As primeiras imagens de Susan Sarandon e Jessica Lange em “Feud”

feud 2-22.jpgCapa da Entertainment sobre a série ‘Feud’ (Foto: Divulgação)


A revista “Entertainment Weekly” mostra as primeiras imagens de Susan Sarandon e Jessica Lange na pele das atrizes Bette Davis e Joan Crawford, cuja rivalidade será o foco da série “Feud”.

São duas das atrizes mais bem-sucedidas e populares da sua geração, somam anos de carreira e prémios da crítica uns atrás dos outros, e estão, atualmente, de mãos dadas no mesmo projeto televisivo. “Feud”, a nova série antológica criada por Ryan Murphy, conta com as veteranas Susan Sarandon e Jessica Lange como protagonistas, na pele de Bette Davis e Joan Crawford, respetivamente.

A trama norte-americana, cuja primeira temporada se estreia a 5 de março nos EUA, no canal FX [ainda não existe uma estação ou data definidas para Portugal], vai retratar a intensa rivalidade entre estas duas atrizes, duas das maiores divas de Hollywood durante as décadas de 30 e 40.

Em contagem decrescente para a estreia, a revista “Entertainment Weekly” revela as primeiras imagens oficiais da série de drama, nas quais surgem as duas veteranas atrizes na pele das suas personagens.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ryan Murphy, de resto, está a viver uma das melhores fases da sua carreira. Depois de êxitos como “Glee”, “Nip/Tuck” ou “American Horror Story”, o seu projeto “O Caso de O.J.: American Crime Story” tem arrebatado a crítica e ganhou vários prémios Emmy, no ano passado, e Globos de Ouro, na mais recente edição, este mês.

Anúncios

Lily Collins revela em entrevista que lutou contra anorexia na adolescência

 

lilly a9e3d689f24c705feab6bb591a197497.jpgPara Lily Collins, a arte imitou a vida real. Como protagonista do filme “To The Bone”, que estreou no Festival de Cinema de Sundance, a atriz de 27 anos interpreta um mulher em busca de tratamento para anorexia, uma batalha que ela também travou em sua vida pessoal.

“Esse definitivamente foi um papel mais dramático para mim. Eu sofri com distúrbios alimentares quando era adolescente também”, revelou ela em uma entrevista em vídeo para o IMDB durante o festival de cinema.

Apesar da atriz ter emagrecido para o papel – com o acompanhamento de um nutricionista, claro – as emoções envolvidas no processo a fizeram reviver seu próprio passado. “Me fez voltar emocionalmente àquele ponto, mas de uma forma que fosse o mais segura e saudável o possível, com uma nutricionista. Então definitivamente foi um tipo diferente de filme para mim, muito, muito pessoal”, disse.

Em suas redes sociais, Collins mais uma vez abordou o tema. “Me sentindo livre. Que grande momento esse é para mim. Assumindo meu passado, sendo livre, e não tendo nenhum tipo de vergonha ou arrependimento pelas minhas experiências. Dividir a minha história em relação aos transtornos alimentares e o quão pessoal esse filme é para mim tem sido uma das experiências mais gratificantes da minha vida”, afirmou. [Victor Hugo Camara]

Bilheteria EUA: Fragmentado, xXx: Reativado, Estrelas Além do Tempo, Sing, La La Land

photo_3321_8740248Fragmentado (Split), novo longa de M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido, Sinais, A Visita), surpreendeu e desbancou favoritos em sua estreia nos Estados Unidos. O longa arrecadou US$ 40,2 milhões em mais de 3 mil salas no país e ficou em primeiro lugar no fim de semana.

No longa, seguimos um homem chamado Kevin, interpretado por James McAvoy (X-Men: Apocalipse) que tem impressionantes 24 personalidades. No filme, Kevin já compartilhou 23 destas personalidades com sua terapeuta, vivida no filme por Betty Bucley (Oz) mas que tem uma 24ª e ela é extremamente perigosa, ao ponto que convence ele a sequestrar três adolescentes e mantê-las no seu porão. As meninas, então, lutam para sobreviver.

O filme estreia em 23 de março no Brasil.

xXx: Reativado, novo filme da franquia Triplo X, ficou com o segundo lugar. O longa estrelado por Vin Diesel estreou com US$ 20 milhões.

O longa tem D.J. Caruso (Paranoia, Eu Sou Número Quatro) na direção e roteiro de Michael Ferris e John Brancato. Além de Vin Diesel e Ariadna Gutiérrez, a Miss Colômbia, o elenco conta ainda com Donnie YenNina Dobrev, Ruby RoseToni ColletteTony JaaDeepika Padukone, Samuel L. Jackson, o futebolista brasileiro Neymar e o lutador de UFC Conor McGregor.

xXx: Reativado já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) ficou em terceiro lugarForam mais US$ 16,3 milhões arrecadados no fim de semana, chegando a um total de US$ 84,2 milhões somados em cinco semanas em cartaz.

O longa adapta o livro Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win the Space Race e conta a história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), uma matemática que, junto com suas amigas, foram o cérebro por trás de uma das maiores operações dos EUA – o lançamento do astronauta John Glenn em órbita e seu retorno em segurança. Octavia Spencer e Janelle Monáe completam o elenco principal, que tem ainda Kirsten DunstKevin Costner e Jim Parsons.

O lançamento no Brasil é previsto para 02 de fevereiro de 2017.

A quarta posição ficou com Sing – Quem Canta Seus Males Espanta, que arrecadou mais US$ 8,6 milhões e já passa de US$ 248 milhões na bilheteria dos EUA. Sing já está em cartaz no Brasil.

Impulsionado pela temporada de prêmios, La La Land – Cantando Estações fecha o top 5 arrecadando US$ 8 milhões e chegando a um total de US$ 89 milhões nas bilheterias.

O longa explora uma versão contemporânea do sonho de fazer sucesso em Los Angeles. Focando no romance entre uma aspirante à atriz (Emma Stone) e um pianista (Ryan Gosling), a ideia é passar uma noção mais real de quem são as pessoas que vão à cidade para tentar dar certo no showbusiness. J.K. Simmons, Jessica Rothe, Sonoya Mizuno e Callie Hernandez completam o elenco. Damien Chazelle, de Whiplash: Em Busca da Perfeição, é o diretor. O lançamento está previsto no Brasil para 19 de janeiro.

Rogue One: Uma História Star Wars ultrapassa US$ 1 bilhão em bilheteria

rogue-636124058230268864-an1-148562rRogue One – Uma História Star Wars cruzou a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria neste domingo (22). A informação é do Hollywood Reporter.

O filme arrecadou US$ 512,2 milhões nos Estados Unidos e US$ 449,1 internacionalmente, acumulando um total de US$ 1,011 bilhão. O longa atingiu a marca após 39 dias em cartaz.

Com a notícia, a Disney foi o único estúdio a emplacar filmes com US$ 1 bilhão de bilheteria em 2016. Além de Rogue One, também alcançaram a marca Capitão América: Guerra CivilZootopia Procurando Dory.

O longa é o vigésimo oitavo a alcançar a marca na história do cinema, sem contar a inflação.

Rogue One estreou no Brasil em 15 de dezembro de 2016.

Celine Dion anuncia música inédita para o filme ‘A Bela e a Fera’

celine dfama.jpg

A cantora Celine Dion, 48 anos, anunciou nesta sexta-feira (20) em suas redes sociais que está gravando uma nova canção para A Bela e a Fera – versão live action do desenho da Disney, com estreia marcada para março no Brasil, que tem Emma Watson no papel principal.

Na versão animada, de 1991, a música tema do desenho era interpretada pela cantora com Peabo Bryson.

Na nova versão, quem cantará a canção principal será Ariana Grande e John Legend, enquanto Dion promete uma inédita.

“Estou entusiasmada em anunciar que irei interpretar a nova canção How Does a Moment Last Forever, para A Bela e Fera“, escreveu em sua conta no Instagram. “Fazer parte do filme original foi uma experiência mágica e estou realmente honrada em fazer parte disso novamente”.Relembre a primeira canção no vídeo abaixo:

Banda queridinha de Hedi Slimane, Cherry Glazerr lança novo disco

cherry-glazerr© Cortesia Secretly Canadian
Se você se lembra bem do desfile de inverno 2015 da Saint Laurent, aquele dos “vestidos couture John Baldessari”, você deve conhecer a banda Cherry Glazerr. Hedi Slimane escolheu o trio de youngsters de Los Angeles para compor uma música especialmente para a ocasião. O resultado foi “Had Ten Dollaz”, rock de garagem que rolou ao vivo e em loop durante todos os quinze minutos de desfile. Também assinaram a trilha de Dance, primeiro vídeo que o designer realizou na maison.

Em nova formação, a banda lança hoje seu terceiro disco, Apocalipstick. Um trabalho mais maduro, mas com a veia DIY de pós-punk e riot grrrl que conquistou Slimane ainda pulsando forte.

À frente da banda está Clementine Creevy, garota ensolarada e espontânea que incorpora bem o espírito da geração millenial multifacetada. Depois de colaborar com a Saint Laurent enquanto estava ainda no colégio, hoje, aos 19, ela faz ponta na série Transparent, vira e mexe aparece nas fotos de Petra Collins, descreve sua estética como “couro preto neo-grunge” e escreve músicas que retratam bem a confusão da juventude – profundas, bobas ou venenosas. “Os músicos de rock de garagem com quem eu cresci tocando compartilhavam uma mentalidade que vai contra a ideia sanitizada de cultura pop, o que me faz lembrar da essência do movimento punk”, declarou recentemente. “Não quero algo limpo. Quero coisas reais, sujas, honestas e confusas porque é assim que eu sou.”1173366.jpg
Creevy na campanha SS16 da label Emma Mulholland ©Reprodução


Não à toa, Creevy é também garota-propaganda da coleção Heartthrobs da label australiana Emma Mulholland, inspirada por zines radicais e bandas de garotas dos anos 1990. As fotos foram convenientemente feitas em LA, berço e parte da identidade da banda. “A gente é uma banda muito LA [risos]. Eu cresci aqui, fiz colegial aqui, então, a energia da cidade é quase subconsciente”. [FFW]

“La La Land”, um musical entre sonho e realidade

la-la-land-cover-ryan-gosling-emma-stone.jpgFavorito na temporada de premiações, filme dirigido por Damien Chazelle busca resgatar a magia dos musicais sem perder de vista as ambições de seus protagonistas

⚠️ AVISO: Contém spoilers

“La La Land: Cantando Estações” se sustenta no constante embate entre sonho e realidade. Em diversas ocasiões ao longo do último ano, ao comentar o projeto, o diretor Damien Chazelle mencionou o desafio de equilibrar essas duas forças. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que continua a explorar a temática, central para seus longas anteriores, “Guy and Madeline on a Park Bench” e “Whiplash”, ele constrói uma atmosfera bastante específica a partir de um mosaico de referências dignas de fantasia.

Seus personagens principais são imagens desse desejo-a-realizar: Mia (Emma Stone) é uma barista que se esforça para ser atriz; Seb (Ryan Gosling), um pianista que planeja abrir um clube de jazz. Os sonhos estão em todo lugar, da atmosfera de fantasia da sequência no observatório ao conteúdo de um de seus números musicais mais decisivos (“Um brinde aos sonhadores”, recado aos tolos que ousam imaginar, é também seu verso mais marcante). A batalha por um final feliz não é simples, no entanto.

Como em seus outros trabalhos, muitos dos percalços enfrentados pelos protagonistas parecem colocados no caminho por eles mesmos. Em seu primeiro longa, é Guy quem toma as decisões que levam ao fim do relacionamento cujo término irá lamentar adiante; no segundo, o papel de complicador cabe à arrogância de Andrew, incapaz de conciliar suas ambições musicais e um relacionamento estável com a família e a namorada. De modos distintos, os dois são sujeitos que, levados ao limite, precisam priorizar suas paixões e, conscientemente, optam pela carreira em detrimento do romance.

lala3.jpgO trabalho de Chazelle com os personagens é mais exigente nesse musical. Também assinado pelo cineasta, o roteiro busca ser igualmente generoso com seu casal de artistas aspirantes, dividindo a atenção entre eles. Ainda assim, “La La Land” não consegue capturar muito da garota e do rapaz para além da superfície antes de colocá-los para cantar e dançar. Em “Guy and Madeline”, por exemplo, o diretor demonstrava um interesse menos passageiro pelo cotidiano e, pintando retratos apurados da vida e da arte de um homem e uma mulher, buscava entender suas individualidades.

Não se trata de ausência de esforço. Curiosamente, o problema é de falta de imaginação. A esfera profissional da vida de Mia é observada de maneira exageradamente econômica, orientada apenas pela eficiência. A fim de fazer a trama fluir, a direção apresenta seus elementos mais rotineiros com a mesma agilidade de “Whiplash” e, em três ou quatro instantes (um latte sendo preparado, uma interação com uma cliente famosa, uma discussão com a chefe), resume parte significativa da árdua jornada da atriz em busca de oportunidades.

O cenário não é muito diferente no campo artístico. As audições a que a protagonista comparece são tão burocráticas quanto a maneira como Chazelle as enquadra. À semelhança de pequenos esquetes de comédia, o filme investe em transições rápidas e na expressividade de Watson. Para além dos números musicais e do charme irresistível da produção, o que mais chama a atenção em sua atuação é a capacidade de fazer tanto com tão pouco, de transformar dez segundos ao som de “I Ran” ou alguns minutos sozinha com a própria voz em performances tão distintas e igualmente cativantes.

Embora saiba aproveitar talentos específicos da intérprete (a habilidade para dublar músicas, por exemplo), o diretor-roteirista não parece dominar por completo o desenvolvimento de sua personagem. Entre as horas de ensaio na cafeteria e os testes de elenco, Mia vive uma sequência interminável de “manhãs seguintes”. Ela é um projeto de atriz que dorme sob a imagem de Ingrid Bergman e passa a noite fantasiando com o sucesso, com a oportunidade de ser descoberta por “alguém na multidão”, como uma faixa anuncia. “Você é a estrela” é o nome do mural pelo qual ela passa após ter o carro guinchado e imediatamente antes de conhecer Seb. Irônico, sim; sutil, jamais.lala4.jpgSe por um lado a intenção de acompanhar apenas de passagem essa fase pouco frutífera do início de carreira se realiza, por outro é frustrante que um filme que assume uma proposta tão centrada se contente em não investigar mais a fundo seus protagonistas. Além disso, por mais interessante que seja ver uma filmografia cheia de potencial se expandir para incluir uma figura feminina com motivações e questões próprias, ainda há um desequilíbrio flagrante entre as duas partes do casal.

Não é difícil notar que Chazelle possui mais proximidade com o universo do personagem masculino. O problema é que, embora beba de ambas as fontes (por ter uma carreira em cinema e uma inclinação ao mundo da música), o diretor acaba oferecendo um material mais amplo para Gosling. Seus diálogos com familiares existem em maior variedade e ocupam maior tempo de projeção, (ainda que o marketing superestime a importância dos coadjuvantes). Ainda que efetivamente não faça muito, aos olhos do filme ele ao menos parece fazer. É verdade que ele também se divide entre empregos provisórios, mas ao menos seu ofício ganha contornos mais detalhados no que diz respeito à preparação e execução — Seb aparece praticando piano em casa, traçando objetivos, depois provocando o chefe.

Em termos simples, o rapaz tem mais agência do que Mia, e mesmo as atividades corriqueiras em cena dão mais liberdade ao ator. Quando ele a motiva a agir, a decisão é consciente (o primeiro passo para que ela escreva a própria peça, por exemplo, é dele); quando o contrário ocorre, muitas vezes o estímulo é quase acidental (uma conversa dela entreouvida no telefone faz com que ele decida se juntar a uma banda). Em certo sentido, é como se a paixão dos personagens fosse importante por esse impulso inicial, não necessariamente por apontar para algo duradouro — “All that I need is this crazy feeling”, no fim das contas.

Basta analisar outros casos para tornar essa ideia mais clara. Quando eles se separam, ela surge sozinha, mas pouco se vê sobre seu processo de criação. Quando chega seu maior teste, ela narra as aventuras de uma tia, presa a uma história de um passado que sequer viveu. Já no epílogo, surpreendentemente, o filme continua sem nada a mostrar sobre sua carreira além de uma visita deslumbrada ao antigo café e um pôster com seu rosto na parede. Não se dizia nada autêntico ou pulsante sobre ela antes; não se diz cinco anos depois.lala5.jpg

A visão de Chazelle sobre os personagens e esse desfecho é discutível e, assim como a forma como o diretor encara determinados fracassos e sucessos, parece mais ou menos cínica e ressentida dependendo de onde se observa. Esse é outro debate. De qualquer forma, o contraste é claro: a realização de Mia se materializa em filho e marido, enquanto a de Seb segue os rumos mais ou menos esperados.

Apesar dos percalços, o fato de que as duas metades do casal lidam com a mesma sensação de inadequação faz o filme funcionar. No curto diálogo em que consideram continuar juntos ou seguir separadamente, a referência usada para introduzir o assunto é de deslocamento: “Onde nós estamos?”, ela pergunta, referindo-se ao relacionamento. “Griffith Park”, ele responde, sugerindo uma reação leve e bem humorada à separação aparentemente inevitável. O esquema é parecido no instante em que Mia desperta do tédio da própria vida. No jantar com o então namorado, ela se vê fora de lugar, sem saída, antes de decidir fugir para encontrar o pianista.

O alerta é musical: a salvação ganha forma na melodia de “City of Stars”, que invade o restaurante por uma caixa de som. Quando investe nessa ideia e a incorpora à estrutura, fazendo com que as canções deem suporte às trajetórias dos personagens, Chazelle encontra sua maior força. As composições de Justin Hurwitz, especialmente o tema principal, criam um ritmo que ganha força em momentos pontuais, acelerando ou freando a trama quando necessário.
Além disso, todo acontecimento em “La La Land” antecipa o próximo. Em uma cena, Mia derruba café em uma blusa branca; na seguinte, encara um teste vestindo uma jaqueta de inverno. Em outro momento, Seb se despede da garota dizendo “Nos vemos no cinema” (“I’ll see you at the movies”), referindo-se ao trabalho dela como atriz, e o que vemos a seguir são os dois juntos em uma sessão de “Juventude Transviada” no antigo Rialto.

lalamural.jpg

Mesmo em termos mais amplos, é possível notar como o verão, quando o casal vive seus dias mais felizes, já antecipa certos ruídos capazes de provocar esse distanciamento. Eles efetivamente se afastam, mas acabam reunidos por um telefonema, um vestígio da relação que ainda não havia desaparecido inteiramente. Há um senso de consequência muito bem construído aqui e, embora não dê tanta substância a suas figuras centrais separadamente, Chazelle demonstra ter atenção para enquadrar o relacionamento entre elas.
Por todos esses desequilíbrios, a sensação é de que o filme repete seus personagens e fica sempre entre o sonho e o cotidiano, a fantasia e a realidade, ensaiando mergulhos que só se concretizam em seu momento mais decisivo. A troca de olhares final é o que há de mais real e tocante na produção, e a sequência inspirada em “Sinfonia de Paris”, o que há de mais mágico. Para tratar de trechos como esse, porém, é preciso analisar mais atentamente a construção visual do longa.

Um sonho retrô
A estética de “La La Land” reflete essa relação entre o que se vive e o que se imagina. Se os números musicais são controlados e mantém os pés no chão (exceção feita literalmente a uma sequência), o dia a dia procura cores e movimentos mais expressivos, sempre um tom acima da realidade. As duas coisas se afetam mutuamente, e o filme se permite pequenos voos, mas logo retorna a suas bases mais estáveis. Chazelle propõe um esquema que favorece sua eficiência na direção: ele condensa o drama e se dedica a provocar imersão forjando uma aparência leve, mas rigorosamente controlada.A câmera segue a mesma lógica, dançando uma melodia particular e flutuando pelos cenários cuidadosamente desenhados, charmosos em sua simplicidade.

lala9-1

As inspirações são várias, e o diretor assume o tom de homenagem, “a ideia de que você pode reimaginar esses filmes antigos”. Suas referências englobam desde os musicais animados dos estúdios Disney até as produções francesas dos anos 1960 (“Cinderella” é o primeiro filme de que ele tem memória; “Os Guarda-Chuvas do Amor”, seu favorito de todos os tempos), mas a nostalgia ganha forma mesmo em relação à Hollywood dos anos 30, 40 e 50.Ao voltar-se para essa atualização de época, o cineasta passa a enfrentar uma nova dualidade, agora entre o tradicional e o novo.

O processo é absolutamente natural e comum em vários experimentos de gênero — há diversos exemplos recentes, sobretudo de faroestes. Em “La La Land”, a incursão no musical deve tanto ao sapateado e às performances de Fred Astaire e Ginger Rogers quanto a uma legião de clipes de música pop e comerciais de televisão, que frequentemente incorporam recursos como planos longos e coreografias coletivas — uma receita conhecida, mas de execução complicada.Desde a abertura, é possível reconhecer algumas tendências no trabalho de Chazelle.

la-la-land-2016-002-ryan-gosling-emma-stone-crossing-los-angeles-bridge.jpg
A primeira delas é que o diretor procura criar fluidez em seu passeio pela trama, mas acaba sendo apenas ostensivo em várias ocasiões. Isso ocorre, por exemplo, quando o foco se alterna rapidamente entre Seb e Mia durante uma apresentação, chamando atenção para esse próprio movimento em vez de deixar que a ação e a música deem conta do recado. Acontece também na sequência na piscina, quando a câmera gira várias vezes em torno de si sem, de fato, registrar com clareza o que ocorre ao redor. Em outros momentos, como no número das quatro amigas em casa, a direção é mais suave, inclusive na maneira como interage com os espaços, e por isso encontra mais sucesso.A segunda marca desse resgate de uma fatia da história do cinema que não deveria ter sido deixada para trás é o olhar sobre Hollywood. Disfarçada no título do filme e vista durante a hora mágica como se fosse uma pintura, Los Angeles não chega a se tornar personagem, mas existe sempre como subtexto. Em diversas cenas, como aquela em que Mia conversa com um profissional da indústria durante uma festa, o roteiro esboça uma crítica vazia e um tanto deslocada ao funcionamento do show business, mas nunca passa disso. Felizmente, a maior parte dos comentários existe apenas como pano de fundo.No restante do tempo, Chazelle se mostra ciente de que, para cada sonho realizado, L.A. oferece também centenas de frustrações — ele, preocupado com o abandono das coisas queridas, do jazz e dos musicais, sabe disso. No entanto, seu desfecho parece confirmar LA como a cidade dos sonhos e das estrelas. O roteiro rompe o casal, mas o tempo e uma longa sequência musical proporcionam um reencontro que os apresenta realizados. Se por um segundo eles flertam com o que poderia ter sido caso permanecessem juntos, no seguinte acenam um para o outro e reconhecem ter alcançado seus maiores objetivos, os quais só poderiam se concretizar ali e daquela maneira, por meio de som e música.
A solução se mostra engenhosa e eficiente para uma história sobre ilusão e desilusão. Em uma só tacada, dá ao público o que se espera de um passeio nostálgico por um gênero tradicionalmente popular e sugere uma alternativa ensolarada para um romance que caminhava para a melancolia. O saudosismo do número final é o que garante seu sucesso, mas ele não é exatamente libertador. Ao se voltar mais uma vez para o cânone e insistir nessa lógica nostálgica, “La La Land” parece não se importar em ser mais do que homenagem para se estabelecer na mesma prateleira das obras que tanto reverencia. Assim, a sensação final é agridoce como os destinos dos protagonistas: o presente é ótimo, mas não encanta tanto quanto as experiências de outros tempos. []