trata do Sul, adotando um discurso de reunificação coreana ao mesmo tempo em que desencorajam manifestações culturais do país vizinho em casa. 

No ano passado, Kim Jong-un assistiu a um show musical em Pyongyang com antigas divas da música, roqueiros e música pop sul-coreana, incluindo uma banda modernista feminina chamada Red Velvet. O concerto foi divulgado na íntegra na Coreia do Sul, mas apenas trechos foram mostrados nos noticiários do Norte.

Segundo uma mulher na casa dos 20 anos que desertou no ano passado, “Kim aplaudiu e aparentemente curtiu o show, mas os norte-coreanos só puderam assistir, escondidos, a cópias contrabandeadas, pois consumir música sul-coreana ainda é um crime que pode dar prisão. 

Após desertar, Ryu viu na TV sul-coreana um documentário mostrando que Kim Jong-il, pai do atual líder da Coreia do Norte, era fã do cinema e dos programas de TV sul-coreanos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ